sexta-feira, 12 de março de 2010

o caso Orlando Zapata

 Muito se tem falado sobre a morte do cubano Orlando Zapata. O caso tem sido usado como mote pra se atacar a suposta ditadura cubana e seus terríveis mentores. De quebra, a imprensa nacional aproveita pra acusar o presidente Lula de apoiar e ser conivente com os excessos cubanos. Como sempre a mídia nacional e internacioanal fez o que sempre faz: manipula informações ao seu bel prazer, distorce e não dá direito ao contradito. Cumpre aqui, então, dar espaços a outras explicações, como esta que segue abaixo, sobre o processo de prisão que por força da greve de fome levou o preso à morte. O texto (meio em portunhol) é do jornalista Enrique Ubieta Gómez.

A absoluta carência de mártires que padece a contrarrevolución cubana, é proporcional a sua falta de escrúpulos. É difícil morrer-se em Cuba, não já porque as expectativas de vida sejam as do Primeiro Mundo —ninguém morre de fome, pese à carência de recursos, nem de doenças curables—, senão porque impera a lei e a honra. Os mercenários cubanos podem ser detidos e julgados segundo leis vigentes —em nenhum país podem violar-se as leis: receber dinheiro e colaborar com a embaixada de um país considerado como inimigo; nos Estados Unidos, por exemplo, pode acarretar severas sanções de privação de liberdade—, mas eles sabem que em Cuba ninguém desaparece, nem é assassinado pela polícia. Não existem “escuros rincões” para interrogatórios “não convencionales” o presos-desaparecidos, como os de Guantánamo ou Abu Ghraib. Por demais, um entrega sua vida por um ideal que prioriza a felicidade dos demais, não por um que prioriza a própria.
Nas últimas horas, no entanto, algumas agências de imprensa e governos apressaram-se em condenar a Cuba pela morte em prisão, o passado 23 de fevereiro, do cubano Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas o eco mediático se tiñe desta vez de entusiasmo: ao fim —parecem dizer—, aparece um “herói”. Por isso se impõe explicar brevemente, sem qualificativos innecesarios, quem foi Zapata Tamayo. Pese a todos os maquillajes, se trata de um preso comum que iniciou sua atividade delictiva em 1988. Processado pelos delitos de violação de domicílio” (1993), “lesões menos graves” (2000), “fraude” (2000), “lesões e tenencia de arma branca” (2000): feridas e fratura lineal de cráneo ao cidadão Leonardo Simón, com o emprego de um machete), “alteração da ordem” e “desordens públicas” (2002), entre outras causas em nada vinculadas à política, foi liberto baixo fiança o 9 de março do 2003 e voltou a delinquir o 20 do próprio mês. Dados seus antecedentes e condição penal, foi condenado desta vez a 3 anos de cárcere, mas a sentença inicial ampliou-se de forma considerável nos anos seguintes por sua conduta agressiva em prisão.
Na lista dos chamados presos políticos elaborada para condenar a Cuba no 2003 pela manipulada e extinta Comissão de Direitos Humanos da ONU, não aparece seu nome —como afirma, sem verificar as fontes e os fatos, a agência espanhola EFE—, apesar de que sua última detenção coincide no tempo com a daqueles. De ter existido uma intencionalidad política prévia, não tivesse sido libertado onze dias dantes. Ávidos de enrolar à maior quantidade possível de supostos ou reais correligionarios nas filas da contrarrevolución, por uma parte, e convencido pela outra das vantagens materiais que entranhava uma “militancia” amamantada por embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou o perfil “político” quando já sua biografia penal era extensa.
No novo papel foi estimulado uma e outra vez por suas mentores políticos a iniciar greves de fome que minaram definitivamente seu organismo. A medicina cubana acompanhou-o. Nas diferentes instituições hospitalarias onde foi tratado existem especialistas muito qualificados —aos que se agregaram consultantes de diferentes centros—, que não escatimaron recursos em seu tratamento. Recebeu alimentação por via parenteral. A família foi informada da cada passo. Sua vida prolongou-se durante dias por respiração artificial. De todo o dito existem provas documentales.
Mas há perguntas sem responder, que não são médicas. Quem e por que estimularam a Zapata a manter uma atitude que já era evidentemente suicida? A quem lhe convinha sua morte? O desenlace fatal regocija intimamente aos hipócritas “dolientes”. Zapata era o candidato perfeito: um homem “prescindible” para os inimigos da Revolução, e fácil de convencer para que persistisse em um empenho absurdo, de impossíveis demandas (televisão, cozinha e telefone pessoais na cela) que nenhum dos cabeças reais teve a valentia de manter. A cada greve anterior dos instigadores tinha sido anunciada como uma provável morte, mas aqueles grevistas sempre desistiam dantes de que se produzissem incidentes irreversibles de saúde. Instigado e alentado a prosseguir até a morte —esses mercenários esfregavam-se as mãos com essa expectativa, pese aos esforços não escatimados dos médicos—, seu nome é agora exibido com cinismo como troféu coletivo.
Como buitres estavam alguns meios —os mercenários do pátio e a direita internacional—, merodeando em torno do moribundo. Seu deceso é um banquete. Asquea o espetáculo. Porque os que escrevem não se conduelen da morte de um ser humano —em um país sem mortes extrajudiciais—, senão que a enarbolan quase com alegria, e a utilizam com premeditados fins políticos. Zapata Tamayo foi manipulado e de certa forma conduzido à autodestrucción premeditadamente, para satisfazer necessidades políticas alheias. Talvez isto não é uma acusação contra quem agora se apropriam de sua “causa”? Este caso, é conseqüência direta da assassina política contra Cuba, que estimula à emigración ilegal, ao desacato e à violação das leis e a ordem estabelecidos. Ali está a única causa dessa morte indeseable.
Mas, por que há governos que se unem à campanha difamatoria, se sabem —porque o sabem—, que em Cuba não se executa, nem se tortura, nem se empregam métodos extrajudiciais? Em qualquer país europeu podem achar-se casos —às vezes, francas violações de princípios éticos—, não tão bem atendidos como o nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutavam por sua independência nos anos oitenta, morreram no meio da indiferença total dos políticos. Por que há governantes que eludem a denúncia explícita do injusto confinamiento que sofrem Cinco cubanos nos Estados Unidos por lutar contra o terrorismo, e se apressam em condenar a Cuba se a pressão mediática põe em perigo sua imagem política? Já Cuba o disse uma vez: podemos enviar-lhes a todos os mercenários e suas famílias, mas que nos devolvam a nossos Heróis. Nunca poderá se usar o chantaje político contra a Revolução cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa Pátria não poderá ser jamais intimidada, doblegada, nem apartada de sua heroico e digno caminho pelas agressões, a mentira e a infamia

