sábado, 29 de maio de 2010

O meu capitão não aceita a ordem de matar!

O texto abaixo foi escrito para o site do grupo Tortura Nunca Mais. Essa é uma das histórias que devem ser contadas aos mais jovens, para que se tenha sempre em mente até onde um regime autoritário pode chegar. Logo em seguida do texto segue um vídeo com uma música, que me parece ser de autoria do Chico Buarque. Quem canta é o próprio Chico com a Joyce. e é uma gravação da década de 1980. Já perguntei a várias pessoas se conheciam essa música e muitos me responderam que não. Então é uma boa ocasião para conhecer.

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  Era uma vez um homem, um militar completo, um herói que vivia na selva, comandando o PARASAR, abrindo fronteiras e salvando vidas. A selva era a sua casa, com tamanha desenvoltura que lhe valeu o apelido carinhoso de “macaco” entre seus companheiros. Os índios o chamavam de Nhambiguá Caraíba, homem branco bom. Seu nome era Sérgio e era capitão, quando o mal lhe cruzou o caminho. 
  A Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, guerreiro sem medo, pediram que matasse inocentes, que derramasse sangue. Um brigadeiro assassino ordenou-lhe que explodisse um gasômetro, trucidasse estudantes, atentados terroristas que desencadeariam um verdadeiro massacre em resposta a um suposto golpe atribuído a “comunistas”.

   A proposta desse assassino fardado não era nova nem original. Já funcionara na Alemanha, sob o nazismo, quando atrocidades inomináveis foram cometidas e justificadas por militares e civis sob a alegação de estar apenas “cumprindo ordens”.

Sergio era de outra estirpe. Com a coragem, determinação e desassombro de quem tem alma e caráter disse não ao criminoso e evitou o que poderia ter sido a maior tragédia humana de nossa História. A ira dos criminosos no poder caiu sobre ele como um raio. Tiraram-lhe quase tudo. Não adiantou figuras históricas como o Brigadeiro Eduardo Gomes, lutarem por ele e tomarem a sua defesa. O arbítrio e o crime mandavam naquele triste Brasil dos anos de chumbo.

Sérgio perdeu a farda, o trabalho e a alegria. Só não puderam quebrar sua integridade e honra, sua firmeza de homem e soldado, um soldado que dizia preferir a pior das democracias à melhor das ditaduras.

Sérgio jamais pleiteou anistia por considerar que anistia é esquecimento, perdão, e julgava – com absoluta razão – que seu gesto de resistência, sua desobediência a uma ordem criminosa eram exemplos a serem seguidos.

Exemplos de predomínio do bem e da consciência sobre o crime e a cegueira. Se ao longo da história, tivéssemos tido mais Sérgios quantos crimes não teriam sido evitados?

Só os grandes homens tem coragem de resistir como ele resistiu. Sergio lutou incansavelmente e até o final de sua vida pela justiça que lhe era divida. Foi derrotado pela doença e morreu sem poder ver a sua vitória, devido à pequenez de um presidente da república: Itamar Franco, que – mesmo sabendo que o capitão estava ferido de morte, acometido de um câncer terminal – e tendo o decreto promovendo-o a brigadeiro sobre a sua mesa, esperou a morte do herói para assiná-lo. Tal é a pequenez de alguns homens deste grande país.

É este grande homem, Sérgio, este brasileiro ímpar, este companheiro de todos nós que estamos homenageando aqui hoje. Homens como o brigadeiro Sergio Ribeiro Miranda de Carvalho, o imortal Sérgio Macaco, estarão para sempre vivos nos corações e mentes da nação brasileira. Saudemos o glorioso capitão da vida. Capitão Sérgio Presente!

Fritz Utzeri

Correspondência com o professor Marcos Bagno

 Postei abaixo uma mensagem sobre a exposição "Menas - o certo do errado e o errado do certo". Disse também que um dos prinicipais formuladores desse modo de entender e denunciar os chamados preconceitos linguísticos, é o professor Marcos Bagno. Há algum tempo atrás tive o prazer de me corresponder, ainda que brevemente, com essa figura admirável, e resolvi postar a conversa aqui no blog.
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Prezado Marcos Bagno,

 Só hoje, 23 de fevereiro de 2008, pude ler sua carta à revista Veja de 2001. Infelizmente meu talento litarário não me possibilita traduzir o prazer e a emoção que senti em ler seu arrazoado pondo a discussão da norma culta em uma perspectiva verdadeiramente crítica. Há poucos meses começei a ler o seu belo livro " A norma (o)culta", mas nem pude terminá-lo porque uma amiga que trabalha com saúde e educação me pediu de empréstimo e ainda aguardo a devolução. Pretendo, assim que possível, terminá-lo e começar a leitura de outros livros seus.
 Trabalho com Educação Musical nas redes públicas do Rio de janeiro e de Duque de Caxias, na baixada fluminense. Encontrei no seu trabalho muita inspiração para desenvolver minha prática educativa  e minha luta contra os preconceitos que, assim como no campo linguístico, se multiplicam no campo da música. Estou organizando uma oficina intitulada: "O ser e o som: Ecologia, Linguagem e Invenção na Educação Musical", voltada para professores da rede pública de Duque de Caxias. Alguns de seus livros estão na bibliografia que indico aos professores.
 Sem querer tomar mais o seu tempo, eu me despeço parabenizando-o mais uma vez por emprestar o seu brilhantismo às boas causas do nosso tempo.
 Um forte abraço desse seu sincero admirador,
 Ricardo Moreno de Melo

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Caro colega Ricardo,
é muito bom abrir a caixa postal numa manhã nublada de domingo e encontrar uma mensagem tão estimulante quanto a sua. Fico sempre muito contente quando recebo reações de pessoas que atuam em outras áreas que não especificamente a das Letras. Isso mostra que os problemas que tento debater afetam a vida das pessoas de modo muito mais amplo.
Por coincidência, este mês saiu uma grande entrevista minha na revista Caros Amigos (com foto na capa e tudo!). Como é uma revista que se sustenta pelo trabalho dos próprios jornalistas, tentando manter uma linha indepedente da grande mídia (vinculada ao poder nacional e internacional), faço a divulgação para ajudar a preservar esse importante projeto. Conto com a sua colaboração.
Boa sorte em seus projetos e um abraço do

