sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro

Em seu belíssimo livro "história e memória", Jacques LeGoff nos diz, entre tantos achados interessantes, acerca de disputas que se travam dentro das sociedades de todos os tempos, sobre o que se deve ou não lembrar. Há uma espécie de disputa no plano simbólico para que determinadas coisas não sejam esquecidas. Mas como as sociedades são, com exceção das sociedade sem classes, formadas por agrupamentos diferentes (classes, estamentos, tribos, etc) a disputa se dá no sentido de que os vários atores tentam fazer com que suas memórias mais caras sejam aquelas a ser celebradas pelo conjunto. Estou falando tudo isso para me referir a data 11 de setembro. Neste dia, em 2001, como todos sabem, ocorreu uma tragédia nos EUA. Dois grandes prédios da cidade de Nova York foram atacados por aviões que se chocaram contra eles matando milhares de pessoas.
Acontece que na mesma data 28 anos antes da tragédia estadunidense, em 1973 portanto, outra tragédia acontecia. Desta feita com a população do Chile, pois nesta data um governo popular, eleito e muito querido foi deposto por militares com o apoio claro dos EUA.
Recentemente 11 diretores foram chamados para realizarem curtas-metragens de 11 minutos cada, onde cada um mostraria sua própria visão acerca da tragédia ocorrida nos EUA. Segue abaixo o curta feito pelo genial diretor inglês, de quem sou fã, Ken Loach.


The iPad Orchestra

Participo de uma lista de discussões em torno do tema da disciplina Etnomusicologia e lá deu pano pra muita manga a disponibilização desse video que divulgo abaixo. É sem dúvida um tema interessante: uma peça musical do século XV ou XVI executada por um grupo de pessoas que ao invés de estarem portando violinos, violas, clarinetes etc. estão na verdade com pequenos computadores na mão imitando os sons dos instrumentos, vamos dizer assim, "reais" (com bastante aspas). Um dos debatedores colocou que achava uma pena uma tecnologia hiper-moderna para executar coisas de trezentos anos atrás. De qualquer modo, essa possibilidade demonstrada pelo grupo que realiza a performance, The iPad orchestra, abre a possibilidade para outras experiências, tais como experiências formais e timbrísticas. Vejam e tirem suas conclusões:

The iPad Orchestra from Alex Shpil on Vimeo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mais evidências sobre o falso escândalo

O blog de Luís Nassif traz uma carta interessante escrita por Renato Machado que dá conta de uma matéria de outubro do ano passado, 2009, sobre esquemas de vazamento na Receita Federal. O texto de Renato Machado (e a matéria do SBT) nos faz compreender de que se trata de um esquema de bandidos que negociam informações sobre qualquer brasileiro - lá tinham informações sobre Guido Mantega, Lula e outros. A matéria traz inclusive um depoimento de José Serra, que na ocasião não destila nenhuma ira em relação a Dilma ou ao PT, pelo contrário, fala calmamente sobre o assunto. A hipótese então, é de que toda essa celeuma é o requentamento de uma história antiga e a atribuição do vazamento ao PT. Vejam a matéria e o vídeo:

Serra sobre o sigilo em outubro de 2009

Nassif,

Mais inacreditável do que isso é o fato de que existe uma matéria feita pelo SBT BRASIL, tratando do assunto de quebra de sigilos por uma máfia que atua em São Paulo, na qual o próprio José Serra comenta o fato do vasamento de sua declaração e de sua mulher com total calma e naturalidade, sem dizer que foi o PT, ou que é por motivos eleitorais. A reportagem ainda comenta sobre a violação de várias outras autoridades e pessoas comuns incluindo aí a própria Veronica Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher, Guido Mantega, etc..
Acho que está mais que na hora de desmascarar essa história toda! Você com sua influência estou seguro que consegue! Esse video é prova cabal de que José Serra está explorando uma mentira para ganhar terreno em uma eleição perdida para ele!

Abs,

Renato Machado

domingo, 5 de setembro de 2010

MARINA NO COLO DA DIREITA

 O belo artigo abaixo é de autoria de Emir Sader e creio que ele tenha acertado na mosca quando analisa o papel que desempenha hoje a ex-ministra Marina Silva. É de fato triste ver alguém com uma trajetória tão forte do ponto de vista simbólico aderir a um ideário que vem a ser a antítese do seu movimento libertário. Enfim... leiam!

MARINA NO COLO DA DIREITA.
por Emir Sader

   No Forum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, Marina propagava que ela seria o Obama da Dilma. Já dava a impressão que as ilusões midiáticas tinham lhe subido à cabeça e que passava a estar sujeita a inúmeros riscos.
De militante ecologista seguidora de Chico Mendes, fez carreira parlamentar, até chegar a Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, onde aparecia como contraponto de formas de desenvolvimentismo que não respeitariam o meio ambiente. Nunca apresentou alternativas, assumiu posições perdedoras, porque passou ao preservacionismo, forma conservadora da ecologia, de naturalismo regressivo. Só poderia isolar-se e perder.
   Saiu e incutiram na sua cabeça que teria condições de fazer carreira sozinha, com a bandeira supostamente transversal da ecologia. Saiu supostamente com críticas de esquerda ao governo, mas não se deu conta – pela visão despolitizada da realidade que tem – da forte e incontornável polarização entre o bloco dirigido por Lula e pelo PT e o bloco de centro direita, dirigido pelos tucanos. Caiu na mesma esparrela oportunista de Heloísa Helena de querer aparecer como “terceira via”, eqüidistante entre os dois blocos, ao invés de variante no bloco de esquerda.
   Foi se aproximando do bloco de direita, seguindo as trilhas do Gabeira – que tinha aderido ao neoliberalismo tucano, ao se embasbacar com as privatizações, para ele símbolo da modernidade – e foi sendo recebido de braços abertos pela mídia, conforme a Dilma crescia e o fantasma da sua vitória no primeiro turno aumentava.
   As alianças da Marina foram consolidando essa trajetória na direção do centro e da direita, não apenas com empresários supostamente ecologistas – parece que o critério do bom empresário é esse e não o tratamento dos seus trabalhadores, a exploração da força de trabalho – e autores de auto-ajuda do tipo Gianetti da Fonseca, ao mesmo tempo que recebia o apoio envergonhado de ecologistas históricos.
   O episódio da tentativa golpista da mídia e do Serra é definidor. Qualquer um com um mínimo de discernimento político se dá conta do caráter golpista da tentativa de impugnação da candidatura da Dilma – diante da derrota iminente no primeiro turno – com acusações de responsabilidade da direção da campanha, sem nenhum fundamento. Ficava claro o objetivo, típico do golpismo histórico – que vinha da UDN, de Carlos Lacerda, da imprensa de direita e que hoje está encarnado no bloco tucano-demista, dirigido ideológica e política pela velha mídia.
Marina, ao invés de denunciar o golpismo, se somou a ele, tentando, de maneira oportunista, tirar vantagens eleitorais, dizendo coisas como “se a Dilma (sic) faz isso agora, vai saber o que faria no governo”. Afirmações que definitivamente a fazem cair no colo da direita e cancelam qualquer traço progressista que sua candidatura poderia ter até agora. Quem estiver ainda com ela, está fazendo o jogo da direita golpista, não há mais mal entendidos possíveis.
   Termina assim a carreira política da Marina, que causa danos gravíssimos à causa ecológica, de que se vale para tentar carreira oportunista. Quando não se distingue onde está a direita, se termina fazendo o jogo dela contra a esquerda.
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