quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os saqueadores do dia contra os saqueadores da noite - Naomi Klein

Claro que os tumultos de rua em Londres não foram protesto político. Mas o pessoal dos saques noturnos com certeza absoluta sabe que suas elites passaram o dia dedicadas aos saques diários. Saques são contagiosos. Alimentados por um sentido patológico de ‘direitos adquiridos’ pelos ricos, o grande saque global está em andamento à luz do dia, como se nada houvesse a esconder. Mas há, sim, temores ocultados. No início de julho, o Wall Street Journal, citando pesquisa recente, noticiava que 94% dos milionários temiam “a violência nas ruas”. O artigo é de Naomi Klein.



Leio comparações entre os tumultos em Londres e em outras cidades europeias – vitrines quebradas em Atenas, carros incendiados em Paris. E há paralelos, sem dúvida: uma fagulha lançada pela violência policial, um geração que se sente esquecida. Esses eventos foram marcados por destruição em massa, com poucos saques.

Mas tem havido saques em massa em anos recentes e acho que temos de falar também deles. Houve em Bagdá, logo depois da invasão norte-americana – um frenesi de destruição e saques que esvaziou bibliotecas e museus. Também em fábricas. Em 2004, visitei uma fábrica de refrigeradores. Os trabalhadores tinham saqueado tudo que havia ali de aproveitável, empilharam e incendiaram. No armazém ainda havia uma escultura gigantesca de placas de metal retorcido.

Naquela ocasião, os noticiários entenderam que teria sido saque altamente político. Diziam que aquilo exatamente seria o que aconteceria sempre que um governo não é considerado legítimo pelos cidadãos. Depois de ter assistido durante tanto tempo ao espetáculo de Saddam e filhos roubarem o que conseguissem e de quem conseguissem roubar, os iraquianos comuns sentir-se-iam, então, merecedores do direito de também roubar um pouco. Mas Londres não é Bagdá e o primeiro-ministro britânico David Cameron não é Saddam. Assim sendo, nada haveria a aprender dos saques em Londres.

Mas há exemplos no mundo democrático. A Argentina, em 2001. A economia em queda livre e milhares de pessoas vivendo em periferias destruídas (que haviam sido prósperas zonas fabris, antes da era neoliberal) invadiram e saquearam supermercados de propriedade de empresas estrangeiras. Saíam empurrando carrinhos abarrotados dos produtos que perderam condições para comprar – roupas, aparelhos eletrônicos, carne. O governo implantou “estado de sítio” para restaurar a ordem; a população não gostou e derrubou o governo.

Na Argentina, o episódio ficou conhecido como El Saqueo – o saque[1]. É exemplo politicamente significativo, porque a palavra aplica-se, na Argentina, também ao que as elites do país fizeram, ao vender patrimônio da nação à guisa de ‘privatizar’, em negócios de corrupção flagrante e enviando para o exterior o produto das ‘privatizações’, para, em seguida, cobrar do povo obediência a um brutal pacote de ‘austeridade’. Os argentinos entenderam que o saque dos supermercados jamais teria acontecido sem o saque anterior, muito maior, do próprio país; e que os reais gângsteres estavam no governo.

Mas a Inglaterra não é a América Latina e, na Inglaterra, não há tumultos políticos – ou, pelo menos, é o que nunca se cansam de repetir. Os jovens que devastaram ruas em Londres são crianças sem lei, que se aproveitam de uma situação, para roubar o que não lhes pertence. E a sociedade britânica, diz-nos Cameron, tem ojeriza a esse tipo de gente mal comportada.

Disse, e com ar sério. Como se os ‘resgates’ massivos dos bancos jamais tivessem acontecido, seguidos imediatamente do pagamento de escandalosos bônus recordes aos altos executivos. Depois, as reuniões de emergência do G-8 e do G-20, mas quais os líderes decidiram, coletivamente, nada fazer para punir os banqueiros por esse ou aquele crime, além de também nada fazer para impedir que crises semelhantes voltem a acontecer. Em vez disso, cada um daqueles líderes nacionais voltou aos seus respectivos países para impor sacrifícios ainda maiores aos mais vulneráveis. Como? A receita é sempre a mesma: despedir trabalhadores do setor público, fazer dos professores bodes expiatórios, cancelar acordos previamente firmados com sindicatos, aumentar as mensalidades escolares, promover rápida privatização de patrimônio público e reduzir aposentadorias e pensões. – Cada um que prepare a mistura específica para o país onde viva. E quem lá está, na televisão, pontificando sobre a necessidade de abrir mãos desses “benefícios”? Os banqueiros e gerentes de empresas de hedge-fund, claro.

É o Saqueo global, tempo de saques imensos! Alimentados por um sentido patológico de ‘direitos adquiridos’ pelos ricos, o grande saque global está em andamento à luz do dia, como se nada houvesse a esconder. Mas há, sim, temores ocultados. No início de julho, o Wall Street Journal, citando pesquisa recente, noticiava que 94% dos milionários temiam “a violência nas ruas”. Aí, afinal, um medo compreensível.

Claro que os tumultos de rua em Londres não foram protesto político. Mas o pessoal dos saques noturnos com certeza absoluta sabe que suas elites passaram o dia dedicadas aos saques diários. Saqueos são contagiosos.

Os Conservadores acertam quando dizem que os tumultos nada têm a ver com os cortes. Mas, sim, têm muito a ver com os cortados que os cortes cortaram. Presos longe, numa subclasse que infla dia a dia e sem as vias de escape que antes havia – um emprego no sindicato, educação barata e de boa qualidade –, eles estão sendo descartados. Os cortes são um sinal: dizem a todos os setores da sociedade que os pobres estão fixados onde estão – como dizem também aos imigrantes e refugiados impedidos de ultrapassar fronteiras nacionais cada dia mais militarizadas e fechadas.

