De vez em quando a fúria da mídia internacional volta-se contra o regime cubano, e pautada por essa visão, a mídia nacional faz eco e pratica o péssimo jornalismo que bem conhecemos. Como sempre, eles não dão às partes envolvidas direitos iguais de manifestação e praticam o mais baixo maniqueísmo. A mais recente investida se refere às manifestações das "damas de blanco". A manifetação é mostrada como um legítimo movimento de massa que questiona o governo cubano. O que não é mostrado pela mídia é a espontânea resposta popular, que acusa, inclusive, as "damas" de mercenárias. O que acontece é que essas mulheres de branco protestam pela liberdade de seus maridos, sendo que alguns deles, como é o caso de Guilherme Fariñas, está preso por ter praticado atos criminosos.
Cuba, como qualquer país, pode e dever ser objeto de crítica. O que é inadimissível é aceitar como fato as distorções criadas pela mídia. Coloco abaixo um link para um belo artigo de Breno Altman, do sítio Opera Mundi, no qual o autor nos lembra de como a imprensa nacional e internacional tão furiosa contra Cuba, silencia frente aos presos por consciência e a tortura oficial em Israel.
http://www.operamundi.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1073
quinta-feira, 25 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Eleições 2010, mais uma pesquisa
Pesquisa do Ibope desta semana (dia 17 de março) confirma o que o datafolha já tinha apresentado há algumas semanas atrás: Dilma chega a menor distância de Serra desde que as sondagens começaram. Essa tendência tem se acentuado na medida em que o tempo vai passando e as pessoas comuns - refiro-me às menos politizadas - vão associando a candidata com o presidente Lula. Mesmo assim o Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, vaticina que Lula não fará seu sucessor. Creio que Montenegro (sim é aquele mesmo que fazia parte do "núcleo duro" de Fernando Collor) confunde análise política e eleitoral com seu próprio desejo. A pesquisa também detecta um novo recorde de aprovação do governo Lula: 75% de ótimo e bom, e apenas 5% de ruim e péssimo. Bom, por tudo isso, entende-se o bater de cabeças da oposição. Não tem agenda; não tem proposta; não pode nem atacar o governo, pois se o fizer tende a perder mais votos. Ou seja, um inferno pra Serra... melhor pro Brasil.
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Experiência com aranhas
Há anos atrás vi uma notícia que dava conta da utilização, a título de experiência, de determinadas substâncias em aranhas. Tentei encontrar essa notícia pois não lembrava bem dos resultados. Procurei na internet e encontrei um site que tem inclusive as imagens de cada teia construída pelas aranhas "drogadas". É bem interessante! É bem verdade que não sei a razão da aranha ter sido escolhida para essa experiência, mas de todo modo, é interessante.
Cientistas da Nasa testaram a influência de diversas substâncias na capacidade de uma aranha construir a sua teia.
Os experimentos mostraram que aranhas caseiras reagem de forma diferente para cada substância narcotizante.
Teia Normal
Quando a aranha é submetida a algumas doses do principio ativo da Cannabis sativa (maconha), a teia fica da seguinte forma:
Maconha
Ao usar Benzedrina (anfetamina) a aranha perde o planejamento da teia.
Benzedrina
A cafeina foi a droga que mais causou confusão na aranha.
Cafeína
O uso do Noctec ('anestésico') resultou em uma teia com poucos fios.
Noctec (choral hydrate)
Cientistas da Nasa testaram a influência de diversas substâncias na capacidade de uma aranha construir a sua teia.
Os experimentos mostraram que aranhas caseiras reagem de forma diferente para cada substância narcotizante.
Quando a aranha é submetida a algumas doses do principio ativo da Cannabis sativa (maconha), a teia fica da seguinte forma:
Ao usar Benzedrina (anfetamina) a aranha perde o planejamento da teia.
A cafeina foi a droga que mais causou confusão na aranha.
O uso do Noctec ('anestésico') resultou em uma teia com poucos fios.
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domingo, 14 de março de 2010
O homem que engarrafava nuvens, Ou a saga do homem que “inventou” o baião.
“O homem que engarrafava nuvens” é o título de um maravilhoso documentário-musical. Trata-se de uma daquelas obras que nos remete a um “Brasil profundo”, na feliz expressão do mestre Mário de Andrade. Aliás, o Brasil é um país de mestres: ora são mestres eruditos, homens afeitos à erudição e de cultura enciclopédica, como o caso do próprio Mário, ora mestres de uma longa e profunda tradição oral e popular. Mas há casos em que essas duas figuras se cruzam em um único e mesmo personagem, e este é o caso de Humberto Teixeira.
O documentário expressa muito bem esse cruzamento, mostrando o quão sofisticado era o “doutor”. Mas mesmo com toda sofisticação, Humberto era atraído, e mais que isso, conhecia bem esse universo do homem sertanejo, do vaqueiro e de todos os símbolos que atravessam a cultura popular nordestina. Essa percepção fina se evidencia nas letras que fez para Luiz Gonzaga musicar. Como bom poeta sabia captar as histórias e contá-las como se fossem suas. Um exemplo fantástico disso é a história da composição de “respeita Januário”, que infelizmente não está no documentário. Consta que Luiz Gonzaga contou a Humberto sua volta a Exu, terra natal de Luiz, e seu encontro com seus familiares. Humberto ao ouvir a história teria dito de imediato que ali estava uma história fantástica para virar canção. Em pouco tempo estava composta a letra da canção, que em seu conjunto é quase toda falada.
A letra trata com humor um movimento mítico de retorno do “herói” às suas fontes originais. Este mitologema (parte de uma narrativa mítica que se repete em várias narrativas) é muito caro ao migrante, mesmo que ele não esteja bem consciente disso. O retorno, no entanto, não ocorre de forma triunfal para o herói em questão, pois no episódio que a canção narra, o eu lírico, o próprio Gonzaga, volta todo ancho por ter feito a tal jornada do sudeste; de ter ganho muito dinheiro – “enricou! tá rico! pelos cálculos que eu fiz, ele deve possuir pra mais de 10 contos de réis!” –; de ser um artista famoso, etc. De forma genial, a canção põe em relevo a sabedoria local enfatizando que mesmo com todo esse cartaz de Gonzaga, que possuindo uma sanfona de 120 baixos só toca na verdade em dois, enquanto que Januário, seu pai, não. Possui uma sanfona de apenas oito baixos, mas toca em todos eles. Luiz Gonzaga, de forma engraçada, conta o próprio ridículo ao qual foi exposto com sua soberba.
O documentário toca, ainda que de forma não aprofundada (talvez porque o tempo seja curto mesmo), na questão da invenção do baião. Fiz questão de já no título dessa matéria me referir a Humberto Teixeira como o homem que inventou o baião, porque de fato o gênero foi concebido, como afirma o poeta Bráulio Tavares em seu texto “o baião é carioca”, no Rio de Janeiro como fruto de um projeto estético-musical de Humberto e Gonzaga. Claro que o baião como elemento musical com determinadas características rítmicas já existia, e ambos o ouviam em suas respectivas infâncias nordestinas. Mas, como afirma Bráulio, essa música era predominante instrumental e destinada à dança. O projeto consistia então, em produzir no formato canção, uma música que invocasse toda uma paisagem nordestina, uma formação instrumental também nordestina, com foco na sanfona e cantada por um artista paramentado com a indumentária do vaqueiro. Eis aí o baião moderno e urbano.
Podemos depreender dessa passagem, que o Luiz Gonzaga que nós conhecemos e que emerge no cenário musical na segunda metade da década de 1940 com a gravação da canção “asa branca”, é uma invenção. Uma invenção no melhor estilo de uma tradição inventada tal qual nos fala o historiador Eric Hobsbawm. Mas que as coisas menor. Pelo contrário. Gonzaga e Humberto criam um personagem para dar relevo a um conjunto de manifestações estéticas cuja necessidade expressiva reclamava um canal de veiculação. Foi ele, Gonzaga, esse canal de expressão, e por isso os dois inventores merecem os títulos que ganharam: um o de rei do baião, e o outro de doutor do baião.
Muitas outras coisas merecem destaque no filme, mas por falta de espaço farei menção apenas a mais duas. Na primeira refiro-me a uma certa tensão entre o samba e o baião, que discretamente aparece no filme. No momento em que o projeto baião tenta decolar, a cena carioca, e de certa forma brasileira, era dominada pelo samba. Claro que esse projeto estético que o baião representava iria de qualquer maneira se confrontar com o ritmo carioca. Num primeiro momento no “baião de São Sebastião” Gonzaga diz: “eh Rio de Janeiro, do meu São Sebastião / pare o samba 3 minutos pr'eu cantar o meu baião”. E no segundo momento a relação é menos de pedir licença: “eu já dancei balanceio, chamego, samba e xerém, mas o baião tem um quê, que as outras danças não têm”.
A segunda e última menção refere-se a algumas ausências: Faltou Gonzaguinha, que pena. No capítulo que fala do tropicalismo poderia ter Tom Zé, com suas reflexões originais, e por fim faltou falar de um baião instrumental que fez muito sucesso na década de 1950: “delicado” de Waldir Azevedo. Tudo bem que essa obra não era de autoria de Humberto, mas sendo o documentário em grande medida sobre o baião, poderia constar essa referência no capítulo que tratou da inserção internacional do baião (aliás um capítulo riquíssimo, por sinal).
No momento positivo que o Brasil da era Lula atravessa, é muito saudável mergulhar numa obra como esta, que celebra a vitalidade e a originalidade da cultura brasileira.
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sexta-feira, 12 de março de 2010
o caso Orlando Zapata
Muito se tem falado sobre a morte do cubano Orlando Zapata. O caso tem sido usado como mote pra se atacar a suposta ditadura cubana e seus terríveis mentores. De quebra, a imprensa nacional aproveita pra acusar o presidente Lula de apoiar e ser conivente com os excessos cubanos. Como sempre a mídia nacional e internacioanal fez o que sempre faz: manipula informações ao seu bel prazer, distorce e não dá direito ao contradito. Cumpre aqui, então, dar espaços a outras explicações, como esta que segue abaixo, sobre o processo de prisão que por força da greve de fome levou o preso à morte. O texto (meio em portunhol) é do jornalista Enrique Ubieta Gómez.