Marcos Bagno – Universidade de Brasília
www.marcosbagno.com.br

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Prezado Professor Marcos Magno,

 Foi também com muita prazer que recebi a sua resposta. Quanto à revista Caros Amigos eu já estou ciente que ela traz este mês uma entrevista com o senhor. Já fiz, inclusive, a divulgação da mesma, e espero ansiosamente que chegue amanhã para que eu possa comprá-la.
 Gostaria de lhe contar, sem querer tomar demasiadamente o seu tempo, um pequeno acontecimento ocorrido em uma escola em que trabalho. Certo dia eu estava finalizando meu trabalho em uma escola, e ouvi duas professoras do primeiro segmento conversando sobre um determinado aluno que falava "tudo errado". Naquele momento eu estava no meio da leitura do seu livro "A norma (o) culta", e não pude deixar de perceber que as referidas professoras estavam, como é de certa forma um costume entre professores, rindo dos supostos "erros" do garoto. Com todo cuidado eu me intrometi na conversa delas e tentei relativizar aquilo que seriam os "erros" do garoto. Para dar um tom mais relaxado a conversa falei para ela de uma história que ouvi sobre um certo poeta nordestino chamado Zé da Luz (nome ótimo para poeta, não acha?). Disse para elas que o tal poeta tinha sido informado que poesia era coisa para gente "culta", "inteligente", em suma, para gente que "sabe escrever". Foi  daí que o poeta escreveu a deliciosa peça "ai se sesse". Creio que o senhor conheça essa poesia, de todo modo transcrevo-a abaixo.
 Tentei dessa forma chamar a atenção das professoras para as "variedades dialetais", e para a necessidade dos professores entenderem sua posição de mediadores culturais, e não meros instrutores de normas. Sei que essas coisas são difíceis e que tomadas de consciência são processos que às vezes demoram. Mas não pude deixar de tentar interferir naquele momento.
 Bom, creio que  já tomei demais o seu tempo e acrescento apenas que é um prazer dialogar com uma personalidade tão inspiradora e fecunda como o senhor.
 Um abraço!
 Ricardo Moreno de Melo

Ai Se Sêsse

Composição: Zé Da Luz
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arruminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Talvez que nois dois ficasse
Talvez que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse.
 

Menas - o certo do errado e o errado do certo

 Ganha cada vez mais visibilidade, ao menos em certos setores mais arejados, a idéia de que os "erros de português" cometidos principalmente pelas camadas mais baixas da população brasileira devem ser colocados em uma perspectiva crítica. Isto quer dizer que eles, os erros, têem de ser vistos sob o prisma da história, das relações de força que operam na sociedade, etc. Essa perspectiva não é tão recente quanto parece. Ela já está no livro de Bourdieu "Economia das trocas linguísticas". 
 O professor da UNB Marcos Bagno tem sido um dos mais aguerridos intelectuais que atuam na defesa dessa perpectiva. Claro que não é o único, mas tem se destacado nos debates sobre o tema. Ele escreveu vários livros sobre o assunto: "A norma (o) culta" ; "Não é errado falar assim: em defesa do português brasileiro" e "Preconceito linguístico: o que é, como se faz".
 Nessa perspectiva então, o Museu da Língua Portugêsa, em São Paulo, está realizando uma exposição intiulada "Menas - o certo do errado e o errado do certo" . Se não for possível vê-la de perto, ao menos podemos dar uma "navegada" pela site da exposição. O link segue abaixo:

http://www.poiesis.org.br/mlp/expo/menas/index.html

Resposta da candidata Dilma

Resposta da candidata Dilma Roussef às tolices proferidas pelo candidato da moderna direita brasileira (digo moderna para a contrapor à direita antiga: Arena, PFL, DEM), quando chamou o governo da Bolívia de sócio do narcotráfico.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ainda sobre as "denúncias" de José Serra

 O amigo e fotógrafo Antonio Augusto Fontes me enviou este pequeno texto que complementa a postagem que fiz sobre as declarações do candidato José Serra sobre Evo Morales.
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Bastante interessante essa denúncia do Serra sobre o Morales. Se um internauta curioso digitar no google as palavras "narco presidente" poderá se surpreender com cerca de um pouco mais de 64.000 referências ao Álvaro Uribe e sua famiglia. Curiosamente não se vê nenhuma referência a qualquer outro presidente no mundo além do Sr. Uribe. A pesquisa revelará também a folha corrida do pai, Alberto Uribe que era braço direito do megatraficante Pablo Escobar e que teve sua extradição decretada pelo governo americano. Só a influência do filho poderoso conseguiu sustar a extradição. O avô também era ligado ao narcotráfico assim como grande parte dessa oligarquia colombiana que apoia o governo Uribe e sua política de aliança com o exército americano para "combater o narcotráfico". Nem Kafka faria melhor!...
   Acho que vivemos em tempos surrealistas!

 Abs.

A.A.

proyecto censurado

    Enviarei este link abaixo para alguns colunistas da mídia brasileira, tais como Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e Fernando Mitri, entre outros, sempre tão ciosos na defesa de liberdade de imprensa. Isto porque o link abaixo remete para o site de um projeto chamado "proyecto censurado", cujo foco está em relacionar notícias que são sistematicamente boicotadas pelos grandes meios de comunicação. Evidentemente esses citados articulistas acima não conhecem o projeto, pois se conhecessem já teriam lhe dado visibilidade, uma vez que são ardorosos defensores da liberdade de expressão. Recentemente a notícia "censurada" dizia respeito a Venezuela de Chávez, personagem tão do agrado da grande imprensa. A notícia dá conta de que os acordos da Venezuela com Cuba no campo da saúde, tem dado resultados muito positivos. O programa "Barrio adentro", por exemplo, oferece serviços de qualidade e gratuitos para amplas parcelas da população pobre do país. A notícia também assinala que levando-se em conta o coeficiente Gini (parâmetro internacional usado para medir a desigualdade de distribuição de renda entre os países) a Venezuela é o país com menor desigualdade do continente latino-americano.
 Segue abaixo os links para a matéria completa, e também um link para o site do "proyecto censurado":


Até onde chega a irresponsabilidade de um candidato?

