quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eleição 2010: Entrevista com Emir Sader

Eleições no Brasil: Entrevista com Emir Sader
Paula Coutinho e Gisele Ortolan *
  
Setores emergentes decidem a eleição, projeta cientista político.

O cientista político Emir Sader é um dos principais pensadores da política de esquerda no Brasil. Em entrevista ao Jornal do Comércio, de Porto Alegre, ele analisa o cenário eleitoral deste ano e sustenta que não há como fugir do debate plebiscitário entre a candidatura de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a partir das gestões do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e do petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Ele argumenta que, num cenário de avaliação entre as duas gestões, a eleição acabará sendo decidida com os votos dos setores populares que, amparados pelas políticas sociais, melhoraram suas condições de vida e tiveram acesso a bens fundamentais.
Forte crítico da administração tucana, acrescenta que o plano de Serra é chegar ao governo para implementar um pacote econômico com duro ajuste fiscal, repetindo a fórmula do PSDB. Em contraposição, como colaborador na formatação do plano de governo de Dilma, Sader informa que, além da manutenção da política econômica, as diretrizes do programa serão educação, habitação e saneamento básico. "O pré-sal vai ser a grande fonte para fazer isso", acrescenta.
A reportagem e a entrevista é de Paula Coutinho e Gisele Ortolan e publicada pelo Jornal do Comércio. Para acessá-la siga o link:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paulo Francis e seu amigo José Serra.

  Li este artigo abaixo e fiquei pensando na existência de Deus. Explico: é que faço uma brincadeira na qual um determinado fato ocorrido é tão interessante que só pode ter acontecido pelo fato de Deus existir. Não basta que o fato seja positivo, mas sim das condições em que tal coisa aconteceu. No caso, fiquei pensando nisso porque a morte de Paulo Francis não foi uma morte qualquer. Ele morreu do próprio veneno. Sim! porque ele era especialista em "criar" fatos. Mentia, chantageava, enfim... era um embusteiro profissional. Mesmo assim, e talvez por isso, era adulado e tido como um grande intelectual. Mas leiam a mensagem que recebi e conheçam ou relembrem as razões da morte dessa criatura repulsiva e o esforço de seu amigo, um tal de José Serra, para tentar salvá-lo.

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Entre a ida e a volta para BH, no avião, li o livro Paulo Francis – Polemista profissional, espécie de perfil que Paulo Eduardo Nogueira acaba de lançar pela editora da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Nunca gostei de Paulo Francis e o considero uma das maiores fraudes criadas pelos intelectuais de direita no Brasil.
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Francis foi um jornalista medíocre, dono de um repertório vasto de citações e nenhuma ideia própria que fosse realmente aproveitável. Oportunista, foi da esquerda para a direita quando lhe conveio. Era um elitista confesso, além de xenófobo e homofóbico. No auge da crise do governo de Fernando Collor, defendeu o presidente usando termos racistas: “Collor vencerá porque é rico e branco”. Sentava-se à mesa com governantes e negociava favores. Era um capacho das elites.

No programa do qual participava, o Manhattan Connection, exibido no Brasil pela GNT, em 1997, Francis acusou, sem provas, os diretores da Petrobrás de possuírem 50 milhões de dólares em contas na Suíça. O presidente da estatal meteu-lhe um doloroso processo: pediu 100 milhões de dólares junto à justiça americana, alegando que o programa era transmitido nos EUA para assinantes de canais brasileiros na TV a cabo.

