domingo, 8 de agosto de 2010

Mais da Dilma... até o Ibope reconhece.

Dilma ultrapassa Serra no Rio Grande do Sul, diz Ibope


Tido como o último reduto tucano no País, ao menos onde José Serra (PSDB) ainda estava à frente de Dilma Rousseff (PT) na preferência para o cargo de Presidente da República, o Rio Grande do Sul mostra que o gaúcho está disposto a mudar seu voto.

Na mais recente pesquisa Ibope, encomendada pelo Grupo RBS, a petista está dois pontos à frente do tucano. Dilma foi citada por 42% dos entrevistados ante os 40% que preferiram Serra. No último levantamento, no início de julho, o tucano tinha 46% e a petista, 37%. Na pesquisa espontânea, Dilma também ultrapassa Serra. São 33% dos votos contra 31%.

Marina Silva (PV), que no levantamento de julho aparecia com 6%, perdeu um ponto, e está com 5%. Brancos e nulos se mantiveram em 3%, enquanto os indecisos subiram de 6% para 9%. Questionados sobre a escolha em um eventual segundo turno, 45% dos entrevistados disseram preferir Dilma, enquanto 44% apostariam em Serra.

Já para o governo do Estado, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro permanece na liderança, com 37% dos votos, seguido pelo ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, com 31% e da governadora gaúcha, Yeda Crusius, com 11%.

Comparando os atuais resultados com o do último levantamento, em julho, Tarso perdeu dois pontos, passando de 39% para 37%, enquanto Fogaça ganhou duas posições, saindo dos 29% e chegando aos 31%. Yeda é a candidata que perdeu mais em um mês: quatro pontos, de 15% para 11%.

O Ibope ouviu 812 eleitores entre 3 e 5 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TRE (35.561/2010) e no TSE (21.914/2010).

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

DILMA VENCERÁ NO PRIMEIRO TURNO...

Tenho dito e reiterado que acredito que a candidata do governo a presidência da república ganhará as eleições ainda no primeiro turno. Cada pesquisa que sai o meu vaticínio se torna mais plausível. Não tenho vocação para pitonisa, mas a questão não é tão complexa assim. O governo Lula tem um nível de aprovação histórico e quando se somam os índices chamados de "regular positivo", "bom" e "ótimo" os números chegam aos quase inacreditáveis 92%. Claro que em se tratando de eleição as transferências não são automáticas, mas de qualquer forma é um índice muito expressivo. Ainda mais quando se leve em conta o que (digo "que" e não "quem" de propósito) está do outro lado. Uma candidatura, e me refiro aqui ao Serra, desagregadora, fruto de uma personalidade autoritária e antipática (nesse sentido ele é um verdadeiro anti-Lula). Dilma não é um primor de simpatia, por mais que ela tenha até se saído bem até aqui, mas nas condições atuais Lula elegeria até um poste. Outra coisa que merece nossa atenção é a disparidade dos números dos Institutos de pesquisa. O Ibope já dá uma frente de 5% para Dilma, mas o Datafolha insiste, com sua metodologia certamente tendenciosa, em dar um empate técnico.
 A matéria abaixo é da rede Bandeirantes que encomendou a pesquisa.
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Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontou a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 41,6% das intenções de voto para as eleições de outubro, contra 31,6% do candidato do PSDB, José Serra

A terceira colocada na disputa, Marina Silva, que concorre à Presidência pelo PV, aparece com 8,5%. Em seguida estão Zé Maria, do PSTU, com 1,9% das intenções de voto e Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, 1,7%. Os demais candidatos – Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com menos de 1% cada.

A pesquisa foi feita entre os dias 31 de julho a 2 de agosto com 2 mil pessoas de todo o país. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos. No último levantamento CNT/Sensus, há três meses, Dilma tinha 35,7% das intenções e Serra 33,2%.

Num eventual segundo turno, a pesquisa indica que Dilma venceria com 48,3% das intenções, contra 36,6% do tucano.

A diferença de dez pontos percentuais se mantém na pesquisa espontânea, quando os eleitores dizem em quem irão votar sem ter uma lista com o nome dos candidatos. 30,4% dos entrevistados citou a pestista Dilma Rousseff, enquanto 20,2% disseram o nome de José Serra.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Bombril: ecologicamente racista...

