sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O que está por trás da ofensiva midiática contra o MST e a agricultura familiar?

O que está por trás da grande ofensiva reacionária do agronegócio e da mídia corporativa contra o MST e a agricultura familiar??? Recentemente os meios de comunicação veicularam uma pesquisa que tenta mostrar que os assentamentos são improdutivos e que as iniciativas tradicionais são inviáveis na contemporaneidade. Aliás, essa é a tese conservadora que tenta jogar água no moinho do agronegócio. Mas o que essa chamada grande imprensa não revelou - não por desconhecimento, certamente-, foi a pesquisa feita pelo IBGE, que evidencia números completamente diferentes dos do Ibope. Mesmo desprezando todos os ganhos sociais que a agricultura familiar representa impedindo o êxodo rural, etc., se constata um nível de produtividade muito maior do que o ldo agronegócio. Quando se coloca em perspecitiva os investimentos públicos, os impactos sobre o meio ambiente, entre outros aspectos, chega-se facimente a uma compreensão clara da situação. Não há mistério!
A artigo "O incômodo censo agropecuário" de Roberto Malvezzi, coloca os pingos nos "is", e nos dá a justa medida dessa situação. Ah, e quem quiser se divertir (se for possível) dê uma olhada no sítio eletrônico da "Confederação Nacional da Agricultura", esse antro do reacionarismo brasileiro, para ver as barbaridades que lá estão. Um verdadeirao festival de loucura e insanidade.
Segue abaixo o artigo do Malvezzi:




O Incômodo Censo Agropecuário, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)




Agricultura familiar emprega quase 75% da mão-de-obra no campo e é responsável pela segurança alimentar dos brasileiros, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca e 58% do leite consumidos no país. Foto de Tamires Kopp

O último censo agropecuário trouxe verdades incômodas, que atiçaram a ira do agronegócio brasileiro. Afinal, a pobre agricultura familiar, com apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é responsável “por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil”, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura orgânica, chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico, sendo responsável por 10% do PIB Nacional.

Acontece que a agricultura familiar, além de ter menos terras, tem menos recurso público como suporte de suas atividades. Recebeu cerca de 13 bilhões de reais em 2008 contra cerca de 100 bilhões do agronegócio. Portanto, essa pobre, marginal e odiada agricultura tem peso econômico, social e uma sustentabilidade muito maior que os grandes empreendimentos. Retire os 100 bilhões de suporte público do agronegócio e veremos qual é realmente sua sustentabilidade, inclusive econômica. Retire as unidades familiares produtivas dos frangos e suínos e vamos ver o que sobra das grandes empresas que se alicerçam em sua produção.

Mas, a agricultura familiar continua perdendo espaço. A concentração da terra aumentou e diminuiu o espaço dos pequenos. A tendência, como dizem os cientistas, parece apontar para o desaparecimento dessas atividades agrícolas.

Porém, saber produzir comida é uma arte. Exige presença contínua, proximidade com as culturas, cuidado de artesão. O grande negócio não tem o “saber fazer” dessa agricultura de pequenos. E, bom que se diga, não se constrói uma cultura de agricultura de um dia para o outro. A Venezuela, dominada secularmente por latifúndios, não é auto suficiente em nenhum produto da cesta básica. Exporta petróleo para comprar comida. Chávez, ao chegar ao poder, insiste em criar um campesinato. Mas está difícil, já que a tradição é fundamental para haver uma geração de agricultores produtores de alimentos.

O Brasil ainda tem – cada vez menos – agricultores que tem a arte de plantar e produzir comida. No Norte e Nordeste mais a tradição negra e indígena. No sul e sudeste mais a tradição européia de italianos, alemães, polacos, etc. É preciso ainda considerar a presença japonesa na produção de hortifrutigranjeiros nos cinturões das grandes cidades.

Preservar esses agricultores é preservar o “saber fazer” de produtos alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro na sua totalidade sofrerá com essa ausência. Para que eles se mantenham no campo são necessárias políticas que os apóiem ostensivamente, inclusive com subsídio, como faz a Europa.

Do contrário, se dependermos do agronegócio, vamos comer soja, chupar cana e beber etanol.

Roberto Malvezzi (Gogó) é Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT, colaborador e articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 16/10/2009

2 comentários:

  1. Beleza de artigo, Ricardo! Como você bem comentou, é impossível que a mídia não saiba desses dados. O problema é querer divulgá-los, contrariando o interesse dos homens da Confederação Nacional da Agricultura. Viva a agricultura familiar, que ganha de lavada em produtividade do agronegócio!

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  2. Agricultura Familiar & AGUAPÉ

    Sempre acreditei na Agricultura Familiar porque a maioria dos envolvidos estão começando a sua Longa Jornada na Produção Agropecuária, praticamente, sem conhecimento algum – muito melhor para se aprender & permanecer no Caminho SUSTENTÁVEL do Desenvolvimento SOCIAL & Econômico do Brasil, de FATO, SUSTENTÁVEL.

    Esses Cidadãos Brasileiros não apresentam os menos VÍCIOS daqueles que “aprenderam” a atuar no Modelo MALÉFICO que era baseado nos ABUSOS das MULTINACIOANAIS NÃO – ÉTICAS que sempre visaram LUCROS a qualquer CUSTO.

    Para Fortalecer a Agricultura Familiar e torná-la IRREVERSÍVEL é preciso orientar todos os Cidadãos Brasileiros que atuam nos Órgãos Públicos, Ong’s, Pesquisadores, Governantes & Parlamentares, entre outros, para que mostrem o Caminho SUSTENTÁVEL para que se tornem Digno Merecedor do referido Caminho SUSTENTÁVEL que Cada Um pode construir com da Equipe BR do AGUAPÉ.

    O Caminho SUSTENTÁVEL é a Produção Agropecuária ORGÂNICA que a Equipe BR do AGUAPÉ tem recomendado, com ÉTICA, porque tem consciência da Importância & Potencialidade do AGUAPÉ.


    Um Abraço Fraterno a VOCÊ & Membro / Colaborador (ou pretendente),

    MISSAO TANIZAKI
    Fiscal Federal Agropecuário
    Bacharel em Química
    missao.tanizaki@agricultura.gov.br (Com Problemas)
    missao.tanizaki@gmail.com (NOVO)
    Equipe BR do AGUAPÉ
    TUDO POR UM BRASIL & MUNDO MELHOR

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