domingo, 13 de setembro de 2009

FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E PEDAGÓGICOS DO MÉTODO PRÉ-FIGURATIVO DE H. J. KOELLREUTTER ARTICULAÇÕES PRELIMINARES

Segue abaixo um texto de um grande amigo, o Pedro Albuquerque, que no momento está fazendo mestrado em educação na UERJ. O texto é apenas um resumo de um belo artigo, e quem se interessar em tê-lo na íntegra, é só mandar um e-mail que o envio com prazer.



FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E PEDAGÓGICOS DO MÉTODO
PRÉ-FIGURATIVO DE H. J. KOELLREUTTER
ARTICULAÇÕES PRELIMINARES

Pedro de Albuquerque Araujo

Universidade de Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Resumo

O método/conceito1 pré-figurativo não propõe uma ruptura com os modos já
tradicionais de ensino de música, mas, ao contrário, complementá-los ampliando
horizontes existentes, acoplando ingredientes ao presente e, principalmente, procurando
vislumbrar o futuro, ou seja, pretende estabelecer um diálogo constante e uma crítica
permanente com seu objeto de estudo. Além disso o método/conceito de Koellreutter é
concebido como um modo de formação de músicos através da música, para além da
música. Em sua prática o professor, além de transmitir ao aluno conhecimentos
musicais já sedimentados, tem como objetivo estimulá-lo a questionar, pensar, produzir
conexões com o meio social em que se encontra. Questionar a posição dos próprios
professores, incitando-os a mudar da postura tradicional e passiva, a uma outra
produtora e ativa, é também uma das especificidades desta visão epistemológica e
pedagógica.
Pensar, para Nietzsche, seria uma atividade provocada por um poder, uma força
externa ao pensamento, não o exercício de uma faculdade (como diria Kant), mas algo
extraordinário ao próprio pensamento. Tal força exerce-se com tal potência e com
tamanha violência que lança o pensar num devir-ativo. Esse conceito de Cultura ou de
uma tipologia cultural exige a compreensão da violência expressa pelas forças que se
impõe ao pensamento, para dele fazer algo ativo, afirmativo, isto é, segundo Nietzsche,
a produção de adestramento e seleção. Este conceito nietzscheano de Cultura só poderá
ser entendido plenamente, a partir do momento em que sua oposição a “Método” for
tomada de maneira rigorosa, sendo este sempre compreendido como um determinante
interno do pensador, uma “boa vontade do pensador” diria Nietzsche e assim
compreendido pela história oficial da filosofia. Porém Deleuze, ao nos definir o
conceito de paidéia, nos traz uma outra leitura da história da filosofia. A cultura, ao
contrário do método, é a violência sofrida pelo pensamento, uma formação do
pensamento exercida sob a ação de forças externas ao pensador.
É disso que Koellreutter fala a todo o momento em seu método/conceito préfigurativo,
a potencialização do outro através da valorização das diferenças. O pensar no
sentido do “sem forma” fala dessa valorização da diferença, mas é na sua relação com a
violência da exterioridade, com o devir-ativo formador que a alteridade aparece.
Admite-se, então, o pré-filosófico e o conceitual, como partes constitutivas da filosofia,
própria e intrinsecamente. Então podemos considerar que a filosofia necessita dos
conceitos e do plano de imanência, “como duas asas ou duas nadadeiras”. Fazer a
comparação, a conexão, entre o pré-filosófico (o plano de imanência) e o método/conceito pré-figurativo agora é só uma questão de agenciamento. O plano pré filosófico ou imanente seria como uma clivagem, uma divisão (não necessariamente no
meio, não fazendo a divisão equânime das partes, das coisas ou dos fatos), no Caos que
pode ter uma existência tanto mental quanto física. Já o ensino pré-figurativo funciona
na lógica do rizoma, como um cérebro, não segue um plano estratificado, ou seja, se
aproxima do Caos, mas não se torna Caos. Exatamente porque existe esta clivagem
imanente, permite que se trace Linha de Fuga, no sentido de desterritorialização e
reterritorialização (estratificação), possibilitando o delineamento de um futuro para a
Educação.


1 Denomino desse modo o “método” pré-figurativo, por entender que ele, mais que um método, expressa uma visão epistemológica e pedagógica. O que significa dizer que, nesta forma de ensino, o processo se torna mais importante que o produto.


Palavras-chave: Koellreutter, Pré-Figurativo, devir-ativo, Nietzsche, Deleuze.

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