     Bastou que as pesquisas começassem a apontar a vitória da candidata do PT, Dilma Roussef, pra que o candidato do psdb mudasse o seu figurino eleitoral, e partisse para um perfil mais "agressivo". Mas quem conhece esse candidato sabe que seu perfil é do tipo "sair atropelando" mesmo, afinal não foi outra coisa que ele fez com o Aécio. Segundo se fala em Brasília o Serra "passou o rodo" no pré-candidato das Minas Gerais dissuadindo-o com ameaças de revelar um suposto envolvimento de Aécio com cocaína. Mas o que eu queria comentar mesmo é a falta de respeito, de tato político e outras coisas mais, no caso em que Serra declarou (dia 26 de maio) que o governo boliviano é cúmplice do narcotráfico naquele país. É patente a estupidez do candidato, pois seria normal e de bom tom dizer que o estado de São Paulo é cúmplice do PCC, e que portanto é um narco-governo pelo simples fato de que o governo do estado não consegue debelar os grupos armados? O mesmo se poderia dizer do Rio de Janeiro também? Agora imaginem a situação (que o povo brasileiro com certeza não permitirá que aconteça) do Serra vir a ser presidente do Brasil. Como ficariam as relações diplomáticas entre Brasil e Bolívia? Esse episódio levou o O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia a definir o tucano como “o exterminador do futuro da política externa” do país.
   Mas é bom que o candidato mostre bem o seu perfil e que encaminhe seu discurso para um campo mais ideológico, pois aí as coisas vão ficando ainda mais claras.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Barbárie e modernidade

O professor e pesquisador Michael Löwy publicou recentemente um belo artigo sobre as tendências bárbaras inerentes à modernidade. Logo de início ele trabalha com duas definições do que seja bárbaro: falta de civilização e agressividade cruel. Pensando nessa última definição ele reflete que a história do século 20 nos obriga em uma “barbárie civilizada”. O "processo civilizador", como definiu Norbert Elias, tem em um de seus aspectos mais importantes, o monopólio da violência pelo estado. Esse monopólio impediria que agíssemos "barbaramente" uns contra os outros no sentido de resolvermos nossas diferenças através da violênicia. Mas o problema é que esse monopólio facultou ao estado um poder descomunal, e isto somado aos aportes tecnológicos potencializou a crueldade e a agressividade. Diz ele que "Se nós nos referimos ao segundo sentido da palavra “bárbaro” -atos cruéis, desumanos, a produção deliberada de sofrimento e a morte deliberada de não-combatentes (em particular, crianças)- nenhum século na história conheceu manifestações de barbárie tão extensas, tão massivas e tão sistemáticas quanto o século XX".
 Na sequência Löwy utiliza Rosa de Luxemburgo e Kafka para demonstrar como a modernidade se erige sob o signo da crueldade e da barbárie, agora não mais entendido o termo bárbaro como aquele que se encontra fora dos limites da civilização, mas ao contrário: o "bárbaro civilizado".
 Para ler o artigo na íntegra, é só seguir o link abaixo:

Uma noite em 67

 Está marcado para o dia 30 de julho o lançamento do filme "uma noite em 67", sobre o festival daquele ano. É mais um documentário sobre música popular brasileira. Quem viu o filme no festival "é tudo verdade", diz que é um belo filme. Abaixo o link para o trailer no youtube.



segue também o site do filme:

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eleição 2010: Entrevista com Emir Sader

Eleições no Brasil: Entrevista com Emir Sader
Paula Coutinho e Gisele Ortolan *
  
Setores emergentes decidem a eleição, projeta cientista político.

O cientista político Emir Sader é um dos principais pensadores da política de esquerda no Brasil. Em entrevista ao Jornal do Comércio, de Porto Alegre, ele analisa o cenário eleitoral deste ano e sustenta que não há como fugir do debate plebiscitário entre a candidatura de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a partir das gestões do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e do petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Ele argumenta que, num cenário de avaliação entre as duas gestões, a eleição acabará sendo decidida com os votos dos setores populares que, amparados pelas políticas sociais, melhoraram suas condições de vida e tiveram acesso a bens fundamentais.
Forte crítico da administração tucana, acrescenta que o plano de Serra é chegar ao governo para implementar um pacote econômico com duro ajuste fiscal, repetindo a fórmula do PSDB. Em contraposição, como colaborador na formatação do plano de governo de Dilma, Sader informa que, além da manutenção da política econômica, as diretrizes do programa serão educação, habitação e saneamento básico. "O pré-sal vai ser a grande fonte para fazer isso", acrescenta.
A reportagem e a entrevista é de Paula Coutinho e Gisele Ortolan e publicada pelo Jornal do Comércio. Para acessá-la siga o link:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paulo Francis e seu amigo José Serra.

  Li este artigo abaixo e fiquei pensando na existência de Deus. Explico: é que faço uma brincadeira na qual um determinado fato ocorrido é tão interessante que só pode ter acontecido pelo fato de Deus existir. Não basta que o fato seja positivo, mas sim das condições em que tal coisa aconteceu. No caso, fiquei pensando nisso porque a morte de Paulo Francis não foi uma morte qualquer. Ele morreu do próprio veneno. Sim! porque ele era especialista em "criar" fatos. Mentia, chantageava, enfim... era um embusteiro profissional. Mesmo assim, e talvez por isso, era adulado e tido como um grande intelectual. Mas leiam a mensagem que recebi e conheçam ou relembrem as razões da morte dessa criatura repulsiva e o esforço de seu amigo, um tal de José Serra, para tentar salvá-lo.

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Entre a ida e a volta para BH, no avião, li o livro Paulo Francis – Polemista profissional, espécie de perfil que Paulo Eduardo Nogueira acaba de lançar pela editora da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Nunca gostei de Paulo Francis e o considero uma das maiores fraudes criadas pelos intelectuais de direita no Brasil.
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Francis foi um jornalista medíocre, dono de um repertório vasto de citações e nenhuma ideia própria que fosse realmente aproveitável. Oportunista, foi da esquerda para a direita quando lhe conveio. Era um elitista confesso, além de xenófobo e homofóbico. No auge da crise do governo de Fernando Collor, defendeu o presidente usando termos racistas: “Collor vencerá porque é rico e branco”. Sentava-se à mesa com governantes e negociava favores. Era um capacho das elites.