A absoluta carência de mártires que padece a contrarrevolución cubana, é proporcional a sua falta de escrúpulos. É difícil morrer-se em Cuba, não já porque as expectativas de vida sejam as do Primeiro Mundo —ninguém morre de fome, pese à carência de recursos, nem de doenças curables—, senão porque impera a lei e a honra. Os mercenários cubanos podem ser detidos e julgados segundo leis vigentes —em nenhum país podem violar-se as leis: receber dinheiro e colaborar com a embaixada de um país considerado como inimigo; nos Estados Unidos, por exemplo, pode acarretar severas sanções de privação de liberdade—, mas eles sabem que em Cuba ninguém desaparece, nem é assassinado pela polícia. Não existem “escuros rincões” para interrogatórios “não convencionales” o presos-desaparecidos, como os de Guantánamo ou Abu Ghraib. Por demais, um entrega sua vida por um ideal que prioriza a felicidade dos demais, não por um que prioriza a própria.
Nas últimas horas, no entanto, algumas agências de imprensa e governos apressaram-se em condenar a Cuba pela morte em prisão, o passado 23 de fevereiro, do cubano Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas o eco mediático se tiñe desta vez de entusiasmo: ao fim —parecem dizer—, aparece um “herói”. Por isso se impõe explicar brevemente, sem qualificativos innecesarios, quem foi Zapata Tamayo. Pese a todos os maquillajes, se trata de um preso comum que iniciou sua atividade delictiva em 1988. Processado pelos delitos de violação de domicílio” (1993), “lesões menos graves” (2000), “fraude” (2000), “lesões e tenencia de arma branca” (2000): feridas e fratura lineal de cráneo ao cidadão Leonardo Simón, com o emprego de um machete), “alteração da ordem” e “desordens públicas” (2002), entre outras causas em nada vinculadas à política, foi liberto baixo fiança o 9 de março do 2003 e voltou a delinquir o 20 do próprio mês. Dados seus antecedentes e condição penal, foi condenado desta vez a 3 anos de cárcere, mas a sentença inicial ampliou-se de forma considerável nos anos seguintes por sua conduta agressiva em prisão.
Na lista dos chamados presos políticos elaborada para condenar a Cuba no 2003 pela manipulada e extinta Comissão de Direitos Humanos da ONU, não aparece seu nome —como afirma, sem verificar as fontes e os fatos, a agência espanhola EFE—, apesar de que sua última detenção coincide no tempo com a daqueles. De ter existido uma intencionalidad política prévia, não tivesse sido libertado onze dias dantes. Ávidos de enrolar à maior quantidade possível de supostos ou reais correligionarios nas filas da contrarrevolución, por uma parte, e convencido pela outra das vantagens materiais que entranhava uma “militancia” amamantada por embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou o perfil “político” quando já sua biografia penal era extensa.
No novo papel foi estimulado uma e outra vez por suas mentores políticos a iniciar greves de fome que minaram definitivamente seu organismo. A medicina cubana acompanhou-o. Nas diferentes instituições hospitalarias onde foi tratado existem especialistas muito qualificados —aos que se agregaram consultantes de diferentes centros—, que não escatimaron recursos em seu tratamento. Recebeu alimentação por via parenteral. A família foi informada da cada passo. Sua vida prolongou-se durante dias por respiração artificial. De todo o dito existem provas documentales.
Mas há perguntas sem responder, que não são médicas. Quem e por que estimularam a Zapata a manter uma atitude que já era evidentemente suicida? A quem lhe convinha sua morte? O desenlace fatal regocija intimamente aos hipócritas “dolientes”. Zapata era o candidato perfeito: um homem “prescindible” para os inimigos da Revolução, e fácil de convencer para que persistisse em um empenho absurdo, de impossíveis demandas (televisão, cozinha e telefone pessoais na cela) que nenhum dos cabeças reais teve a valentia de manter. A cada greve anterior dos instigadores tinha sido anunciada como uma provável morte, mas aqueles grevistas sempre desistiam dantes de que se produzissem incidentes irreversibles de saúde. Instigado e alentado a prosseguir até a morte —esses mercenários esfregavam-se as mãos com essa expectativa, pese aos esforços não escatimados dos médicos—, seu nome é agora exibido com cinismo como troféu coletivo.
Como buitres estavam alguns meios —os mercenários do pátio e a direita internacional—, merodeando em torno do moribundo. Seu deceso é um banquete. Asquea o espetáculo. Porque os que escrevem não se conduelen da morte de um ser humano —em um país sem mortes extrajudiciais—, senão que a enarbolan quase com alegria, e a utilizam com premeditados fins políticos. Zapata Tamayo foi manipulado e de certa forma conduzido à autodestrucción premeditadamente, para satisfazer necessidades políticas alheias. Talvez isto não é uma acusação contra quem agora se apropriam de sua “causa”? Este caso, é conseqüência direta da assassina política contra Cuba, que estimula à emigración ilegal, ao desacato e à violação das leis e a ordem estabelecidos. Ali está a única causa dessa morte indeseable.
Mas, por que há governos que se unem à campanha difamatoria, se sabem —porque o sabem—, que em Cuba não se executa, nem se tortura, nem se empregam métodos extrajudiciais? Em qualquer país europeu podem achar-se casos —às vezes, francas violações de princípios éticos—, não tão bem atendidos como o nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutavam por sua independência nos anos oitenta, morreram no meio da indiferença total dos políticos. Por que há governantes que eludem a denúncia explícita do injusto confinamiento que sofrem Cinco cubanos nos Estados Unidos por lutar contra o terrorismo, e se apressam em condenar a Cuba se a pressão mediática põe em perigo sua imagem política? Já Cuba o disse uma vez: podemos enviar-lhes a todos os mercenários e suas famílias, mas que nos devolvam a nossos Heróis. Nunca poderá se usar o chantaje político contra a Revolução cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa Pátria não poderá ser jamais intimidada, doblegada, nem apartada de sua heroico e digno caminho pelas agressões, a mentira e a infamia
A absoluta carência de mártires que padece a contrarrevolución cubana, é proporcional a sua falta de escrúpulos. É difícil morrer-se em Cuba, não já porque as expectativas de vida sejam as do Primeiro Mundo —ninguém morre de fome, pese à carência de recursos, nem de doenças curables—, senão porque impera a lei e a honra. Os mercenários cubanos podem ser detidos e julgados segundo leis vigentes —em nenhum país podem violar-se as leis: receber dinheiro e colaborar com a embaixada de um país considerado como inimigo; nos Estados Unidos, por exemplo, pode acarretar severas sanções de privação de liberdade—, mas eles sabem que em Cuba ninguém desaparece, nem é assassinado pela polícia. Não existem “escuros rincões” para interrogatórios “não convencionales” o presos-desaparecidos, como os de Guantánamo ou Abu Ghraib. Por demais, um entrega sua vida por um ideal que prioriza a felicidade dos demais, não por um que prioriza a própria.
Nas últimas horas, no entanto, algumas agências de imprensa e governos apressaram-se em condenar a Cuba pela morte em prisão, o passado 23 de fevereiro, do cubano Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas o eco mediático se tiñe desta vez de entusiasmo: ao fim —parecem dizer—, aparece um “herói”. Por isso se impõe explicar brevemente, sem qualificativos innecesarios, quem foi Zapata Tamayo. Pese a todos os maquillajes, se trata de um preso comum que iniciou sua atividade delictiva em 1988. Processado pelos delitos de violação de domicílio” (1993), “lesões menos graves” (2000), “fraude” (2000), “lesões e tenencia de arma branca” (2000): feridas e fratura lineal de cráneo ao cidadão Leonardo Simón, com o emprego de um machete), “alteração da ordem” e “desordens públicas” (2002), entre outras causas em nada vinculadas à política, foi liberto baixo fiança o 9 de março do 2003 e voltou a delinquir o 20 do próprio mês. Dados seus antecedentes e condição penal, foi condenado desta vez a 3 anos de cárcere, mas a sentença inicial ampliou-se de forma considerável nos anos seguintes por sua conduta agressiva em prisão.
Na lista dos chamados presos políticos elaborada para condenar a Cuba no 2003 pela manipulada e extinta Comissão de Direitos Humanos da ONU, não aparece seu nome —como afirma, sem verificar as fontes e os fatos, a agência espanhola EFE—, apesar de que sua última detenção coincide no tempo com a daqueles. De ter existido uma intencionalidad política prévia, não tivesse sido libertado onze dias dantes. Ávidos de enrolar à maior quantidade possível de supostos ou reais correligionarios nas filas da contrarrevolución, por uma parte, e convencido pela outra das vantagens materiais que entranhava uma “militancia” amamantada por embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou o perfil “político” quando já sua biografia penal era extensa.
No novo papel foi estimulado uma e outra vez por suas mentores políticos a iniciar greves de fome que minaram definitivamente seu organismo. A medicina cubana acompanhou-o. Nas diferentes instituições hospitalarias onde foi tratado existem especialistas muito qualificados —aos que se agregaram consultantes de diferentes centros—, que não escatimaron recursos em seu tratamento. Recebeu alimentação por via parenteral. A família foi informada da cada passo. Sua vida prolongou-se durante dias por respiração artificial. De todo o dito existem provas documentales.
Mas há perguntas sem responder, que não são médicas. Quem e por que estimularam a Zapata a manter uma atitude que já era evidentemente suicida? A quem lhe convinha sua morte? O desenlace fatal regocija intimamente aos hipócritas “dolientes”. Zapata era o candidato perfeito: um homem “prescindible” para os inimigos da Revolução, e fácil de convencer para que persistisse em um empenho absurdo, de impossíveis demandas (televisão, cozinha e telefone pessoais na cela) que nenhum dos cabeças reais teve a valentia de manter. A cada greve anterior dos instigadores tinha sido anunciada como uma provável morte, mas aqueles grevistas sempre desistiam dantes de que se produzissem incidentes irreversibles de saúde. Instigado e alentado a prosseguir até a morte —esses mercenários esfregavam-se as mãos com essa expectativa, pese aos esforços não escatimados dos médicos—, seu nome é agora exibido com cinismo como troféu coletivo.
Como buitres estavam alguns meios —os mercenários do pátio e a direita internacional—, merodeando em torno do moribundo. Seu deceso é um banquete. Asquea o espetáculo. Porque os que escrevem não se conduelen da morte de um ser humano —em um país sem mortes extrajudiciais—, senão que a enarbolan quase com alegria, e a utilizam com premeditados fins políticos. Zapata Tamayo foi manipulado e de certa forma conduzido à autodestrucción premeditadamente, para satisfazer necessidades políticas alheias. Talvez isto não é uma acusação contra quem agora se apropriam de sua “causa”? Este caso, é conseqüência direta da assassina política contra Cuba, que estimula à emigración ilegal, ao desacato e à violação das leis e a ordem estabelecidos. Ali está a única causa dessa morte indeseable.
