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sábado, 13 de novembro de 2010

Professor Kabengele Munanga responde a Demétrio Magnoli

  O geógrafo Demétrio Magnoli é evidentemente um intelectual orgânico - tal qual preconizava Gramsci -, a serviço dos interesses reacionários brasileiros. Não é a toa que ele tem tanto espaço midiático pra defender o ideário conservador, com o beneplácito do não contradito, como aliás, é a tônica da grande imprensa. Mas o não contradito está apenas na mídia, porque na "vida real" abundam as respostas dadas a esses funcionários da reação. Do outro lado das trincheiras (sim, claro, pois trata-se de uma guerra mesmo), está, entre outros, Kabengele Munanga (foto ao lado), Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, que é um grande intelectual a serviço da descolonização e se torna, nesse sentido, um intelectual pós-colonial. É por isso que não o vemos com tanta frequência nas cbn's e band news da vida. É claro que nunca darão a ele o mesmo espaço, pois se o fizerem, muitos corações e mentes que hoje se posicionam contra a ideia das cotas, compreenderiam melhor o tema e perceberiam a necessidade histórica dessa iniciativa. Parabéns ao professor Kabengele Munanga pela excelente resposta dada a Demétrio Magnoli.
 Vejam a resposta acessando o link:

http://www.geledes.org.br/em-debate/kabengele-munanga-responde-a-demetrio-magnoli-04/07/2009.html

sábado, 19 de setembro de 2009

Paulo Freire - Um mestre na periferia do capitalismo



Hoje, 19 de setembro de 2009, um grande pensador e educador brasileiro completaria 88 anos de existência. Refiro-me ao mestre Paulo Freire. Na condição de educador, que sou, tenho que reconhecer que infelizmente sua obra é muito mais citada do que lida e conhecida.
Como ele mesmo disse "não há prática de educação que seja neutra". É isso! Talvez aí esteja uma chave para seu aparente esquecimento. Digo aparente porque muitos pensadores, educadores e instituições não deixaram, graças a Deus, essa efeméride passar em branco. Hoje, quando se configura um novo campo teórico denominado "Teoria pós-colonial", ferramenta importante para discussões e práticas em torno da educação, estudos culturais, cultura e política, etc, a sua figura ganha mais vulto, na medida em que antes mesmo da consubstaciação desse campo de estudos, a sua obra já a prenunciava. Seu nome é citado contemporaneamente como um pensador cuja teoria e prática já se situava nesse campo.
A obra de Freire parece estar em plena sintonia com uma indagação da antropóloga Gayatri Spivak, que em uma obra já clássica na Antropologia de viés pós-colonial, "pode o subalterno falar?", indagava da possibilidade do subalterno se subjetivar plenamente, se livrando assim, da heteronomia e afirmando sua autonomia. Não foi outra a luta de Freire se não a de fazer do subalterno um sujeito autônomo e capaz de ser um agente pleno da história.
Por tudo isso e mais um milhão de coisas, é necessário que de vez em quando demos uma estudada na obra desse mestre inspirador (por mais que as vejas da vida diga o contrário). Salve o dia 19 de setembro!!

ps. Ah, o título desse postagem foi "arrastada" como diria Tom Zé em sua estética do plágio, de um título de Roberto Schwarz sobre Machado de Assis.