terça-feira, 3 de novembro de 2009

Outros viram

No novo disco de Gilberto Gil, Banda Larga Cordel, há uma canção na qual ele tematiza a questão do Brasil ter sido visto por várias personalidades ilustres (Tagore, Maiakovski, Walt Whitman) como um país interessante de onde iria ou poderia sair uma novidade ímpar no mundo. Em outros tempos isso soaria como ufanismo nacionalista digno das patriotadas perpetradas pela ditadura militar, ou mesmo antes, no século XIX, quando Um Afonso Celso escreve: "porque me ufano de meu país". Mas não é nada disso. A reflexão de Gil é atualíssima e tenta justamente responder a uma cambada tacanha que só consegue ver o Brasil como o Cronicamente inviável.

Essa mesma percepção de certa forma está disseminada por certo meio popular, que vez por outra aparece dizendo que nossa infelicidade é um mal de raiz, e que o problema que a miscigenação nos faz uma "raça" indecisa e vagabunda. Enfim... o comentário que Gil faz sobre sua própria canção é emocionado e visceral. Nele, Gil tenta falar diretamente aos detratores do Brasil, aos que pensam (pensam??) a inviabilidade do país como um fato e destino. "Outros viram" e Gil também viu..



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