Mas, por que há governos que se unem à campanha difamatoria, se sabem —porque o sabem—, que em Cuba não se executa, nem se tortura, nem se empregam métodos extrajudiciais? Em qualquer país europeu podem achar-se casos —às vezes, francas violações de princípios éticos—, não tão bem atendidos como o nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutavam por sua independência nos anos oitenta, morreram no meio da indiferença total dos políticos. Por que há governantes que eludem a denúncia explícita do injusto confinamiento que sofrem Cinco cubanos nos Estados Unidos por lutar contra o terrorismo, e se apressam em condenar a Cuba se a pressão mediática põe em perigo sua imagem política? Já Cuba o disse uma vez: podemos enviar-lhes a todos os mercenários e suas famílias, mas que nos devolvam a nossos Heróis. Nunca poderá se usar o chantaje político contra a Revolução cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa Pátria não poderá ser jamais intimidada, doblegada, nem apartada de sua heroico e digno caminho pelas agressões, a mentira e a infamia
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Liberdade de expressão? O que é isto?
Sei que o tema é polêmico, mas vou dizer assim mesmo: o pensamento reacionário faz suas escolhas e toma posição. Vejam o caso do jornal "o globo" sobre o tema das cotas etnico-raciais nas universidades. Um grupo que atua em favor das referidas cotas resolveu publicar um manifesto em jornais de grande circulação. Em princípio o jornal cobrou para a publicação o valor de R$ 54.163,20, mas depois de analisar o conteúdo o valor foi majorado para R$ 712.608,00. A partir disso um grupo de ativistas sociais e intelectuais do Rio de Janeiro protocolou nesta segunda (8) uma representação contra o jornal no Ministério Público desse Estado. Eles acusam a publicação de agir contra a liberdade de expressão ao inviabilizar um anúncio de um manifesto do movimento nacional Afirme-se!, favorável as políticas de ação afirmativa e das cotas raciais.Curioso isso, não? Logo O globo que há pouco tempo integrou o 1º forum "Democracia e liberdade de expressão". O que podemos pensar da definição que esta gene tem de liberdade de expressão? Creio que a expressão seja simples: liberdade de expressão nada mais é do que a possibilidade dos grandes meios de comunicação (apesar de muitas vezes usarem concessões públicas) de expressarem o que é de seu interesse. Simples!
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globalização
Em tempos de globalização acelerada é possível pensar que o mundo tende a uma hibridização cultural em larga escala. Talvez este seja um raciocício ingênuo. Na outra margem, encontramos uma linha de pensamento que aponta para uma fratura cultural e a concomitante formação de blocos culturais que irão por fim se degladiar: o "choque das civilizações", expressão cunhada por Samuel Huntington. Uma das novidades trazidas por esta teorização é o deslocamento do "motor da história", pois este deixaria de ser econômico, como queria Marx, para ser cultural. Na concretude das coisas vivas pode até ser que as duas teses não se excluam. Sei lá! De todo modo, a imagem ao lado é muito interessante por lembrar ao xenófobos, que a dinâmica cultural tende a se hibridizar sempre. O sistema-mundo-moderno-colonial, expressão do Milton Santos, foi criado para atender as expectativas de acumulação do capital, mas, independente das intenções dos seus formuladores, ele traz nas suas margens a tendência demasiado humana de juntar, aglutinar e produzir sínteses. e segue a vida...
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sábado, 6 de março de 2010
mídia e poder
Quem tem alguma dúvida com relação ao jogo pesado que o PIG pretende levar a cabo nas próximas eleições, basta dar uma olhada no sítio eletrônico do Instituto Millenium. Lá, eles dizem com todas as letras o que em tempo passado era dito em papo de alcova. A questão é a seguinte: em contraponto a 1ª CONFECOM (conferência nacional de comunicação), os grandes meios de comunicação do Brasil realizaram o 1º forum democracia e liberdade de expressão. Lá estavam a nata do pensamento jornalístico-direitista contemporâneo: Demétrio Magnoli, João Roberto Marinho e Arnaldo Jabor, entre outros. Justamente este último disse em alto e bom som, o que o campo conservador (leia-se de direita) deve fazer para impedir que o atual projeto de governo vença as eleições de outubro. Colocarei entre aspas a fala exata, para que o leitor tenha a dimensão da pérola: “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”. O "isso" ao qual ele se rerere, é a eleição da Dilma. Então, vejam como é fácil perceber como a mídia age como um partido político, tentando fazer o que o campo político da direita brasileira está demonstrando ser incapaz de realizar.
Não há dúvida que a questão das comunicações está no centro das discussões políticas na contemporaneidade. É assim na Venezuela, onde a RCTVestava na linha de frente da tentativa de golpe. Foi assim em Oaxaca, no México, há alguns anos atrás, quando uma greve de professores redundou num grande movimento social e cívico e o controle da rádio local foi fundamental para o movimento (nossa imprensa não deu uma linha sobre o ocorrido). É assim na Argentina, onde uma nova lei tenta produzir um maior controle social dos meios de comunicação. Enfim... não faltam exemplos. O controle social dos meios de comunicação é encarado pelo grande capital midiático como um ataque à "liberdade de expressão", e esse tem sido o mote para tentar produzir o consenso conservador. como sabemos todos, o que eles chamam de "liberdade de expressão" deve ser entendido como a liberdade de um certo grupo político utilizar as concessões públicas para atuar em favor da reprodução de seus interesses.
Não há dúvida que a questão das comunicações está no centro das discussões políticas na contemporaneidade. É assim na Venezuela, onde a RCTVestava na linha de frente da tentativa de golpe. Foi assim em Oaxaca, no México, há alguns anos atrás, quando uma greve de professores redundou num grande movimento social e cívico e o controle da rádio local foi fundamental para o movimento (nossa imprensa não deu uma linha sobre o ocorrido). É assim na Argentina, onde uma nova lei tenta produzir um maior controle social dos meios de comunicação. Enfim... não faltam exemplos. O controle social dos meios de comunicação é encarado pelo grande capital midiático como um ataque à "liberdade de expressão", e esse tem sido o mote para tentar produzir o consenso conservador. como sabemos todos, o que eles chamam de "liberdade de expressão" deve ser entendido como a liberdade de um certo grupo político utilizar as concessões públicas para atuar em favor da reprodução de seus interesses.
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quarta-feira, 3 de março de 2010
Closed zone - uma animação sobre a situação palestina
Uma animação sobre a situação palestina, ou melhor, sobre o cerco imposto pelo estado de Israel ao povo palestino.
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Palestina
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Diferença entre Dilma e Serra cai para quatro pontos percentuais, diz Datafolha
Uma nova pesquisa Datafolha mostra que a distância entre a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), caiu de 14 para apenas quatro pontos percentuais desde dezembro. e mais: a mesma pesquisa aponta que a aprovação ao governo Lula situa-se em torno de 73%. Se somarmos a estes, mais 20% dos que acham regular temos um total de 93%.
Tenho dito aos meus amigos em tom de brincadeira, que se a marcha dos números continuar nessa batida a Dilma vence no primeiro turno. Isso se houver candidato de oposição...
Na última pesquisa do mesmo instituto Dilma estava com 5% a menos e Serra com 5% a mais. Parece que na medida em que os eleitores menos politizados (o grosso dos eleitores) vão identificado Dilma como a candidata do Lula, os votos vão sendo transferidos "naturalmente".
Com a vitória do candidato da direita no Chile, onde a presidente Michelet tem uma aprovação muito boa, a imprensa local (PIG), começou a levantar a tese de que mesmo com uma aprovação positiva, Lula poderia não conseguir transferir os votos para sua candidata. Bom, no andar da carruagem, parece que é mais uma tese do PIG (Partido da Imprensa Golpista) que naufraga.
Tenho dito aos meus amigos em tom de brincadeira, que se a marcha dos números continuar nessa batida a Dilma vence no primeiro turno. Isso se houver candidato de oposição...
Na última pesquisa do mesmo instituto Dilma estava com 5% a menos e Serra com 5% a mais. Parece que na medida em que os eleitores menos politizados (o grosso dos eleitores) vão identificado Dilma como a candidata do Lula, os votos vão sendo transferidos "naturalmente".
Com a vitória do candidato da direita no Chile, onde a presidente Michelet tem uma aprovação muito boa, a imprensa local (PIG), começou a levantar a tese de que mesmo com uma aprovação positiva, Lula poderia não conseguir transferir os votos para sua candidata. Bom, no andar da carruagem, parece que é mais uma tese do PIG (Partido da Imprensa Golpista) que naufraga.
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Eleições 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O futuro dos alimentos
Não circula nos grandes aparatos midiáticos os crimes perpetrados diariamente pelo agro-negócio. Trata-se de crimes contra a soberania alimentar dos povos e que põe em risco, se não a existência do planeta, a própria vida de milhares ou bilhões de pessoas. Bom, muito de nós já sabemos disso, mas é preciso comprometer cada vez mais pessoas com um tipo de consumo e de prática social que apontem para a compreensão dos riscos do modo de vida qua as "monsantos" da vida nos oferece.
O vídeo abaixo é importante no sentido de divulgar o que está acontecendo com industrialização da agricultura; o controle legal das sementes, com a concomitante redução das mesmas e o impacto disso tudo na vida das sociedades humanas.
Estima-se que no passado havia mais de 5.ooo tipos de batatas, por exemplo, e só nos EUA havia, no século XIX, mais de 7.ooo variedades de maçãs. Tudo isso foi reduzido para melhor controle das indústrias de veneno e de sementes, tendo essas duas se juntado e se transformado em grandes conglomerados, como a já mencionada monsanto.
O vídeo é ótimo para trabalho em sala de aula. Vejam (aqui está somente a primeira parte):
O vídeo abaixo é importante no sentido de divulgar o que está acontecendo com industrialização da agricultura; o controle legal das sementes, com a concomitante redução das mesmas e o impacto disso tudo na vida das sociedades humanas.
Estima-se que no passado havia mais de 5.ooo tipos de batatas, por exemplo, e só nos EUA havia, no século XIX, mais de 7.ooo variedades de maçãs. Tudo isso foi reduzido para melhor controle das indústrias de veneno e de sementes, tendo essas duas se juntado e se transformado em grandes conglomerados, como a já mencionada monsanto.
O vídeo é ótimo para trabalho em sala de aula. Vejam (aqui está somente a primeira parte):
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Só dez por cento é mentira - documentário sobre o ser letral de Manoel de Barros
Ao sair do cinema tive a seguinte sensação: ler Manoel de Barros não é perder tempo. Aliás, sua literatura não tem nada a ver com o tempo, para que possamos perdê-lo. Ler Manoel é estar de modo de eternidade. É estar circunstanciado de nada, e estabelecer inutilidades. Foi com uma sensação de eternidade que saí do documentário "só dez por cento é verdade", que trata do "ser letral" do poeta Manoel de Barros. Certa feita (mas isso não aparece no documentário) o grande poeta Carlos Drummond disse que o maior poeta vivo brasileiro era o Manoel de Barros. Ele disse isso no momento em todos diziam que o maior poeta brasileiro era ele, Drummond.