A resposta de David Cameron às agitações de rua é tornar literal e completo o descarte dos mais pobres: fim dos abrigos públicos, ameaças de censura e corte das ferramentas de comunicação social e penas de prisão absolutamente inadmissíveis; uma mulher foi condenada a cinco meses de cadeia, por ter recebido um short roubado [e hoje, 17/8/2011, dois homens foram condenados a quatro anos de prisão, por incitarem tumultos pela internet, apesar de não se ter provado que sua ‘incitação’ levou a alguma consequência (NTs, com informações de Guardian em http://www.guardian.co.uk/uk/2011/aug/17/facebook-cases-criticism-riot-sentences)]. Mais uma vez a mensagem é clara contra os pobres que incomodam: sumam. E sumam em silêncio.

Na reunião “de austeridade” do G-20 em Toronto, os protestos viraram tumultos e vários carros da polícia foram incendiados. Nada que se compare a Londres 2011, mas o suficiente para deixar-nos, os canadenses, muito chocados. A grande discussão naquela ocasião era que o governo havia consumido $675 milhões de dólares na “segurança” da reunião (e ninguém conseguia sequer impedir o incêndio de carros da polícia). Naquele momento, muitos dissemos que o novo e caríssimo novo armamento que a polícia havia comprado – canhões de água, canhões de som, granadas de gás lacrimogêneo e munição revestida de borracha – não havia sido comprado para ser usado contra os manifestantes nas ruas; que, no longo prazo, aquele equipamento seria usado para disciplinar os pobres que, na nova era de ‘austeridade’, seriam empurrados para a perigosa posição de pouco terem a perder.

Isso, precisamente, é o que David Cameron absolutamente não entende: é impossível cortar orçamentos militares ou policiais, no mesmo momento em que você corta todos os gastos públicos. Porque, se o estado rouba os cidadãos, tirando deles o pouco que ainda têm, pensando em proteger os interesses dos que acumulam muito mais do que qualquer ser humano precisa para viver, é claro que deve esperar o troco ou, pelo menos, deve esperar resistência – seja a resistência de protestos organizados, seja a resistência das ondas de saques. Não é propriamente problema político: é problema matemático, físico.

SE OS TUBARÕES FOSSEM HOMENS...

Belíssima essa metáfora (ou alegoria)de Bertold Brecht sobre a civilização humana. Vi isso quando tinha lá meus vinte anos, e reencontrei agora no youtube. E também sou fã do Abujamra.


LISTA DE DEPUTADOS ESTADUAIS QUE VOTARAM CONTRA O AUMENTO DE 26% DOS PROFESSORES

Vejam aqui com todas as letras, os deputados que votaram contra o aumento de 26% aos professores da Rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro. O aumento acabou sendo de 5%, menos do que a inflação dos últimos doze meses, o que faz com que tenha havido um decréscimo no poder aquisitivo de um salário já muito aquém do que deveria ser. Aí estão na lista figuras muito populares tais como: Bebeto, o Samuel Malafaia (irmão do famigerado Silas Malafaia), Myriam Rios. É muito bonito falar publicamente que é a favor da Educação, mas na hora "da onça beber água", é isso que vemos. Divulguem!!!!!!


Votaram “NÃO” os Senhores Deputados: 
Alessandro Calazans, 
Alexandre Correa, 
André Ceciliano, 
André Correa, 
André Lazoroni, 
Andréia Busatto, 
Átila Nunes, 
Bebeto, 
Bernardo Rossi, 
Chiquinho da Mangueira, 
Coronel Jairo, 
Dionísio Lins, 
Domingos Brazão, 
Edson Albertassi, 
Fabio Silva, 
Geraldo Moreira, 
Graça Matos, 
Graça Pereira, 
Gustavo Tutuca, 
Iranildo Campos, 
Janio dos Santos Mendes, 
João Peixoto, 
Luiz Martins, 
Marcus Vinicius, 
Myriam Rios, 
Paulo Melo, 
Rafael do Gordo, 
Rafael Picciani, 
Ricardo Abrão, 
Roberto Henriques, 
Rosângela Gomes, 
Samuel Malafaia, 
Waguinho 
Xandrinho.
Votaram 52 Senhores Deputados: 34 “NÃO” e 18 “SIM”. Abstenção: 0.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

BID: em 15 anos, emergentes vão liderar expansão global

  Não obstante ser uma análise conservadora, creio que seja importante se dar conta do que o Brasil representa hoje no cenário internacional e o que pode ainda representar.  Temos uma tarefa histórica pela frente. A matéria abaixo foi publicada, podem acreditar, no Estadão.
 _________________________________

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, afirmou que em 15 anos 68% da expansão econômica global será gerada pelos países emergentes. Ele destacou que, no caso do Brasil, se o seu nível de expansão for mantido em duas décadas, a classe média deverá passar de 105 milhões para 144 milhões de pessoas. "O País avançou muito. Cerca de 40 milhões deixaram a pobreza desde 2003", destacou.

Para Moreno, duas estratégias adotadas pelo governo brasileiro desde 2003 estão sendo essenciais para melhorar os indicadores sociais e econômicos. Um deles é o avanço dos programas sociais, como o Bolsa Família. Além disso, segundo ele, o governo adotou uma postura rigorosa na gestão fiscal e monetária, com o objetivo de manter a inflação sob controle. Ele citou que a alta excessiva dos preços é o principal fator que ataca a renda das famílias, especialmente as mais simples.

Moreno, contudo, afirmou que a América Latina ainda apresenta indicadores sociais inaceitáveis. Ele destacou que um em cada grupo de oito pessoas na região ainda vive em plena indigência. Além dos problemas provocados pela pobreza, que também existe em grandes proporções no Brasil, ele ressaltou que outra dificuldade estrutural que estes países enfrentam são obstáculos para mobilidade social. E tal questão está relacionada com a geração de oportunidades de educação e de empregos. O presidente do BID fez os comentários durante seminário em São Paulo, hoje, que contou com a participação de executivos de empresas.

