sábado, 19 de junho de 2010

Ponto para a seleção argentina

Nos últimos dias tenho visto várias indicações para o prêmio nober da paz. Vi uma campanha que indica as mulheres africanas; vi a indicação do presidente Lula; e vi também a indicação do grupo argentino "Avós da Praça de Maio". Creio que todos mereçam. Mas o que pretendo registrar aqui é que a seleção argentina entrou em campo para um de seu jogos (acho que foi no primeiro contra a Nigéria), fazendo uma campanha em favor das argentinas (foto abaixo) e a foto sofreu o bloqueio dos grande meios de comunicação. Parece que também foi retirada do site youtube. Registremos o ponto positivo de "los hermanos", principalmente quando pensamos em nossos craques preocupados em manifestar suas "crentinices".

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago, um verdadeiro imortal!

É até difícil acrescentar mais alguma coisa a tantas declarações já feitas sobre o falecimento do grande escritor português José Saramago. Muito já foi dito inclusive sobre sua grandeza, para além do talento de escrever belos romances, em emprestar seu prestígio, sua sensibilidade e sua inteligência às boas causas do seu tempo. Como homenagem desse blog a essa grande personalidade do nosso século eu destaquei seu depoimento do documentário "Língua, vidas em português", no qual o escritor declara seu amor à língua portuguêsa.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Gramática brasileira

Alguns linguistas têm dito que é correto afirmar que existe uma língua brasileira. Não aprofundo a discussão por absoluta falta de competência, mas gosto de acompanhar as discussões. Quando li essa afirmação num texto do professor e linguista Marcos Bagno me lembrei de pronto de um samba de Noel Rosa chamado "não tem tradução". Lá pelas tantas diz o poeta: "Tudo aquilo que o malandro pronuncia / Com voz macia é brasileiro, já passou de português". Pois é, esses linguistas que estão arejando, digamos assim, as discussões em torno da norma culta e coisas afins, estão cada vez mais ganhando espaço e avançando. Mais um passo foi dado com o lançamento recente da "Gramática do Português Brasileiro" do professor Mário Perini. Ele diz que “A língua do brasileiro não é a língua que encontramos nos livros. É a língua falada pela totalidade da população, desde o trabalhador analfabeto na zona rural até o professor universitário ou o político. Na hora de conversar com os amigos, todos falamos basicamente a mesma língua”. Além de tratar das diferenças entre a língua oral e escrita, ele também discute sobre as noções do português ‘certo’ ou ‘errado’ – algo que, para ele, depende inteiramente do contexto: “A língua que eu uso para falar com amigos numa mesa de bar não pode ser a mesma que eu uso para escrever uma tese”, argumenta.
 Quem quiser pode ouvir uma bela entrevista do autor é só seguir o link abaixo:

