terça-feira, 31 de agosto de 2010

Educomunicação

 USP inova com licenciatura em Educomunicação

A nova graduação integra os cursos de pedagogia como o de comunicação e artes

  A escola está falida! A mídia, em crise!. Quantas vezes já não ouvimos essas expressões! Realmente os alunos já não têm a escola como única fonte de conhecimento. E o modelo de negócio da grande mídia está ameaçado pelo barateamento dos custos de produção e distribuição de conteúdo. É nesse contexto que o curso de Educomunicação inova.

Integrar a Pedagogia com a Faculdade de Comunicação e Artes foi um dos desafios transpostos por Ismar de Oliveira Soares, coordenador da nova graduação. Com currículo transdisciplinar, a licenciatura pretende habilitar os jovens a assumirem vagas, principalmente como gestores de comunicação, tanto na iniciativa privada como na pública. As inscrições para a primeira turma começaram 27 de agosto de 2010, por meio da FUVEST.

Flávia Rossi do Instituto Chico Mendes do Ministério do Meio Ambiente ressalta que a  educação como política pública é um novo campo de trabalho para os comunicadores. A política pública de educação sobre conservação da biodiversidade nas unidades de conservação, por exemplo, só é bem sucedida se houver uma comunicação muito bem feita, envolvendo os moradores dessas regiões e os habilitando para a gestão participativa. Vale a pena conferir os vídeos elaborados por moradores dessas unidades de conservação no projeto Tela Verde, a rádio Nas Ondas do São Francisco e o fichário com material para educadores ambientais Coleciona.

Guilherme Canela, da UNESCO, enfatizou a importância que a ONU confere à educomunicação há várias décadas. Mas cada vez o tema tem mais relevância, devido à centralidade das mídias na experiência cotidiana, no trabalho, no estudo e no lazer. Com o barateamento do custo de se tornar fazedor de conteúdo midiático, o tema não pode mais ser ignorado, tem de ser incorporado às decisões de política pública. “Ou fazemos bem ou fazemos mal, mas não se pode mais fazer nada”. Até o final do ano, a UNESCO escolherá 8 paises piloto para lançar iniciativa de qualificação de educomunicadores, o Brasil pode ser um deles.

No terceiro setor, a carreira de educomunicador já vem sendo procurada há tempo. Eles já são uma realidade, por exemplo, na Viração, revista, site e movimento social, no Canal Futura de televisão e na Associação Cidade Escola Aprendiz. Em todos esses ambientes o profissional tem de se adaptar à migração digital, à transformação na direção dos fluxos de comunicação, que deixa de ser difusão unidirecional (broadcast) para ser interação multidirecionais (web). Há intensa mudança nas formas de aquisição de conteúdo, o usuário passa a ser protagonista, estabelecendo uma relação dialógica. Assim, o profissional precisa trabalhar em parceria nos projetos de comunicação que são elaborados por todo mundo, em todo lugar, a todo tempo. A produção tem de ser dialógica, colaborativa, em rede, interativa, com co-autoria modular e granular, ou seja, sem equipes internas, com produções tercerizadas, nas quais os parceiros têm autonomia editorial. O lider de comunidade do nordeste é um grão tão importante no sistema como o grão universidade de renome em São Paulo. Assim, a competência básica do educomunicador é mediação de interesses. Afinal consensos provisórios são substituídos por outros a todo momento e não haverá nunca unanimidade.

Como sintetizou Vitor Massao, o educomunicador “nao deve ensinar a pescar, mas a caminhar junto até o lago”. O profissional tem de contribuir para a descoberta não descobrir, não tem que mostrar o seu jeito de fazer as coisa, mas mediar para que a pessoa encontre o seu próprio caminho. Os desafios são grandes, mas o curso de licenciatura da USP já é um primeiro passo.

Danielle Denny

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