Crise internacional

O presidente do BID concordou com o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, que disse no fim de semana que a crise econômica internacional está numa "fase perigosa". Moreno indicou que há o temor de que os atuais problemas enfrentados por governos na gestão de suas dívidas públicas possam acabar afetando a saúde de bancos comerciais. "Esta crise está mais concentrada em torno da dívida soberana. Mas certamente este problema tem capacidade de se estender sobre o sistema financeiro", afirmou Moreno.

Moreno disse que o mundo está passando por um momento muito difícil, pois todos os países estão interconectados e será necessário aguardar os próximos meses para avaliar os impactos que a crise pode trazer aos países emergentes. "Independente do nosso sucesso em alcançar estabilidade macroeconômica e crescimento bom, há muitos efeitos da crise sobre nós", comentou, referindo-se aos países em desenvolvimento.

Ele comentou que os países desenvolvidos podem aprender com as nações da América Latina quanto à gestão econômica em momentos de crise. "Nos últimos 25 anos ocorreram 31 crises financeiras. A capacidade de decisão dos países da América Latina é mais forte do que a de países em desenvolvimento", afirmou. Muitos analistas internacionais nos EUA e Europa vem apontando que as lideranças políticas não estão trabalhando com a rapidez necessária para atacar os problemas econômicos que estão envolvidos.

O presidente do BID destacou que os países da América Latina devem utilizar os principais instrumentos de gestão macroeconômica, especialmente os de ordem fiscal e monetária, para se proteger dos impactos da crise econômica mundial.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Veja e ouça mais do Teremim, estranho instrumento de quase um século


Do Site da BBC
Este ano aconteceu um simpósio sobre o estranho instrumento Teremim na cidade inglesa de Scarborough.

Ele foi o primeiro instrumento criado sem que fosse necessário o uso das mãos para tocá-lo, em 1920. Seu inventor, o russo Leon Teremim, teve uma vida singular, da fama nos Estados Unidos, a anos no gulag soviético. A compositora para Teremim e musicista Barbara Bushholz diz que, embora seja monofônico, ou seja, toca uma nota por vez, ela usa um recurso que repete a nota tocada indefinidamente, podendo adicionar outras por cima de forma harmônica.

sábado, 6 de agosto de 2011

HOJE, 06 DE AGOSTO, FAZ 66 ANOS QUE O ESTADO TERRORISTA DOS ESTADOS UNIDOS LANÇOU SUA PRIMEIRA BOMBA ATÔMICA SOBRE O JAPÃO

 O sentido da palavra comemoração é o de lembrarmos juntos, geralmente algo que seja importante para a constituição de uma comunidade. Somos, afinal, o resultado de um conjunto de ocorrências que vão se dando de forma aleatória fruto de escolhas anteriores. Essas escolhas vão gerando outras, que vão gerando outras num processo caleidoscópico e, de certa forma, caótico. Hoje, 06 de agosto, comemora-se (não no sentido de festejo, mas no sentido de um compartilhamento de uma memória) 66 anos do lançamento da primeira bomba atômica. O país que lançou a bomba foi os Estados Unidos da América, todos sabem. Este mesmo país que hoje se encontra numa encruzilhada que talvez o leve a perda da hegemonia mundial. Hegemonia esta construída justamente a partir daquela vitória. 
 Os Estados Unidos saíram daquele processo cuspindo fogo para todo lado, por mais que sempre tenha sustentado um discurso de paz e de democracia. Mas os fatos desautorizam completamente esse discurso, pois o que este país fez a partir dessa bomba, não obstante ele já ter uma atitude belicosa desde o final do século XIX, foi perpetrar invasões; atuar em conspirações; derrubar governos eleitos, como fizeram no Brasil e em vários países do continente. Se Hitler merece nosso repúdio, o que dizer dos Estados Unidos e seu Estado terrorista (como disse Chomsky). Enfim, o vídeo abaixo é difícil de ver até o fim, mas é importante, principalmente para as novas gerações, para que elas tenham uma visão mais clara da História.

