quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Guernica em 3D

Quase todo mundo conhece o quadro Guernica, de Picasso. Trata-se de um painel pintado a
óleo com 782 x 351 cm, e apresentado em 1937 na Exposição Internacional de Paris. A tela, em preto e branco, representa o bombardeamento sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de Abril de 1937 por aviões alemães e atualmente está exposta no Centro Nacional de Arte, em Madrid.
O pintor, que morava em Paris na altura, soube do massacre pelos jornais e pintou as pessoas, animais e edifícios destruídos pela força aérea nazista tal como os viu na sua imaginação.
Agora uma artista nova-iorquina, Lena Gieseke, que domina as mais modernas técnicas de infografia digital, decidiu propor uma versão 3D da célebre obra e colocá-la na net sob a forma de um vídeo. O resultado é fascinante e permite-nos visualizar detalhes
que de outro modo nos passariam despercebidos. Esta técnica inovadora revela-se um instrumento poderoso para compreender melhor a forma de trabalhar do pintor e até o modo como funcionava a sua imaginação.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Férias

Prezados leitores,

 Por razão de férias ficarei fora da blogsfera por alguns dias. Irei a Recife, minha terra natal.
 Um grande beijo!
 Ricardo Moreno

domingo, 17 de janeiro de 2010

RAVI SHANKAR E A MÚSICA DE JOHN COLTRANE

RAVI SHANKAR E A MÚSICA DE JOHN COLTRANE

     Sitarista virtuoso, legendário, compositor, professor, e escritor RAVI SHANKAR, é o embaixador musical mais estimado da Índia. É um fenômeno singular, cuja aparição no cenário musical ocidental despertou de pronto o interesse de músicos de vários segmentos musicais. Consta que o grande mestre do bep-bop jazz, John Coltrane, tinha por Shankar uma verdadeira adoração. Como prova dessa admiração Coltrane homenageou o mestre indiano colocando seu nome no próprio filho: Ravi Coltrane.



     Shankar foi aluno do ilustre guru Baba Ustad Allaudin Khan e já era uma das estrelas mais luminosas na Índia antes de entrar na cena internacional nas décadas de 1950 e 1960. Desde então, ele foi o pioneiro em disseminar a tradição da música clássica indiana. Na verdade quando Shankar aparece para o grande público, dentro daquela perspectiva underground / psicodélica da década de 1960, ele não era mais um jovem, como a maioria dos artistas que compunham aquela cena: Jimi Hendrix, Janis Joplin, etc. Shankar, na ocasião do festival, em 1969, contava já com 49 anos de idade, e condenava a utilização de drogas para a alteração da consciência.
Mas ainda antes de Shankar aparecer no cenário do Rock no final dos anos sessenta, ele já era figura de destaque no cenário jazz do finalzinho da década de 1950 e início da década seguinte. É através de seus conhecimentos que artistas do jazz como os saxofonistas Bud Shank e John Coltrane vão conhecer as estruturas modais da música indiana, o que será de extrema valia para o uso dessas estruturas na improvisação desses artistas.
     É simplesmente comovente o depoimento de Ravi Shankar sobre o encontro dele com John Coltrane. Artisticamente o saxofonista já conhecia a obra do mestre indiano através das gravações em disco. Coltrane possuía praticamente todas as gravações disponíveis no mercado, e quando soube da presença de Shankar nos Estados Unidos providenciou rapidamente para que um amigo comum, Richard Bock, os apresentasse. Isso aconteceu em 1964, e Coltrane tinha nessa ocasião 38 anos (Coltrane morreu em 1967, quatro anos depois). Chamou a atenção de Shankar uma certa santificação de Coltrane por parte de seus fãs: era uma verdadeira adoração. Não obstante este “endeusamento” do músico, Shankar refere-se a ele como alguém cuja humildade o dignificava, e isto ainda mais realçava suas características positivas.



     O mestre indiano definiu Coltrane, certa feita, como “uma panela mágica que está cheia com uma música dourada transbordando dele e alimentando os seus extáticos admiradores”. Mas Shankar acreditava que isso era uma carga por demais pesada para um homem, e atribui a esse tipo de adoração, junto com o uso de drogas por parte de Coltrane, sua morte prematura. Eles não chegaram a tocar juntos, pois nos encontros que tinham no hotel onde Shankar estava hospedado, Coltrane não levava o seu instrumento, mas ficava fazendo anotações sobre as estruturas modais utilizadas por Shankar.
     Em um certo momento particularmente comovente da conversa, Shankar disse a Coltrane que, se ele não se importasse, iria fazer alguns comentários sobre as suas composições mais recentes. Coltrane teria ficado perplexo com as observações feitas por Shankar, porque estas apontavam para uma percepção de uma angústia contida na música de Coltrane. Shankar acrescentou que em algumas passagens sentia “como um grito agudo de uma alma atormentada”. O mestre indiano dizia perceber isto também em outros artistas de jazz, e que compreendia esse sofrimento em função de fatores históricos. Acreditava, no entanto, que em função da busca espiritual de Coltrane (ele fazia ioga, lia Shri Ramakrishna e era vegetariano) e seu interesse pela música indiana, esse sofrimento seria superado. Em resposta a esta colocação, Coltrane levou lágrimas aos olhos de Shankar dizendo: “Ravi, é exatamente o que eu quero saber e aprender de você… como você acha paz em sua música e passa isto a seus ouvintes."
     No final desse ano, 1964, em dezembro, John Coltrane grava um dos discos mais importantes de sua carreira, e um dos mais importantes da história do jazz: “A love supreme”. Não há dúvida que esse disco trás as marcas de um encontro fabuloso entre dois grandes artistas e duas figuras humanas da maior grandeza.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A arte e a guerra

A jovem Kseniya Simonova foi a ganhadora da edição Ucraniana do Got Talent. Na final, ao vivo, fez uma animação da invasão da alemanha na Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, tendo usado apenas os dedos, uma superfície com areia e um fundo musical.
Trouxe lágrimas aos olhos de juízes e do público. Foram 8 minutos maravilhosos que demonstraram um talento especial e trouxeram, através da arte, a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações.
Vejam isso:

sábado, 9 de janeiro de 2010

Memória e democracia no Brasil

 O cineasta Silvio Tendler enviou carta ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendendo que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por seus atos. Tendler critica a posição do ministro, contrária à punição aos torturadores. "Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar, roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos", escreve o cineasta.
 Leia a carta na íntegra acessando o link:

Assine o manifesto contra a anistia aos torturadores no link abaixo:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Mais um capítulo da relação mídia e poder