A empresa Bombril está fazendo uma campanha televisiva na qual tenta colar sua imagem à natureza, tentando com isso convencer o consumidor que seus produtos são ecologicamente sustentáveis. Enfim... não pretendo discutir a questão do ponto de vista biológico, mas sim cultural. É o seguinte: o personagem interpretado pelo ator Carlos Moreno, que faz a campanha desde 1978, diz, com a canção "Índia" tocando ao fundo e com aquele jeito meio engraçado que tem, que está ali para falar diante de uma "legítima representante da natureza", e aponta a jovem índia que está ao seu lado. Ora, o texto do personagem não poderia ser mais etnocêntrico, uma vez que, a exemplo do que fez o pensamento colonial durante todo processo de dominação dos povos submetidos, tratou de reduzir uma cultura à natureza para com isso justificar a dominação. De um só golpe toda uma cultura, toda uma visão de mundo, todo um sistema simbólico é reduzido ao nível da animalidade. Pode parecer exagero o que digo, mas quem conhece um pouco dessa história toda de dominação colonial e das argumentações racistas que ela ensejou, só pode considerar essa propaganda como uma peça inominável e merece o repúdio de todos.
Vejam a propaganda:


Bombril Eco from Bombril on Vimeo.

domingo, 25 de julho de 2010

Ao mestre Paulo, com carinho...

  Recebi um comovente e-mail do Nilton Maia, leitor dessa coluna, a cerca do falecimento de um dos maiores músicos da cena instrumental brasileira: Paulo Moura. Nilton, como eu e outros tantos amantes da música instrumental brasileira, sentiu que estávamos todos mais pobres com a partida de Paulo Moura, que além de ser um extraordinário músico, era também um agitador cultural da maior expressão. Com ausência do mestre do sax e da clarineta estamos mais pobres, sim, mas também mais aumentados pela possibilidade de termos tido contato com músico e criador de estirpe tão elevada.
  Paulo se foi em um dia 13 de julho, quase na mesma data em que nasceu, dia 15 de julho (apesar de nos registros oficiais constar fevereiro de 1933). Claro, é apenas uma coincidência, mas pode também nos sugerir a idéia de um ciclo que se fecha bem. Um círculo que representa uma vida plena e harmoniosa, e olha que harmonia é o que não faltava em sua vida. Desde muito cedo enveredou pelo campo da música, pois seu pai já era músico amador, e segundo consta, teria ensinado música aos filhos por medo da segunda guerra, pois caso os meninos tivessem que servir, seria como músicos e desta forma estariam menos expostos aos riscos de um enfrentamento. De qualquer forma a batalha de Paulo foi a de conseguir se afirmar no cenário musical carioca, primeiramente, e brasileiro, posteriormente. Considerando ainda que tinha alguma projeção internacional, que só não era maior por conta da inserção periférica que o Brasil ainda tem no cenário mundial, não obstante as coisas estarem se modificando.
  Segundo ele mesmo contava, aos 09 anos de idade pediu para estudar música, o que já apontava pra uma precocidade que mais tarde iria se confirmar, pois aos 17 já era contratado como primeiro saxofonista da orquestra do maestro Oswaldo Borba da rádio Globo, que lhe possibilitou acompanhar artistas como Dalva de Oliveira, entre outros. Logo em seguida, em 1956, grava seu primeiro disco e organiza sua própria orquestra, o que representava, sem dúvida, prestígio e liderança.
Sobre esta primeira gravação há uma história interessante. Ele contava que soube naquele ano de 1956, que o músico Edu da gaita havia gravado uma peça de Paganini intitulada “moto perpétuo”. Era uma peça originalmente criada para o solo do violino e não para um instrumento de sopro, o que fazia da gravação do Edu uma proeza, pois a dificuldade estava na respiração. O tema, como o próprio título diz, se conduz com uma linha melódica constante dando pouquíssimas “brechas” para o executante respirar. Quando o instrumento em causa é o violino não tem problema, pois o músico pode respirar a vontade, mas quando se trata de uma gaita ou de um clarinete, as coisas se complicam. Pois bem, ele comprou a partitura e ficou durante 15 dias tentando obstinadamente desenvolver uma técnica que o possibilitasse a também tocar esta música. Ao mesmo tempo em que tentava fazia exercícios físicos, caminhava na praia de Copacabana e até yoga. Por fim foi recompensado: desenvolveu uma técnica de acumular ar nas bochechas e manter a palheta vibrando com o ar acumulado de modo que respirava enquanto exalava.
Esta façanha o levou aos programas de auditório da época, entre eles o de Flávio Cavalcanti, e o possibilitou a primeira gravação de um 78 rpm pela CBS, e, como dissemos acima, também lhe possibilitou a formação de uma orquestra para qual escrevia os arranjos.
   Por fim gostaría de falar de dois (poderiam ser mais) dos discos que mais me chamaram a atenção na extensa discografia de Paulo Moura: “Confusão urbana, suburbana e rural” e “Vou vivendo”, este último com a pianista Clara Sverner. O primeiro é de 1976 e é simplesmente um primor, com temas lindos e arranjos muito bem conduzidos, e tudo isso sem perder o swing. Há nesse disco participações especialíssimas como as de Wagner Tiso, o violão inconfundível de Toninho Horta e Rosinha de Valença. É um disco de bambas, no qual os instrumentistas tiveram liberdade para contribuir. Há, por exemplo, um solo virtuoso de Zeca da cuíca na faixa “Notícia”, de Nélson Cavaquinho, Norival Bahia e Alcides Caminha, que é um espetáculo. Há nesse disco uma variedade grande de gêneros: choro, samba, samba de gafieira e até um carimbó (“Carimbo do Moura). É um disco para sempre.
O segundo disco ao qual me referi acima é de 1986, dez anos depois do primeiro, portanto, e tem um outro clima. Se o primeiro é mais expansivo e percussivo, o segundo é, apesar de ser com repertório de choros, polcas e gêneros afins, é mais introspectivo e conta apenas com o piano da Clara e o sax do Paulo. É um disco com temas mais conhecidos, mas mesmo assim surpreende pelo resultado timbrístico e pela belíssima performance dos dois craques. É também um disco definitivo, como definitiva é a obra desse grande músico.
Viva para sempre, Paulo Moura, na memória de seus contemporâneos e também na memória daqueles que hoje ainda nem nasceram, mas que irão se encantar com sua obra.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mas será o Felipe Melo??