Os Jardins murados da internet

Por Hermano Vianna
  Na semana passada, a seção Digital & Mídia deste jornal publicou página inteira sobre a migração da internet “tradicional” para as redes sociais. Talvez não haja fenômeno cultural mais importante acontecendo atualmente no mundo. Muitas pessoas embarcaram na onda e até já abandonaram seus emails, forma de correspondência que passou a ser considerada tão antiga quanto cartas de papel. Por isso esses migrantes são apontados como pioneiros das novas tendências bacanas. Mas podem ser vistos igualmente como garotos-propaganda — não-remunerados — de uma reação poderosa contra a liberdade na rede, que faz tudo para transformar nossa vida virtual (já a parte mais decisiva de nossas vidas?) em propriedade de meia-dúzia de megacorporações.
   Uma capa recente do Segundo Caderno também mostrou pessoas que passaram a usar o Facebook “para compartilhar seu conhecimento”, construindo excelentes guias culturais — que “antigamente” teriam lugar em blogs e sites pessoais — dentro do território do Mark Zuckerberg. Não sei se todos pensam, ao fazer essa opção de publicação numa rede social específica, que só outras pessoas inscritas no Facebook, tendo portanto aceitado os Termos de Uso do Facebook (permitindo que essa empresa utilize seus conteúdos com finalidades comerciais), terão acesso a seu valioso conhecimento. Não posso deixar de comparar: é como deixar as ruas comuns de uma cidade e passar a viver num condomínio cercado por muros e seguranças, com serviços “públicos” próprios e onde todas as casas são propriedade de uma única empresa e não de quem mora nelas.
Redes sociais como o Facebook são conhecidas justamente como “walled gardens”, ou — tradução apressada — “jardins murados”, que não possuem canais livres de troca de informações com o resto da rede (e que fazem inúmeras restrições técnicas para impedir a “portabilidade” dos dados que criamos por lá — tente, por exemplo, transferir a sua lista de “amigos” do Facebook para uma outra rede social — é praticamente impossível). A mudança da internet “tradicional” para dentro do muro é uma mudança radical de “estilo de vida”. Não sei se todo mundo tem consciência do que está fazendo ao trocar o “tradicional” pelo “novo”.
Não são só as redes sociais os vilões desta minha fábula moral. Perigosas também são todas essas apps que a Apple, com auxílio luxuoso de nossos impulsos consumistas e design genial, transformou em moda obrigatória para smartphones e tablets. Elas quase sempre nada mais são do que interfaces bonitinhas entre o usuário e a internet “tradicional”, tornando nossa vida on-line muito mais facilmente controlável pelas empresas. Tudo que uma app faz, um browser “antigão” poderia ser desenvolvido para fazer, com muito mais compatibilidade entre sistemas operacionais e aparelhos. Agora não: se quisermos que o público tenha acesso às informações que desejamos compartilhar, precisamos de apps diferentes para o iPhone, o iPad, o Android, o sistemasei-lá-qual-é-o-nome da Nokia e assim por diante. Desenvolver todas essas apps custa caro e precisamos ser aprovados pelas várias lojas — da Apple, do Google etc. — que passaram a ter o poder de aprovar tudo o que entra em suas redes. Labirintos de jardins, com muralhas cada vez mais altas.
O exemplo da Apple é seguido por milhares de outras empresas, como as fabricantes de televisão, que estão criando seus mundos fechados de comércio, onde só poderemos acessar apps específicas. Por exemplo: se isso vingar, numa TV da Sony só poderemos comprar vídeos na loja A, ou fazer ligações pela empresa Y, ou participar da rede social Z. Claro, tudo rodará por cima da internet, e um browser poderá ser o caminho secreto para fora do muro. Mas pouca gente saberá o que vem a ser um browser, e muitos dos novos serviços serão desenvolvidos somente para essa nova realidade pós-browser.
Os browsers foram criados nos tempos pioneiros da internet, quando surgiu a própria web, desenvolvida nos laboratórios do CERN, com dinheiro público europeu, pelo santo Tim Berners- Lee, que fez questão de manter sua invenção livre e gratuita. Naquele tempo, as grandes empresas, mesmo a Microsoft, não prestavam tanta atenção em qualquer rede que não fosse corporativa. Só embarcaram na grande aventura virtual depois, junto com outras empresas nascidas no mundo on-line, buscando fechar o que era aberto, para enquadrá-lo em seu “modelo de negócio”. Várias tentativas de transformar a internet em shopping center totalitário explodiram como bolhas. A estratégia atual parece ser a mais difícil de combater. As pessoas estão interessadas em máquinas e não nos conteúdos que elas podem apresentar (não há mais filas para lançamentos de discos — há filas para lançamento do iPhone 4). Compramos, e só depois vamos inventar um uso para os objetos comprados. Uma app colorida (sai dessa, Björk!) nos transmite a sensação de que não jogamos dinheiro fora.
Quando vou ficando pessimista, penso na Microsoft, que parecia invencível pré-internet, controlando cada vez mais áreas importantes de nossa vida. Hoje tem que correr atrás do Facebook, da Apple e do Google. Esperemos novos corredores, que vão surgir distantes da prisão divertida das apps e redes sociais que querem ser nossas únicas portas de entrada para a verdadeira riqueza das redes. Ainda acredito que a abertura é a única forma de aumentar essa riqueza. O resto vira bolha.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

LEVANTAMENTO APONTA QUE 40% DOS ALUNOS DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS SÃO DAS CLASSES "C", "D" "E" E


Agência Brasil

Por Amanda Cieglinski*
Cerca de 43% dos estudantes das universidades federais são das classes C, D e E. O percentual de alunos de baixa renda é maior nas instituições de ensino das regiões Norte (69%) e Nordeste (52%) e menor no Sul (33%). É o que mostra pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que será lançada nesta quarta-feira 3, sobre o perfil dos estudantes das universidades federais.
Para a Andifes, o resultado do estudo, que teve como base 22 mil alunos de cursos presenciais, desmistifica a ideia de que a maioria dos estudantes das federais é de famílias ricas. Os dados mostram, entretanto, que o percentual de alunos das classes mais baixas permaneceu estável em relação a outras pesquisas feitas pela entidade em 1997 e 2003.
Segundo o presidente da Andifes, João Luiz Martins, as políticas afirmativas e a expansão das vagas nas federais mudaram consideravelmente o perfil do estudante. A associação avalia que se não houvesse as políticas afirmativas, o atendimento aos alunos de baixa renda nessas instituições teria diminuído no período.
Martins destaca que se forem considerados os estudantes com renda familiar até cinco salários mínimos (R$ 2.550), o percentual nesse grupo chega a 67%. Esse é o público que deveria ser atendido – em menor ou maior grau – por políticas de assistência estudantil. A entidade defende um aumento dos recursos para garantir a permanência do aluno de baixa renda na universidade. “Em uma família com renda até cinco salários mínimos, com três ou quatro dependentes, a fixação do estudante na universidade é um problema sério”, diz Martins, que é reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
O estudo identifica que 2,5% dos alunos moram em residência estudantil. Cerca de 15% são beneficiários de programas que custeiam total ou parcialmente a alimentação e um em cada dez recebe bolsa de permanência.
Vânia Silva, 26 anos, ex-aluna do curso de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB), contou, ao longo de toda a graduação, com bolsas e outros tipos de auxílio. No primeiro semestre, a ajuda era de R$ 130, insuficiente para os gastos com alimentação, transporte e materiais. Ela participou de projetos de pesquisa e extensão na universidade para aumentar o benefício e conseguiu moradia na Casa do Estudante. Mas viu colegas desistirem do curso porque não tinham condições de se manter.
“Para quem quer ter um bom desempenho acadêmico, o auxílio é muito pequeno. Esse dinheiro eu deveria gastar em livros ou em viagens para participar de encontros de pesquisadores, mas usava para custear minhas necessidades básicas”, conta. Hoje, ela é aluna de pós-graduação e a bolsa que recebe continua sendo insuficiente para os objetivos que pretende alcançar. “Já tive trabalhos inscritos até em congressos internacionais, mas com essa verba não dá para bancar uma viagem”, diz.
Os reitores destacam que a inclusão dos estudantes das famílias mais pobres não é a mesma em todos os cursos. Áreas mais concorridas como medicina, direito e as engenharias ainda recebem poucos alunos com esse perfil. Cerca de 12% das matrículas nas federais são trancadas pelos alunos e, para a associação, a evasão está relacionada em grande parte à questão financeira.
“Em outras parte do mundo, a preocupação do reitor é com a qualidade do ensino e com a pesquisa. Mas aqui, além de se preocupar com um bom ensino, ele também tem que se preocupar com a questão social”, compara Álvaro Prata, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Para 2012, a Andifes reivindicou ao Ministério da Educação (MEC) que dobre os recursos destinados à assistência estudantil. A previsão é que a verba seja ampliada dos atuais R$ 413 milhões para R$ 520 milhões, segundo a entidade. “Com a política de cotas e a expansão da UnB para as cidades satélites, houve um aumento muito grande da necessidade de políticas de assistência estudantil. Mas isso é secundário para o governo e a própria administração da universidade. Muitas vezes, eles acham que têm que trabalhar para ter mais sala de aula e laboratório, mas não há o restaurante universitário”, observa a representante do Diretório Central dos Estudantes da UnB, Mel Gallo.