Francis passou meses atormentado pelo processo, do qual não conseguia se livrar. Todos os seus amigos, aqueles que antes o adulavam, tiraram o corpo fora. Não quiseram, obviamente, aliar-se a um falsário. Houve, contudo, algumas exceções. No último parágrafo da página 19 encontrei o seguinte trecho:

“O então senador José Serra intercedeu junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que até ali se mantivera omisso, embora fosse amigo de Francis, para se chegar a um acordo com a estatal. FHC nada fez, o que também decepcionou profundamente o Francis”

Nunca aquela velha máxima -- diga-me com quem andas e te direi quem és -- me pareceu tão apropriada.
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Pouco tempo após a abertura do processo, Francis morreria de ataque cardíaco. Ao contrário do que estampou a Veja, na edição daquela semana, nunca fez falta ao Brasil.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ao sul da fronteira - filme de Oliver Stone

Ainda não vi o filme , mas me parece importante que seja dito em alto e bom som que novos protagonistas surgem no horizonte da modernidade-mundo. A fatura não está liquidada e nunca estará, pois é da dinâmica do mundo dos homens a possibilidade de mudança. Parabéns a Oliver Stone por estar antenado com os novos rumos da política. Um mundo sem dúvida muito complexo, mas por isso muito interessante.

Lula, o Irã e os abutres de sempre II

    A diplomacia brasileira representa hoje uma das poucas chances de interlocução do Irã com o mundo ocidental. E olha que sem essa interlocução talvez as coisas sejam bem piores.  Mesmo assim há aqueles (e não são poucos) que acham que Lula não deveria dialogar com quem manipula eleições, ou com quem construir uma bomba atômica. Agora uma coisa é engraçada: ninguém acharia de bom tom que o governo brasileiro não converssasse com os EUA quando o presidente era o Bush, que protagonizou aquele escândalo eleitoral. Não invocavam com tanta veêmencia essa tal de "ilegitimidade" eleitoral quando se trata dos EUA. E por que não se questiona o poder bélico nuclear americano, ou israelense? Desconfia-se do que o governo iraniano é capaz de fazer, mas não se lembram do que o governo americano já fez... lembremos Hiroshima e Nagasaki. E como falar em atrocidade sem se indignar com Israel... que tal propor o fim do relacionamento diplomático com este país racista e imperialista onde há tortura legitimada pelo estado (acho que é o único caso no ocidente). Não defendo a extinção de Israel, mas quando se conhece um pouco do que está acontecendo lá, é bem difícil não sentir enjôo. Não gosto de estados religiosos como Irã e Israel, mas outra coisa é desprezá-los como possíveis parceiros. Aconselho a leitura do texto sobre essa história do Irã, do grande pensador alter-mundista Noam Chomsky (link abaixo).

Lula, o Irã e os abutres de sempre

 O comentarista esportivo Milton Neves, da Rede Bandeirantes, deve ter levado uma "chamada" dos seus superiores na última segunda-feira. Isso porque fugindo de sua pauta - e pareceu que foi uma inciativa expontânea -, ele, mesmo afirmando que não votou em Lula pra presidente, se derramou em elogios ao presidente pelo grande feito nas negociações no Irã. Logo a seguir de seu inesperado rompante lulista, o âncora Ricardo Boechat, tratou de se esforçar para tentar minimizar o feito do presidente em terras árabes. Aliás, este esforço foi comungado por grande parte da nossa mídia. Só não foi possível ir mais além porque os meios de comunicações internacionais não subservientes aos Estados Unidos, estavam indo, em certa medida, em outra direção. Notório é que os EUA, na figura pricipalmente de Hillary Clinton, continuam arrogantes como sempre foram.
 O feito do presidente Lula inspirou o jornalista e articulista da revista "Caros Amigos", Georges Bourdoukan, a escrever o que vai abaixo:

O MUNDO TEM UM LÍDER !!
O nome dele é Lula e a humanidade agradece. Mas todo cuidado é pouco. Israel e Estados Unidos farão de tudo para melar o acordo assinado. Com apoio da mídia. Israel e Estados Unidos precisam de inimigos. E quando não os há, eles os inventam. A História é cheia de exemplos.  Eles precisam da violência para sobreviver.

domingo, 16 de maio de 2010

abaixo assinado da campanha pela memória e pela verdade da OAB

Nós, abaixo assinados, apoiamos a Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.