O documentário capta a atmosfera "manoelina", e o poeta aparece muito a vontade, com seu bom humor peculiar. É um filme para ver, rever e se ver nele. Refletir sobre a linguagem e o tempo, apesar de que a obra do poeta não propõem reflexão, pois como ele mesmo diz, sua obra é de poesia e não de filosofia. É obra pra se abismar, se perder, e se reencontrar do outro lado da margem do ser.
Bom, pensando bem, a obra do mestre Manoel de Barros é toda uma filosofia, ainda que não seja...
O documentário capta a atmosfera "manoelina", e o poeta aparece muito a vontade, com seu bom humor peculiar. É um filme para ver, rever e se ver nele. Refletir sobre a linguagem e o tempo, apesar de que a obra do poeta não propõem reflexão, pois como ele mesmo diz, sua obra é de poesia e não de filosofia. É obra pra se abismar, se perder, e se reencontrar do outro lado da margem do ser.
Bom, pensando bem, a obra do mestre Manoel de Barros é toda uma filosofia, ainda que não seja...
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Manoel de Barros
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Marcus Pereira e a memória musical brasileira
Em uma bela canção intitulada “o que foi feito deverá”, Milton Nascimento nos canta uns versos que podem ser tomados como referência pra todo país ou toda sociedade que preze sua memória. Dizem eles: “falo assim sem saudade / falo por acreditar / que é cobrando o que fomos / que nós iremos crescer”. Muito se tem dito sobre o Brasil ser um país desmemoriado e que não costuma dar o devido valor a seus artistas quando estes não são sucesso de massa. É para lutar contra essa falta de memória nacional, que falaremos aqui de um brasileiro cujo destino trágico deve nos servir de lição para tempos vindouros. Refiro-me ao publicitário e produtor musical Marcus Pereira.
Marcus Pereira realizou na década de 1970 um empreendimento que resultou em um dos maiores registros da música popular brasileira não comercial. Pelos seus registros passaram: Elomar, Quinteto Armorial, Cartola, Clementina de Jesus, Quinteto Violado e tantas outras jóias da cultura musical brasileira. Pra se ter uma ideia, foi sob seus auspícios que o mestre Cartola fez, em 1974, sua primeira aparição em disco, já contando com sessenta e quatro anos de idade.
Tudo começou no final da década de 1960 quando Marcus era dono de uma rentável empresa de publicidade em São Paulo. Ele e mais outros amigos freqüentavam o bar Jogral, que era uma espécie de ponto de encontro do pessoal que curtia Música Popular na capital paulista. Junto com o dono do bar Luís Carlos Paraná e mais alguns circunstantes, Marcus realizou o lançamento do disco “onze sambas e um capoeira”, em homenagem a Paulo Vanzolini. Este lançamento foi o embrião do que viria a ser posteriormente o selo Marcus Pereira Discos. Este primeiro disco foi usado para servir de brinde de final de ano da empresa do publicitário. A coisa foi dando certo e poucos anos depois Marcus abandona a empresa de publicidade e se dedica totalmente ao seu novo empreendimento.
No início da década seguinte ele faz um mapeamento de toda a música regional brasileira lançando 4 lp’s para cada uma das cinco regiões do Brasil. Logo na primeira, a região Nordeste, Marcus recebeu o prêmio Estácio de Sá, outorgado pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Mas os tempos eram difíceis, e em plena ditadura militar esse não era um empreendimento fácil de se levar a cabo. De todo modo, Marcus ainda conseguiu o financiamento de algumas agências de fomento, e algumas parcerias com secretarias de cultura de uma ou outra cidade. Mas era pouco, e logo o ex-publicitário se viu enredado pela máquina mortal dos juros bancários.
Um dos gargalos da produção da Marcus Pereira Discos estava na distribuição, e dessa forma seu mentor firmou contrato com a Copacabana Discos para tentar sanar o problema. Mas não teve êxito. Não conseguindo cumprir todas as cláusulas do contrato – que segundo Paulo Eduardo Neves, da revista “samba e choro” era por demais leonino – Marcus viu sua empresa ir a falência. Dessa forma, depois de todo esforço realizado com brilhantismo, abnegação e acima de tudo com originalidade, Marcus Pereira se suicida, e todo o acervo de mais de 140 lp’s vai parar nos estoques da gravadora Copacabana.
Posteriormente todo o acervo Marcus Pereira foi parar nos porões da gravadora multinacional EMI, que por sua vez não demonstrou nenhum interesse nesse acervo, uma vez que seu verdadeiro interesse eram as gravações da jovem guarda. A multinacional ainda publicou alguns títulos, como o primeiro disco do Cartola, por exemplo, mas o fez sem nenhum tratamento de áudio e com a parte gráfica deixando muito a desejar. Dessa forma, o esforço de uma vida de pesquisa está mofando nas prateleiras de uma empresa totalmente descompromissada com a cultura brasileira. Tente encontrar, caro leitor, no sítio eletrônico da Emi Music Brasil, algum disco do selo Marcus Pereira e se sentirá, como eu, absolutamente desapontado. Este é, sem dúvida, um crime de lesa cultura nacional.
São duas tragédias numa só. Por um lado a tragédia pessoal de Marcus Pereira, e do outro a não publicação comercial desse riquíssimo acervo resultado de tão importante pesquisa. O que minimiza um pouco toda essa tragédia é a possibilidade de acessar uma parte desse acervo através dos blogs de música.
Ao concluir este artigo tentei achar na internet uma foto desse grande brasileiro e, pasmem, não achei nenhum registro visual seu. Lamentável...
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Lúcia Hippolito Bêbada??
Essa gente ainda tem a cara de pau de chamar o Lula de pinguço. Olha só a Lúcia Hippolito falando na CBN (a rádio que repete notícias).
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PIG
Posturas corretas
Enviado pela colaboradora Catarina Peregrino
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Dicas para não prejudicar a coluna ao dormir:
Cabeça:
Acredite: o seu apoio para cabeça é fundamental para se ter uma boa noite de sono. Na hora de escolher, você precisa considerar o material de que ele é feito e, claro, a posição em que é colocado.
Para se dormir de lado a altura do travesseiro tem que ser igual à distância entre o pescoço e a parte externa do braço. Já para quem dorme com a barriga para cima, o melhor é levar para a cama um apoio mais baixo, preenchendo o espaço entre o pescoço e a nuca, sem comprimir a coluna.
Até ele se aposenta
O travesseiro deve ser trocado, no mínimo, a cada dois anos. Na hora de escolher o melhor modelo, é importante observar algumas regras. Apoios de pena, por exemplo, podem exalar um odor forte capaz de incomodar olfatos mais sensíveis, embora muita gente se adapte a ele. Ideal, sempre, é dar preferência a enchimentos que se deformam com menos facilidade.
O tamanho também conta. É melhor que seja largo para não sair do lugar com qualquer movimento do seu corpo durante a noite. E, mesmo que possa parecer um mico, o ideal é experimentar o modelo escolhido ainda na loja.
Posições corretas para dormir (certo e errado)
De lado (CERTO): Mantenha a coluna alinhada e os braços abaixo do queixo. Os joelhos devem estar flexionados e com um travesseiro fino entre eles para impedir a sua rotação. Isso também evita que a região lombar fique estendida, o que, a longo prazo, pode provocar hérnia de disco.
De lado (ERRADO): Nunca deixe a mão sob a cabeça, porque essa postura compromete a circulação no braço e força o travesseiro contra o rosto, o que favorece o aparecimento de linhas de expressão. Procure, ainda, não dormir com o corpo todo encolhido. (faça um bom alongamento antes de deitar)
Barriga para cima (CERTO): Coloque um travesseiro fino ou um rolinho de espuma sob os joelhos para que permaneçam semi-flexionados durante a noite, deixando os quadris bem posicionados e os músculos da região lombar relaxados.
Barriga para cima (ERRADO): Não é correto dormir com as pernas muito esticadas, porque isso força a região lombar. Além disso, nunca dobre o travesseiro para que ele fique mais alto porque aí a tendência é repousar a cabeça sobre a dobra, forçando demais a região cervical. A regra de não dobrar, aliás, é válida para todas as pessoas.
De bruços, jamais!
A pessoa que dorme de barriga para baixo acorda cansada e toda dolorida, pois o rosto não pode ficar afundado no travesseiro. Além disso, as regiões torácica e a lombar são prejudicadas nessa postura.
Colchão sem pressão
O colchão ideal para um sono tranqüilo não pode ser muito macio nem muito firme, ou seja, deve simplesmente se amoldar ao corpo confortavelmente , ensina a diretora da Copespuma, Gisele Sapiro. Prefira os de látex, que tem como benefício principal o fato de se adaptarem com perfeição aos contornos do corpo, aliviando os pontos de pressão .
Em pé, qual o modo correto de elevar pesos, colocar ou retirar objetos de lugares altos?
Se você elevar um peso acima da cabeça, estará agredindo tanto a cervical quanto a lombar. Para não prejudicar sua coluna, apóie o objeto pesado no seu corpo e suba em uma escada ou banquinho para depositá-lo adequadamente.
Quando tiver que realizar atividades com os braços elevados, como os professores ao escrever no quadro negro, mantenha-os na altura do ombro ou no máximo até a altura da cabeça. Se necessário, utilize uma escada, banco ou estrado. Também é recomendável não se curvar, por exemplo, para corrigir a lição do aluno, ou em situações similares.
Qual a melhor forma de proteger a coluna ao se trabalhar em pé?
Em profissões em que é necessário trabalhar de pé, como dentistas, balconistas e outras, deve-se usar um banco alto de apoio, tendo o cuidado de colocar os pés no chão e evitar curvar a coluna.
Ao realizar atividades domésticas, trabalhos sobre mesa ou balcão?
Evite trabalhar com o tronco totalmente inclinado. Se você trabalha em frente a uma bancada, ou se estiver passando roupa, certifique-se de que a mesa tem altura suficiente para que você não precise se inclinar. Se for necessário ficar muito tempo em pé, aconselha-se utilizar um pequeno suporte (mais ou menos do tamanho de um tijolo) para colocar alternadamente sob os pés. Em frente à pia do banheiro e ao fazer a cama, dobre os joelhos. Ao varrer ou aspirar pó ou em movimentos semelhantes, evite "torcer" a coluna.