Os filtros-bolha da internet...

 Importante reflexão acerca das relações entre novas tecnologias e democracia, ou democracia digital como querem alguns. Os modus operandi de gigantes como google precisa ser conhecida e compreendida por todos. É preciso saber, por exemplo, como o google opera seu motor de busca ao mesmo tempo em que lhe "desenha" virtualmente. Em outras palavras o google lhe coloca em um tipo de bolha informacional a partir da qual ele pensa quais são seus interesses. Isso tem implicações realmente profundas em temas como cidadania digital, democracia, etc. Aqui nesse vídeo o palestrante, Eli Pariser, faz algumas reflexões a respeito. Vejam:


terça-feira, 26 de julho de 2011

CHICO 2011

Por Ricardo Moreno

   O lançamento de um disco, ou livro, do Sr. Francisco Buarque de Holanda, é por si, para a tristeza e irritação do cantor Lobão, um acontecimento cultural de grande magnitude. Refiro-me ao roqueiro pelo fato dele ter recentemente atacado a obra de Chico Buarque com um agastamento (bom esse termo, hein...) que me causou espécie.
O disco foi lançado no último dia 22 de julho com uma estratégia diferente que envolvia diretamente a internet. A gravadora Biscoito Fino iniciou as vendas antecipadas no dia 22 de junho, exatamente um mês antes do lançamento, e possibilitou aos compradores o acesso a momentos íntimos das gravações. Aqueles momentos que outrora todo fã ficava imaginando e especulando como teria sido. Pois então, todos os dias um novo vídeo era postado com trechos de músicas ou diálogos entre Chico e alguns integrantes do processo. Tem em particular um vídeo em que Chico dá boas risadas comentando as cartas virtuais que são enviadas ao site “Chico bastidores”, criado especialmente para o lançamento, nas quais alguns declaravam morrer de amor pelo compositor, e outras que o “espinafravam”. Enfim, coisas do mundo virtual. “Não sabia que o jogo era tão pesado”, disse o cantor.
Recentemente perguntaram a Chico Buarque por que ele não fazia mais canções como aquelas de antigamente. Ele respondeu que a razão era porque não precisava mais, pois as que tinham que ser compostas, já o tinham sido. Ele parece ser desses criadores que não querem ficar presos ao passado, mesmo que este tenha sido glorioso. Creio que seja até certo ponto normal que os fãs, ou parte deles, tenham esse tipo de apego, afinal as canções vão tecendo a nossa história, e poderíamos mesmo dizer que as canções vão nos compondo. Mas é preciso criar margens para compreender as nuances que uma obra precisa ter, no momento mesmo que ela está sendo composta. Há uma relação entre a obra e o tempo. Isso é inescapável.
As novas tecnologias não estão presentes apenas como aparato tecnológico para o lançamento do disco, mas também é tema da belíssima valsa “Nina”. Nela o narrador revela sutilmente que a relação dos dois se dá através de conversas virtuais, pois eles estão longe: “Nina adora viajar, mas não se atreve / num país distante como o meu”. Ou ainda: “Nina anseia por me conhecer em breve / me levar pra noite de Moscou”.  Recursos como o Google earth também são sutilmente mencionados: “Nina diz que posso ver na tela / a cidade, o bairro, a chaminé da casa dela / posso imaginar por dentro a casa / a roupa que ela usa, as mechas, a tiara...”. Em outro momento da canção, como bom poeta que é, extrai das palavras em português sonoridades que remetem à língua russa como em “Nina diz que embora nova”.
Na faixa “Sem você nº 2” Chico dialoga explicitamente com Tom Jobim, criando uma atmosfera e um ambiente tanto na letra quanto na música, semelhante à canção “Sem você”, uma das primeiras parecerias de Tom e Vinícius. Mas as referências a Tom não ficam só aí, e pra não deixar barato e também fazer uma brincadeira, eu diria que enquanto todo mundo quer ser Chico Buarque, ele próprio quer ser Tom Jobim. Na canção “Se eu soubesse” Chico abusa da influência jobiniana, mas abusar é só um modo de falar, pois o velho Tom ficaria feliz em ouvir essa bela canção, filha em linha direta do aprendizado que Chico fez com o ele. E ficaria feliz também em ouvir a bela voz de Thais Gulin, que divide com Chico a parte vocal da faixa.
O samba, que foi sempre uma marca tão forte na obra de Chico aparece, pois não poderia ser diferente, mas de uma forma mais discreta, pois só lá na sétima faixa é que ele dá o ar da graça. Mas também vem em alto nível. É a faixa “Sou eu” parceria com Ivan Lins cantada no disco pelo próprio Chico e por Wilson das Neves, que sabe tudo de samba além de ter uma voz sensacional. E o samba continua em “Barafunda”, cujo texto tematiza um assunto bem caro ao autor: a memória. Lembra um pouco o “Velho Francisco” e também o seu romance “Leite derramado”. Em todas essas obras a memória recebe um tratamento semelhante, a saber, é tratada como uma invenção e ora aqui, ora ali, se confunde e vai sendo re-significada a partir das velhas imagens guardadas (“Foi na Penha, não / Foi na Glória / Gravei na memória / Mas perdi a senha / Misturam-se os fatos / As fotos são velhas / Cabelos pretos, bandeiras vermelhas / Foi Garrincha, não / Foi de bicicleta / Juro que vi aquela bola entrar na gaveta / Tiro de meta...”). O samba vai deslizando e quando vemos, ou melhor, ouvimos, ele já virou salsa, pra voltar ao samba de novo.
Mas o ponto alto do disco está na última faixa, guardada talvez de propósito pra pegar o ouvinte de jeito. Pois quando não se espera mais muita coisa, somos surpreendidos com uma canção cuja densidade emotiva nos leva a uma reflexão emocionada sobre a experiência do cativeiro no Brasil. É uma parceria de Chico com João Bosco, que participa tocando violão e num discreto vocal. A levada, de um samba mais pra rural do que urbano, nos conduz a um ambiente estético que reforça o texto lamurioso. Nele, vemos um negro prestes a ser chicoteado por conta de ter visto a sinhá da fazenda a tomar banho nua no rio. Ele tenta se explicar negando que a tenha visto: “Para que me pôr no tronco /Para que me aleijar / Eu juro a vosmecê / Que nunca vi Sinhá / Porque me faz tão mal / com olhos tão azuis / Me benzo com o sinal da santa cruz” . Ao longo do seu arrazoado o escravo vai utilizando todas as corruptelas da palavra você, “vosmicê”, “vosmincê” e “vassuncê”, e vai perdendo as forças e “chorando em yorubá” e “orando por Jesus”. Por fim o narrador do texto descreve a própria condição de mestiço dizendo ter a “voz de pelourinho” e “ares de senhor”.
O time de músicos que acompanha Chico nesse novo empreendimento é o mesmo de sempre. Competentíssimo!! Com destaque para Franklin da Flauta, que reaparece, depois de muitos anos, tocando outra vez com Chico.
Chico Buarque não faz concessões e não simplifica sua arte. É um artista de seu tempo e elabora suas ideias musicais e textuais com o rigor dos que sabem o que estão fazendo, apesar das eternas maledicências da revista Veja, mas isso já é outra história... 

