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domingo, 8 de maio de 2011

Lula Cortes e as pedras encantadas do Ingá

Lula Côrtes foi uma das figuras mais "roots" (aprendi essa com meu filho) da música popular brasileira. Os depoimentos dele no documentário "nas paredes da pedra encantada - Paebirú" são realmente muito interessantes. Logo no início ele diz que é muito dura a vida de um "pobre star" no Brasil. Mas o documentário trata da concepção e criação do disco que Lula gravou na década de 1970 com Zé Ramalho - Paebirú. Segundo um dos diretores os dois autores não gostam muito de ficar falando sobre esse disco, pois ele não teve a repercussão que os dois achavam que teria, coisa e tal. Mas o Lula bem que falou bastante, e sempre ou quase sempre, de maneira muito divertida e sem afetação. Zé não apareceu, mas Alceu esteve lá e proseou e cantou com Lula. O documentário resvala na cena psicodélica na qual o disco estava inserido, mas sem entrar muito no assunto. De todo modo, fica claro que essa história da cena rock-psicodélica pernambucana ainda precisa sem contada.
O disco é cercado de várias histórias, tais como o fato dos álbuns terem desaparecido na cheia (é assim que nós pernambucanos nos referimos as enchentes)de 1975 em Recife, sobrando apenas algumas unidades, sendo que parte deles estão hoje na Europa e EUA. Este disco depois de anos e anos de obscuridade foi relançado na Inglaterra, Alemanha e EUA, fato que fez com que se lançasse luz sobre ele aqui no Brasil. O documentário passou aqui no Rio de Janeiro no Festival Internacional de Documentários Musicais IN-EDIT, e dificilmente entrará em circuito. Talvez daqui a algum tempo se possa vê-lo pelo Youtube... quem sabe?

sábado, 26 de março de 2011

Vídeo imperdível

Vídeo de 1975 quando Alceu, Zé Ramalho e Lula Cortes defenderam a canção "Vou danado prá Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.

Pequena galeria de fotos de Lula Cortes

 Disco de 1980. Excelente!!!! Muito xote, frevo com guitarras, temas indianos, tricórdio elétrico e o escambau...
Com Zé Ramalho no mitológico álbum "Paebirú". Nos últimos tempos

Com Alceu e Zé Ramalho, artista com os quais compôs várias músicas, tais como "a noite preta", "arreio de prata" que é só dele, mas que Alceu gravou. Essa foto foi de quando em 1975 eles defenderam "vou danado pra Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.









Nos últimos tempos...















Quando andou gravando com a banda "má companhia". Um trabalho mais rock

Aqui a capa de um dos discos mais legais de Lula. "O gosto novo da vida". Esse disco era pra "acontecer" no Brasil todo. Esse era o projeto. Mas parece que Lula não conseguia se adequar.

Cantando com a banda "má companhia"

capa do "paebirú"

Falecimento de Lula Côrtes

Acabei de saber do falecimento do cantor e compositor Lula Côrtes. Imediatamente senti vontade de encontrar todos meus amigos de adolescência. Isso porque Lula foi um daqueles avatares da minha juventude. Um daqueles artistas que mobilizam nossa sensibilidade de um jeito que não podemos mais continuar sendo o mesmo depois de ouví-los. Meu encontro com a música de Lula foi, como diz o título desse blog, um encontro radical. Lula pertenceu a uma geração que nos deu Alceu Valença e Geraldo Azevedo, mas esses, não obstante o enorme talento que tinham e têm, eram os mais conhecidos de um grupo muito grande. Tinha Flaviola, Marco Polo, Marconi Notaro e outros. Mas Lula Cortes era quem melhor traduzia minha sensibilidade. Com uma voz rascante e uma potência poética vigorosa Lula foi um dos primeiros artistas a fundir o rock com as "levadas nordestinas". Foi um dos pais musicais de Chico Science. A gravação que segue abaixo chama-se "desengano" e abre o disco "o gosto novo da vida", que era um projeto para fazer Lula "acontecer" no Brasil inteiro, assim como já tinha acontecido com Geraldo Azevedo e Alceu. O projeto não deslanchou, mas o disco resultou muito bonito.
Segue, então, abaixo, uma pequena homenagem a esse grande artista, músico, inventor de instrumentos, artista plástico Lula Côrtes.



DESENGANO

Toda vez que olho o desengano
Nas frases do canto fosco dessa juventude
Sinto meu sorriso magro,
Meu rosto suado se encarquilhar
E quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
E quando me deprimo e curvo os ombros pra pensar
Penso nos martíos,
Todos os delírios loucos que vivenciamos
E vejo por quanto anos nos aventuramos querendo voar
Voar pra sair de perto,
De todo deserto desses abandonos,
E constatando o desengano se despedaçar.
Desfeito em pedaços,
Sigo no encalço desse sonho
Vejo meu sorriso magro,
Coração amargo se atrapalhar
Quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
Quando abro os olhos, olhos claros para o mar.