Fé na festa – o novo álbum de Gilberto Gil

No final do mês de maio Gilberto Gil lançou mais um álbum na sua carreira: “Fé na festa”. O lançamento nesse período que antecede as grandes festas juninas não foi por acaso, pois o disco é repleto de baiões, xotes e xaxados. Não há nenhuma novidade no fato de Gil trazer em seu álbum esses gêneros musicais, pois ele sempre transitou com intimidade e maestria por essas plagas. Mas talvez o novo esteja na intensidade e quantidade em que esses gêneros aparecem. Eles dão mesmo a tônica do álbum, e nesse sentido podemos dizer que se trata de um disco “sanfônico”. O acordeom, instrumento que Gil também domina, é como uma espinha dorsal do álbum, se juntando muitas vezes a rabecas e flautas produzindo timbres muito bonitos.
                A única peça do disco que sai dessa atmosfera nordestina é a também bonita “não tenho medo da vida”, na qual Gil dialoga com uma canção de sua própria autoria intitulada “não tenho medo da morte”. Nesta última, faixa que integra o disco anterior – “Banda Larga Cordel” – Gil tematiza a morte e suas implicações sobre o próprio ato de viver. Em uma determinada estrofe ele diz: “não tenho medo da morte/
mas medo de morrer, sim / a morte é depois de mim / mas quem vai morrer sou eu / o derradeiro ato meu / e eu terei de estar presente / assim como um presidente / dando posse ao sucessor / terei que morrer vivendo sabendo que já me vou”
. É sem dúvida uma bela canção.
Já neste novo disco Gil se auto-parafraseia e diz que: “Não tenho medo da vida, mas medo de viver, sim / A vida é um dado em si, mas viver é que é o nó /
Toda vez que vejo um nó, sempre me assalta o temor / Saberei como afrouxá-lo, desatá-lo eu saberei? / A vida é simples, eu sei, mas viver traz tanta dor!”
É uma toada que destoa das outras faixas, mas sem desequilibrar o todo. Destoa porque é uma das poucas, e talvez a única, cuja letra produz uma atmosfera mais reflexiva e abstrata, compondo um texto lírico-dissertativo.
Mesmo sendo um disco cuja ênfase está mais no aspecto rítmico-dançante, Gil não se desarma de seu olhar antropológico e já de início, na faixa que dá nome ao disco – “Fé na Festa”, observa os aspectos sacros e profanos contidos nas festas que constituem o calendário católico popular brasileiro. Esse já foi um tema muito estudado por figuras luminares da intelectualidade brasileira: Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Alfredo Bosi, entre outros. Diz o refrão da canção: “Festa, festa na fé
Fé, fé na festa”.
Ou seja, a festa por dentro da fé, e a fé por dentro da festa, num jogo binário-dialético de oposições complementares que vão por fim compor o tecido no qual se desenha a brasilidade tão cara a este compositor.
Há no disco algumas regravações como “no norte da saudade”, e “Dança da moda”, um delicioso clássico de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, bem como novas parcerias: “Lá vem ela”, com Vanessa da Mata e “São João carioca”, com Nando Cordel.
Gil mesmo quando redunda inventa, e vai aprendendo e ensinando na medida em que palmilha e elabora suas experiências estético-sonoras. E tem mais: quem olhar direitinho na capa do cd vai perceber que está lá, ainda que supostamente apenas como um adorno gráfico, uma figura do trigrama (conjunto de três linhas) chinês que compõe o I ching – O livro das mutações. E por coincidência ou não, o trigrama que lá está tem como imagem natural o céu, e como definição qualidades que poderiam facilmente estar associadas a Gilberto Gil: Criatividade, força e iniciativa.

A visão privatista na educação pública carioca.

Há uma tendência contemporânea, no que tange a educação pública, de responsabilizar os professores pelo insucesso nesta área. Não acho que não haja problemas, e claro que é preciso discutir e refletir sobre as ações docentes. Mas não se pode confundir isto com o que é veículado pela grande imprensa ou por alguns gestores públicos, que joga nas costas dos professores toda a responsabilidade pelo que acontece na educação pública. A sanha privatista, por incrível que pareça, ainda faz a cabeça de muita gente, e nesta área o viés privatista se expressa de forma diferente do que vimos na década de 1990 no Brasil. Nesse novo momento a privatização, e falo especificamente com relação à educação, não se daria com a privatização das redes públicas e a concomitante cobrança de mensalidades etc. Até porque isso esbarraria na constituição brasileira. O viés privatista está no "filé mignon", ou seja: institutos ligados a educação seriam contratados para promover ações no sentido de fiscalizar e avaliar as ações educativas e propor mudanças. Isso foi muito comentado na rede municipal do Rio de Janeiro, quando da entrada da secretária Cláudia Costin, e na época o Instituto a ser contratado era o Instituto Airton Sena, se não me engano. Agora está em curso, segundo uma diretora do Sepe (Sindicato dos Professores das redes públicas do Rio de Janeiro) um plano de "espionagem", que colocaria dentro da sala de aula uma espécie de fiscal para fotografar as aulas e a partir disso diagnosticar os problemas pedagógicos. Leiam a mensagem de Edna Félix, diretora do Sepe RJ - Regional III.
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Inicia-se em escolas públicas do Município do Rio de Janeiro mais um instrumento de coação e assédio aos profissionais de sala de aula. Com o objetivo de tentar demonstrar a ineficiência do professor, Cláudia Costin inaugura agora o chamado método Stalling. Consiste em enviar um observador para as salas de aula, que fotografará 10 momentos da aula por 15 segundo para, segundo eles, medir o tempo usado em classe para a construção do conhecimento. Ainda segundo a secretária, o objetivo é utilizar o método da observação para ajudar a desvendar a caixa preta da sala de aula e melhorar a performance do professor. Então façamos algumas observações.