As relações da mídia com o poder ocorrem por caminhos algumas vezes insuspeitos. Lembro de quando a revista “Caros Amigos” fez, na década de 1990, uma longa matéria sobre um suposto filho do então Fernando Henrique Cardoso, com uma jornalista da Rede Globo. A matéria da revista, na verdade, discutia sobre as razões que faziam silenciar toda a mídia brasileira, considerando esta mesma mídia tão afeita a sensacionalismo, como tinham feito recentemente com a história de uma ex-namorada do então candidato Lula em 1989. O suposto caso amoroso do ex-presidente com a jornalista global tinha um elemento simbólico curioso, e a matéria fazia questão de afirmar que não tinha nenhum viés moralista, apenas queria saber se os grandes meios de comunicação sabiam desse fato e o por quê de não publicarem nada sobre o caso. O resultado foi muito interessante.
Mas o caso agora é outro. Na argentina um processo muito doloroso, porém necessário, está vindo à tona. Trata-se da luta das Mães da praça de maio, que lutam para descobrir fraudes em processos de adoção ocorridos durante o regime militar, no qual os adotados eram crianças seqüestradas, filhos de presos políticos mortos pelo regime militar. Esse tema foi tratado em um filme argentino brilhante chamado “a história oficial”, de 1985. A questão agora é que nada mais nada menos a dona do jornal Clarin está sendo acusada de ter participado de uma dessas fraudes, adotando uma criança que era filha de um militante torturado e morto pela ditadura. A história se arrasta há algum tempo, e em conluio com setores do judiciário o caso foi postergado até uma situação limite. As últimas notícias do caso dão conta de que a Câmara federal de San Martin ordenou que o juiz que toma conta do caso faça imediatamente o exame de DNA.








Dona do Clarín pode ter adotado filha de desaparecidos
Uma decisão judicial sobre um caso que se arrasta há anos pode expor o caráter criminoso das relações entre mídia e ditadura na Argentina. A fundadora do movimento Avós da Praça de Maio, Chicha Mariani, suspeita que a filha de Ernestina Herrera de Noble, dona do grupo Clarín, seja, na verdade, sua neta, Clara Anahí, cujos pais foram seqüestrados por militares em sua casa, em novembro de 1976. A Câmara Federal de San martín determinou a realização imediata de exames de DNA. O relato é do jornal Página 12.


para ler a matéria toda siga o link:

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Classe mé(r)dia

É hilária esta canção. Não pelo que ela tem de anormal ou exótico, mas justamente o contrário, pelo que ela tem de normal e verossimilhante. Creio que ela se refira a aquela classe média que há alguns meses atrás se manifestava através do movimento "cansei". Para quem não lembra ou nem sequer conheceu este movimento, o mesmo tinha como expoente figuras luminares da cultura brasileira, tais como: Francisco Dória Jr. (quem?), Ivete Sangalo e Regina Duarte, além de Hebe Camargo, é claro... e tinha como eixo de suas pregações o "cansaço" com relação aos desmandos do governo Lula.
Ouçam a canção de Max Gonzaga!!!




domingo, 3 de janeiro de 2010

Ricúpero e as parabólicas, lembram?

     Tão grave quanto as declarações de Boris Casoy, nas quais fica claro o pensamento de parte das elites brasileiras com relação às pessoas mais humildes, foram as declarações, em condições semelhantes, do então ministro da fazenda Rubens Ricúpero, em 1994. Na ocasião transcorriam as eleições presidenciais que levariam FHC a seu primeiro mandato. Evidenciava-se ali de forma irrefutável as relações promíscuas entre mídia e poder. Num determinado trecho o ministro diz a Carlos Monfort que ele era o grande eleitor de FHC, e que sua exposição na globo poderia e deveria acontecer para que se conseguisse mais votos para o candidato tucano. Curioso que no vídeo que você verão abaixo, o jornalista que fazia a matéria era nada mais nada menos que Boris Casoy. Que ironia, hein... Aliás, esse jornalista como legítimo membro do PIG (partido da Imprensa Golpista) fez todos os esforços para dourar a pílula e fazer crer que isso nada tinha a ver com o plano real, etc. etc. etc.


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O "jornalismo" de Boris Casoy é banal, antiquado e medíocre; não traz nada de novo ao telespectador, não estimula o raciocínio, não questiona. A única coisa que sai dali é aquele bordão ridículo e pseudomoralista, que, de forma oportuna, repetirei agora: Boris Casoy "É UMA VERGONHA!!!"

Fábio Amaral

Boris Casoy é uma vergonha! Preconceituoso, merece as penalidades previstas na Constituição Brasileira. Malvado e perverso, ele vai colher o que merece. Desculpa melada, deveria ser afastado do Partido da Imprensa Golpista - PIG. Sua meia-boca deveria ser calada para sempre, até mesmo no Inferno. Alma imoral, jamais deveria abrir a boca para falar a fedentina de sua linguagem em comentário:Isso é uma vergonha". Vivam os garís, morra o Casoy com seu falso jornalismo - poder sem ética.
Francisco de Andrade

Tese polêmica

A tese é polêmica, mas... vale a pena dar uma conferida no que diz a psicóloga francesa sobre o tema da infidelidade conjugal masculina. O que a psicóloga não explica é o fato de pesquisas recentes terem apontado que há um crescente índice de mulheres que declaram já ter tido algum tipo de relacionameto amoroso fora do casamento. Enfim...



Psicóloga francesa defende infidelidade masculina para ajudar o casamento

Para Maryse Vaillant, uma das mais famosas psicólogas do país, experiência é 'libertadora'.

  Uma das mais famosas psicólogas francesas causou polêmica ao defender, em um livro recém-lançado, que a infidelidade masculina é boa para o casamento. No livro "Les hommes, l'amour, la fidélité" ("Os homens, o amor, a fidelidade"), Maryse Vaillant diz que a maioria dos homens precisa de "seu próprio espaço" e que para eles "a infidelidade é quase inevitável".
  Segundo a autora, as mulheres podem ter uma experiência "libertadora" ao aceitarem que "os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais" e que a infidelidade é "essencial para o funcionamento psíquico" de muitos homens que não deixam por isso de amar suas mulheres.
  Para Vaillant, divorciada há 20 anos, seu livro tem o objetivo de "resgatar a infidelidade". Segundo ela, 39% dos homens franceses foram infiéis às mulheres em algum momento de suas vidas. 
"A maioria dos homens não faz isso por não amar mais suas mulheres, Pelo contrário, eles simplesmente precisam de um espaço próprio", diz a psicóloga.
  "Para esses homens, que são na verdade profundamente monógamos, a infidelidade é quase inevitável", afirma. Para Vaillant, os homens que não têm casos extraconjugais podem ter "uma fraqueza de caráter". "Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Esses homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Eles não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem", afirma ela.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O pensamento de Boris Casoy

A se confirmar que o video abaixo traz a voz do âncora Boris Casoy fazendo comentários esdrúxulos sobre as mensagens de final de ano feitas por dois garis, estaremos assisitindo mais uma (digo mais uma lembrando do Ricúpero) demonstração cabal de como pensam nossas elites. Claro que vão botar panos quentes, claro que vão dizer que era só uma brincadeirinha, mas é claro também que não vai colar. E olha que esse tipo de reveleção ainda deve ser pouco, para o que diz esse pessoal quando está entre os seus pares. Isso explica, em parte, o ódio ao presidente Lula. É o desprezo que eles sentem pelo povo, é a síndrome da casa grande que os atormenta. São todos uns "Sinhozinhos" com saudade dos tempos de mandonismo. É uma elite que se diverte jogando ovos em trabalhadores, espancando domésticas, queimando índios e etc.
Só mais uma coisa pode ser dita: ISSO É UMA VERGONHA!!!!!!!