Nós, abaixo assinados, consideramos que é direito das famílias dos desaparecidos conhecerem o destino de seus entes queridos.

Nós, abaixo assinados, estamos convictos de que o conhecimento pleno do que ocorreu nos porões da ditadura durante os chamados anos de chumbo é importante para se evitar a repetição da barbárie. Um país que não conhece sua História está fadado a repetir os erros.

Por fim, esperamos que as autoridades do Executivo e do Legislativo, a quem se destina este documento, determinem as providências necessárias para que seja dada publicidade aos arquivos, criando assim as condições para uma verdadeira reconciliação nacional.

http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp

Marina Silva tem o maior índice de rejeição segundo Vox Populi

 A mesma pesquisa da vox populi que aponta pela primeira vez a candidata do governo, Dilma Roussef, a frente do candidato José Serra, aponta também que o maior índice de rejeição é o da candidata Marina Silva. Fiquei pensando quais as razões desse rejeição, se ele for realmente verdadeira. Claro que não é fácil de explicar, mas de qualquer forma eu confesso que ficaria em dúvida quando me perguntassem em quem eu não votaria de maneira alguma. Em certo sentido, apesar de apoios interessantes (porém ingênuos, na minha opinião), creio ser Marina pior que Serra. Isso porque ela trabalha em um eixo discursivo despolitizado que aponta para uma esperança que não está no horizonte possível da política contemporânea. Refiro-me as propostas de governabilidade "limpa" isenta de mácula e outras coisinhas difícil de acreditar quando o seu partido é o PV. Ora, quem acompanha um pouco os alinhamentos políticos sabe o que é o PV brasileiro. Sempre operando nessa linha discursiva do "novo", da "esperança" etc., mas fazendo todos os tipos de arranjos tradicionais: participaram do governo do PFL (César Maia) no Rio de Janeiro, e se articularam com o PSDB (em particular com o pessoal da privataria) na campanha do Gabeira também no Rio. Que tipo de novidade é essa? Difícil de levar a sério, não acham? Até me faz lembrar o candidato Cristóvam Buarque quando perguntado em 2006, sobre como comporia um governo ético sem toma-lá-dá-cá. Ele respondeu que chamaria as lideranças dos partidos e explicaria que queria fazer uma nova gestão para um novo Brasil, etc. Fiquei pensando naqueles quadros fisiológicos do PTB ou do PMDB ouvindo o ex-reitor da UNB e se sensibilizando ante propostas tão legais... difícil de acreditar, não?
  É preciso que se diferencie a esperança ingênua do tipo cristã, que serve mais para apaziguar nossas próprios consciências, de uma esperança verdadeiramente política que aponte rumos e efetive os sonhos.

Sai a primeira pesquisa que aponta Dilma na frente.

   A pré-candidata do PT à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, aparece pela primeira vez à frente do pré-candidato do PSDB, o ex-governador de São Paulo, José Serra, em pesquisa de intenção de votos do Instituto Vox Populi, divulgada ontem.
   Na pesquisa estimulada, o levantamento traz a petista com 38% das intenções de voto, em empate técnico com Serra, que tem 35%. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Dois mil eleitores, moradores de 117 cidades (nas cinco regiões brasileiras), foram ouvidos.


   No levantamento anterior feito pelo instituto, em abril, Serra tinha 34% das intenções de voto, contra 31% de Dilma. Num eventual segundo turno entre Dilma e Serra, os dois candidatos também estariam tecnicamente empatados. A petista teria 40% e o tucano 38%, dentro, portanto, da margem de erro.
    A pesquisa espontânea - quando o eleitor abordado pelos pesquisadores diz em quem vai votar - também aponta a liderança da petista Dilma Rousseff. Ela aparece com 19% das intenções de voto, enquanto Serra tem 15%. Em janeiro, cada candidato obteve 9% das intenções de votos espontâneos.
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