Como proteger a coluna ao trabalhar agachado, no jardim, por exemplo?
Ao trabalhar agachado, flexione os joelhos e mantenha as costas retas. Se for possível, apóie uma das mãos em um dos joelhos. Ou então, ajoelhe-se sobre uma das pernas e apóie o tronco sobre a coxa, alternando entre uma perna e outra; ou ainda, use um pequeno banco para sentar.
Como carregar mochilas, compras, malas e outros objetos pesados?
Mochilas devem ser presas às costas e não penduradas em um só ombro. As compras devem ser divididas entre as duas mãos. Malas e outros objetos pesados devem ser levados em um carrinho, que deve ser empurrado e não puxado.
Como caminhar?
Ao caminhar, olhe para a frente, mantendo o abdômen contraído. O tipo de sapato ideal para o dia-a-dia deve ser fechado atrás para dar estabilidade às passadas, ter o salto de base larga e leve, com altura de no máximo 4 centímetros , e de preferência, com amortecimento. Para caminhadas, utilize um tênis adequado.
Como sentar-se adequadamente?
A cadeira ideal tem encosto reto, de forma a apoiar a região média da coluna, com abertura para as nádegas. As coxas devem estar apoiadas suavemente em todo o assento com os joelhos em 90º e os pés apoiados no chão. Não use cadeiras reclináveis.
Como sentar-se no trabalho?
No trabalho, em frente a uma mesa ou digitando no computador, permaneça com as pernas debaixo da mesa; coloque o computador a uma altura adequada e fique com os braços junto ao corpo. Utilize um suporte para que o texto fique na altura dos olhos e em frente. Como a altura da mesa nem sempre é adequada, deve-se elevar o que está se fazendo de modo a não curvar muito a região cervical e a dorsal. Estando sentado, nunca gire para pegar um objeto às costas. E atenção: não apóie o telefone entre a orelha e o ombro pois isto força a coluna cervical.
Qual a melhor postura para ler?
A leitura deve ser feita na frente de uma mesa com um apoio para o livro. Deficiências visuais (você precisa de óculos?) devem ser corrigidas para evitar posturas inadequadas.
Como proteger a coluna ao assistir TV e relaxar em casa?
Não assista TV na cama, mas sentado adequadamente. Algumas pessoas cochilam enquanto assistem TV e a cabeça pende, ficando numa posição que leva à dor e à contratura muscular. Para evitar, deve-se manter sempre a cabeça apoiada. Não deite de lado, com a cabeça apoiada no braço do sofá. Não sente no chão, pois não há altura para as pernas.
E ao dirigir?
Use os espelhos retrovisores para não torcer o pescoço. Regule o banco de modo a acomodar a coluna o mais próximo da posição vertical; a distância dos pedais não deve ser muito grande, para que você não precise se esticar, o que também afeta a postura.
Como levantar corretamente da cama?
Quando você acorda, sua coluna está em relativo repouso. Assim, procure levantar calmamente, para não agredi-la. Sem levantar a cabeça, fique deitado de lado, dobre as pernas e impulsione o corpo com a mão, ao mesmo tempo em que coloca as pernas para fora da cama.
Estando em pé, qual a melhor maneira de levantar e carregar pesos?
Ao erguer um peso, abaixe-se, flexionando os joelhos até em baixo sem curvar a coluna. Se o objeto for volumoso e pesado, carregue-o junto ao tronco. Se possível, coloque o objeto em um carrinho e empurre-o ao invés de carregá-lo.
Fonte: Site do Ministério da Saúde.
Biblioteca Virtual em Saúde do Governo Federal
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Posturas corretas
Carnavalização
Aproveitando esse momento de já quase pós carnaval, eu resolvi postar abaixo um vídeo que é uma verdadeira carnavalização, tal qual teorizou o crítico Mikhail Baktin. Trata-se de um conceito que designa uma ocorrência comum na cultura popular de inverter simbolicamente a ordem social "normal", produzindo uma espécie de mundo às avessas. No caso do vídeo abaixo, o autor "musicou" um trecho de uma palestra de Ariano Suassuna com uma levada de funk carioca. A inversão fica por conta do fato de que Ariano, mesmo sendo um autor que lida com o material da cultura popular, é um autor identificado com a "alta cultura", com uma literatura "sofisticada". Por outro lado, o funk carioca, utilizadocomo base musical, é visto por muitos como uma produção menor. Mas o fato é que a junção dos dois deu um resultado muito engraçado. Vejam e avaliem...
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A classe C vai ao paraíso...
O título dessa postagem é uma paródia de um clássico do cinema italiano da década de 1960, se não me engano, chamado "a classe operária vai ao paraíso". Era um tempo que ainda se acreditava de forma ortodoxa nas prédicas marxistas, e desta forma acreditava-se na função revolucionária do proletariado, atribuindo a ele a grande energia transformadora que nos levaria ao socialismo. Mas o artigo em questão trata do grande movimento de inclusão levado a cabo pelo governo Lula nos últimos anos, confrontado esse momento com outras passagens da história do Brasil.
O articulista põe em evidência os números do crescimento atual e destaca o que está acontecendo no Nordeste brasileiro. Esses números ganharam para mim contornos ainda mais impressionantes com minha recente passagem por Pernambuco e Paraíba. Vi um país em ebulição. Estradas sendo construídas, refinarias de petróleo, o exército empenhado em obras enormes, escolas técnicas e etc. A diminuição da miséria é flagrante, e em conversas com pessoas humildes pude ouvir delas que as coisas estão de fato melhores. Quando se trata de apenas números a impressão tem uma dimensão, mas quando se vê tudo isso traduzido em vida real, os números ganham em densidade e nos emocioana.
A cultura popular nordestina, e em particular no Recife, ganha proporções impressionantes. Torna-se opção de entretenimento de massa, empregabilidade e de afirmação identitária. É flagrante o orgulho das pessoas de lá. Maracatu, coco e frevo pra todo lado. E tudo isso acontecendo com apoio do poder público, que aliás, é sua obrigação.
Enfim, leiam a matéria do professor da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva seguindo o link abaixo:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16389
O articulista põe em evidência os números do crescimento atual e destaca o que está acontecendo no Nordeste brasileiro. Esses números ganharam para mim contornos ainda mais impressionantes com minha recente passagem por Pernambuco e Paraíba. Vi um país em ebulição. Estradas sendo construídas, refinarias de petróleo, o exército empenhado em obras enormes, escolas técnicas e etc. A diminuição da miséria é flagrante, e em conversas com pessoas humildes pude ouvir delas que as coisas estão de fato melhores. Quando se trata de apenas números a impressão tem uma dimensão, mas quando se vê tudo isso traduzido em vida real, os números ganham em densidade e nos emocioana.
A cultura popular nordestina, e em particular no Recife, ganha proporções impressionantes. Torna-se opção de entretenimento de massa, empregabilidade e de afirmação identitária. É flagrante o orgulho das pessoas de lá. Maracatu, coco e frevo pra todo lado. E tudo isso acontecendo com apoio do poder público, que aliás, é sua obrigação.
Enfim, leiam a matéria do professor da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva seguindo o link abaixo:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16389
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Guernica em 3D
Quase todo mundo conhece o quadro Guernica, de Picasso. Trata-se de um painel pintado a
óleo com 782 x 351 cm, e apresentado em 1937 na Exposição Internacional de Paris. A tela, em preto e branco, representa o bombardeamento sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de Abril de 1937 por aviões alemães e atualmente está exposta no Centro Nacional de Arte, em Madrid.
O pintor, que morava em Paris na altura, soube do massacre pelos jornais e pintou as pessoas, animais e edifícios destruídos pela força aérea nazista tal como os viu na sua imaginação.
Agora uma artista nova-iorquina, Lena Gieseke, que domina as mais modernas técnicas de infografia digital, decidiu propor uma versão 3D da célebre obra e colocá-la na net sob a forma de um vídeo. O resultado é fascinante e permite-nos visualizar detalhes
que de outro modo nos passariam despercebidos. Esta técnica inovadora revela-se um instrumento poderoso para compreender melhor a forma de trabalhar do pintor e até o modo como funcionava a sua imaginação.
óleo com 782 x 351 cm, e apresentado em 1937 na Exposição Internacional de Paris. A tela, em preto e branco, representa o bombardeamento sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de Abril de 1937 por aviões alemães e atualmente está exposta no Centro Nacional de Arte, em Madrid.
O pintor, que morava em Paris na altura, soube do massacre pelos jornais e pintou as pessoas, animais e edifícios destruídos pela força aérea nazista tal como os viu na sua imaginação.
Agora uma artista nova-iorquina, Lena Gieseke, que domina as mais modernas técnicas de infografia digital, decidiu propor uma versão 3D da célebre obra e colocá-la na net sob a forma de um vídeo. O resultado é fascinante e permite-nos visualizar detalhes
que de outro modo nos passariam despercebidos. Esta técnica inovadora revela-se um instrumento poderoso para compreender melhor a forma de trabalhar do pintor e até o modo como funcionava a sua imaginação.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Férias
Prezados leitores,
Por razão de férias ficarei fora da blogsfera por alguns dias. Irei a Recife, minha terra natal.
Um grande beijo!
Ricardo Moreno
Por razão de férias ficarei fora da blogsfera por alguns dias. Irei a Recife, minha terra natal.
Um grande beijo!
Ricardo Moreno
domingo, 17 de janeiro de 2010
RAVI SHANKAR E A MÚSICA DE JOHN COLTRANE
RAVI SHANKAR E A MÚSICA DE JOHN COLTRANE
Sitarista virtuoso, legendário, compositor, professor, e escritor RAVI SHANKAR, é o embaixador musical mais estimado da Índia. É um fenômeno singular, cuja aparição no cenário musical ocidental despertou de pronto o interesse de músicos de vários segmentos musicais. Consta que o grande mestre do bep-bop jazz, John Coltrane, tinha por Shankar uma verdadeira adoração. Como prova dessa admiração Coltrane homenageou o mestre indiano colocando seu nome no próprio filho: Ravi Coltrane.
Shankar foi aluno do ilustre guru Baba Ustad Allaudin Khan e já era uma das estrelas mais luminosas na Índia antes de entrar na cena internacional nas décadas de 1950 e 1960. Desde então, ele foi o pioneiro em disseminar a tradição da música clássica indiana. Na verdade quando Shankar aparece para o grande público, dentro daquela perspectiva underground / psicodélica da década de 1960, ele não era mais um jovem, como a maioria dos artistas que compunham aquela cena: Jimi Hendrix, Janis Joplin, etc. Shankar, na ocasião do festival, em 1969, contava já com 49 anos de idade, e condenava a utilização de drogas para a alteração da consciência.