Funk carioca: Meta-refrão, microtonal e polissemiótico

Nestes dois vídeos abaixo, você vai ver as explicações do Tom Zé sobre o fenômeno chamado Funk carioca. Tanto para os detratores quanto para os apologistas do gênero musical, é uma oportunidade e tanto de reflexão, que o compositor baiano nos possibilita. Vejam:





ROUBANDO GALINHAS

 ROUBANDO GALINHAS


Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
- Não era para mim não. Era para vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. É que as do galinheiro botavam ovos brancos, enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado!
- Os ovos das minhas eu pintava.
- Que grande pilantra... Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso .. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros.
Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços. O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada.
Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, Excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante.Como agora. Fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...

(Luís Fernando Veríssimo)


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"A Rússia pegou fogo na Sapucaí"

Um áudio de Edvaldo Santana: "A Rússia pegou fogo na Sapucaí"



Edvaldo Santana ou: a voz rouca das ruas

Edvaldo Santana ou: A voz rouca das ruas


           

Para quem não conhece, Edvaldo Santana é um militante e ao mesmo tempo legítimo herdeiro da boa e velha MPB. Não obstante sua já longa trajetória (já lançou cinco cd’s) e algumas inserções na mídia, ele ainda continua desconhecido do grande público brasileiro. Sua música vai do blues ao baião passando por baladas, boleros, salsas, sambas e outras levadas. Seus parceiros também não são poucos, e entre tantos se destacam: Tom Zé, Arnaldo Antunes, Paulo Leminski, Haroldo de Campos, Itamar Assunção e outros mais.
            Filho de migrantes nordestinos, cresceu na periferia paulista (São Miguel Paulista), e foi essa periferia que lhe deu régua e compasso para construir sua obra. Suas letras, onde não raro se acham verdadeiras pérolas, estão absolutamente sintonizadas com seu tempo e lugar. Edvaldo é capaz de versos cortantes tratando de chacinas e meninos de rua, como também trata de temas românticos de forma muito lírica. Tudo isso cantado com uma voz rouca, que lhe é bem peculiar. Um verdadeiro achado é esse trecho da canção “variante”: “no rio São Francisco navega o vapor / que navegou no Mississipi / o rio São Francisco deságua sua dor no Tietê / Variante da estação do norte / de seu Joaquim da Luz / se eu pudesse aproximava os tempos / e adonirava o Blues”. Este último verso, transformando em verbo o nome do compositor Adoniran Barbosa, é qualquer coisa de muito bem sacado.
            Em sua obra há muitas canções que merecem destaque, mas como o espaço aqui é pequeno, vou destacar uma canção do seu primeiro cd “Lobo solitário” de 1993. A canção chama-se “A Rússia pegou fogo na Sapucaí”, e tem uma proposta caleidoscópica. Ela trata do cenário cultural e político da década de 1990, e toda aquela sensação – que já foi chamada de pós-moderna – de que tudo perdeu o sentido, que os acontecimentos se dão vertiginosamente e tudo mais. A canção é um blues daqueles bem tradicionais e o refrão diz: “Beats, Woodstock, Coréia, Vietnã / duas bombas atômicas no Japão / luzes na ribalta / Bush em cena com Sadam / a morte é o kitsch do verão / punks foram hippies / agora são titãs / a Rússia pegou fogo na Sapucaí / pra não dizer de flores / me alegra ser xamã / a gente só queria ser feliz”.
            A letra dessa canção é uma verdadeira síntese da década de 1990, falando das angústias e expectativas daqueles tempos neo-liberais. Mas conversando com o autor eu lhe perguntei sobre essa imagem da Rússia pegando fogo na Sapucaí. De onde ele tinha tirado aquilo? Entre risos, ele me respondeu que foi num certo carnaval carioca do início da década de 1990, em que ele estava assistindo a transmissão pela TV, e viu um carro alegórico, cujo tema era a Rússia, ser tomado por um incêndio. Que sacada, hein! E é bom lembrar que essa cena se deu logo em seguida do fim do chamado socialismo real na antiga U.R.S.S. Isso é o que podemos chamar de uma verdadeira alegoria.
            Há pouco tempo, em 2006, Edvaldo lançou o seu mais recente cd: “Reserva de alegria” que conta com as participações dos rappers Thaíde e Rappin’Hood, e do cantor Chico César. Neste cd Edvaldo continua sua linha de melodias simples, misturas de gêneros e letras cortantes com belos achados poéticos. Dialoga com elegância com as novas tendências da MPB, como no caso da parceria com Rappin’Hood no samba-rap “pra viver é sempre cedo”. Desafiando o cenário místico-empresarial que assola o país, diz a letra logo no início: “eu não dirijo carro / não uso celular / procuro um lugar calmo que eu possa trabalhar / não quero ser crente / com medo do “senhor” / Deus não deu patente / pra padre e pra pastor”.
            Edvaldo Santana é um guerrilheiro da MPB, e apesar da grande mídia não lhe dar bola, ele vai pacientemente compondo sua obra, apontando suas armas – o violão e a voz – para os que promovem as indigências de nosso tempo. E como ele mesmo diz “maluco beleza não se dá por vencido”.




terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Flagrante na agência bancária ou: o racismo nosso de cada dia.