quinta-feira, 11 de março de 2010

Liberdade de expressão? O que é isto?

  Sei que o tema é polêmico, mas vou dizer assim mesmo: o pensamento reacionário faz suas escolhas e toma posição. Vejam o caso do jornal "o globo" sobre o tema das cotas etnico-raciais nas universidades. Um grupo que atua em favor das referidas cotas resolveu publicar um manifesto em jornais de grande circulação. Em princípio o jornal cobrou para a publicação o valor de R$ 54.163,20, mas depois de analisar o conteúdo o valor foi majorado para R$ 712.608,00. A partir disso um grupo de ativistas sociais e intelectuais do Rio de Janeiro protocolou nesta segunda (8) uma representação contra o jornal no Ministério Público desse Estado. Eles acusam a publicação de agir contra a liberdade de expressão ao inviabilizar um anúncio de um manifesto do movimento nacional Afirme-se!, favorável as políticas de ação afirmativa e das cotas raciais.
  Curioso isso, não? Logo O globo que há pouco tempo integrou o 1º forum "Democracia e liberdade de expressão".  O que podemos pensar da definição que esta gene tem de liberdade de expressão? Creio que a expressão seja simples: liberdade de expressão nada mais é do que a possibilidade dos grandes meios de comunicação (apesar de muitas vezes usarem concessões públicas) de expressarem o que é de seu interesse. Simples!
 

globalização

Em tempos de globalização acelerada é possível pensar que o mundo tende a uma hibridização cultural em larga escala. Talvez este seja um raciocício ingênuo. Na outra margem, encontramos uma linha de pensamento que aponta para uma fratura cultural e a concomitante formação de blocos culturais que irão por fim se degladiar: o "choque das civilizações", expressão cunhada por Samuel Huntington. Uma das novidades trazidas por esta teorização é o deslocamento do "motor da história", pois este deixaria de ser econômico, como queria Marx, para ser cultural. Na concretude das coisas vivas pode até ser que as duas teses não se excluam. Sei lá! De todo modo, a imagem ao lado é muito interessante por lembrar ao xenófobos, que a dinâmica cultural tende a se hibridizar sempre. O sistema-mundo-moderno-colonial, expressão do Milton Santos, foi criado para atender as expectativas de acumulação do capital, mas, independente das intenções dos seus formuladores, ele traz nas suas margens a tendência demasiado humana de juntar, aglutinar e produzir sínteses. e segue a vida...
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