Mas ainda antes de Shankar aparecer no cenário do Rock no final dos anos sessenta, ele já era figura de destaque no cenário jazz do finalzinho da década de 1950 e início da década seguinte. É através de seus conhecimentos que artistas do jazz como os saxofonistas Bud Shank e John Coltrane vão conhecer as estruturas modais da música indiana, o que será de extrema valia para o uso dessas estruturas na improvisação desses artistas.
É simplesmente comovente o depoimento de Ravi Shankar sobre o encontro dele com John Coltrane. Artisticamente o saxofonista já conhecia a obra do mestre indiano através das gravações em disco. Coltrane possuía praticamente todas as gravações disponíveis no mercado, e quando soube da presença de Shankar nos Estados Unidos providenciou rapidamente para que um amigo comum, Richard Bock, os apresentasse. Isso aconteceu em 1964, e Coltrane tinha nessa ocasião 38 anos (Coltrane morreu em 1967, quatro anos depois). Chamou a atenção de Shankar uma certa santificação de Coltrane por parte de seus fãs: era uma verdadeira adoração. Não obstante este “endeusamento” do músico, Shankar refere-se a ele como alguém cuja humildade o dignificava, e isto ainda mais realçava suas características positivas.
O mestre indiano definiu Coltrane, certa feita, como “uma panela mágica que está cheia com uma música dourada transbordando dele e alimentando os seus extáticos admiradores”. Mas Shankar acreditava que isso era uma carga por demais pesada para um homem, e atribui a esse tipo de adoração, junto com o uso de drogas por parte de Coltrane, sua morte prematura. Eles não chegaram a tocar juntos, pois nos encontros que tinham no hotel onde Shankar estava hospedado, Coltrane não levava o seu instrumento, mas ficava fazendo anotações sobre as estruturas modais utilizadas por Shankar.
Em um certo momento particularmente comovente da conversa, Shankar disse a Coltrane que, se ele não se importasse, iria fazer alguns comentários sobre as suas composições mais recentes. Coltrane teria ficado perplexo com as observações feitas por Shankar, porque estas apontavam para uma percepção de uma angústia contida na música de Coltrane. Shankar acrescentou que em algumas passagens sentia “como um grito agudo de uma alma atormentada”. O mestre indiano dizia perceber isto também em outros artistas de jazz, e que compreendia esse sofrimento em função de fatores históricos. Acreditava, no entanto, que em função da busca espiritual de Coltrane (ele fazia ioga, lia Shri Ramakrishna e era vegetariano) e seu interesse pela música indiana, esse sofrimento seria superado. Em resposta a esta colocação, Coltrane levou lágrimas aos olhos de Shankar dizendo: “Ravi, é exatamente o que eu quero saber e aprender de você… como você acha paz em sua música e passa isto a seus ouvintes."
No final desse ano, 1964, em dezembro, John Coltrane grava um dos discos mais importantes de sua carreira, e um dos mais importantes da história do jazz: “A love supreme”. Não há dúvida que esse disco trás as marcas de um encontro fabuloso entre dois grandes artistas e duas figuras humanas da maior grandeza.
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domingo, 10 de janeiro de 2010
A arte e a guerra
A jovem Kseniya Simonova foi a ganhadora da edição Ucraniana do Got Talent. Na final, ao vivo, fez uma animação da invasão da alemanha na Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, tendo usado apenas os dedos, uma superfície com areia e um fundo musical.
Trouxe lágrimas aos olhos de juízes e do público. Foram 8 minutos maravilhosos que demonstraram um talento especial e trouxeram, através da arte, a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações.
Vejam isso:
Trouxe lágrimas aos olhos de juízes e do público. Foram 8 minutos maravilhosos que demonstraram um talento especial e trouxeram, através da arte, a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações.
Vejam isso:
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Memória e democracia no Brasil
O cineasta Silvio Tendler enviou carta ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendendo que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por seus atos. Tendler critica a posição do ministro, contrária à punição aos torturadores. "Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar, roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos", escreve o cineasta.
Leia a carta na íntegra acessando o link:
Assine o manifesto contra a anistia aos torturadores no link abaixo:
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Silvio Tendler
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Mais um capítulo da relação mídia e poder
As relações da mídia com o poder ocorrem por caminhos algumas vezes insuspeitos. Lembro de quando a revista “Caros Amigos” fez, na década de 1990, uma longa matéria sobre um suposto filho do então Fernando Henrique Cardoso, com uma jornalista da Rede Globo. A matéria da revista, na verdade, discutia sobre as razões que faziam silenciar toda a mídia brasileira, considerando esta mesma mídia tão afeita a sensacionalismo, como tinham feito recentemente com a história de uma ex-namorada do então candidato Lula em 1989. O suposto caso amoroso do ex-presidente com a jornalista global tinha um elemento simbólico curioso, e a matéria fazia questão de afirmar que não tinha nenhum viés moralista, apenas queria saber se os grandes meios de comunicação sabiam desse fato e o por quê de não publicarem nada sobre o caso. O resultado foi muito interessante.
Mas o caso agora é outro. Na argentina um processo muito doloroso, porém necessário, está vindo à tona. Trata-se da luta das Mães da praça de maio, que lutam para descobrir fraudes em processos de adoção ocorridos durante o regime militar, no qual os adotados eram crianças seqüestradas, filhos de presos políticos mortos pelo regime militar. Esse tema foi tratado em um filme argentino brilhante chamado “a história oficial”, de 1985. A questão agora é que nada mais nada menos a dona do jornal Clarin está sendo acusada de ter participado de uma dessas fraudes, adotando uma criança que era filha de um militante torturado e morto pela ditadura. A história se arrasta há algum tempo, e em conluio com setores do judiciário o caso foi postergado até uma situação limite. As últimas notícias do caso dão conta de que a Câmara federal de San Martin ordenou que o juiz que toma conta do caso faça imediatamente o exame de DNA.
Mas o caso agora é outro. Na argentina um processo muito doloroso, porém necessário, está vindo à tona. Trata-se da luta das Mães da praça de maio, que lutam para descobrir fraudes em processos de adoção ocorridos durante o regime militar, no qual os adotados eram crianças seqüestradas, filhos de presos políticos mortos pelo regime militar. Esse tema foi tratado em um filme argentino brilhante chamado “a história oficial”, de 1985. A questão agora é que nada mais nada menos a dona do jornal Clarin está sendo acusada de ter participado de uma dessas fraudes, adotando uma criança que era filha de um militante torturado e morto pela ditadura. A história se arrasta há algum tempo, e em conluio com setores do judiciário o caso foi postergado até uma situação limite. As últimas notícias do caso dão conta de que a Câmara federal de San Martin ordenou que o juiz que toma conta do caso faça imediatamente o exame de DNA.
Dona do Clarín pode ter adotado filha de desaparecidos
Uma decisão judicial sobre um caso que se arrasta há anos pode expor o caráter criminoso das relações entre mídia e ditadura na Argentina. A fundadora do movimento Avós da Praça de Maio, Chicha Mariani, suspeita que a filha de Ernestina Herrera de Noble, dona do grupo Clarín, seja, na verdade, sua neta, Clara Anahí, cujos pais foram seqüestrados por militares em sua casa, em novembro de 1976. A Câmara Federal de San martín determinou a realização imediata de exames de DNA. O relato é do jornal Página 12.
para ler a matéria toda siga o link:
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mídia
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Classe mé(r)dia
É hilária esta canção. Não pelo que ela tem de anormal ou exótico, mas justamente o contrário, pelo que ela tem de normal e verossimilhante. Creio que ela se refira a aquela classe média que há alguns meses atrás se manifestava através do movimento "cansei". Para quem não lembra ou nem sequer conheceu este movimento, o mesmo tinha como expoente figuras luminares da cultura brasileira, tais como: Francisco Dória Jr. (quem?), Ivete Sangalo e Regina Duarte, além de Hebe Camargo, é claro... e tinha como eixo de suas pregações o "cansaço" com relação aos desmandos do governo Lula.
Ouçam a canção de Max Gonzaga!!!
Ouçam a canção de Max Gonzaga!!!
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domingo, 3 de janeiro de 2010
Ricúpero e as parabólicas, lembram?
Tão grave quanto as declarações de Boris Casoy, nas quais fica claro o pensamento de parte das elites brasileiras com relação às pessoas mais humildes, foram as declarações, em condições semelhantes, do então ministro da fazenda Rubens Ricúpero, em 1994. Na ocasião transcorriam as eleições presidenciais que levariam FHC a seu primeiro mandato. Evidenciava-se ali de forma irrefutável as relações promíscuas entre mídia e poder. Num determinado trecho o ministro diz a Carlos Monfort que ele era o grande eleitor de FHC, e que sua exposição na globo poderia e deveria acontecer para que se conseguisse mais votos para o candidato tucano. Curioso que no vídeo que você verão abaixo, o jornalista que fazia a matéria era nada mais nada menos que Boris Casoy. Que ironia, hein... Aliás, esse jornalista como legítimo membro do PIG (partido da Imprensa Golpista) fez todos os esforços para dourar a pílula e fazer crer que isso nada tinha a ver com o plano real, etc. etc. etc.
compre este DVD
O "jornalismo" de Boris Casoy é banal, antiquado e medíocre; não traz nada de novo ao telespectador, não estimula o raciocínio, não questiona. A única coisa que sai dali é aquele bordão ridículo e pseudomoralista, que, de forma oportuna, repetirei agora: Boris Casoy "É UMA VERGONHA!!!"
Fábio Amaral
Boris Casoy é uma vergonha! Preconceituoso, merece as penalidades previstas na Constituição Brasileira. Malvado e perverso, ele vai colher o que merece. Desculpa melada, deveria ser afastado do Partido da Imprensa Golpista - PIG. Sua meia-boca deveria ser calada para sempre, até mesmo no Inferno. Alma imoral, jamais deveria abrir a boca para falar a fedentina de sua linguagem em comentário:Isso é uma vergonha". Vivam os garís, morra o Casoy com seu falso jornalismo - poder sem ética.
Francisco de Andrade
Fábio Amaral
Boris Casoy é uma vergonha! Preconceituoso, merece as penalidades previstas na Constituição Brasileira. Malvado e perverso, ele vai colher o que merece. Desculpa melada, deveria ser afastado do Partido da Imprensa Golpista - PIG. Sua meia-boca deveria ser calada para sempre, até mesmo no Inferno. Alma imoral, jamais deveria abrir a boca para falar a fedentina de sua linguagem em comentário:Isso é uma vergonha". Vivam os garís, morra o Casoy com seu falso jornalismo - poder sem ética.