   1. Em primeiro lugar não precisa gastar a fortuna que certamente será paga a Fundação Lemann, empresa responsável pelo projeto, para  ter esta informação sobre a sala de aula. Basta uma pesquisa com os próprios professores. Mais uma vez, no lugar de gastar diretamente na educação pública, o governo vai repassar nossas verbas à iniciativa privada.
   2. Dito isto, vamos então ao que de fato pode melhorar a performance do professor: Menos alunos em sala de aula, tempo para planejamento, contratação de mais profissionais, presença de profissionais como psicólogos, assistentes sociais e outros para acompanhar os problemas dos alunos, aumento salarial para que o professor não precise fazer duplas, triplas e muitos outros etecéteras.
   3. O artigo 5º, da Constituição garante  o direito de imagem é inviolável, assim como  a proteção à reprodução de imagens.
   4. O constrangimento que este projeto criará em nossas aulas também está previsto no código penal.
   5. A presença de pessoas estranhas em nossas aulas, sempre dispersa a atenção dos alunos prejudicando assim o desenrolar das mesmas.

Mas o objetivo verdadeiro que vem desenvolvendo a senhora Costin é o de privatizar a educação no nosso município, favorecendo amigos empresários. E para isso precisar provar o quanto somos “incompetentes” . Desqualificar nosso trabalho e destruir qualquer possibilidade de reação de nossa categoria.

Nós não podemos permitir!

Por isso professor, não se intimide. Você não é obrigado a aceitar em sua sala de aula, ninguém que vá fazer o trabalho de espionagem, rompendo com princípios de sua autonomia e com aqueles que regem a constituição brasileira. E se houver qualquer tentativa de coação, assédio moral no sentido de te obrigar a aceitar esta violação a seus direitos. Ligue para o SEPE, chame o seu representante.




segunda-feira, 14 de junho de 2010

cobertura jornalística da Globo

  A campanha ainda nem começou oficialmente e já dá vários sinais interessantes. Vejam só o que eu flagrei no último sábado dia 12 de junho no Jornal Nacional. Este noticiário fez uma cobertura das eleições 2010 e focalizou os dois primeiros colocados nas pesquisas. Só que na cobertura da campanha da Dilma o tempo foi de apenas 41 segundos, enquanto que a cobertura do candidato Serra o tempo foi de, pasmem, 4 minutos e 51 segundos. Sem contar que na matéria sobre o PSDB o tom era de material de campanha. Coisas como "o menino pobre que vendia laranjas". Uma verdadeira peça publicitária! Como é do meu costume, enviei de pronto um e-mail para a redação e, confesso, nem esperava resposta. Mas me surpreendi com uma mensagem da redação do jornal. Claro que não acredito na seriedade do que foi dito, mas é interessante também notar o procedimento da Rede Globo, pois com essa resposta ela cria uma imagem de acessível, democrática ou coisa parecida. Digo isso porque várias vezes enviei mensagens a outras redes e não obtive nenhuma resposta. 
  Abaixo segue a minha mensagem e a resposta da emissora, e também posto aqui o site do jornal para quem quiser conferir as matérias as quais me referi.

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De: MORENO <morenoricmelo@gmail.com>
Sábado, 12 de Junho de 2010
Assunto: JORNAL NACIONAL - CRÍTICA - 12/06/2010

a cobertura feita hj no JN sobre os candidatos a presidência da república foi absolutamente tendenciosa. Creio que como consumidor de informação e cliente desse jornal, estou sendo desrespeitado. O tempo dedicado ao candidato Serra foi imensamente maior do que o tempo dedicado a candidata Dilma. Além do conteúdo: a cobertura de Serra parecia campanha eleitoral - Menino pobre vendendo laranja, etc, etc,. Horrível isso, hein!!! Péssimo jornalismo!!

Resposta do Jornal Nacional:
Moreno

Respeitamos sua opinião e crítica. Suas considerações serão levadas ao conhecimento da direção do programa.


