domingo, 5 de setembro de 2010

MARINA NO COLO DA DIREITA

 O belo artigo abaixo é de autoria de Emir Sader e creio que ele tenha acertado na mosca quando analisa o papel que desempenha hoje a ex-ministra Marina Silva. É de fato triste ver alguém com uma trajetória tão forte do ponto de vista simbólico aderir a um ideário que vem a ser a antítese do seu movimento libertário. Enfim... leiam!

MARINA NO COLO DA DIREITA.
por Emir Sader

   No Forum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, Marina propagava que ela seria o Obama da Dilma. Já dava a impressão que as ilusões midiáticas tinham lhe subido à cabeça e que passava a estar sujeita a inúmeros riscos.
De militante ecologista seguidora de Chico Mendes, fez carreira parlamentar, até chegar a Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, onde aparecia como contraponto de formas de desenvolvimentismo que não respeitariam o meio ambiente. Nunca apresentou alternativas, assumiu posições perdedoras, porque passou ao preservacionismo, forma conservadora da ecologia, de naturalismo regressivo. Só poderia isolar-se e perder.
   Saiu e incutiram na sua cabeça que teria condições de fazer carreira sozinha, com a bandeira supostamente transversal da ecologia. Saiu supostamente com críticas de esquerda ao governo, mas não se deu conta – pela visão despolitizada da realidade que tem – da forte e incontornável polarização entre o bloco dirigido por Lula e pelo PT e o bloco de centro direita, dirigido pelos tucanos. Caiu na mesma esparrela oportunista de Heloísa Helena de querer aparecer como “terceira via”, eqüidistante entre os dois blocos, ao invés de variante no bloco de esquerda.
   Foi se aproximando do bloco de direita, seguindo as trilhas do Gabeira – que tinha aderido ao neoliberalismo tucano, ao se embasbacar com as privatizações, para ele símbolo da modernidade – e foi sendo recebido de braços abertos pela mídia, conforme a Dilma crescia e o fantasma da sua vitória no primeiro turno aumentava.
   As alianças da Marina foram consolidando essa trajetória na direção do centro e da direita, não apenas com empresários supostamente ecologistas – parece que o critério do bom empresário é esse e não o tratamento dos seus trabalhadores, a exploração da força de trabalho – e autores de auto-ajuda do tipo Gianetti da Fonseca, ao mesmo tempo que recebia o apoio envergonhado de ecologistas históricos.
   O episódio da tentativa golpista da mídia e do Serra é definidor. Qualquer um com um mínimo de discernimento político se dá conta do caráter golpista da tentativa de impugnação da candidatura da Dilma – diante da derrota iminente no primeiro turno – com acusações de responsabilidade da direção da campanha, sem nenhum fundamento. Ficava claro o objetivo, típico do golpismo histórico – que vinha da UDN, de Carlos Lacerda, da imprensa de direita e que hoje está encarnado no bloco tucano-demista, dirigido ideológica e política pela velha mídia.
Marina, ao invés de denunciar o golpismo, se somou a ele, tentando, de maneira oportunista, tirar vantagens eleitorais, dizendo coisas como “se a Dilma (sic) faz isso agora, vai saber o que faria no governo”. Afirmações que definitivamente a fazem cair no colo da direita e cancelam qualquer traço progressista que sua candidatura poderia ter até agora. Quem estiver ainda com ela, está fazendo o jogo da direita golpista, não há mais mal entendidos possíveis.
   Termina assim a carreira política da Marina, que causa danos gravíssimos à causa ecológica, de que se vale para tentar carreira oportunista. Quando não se distingue onde está a direita, se termina fazendo o jogo dela contra a esquerda.

4 comentários:

  1. Se não fosse o fanatismo o conteúdo poderia ter sido interessante. Não gostei.

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  2. Fanatismo?? Não entendi. De qualquer forma fica o registro.

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  3. Conteudo muito fraco. Essa idéia de querer ligar Marina a direita é tolice. Marina transcende a direita e esquerda. Aliás, meu caro amigo, você acha ainda que existam direita e esquerda no brasil? Tá tudo a mesma coisa acredite. Hoje o PT no governo chamou todo mundo para governar com ele. Então, não existe mais a esquerda ou a oposição. Marina é a diferença, é o incomum para o brasil comum. Ele não é uma oportunista que caiu de para-quedas. Acha que acredito nessa de que a Dilma representa o melhor para o Brasil. Seu discurso tá mais pró-Dilma do que para alguém que expõe seu pensamento imparcialmente.

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  4. Até que enfim... comentários lúcidos!!! Terminei minha pesquisa essa semana e estou com Marina Silva. Viva a liberdade, inclusive liberdade de credo, que vc já abordou aqui de maneira tão pejorativa. Não fica zangado... mas é o que penso, por isso existo, rs.

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