Francisco de Andrade
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Boris Casoy
Tese polêmica
A tese é polêmica, mas... vale a pena dar uma conferida no que diz a psicóloga francesa sobre o tema da infidelidade conjugal masculina. O que a psicóloga não explica é o fato de pesquisas recentes terem apontado que há um crescente índice de mulheres que declaram já ter tido algum tipo de relacionameto amoroso fora do casamento. Enfim...
Psicóloga francesa defende infidelidade masculina para ajudar o casamento
Para Maryse Vaillant, uma das mais famosas psicólogas do país, experiência é 'libertadora'.
Psicóloga francesa defende infidelidade masculina para ajudar o casamento
Para Maryse Vaillant, uma das mais famosas psicólogas do país, experiência é 'libertadora'.
Uma das mais famosas psicólogas francesas causou polêmica ao defender, em um livro recém-lançado, que a infidelidade masculina é boa para o casamento. No livro "Les hommes, l'amour, la fidélité" ("Os homens, o amor, a fidelidade"), Maryse Vaillant diz que a maioria dos homens precisa de "seu próprio espaço" e que para eles "a infidelidade é quase inevitável".
Segundo a autora, as mulheres podem ter uma experiência "libertadora" ao aceitarem que "os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais" e que a infidelidade é "essencial para o funcionamento psíquico" de muitos homens que não deixam por isso de amar suas mulheres.
Para Vaillant, divorciada há 20 anos, seu livro tem o objetivo de "resgatar a infidelidade". Segundo ela, 39% dos homens franceses foram infiéis às mulheres em algum momento de suas vidas.
Segundo a autora, as mulheres podem ter uma experiência "libertadora" ao aceitarem que "os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais" e que a infidelidade é "essencial para o funcionamento psíquico" de muitos homens que não deixam por isso de amar suas mulheres.
Para Vaillant, divorciada há 20 anos, seu livro tem o objetivo de "resgatar a infidelidade". Segundo ela, 39% dos homens franceses foram infiéis às mulheres em algum momento de suas vidas.
"A maioria dos homens não faz isso por não amar mais suas mulheres, Pelo contrário, eles simplesmente precisam de um espaço próprio", diz a psicóloga.
"Para esses homens, que são na verdade profundamente monógamos, a infidelidade é quase inevitável", afirma. Para Vaillant, os homens que não têm casos extraconjugais podem ter "uma fraqueza de caráter". "Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Esses homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Eles não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem", afirma ela.
"Para esses homens, que são na verdade profundamente monógamos, a infidelidade é quase inevitável", afirma. Para Vaillant, os homens que não têm casos extraconjugais podem ter "uma fraqueza de caráter". "Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Esses homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Eles não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem", afirma ela.
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
O pensamento de Boris Casoy
A se confirmar que o video abaixo traz a voz do âncora Boris Casoy fazendo comentários esdrúxulos sobre as mensagens de final de ano feitas por dois garis, estaremos assisitindo mais uma (digo mais uma lembrando do Ricúpero) demonstração cabal de como pensam nossas elites. Claro que vão botar panos quentes, claro que vão dizer que era só uma brincadeirinha, mas é claro também que não vai colar. E olha que esse tipo de reveleção ainda deve ser pouco, para o que diz esse pessoal quando está entre os seus pares. Isso explica, em parte, o ódio ao presidente Lula. É o desprezo que eles sentem pelo povo, é a síndrome da casa grande que os atormenta. São todos uns "Sinhozinhos" com saudade dos tempos de mandonismo. É uma elite que se diverte jogando ovos em trabalhadores, espancando domésticas, queimando índios e etc.
Só mais uma coisa pode ser dita: ISSO É UMA VERGONHA!!!!!!!
Só mais uma coisa pode ser dita: ISSO É UMA VERGONHA!!!!!!!
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Funk carioca: Meta-refrão, microtonal e polissemiótico
Nestes dois vídeos abaixo, você vai ver as explicações do Tom Zé sobre o fenômeno chamado Funk carioca. Tanto para os detratores quanto para os apologistas do gênero musical, é uma oportunidade e tanto de reflexão, que o compositor baiano nos possibilita. Vejam:
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ROUBANDO GALINHAS
ROUBANDO GALINHAS
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
- Não era para mim não. Era para vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. É que as do galinheiro botavam ovos brancos, enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado!
- Os ovos das minhas eu pintava.
- Que grande pilantra... Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso .. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros.
Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços. O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada.
Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, Excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante.Como agora. Fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
(Luís Fernando Veríssimo)
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
- Não era para mim não. Era para vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas não. É que as do galinheiro botavam ovos brancos, enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado!
- Os ovos das minhas eu pintava.
- Que grande pilantra... Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso .. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros.
Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços. O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada.
Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, Excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante.Como agora. Fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...
(Luís Fernando Veríssimo)
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Edvaldo Santana ou: a voz rouca das ruas
Edvaldo Santana ou: A voz rouca das ruas
Para quem não conhece, Edvaldo Santana é um militante e ao mesmo tempo legítimo herdeiro da boa e velha MPB. Não obstante sua já longa trajetória (já lançou cinco cd’s) e algumas inserções na mídia, ele ainda continua desconhecido do grande público brasileiro. Sua música vai do blues ao baião passando por baladas, boleros, salsas, sambas e outras levadas. Seus parceiros também não são poucos, e entre tantos se destacam: Tom Zé, Arnaldo Antunes, Paulo Leminski, Haroldo de Campos, Itamar Assunção e outros mais.
Filho de migrantes nordestinos, cresceu na periferia paulista (São Miguel Paulista), e foi essa periferia que lhe deu régua e compasso para construir sua obra. Suas letras, onde não raro se acham verdadeiras pérolas, estão absolutamente sintonizadas com seu tempo e lugar. Edvaldo é capaz de versos cortantes tratando de chacinas e meninos de rua, como também trata de temas românticos de forma muito lírica. Tudo isso cantado com uma voz rouca, que lhe é bem peculiar. Um verdadeiro achado é esse trecho da canção “variante”: “no rio São Francisco navega o vapor / que navegou no Mississipi / o rio São Francisco deságua sua dor no Tietê / Variante da estação do norte / de seu Joaquim da Luz / se eu pudesse aproximava os tempos / e adonirava o Blues”. Este último verso, transformando em verbo o nome do compositor Adoniran Barbosa, é qualquer coisa de muito bem sacado. Em sua obra há muitas canções que merecem destaque, mas como o espaço aqui é pequeno, vou destacar uma canção do seu primeiro cd “Lobo solitário” de 1993. A canção chama-se “A Rússia pegou fogo na Sapucaí”, e tem uma proposta caleidoscópica. Ela trata do cenário cultural e político da década de 1990, e toda aquela sensação – que já foi chamada de pós-moderna – de que tudo perdeu o sentido, que os acontecimentos se dão vertiginosamente e tudo mais. A canção é um blues daqueles bem tradicionais e o refrão diz: “Beats, Woodstock, Coréia, Vietnã / duas bombas atômicas no Japão / luzes na ribalta / Bush em cena com Sadam / a morte é o kitsch do verão / punks foram hippies / agora são titãs / a Rússia pegou fogo na Sapucaí / pra não dizer de flores / me alegra ser xamã / a gente só queria ser feliz”.
A letra dessa canção é uma verdadeira síntese da década de 1990, falando das angústias e expectativas daqueles tempos neo-liberais. Mas conversando com o autor eu lhe perguntei sobre essa imagem da Rússia pegando fogo na Sapucaí. De onde ele tinha tirado aquilo? Entre risos, ele me respondeu que foi num certo carnaval carioca do início da década de 1990, em que ele estava assistindo a transmissão pela TV, e viu um carro alegórico, cujo tema era a Rússia, ser tomado por um incêndio. Que sacada, hein! E é bom lembrar que essa cena se deu logo em seguida do fim do chamado socialismo real na antiga U.R.S.S. Isso é o que podemos chamar de uma verdadeira alegoria.
Há pouco tempo, em 2006, Edvaldo lançou o seu mais recente cd: “Reserva de alegria” que conta com as participações dos rappers Thaíde e Rappin’Hood, e do cantor Chico César. Neste cd Edvaldo continua sua linha de melodias simples, misturas de gêneros e letras cortantes com belos achados poéticos. Dialoga com elegância com as novas tendências da MPB, como no caso da parceria com Rappin’Hood no samba-rap “pra viver é sempre cedo”. Desafiando o cenário místico-empresarial que assola o país, diz a letra logo no início: “eu não dirijo carro / não uso celular / procuro um lugar calmo que eu possa trabalhar / não quero ser crente / com medo do “senhor” / Deus não deu patente / pra padre e pra pastor”. Edvaldo Santana é um guerrilheiro da MPB, e apesar da grande mídia não lhe dar bola, ele vai pacientemente compondo sua obra, apontando suas armas – o violão e a voz – para os que promovem as indigências de nosso tempo. E como ele mesmo diz “maluco beleza não se dá por vencido”.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Flagrante na agência bancária ou: o racismo nosso de cada dia.
Muito se tem discutido no Brasil sobre raça e racismo, em função de novos dispositivos legais que vêm sendo levados a cabo pelo governo brasileiro. Um certo argumento, que considero reacionário - apesar de algumas pessoas que não são reacionáiras usá-lo -, é o de que se o conceito de raça ruiu, então não faz mais sentido utilizá-lo para elaborar políticas compensatórias ou de reparação. Mas o que tenho repetido é que se o conceito de raça está efetivamente superado, os seus efeitos não estão. E que efeitos são esses? O racismo, ora! Um conceito, como queria Foucault, produz efeitos. Aliás, é para isso, em boa medida, que eles são criados.
Só um desavisado não sabe que o conceito de raça surge no século XIX justamente para justificar o processo de colonização, ou neo-colonização, que os países europeus estavam empreendendo na Ásia e na África, principalmente. É verdade, por outro lado, que o racismo não precisou esperar o surgimento do conceito de raça para acontecer. O racismo antecede o conceito de raça. Mas, sem dúvida, uma definição de raça amparada "cientificamente" colocava as coisas em outro patamar. Era como se não houvesse mais dúvida da superioridade branca-européia-ocidental sobre o resto do mundo.
O vídeo abaixo demonstra um pouco os "efeitos" do conceito de raça, em uma ocorrência prosaica do nosso cotidiano.