Cordialmente
Rede Globo - A gente se vê por aqui.

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link para jornal nacional do dia 12 de junho:

domingo, 13 de junho de 2010

começam os apoios a candidatura Dilma


 Chico Buarque, com sua declaração de voto em Dilma, abriu a temporada de apoios a candidata petista. Vejam quem mais a apoia.





 Aluíso Teixeira reitor da UFRJ: “Nós que vivemos dentro da universidade os oito anos do governo anterior sabemos do impacto trazido pelo atual governo. A universidade brasileira está se transformando. Quando eu assumi a reitoria há sete anos, o orçamento da UFRJ era de pouco mais de R$ 40 milhões, sem um centavo para investimento. Neste ano de 2010, ele é superior a R$ 200 milhões, com R$ 30 milhões destinados a investimento”
                                                                              
 










Vanderley Luxemburgo Técnico de Futebol: "Eu sempre digo que o medo de perder tira a vontade de ganhar. Então com certeza sua vontade de ganhar esta muito acima do medo de perder e nós vamos ganhar essa."





 

José de Abreu, ator: "Para continuar o governo o melhor governo que o país já teve, para continuar a erradicação da pobreza, porque a Dilma é uma das pessoas mais inteligentes e cultas que conheço, porque a Dilma tem experiência ímpar, porque está na hora, depois de eleger um operário nordestino, de eleger uma mulher. Eu ficaria aqui uns 15 dias dando motivos. Vamos para rua. A gente tinha que reviver para quem não viu a campanha de 89, botar vermelho e ir para rua festejar. A gente não teve medo de ser feliz e não vai ter medo de continuar essa felicidade que o Brasil está vivendo. Agora é Dilma, vamos lá..."                                      

Ivan Illich e o mundo sem escolas

A tese é arrojada e certamente inviável, mas certamente podemos tirar das ideias de Ivan Illich algumas inspirações para práticas no campo da educação. Vejam o filminho feito pela TV Cultura.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Filhos de dona do Clarín fazem exame para comparar com DNA de desaparecidos

Durante a ditadura, muitos filhos de prisioneiros políticos foram sequestrados e entregues clandestinamente a militares ou a simpatizantes do regime. Estima-se que 500 crianças tenham sido separadas dos pais

Por Daniella Cambauva*

Após quase nove anos de disputa judicial, os filhos adotivos de Ernestina Herrera de Noble, a principal acionista do Grupo Clarín, farão exame de DNA amanhã para averiguar se foram adotados ilegamente.

A verdadeira identidade de Felipe e Marcela Herrera Noble é questionada por algumas organizações defensoras de direitos humanos na Argentina, principalmente a Associação das Avós da Praça de Maio, que afirmarm que os dois são filhos de desaparecidos da última ditadura militar na Argentina (1976-1983).

Durante a ditadura, muitos filhos de prisioneiros políticos foram sequestrados e entregues clandestinamente a militares ou a simpatizantes do regime. Estima-se que 500 crianças tenham sido separadas dos pais na Argentina na época. Se for comprovado que Felipe e Marcela foram sequestrados, Ernestina Herrera de Noble pode ser presa.

Segundo o jornalista argentino Horacio Verbitsky, criador do diário Página 12 e uma das principais figuras da luta pelos direitos humanos no país, o resultado pode ficar pronto entre 20 e 45 dias.

Com a última decisão da Suprema Corte de Justiça, Felipe e Marcela serão obrigados a comparar as amostrar de DNA com as demais armazenadas no Banco Nacional de Dados Genéticos.

Desde 2001, quando começaram as acusações, eles se recusam a fazer o exame. A questão deixou de ser opcional em novembro de 2009, quando o congresso argentino aprovou uma lei de exame compulsório de DNA. A mudança na legislação tornou inviável a postura dos filhos.

Desde então, a Justiça argentina já determinou que os dois fizessem o exame duas vezes, mas eles recorreram em todas.

Documentos ilegais - Mesmo sem a realização de exames, em dezembro de 2002, o juiz Federal Roberto Marquevich ordenou a prisão de Ernestina por conta de irregularidades encontradas nos documentos de adoção.