Será que esse número 04 é parente do nosso Felipe Melo?

sábado, 17 de julho de 2010

CPI sobre o MST

A CPI criada no congresso pela bancada ruralista tentando criminalizar o MST, deu em nada. Mas isso já era esperado, pois a mesma foi criada com a itenção de criar uma cortina de fumaça pra impedir uma outra investigação, essa sim necessária, que era a questão do trabalho escravo. Como os latifundiários vinculados à bancada ruralista, ao DEM e ao PSDB são os principais suspeitos eles conseguiram barrar as investigações. E como a melhor defesa é o ataque eles partiram pra ofensiva com essa CPI que ao final não deu em nada. Eis abaixo um texto explicativo (já que a grande mídia desinforma) do MST sobre o assunto.




Depois de oito meses de boicote à CPMI contra a Reforma Agrária, os parlamentares dos setores conservadores liderados por Kátia Abreu (DEM-TO) e Onyx Lorenzoni (DEM/RS) declararam ser necessária a continuidade das investigações das entidades sociais que atuam em assentamentos. Nesse período, as entidades da Reforma Agrária e os ministérios do governo federal participaram de audiências públicas na comissão, prestaram todos os esclarecimentos e demonstraram a importância dos convênios para a execução de políticas públicas no meio rural.

Mesmo sem participar da maioria das sessões, os ruralistas insistem que a comissão está prorrogada por mais seis meses. Kátia Abreu, por exemplo, não participou de nenhum sessão, embora tenha sido a maior defensora da sua instalação. O relatório final do deputado Jilmar Tatto (PT/SP) aponta a improcedência das denúncias contra o MST e as entidades de apoio à Reforma Agrária. Enquanto a comissão funcionava plenamente, com dezenas de audiências, os ruralistas estavam ausentes. Dinheiro público foi gasto em uma CPMI criada como dispositivo de criminalização dos movimentos sociais e contra avanços na Reforma Agrária.

Para forçar a sobrevida dessa CPMI, os representantes do latifúndio apelaram e criaram um imbróglio jurídico, depois de levantarem assinaturas para prorrogação. Em comissões parlamentares mistas de inquérito, onde participam deputados e senadores, as decisões devem ser tomadas em sessões do Congresso Nacional. Como não conseguiram, Kátia Abreu e Onyx Lorenzoni lançaram mão de uma manobra não prevista no regimento e argumentam que basta o Senado fazer a leitura do requerimento. O senador Eduardo Suplicy (PT/SP) questiona o método usado para prorrogar a comissão e recorreu à Comissão Constituição e Justiça do Senado. Depois, o deputado José Genoíno (PT/SP) fez o mesmo questionamento na Câmara, que resolveu encaminhar a decisão para o presidente do Congresso.