Só um desavisado não sabe que o conceito de raça surge no século XIX justamente para justificar o processo de colonização, ou neo-colonização, que os países europeus estavam empreendendo na Ásia e na África, principalmente. É verdade, por outro lado, que o racismo não precisou esperar o surgimento do conceito de raça para acontecer. O racismo antecede o conceito de raça. Mas, sem dúvida, uma definição de raça amparada "cientificamente" colocava as coisas em outro patamar. Era como se não houvesse mais dúvida da superioridade branca-européia-ocidental sobre o resto do mundo.
O vídeo abaixo demonstra um pouco os "efeitos" do conceito de raça, em uma ocorrência prosaica do nosso cotidiano.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O homem do ano
Jornal Le Monde elege Lula como o "Homem do Ano"
A publicação francesa apontou o presidente brasileiro como o responsável pelo renascimento do Brasil como um gigante na cena mundial. O jornal espanhol El Pais também escolheu Lula como a "Personalidade do Ano", destacando que ele passará à história pela ambição realizada de tornar o Brasil um país desenvolvido. Para o Le Monde, o presidente soube ser um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbros naturais. "A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil", resume o jornal.
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Lula
domingo, 27 de dezembro de 2009
Vejam que história interessante e acreditem se quiser
John Corcoran é o que podemos considerar um fenômeno! Mesmo sem saber ler, escrever ou mesmo soletrar, ele conseguiu se formar em uma universidade da Califórnia e dar aula - dar aula!!! - por 17 anos em outra. O americano só foi alfabetizado aos 48 anos.
"Mas como isso foi possível, caro blogueiro?", você está se perguntando, não? Vamos à explicação que o próprio deu à emissora 10News, de San Diego: quando era aluno de escola primária, John começou a apresentar problemas de aprendizado.
O menino contou com a conivência dos pais e dos professores, que o passavam de ano. "Quando eu tinha 8 anos, eu rezava na hora de dormir 'Deus, por favor, amanhã, quando for a minha vez de ler em sala, faça-me ler'". Mas o milagre não acontecia. O milagre da leitura, porque o da aprovação sempre aparecia ao fim do ano letivo. Por causa de problemas psicológicos e comportamentais, o pequeno Johnnie tinha suas deficiências acobertadas e sempre avançava.
John também contribuiu, aprendendo a disfarçar sua condição iletrada. Arrumava problemas em sala de aula e passava boa parte do tempo no escritório do diretor. Em 1956, ele recebeu o diploma da Palo Verde High School, em Blythe.
E John chegou à universidade, em El Paso. Lá aprimorou suas técnicas para burlar o sistema. Ele roubava provas e convencia colegas a completar suas tarefas. Trapaceiro virou o sobrenome de John.
"Eu não podia ler palavras, mas podia ler o sistema e as pessoas", disse.
Em 1961, John se tornou bacharel em educação. Educação!!!!! Mesmo analfabeto...
"A prefeitura de El Paso dava a quase todos os graduados um emprego", explica John.
Durante 17 anos, mesmo sem juntar lé com cré, o americano deu aulas em uma escola secundária de Oceanside.
A tática de John: ele desenvolveu um técnica de ensino baseada nos recursos oral e visual. Um gênio, não?
"Não havia uma palavra escrita por mim em sala de aula. Eu sempre tinha dois ou três professores assistentes para escrever no quadro e ler o boletim", conta.
Em um determinado momento, a farsa ficou insuportável e John pediu licença da escola, Ele se trancou com uma tutora voluntária, de 65 anos. Depois de um ano, já sabia ler. Pelo menos tanto quanto os seus alunos.
O americano já escreveu dois livros e criou a Fundação John Corcoran, que ajuda analfabetos a terem uma melhor oportunidade na sociedade.
"Mas como isso foi possível, caro blogueiro?", você está se perguntando, não? Vamos à explicação que o próprio deu à emissora 10News, de San Diego: quando era aluno de escola primária, John começou a apresentar problemas de aprendizado.
O menino contou com a conivência dos pais e dos professores, que o passavam de ano. "Quando eu tinha 8 anos, eu rezava na hora de dormir 'Deus, por favor, amanhã, quando for a minha vez de ler em sala, faça-me ler'". Mas o milagre não acontecia. O milagre da leitura, porque o da aprovação sempre aparecia ao fim do ano letivo. Por causa de problemas psicológicos e comportamentais, o pequeno Johnnie tinha suas deficiências acobertadas e sempre avançava.
John também contribuiu, aprendendo a disfarçar sua condição iletrada. Arrumava problemas em sala de aula e passava boa parte do tempo no escritório do diretor. Em 1956, ele recebeu o diploma da Palo Verde High School, em Blythe.
E John chegou à universidade, em El Paso. Lá aprimorou suas técnicas para burlar o sistema. Ele roubava provas e convencia colegas a completar suas tarefas. Trapaceiro virou o sobrenome de John.
"Eu não podia ler palavras, mas podia ler o sistema e as pessoas", disse.
Em 1961, John se tornou bacharel em educação. Educação!!!!! Mesmo analfabeto...
"A prefeitura de El Paso dava a quase todos os graduados um emprego", explica John.
Durante 17 anos, mesmo sem juntar lé com cré, o americano deu aulas em uma escola secundária de Oceanside.
A tática de John: ele desenvolveu um técnica de ensino baseada nos recursos oral e visual. Um gênio, não?
"Não havia uma palavra escrita por mim em sala de aula. Eu sempre tinha dois ou três professores assistentes para escrever no quadro e ler o boletim", conta.
Em um determinado momento, a farsa ficou insuportável e John pediu licença da escola, Ele se trancou com uma tutora voluntária, de 65 anos. Depois de um ano, já sabia ler. Pelo menos tanto quanto os seus alunos.
O americano já escreveu dois livros e criou a Fundação John Corcoran, que ajuda analfabetos a terem uma melhor oportunidade na sociedade.
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Educação
Os êxitos de Morales e dos Povos Originários da Bolívia
Se você, caro leitor, tiver algum interesse em saber o que está se passando na Bolívia - reparem que estou falando de um país vizinho, e não de uma república a milhares de quilômetros de distância - vai se dar conta de que as notícias são um tanto escassas. Isto só reforça aquela ideia, que já comentei aqui, que dá conta do desinteresse brasileiro por seus vizinhos. Seja como for, se soma a esse desinteresse, "tradicional" o fato de que no país vizinho está acontecendo um processo político da maior relevência capitaneado por uma liderança oriunda do movimento popular.
Os êxitos recentes da gestão Morales apontam para uma transformação que transcendem, ao meu ver (alguns cientistas políticos têm insistido nisso) os limites da Bolívia. Refiro-me aqui ao novo conceito de "estado plurinacional". María Teresa Zegada é uma socióloga boliviana que tem chamado a atenção para esse novo fenômeno. Segundo ela "a plurinacionalidade emerge como um dos elementos mais importantes do novo Estado. Todo o texto constitucional está atravessado pela plurinacionalidade e isso posibilitará que na Bolivia aumente o graude de participação política”. Ora, isso não é pouca coisa, pois esse novo estado viabiliza um novo protagonismo político naquele país. É uma democracia que se contrói no respeito as diversidades étnicas e dá voz a contingentes histpricamente excluídos das decisões políticas. E é uma inflexão no próprio ser do estado nacional moderno, pois como muitos sabem, este estado se cosntruiu ocultando as diversidades étnicas na mesma medida em que subalternizava os grupos mais "fracos".
Se engana também quem pensa que isso é uma medida populista, como gosta de falar nossa imprensa, mas sim fruto de um longo processo de disputas socais levadas a cabo pelo povo boliviano. Esta mesma imprensa tratou de nos ocultar, por exemplo, a luta dos bolivianos contra a privatização da água (uma parte dessa luta pode ser vista no vídeo sobre Milton Santos, feito por Sílvio Tendler). Nos ocultaram também a luta desse mesmo povo por uma nova constituição. Uma constituição que desse conta do novo protagonismo político em curso no país. Tudo isso foi feito em meio a tentativas da elite locar de desestabilizar o governo, tentativas de golpes, etc.
Por tudo isso, Evo Morales é visto apenas como aquele que está concretizando, ou viabilizando politicamente toda uma série de demandas dos chamados Povos Originários da Bolívia. A justeza dessas demandas e a sintonia que elas têm com os interesses do povo boliviano, possibilitou a vitória de Morales em todas as disputas de que participou. E todas elas com uma margem expressiva de mais de 60%. Foi isso que aconteceu no mais recente pleito boliviano, que o consagrou com quase 65 % dos votos, fazendo-o vitorioso já no primeiro turno.
Só nos resta, daqui do Brasil, saudar entusiaticamente a vitória dos Povos Originários da Bolívia representada na vitória do presidente Morales.
Para saber mais siga este link:
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eleições bolivianas,
Evo Morales
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A contra-revolução jurídica
Muitos analistas de política têm apontado um recrudescimento do papel da política no cenário das disputas sociais, após um longo processo de esvaziamento da mesma. Este esvaziamento teria surgido no horizonte social em função de uma espécie de refluxo, por conta, em parte, de derrotas do movimento social nas décadas de 1970 e 1980. Este período corresponde, grosso modo, ao triunfo da vaga neo-liberal. Pretendia-se, num viés explicativo, demonstrar o esboroamento das lutas sociais, ou de qualquer necessidade de se orientar as demandas sociais através de conflito. O que restaria aos insatisfeitos era se adequar aos novos tempos, ou em outras palavras, ao mercado. E mais, essa adequação se daria de forma atomizada, ou seja, cada um por si e salve-se quem puder. Era o fim da história...
Pois então, o tal recrudescimento da política entra no cenário latino-americano (ou Abya Yala, ver artigo de Carlos Walter aqui no blog), no final da década de 1990 e início do novo século, com a chegada ao governo, de forma democrática, de grupos até então estranhos ao poder nesse continente. Foi o caso das eleições de Hugo Chávez, Lula, Evo Morales e outros. Esses novos personagens vão de alguma forma politizar a política e produzir uma nova agenda, ferindo, muitas vezes, os interesses dos grupos tradicionalmente hegemônicos do continente. Surge um novo empoderamento.
Mas é óbvio, por outro lado, que os tradicionais donos do poder não iam simplesmente se retirar do jogo político ou aceitar pacificamente as novas agendas, etc. etc. etc. E é sobre isso que o professor Boaventura de Souza Santos nos fala em um belo artigo: "a contra-revolução jurídica". Nesse artigo elenos fala de como o conservadorismo ferido no campo político e perdendo cada vez mais seu poder de convencimento, se aloca no campo judiciário, para dali perpetrar seus gestos políticos. Ele fala de um acorde tácito, que sinceramente, eu desacredito. Pelo menos em alguns casos.
Siga o link abaixo e leia na íntegra o texto do professor Boaventura:
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