Muito se tem discutido no Brasil sobre raça e racismo, em função de novos dispositivos legais que vêm sendo levados a cabo pelo governo brasileiro. Um certo argumento, que considero reacionário - apesar de algumas pessoas que não são reacionáiras usá-lo -, é o de que se o conceito de raça ruiu, então não faz mais sentido utilizá-lo para elaborar políticas compensatórias ou de reparação. Mas o que tenho repetido é que se o conceito de raça está efetivamente superado, os seus efeitos não estão. E que efeitos são esses? O racismo, ora! Um conceito, como queria Foucault, produz efeitos. Aliás, é para isso, em boa medida, que eles são criados.
Só um desavisado não sabe que o conceito de raça surge no século XIX justamente para justificar o processo de colonização, ou neo-colonização, que os países europeus estavam empreendendo na Ásia e na África, principalmente. É verdade, por outro lado, que o racismo não precisou esperar o surgimento do conceito de raça para acontecer. O racismo antecede o conceito de raça. Mas, sem dúvida, uma definição de raça amparada "cientificamente" colocava as coisas em outro patamar. Era como se não houvesse mais dúvida da superioridade branca-européia-ocidental sobre o resto do mundo.
O vídeo abaixo demonstra um pouco os "efeitos" do conceito de raça, em uma ocorrência prosaica do nosso cotidiano.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O homem do ano

 
  
Jornal Le Monde elege Lula como o "Homem do Ano"

     A publicação francesa apontou o presidente brasileiro como o responsável pelo renascimento do Brasil como um gigante na cena mundial. O jornal espanhol El Pais também escolheu Lula como a "Personalidade do Ano", destacando que ele passará à história pela ambição realizada de tornar o Brasil um país desenvolvido. Para o Le Monde, o presidente soube ser um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbros naturais. "A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil", resume o jornal.

leia a matéria completa em


domingo, 27 de dezembro de 2009

Vejam que história interessante e acreditem se quiser


     John Corcoran é o que podemos considerar um fenômeno! Mesmo sem saber ler, escrever ou mesmo soletrar, ele conseguiu se formar em uma universidade da Califórnia e dar aula - dar aula!!! - por 17 anos em outra. O americano só foi alfabetizado aos 48 anos.
"Mas como isso foi possível, caro blogueiro?", você está se perguntando, não? Vamos à explicação que o próprio deu à emissora 10News, de San Diego: quando era aluno de escola primária, John começou a apresentar problemas de aprendizado.
O menino contou com a conivência dos pais e dos professores, que o passavam de ano. "Quando eu tinha 8 anos, eu rezava na hora de dormir 'Deus, por favor, amanhã, quando for a minha vez de ler em sala, faça-me ler'". Mas o milagre não acontecia. O milagre da leitura, porque o da aprovação sempre aparecia ao fim do ano letivo. Por causa de problemas psicológicos e comportamentais, o pequeno Johnnie tinha suas deficiências acobertadas e sempre avançava.
John também contribuiu, aprendendo a disfarçar sua condição iletrada. Arrumava problemas em sala de aula e passava boa parte do tempo no escritório do diretor. Em 1956, ele recebeu o diploma da Palo Verde High School, em Blythe.
E John chegou à universidade, em El Paso. Lá aprimorou suas técnicas para burlar o sistema. Ele roubava provas e convencia colegas a completar suas tarefas. Trapaceiro virou o sobrenome de John.
"Eu não podia ler palavras, mas podia ler o sistema e as pessoas", disse.
Em 1961, John se tornou bacharel em educação. Educação!!!!! Mesmo analfabeto...
"A prefeitura de El Paso dava a quase todos os graduados um emprego", explica John.
Durante 17 anos, mesmo sem juntar lé com cré, o americano deu aulas em uma escola secundária de Oceanside.
A tática de John: ele desenvolveu um técnica de ensino baseada nos recursos oral e visual. Um gênio, não?
"Não havia uma palavra escrita por mim em sala de aula. Eu sempre tinha dois ou três professores assistentes para escrever no quadro e ler o boletim", conta.
Em um determinado momento, a farsa ficou insuportável e John pediu licença da escola, Ele se trancou com uma tutora voluntária, de 65 anos. Depois de um ano, já sabia ler. Pelo menos tanto quanto os seus alunos.
O americano já escreveu dois livros e criou a Fundação John Corcoran, que ajuda analfabetos a terem uma melhor oportunidade na sociedade.

Os êxitos de Morales e dos Povos Originários da Bolívia

     Se você, caro leitor, tiver algum interesse em saber o que está se passando na Bolívia - reparem que estou falando de um país vizinho, e não de uma república a milhares de quilômetros de distância - vai se dar conta de que as notícias são um tanto escassas. Isto só reforça aquela ideia, que já comentei aqui, que dá conta do desinteresse brasileiro por seus vizinhos. Seja como for, se soma a esse desinteresse, "tradicional" o fato de que no país vizinho está acontecendo um processo político da maior relevência capitaneado por uma liderança oriunda do movimento popular.
     Os êxitos recentes da gestão Morales apontam para uma transformação que transcendem, ao meu ver (alguns cientistas políticos têm insistido nisso) os limites da Bolívia. Refiro-me aqui ao novo conceito de "estado plurinacional". María Teresa Zegada é uma socióloga boliviana que tem chamado a atenção para esse novo fenômeno. Segundo ela "a plurinacionalidade emerge como um dos elementos mais importantes do novo Estado. Todo o texto constitucional está atravessado pela plurinacionalidade e isso posibilitará que na Bolivia aumente o graude de participação política”. Ora, isso não é pouca coisa, pois esse novo estado viabiliza um novo protagonismo político naquele país. É uma democracia que se contrói no respeito as diversidades étnicas e dá voz a contingentes histpricamente excluídos das decisões políticas. E é uma inflexão no próprio ser do estado nacional moderno, pois como muitos sabem, este estado se cosntruiu ocultando as diversidades étnicas na mesma medida em que subalternizava os grupos mais "fracos".
     Se engana também quem pensa que isso é uma medida populista, como gosta de falar nossa imprensa, mas sim fruto de um longo processo de disputas socais levadas a cabo pelo povo boliviano. Esta mesma imprensa tratou de nos ocultar, por exemplo, a luta dos bolivianos contra a privatização da água (uma parte dessa luta pode ser vista no vídeo sobre Milton Santos, feito por Sílvio Tendler). Nos ocultaram também a luta desse mesmo povo por uma nova constituição. Uma constituição que desse conta do novo protagonismo político em curso no país. Tudo isso foi feito em meio a tentativas da elite locar de desestabilizar o governo, tentativas de golpes, etc.
     Por tudo isso, Evo Morales é visto apenas como aquele que está concretizando, ou viabilizando politicamente toda uma série de demandas dos chamados Povos Originários da Bolívia. A justeza dessas demandas e a sintonia que elas têm com os interesses do povo boliviano, possibilitou a vitória de Morales em todas as disputas de que participou. E todas elas com uma margem expressiva de mais de 60%. Foi isso que aconteceu no mais recente pleito boliviano, que o consagrou com quase 65 % dos votos, fazendo-o vitorioso já no primeiro turno.
     Só nos resta, daqui do Brasil, saudar entusiaticamente a vitória dos Povos Originários da Bolívia representada na vitória do presidente Morales.