No programa do qual participava, o Manhattan Connection, exibido no Brasil pela GNT, em 1997, Francis acusou, sem provas, os diretores da Petrobrás de possuírem 50 milhões de dólares em contas na Suíça. O presidente da estatal meteu-lhe um doloroso processo: pediu 100 milhões de dólares junto à justiça americana, alegando que o programa era transmitido nos EUA para assinantes de canais brasileiros na TV a cabo.

Francis passou meses atormentado pelo processo, do qual não conseguia se livrar. Todos os seus amigos, aqueles que antes o adulavam, tiraram o corpo fora. Não quiseram, obviamente, aliar-se a um falsário. Houve, contudo, algumas exceções. No último parágrafo da página 19 encontrei o seguinte trecho:

“O então senador José Serra intercedeu junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que até ali se mantivera omisso, embora fosse amigo de Francis, para se chegar a um acordo com a estatal. FHC nada fez, o que também decepcionou profundamente o Francis”

Nunca aquela velha máxima -- diga-me com quem andas e te direi quem és -- me pareceu tão apropriada.
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Pouco tempo após a abertura do processo, Francis morreria de ataque cardíaco. Ao contrário do que estampou a Veja, na edição daquela semana, nunca fez falta ao Brasil.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ao sul da fronteira - filme de Oliver Stone

Ainda não vi o filme , mas me parece importante que seja dito em alto e bom som que novos protagonistas surgem no horizonte da modernidade-mundo. A fatura não está liquidada e nunca estará, pois é da dinâmica do mundo dos homens a possibilidade de mudança. Parabéns a Oliver Stone por estar antenado com os novos rumos da política. Um mundo sem dúvida muito complexo, mas por isso muito interessante.

Lula, o Irã e os abutres de sempre II

    A diplomacia brasileira representa hoje uma das poucas chances de interlocução do Irã com o mundo ocidental. E olha que sem essa interlocução talvez as coisas sejam bem piores.  Mesmo assim há aqueles (e não são poucos) que acham que Lula não deveria dialogar com quem manipula eleições, ou com quem construir uma bomba atômica. Agora uma coisa é engraçada: ninguém acharia de bom tom que o governo brasileiro não converssasse com os EUA quando o presidente era o Bush, que protagonizou aquele escândalo eleitoral. Não invocavam com tanta veêmencia essa tal de "ilegitimidade" eleitoral quando se trata dos EUA. E por que não se questiona o poder bélico nuclear americano, ou israelense? Desconfia-se do que o governo iraniano é capaz de fazer, mas não se lembram do que o governo americano já fez... lembremos Hiroshima e Nagasaki. E como falar em atrocidade sem se indignar com Israel... que tal propor o fim do relacionamento diplomático com este país racista e imperialista onde há tortura legitimada pelo estado (acho que é o único caso no ocidente). Não defendo a extinção de Israel, mas quando se conhece um pouco do que está acontecendo lá, é bem difícil não sentir enjôo. Não gosto de estados religiosos como Irã e Israel, mas outra coisa é desprezá-los como possíveis parceiros. Aconselho a leitura do texto sobre essa história do Irã, do grande pensador alter-mundista Noam Chomsky (link abaixo).

Lula, o Irã e os abutres de sempre

 O comentarista esportivo Milton Neves, da Rede Bandeirantes, deve ter levado uma "chamada" dos seus superiores na última segunda-feira. Isso porque fugindo de sua pauta - e pareceu que foi uma inciativa expontânea -, ele, mesmo afirmando que não votou em Lula pra presidente, se derramou em elogios ao presidente pelo grande feito nas negociações no Irã. Logo a seguir de seu inesperado rompante lulista, o âncora Ricardo Boechat, tratou de se esforçar para tentar minimizar o feito do presidente em terras árabes. Aliás, este esforço foi comungado por grande parte da nossa mídia. Só não foi possível ir mais além porque os meios de comunicações internacionais não subservientes aos Estados Unidos, estavam indo, em certa medida, em outra direção. Notório é que os EUA, na figura pricipalmente de Hillary Clinton, continuam arrogantes como sempre foram.
 O feito do presidente Lula inspirou o jornalista e articulista da revista "Caros Amigos", Georges Bourdoukan, a escrever o que vai abaixo:

O MUNDO TEM UM LÍDER !!
O nome dele é Lula e a humanidade agradece. Mas todo cuidado é pouco. Israel e Estados Unidos farão de tudo para melar o acordo assinado. Com apoio da mídia. Israel e Estados Unidos precisam de inimigos. E quando não os há, eles os inventam. A História é cheia de exemplos.  Eles precisam da violência para sobreviver.

domingo, 16 de maio de 2010

abaixo assinado da campanha pela memória e pela verdade da OAB

Nós, abaixo assinados, apoiamos a Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.

Nós, abaixo assinados, consideramos que é direito das famílias dos desaparecidos conhecerem o destino de seus entes queridos.

Nós, abaixo assinados, estamos convictos de que o conhecimento pleno do que ocorreu nos porões da ditadura durante os chamados anos de chumbo é importante para se evitar a repetição da barbárie. Um país que não conhece sua História está fadado a repetir os erros.

Por fim, esperamos que as autoridades do Executivo e do Legislativo, a quem se destina este documento, determinem as providências necessárias para que seja dada publicidade aos arquivos, criando assim as condições para uma verdadeira reconciliação nacional.