De dezembro a julho, foram feitos todos os esclarecimentos ao Congresso Nacional em relação à denúncias, com base em jornais e revistas contra a Reforma Agrária. Nesse período, as entidades sociais provaram que os objetos dos convênios foram cumpridos, o trabalho realizado melhora a qualidade de vida dos trabalhadores rurais e não houve desvio de recursos públicos, de acordo com o relatório final da CPMI.

De acordo com o plano de trabalho, assegurado pelo regimento do Congresso Nacional, a CPMI acaba em 17 de julho. O relatório final foi apresentado, mas não foi votado porque os ruralistas impediram. Se eles conseguirem atropelar o regimento do Congresso Nacional, senadores e deputados serão coniventes com a criação de um fato político, que será utilizado pelos setores conservadores nas eleições contra a Reforma Agrária e os movimentos sociais. Por isso, denunciamos a utilização dessa CPMI pelos ruralistas para barrar qualquer avanço da Reforma Agrária, fazer a criminalização dos movimentos sociais, ocupar espaços na mídia e montar um palanque para a campanha eleitoral. Abaixo, leiam entrevista com o deputado federal Jilmar Tatto, que foi eleito por consenso relator da chamada “CPMI do MST”, com as conclusões da investigação, concedida ao Blog da Reforma Agrária na semana passada.
SECRETARIA NACIONAL DO MST

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O perigo de uma única história

Este é um depoimento realmente comovente da escritora nigeriana Chimamanda Adichie sobre um mundo "monofônico". Um mundo no qual a tendência dos que têm o monopólio da comunicação em larga escala constitui-se um crime contra a própria humanidade. Mas,se por um lado essa tendência se tornou hegemônica ao longo dos anos, por outro a reação a ela não tarda, e me parece que cada vez mais vozes surgem para denunciar esse estado de coisas. Cada vez mais levantam-se essas vozes para denunciar e para porpor novas soluções. Dessa forma o mundo se torna mais polifônico e plural. Vale a pena ver e ouvir:



água engarrafada...

Para pensar, segue este videozinho sobre a indústria da água engarrafada. Ele foi feito pensando no consumidor estadunidense, mas vale a pena ver.



The Story of Bottled Water (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

LITERATURA EM CLIMA DE COPA DO MUNDO

Inspirada pelo clima da Copa do Mundo 2010, a Litteris está promovendo um concurso literário onde você poderá escrever, em qualquer gênero literário, sobre o universo do futebol. Assim, escolha um assunto sobre o futebol, seus ídolos ou curiosidades e peculiaridades deste esporte e participe do I Concurso Literário Jogando com as Palavras.
Para este certamente, cada participante poderá concorrer com até 2 (duas) obras, em língua portuguesa, em qualquer gênero literário, com até 60 linhas cada uma.
As inscrições estarão abertas até o dia 20 de JULHO de 2010 e você poderá enviar sua obra pelo formulário eletrônico do site http://www.litteris.com.br, pelo e-mail concursos@litteris.com.br, para a sede da Editora, na Av. Presidente Vargas, 962/1411 - Centro - 20071-002- Rio de Janeiro - RJ (válido carimbo postal) ou ainda para a Caixa Postal 150 - 20001-970 - Rio de Janeiro - RJ (válido carimbo postal).



Aproveite a oportunidade de homenagear um jogador, técnico, seleção ou contar curiosidades e peculiaridades próprias do esporte mais praticado em todo mundo! Afinal, outro concurso como este, só daqui há quatro anos!

Brigam Espanha e Holanda...

Tem uma música de Milton Nascimento sobre um texto de Leila Diniz que fala justamente da guerra entre Holanda e Espanha. Quer dizer, não sei se o texto se refere a guerra entre os dois países. Aliás eu nem sabia que tinha havido guerra entre eles, achava que era apenas uma forma poética de dizer que enquanto uma certa visão de mundo faz a guerra para obter poder sobre um outro, uma outra visão afirma que as coisas "pertencem" a quem as amam. Seja como for, em tempo de disputa futebolística (que é sem dúvida uma sublimação da guerra) eu recordei desse canção. Diz a letra:

Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.
 
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.