Para saber mais siga este link:

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A contra-revolução jurídica

 Muitos analistas de política têm apontado um recrudescimento do papel da política no cenário das disputas sociais, após um longo processo de esvaziamento da mesma. Este esvaziamento teria surgido no horizonte social em função de uma espécie de refluxo, por conta, em parte, de derrotas do movimento social nas décadas de 1970 e 1980. Este período corresponde, grosso modo, ao triunfo da vaga neo-liberal. Pretendia-se, num viés explicativo, demonstrar o esboroamento das lutas sociais, ou de qualquer necessidade de se orientar as demandas sociais através de conflito. O que restaria aos insatisfeitos era se adequar aos novos tempos, ou em outras palavras, ao mercado. E mais, essa adequação se daria de forma atomizada, ou seja, cada um por si e salve-se quem puder. Era o fim da história...
 Pois então, o tal recrudescimento da política entra no cenário latino-americano (ou Abya Yala, ver artigo de Carlos Walter aqui no blog), no final da década de 1990 e início do novo século, com a chegada ao governo, de forma democrática, de grupos até então estranhos ao poder nesse continente. Foi o caso das eleições de Hugo Chávez, Lula, Evo Morales e outros. Esses novos personagens vão de alguma forma politizar a política e produzir uma nova agenda, ferindo, muitas vezes, os interesses dos grupos tradicionalmente hegemônicos do continente. Surge um novo empoderamento.
 Mas é óbvio, por outro lado, que os tradicionais donos do poder não iam simplesmente se retirar do jogo político ou aceitar pacificamente as novas agendas, etc. etc. etc. E é sobre isso que o professor Boaventura de Souza Santos nos fala em um belo artigo: "a contra-revolução jurídica". Nesse artigo elenos fala de como o conservadorismo ferido no campo político e perdendo cada vez mais seu poder de convencimento, se aloca no campo judiciário, para dali perpetrar seus gestos políticos. Ele fala de um acorde tácito, que sinceramente, eu desacredito. Pelo menos em alguns casos.
 Siga o link abaixo e leia na íntegra o texto do professor Boaventura:

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Um cordel para o Rio de Janeiro

Este cordel é o resultado de um trabalho que fizemos com a turma 1701 da Escola Emiliano Galdino no segundo semestre de 2009. A ideia do trabalho era o de desenvolver no aluno uma leitura mais fluente. Trabalhos diversos elementos, tais quais a compreensão da estrutura das sílabas poéticas (no caso 7), interpretação de texto e compreensão rítmica dos versos (acentos tônicos). Fizemos leituras em sala de aula de diversos títulos: "As proezas de João Grilo"; "Lampião, o capitão do cangaço"; "Peleja de Riachão com o Diabo" e o "Romance do pavão misterioso". Este último foi de longe, o mais apreciado de todos. No final os alunos compuseram este cordel que você poderão ler abaixo.




UM CORDEL PARA O RIO DE JANEIRO





Vou contar nesse cordel
Uma história interessante
Sobre o Rio de Janeiro
Uma cidade elegante
Chamada maravilhosa
Que tem muitos habitantes


Já há muito tempo atrás
Nasceu uma bela cidade
Humilde e muito pequena
Que tinha simplicidade
Era um belo lugar
Sem tristeza nem maldade


Para o Rio vieram os franceses
Prá uma colônia fundar
Acabaram sendo expulsos
Não puderam continuar
Foram buscar novas terras
Lugares pra explorar
  
Aqui no Rio de Janeiro
Lá no Campo de Santana
No século dezenove
Uma data bem bacana
Aconteceu a República
História de muita fama


No morro do Corcovado
Tem o Cristo redentor
Um monumento importante
Que tem um grande valor
Uma das sete maravilhas
E tem todo nosso amor


Os olhos do redentor
Parecem observar
Todo o Rio de Janeiro
Estrela desse lugar
Abençoando a todos
Com a santidade do olhar


Das praias do nosso rio


Tem muito pra se falar
Muitas mulheres bonitas
Que só aqui pode achar
Tem marés e horizontes
Belezas de se encantar


Lá na praia de Ipanema
Gosto de me bronzear
A garota mais bela
Vejo por ali passar
É a mulher mais bonita
Que eu já vi desfilar


Pão de açúcar lá no Rio
É um morro interessante
Pois lá tem muito turista
Que é gente importante
E tem uma paisagem linda
Sem igual e verdejante


O bonde do Pão de Açúcar
Vive prá lá e prá cá
Fica em cima de um fio
Eu vou prá lá passear
Mas fico com muito medo
De o cabo arrebentar


Em dois mil e dezesseis
No Rio acontecerá
Será a primeira vez
Que o Rio vai sediar
Virá gente do estrangeiro
Para aqui se encontrar


Nosso Rio também é
A cidade do esporte
Tem futebol, voleibol
Atletas de muito porte
Por isso nas olimpíadas
É candidata bem forte


Quando está muito calor
Eu saio do meu lençol
E vou curtir uma praia
Pegar uma cor com sol
Aí dou uma pescadinha
E jogo meu futebol


Futebol aqui no Rio
É um esporte bem legal
Todo mundo gosta dele
Porque é sensacional
E quando um time faz um gol
É alegria sem igual


Domingo assisto ao jogo
O jogo do meu mengão
Ele é o melhor time
E vai ser o campeão
Já está lá no G4
É melhor que a seleção


Nesta cidade do Rio
Tem uma festa bem legal
Que acontece em fevereiro
O nome dela é carnaval
Muita gente se diverte
Nesta festa surreal


Todo dia tem escola
Pois é lá que eu aprendo
Já aprendi a escrever
E também já estou lendo
De manhã faço um lanchinho
E de tarde eu merendo


A escola aqui do Rio
É muito especial
A gente aprende a escrever
E isso é muito legal
Cresce a cultura do aluno
De forma sensacional


Nosso funk carioca
É cultura e lazer
É do Rio de Janeiro
O ritmo do prazer
Que abala muita gente
Isso você pode crer


Um problema da cidade
É ter muito traficante
E tem muita violência
Também muito meliante
Existem várias favelas
Também muitos assaltantes


Uma parte da polícia
Pode tudo por dinheiro
Isso também acontece
Nesse Rio de Janeiro
As vezes o bicho pega
E é só tiro o dia inteiro


Mas toda cidade grande
Tem o ritmo assim
Acontecem coisas boas
Acontecem coisas ruins
Mas morar nessa cidade
É mesmo um prazer pra mim


No cordel dessa cidade
Contei coisas de esplendor
Praias, esportes, lugares
Até Cristo redentor
Ainda falta muita coisa
Mas por aqui já acabou