Segundo os documentos da época, em 13 de maio de 1976, Ernestina se apresentou diante da Justiça em San Isidro, com um bebê a que chamou de Marcela. Disse que a havia encontrado onze dias antes em uma caixa abandonada na porta de sua casa. Ela ofereceu como testemunhas uma vizinha e o caseiro da vizinha, cujos depoimentos foram desmentidos em 2001.

No caso do Felipe, ela declarou que foi entregue em 7 de julho de 1976, pela suposta mãe, Carmen Luisa Delta, que não podia ficar com o bebê. No mesmo dia, sem dispor de provas determinando as circunstâncias do nascimento, uma juíza concedeu a segunda guarda a Ernestina. A Justiça descobriu, anos depois, que Carmen nunca existiu.

matemática do Serra.

Não pude me conter quando vi esse vídeo no Youtube. A propósito não vi nenhum comentário da imprensa sobre esse "deslize" do candidato. Tudo bem que é uma bobagem, principalmente quando se compara aos petardos que virão por aí no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., mas talvez o tratamento fosse outro caso o envolvido na besteira fosse outro candidato (ou candidata). O vídeo foi uma colaboração do amigo Alfio.

Estado Assassino: Inexplicável? -

  Por Juan Gelman

Circulam várias hipóteses sobre a razão da operação militar israelense que causou a morte de 9 a 16 passageiros do barco de bandeira turca Mavi Marmara, dezenas de feridos, e o seqüestro da frota que transportava 10 toneladas de ajuda humanitária para Gaza – sob bloqueio desde 2007 e invadida em 2008 -, além da detenção de quase 700 pessoas, postas em liberdade após sofrer vexames de todo tipo. As explicações oficiais de Tel Aviv são inquilinas do ridículo: os agredidos são agressores e os agressores, agredidos; os levados à força para Israel são imigrantes ilegais, aqueles que socorrem palestinos com fome são cúmplices do Hamas primeiro, terroristas do Hamas depois, etc. É velha, muito velha, a tática de vitimização do carrasco.

O primeiro ministro Netanyahu justificou o ataque dizendo que é preciso evitar que o Hamas receba armas por “ar, terra e mar” – desviando-se do fato de que o Hamas recebe essas armas por túneis - e que nenhum protesto o levará a levantar o bloqueio contra Gaza. Essa é a questão de fundo: Tel Aviv não renunciou ao sonho da Grande Israel e o cerco imposto a Gaza prejudica, mais do que ao Hamas, a seus habitantes, que já sofreram a Operação Chumbo Derretido que tirou a vida de 1.300 civis palestinos. Isto, falando claramente, chama-se limpeza étnica e sua história também é velha.

O ideólogo do movimento de direita denominado Sionismo revisionista, Zeev Jabotinsky, declarou há 87 anos que a única maneira de impor o Estado judeu era esmagando os árabes. Não é de se estranhar, portanto, que Ron Torossian, organizador da manifestação “Estamos com Israel”, realizada em frente à missão da Turquia na ONU, repetisse essa opinião: “Creio que devemos matar cem ou mil árabes por cada judeu que eles matam”. Por que não 100 mil ou 1 milhão? Por acaso Ariel Sharon não foi responsável, em 1982, pela ação de uma milícia que resultou na matança de quase 500 civis palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila? Se isso é ideologia será preciso mudar a definição da palavra “ideologia”.

O governo israelense parece guiado por outro conceito central de Jabotinsky: “Sustentamos que o sionismo é moral e justo. E dado que é moral e justo, é preciso fazer justiça ainda que José ou Simão, ou Ivan ou Ajmed, não estejam de acordo”, afirmou em um ensaio publicado na revista russa Raavyet, em novembro de 1923. Carlo Strenger, professor da Universidade de Tel Aviv, chamou de “mentalidade de bunker” aquela imperante hoje no país: Israel “não escuta a crítica, seja interna ou externa. Essa incompetência é reforçada pela soberba: Israel está apaixonado pela idéia de que tem razão e que todos os demais estão errados; portanto, é incapaz de admitir que a política que aplica aos palestinos foi desastrosa”. Strenger cita o filósofo francês Bernard- Henry Lévy, um fervoroso defensor de Israel, que chamou de “autismo político” este pensamento que atribui aos dirigentes israelenses: “O mundo não nos entende e nos condena se fazemos algo e nos condena se não fazemos. De modo que fazemos o que queremos”. Jabotinsky redivivo.