Heródoto Barbeiro fora do Roda Viva

Comenta-se em São Paulo que deve-se a pressões de José Serra o afastamento do jornalista Heródoto Barbeiro do programa Roda Viva, da TV Cultura. Barbeiro questionou o candidato do PSDB acerca dos pedágios de São Paulo, frutos de duas administrações tucanas (uma delas do próprio Serra). Serra ficou nitidamente irritado. Bom, levando-se em conta o que o tucano fez com seu próprio correligionário Aécio Neves este ano, e com Roseana Sarney há alguns anos atrás, é perfeitamente possível que tenha sido ele mesmo o responsável pelo afastamento do âncora.
 Vejam abaixo o momento do questionamento:

Loucuras de um âncora

 Hoje de manhã ouvindo um programa da rádio Bandeirantes (Bandnews) ouvi um comentário do âncora Ricardo Boechat, que só pude considerar, no mínimo, como um desrespeito a minha inteligência. O fato é que Boechat estava comentando sobre o programa "A hora do Brasil", e no mesmo ele dizia que esse tipo de programa era típico de governos autoritários e que já existe programas jornalísticos em quantidade e qualidade suficientes para ainda termos que aturar um jornalismo chapa-branca e coisa e tal. Dizer que o programa "A hora do Brasil" é chato, é apenas uma opinião, e nesse caso, cada um tem a sua. A questão é que ele afirmava acreditar que essa é a opinião do povo brasileiro. Eis aí um viés típico das grandes mídias, qual seja, o de confundir seus próprios interesses com os interesses do "povo brasileiro". Eles acreditam, ou querem nos fazer acreditar, que veículam democraticamente o interesse ou a opinião das pessoas. Que são apenas veículo dos interesses da maioria.
 Ora, acreditar nisso, prá dizer pouco, é se candidatar ao troféu velhinha de Taubaté (quem não lembra dessa personagem do Veríssimo?), pois se há uma questão do nosso tempo, é a luta pela democratização das comunicações. E não estou falando apenas do Brasil. Basta saber o que está acontecendo hoje na Argentina, na Venezuela e em tantos outros lugares.
 Em um certo momento do seu comentário, o âncora disse uma verdadeira pérola: "pra que ainda existe esse tipo de programa obrigatório (A hora do Brasil), se já temos uma mídia plural e diversificada, que atende todos os interesses da população?". Um achado, não concordam? Bom, fiquei tão indignado que enviei uma mensagem para o programa, que exponho abaixo:
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Ouço quase todos os dias uma boa parte do programa de Ricardo Boechat, e posso dizer que é um programa muito bem feito e as vezes até divertido. Mas não posso concordar quando a opinião do programa se junta a uma tendência geral da mídia monopolista brasileira, quando pensa a si mesmo como sendo "a opinião pública". Refiro-me ao comentário do Boechat sobre o programa "a hora do Brasil". Não é possível confundir os interesses das empresas, como o da própria Band, com os interesses das pessoas. Eu pessoalmente não sei se o povo brasileiro votaria a favor da extinção desse programa em um plebiscito. Eu gostaria que não acabasse, mas não posso dizer que esse seja o desejo do povo. Outra coisa: dizer que há pluralismo nos meios de comunicação, é no mínimo uma grande desinformação, para não dizer outra coisa. Aconselho assistirem o documentário de Jorge Furtado, o mesmo de "Ilha das flores", chamado "Levante sua voz". O documentário traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país. O mau uso das concessões públicas começa na própria rede bandeirantes, empresa na qual o proprietário usa a rede pra defender interesses dos ruralistas, grupo do qual faz parte.
 Esperando não ter ofendido suscetibilidades, despeço-me respeitosamente.

domingo, 4 de julho de 2010

MPF pede atualização dos índices de produtividade da terra

 O assunto parece estar em banho maria, mas há alguns meses atrás destacamos aqui a luta de parte significativa da mídia e principalmente da rede bandeirantes, cujo proprietário é membro destacado de uma associação de fazendeiros, contra a revisão dos índices de produtividade da terra, com vistas a reforma agrária. A questão é simples: está na constituição brasileira a ideia de que a terra tem uma função social e sendo assim para que a mesma seja considerada produtiva é preciso que ela atinja determinada produtividade. O ministério da reforma agrária cumprindo suas obrigações, iniciou no ano passado um processo de estudo que visava justamente estabelecer novos índices, visto que os mesmos, que estão em vigência, são de 1975 e encontram-se totalmente devasados. A grita da bancada ruralista foi enorme, e ganhou ainda mais eco por conta da cumplicidade da grande mídia com esse setor. É bom que se diga só de passagem, que é essa mesma bancada ruralista que tenta e consegue impedir a PEC do trabalho escravo. Enfim, a questão da revisão dos índices não acabou, e é isso que nos conta a matéria abaixo, escrita pelo jornalista Jorge Américo.