Já encerro por aqui
A história que eu contei
Não sei se todos gostaram
Mas eu sei que eu gostei
É do Rio de Janeiro
Que jamais esquecerei






Cordel do Rio de Janeiro







domingo, 20 de dezembro de 2009

O vendedor de passados


     "O vendedor de passados" é um romance sobre a memória, quer dizer, sobre sonhos, ou melhor, sobre a memória / sonho. E como ele mesmo diz: "um sonho não se tem, um sonho se constrói". Apesar da atmosfera onírico-mágico-surrealista, a trama é muito bem construída. Ela trata de um sujeito, o Félix Ventura (este sobrenome é bastante significativo) que vive de criar passados e inventar memórias. As pessoas que o procuram pertencem a posições sociais que lhes garantem o futuro, mas que não provê um passado, ou uma memória compatível com seu status.
     Em uma passagem curiosa o personagem Ventura faz um paralelo entre o seu ofício e a literatura. Ele acredita que o que faz é, de certa forma, literatura, pois ele também inventa personagens, com suas tramas e tudo mais. Só que ao invés deles ficarem presos às páginas de um livros, saltam para a vida.
     É curioso também que toda essa narrativa, ou quase toda, visto que há mudança de foco narrativo, é feita por uma osga (é como em angola se chama essas lagartixas de parede). É verdade que é uma osga absolutamente humanizada, cujos sonhos remetem a uma vida humana anterior. Há até momentos em que os sonhos da osga e do personagem Ventura se fundem de forma fantástica.
     É um excelente livro, com nuances poéticas da melhor qualidade e com aquelas frases que nos faz de repente parar de ler o livro e ficar a pensar...


O vendedor de passados
José Eduardo Agualusa
Editora Gryphus

sábado, 19 de dezembro de 2009

O homem que engarrafava nuvens

Em janeiro irá estrear um documentário sobre Humberto Teixeira. Vi o trailer e deu muita vontade de ver o filme. Postei-o abaixo pra que você também fiquem com o mesmo gostinho.


Igrejas bizarras...

Recebi da minha amiga Débora Rios uma lista com nomes bizarros de igrejas evangélicas - nem sei se podemos chamá-las assim-, confesso que não pude resistir ao riso, e, claro, nem haveria porquê. A mensagem que recebi fala da criatividade do pessoal para dar nomes aos seus negócios, digo, suas igrejas. Mas não poderia ser diferente, pois cada dia surge uma nova igreja, o que exige de seus dirigentes muita inventividade. Não colocarei aqui a lista completa que recebi, pois é muito extensa. Postarei apenas as que achei mais engraçadas. E reprarem que tem para todos os gostos. Tem as ecológicas: "coração reciclado"; tem as que poderiam ser filme: "cruzada de emoções"; tem as auto-celebrativas: "Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade"... Enfim, tem de todo tipo.

Igreja da Água Abençoada
Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
Congregação Anti-Blasfêmias
Igreja Chave do Éden
Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
Congregação Passo para o Futuro
Igreja Explosão da Fé
Igreja Pedra Viva
Comunidade do Coração Reciclado
Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
Cruzada de Emoções
Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
Congregação Plena Paz Amando a Todos
Igreja Aceita a Jesus
Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
Igreja Barco da Salvação
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
Comunidade Arqueiros de Cristo
Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Igreja Palma da Mão de Cristo
Igreja Menina dos Olhos de Deus
Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
Igreja Batista Ponte para o Céu
Igreja Pentecostal do Fogo Azul
Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
Igreja Filho do Varão
Igreja da Oração Eficiente
Igreja da Pomba Branca
Igreja Socorista Evangélica
Igreja ‘A’ de Amor
Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
Igreja do Amor Maior que Outra Força
Igreja Dekanthalabassi
Igreja dos Bons Artifícios
Igreja Cristo é Show
Igreja dos Habitantes de Dabir
Igreja ‘Eu Sou a Porta’
Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
Igreja da Bênção Mundial
Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
Igreja Sinais e Prodígios
Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
Igreja do Manto Branco
Igreja Caverna de Adulão
Igreja Este Brasil é Adventista
Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
Ministério Eis-me Aqui
Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
Igreja Batista Renovada Lugar Forte
Igreja Atual dos Últimos Dias
Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
Igreja Evangélica Bola de Neve
Igreja Evangélica Adão é o Homem
Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
Ministério Maravilhas de Deus
Igreja Evangélica Fonte de Milagres
Comunidade Porta das Ovelhas
Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
Igreja Evangélica Luz no Escuro
Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
Igreja Pentecostal Planeta Cristo
Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Propostas irrecusáveis...

Dando uma passeada pela blogsfera, dei uma passada no blog Mundo Fantasmo, animado pelo escritor e compositor Bráulio Tavares. Lá encontrei, entre tantas coisas interessantes, uma discussão acerca do tema "propostas irrecusáveis". A questão colocada é: "o que acontece quando um sujeito absolutamente honesto recebe uma proposta (desonesta) irrecusável? É, sem dúvida, uma questão embaraçosa, e certamente mais verossímel do que aquelas construções congêneres do tipo: "o que acontece quando uma força irresistível encontra uma barreira intransponível?" Nessa última estamos lidando com um universo objetivo, no qual, os termos que o representa estão em franca contradição; o que não acontece no primeiro caso, no qual o universo subjetivo dá margem para que as coisas não tenham assim tanta nitidez. Nesses campos, digamos, as coisas tendem a ser mais nuançadas, com zonas de sombras e interseções diversas.
Mas toda essa discussão me faz lembrar uma historinha que me foi contada pelo meu amigo Antonio Augusto Fontes, sobre o jornalista Assis Chateaubriand. A história é mais ou menos a seguinte: o ilustre jornalista estava em uma festa e viu uma mulher muito bonita, a qual despertou nele um desejo sexual incontrolável. Ele então procurou um acessor que, transformado em emissário, foi ao encontro da mulher fazer uma "proposta irrecusável". Tratava-se de uma soma em dinheiro que era realmente difícil de não ser aceita, ainda mais levando-se em conta que era só para uma noite. Ela topou, e daí o acessor apresentou um ao outro e a conversa fluiu. Acontece que lá pras tantas, o jornalista mencionou a metade da quantia antes oferecida pelo acessor, o que fez a mulher ter o semblante transformado e por fim dizer pra ele: "você está pensando que eu sou que??" No que prontamente teria respondido Chateaubriand: "o que a senhora é já sabemos, agora é só uma questão de preço". Pois é, este parece ser um caso em que a quantidade (dinheiro) consegue alterar a qualidade (o ser ou não ser da mulher).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Você já ouviu falar em "neuromarketing"