http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp

Marina Silva tem o maior índice de rejeição segundo Vox Populi

 A mesma pesquisa da vox populi que aponta pela primeira vez a candidata do governo, Dilma Roussef, a frente do candidato José Serra, aponta também que o maior índice de rejeição é o da candidata Marina Silva. Fiquei pensando quais as razões desse rejeição, se ele for realmente verdadeira. Claro que não é fácil de explicar, mas de qualquer forma eu confesso que ficaria em dúvida quando me perguntassem em quem eu não votaria de maneira alguma. Em certo sentido, apesar de apoios interessantes (porém ingênuos, na minha opinião), creio ser Marina pior que Serra. Isso porque ela trabalha em um eixo discursivo despolitizado que aponta para uma esperança que não está no horizonte possível da política contemporânea. Refiro-me as propostas de governabilidade "limpa" isenta de mácula e outras coisinhas difícil de acreditar quando o seu partido é o PV. Ora, quem acompanha um pouco os alinhamentos políticos sabe o que é o PV brasileiro. Sempre operando nessa linha discursiva do "novo", da "esperança" etc., mas fazendo todos os tipos de arranjos tradicionais: participaram do governo do PFL (César Maia) no Rio de Janeiro, e se articularam com o PSDB (em particular com o pessoal da privataria) na campanha do Gabeira também no Rio. Que tipo de novidade é essa? Difícil de levar a sério, não acham? Até me faz lembrar o candidato Cristóvam Buarque quando perguntado em 2006, sobre como comporia um governo ético sem toma-lá-dá-cá. Ele respondeu que chamaria as lideranças dos partidos e explicaria que queria fazer uma nova gestão para um novo Brasil, etc. Fiquei pensando naqueles quadros fisiológicos do PTB ou do PMDB ouvindo o ex-reitor da UNB e se sensibilizando ante propostas tão legais... difícil de acreditar, não?
  É preciso que se diferencie a esperança ingênua do tipo cristã, que serve mais para apaziguar nossas próprios consciências, de uma esperança verdadeiramente política que aponte rumos e efetive os sonhos.

Sai a primeira pesquisa que aponta Dilma na frente.

   A pré-candidata do PT à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, aparece pela primeira vez à frente do pré-candidato do PSDB, o ex-governador de São Paulo, José Serra, em pesquisa de intenção de votos do Instituto Vox Populi, divulgada ontem.
   Na pesquisa estimulada, o levantamento traz a petista com 38% das intenções de voto, em empate técnico com Serra, que tem 35%. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Dois mil eleitores, moradores de 117 cidades (nas cinco regiões brasileiras), foram ouvidos.


   No levantamento anterior feito pelo instituto, em abril, Serra tinha 34% das intenções de voto, contra 31% de Dilma. Num eventual segundo turno entre Dilma e Serra, os dois candidatos também estariam tecnicamente empatados. A petista teria 40% e o tucano 38%, dentro, portanto, da margem de erro.
    A pesquisa espontânea - quando o eleitor abordado pelos pesquisadores diz em quem vai votar - também aponta a liderança da petista Dilma Rousseff. Ela aparece com 19% das intenções de voto, enquanto Serra tem 15%. Em janeiro, cada candidato obteve 9% das intenções de votos espontâneos.

sábado, 8 de maio de 2010

História em quadrinhos e música

Há alguns anos atrás desenvolvi com meus alunos um projeto que envolvia música e história em quadrinhos. Enviei o projeto para a Multirio, empresa de comunicação da prefeitura do Rio de Janeiro, e eles resolveram fazer uma matéria comigo e com meus alunos. Coloquei-a no youtube e disponibilizo agora no blog.

sábado, 1 de maio de 2010

coca-colla boliviana

Iniciativa privada boliviana lança na Bolívia, com apoio de Evo Morales, uma bebida energética com base na folha de coca. consta que em várias ocasiões o presidente Morales anunciou sua intenção em estimular iniciativas de industrialização dos excedentes de folha de coca, como forma de evitar o seu uso na fabricação de cocaína. Mas, já espero os ataques e insinuações da extrema direita midiática, que o governo boliviano está pactuando com os narcotraficantes, ou qualquer baboseira assim. Vejam o vídeo:

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Segue abaixo um pequeno trecho de uma entrevista recente de Chico Buarque feita originalmente para a revista Brazuka, uma publicação bilíngue sobre cultura brasileira que circula em Paris e Bruxelas.

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Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?

Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.


Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?

Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.

E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?

Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época, nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença.

O que você tem escutado?

Eu raramente paro para ouvir música. Já estou impregnado de tanta música que eu acho que não entra mais nada. Na verdade, quando estou doente eu ouço. Inclusive ouvi o disco do Terça Feira Trio, do Fernando do Cavaco, e gostei. Nunca tinha visto ou ouvido formação assim. Tem ao mesmo tempo muita delicadeza e senso de humor.


http://www.outraspalavras.net/?p=1175 

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Tom zé em um discurso anti-colonial

Ao assistir o documentário "fabricando Tom Zé" resolvi extrair essa parte, que vocês podem ver abaixo, e colocá-la no youtube. Vejo Tom Zé como uma das pessoas mais autênticas do atual circuito da música popular brasileira. Sei que "autêntica" é expressão por demais arestosa, mas qual palavra não trás em si um milhão de sentidos? Não é? Enfim... mas o papo não é esse. A questão é que em uma simples passagem de som para um show no festival de Montreaux, na Suíça (país cujo nome no meu "Dicionário de etimologias falsas" é a origem da palavra suicídio)o nosso querido Tom, se sentido desrespeitado por aqueles que deveriam estar ali para proprocioná-lo as melhores condições para a execução do seu trabalho, resolve produzir um discurso que revelou-se uma verdadeira peça anti-colonial da melhor qualidade. Divirtam-se e idignem-se.

Lula é eleito pessoa mais influente do mundo pela revista "Time"

  Não acho que nós precisemos do aval dos EUA, ou de qualquer outro país para que possamos reconhecer os méritos de um dos nossos. Mas acho importante que esses reconhecimentos internacionais sejam reverberados por aqui, principalmente para que os que fazem a crônica política e sofrem de um complexo colonial terrível (leia-se Veja, CBN, Estadão, etc) possam ver que o que eles próprios não vêem, os de fora vêem. Pois é, a revista Time acaba de publicar a sétima lista anual  das 100 pessoas mais influentes do mundo, divulgada hoje (29 de abril) no site da revista, que coloca o presidente Lula no topo dos líderes mundiais. Não se trata só de ser um dos mais influentes, mas de ser, segundo a pesquisa que fizeram, o líder mais influente.
  Segundo o cineasta Michael Moore, que se encarregou de elaborar um perfil do presidente para a revista, "Lula é um autêntico filho da classe trabalhadora latino-americana, que esteve preso uma vez por liderar uma greve". Moore ainda destacou as conquistas de Lula para levar o seu país "ao Primeiro Mundo". Acho que Lula tem méritos pessoais para todo esse frisson criado em torno de sua figura, mas é preciso destacar que ele faz parte de um conjunto de forças que ganhou peso em função do momento histórico no qual está subsumido. Esse conunto de forças aponta para uma inflexão nas diretrizes políticas hegemônicas nas décadas 1980 / 1990. O sucesso de Lula deve-se, em parte, a uma obviedade que salta aos olhos: o processo de acumulação leva inexoravelmente milhões de pessoas ao empobrecimento e a exclusão. Lula, nesse sentido, tornou-se um atenuador da miserabilidade criada pelas chamadas políticas neo-liberais. A extrema esquerda (sim, ela ainda existe) acha isso um crime tão grave quanto ser um neo-liberal. Enfim... parece que milhões de brasileiros e mais um tanto de milhões no mundo não pensam assim. 