 MPF pede atualização dos índices de produtividade

 A medida poderá tornar viável a desapropriação das terras improdutivas que não cumprem função social


Se for julgada procedente a ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), o governo deverá atualizar os índices de produtividade no campo. Os atuais índices foram elaborados em 1975 e desconsideram os investimentos, pesquisas e desenvolvimento tecnológico ocorridos em 35 anos.

A medida poderá tornar viável a desapropriação das terras improdutivas que não cumprem função social. Por essa razão, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sofre pressão para manter os atuais índices. Esta é a avaliação do integrante da organização Terra de Direitos, Fernando Prioste.

“O governo já havia anunciado no ano passado a intenção de fazer a atualização dos índices e a resistência veio justamente por questões políticas, por não aceitarem o processo de reforma agrária, que é desencadeado por desapropriação de propriedades que não cumprem sua função social.”

O MPF considera que os estudos prévios já desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário podem servir de referência para a atualização. No entanto, Fernando avalia que os entraves são políticos e não dependem apenas de pareceres técnicos.

“Com certeza, a mesma oposição que se faz em relação à atualização dos índices tem o mesmo fundamento da questão da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Trabalho Escravo. Eu acredito que não existe uma racionalidade técnica que possa indicar por que não se pode fazer expropriação de terras onde seja encontrado trabalho análogo ao escravo.”

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a bancada ruralista do Congresso e empresas transnacionais ligadas ao agronegócio, como a Syngenta e a Monsanto são os principais opositores da atualização dos índices de produtividade.
 

sábado, 3 de julho de 2010

Um estudo sobre a revista Veja

"Veja foi indispensável para construir o neoliberalismo"

Carla Luciana Silva -
Por Lia Segre - Observatório do Direito à Comunicação 

A professora do curso de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Carla Luciana Silva passou meses dedicando-se a leitura paciente de pilhas de edições antigas da revista Veja. A análise tornou-se uma tese de doutorado, defendida na Universidade Federal Fluminense, e agora, em livro. “Veja: o indispensável partido neoliberal (1989-2002)” (Edunioeste, 2009, 258 páginas) é o registro do papel assumido pela principal revista do Grupo Abril na construção do neoliberalismo no país.

   A hipótese defendida pela professora Carla é que a revista atuou como agente partidário que colaborou com a construção da hegemonia neoliberal no Brasil. Carla deixa claro que a revista não fez o trabalho sozinha, mas em consonância com outros veículos privados. Porém, teve certo protagonismo, até pelo número médio de leitores que tinha na época – 4 milhões, afirma Carla em seu livro.

“A revista teve papel privilegiado na construção de consenso em torno das práticas neoliberais ao longo de toda a década. Essas práticas abrangem o campo político, mas não se restringem a ele. Dizem respeito às técnicas de gerenciamento do capital, e à construção de uma visão de mundo necessária a essas práticas, atingindo o lado mais explícito, produtivo, mas também o lado ideológico do processo”, afirma trecho do livro.





 Para ler uma entrevista com a autora siga o link: http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=6573
O livro pode ser adquirido diretamente com a autora, através do email carlalssilva@uol.com.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Dunga contra o dragão da maldade

 Recebi esta mensagem, mas não sei se os fatos narrados de fato aconteceram. De todo modo, há vários jornalistas, como no caso de Bob Fernandes do portal Terra, que afirmam que o técnico Dunga de fato não permitiu alguns privilégios da Rede Globo de Televisão. Dizem até que ganhando ou perdendo, Dunga sairá do comando da seleção brasileira.
 
 
DUNGA – MESMO SE PERDER DE GOLEADA,
 JÁ É UM VENCEDOR...