Pois é amigos, na medida em que vai avançando nossa compreensão sobre a "máquina mundo", e aí incluído nessa máquina nós mesmos, seres humanos, vão aumentando as possibilidades de interferência nesse sistema que somos. Talvez o neuromarketing esteja dentro daquilo que o filósofo Michel Foucault teorizou como biopoder.
Este campo de conhecimento começou nos Estados Unidos com um sujeito chamado Gerald Zaltman, médico e pesquisador da universidade norte-americana de Harvard, que teve a idéia de usar aparelhos de ressonância magnética para fins de Marketing, e não estudos médicos. O termo “Neuromarketing”, no entanto, só viria a ser conhecido alguns anos depois, cunhado por Ale Smidts, um professor de Marketing na Erasmus University em Roterdã, Holanda.
Pois bem, após os primeiros passos foi feita uma pesquisa científica no jornal acadêmico Neuron, da Baylor College of Medicine, em Houston, Texas. O estudo consistia na experimentação dos refrigerantes Pepsi e Coca-Cola. Em um dos casos, os experimentadores não sabiam qual era a marca da bebida que tomaram.Quando perguntados qual dos dois refrigerantes era melhor, metade respondeu Pepsi. Nesse caso, a ressonância detectou um estímulo na área do cérebro relacionada a recompensas. Já quando elas tinham conhecimento sobre a marca, esse número caiu para 25%, e áreas relativas ao poder cognitivo e à memória agora estavam sendo usadas. Isso claramente indica que os consumidores estavam pensando na marca, em suas lembranças e impressões sobre ela. O resultado leva a crer que a preferência estava relacionada com a identificação da marca e não com o sabor.
Ora, certamente que não é nenhuma novidade o fato de que as marcas interferem diretamente nas escolhas feitas pelos consumidores. E que essas escolhas muitas vezes têm um caráter muito mais subjetivo do que objetivo. Mas a novidade talvez esteja no fato de que o que antes era uma simples percepção passa a ser quantificado objetivamente. com esta precisão o Neuromarketing possibilita monitorar as emoções vividas durante as experiências de consumo. Creio que isso não seja pouca coisa.
Bom, não sou daqueles que vê na tecnologia a ruína da liberdade ou coisa parecida. Apenas acho que como estamos no século da informação, devemos estar atento a tudo que acontece e eventualmente usar a própria tecnologia para neutralizar ou minimizar os efeitos deletérios de determinados usos que a tecnologia tem.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Drible da vaca

Algumas expressões no futebol são muito engraçadas. Uma delas é o "drible da vaca", que para quem não sabe, é aquela jogada na qual um jogador (geralmente um atacante) toca a bola por um lado do adversário e corre pelo outro, contornando-o e pegando a bola do outro lado. Noutro dia fiquei sabendo da origem dessa expressão, ou pelo menos de uma versão, e gostaria de compartilhar com os leitores aqui do blog. É o seguinte: contam que o nosso querido Garrincha costumava treinar lá em Pau Grande, lugar onde nasceu, no estado do Rio, com animais. E era com a vaca que ele treinava a tal jogada: dava de um lado e pegava do outro.
É provável que não tenha sido ele o primeiro jogador a realizar esta jogada, mas talvez tenha sido o primeiro a batizá-la. Em sendo verdade esta história, podemos contar mais um pontinho para o nosso genial Mané.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Trabalho escravo no Brasil

Apesar dos esforços do atual governo brasileiro (inclusive com reconhecimento internacional), ainda existe trabalho escravo no Brasil. É evidente que esse tipo de escravidão se baseia em outra forma de organização, diferente da que tivemos no nosso passado colonial. Mas talvez a diferença esteja só na forma, mantendo em sua essência a mesma crueldade e ignomínia. Mas o mais cruel (nem sei o que é mais cruel nisso tudo), é que isso acontece sob o beneplácito de setores importantes da elite brasileira, inclusive com grande representação no congresso nacional, e grande inserção na mídia brasileira. Vemos essas pessoas na televisão com suas gravatas e suas falas empoladas, fazendo análises e diagnósticos da situação brasileira, e até parece que são seres humanos de verdade. E talvez sejam mesmo, e ser "humano" seja essa abertura para tudo: monstros, anjos e tudo o mais.
Abaixo segue um depoimento de um amigo que viu essa escravidão de perto, e um artigo de Laerte Braga.


1- É impossível fazer escravagismo rural no Brasil de hoje sem paramilitares que torturem e matem. Constatei isso no sul do Pará, tendo encontrado paramilitares, fazendeiros, ex-escravos, advogados, familiares de assassinados. Em todos os casos, os criminosos estavam ligados a PSDB/PPS/DEMO. EM TODO OS CASOS.


2- Não sei se o argumento vai comovê-l@ car@ amig@, mas o olhar de um ex-escravo, de uma viúva de lavrador assassinado pela turma do PSDB/PPS/DEMO é algo devastador.


3- Jarbas Vasconcelos foi ao Pará em companhia da senadora escravocratra Kátia Abreu para defender uma empresa flagrada em trabalho escravo, a PAGRISA. Jarbas Vasconcelos tentou humilhar uma mulher corajosa que enfrenta pistoleiros para liberar escravos. Ele disse: "Não se pode agir segundo os chiliques da dona Rute". Algo escandaloso, mas que não inspira indignação em quase ninguém.


A CPI DO MST – OS ESCRAVAGISTAS

Laerte Braga

Quem quer que se dirija ao GOOGLE, pesquisa, digitar o nome do deputado Ronaldo Caiado do DEM (partido de José Roberto Arruda) vai encontrar, entre outras coisas, seu vínculo com o trabalho escravo. O deputado é contrário à emenda constitucional que pune com a perda das terras para fim de reforma agrária, o proprietário ou empresa que fizer uso de trabalho escravo. Ele próprio o faz.

Quem for procurar informações sobre a senadora Kátia Abreu (DEM, partido de José Roberto Arruda) vai encontrar que a senhora em questão encalhou no Senado Federal às custas de dinheiro da Confederação Nacional da Agricultura da qual era presidente e repassado àquela entidade para ser utilizado em financiamentos de projetos agrícolas.

Não são necessariamente corruptos por corrupção. São corruptos pelo que representam. Interesses do mais atrasado e boçal latifúndio brasileiro (se bem que não existe latifúndio não atrasado e não boçal).

Kátia Abreu responde a processo por desvio de recursos da Confederação Nacional da Agricultura, tanto quanto por ter lesado um lavrador em sua região, tomando-lhe a terra num típico conto do vigário.

Nem a senadora e nem o deputado descobriram ainda a existência de garfo e faca, por exemplo, para se possa comer. Conhecem chicote, pelourinho, senzala e toda a sorte de boçalidades possíveis em termos de se tratar escravos.