Os EUA sempre forneceram o espaço internacional necessário para que essa vontade se cumpra acima de qualquer coisa. “A única democracia na região”, segundo a Casa Branca, não vacila em espionar o governo estadunidense neste contexto de “fazer o que bem entender”. A reação de Obama frente ao ataque ao navio turbo e ao banho de sangue que se seguiu foi débil. Sequer condenou o ataque, pedindo apenas um esclarecimento dos fatos e aceitando que Tel Aviv rechaçasse a instalação de uma comissão investigadora internacional. O presidente norte-americano se converte assim em cúmplice da não- investigação que será feita. O presidente Joe Biden divulgou uma espécie de posição oficial sobre o tema: defendeu o bloqueio de Gaza e disse que Israel “tinha o direito a saber” qual era a carga do navio. Cabe lembrar que Netanyahu deu uma bofetada política em Biden quando este visitou-o em março passado: o vice foi visitá-lo para impulsionar o processo de paz com os palestinos e o primeiro-ministro anunciou a construção de 1.600 edifícios novos em território palestino ocupado. Vê-se que Biden é um homem que sabe perdoar. É improvável que se produzam mudanças na estreita e muito íntima relação EUA-Israel.

Cabe reconhecer que, ao contrário de Tel Aviv, Washington não tem problema em abandonar seus cidadãos em apuros, Cerca de 10 estadunidenses viajavam no comboio de ajuda humanitária a Gaza, entre eles, Joe Meadors, marinheiro da fragata USS Liberty, bombardeada por aviões e lanchas lança-torpedos de Israel em 1967; Ann Wright, coronel do Exército dos EUA, Edward L. Peck, ex-subdiretor do grupo de tarefas antiterroristas do gabinete de Reagan. Todos terroristas, naturalmente.

(*) Poeta, escritor, tradutor e jornalista argentino, vencedor do Prêmio Cervantes 2007 e do Prêmio de Literatura Latino-Americana e das Caraíbas Juan Rulfo, entre outros.

Tradução: Katarina Peixoto

Divulgando ato de repúdio ao Estado de Israel


ATO DE REPÚDIO A ISRAEL
ATO DE REPÚDIO A ISRAELDIA 8 DE JUNHO -
A PARTIR DAS 15 HORAS NA CINLELÂNDIA
Pela Palestina Livre, laica e democrática
Pelo fim do massacre contra o Povo Palestino
E pelo fim do cerco a Faixa de Gaza
O Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro convoca todos os internacionalistas, as organizações que compõem o Comitê, as Centrais Sindicais a população do Rio de Janeiro, em geral, para manifestar nosso veemente repúdio diante do brutal e terrorista ataque promovido pelo Estado de Israel contra a flotilha internacional de solidariedade ao Povo Palestino.
Israel chocou o mundo pela brutalidade e covardia com o assassinato de dezenas de pacifistas de diversas nacionalidades que se solidarizaram contra o bloqueio a Gaza. A mesma brutalidade e covardia que emprega há 62 anos contra o povo palestino para usurpar suas terras, culturas e vidas.
Nesse sentido, convocamos todos os movimentos sociais para manifestar sua indignação no Ato Público na Cinelândia no dia 08 de junho de 2010 (terça-feira).
Data: 08/06/2010 Horário: 15 Local: Cinelândia (Centro do RJ)
POR UMA PALESTINA LIVRE, LAICA E DEMOCRÁTICA
Pela Libertação de Todos os Territórios Árabes ocupados por Israel
Pelo fim do Bloqueio de Israel a Faixa de Gaza
Pela condenação de israel pelos crimes de Guerra de Israel
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro

domingo, 6 de junho de 2010

Ilusão de ótica

Efeitos visuais de imagens que provocam ilusão de ótica. Interessante!

sábado, 5 de junho de 2010

Celso Amorim no Roda-Viva

 Segunda-feira, dia 07 de junho, o entrevistado do programa roda-viva, da TV Cultura e retransmitido pela TV Brasil, será o Celso Amorim, ministro das relações exteriores do governo Lula. Abaixo o texto de apresentação da entrevista.
Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores

Nações emergentes começaram a ganhar maior espaço nas discussões diplomáticas mundiais e o Brasil passou a ser um ator mais presente e atuante nesse novo cenário, inclusive como mediador de conflitos. A estabilidade econômica ajudou a colocar o país em evidência e dar maior visibilidade, participação e influência nas questões internacionais.