O Jornal O Globo em sua primeira página da edição de hoje, quarta feira 16 de junho de 2010, desce a lenha na seleção e principalmente no seu treinador.
Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ? Vamos aos fatos :

Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul. Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc. Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a dominadora esposa do chefão William Bonner sentenciou : “ Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores...”
Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação. 
“ Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma...”
       Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!!  “ Mas... prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de Esportes de O Globo ) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”.
- “ Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!” O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir. 
       Dunga pode até perder a classificação, a Copa , seu time pode até tomar uma goleada, mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência. Dunga, simplesmente, mijou na Vênus Platinada ! Uma estátua para ele !!! Isso sem contar que após as idiotices do GALVÃO BUENO 35 milhões de brasileiros mandaram pelo TWITTER a mensagem  ' CALA A BOCA GALVÃO '.
 
  Essa era a toda poderosa que um dia fez editoriais para a DITADURA MILITAR,  e como a FOLHA DE SÃO PAULO colocou toda sua estrutura , como carros, etc a serviço dos DITADORES ; por várias e diversas vezes OMITIU as campanhas do povo brasileiro pela ANISTIA, as DIRETAS JÁ, a CONSTITUINTE  e tenta hoje CRIMINALIZAR os MOVIMENTOS SOCIAIS.

Dilma no Roda Viva

Dilma Rousseff
Candidata á presidência

O Roda Viva encerra nesta segunda-feira, dia 28, uma série de programas para discutir as ideias apresentadas nessa disputa eleitoral.

A entrevistada será a candidata Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores. Ela nasceu dia 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Do pai búlgaro, naturalizado brasileiro, Dilma herdou o sobrenome Rousseff. Ela estudou em colégio de freiras e após o golpe militar de 64 começou militância em organizações de esquerda que combatiam a ditadura.
Dilma Rousseff foi presa em São Paulo, em 1970, ficou quase 3 anos detida e foi vítima de tortura. Libertada, seguiu para o Rio Grande Sul em 1973, onde retomou os estudos na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal.

Após a Lei da Anistia, em 79, Dilam Rousseff filiou-se ao Partido Democrático Brasileiro, o PDT de Leonel Brizola, e começou vida profissional na Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul.

Em 93, ela assumiu a Secretaria gaúcha de Minas, Energia e Comunicações, no governo Alceu Colares, cargo que voltou a ocupar, depois, no governo Olívio Dutra.

Filiada ao PT desde 2001, Dilma Rousseff integrou o grupo de transição do eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, na seqüência, assumiu o Ministério das Minas e Energia, onde ficou até 2005, quando foi para Ministério da Casa Civil da Presidência da República.

Participam como convidados entrevistadores: Merval Pereira, membro do conselho editorial das organizações Globo, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN e do canal Globo News; Luiz Fernando Rila, editor-executivo e coordenador da cobertura eleitoral do Grupo Estado; Sérgio Dávila, editor-executivo do jornal Folha de S. Paulo e Vera Brandimarte, diretora de redação do jornal Valor Econômico.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eleições 2010

É SÃO JOÃO: SERRA QUEIMA COMO BATATA-DOCE ELEITORAL
 

do site carta maior


O resultado do IBOPE (40% Dilma contra 35% Serra) transformou a festa de São João do tucanato num bombardeio interno, no qual não faltam fogueiras expiatórias. Nelas ardem estratégias, estrategistas, dissimulações, vaidades, aspones e marketeiros que não entregaram o que prometiam: seis pontos de vantagem –alguns cogitaram até 12 pontos— sobre Dilma, após a propaganda intensa do candidato no mês junino, quando foi vedete nos programas de PSDB, PPS e PTB, sem falar de uma chuva de prata de inserções publicitárias. O foguetório revelou-se pó de traque na aferição do IBOPE, que trouxe Dilma na dianteira com cinco pontos de vantagem sobre o candidato do conservadorismo brasileiro. O fracasso do plano junino abriu uma temporada de vale-tudo na coalizão demotucana. Nesta 4º feira em SP, uma reunião de emergência do tucanato discute a crise em SP. Pelos jornais, estrategistas ressentidos com o conhecido menosprezo do candidato por idéias alheias, como o sociólogo Alberto Almeida [hoje, no Estadão], espinafram Serra e vaticinam sua derrota, sugerindo que a grande vantagem de Dilma é a soberba do tucano. Fernando Henrique 'confidencia' igual temor a colunistas, vingando-se da recusa original do amigo em assumir o figurino anti-Lula preconizado por ele. O pedágio cobrado pelos aliados para apoiar um pato manco tende a aumentar e a escolha do vice pode gerar defecções e dissidências. Em resumo, a três meses do pleito, Serra queima como batata-doce eleitoral e por ela ninguém mais bota a mão no fogo.

