quinta-feira, 26 de maio de 2011

Secretário diz que ditadura assassinou Neruda

Contribuição enviada pelo amigo Ronaldo Bortolini

A Agência Ansa, italiana, divulgou em sua página em português um notícia estarrecedora: o último assistente pessoal do poeta Pablo Neruda, Manuel Araya,afirmou que ele foi assassinado por agentes da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Araya contou à revista mexicana Proceso que, nos doze dias transcorridos entre o golpe militar, perpetrado em 11 de setembro de 1973, e a morte de Neruda, em 23 do mesmo mês, houve várias invasões de militares à casa do poeta, em Isla Negra.

Neruda, que sofria de câncer de próstata, foi internado na Clínica Santa Maria, em Santiago, pelo embaixador do México, que pretendia tira-lo da capital chilena. Segundo Araya, um dia antes da viagem foi administrada ao poeta uma injeção que provocou sua morte.

Esta clínica é a mesma em que se suspeita que o ex-presidente Eduardo Frei Montalva (1964-1970) tenha sido envenenado, em 1982, a mando do Governo Pinochet.

Em memória de Neruda, reproduzimos acima uma das última gravações que dele se tem, declamando dois dos seus “Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada”.

domingo, 22 de maio de 2011

Polêmica sobre o livro da discórdia e o poeta Zé da Luz...

  A associação Brasileira de Linguistas, ABRALIN, produziu em texto em resposta a toda essa controvérsia em torno do livro "Por uma vida melhor" da coleção Viver http://www.abralin.org/noticia/Did.pdf. Foi sem dúvida uma resposta técnica, lúcida e tranquila aos ataques histéricos (como diz a carta) de uma camada social que supostamente defende os interesses da língua portuguesa. Sem querer, muitas dessas pessoas foram, ao meu ver, instrumentalizadas a defender os "falares" da casa-grande. Este foi o caso do senador Cristóvam Buarque e também da ABL. Mas o que se pode esperar de uma instituição que institui José Sarney e Roberto Marinho como imortais da literatura brasileira.
  Aproveitando a ocasião gostaria de dizer que toda essa discussão me fez lembrar de um texto de um poeta "inculto". Dizem que esse poeta, Zé da Luz (nome bastante sugestivo) manifestou seu desejo de escrever um poema. Aí lhe disseram que poesia era coisa pra gente que sabe escrever; que conhece bem a língua, e não para um matuto que nem ele, Zé da Luz. Então Zé, do baixo de sua condição de iletrado, teria composto essa jóia que segue abaixo. Reparem como na sua linguagem "errada" ele constrói uma beleza de poema repleto de "fanopeia*", "melopeia*" e "logopeia*", tal como sugere Ezra Pound em seu "ABC da literatura".

AI SE SESSE
(Zé da Luz)

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse.


Fanopeia - Projetar o objeto (fixo ou em movimento) na imaginação visual.
Melopeia - Produzir correlações emocionais por intermédio do som e do ritmo da fala.
Logopeia - Produzir ambos os efeitos estimulando as associações (intelectuais ou emocionais) que permaneceram na consciência do receptor em relação às palavras ou grupos de palavras efetivamente empregados.

Extraído do livro "ABC da literatura" de Ezra Pound.
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