No mundo, a voz do Brasil passou a ter mais importância e o país ampliou as suas relações comerciais e políticas. O acordo nuclear assinado com Irã e Turquia deu um passo importante no sentido de evitar sanções ao país islâmico, mas que ainda corre o risco de acontecer já que os Estados Unidos não consideraram o acerto satisfatório.

O recente incidente em águas internacionais no Mar Mediterrâneo entre forças de Israel e a tripulação dos navios que levavam suprimentos para a Faixa de Gaza reabriu a discussão sobre os conflitos na região. As principais lideranças mundiais, incluindo o Brasil, deram as suas opiniões sobre o assunto num momento que surge um novo apelo para uma solução pacífica para o Oriente Médio.

Na América Latina, o Brasil firmou-se como líder e mediador de conflitos, mas o país aumentou a sua presença em todo o mundo. Desde 2002, o Brasil ampliou os postos espalhados nos continentes, entre embaixadas, representações, consulados e vice-consulados. De 150 postos em 2002 para 216 em 2010, com atenção especial para o continente africano, que recebeu 16 novas embaixadas, das 35 criadas.

eleições 2010

 A campanha presidencial promete esquentar logo depois da copa. Mas para aqueles que se interessam pelo tema a prévia já tá quente. É que a iminência do lançamento de um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., no qual se conta detalhes do processo de privataria levado a cabo pelo PSDB na década de 1990, está tirando o sono do candidato José Serra. É claro que os tucanos não vão entubar esta de forma pacífica, afinal eles contam com um grande aparato midiático (conhecido como PIG), que está tentando inverter a situação, afirmando que trata-se de um dossiê montado pela campanha da Dilma. Segundo Luís Nassif, em seu blog, a grande mídia não menciona o referido livro, e trata-o como um dossiê em favor da candidata petista. Nesse imbróglio todo o candidato Serra, aproveitando o que a grande mídia veicula, afirmou que o PT está por trás da montagem, fato que levouo PT a arguí-lo juridicamente. 
 Alguns analistas afirmam que todo esse desespero do PSDB  tem um sentido, ou melhor, é um sintoma da percepção da derrota iminente. Alguns analistas internacionais chegam a dizer, concordando com o que eu digo há algum tempo, que a vitória do PT pode se dar ainda no primeiro turno.
 É viver e ver!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Inteligência coletiva

O título desta postagem é homônimo de um livro de Pierre Levy que aponta para uma percepção menos individualizada de inteligência. Em apoio a esta visão o autor desenvolve o conceito de "Ecologia cognitiva", e, simplificando ao máximo, esta encontraria nas redes informáticas, ou no ciberespaço, um lugar privilegiado de desenvolvimento e construção. Mas ressalte-se, e ele faz questão de frisar isto, que este ciberespaço não seria apenas um meio pelo qual os conhecimentos se espraiariam. Não! Esta estrutura tecnológica seria um agente ativo, possibilitando a emergência de uma nova cultura construída coletivamente - a cibercultura.
Passeando pela rede encontrei o "Coleções nerds", blog de um jovem potiguar e aluno de filosofia, que digitaliza e disponibiliza na rede uma série de livros de filosofia, história da filosofia, sociologia e mitologia. É um verdadeiro espírito de colaboração, e sem dúvida muito útil para pesquisadores e interessados em geral. Ponho um link abaixo para todos que se interessem por este tema.

http://colecoesnerds.weebly.com/index.html

vocês têm um papel muito importante no mundo!!