domingo, 25 de abril de 2010

o que Mano Brown, dos Racionais Mc's, tem a dizer sobre José Serra

Tem-se dito que aquele potencial crítico abrigado outrora na MPB, encontra-se agora alojado no moviemento hip-hop, através do rap. Isso não quer dizer que a MPB esteja obrigatoriamente destituída dessa potência. Mas talvez até por uma questão classista, são os "manos" da periferia que tenham coisas fortes pra dizer. Veja por exemplo o caso da tortura. Durante a ditadura militar no Brasil, os jovens de classe média que se insurgiram contra ela foram vitimados por essa odiosa instituição (por mais que a Folha de São Paulo insista numa "ditabranda"). Mas agora os tempos são outros, e as vítimas da violência policial são preferencialmente jovens pretos e pobres das periferias das grandes cidades. Os números são estarrecedores. Por uma questão classista, então, não é mais a MPB, claramente identificada com a classe média, a fazer a crônica desses dias difíceis para tantos jovens. Surge então com caráter de denúncia, mas não só, os "rappers", tais como Rappin hood; Sabotage (ja falecido vítima de violência); Gog, MV Bill e Mano Brown, que abaixo dá uma declaração sobre o presidenciável José Serra. VEjam o que ele diz:

sábado, 24 de abril de 2010

Maria da Conceição Tavares

Eis, abaixo, um depoimento da economista Maria da Conceição Tavares, em entrevista ao sítio Carta Maior, sobre a sucessão presiencial de 2010.

“Serra não é um neoliberal; é bom que se diga e que não se confunda. Conheço ambos. A diferença entre Dilma e o Serra é que a visão da Dilma é mais consistente do ponto de vista histórico. Dilma escolheu o lado que pode apoiar um projeto de desenvolvimento para o Brasil no século XXI. E isso faz toda diferença. Entre o desenvolvimentismo de boca, do Serra, e o projeto ao qual Dilma pertence, eu não tenho dúvida de que lado fica a consistência histórica.Sim, Serra se opunha ao Malan no governo FHC. Mas Serra não se opôs às privatizações nem à política fiscal, concebida por gente da sua influência. Dilma é mais consistente. E não se trata apenas de superioridade no manejo econômico. Sua visão da economia tem uma contrapartida social coerente; e uma contrapartida de democracia consistente”.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

o que é que Beethoven tem??

  Acabei de assistir o filme "o solista", baseado no livro do jornalista Steve Lopez. O enredo é baseado em uma história real acontecida na cidade de Los Angeles envolvendo o próprio Steve. O jornalista andava atrás de uma história para sua coluna no jornal onde trabalhava, quando meio sem querer dá de cara com um sem-teto, Nathaniel Ayers, que tinha sido, em outros tempos, aluno da prestigiada escola de música Julliard, de Nova York. A relação entre os dois é tensa, pois Nathaniel não é só um homeless, mas também sofre de esquizofrenia. Apesar disso tudo Nathaniel continua apaixonado por música e em particular por Beethoven. Essa paixão deixa Lopez perplexo. Em dado momento ele chega a afirmar que nunca amou nada com tanta intensidade como o músico ama a música (sobretudo Beethoven).
  Aliás, vez em quando ocorre no cinema de algum personagem ser apaixonado pelo compositor alemão. lembro de "Laranja Mecânica", filme no qual o personagem principal, um sujeito completamente desajustado, que vive dando porrada e fazendo assaltos, chega em casa e põe pra tocar o compositor.  Recentemente teve o "A vida dos outros", no qual Beethoven também é reverenciado. Neste o personagem central é o Capitão Wiesler, chefe de um serviço de espionagem na Alemanha Oriental. Depois de muitas idas e vindas ele sofre uma tremenda modificação (que não vou contar aqui). Essa modificação não se dá exatamente por conta da música, mas esta, sem dúvida, tem um impacto muito forte na sua vida. E não é qualquer música: é Beethoven.
  Daí é o caso de se perguntar: "o que é que Beethoven tem?". Que emoções potentes sua música é capaz de provocar? Que combinação de força e delicadeza se revela em suas melodias?
 Pois bem, acabei de ver o filme e me deu uma vontade danada de ouvir Beethoven. Daí fui procurar algumas coisas disponíveis na rede. Encontrei, e compartilho aqui com os leitores, um link no qual a alma generosa colocou a disposição se não a obra completa, ao menos uma boa parte dela. Lá estão as sonatas para piano e para violoncelo; as sinfonias; os concertos e outras coisas mais. Enfim, quem quiser baixar é só acessar o link.

http://www.4shared.com/dir/2684057/1da65c7/sharing.html

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tom Zé e um hino da incofidência no século XXI

Tom Zé e Jorge Mautner foram convidados para comporem (cada um o seu) um hino da inconfidência no século XXI. Pena que Raul Seixas não esteja mais vivo para que compusesse um também... já pensaram?
Bom, o resultado pode ser acessado pelo link abaixo.

www.oglobo.com.br/blogs/logo

domingo, 18 de abril de 2010

"Levante sua voz"

O vídeo abaixo trata da questão das comunicações no Brasil. Bato muito nessa tecla aqui no blog, porque acredito que ela é um ponto nevrálgico das relações de poder na contemporaneidade. Acredito que seja útil para que professores o utilizem em sala de aula, pois tem uma linguagem bem acessível.


Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A podridão da Veja, por ela própria

Se alguém se der ao trabalho de buscar esses tipos de "auto-denúncia" da revista Veja, vai encontrar muitas contradições como está. Aliás, não apenas da Veja, mas de muitas empresas de comunicação integrantes do PIG (Partido da Imprensa Golpista). Tudo vai ao sabor das conveniências do momento. Talvez fosse o caso, como sugeriu um amigo, de acionar essas empresas do ponto de vista da relação de consumo. É como se nos vendessem sistematicamente produtos estragados. Defesa do consumidor neles!
 Este post foi uma contribuição do amigo Brunão.






obs. Clique na imagem para ampliá-la.

terça-feira, 13 de abril de 2010

a rede bandeirantes e o caso "Irmã Dorothy"

 Continuo mantendo o hábito de, sempre que posso, enviar cartas às redações das empresas de comunicação. Já está mais do que evidente que essas empresas agem sistematicamente em defesa dos grupos econômicos aos quais estão vinculados. Vivem com essa lenga-lenga de "liberdade de imprensa" e outras baboseiras, mas mal conseguem disfarçar os vínculos ideológicos que as animam. Vejam o caso, mais uma vez, da rede bandeirantes. Na edição do dia 13 de abril ela tratou do julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, acusado de ser o mandante do crime que vitimou a Irmã Dorothy, com o maior descaso do mundo. Deu apenas uma notinha a uma notícia que reverberou pelo mundo todo. O crime foi bárbaro e expôs ao mundo uma ferida que não raro vive vertendo pus. O pus do latifúndio; o pus da casa-grande e do mandonismo rural brasileiro. 
   O presidente da Band, João Saad, é vinculado ao agronegócio brasileiro e inimigo público do MST. Sua emissora é extremamente parcial quando se trata de cobrir questões ligadas ao campo. Demoniza o quanto pode as associações de trabalhadores rurais como a Via Campesina e o MST. Mas eu, por ingenuidade, não pensei que eles pudessem chegar a esse ponto. Mas, como eu disse, só por ingenuidade eu poderia pensar dessa forma. A irmã Dorothy Dorothy vivia há 20 anos na região, atuando no trabalho com camponeses e na luta contra grileiros de terras. Teve toda sua vida comprometida lutando contra essa gente que a Band tão bem representa. Não era de se esperar outro comportamento desses vermes rastejantes. 
 Enviei esse e-mail abaixo para a redação do jornal, e quem quiser se manifestar é so entrar no link abaixo:


e-mail enviado a redação do "jornal da band"


Mais uma vez me senti indignado ao assistir ao jornal da Band. Refiro-me a edição de 13 de abril, a qual tratou do julgamento da Irmã Dorothy Stang de uma forma superficial. Parecia até que o jornal só fez a matéria porque se sentiu forçado a isso, uma vez que trata-se de um assunto de muito impacto nacional e internacional. Fiquei pensando mesmo a que se pode atribuir esse descaso. Não pude concluir pela razão da incompetência, pois o jornal é composto por quadros da mais alta competência. Só pude pensar que tal descaso aconteceu pelo fato do Sr. João Saad, patrão dos que fazem o jornal, ter vínculos tão estreitos com a parte mais reacionária do setor agrícola brasileiro. Até parecia que o jornal estava vexado, com vergonha ou qualquer coisa assim. Formalmente quem matou a Irmã Dorothy foi Vitalmiro Bastos de Moura, mas os responsáveis são aqueles que defendem o latifúndio a todo custo; os que colocam o lucro financeiro acima da vida; aqueles que são na contemporaneidade os herdeiros da casa-grande de outrora. Sr. Boechat que é tão indignado e veemente em alguns momentos, parecia acanhado. Que cena deplorável. Enquanto isso, uma empresa concorrente de vocês fez uma extensa matéria sobre o julgamento...
Gol contra da rede Bandeirantes!!

sábado, 10 de abril de 2010

ardi

 Numa reflexão sobre o acaso das coisas, fiquei pensando sobre o achado do que vem a ser o fóssil mais antigo da humanidade (há sites que falam em 4 milhões e outros em 2 milhões). Essa descoberta só aconteceu porque em uma certa ocasião, Ardi (é este o nome do Australopithecus sediba) e um outro indivíduo da mesma espécie devem ter caído na caverna, segundo os pesquisadores,  por um buraco e morreram, sendo levados para um lago subterrâneo por uma chuva. Lá, acabaram fossilizados juntos com vários outros animais encontrados no local, como um tigre-dentes-de-sabre, um antílope e um coelho, entre outros. Que charada essa hein! Um coelho, um tigre e um hominídeo...   Talvez trate-se de um exemplo de cadeia trófica, sei lá... o fato é que  o local impediu que predadores ou carniceiros chegassem até os corpos, permitindo que fossem preservados. A erosão das cavernas acabou por expor os fósseis. A posição dos esqueletos e seu estado de decomposição indicam que os dois indivíduos morreram ao mesmo tempo ou muito próximos um do outro. 



 Toda essa cena se deu em um lugar conhecido como o berço da humanidade, e fica onde hoje é a África do Sul (foto ao lado). 

Sociedad Cubana de Geografía

Na tentativa de combater o maniquísmo anti-democrático praticado sistematicamente pela grande imprensa nacional e internacional, publicamos abaixo um texto elaborado pelo Sociedade Cubana de Geografia. É muito interessante os números com relação à participação política em Cuba. Ao contrário do que se diz no PIG internacional (na tentativa de criar um consenso), os cubanos dão aula de democracia ao ocidente "democrático". E não tem essa de dizer que eles são obrigados, pois amigos que já estiveram lá afirmam que a participação é intensa mesmo e eles gostam e se orgulham muito disso. E essa participação, como mostra esse artigo, não é só de velhos revoucionários, não, é também de muita gente jovem.
 Repito que há muitas críticas possíveis ao governo cubano e, aliás, ao contrário do que se diz, lá mesmo essa crítica é feita. Quem não lebra do filme "morangos e chocolates", financiado pelo próprio governo cubano, que critica a intolerância homofóbica do regime cubano. 
 
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 Agradeço a amiga Kátia Paz que enviou essa colaboração.
 

