segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"A procissão fantasma"


Nós professores sempre nos lamentamos por uma certa "indigência" cultural de nossos alunos. Não sabem ler, não sabem escrever e por aí vai. Eu mesmo já constatei a dificuldade deles em lidar com isso que chama norma culta. A parte toda discussão que envolve essa questão danorma culta,etc., posso afirmar que é, muitas vezes, doloroso corrigir certos trabalhos que envolvem texto.
Por outro lado, é importante reconhecer que certos trabalhos são primorosos. Gostaria de nesse blog compartilhar um trabalho sobre folclore que desenvolvi com alunos de uma turma da noite, do Ciep Paulo Mendes Campos em Duque de Caxias. Neste trabalho eu solicitei aos alunos que escrevessem um texto no qual eles contassem sobre algum tipo de envolvimento com o folclore brasileiro. Valia tudo: histórias que ouviram quando crianças; brincadeiras de qualquer tipo; jogo de capoeira, etc.
Uma aluna, Paula Christina, da turma 903, me entregou o seguinte trabalho, que vou reproduzir exatamente como ela me entregou:


"Bem, professor. Certa vez, em uma confraternização familiar, começamos a falar sobre mitos e lendas.
Minha avó Maria então pediu para que todos se reunissem para ouvir a história que ela iria contar. Dizia ela que isso havia acontecido há muitos anos, quando ainda era jovem e ainda morava na "roça". A história era mais ou menos assim:

Era uma pequena cidade interiorana, onde todos se conheciam e se cumprimentavam ao se ver na rua. Um povo marcado pela simplicidade e pela religiosidade. E como de costume, uma vez por mês as famílias se reuniam para passar adiante as lendas contadas por seus antepassados.
Em nossa família a lenda contada é sobre a procissão fantasma.
Numa cidade onde todos se conhecem, não é difícil saber quando algo de alguém de novo aparece.
Todo ano, na noite de 13 de junho, passava uma procissão fantasma entoando cantigas e carregando coisas como: velas, cruzes e bandeiras.
muitos ouviam, mas ninguém tinha coragem de abrir uma janela ou porta para ver o que de fato era. E em muito pouco tempo, questão de minutos o silêncio voltava a reinar e apenas um clarão no céu iluminava as casas, e de repente não havia mais nada.
minha avó, uma jovem curiosa e destemida resoolveu querer descobrir quem ou o que são aquelas coisas que todos temiam na determinada noite do ano.
Ela apareceu anciosamente, e quando chegou o dia ela estava preparada era só esperar chegar a noite, exatamente meia a noite nem um minuto a mais e nem a menos.
enquanto todos dormiam ela sentou-se à sala e esperou. Quando foi aproximando a hora, o coração de minha vó apertou de medo, mas sua curiosidade falava mais alto.
Exatamente a meia noite as cantigas já podiam ser ouvidas, e a cada minuto parecia estar mais perto de sua casa.
Ela rapidamente foi até a janela, e quando avistou a chama das velas tomou coragem e abriu as janelas. Algo de inseperado aconteceu.
Havia uma mulher pálida de cabelos longos e escuros e seus olhos saltavam fogo. Ela estava segurando uma vela.
Minha avó ficou sem ação e não conseguia parar de olhar para a tal mulher e o restante da procissão. A mulher entregou a vela para minha avó e foi afastando-se e desaparecendo junto com a procissão, e a última coisa que minha avó viu foi um enorme clarão no céu. Enfim, quando tudo passou e ela iria fechar a janela, reparou que algo ainda mais estranho havia acontecido.
A vela que a mulher entregou tranformou-se em um osso na mão de minha avó que espantada arremesso longe, e correu para sua cama.
No outro dia ao acordar não viu mais aquele osso apenas uma roseira que havera nascido embaixo de sua janela.
Enfim, acredito que esse seja o fim da história, afinal eu era muito pequena e já não me recordo tão bem."

FIM!

Aluna: Paula Christina O. da Silva

Um comentário:

  1. Que beleza de história, Ricardo! A Paulinha foi minha aluna por dois anos. Parabéns por enriquecer seu blog com as histórias dos nossos alunos! Há muita coisa boa que, sem dúvida alguma, podemos esperar como contribuição deles. Um abraço!

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