domingo, 27 de dezembro de 2009

Os êxitos de Morales e dos Povos Originários da Bolívia

     Se você, caro leitor, tiver algum interesse em saber o que está se passando na Bolívia - reparem que estou falando de um país vizinho, e não de uma república a milhares de quilômetros de distância - vai se dar conta de que as notícias são um tanto escassas. Isto só reforça aquela ideia, que já comentei aqui, que dá conta do desinteresse brasileiro por seus vizinhos. Seja como for, se soma a esse desinteresse, "tradicional" o fato de que no país vizinho está acontecendo um processo político da maior relevência capitaneado por uma liderança oriunda do movimento popular.
     Os êxitos recentes da gestão Morales apontam para uma transformação que transcendem, ao meu ver (alguns cientistas políticos têm insistido nisso) os limites da Bolívia. Refiro-me aqui ao novo conceito de "estado plurinacional". María Teresa Zegada é uma socióloga boliviana que tem chamado a atenção para esse novo fenômeno. Segundo ela "a plurinacionalidade emerge como um dos elementos mais importantes do novo Estado. Todo o texto constitucional está atravessado pela plurinacionalidade e isso posibilitará que na Bolivia aumente o graude de participação política”. Ora, isso não é pouca coisa, pois esse novo estado viabiliza um novo protagonismo político naquele país. É uma democracia que se contrói no respeito as diversidades étnicas e dá voz a contingentes histpricamente excluídos das decisões políticas. E é uma inflexão no próprio ser do estado nacional moderno, pois como muitos sabem, este estado se cosntruiu ocultando as diversidades étnicas na mesma medida em que subalternizava os grupos mais "fracos".
     Se engana também quem pensa que isso é uma medida populista, como gosta de falar nossa imprensa, mas sim fruto de um longo processo de disputas socais levadas a cabo pelo povo boliviano. Esta mesma imprensa tratou de nos ocultar, por exemplo, a luta dos bolivianos contra a privatização da água (uma parte dessa luta pode ser vista no vídeo sobre Milton Santos, feito por Sílvio Tendler). Nos ocultaram também a luta desse mesmo povo por uma nova constituição. Uma constituição que desse conta do novo protagonismo político em curso no país. Tudo isso foi feito em meio a tentativas da elite locar de desestabilizar o governo, tentativas de golpes, etc.
     Por tudo isso, Evo Morales é visto apenas como aquele que está concretizando, ou viabilizando politicamente toda uma série de demandas dos chamados Povos Originários da Bolívia. A justeza dessas demandas e a sintonia que elas têm com os interesses do povo boliviano, possibilitou a vitória de Morales em todas as disputas de que participou. E todas elas com uma margem expressiva de mais de 60%. Foi isso que aconteceu no mais recente pleito boliviano, que o consagrou com quase 65 % dos votos, fazendo-o vitorioso já no primeiro turno.
     Só nos resta, daqui do Brasil, saudar entusiaticamente a vitória dos Povos Originários da Bolívia representada na vitória do presidente Morales.






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