sábado, 23 de julho de 2011

Chico Buarque e mais uma canção do novo cd...

Chico Buarque, como parte do lançamento do seu novo disco, fez nessa última quarta-feira, 20 de julho, uma apresentação ao vivo junto com João Bosco, cantando uma das canções que integra o novo cd. A canção em questão, "sinhá", é uma composição dos dois. A apresentação foi feita no portal "chicobastidores" criado pela gravadora biscoito fino justamente para a divulgação pela internet do novo cd, cujo nome é apenas "Chico".

Watch live streaming video from chicobastidores at livestream.com

Jackson do Pandeiro em "Chiclete com banana"

Presença aqui no blog desse que considero um dos maiores cantores da nossa música popular brasileira: Jackson do Pandeiro. Aqui ele interpreta uma das canções de maior sucesso na sua voz: "chiclete com banana", de autoria de Gordurinha e Almira Castilho do ano de 1959.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

¿Avanzamos hacia un "Planeta de los Simios"?

Cientistas Britânicos estão preocupados com o avanço das pesquisas com animais que utilizam células humanas. Há, na visão deles, riscos com relação a utilização dessas células em macacos, pois poder-se-ia estar criando mutações do tipo "macacos pensantes", que seriam seres racionais não humanos. Reconhecem que as pesquisas são muito úteis, mas que carecem de uma ordenação jurídica que dê conta dessas novas possibilidades. A matéria é da BBC notícias.
____________________________________

La línea divisoria es muy tenue: ¿hasta dónde debe experimentarse con animales para entender mejor el organismo humano y avanzar en los tratamientos de enfermedades?

   Este tipo de estudios, en los que se introduce tejido o células humanas en animales, son esenciales en la investigación médica. Pero si no se marca un límite ético claro, la ciencia está en peligro de crear "monstruos tipo Frankenstein". Esa es la advertencia de la Academia de Ciencias Médicas del Reino Unido, que está pidiendo al gobierno británico establecer regulaciones más estrictas para controlar el rápido y extenso avance de la "delicada" investigación con animales.
El informe de la Academia expresa temores por lo que dice es la posibilidad real de crear simios que tengan la capacidad de pensar y hablar como los humanos. Sin embargo, la Academia no está pidiendo prohibir estos estudios. Al contrario, afirma que éstos son esenciales para la investigación del tratamiento de enfermedades humanas.
Pero expresa que con el avance las técnicas y descubrimientos están surgiendo nuevos asuntos éticos que necesitan urgentemente ser regulados.