Ronaldo Caiado e Kátia Abreu associaram-se a empresas estrangeiras, a MONSANTO principalmente, entupindo a mesa do brasileiro e lá fora também, de produtos transgênicos, sabidamente nocivos à saúde e que para muito além disso transformam num curto prazo qualquer terra em imprestável ao plantio do quer que seja, mas aí, suas contas bancárias já estarão aptas a lhes garantir futuro tranqüilo e risonho.

A CPI do MST tem dois vieses que se casam. O primeiro deles assegurar a permanência do regime de escravidão mantido pelo latifúndio brasileiro e o segundo assegurar a posse da terra a empresas estrangeiras, logo, ferindo de morte a soberania nacional, tal a extensão de terras em poder desse tipo de gente.

Se a agricultura brasileira, sustentada na prática pelo pequeno e médio produtor rurais, vai se lascar e o “celeiro do mundo” virar um grande deserto dentro de alguns anos, gerando fome e doenças, isso não é problema deles, pois não são humanos, são figuras desprezíveis e abjetas em todos os sentidos.

O patriotismo deles é aquela forma canalha a que se refere o pensador inglês Samuel Johnson.

A CPI é simples. Estigmatizar o MST com apoio da mídia (a grande mídia GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, BANDEIRANTES, etc) venal e serve aos mesmos patrões, assegurar os privilégios dos latifundiários entre eles o de não pagar suas dívidas com o Banco do Brasil e outras agências de fomento do governo (nunca pagaram e nem pensam em pagar, são caloteiros por natureza), garantindo que permanecerão senhores de escravos e a serviço de potência estrangeira.

São bandidos, bandoleiros lato senso.

Não têm escrúpulos e nem têm nada além da capacidade de urrar e rosnar asneiras.

Que tenham recebido apoio expresso e público do deputado Ônix Lorenzoni, também do DEM (partido do governador José Roberto Arruda) não é novidade. O Rio Grande do Sul embora seja um dos estados mais próspero do País, terra de Mário Quintana entre outros, tem o latifundiário mais brutal e estúpido do Brasil. Ainda desconhecem a existência da roda, mas conhecem a da pólvora com que seus pistoleiros assassinam trabalhadores rurais e pequenos produtores.

E todos eles são financiados tanto por recursos desviados da Agricultura, como por empresas estrangeiras.

A senadora Kátia Abreu, uma espécie de pré-ornitorrinco, tal e qual Ronaldo Caiado. Lorenzoni não. É só um sem vergonha querendo aumentar o por fora. Foi eleita “miss desmatamento.”

Por que não levantar os débitos dessa gente com as agências de fomento à agricultura do governo federal? Os assassinatos cometidos por seus pistoleiros? Será que o brasileiro comum faz idéia de quanto um pilantra como Agripino Maia deve aos cofres públicos de financiamentos para a agricultura e usado em especulação financeira, mas que a GLOBO não informa, pois chega ali boa parte da grana?

A turma de abóboras que gosta de bom dia e escolher a gravata do Bonner?

O que está por trás da CPI do MST? Num primeiro momento garantir privilégios de bandidos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado. Num segundo atender a interesses de grupos econômicos estrangeiros e num terceiro, finalmente, inscrever o Brasil no rol de colônias da corte de Washington, à qual servem com devoção e altos salários.

Isolar um movimento popular que luta por algo que até um general fascista como Douglas MacArthur fez ao final da guerra, no Japão, a reforma agrária.

Quando a fome bater em “grandes plantações”, como afirma Vandré em sua canção “pra não dizer que não falei de flores”, não adianta mandar o xerife atrás desses bandidos. Já estarão longe e o Brasil já será BRAZIL.

A propósito, mesmo o ministro do Meio-ambiente, Carlos Minc, sendo um bobalhão, atrapalha interesses dessa gente e Kátia Abreu usou o recurso mais comum entre os seus. Ameaçou-o de morte por não aceitar assentar-se de quatro no colo do latifúndio.

A CPI do MST é isso. Uma traulitada no interesse nacional. O tal “terrorismo” do MST é uma luta legítima em favor do BRASIL, ao contrário dos que lutam pelo BRAZIL.

Há uma diferença fundamental entre um e outro.

campanha contra propaganda dirigida às crianças

O IDEC (Instituo Brasileiro de Defesa do Consumidor) está, junto com outras entidades ligadas ao consumo, fazendo uma campanha contra a publicidade dirigida às crianças. Apoio integralmente essa campanha e, dessa forma, reproduzo abaixo o texto do IDEC e o link para quem quiser, assinar. Gostaria só de acrescentar que quando li o manifesto lembrei imediatamente de uma letra de uma canção da década de 1970 chamada "receita de felicidade", do compositor cearense Ednardo. Diz a letra:
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Receita de Felicidade

Ultimamente ando às vezes preocupado
Vendo as caras tão risonhas das crianças
Nas fotos dos anúncios
Nos cartazes da parede
Dando idéias que algo vai acontecer
É receita certa pra sensibilizar
Pra esconder, pra mentir ou pra vender
Veja as caras tão risonhas
Tão lindinhas, tão risonhas
Nos jornais, nas paredes, nas TVs

Eu não gosto desses dedos que me apontam
Eu não gosto dessas frases que me dizem
"O futuro deles está em suas mãos..."
Pois é seu Zé, sei não

Não esqueço que algum dia fui risonho
Com u'a carinha bonitinha pra valer
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro - me dê

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Texto do IDEC

EDUCAÇÃO E CONSUMO






10 de Dezembro de 2009

Manifesto contra a propaganda dirigida às crianças






Foi lançado oficialmente ontem (9) o manifesto "Publicidade Infantil Não", que visa fortalecer a luta pelo fim da comunicação mercadológica dirigida às crianças. A página é mantida pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, e reúne assinaturas de cidadãos e de entidades que apoiam a causa, entre elas o Idec.

Como aponta o manifesto, a criança é hipervulnerável aos apelos das propagandas. Já que ainda estão em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico, os pequenos não possuem as habilidades necessárias para uma interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos com os quais são bombardeados diariamente na televisão, internet, entre outras mídias.

Por isso, os signatários do manifesto entendem que a publicidade infantil constitui prática antiética e abusiva e defendem que toda e qualquer comunicação mercadológica seja destinada somente aos adultos.

O Idec defende que as crianças sejam preservadas das artimanhas da propaganda, principalmente quando os artigos promovidos são prejudiciais à saúde, como é o caso de alimentos pouco nutritivos.

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Obs.: quando assinei já haviam mais de 3.000 assinaturas. O link é o seguinte:
http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/