sábado, 21 de janeiro de 2012

Letra da paródia "Quem dá mais?"

Atendendo à solicitação do amigo Nilton Maia transcrevo abaixo a letra da paródia do samba "Quem dá mais?" de Noel Rosa postada abaixo:


Quem dá mais
(Noel Rosa, psicografado por A. A. Fontes e Ricardo Moreno)

Quem dá mais?
Por uma floresta que é cobiçada
Uma linda amazona toda enfeitada
De verde e amarelo tão linda e formosa
Tão cheia de vida florida e generosa
Cinco reais? Cinquenta reais? Quinhentos reais?
Ninguém dá mais... A Silvério dos Reis
Aceito em moeda podre ou bichada
Ou qualquer marmelada
Ainda leva de quebra uma mamata
Quem dá mais??

Por uma mineira tão rica e faceira
Com um belo dote, não é brincadeira
Um vale dourado um rio de prata
Entrego barato com uma bela cascata
Vinte reais? Vinte e um e cinquenta? Quinhentos reais?
Ninguém dá mais, de trinta reais...
Quem arremata o lote não é plebeu
Quem garante sou eu
Pra vendê-lo pelo dobro entre os seus
Quem dá mais???

Por um deputado que veio do Acre
Tão necessitado de uns poucos trocados
Votou no plenário a favor do reinado
Deu continuidade ao que foi planejado
Quem dá mais? Quem é que dá mais?
De um conto de reis
(quem dá mais? quem dá mais?)
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três...
Quanto é que vai ganhar o leiloeiro
Que é também brasileiro
Quem em três lotes
Vendeu o Brasil inteiro
Quem dá mais???

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MELÔ DA PRIVATARIA TUCANA


  Em 1997, mais ou menos, em pleno processo de privatização do governo FHC, um amigo, como eu muito indignado com tudo aquilo que estava acontecendo, me propôs fazermos uma paródia de um samba de Noel Rosa. O samba já trazia em seu título a "deixa" para nosso tema: "quem dá mais?". No original Noel fazia como que leilão irônico de alguns itens. Mas no final da letra ele perguntava: "quanto é que vai ganhar o leiloeiro / que é também brasileiro / que em três lotes vendeu o Brasil inteiro... quem dá mais??" Esta indagação soa ou não soa profética? 
  Bom, o fato é que fizemos a paródia e a gravamos. Agora, com as bombásticas informações trazidas a baila no livro "privataria tucana", resolvemos dar-lhe um aporte visual e disponibiliza-la no youtube. A gravação é caseira, e portanto feita com poucos recursos técnicos. Tivemos a ocasião, quando do lançamento do livro no Rio de Janeiro, de entregar uma cópia dessa montagem ao próprio autor, Amaury Ribeiro Jr. Esperamos que gostem...




Quem dá mais
(Noel Rosa, psicografado por A. A. Fontes e Ricardo Moreno)

Quem dá mais?
Por uma floresta que é cobiçada
Uma linda amazona toda enfeitada
De verde e amarelo tão linda e formosa
Tão cheia de vida florida e generosa
Cinco reais? Cinquenta reais? Quinhentos reais?
Ninguém dá mais... A Silvério dos Reis
Aceito em moeda podre ou bichada
Ou qualquer marmelada
Ainda leva de quebra uma mamata
Quem dá mais??

Por uma mineira tão rica e faceira
Com um belo dote, não é brincadeira
Um vale dourado um rio de prata
Entrego barato com uma bela cascata
Vinte reais? Vinte e um e cinquenta? Quinhentos reais?
Ninguém dá mais, de trinta reais...
Quem arremata o lote não é plebeu
Quem garante sou eu
Pra vendê-lo pelo dobro entre os seus
Quem dá mais???

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ladrão de galinhas ou: o livre mercado mundial

Ladrão de galinhas 
por Luís Fernando Veríssimo

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia. 
   - Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia! 
   - Não era para mim não. Era para vender. 
   - Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha! 
   - Mas eu vendia mais caro. 
   - Mais caro? 
   - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons. 
   - Mas eram as mesmas galinhas, safado. 
   - Os ovos das minhas eu pintava. 
   - Que grande pilantra... 
   Mas já havia um certo respeito no tom do delegado. 
   - Ainda bem que tu vais preso. Se o dono do galinheiro te pega... 
   - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Eu me comprometi a não espalhar mais boatos sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio. 
   - E o que você faz com o lucro do seu negócio? 
   - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços. 
   O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira  estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou: 
   - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário? 
   - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior. 
   - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinha? 
   - Às vezes. Sabe como é. 
   - Não sei não, excelência. Explique-me. 
   - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa  proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova. 
   - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não. 
   - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro! 
   - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
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