A direita estadunidense e o futebol

Eis aqui nessa postagem um pouco do nobre pensamento de parte da direita estadunidense. É realmente um primor de estupidez e arrogância.

Uol Esportes

O futebol é uma ideologia estrangeira que quer destruir a singularidade da cultura norte-americana. Os comentaristas conservadores dos EUA querem mais é que o USA Team seja eliminado logo na primeira fase. Tudo porque são contrários a entrada do esporte mais popular do mundo no país mais poderoso do globo.
“Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso”, declarou Glenn Beck, cuja opinião tem vaga cativa na Fox News, canal que sustentou a ferro e fogo a gestão do republicano George W. Bush e é opositora ao governo democrata de Barack Obama.
Beck chegou a comparar o futebol com o plano de assistência médica que Obama implantou no país. “O resto do mundo gosta de futebol, nós não. O resto do mundo gosta das políticas do Obama, nós não.”
A fúria da direita também se sente na voz elitista de Dan Gainor, analista do Media Research Center. “O futebol é um jogo de pobre. A esquerda está impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está ficando bronzeada”, escreveu, associando a popularidade do futebol acima do rio Grande com a crescente migração dos mexicanos para os EUA.
A teoria da conspiração encontrou eco em Matthew Philbin, ideólogo do centro de pesquisas de direita Culture and Media Institute. “A mídia liberal sempre se sentiu desconfortável com o fato de sermos únicos entre as nações, sermos líderes; e os esquerdistas são contra nossa rejeição ao futebol, da mesma maneira que são contra nossa rejeição ao socialismo”, fez a analogia, incomodado com a audiência dos jogos da Copa serem maiores que as finais da NBA, a típica e norte-americaní ssima liga local de basquete.
“O que aconteceu com a singularidade dos Estados Unidos da América do Norte? Este esporte foi criado por índios sul-americanos, que, em vez de bola, jogavam com a cabeça de seus inimigos”, afirmou o radialista e ex-agente do FBI G. Gordon Liddy, confundindo a origem do futebol (Inglaterra) e as histórias de sacrifício humano das tribos da América Central e do Norte com as da América do Sul.
O radialista Mark Belling também entrou no coro contrário ao futebol. “Estão querendo enfiar goela abaixo essa modalidade. Mas não vou reagir criticando, porque os liberais agem da mesma forma de quando você insulta o cabelo de um senador do Partido Democrata. Não vou dar essa chance a eles.”

José e Pilar

José e Pilar. Este é o título do documentário do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, que registra o cotidiano do casal José Saramago e Pilar del Rio, sua companheira. O filme foi coproduzido pela 02, empresa de Fernando Meirelles, diretor que adaptou para a tela o brilhante Ensaio sobre a Cegueira. O filme deve ter sua primeira sessão brasileira durante a Mostra de Cinema de São Paulo, que se realiza em novembro de 2010.


domingo, 20 de junho de 2010

Tenho pena daqueles que se agacham até o chão...

   Acompanhando a movimentação político-eleitoral eu confesso que não me surpreenderia se em um eventual segunto turno das eleições presidenciais de 2010, a candidata Marina Silva viesse a apoiar o candidato tucano. Afirmo isso baseado nas declarações que ela tem dado (elogiando o processo de privatização ocorrida no governo demo-tucano, por exemplo), e também pelas movimentações e arranjos com vistas as coligações. Aqui no Rio a aliança é PV/PSDB/DEM/PPS (tenho dúvida se o PTB tá nessa), e Gabeira tem implorado ao PSDB que se resolva o quanto antes e o apoie. Confesso que senti nojo ao ver a foto de Gabeira ao lado das fotos de Marina e Serra. 
    É importante lembrar aos eleitores bem intencionados - que acham que Gabeira e Marina representam um sonho, ou uma nova utopia -, que esses dois saíram do governo Lula com um certo discurso moralista (Gabeira saiu oportunisticamente quando do suposto escândalo do mensalão), que apontava para uma frustração das utopias. Mas aí é o caso de se perguntar que utopia é esta que eles estão propondo ao lado da privataria do PSDB (nova direita) e do DEM (antigo PFL, ou a velha direita). Confesso que ao ver Gabeira ali naquela situação de implotar o apoio do PSDB lembrei de um velho samba de Wilson Batista que em uma de suas estrofes diz:

Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
Com dinheiro, posição
Eu nunca tomei parte
Desse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai no caixão