Estudios "importantes"

Por ejemplo, hoy en día los investigadores introducen células humanas de tumores de mama en ratones para probar nuevos fármacos de cáncer en tejido humano. También se crean ratas con lesiones similares a las que causan un derrame cerebral en humanos para probar si se logra una mejora inyectándoles en el cerebro células madre humanas. Se han introducido genes humanos en el genoma de cabras para producir una proteína humana que se usa en el tratamiento de trastornos de coagulación. Y el estudio de ratones con síndrome de Down, a los cuales se les ha añadido un cromosoma humano en el genoma, ha sido esencial para el entendimiento de la enfermedad.
Todos estos estudios, expresa el profesor Christopher Shaw, del King's College de Londres y uno de los autores del informe, "son extraordinariamente importantes". "¿Se va a reducir (este campo) o va a desaparecer? No. Y estoy seguro de que conducirá a nuevos tratamientos", agrega. La mayoría de estos experimentos se llevan a cabo con ratones y ratas. Pero los científicos están particularmente preocupados por las investigaciones con simios.
En el Reino Unido están prohibidas las investigaciones con grandes simios, gorilas, chimpancés y orangutanes, pero éstas sí están permitidas en muchos otros países, como Estados Unidos. Y los científicos británicos sí pueden experimentar con monos. Y aquí es donde se expresan temores por la posibilidad de crear simios que tengan la capacidad de pensar y hablar como los humanos.
"Lo que tememos es que si se comienzan a introducir grandes números de células cerebrales humanas en el cerebro de primates se podrá transformar súbitamente al primate en algo que posee algunas de las capacidades que se consideran distintivamente humanas, como el lenguaje" expresa el profesor Thomas Baldwin, miembro de la Academia. "Estas son posibilidades que han sido ampliamente exploradas en la ficción, pero necesitamos comenzar a pensar en ellas", agrega.

Áreas "delicadas"



El informe establece tres áreas particularmente "delicadas" en la investigación con animales: la cognitiva, la de reproducción y la creación de características visuales que se perciban como singularmente humanas.
"Una cuestión fundamental es si poblar el cerebro de un animal con células humanas puede resultar en la producción de un animal con una capacidad cognitiva humana, por ejemplo la conciencia, " afirman los autores.
El profesor Martin Bobrow, principal autor del informe, sugiere establecer lo que llama la "prueba del gran simio": si un mono modificado con material humano comienza a adquirir capacidades similares a las de un chimpancé, es momento de frenar los experimentos, dice.
Los científicos de la Academia no sugieren que alguien ya esté llevando a cabo estos experimentos. Lo que dicen es que se debe llevar a cabo una discusión ética y regulatoria ahora, antes de que empiecen a planearse esos estudios inusuales.
El área de la reproducción también es delicada y recomiendan que no se permita que un embrión animal producido con óvulos o esperma humano se desarrolle después de los 14 días.
Pero quizás el campo más controvertido es el de animales con características "singularmente humanas".
Tal como señala uno de los autores del informe "crear características como el lenguaje o la apariencia humana, como forma facial o textura de la piel, en animales presenta temores éticos muy fuertes".
Es necesario, dicen los científicos, tomar con seriedad la posibilidad de que esto ocurra en el futuro y de que existe un temor por los experimentos "tipo Frankestein con animales humanizados" que pueden generar monstruos.
"Porque una cosa es que llegues a tu casa y tu loro te diga: ¡hola niño bonito!. Pero si llegas a tu casa y tu mono te saluda así, eso es algo muy distinto".

Esporte radical no Vietnã...

Isso que se vê abaixo poderia ser a demonstração de um mestre zen atravessando uma rua no Vietnã, ele dá uma aula de auto-controle. Ou pode ser apenas um praticante de esporte radical...

Sobre a descriminalização da maconha

  O Growroom, maior portal sobre cultura canábica do Brasil, sai em defesa de quem nos defende e vem manifestar apoio total ao deputado federal do estado de São Paulo, Paulo Teixeira, em sua luta por um debate amplo e sem estigmas sobre a legalização da canabis em todas as esferas da sociedade brasieira.

  A busca de alternativas que combatam a violência imposta pela “guerra às droga”, que respeitem as liberdades individuais e que viabilizem o acesso à canabis de qualidade e com segurança ao usuário, tanto ele medicinal quanto recreativo é pluripartidária e deve ser entendida como o elo de união entre os diferentes movimentos que lutam pela legalização do cultivo e do uso no Brasil.

  O deputado Paulo Teixeira é lider do governo Dilma Rousef na Câmara dos Deputados e expoente da luta pela legalização da canabis. A notícia de sua escolha para liderança do governo, junto a nomeação de Pedro Abramovay para o SENADO, criaram a expectativa de uma reformulação na política de drogas do país.

Antes mesmo de tomar posse, as declarações de Abramovay foram “bombardeadas’ por setores conservadores da mídia, o que resultou em um recuo da presidenta passando o cargo da SENAD então para Paulina do Carmo Vieira.

  Paulo Teixeira tem sofrido pressão semelhante nos últimos dias, desde que em entrevista declarou que levaria aos lideres do PT uma proposta de criação de cooperativas de cultivo de canabis para o uso legal.
O Growroom reafirma que estará sempre apoiando o debate e incentivando iniciativas como a do deputado Paulo Teixeira e se coloca á disposição de todos que compartilem de tais ideais.

domingo, 17 de julho de 2011

MANIFESTO CONTRA PROPAGANDA DIRIGIDA ÀS CRIANÇAS

 Abaixo o manifesto contra à veiculação de propaganda dirigida às crianças. Esta campanha me fez lembrar uma canção da década de 1970 do compositor Ednardo, na qual ele tematiza essa questão. Abaixo do manifesto eu disponibilizo a canção com a letra.


MANIFESTO pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil


     Em defesa dos diretos da infância, da Justiça e da construção de um futuro mais solidário e sustentável para a sociedade brasileira, pessoas, organizações e entidades abaixo assinadas reafirmam a importância da proteção da criança frente aos apelos mercadológicos e pedem o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público infantil.

A criança é hipervulnerável. Ainda está em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico. Por isso, não possui a totalidade das habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos que lhe são especialmente dirigidos.