Declaración de repulsa ante maniobra anticubana del Parlamento Europeo y de una minoría de lacayos a sueldos 
”… tenemos muchas más razones para  creer en  la Revolución, que para creer a sus detractores…”
Silvio Rodríguez,

La Sociedad Cubana de Geografía, es una asociación científica no gubernamental de geógrafos profesionales, especialistas, técnicos y personas con vocación autodidacta  afines, voluntaria y de carácter  nacional, independiente y consultiva en materia de las ciencias geográficas; que  tiene como  objetivo principal  desarrollar  el conocimiento geográfico de nuestro territorio y el de contribuir a propiciar  que nuestra sociedad se desarrolle  de manera sostenible.

La Sociedad Cubana de Geografía, al igual que nuestro pueblo trabajador, de la que somos parte indisoluble, denunciamos la resolución fabricada por los sectores más reaccionarios del Parlamentos  Europeo, que responde a los proyectos anticubanos financiados y organizados por los Estados Unidos de Norteamérica y grupúsculos de lacayos a sueldos.
La geografía de la verdadera democracia,  es la respuesta digna de nuestro pueblo a la feroz campaña mediática que por estos días ha sido orquestada contra nuestro país,  a través de los  resultados de la nominación de candidatos a delegados a las Asambleas Municipales del Poder Popular, concluida el 24 de marzo pasado.
Ø     Participación ciudadana en la asamblea de nominación    7 400 000 electores
Ø     Cantidad de  asambleas de nominación                                 50 907
Ø     Propuestos para candidatos  a delegados                             34 766
Ø      Más del 75 % de los nominados nacieron después de 1959.
Ø      Mujeres propuestas un 35.76%, muy superior al 28.93% logrado en el 2007, que refleja la tendencia gradual creciente registrada en la última década.
Ø      Negros y mestizos un 41.3%, se incrementa con respecto a otros  procesos y está en correspondencia con la composición  racial de la población.
Ø      Nivel educacional 87.3% tiene nivel medio superior y superior; se incrementa con relación al 83.8% del 2007
Ø      Delegados actuales que son nominados  para el nuevo periodo un 60.9%

La geografía humana o de la solidaridad, es la que aplica día a día Cuba en su colaboración internacional, por tal motivo, no es posible  acusar a un país, de violar los “Derechos Humanos”; cuando es Cuba uno de los países más comprometidos en salvar vidas humanas en el mundo en los últimos 50 años, veamos tal afirmación  a través de tres ejemplos:





TASA DE MORTALIDAD INFANTIL         .
EN LAS AMÉRICAS           
   (Países seleccionados)                                                  Ucrania         

Países
Tasa de Mortalidad

%
Cuba *
4,8
Canadá
6
Estados Unidos
7
Chile
7
Costa Rica
10
Uruguay
12
Argentina
15
México
15
Venezuela
16
Colombia
16
El Salvador
16
Brasil
18
Ecuador
21
Perú
22
Nicaragua
23
Paraguay
24
R. Dominicana
27
Guatemala
29
Haití
54

Fuente: Dirección Nacional de Estadísticas del MINSAP *

Fuente: UNICEF. Estado Mundial de la Infancia 2010


                                                                                   Unos 23 000 menores ucranianos han recibido    atención médica en el centro de rehabilitación cubano de Tarará para superar las secuelas del accidente nuclear más grave de la historia, ocurrido en 1986 en la planta nuclear de Chernóbil,  Jefe de Estado ucraniano, Víctor Yanukóvic, marzo 2010.


 Haití

 La colaboración con Haití no llegó con el terremoto, se realiza desde 1998. Cuando ocurrió el movimiento telúrico trabajaban allí 467 colaboradores de la salud, ellos sufrieron la tragedia en carne propia juntos a los haitianos, y de ellos partió la primera asistencia médica que recibió el pueblo. Hoy en Haití, la colaboración cubana se mantiene con 20 hospitales y 20 salas de rehabilitación todos  con equipamiento  de última tecnología. Hasta el 17 de marzo último habían atendido 227 143 pacientes y realizado 6 499 operaciones quirúrgicas. Un total de 39 574 personas fueron tratadas  en las salas de rehabilitación. Nuestro personal de la salud está integrado por 1 504  especialistas de ellos 546 graduados de la Escuela Latinoamericana de Medicina y 184 estudiantes haitianos de quinto y  sexto                                                                                                                         año de la misma escuela. Puerto Príncipe, Haití, 20 de marzo 2010.

Venezuela

                                                                                En sus casi siete años de existencia el programa de atención médica universal  y gratuita de Barrio Adentro, ha salvado en Venezuela un millón  605 224 vidas. La misión que nació en abril del 2003, pone ya al servicio de la población una red de salud, en función de la población de menos recursos económicos. Este programa está apoyado por 29 255 cooperantes cubanos, de ellos 11 332 doctores. Caracas, Venezuela, 26 de marzo 201.


Solamente estos ejemplos de desvelo de los Derechos Humanos en Cuba y para la humanidad;  justifican que cada día en los medios de comunicación y en la red de los EGALs, se pronuncien los verdaderos científicos, intelectuales y personas honradas del mundo, en apoyar el Llamamiento en “Defensa de Cuba”, realizado por nuestros hermanos mexicanos,  a los cuales  les damos las gracias en nombre del pueblo heroico de esta Isla, que resiste por casi 50 años un feroz bloqueo económico y financiero a 90 millas del país más prepotente e invasor  del mundo  Estados Unidos.



Enrique Rodríguez- Loeches Diez- Argüelles

              Presidente
                                                                      
                                                                  Carlos Alberto Alvarez González
                                                                                Secretario General


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Literatura de Cordel na Fundação Casa de Rui Barbosa

A Fundação Casa de Rui Barbosa está colocando a disposição de forma digital, o seu acervo de literatura de cordel, bem como estudos, textos e bibliografia sobre o tema. É uma oportunidade excelente para professores e pesquisadores que desenvolvem atividades ligadas ao tema da litaratura de cordel. A Fundação possui um dos maiores acervos do Brasil com uma coleção composta de 8.000 folhetos de cordel e de obras sobre o tema, incluindo centenas de folhetos raros, dentre os quais a coleção do patrono da literatura de cordel, Leandro Gomes de Barros, representando um dos acervos mais ricos e organizados à disposição do público. Esse acervo foi reunido por meio da linha de pesquisa "literatura de cordel", a partir da década de 1960.