sábado, 2 de abril de 2011

O DESAGUE DE THOMAS SABOGA

Artigo publicado originalmente no jornal Pôr-do-sol
por Ricardo Moreno


          Já não é de hoje que a música instrumental brasileira é uma promessa. É claro que ela já teve seu esplendor no final do século XIX, com Chiquinha Gonzaga, Nazareth, João Pernambuco e outros bambas, e depois atravessou o século XX com outros craques do ramo. Mas uma música instrumental mais contemporânea, vamos dizer assim, vai talvez ganhar um fôlego mais consistente na obra de dois grandes da música brasileira: Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal. Com elementos do jazz, mas com uma base rítmico-melódica absolutamente brasileira esses dois compositores deram uma ossatura vigorosa ao que podemos chamar de música popular instrumental brasileira. Ale disso, a música produzida por esses dois se inscrevem naquela área indefinida que poderíamos chamar, como falamos aqui mesmo sobre o compositor Chico Mário, de música de fronteira.


          Pois é, todo esse preâmbulo foi para falar do disco “O desague” do músico-violonista e compositor Thomas Saboga interpretado pelo fabuloso Quarteto Impresons. O quarteto é formado por um pessoal jovem, porém de primeiríssima linha: Larissa Goretkin na flauta; Renata Neves no violino; o já experiente Matias Correa no contrabaixo; e o próprio Thomas no violão. Esse pessoal se conheceu musicalmente na UNIRIO, no curso de música e após algumas apresentações no ambiente acadêmico da universidade o grupo foi percebendo que tinha espaço para pensar em outros vôos. Eu mesmo os vi tocando na universidade, e tornei-me mais um dos tantos entusiastas do grupo, e em particular das composições de Thomas.


      Ouve-se nas melodias do disco, muitas referências e sotaques. Percebe-se ali um cruzamento que vai de Capiba, como disse o compositor Guinga em brilhante texto de contracapa, ao argentino Astor Piazzolla, como digo eu. Como o leitor pode ver, não é pouca coisa. No quarteto não há, como nas formações de Piazzolla, instrumentos de percussão, não obstante a função percussiva estar presente nos ataques feitos pelos instrumentos harmônico-melódicos. Os timbres são também um aspecto forte da obra, pois as combinações de flauta e violino que se dobram em muitas passagens produz um colorido bonito e especial. Mas ocorrem também outros momentos, como na belíssima “Seresta em forma de profecia”, um jogo de contracanto entre os dois instrumentos no qual eles vão se tecendo e compondo um ambiente sonoro belíssimo, com ares de novena sofisticada.
  
Há poucas mas distintas participações especiais, e estas ficam por conta do violão de Luís Carlos Barbieri (do antigo duo de vilões Barbieri-Schneiter) tocando na faixa feita por Thomas em sua homenagem: “choro por Barbieri”. A outra digníssima participação fica por conta da Mariana Bernardes, que para muitos já dispensa comentários. Mariana canta a única peça do disco que não é instrumental, cujo título é “Frevo Santa”, um frevo de melodia nada fácil de ser interpretada, mas que é executado com maestria por esta, que é para vários admiradores, um sopro novo no canto brasileiro.
O Violão do Thomas aparece discretamente no disco, e não há nenhuma faixa dedicada ao instrumento. Mas percebe-se facilmente que toda obra está calcada na linguagem desse instrumento. Não foi sem razão que o excelente violinista Marco Pereira, que também dá um depoimento no disco, chamou atenção para a eficiência com que Thomas insere o violão no quarteto.

      Enfim, senhoras e senhores, “O desague” é um disco que dialoga com a longa e digníssima tradição musical brasileira. Tanto em seu viés instrumental quanto em sua vertente cancionista. Thomas ouviu tudo e digeriu como só os grande criadores sabem fazê-lo. Cabe agora aos mediadores, aqueles que estão entre os criadores e os consumidores: Distribuidores, animadores culturais, chefes de departamento em secretarias de cultura e empresários, estarem a altura dos criadores brasileiros, e em particular deste jovem criador chamado Thomas Saboga. Depois não digam que não avisei...

O QUE DEVEMOS SABER??

Em um mundo altamente tecnologizado fica cada vez mais difícil para o cidadão comum "tomar pé" da situação. Aliás essa é uma tônica da vida moderna desde as revoluções industriais. Me lembra até uma passagem do livro "a condição humana" de Hannah Arendt quando ela diz que as verdades emanadas do mundo científico, não obstante possam ser demonstradas por fórmulas matemáticas e comprovadas tecnologicamente, "já não se prestam à expressão normal da fala e do raciocínio". Essa hiato apontado pela filósofa é uma marca da condição moderna na medida em que cada vez mais se torna difícil refletir sobre coisas que interferem diretamente nas nossas vidas. É um hiato perigoso...
Nesse documentário o tema é a "obsolescência programada" ou planejada. Trata-se de um artifício usado largamente pela indústria sob os auspícios da ciência no qual a vida útil de um produto é planejada para durar menos do que poderia de fato durar. Isso não é novo, e já foi denunciado várias vezes, mas agora passa a ser, talvez, mais explicitado através de mídias alternativas (não estou certo que possamos chamá-las assim) de modo que o cidadão comum pode e deve refletir sobre o que está em jogo. Creio que haja aí uma dupla inserção: uma como consumidor e outra como cidadão, porque o lixo gerado por essa lógica é altamente destrutiva quando se pensa em seu grande volume, como veremos no documentário abaixo. O mesmo foi realizado pela TVE espanhola.

quinta-feira, 31 de março de 2011

MÚSICA DE TRABALHO

Muito interessante essa série sobre música feita pelo jornal da band. São vários episódios, e nesse aqui o foco é a música de trabalho.

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