Consideramos que a publicidade de produtos e serviços dirigidos à criança deveria ser voltada aos seus pais ou responsáveis, estes sim, com condições muito mais favoráveis de análise e discernimento. Acreditamos que a utilização da criança como meio para a venda de qualquer produto ou serviço constitui prática antiética e abusiva, principalmente quando se sabe que 27 milhões de crianças brasileiras vivem em condição de miséria e dificilmente têm atendidos os desejos despertados pelo marketing.

A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce.

Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças.

Por tudo isso, pedimos, respeitosamente, àqueles que representam os Poderes da Nação que se comprometam com a infância brasileira e efetivamente promovam o fim da publicidade e da comunicação mercadológica voltada ao público menor de 12 anos de idade.




__________________________________________






RECEITA DE FELICIDADE
(EDNARDO)

Ultimamente ando às vezes preocupado
Vendo as caras tão risonhas das crianças
Nas fotos dos anúncios
Nos cartazes da parede
Dando idéias que algo vai acontecer
É receita certa pra sensibilizar
Pra esconder, pra mentir ou pra vender
Veja as caras tão risonhas
Tão lindinhas, tão risonhas
Nos jornais, nas paredes, nas TVs
Eu não gosto desses dedos que me apontam
Eu não gosto dessas frases que me dizem
"O futuro deles está em suas mãos..."
Pois é seu Zé, sei não
Não esqueço que algum dia fui risonho
Com u'a carinha bonitinha pra valer
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro - me dê


__________________________________

UM POUCO DE HUMOR...

Conversas entre clientes e operadoras de telemarketing têm rendido boas piadas e situações engraçadas. Aqui, o ator Benvindo Siqueira tem uma conversa muito íntima e sincera com uma tal "Dona Rosângela". Vejam:

sábado, 16 de julho de 2011

A ORDEM CRIMINAL DO MUNDO

Documentário exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler.
Pode se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha.
A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo. O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses. Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo. (Docverdade)
(Somente em Espanhol).



EL ORDEN CRIMINAL DEL MUNDO por klaudia_daniela

Diretamente do excelente blog "DocVerdade".

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SUA CASA PRÓPRIA NO BANCO CELESTIAL DE SILAS MALAFAIA...

Algumas pessoas podem achar que estou sofrendo de algum mal psicológico, para ficar dando atenção a este tipo de coisa que vou tratar nesse post. Mas não é coisa de somenos, não. Trata-se do que venho chamando de pentecostalização dos espaços públicos. Entendo esse processo como a ação de grupos fundamentalistas pentecostais cujo propósito não se limita apenas a uma ação evangelizadora ou catecúmena em buscas de neófitos. Há também embutido em seu ideário uma busca de poder político e, por que não dizer, financeiro. O segundo item já é de há muito que se sabe (e me pergunto se não é caso de uma ação por parte do ministério público), mas o que mais me preocupa mesmo é o primeiro: a busca de poder político e a ocupação de espaços consagrados (sem trocadilho) como espaços essencialmente laicos, tais como escola, movimento social, etc. Essa ocorrência solapa as bases da democracia na medida em que esvazia o debate horizontal entre os homens e o verticaliza sob a égide de uma instância transcendente: Deus... pronto está feita a desgraça. Ora, ora, não posso defender uma ideia num espaço público e querer convencer a todos que Deus quer ou deseja que aquela ideia seja vitoriosa (como fizeram em tom histérico algumas lideranças do movimento dos bombeiros recentemente). Isso anula o outro no debate e o desqualifica totalmente. se alguém é contra essa posição que Deus deseja, é porque certamente está a serviço de outra coisa, cujo nome nem é bom falar.
Tenho levantado este debate com pessoas de várias orientações religiosas: católicos, evangélicos, agnósticos, etc... e creio que seja necessário que este seja um tema de reflexão das instituições. Também tenho provocado a própria instituição em que trabalho, a escola, no sentido de que as pessoas pensem sobre isso e se posicionem. Dentro de uma das escolas em que trabalho eu vi uma cena de "exorcismo". Uma aluna passou mal e uma professora fez aquela cena que se vê na televisão e dizendo coisas do tipo "sai desse corpo", etc. Conquistas civilizatórias diversas podem correr risco de retrocesso caso sejamos omissos ao que está acontecendo. Há alguns anos atrás um ator/palhaço italiano chamado Leo Bassi teve problemas em Portugal por conta de seu espetáculo tocar no dogma de Maria. Sofreu várias ameaças de grupo conservadores católicos, até o ponto em que tentaram, mas sem êxito, colocar uma bomba dentro do teatro,no melhor estilo "terrorismo cristão fundamentalista".
Os fundamentalismos são sempre perigosos, dos religiosos aos de mercado, como no caso de neo-liberalismo. São perigosos porque a solução para os problemas se apresentam unicamente condicionada a uma resolução que passe pelo retorno aos fundamentos de sua seita, ou religião. E se a coisa não estiver dando certo, radicaliza-se mais ainda, como fez Milton Friedman quando aplicou suas perversas teses econômicas no Chile, sob a égide de uma ditadura sanguinária.
Bom, localizei este vídeo na internet, e este que está falando é o pastor Silas Malafaia. Para os que se interessarem existem depoimentos bem "fortes" sobre ele na rede. Mas pra bom entendedor um pingo é letra, de modo que não pode haver dúvida do caráter e das intenções desse falso líder religioso. Este é o mesmo que tem feito uma verdadeira cruzada (com trocadilhos) contra as leis anti-homofóbicas que estão em discussão atualmente. Ele também se colocou contra o PNDH elaborado no final do governo Lula. Tudo em nome da moral, da decência e outras pilhérias. Vejam abaixo como ele tenta construir um sistema de financiamento celestial para a aquisição da casa própria. Mas não é pra rir, pois é coisa séria.