Em uma entrevista recente o diretor de cinema Oliver Stone, que está no Brasil para lançar seu filme "Ao sul da fronteira", no qual investiga a nova configuração política na América Latina, fala a respeito da presidenciável Dilma Roussef e de seu interesse em conhecê-la. Stone parece estar, como muitas pessoas hoje no mundo, compreendendo as novas configurações políticas e o papel extraordinário do Brasil nesse novo momento planerário. Parece também estar consciente do papel que o Brasil joga nesse cenário, é fruto da administração Lula e das orientações que emergem desse governo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Antônio Nóbrega

Antônio Nóbrega é o Brasil profundo! Sem xenofobia ou qualquer coisa parecida. No momento em que postava esse vídeo reparei que não tinha ainda postado nada dele. Um erro que agora reparo.

Mente brilhante: desenvolvendo a genialidade

Este é um documentário sobre a vida de Susan Polgar, a primeira mulher enxadrista, quer dizer, a primeira mulher mestre em xadrez. Sua história é muito interessante, pois é o caso de uma genialidade desenvolvida a partir das teses do seu pai. Ele acahava que qualquer criança poderia desenvolver uma habilidade extraordinária,e para isso era necessário que se observasse qual a tendência que a criança manifestava. O fato é que o pai de Susan praticou sua teoria na própria filha, e o resultado parece ter sido interessante, a se levar em consideração o conteúdo do documentário.


sábado, 29 de maio de 2010

O meu capitão não aceita a ordem de matar!

O texto abaixo foi escrito para o site do grupo Tortura Nunca Mais. Essa é uma das histórias que devem ser contadas aos mais jovens, para que se tenha sempre em mente até onde um regime autoritário pode chegar. Logo em seguida do texto segue um vídeo com uma música, que me parece ser de autoria do Chico Buarque. Quem canta é o próprio Chico com a Joyce. e é uma gravação da década de 1980. Já perguntei a várias pessoas se conheciam essa música e muitos me responderam que não. Então é uma boa ocasião para conhecer.

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  Era uma vez um homem, um militar completo, um herói que vivia na selva, comandando o PARASAR, abrindo fronteiras e salvando vidas. A selva era a sua casa, com tamanha desenvoltura que lhe valeu o apelido carinhoso de “macaco” entre seus companheiros. Os índios o chamavam de Nhambiguá Caraíba, homem branco bom. Seu nome era Sérgio e era capitão, quando o mal lhe cruzou o caminho. 
  A Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, guerreiro sem medo, pediram que matasse inocentes, que derramasse sangue. Um brigadeiro assassino ordenou-lhe que explodisse um gasômetro, trucidasse estudantes, atentados terroristas que desencadeariam um verdadeiro massacre em resposta a um suposto golpe atribuído a “comunistas”.

   A proposta desse assassino fardado não era nova nem original. Já funcionara na Alemanha, sob o nazismo, quando atrocidades inomináveis foram cometidas e justificadas por militares e civis sob a alegação de estar apenas “cumprindo ordens”.

Sergio era de outra estirpe. Com a coragem, determinação e desassombro de quem tem alma e caráter disse não ao criminoso e evitou o que poderia ter sido a maior tragédia humana de nossa História. A ira dos criminosos no poder caiu sobre ele como um raio. Tiraram-lhe quase tudo. Não adiantou figuras históricas como o Brigadeiro Eduardo Gomes, lutarem por ele e tomarem a sua defesa. O arbítrio e o crime mandavam naquele triste Brasil dos anos de chumbo.

Sérgio perdeu a farda, o trabalho e a alegria. Só não puderam quebrar sua integridade e honra, sua firmeza de homem e soldado, um soldado que dizia preferir a pior das democracias à melhor das ditaduras.

Sérgio jamais pleiteou anistia por considerar que anistia é esquecimento, perdão, e julgava – com absoluta razão – que seu gesto de resistência, sua desobediência a uma ordem criminosa eram exemplos a serem seguidos.

Exemplos de predomínio do bem e da consciência sobre o crime e a cegueira. Se ao longo da história, tivéssemos tido mais Sérgios quantos crimes não teriam sido evitados?

Só os grandes homens tem coragem de resistir como ele resistiu. Sergio lutou incansavelmente e até o final de sua vida pela justiça que lhe era divida. Foi derrotado pela doença e morreu sem poder ver a sua vitória, devido à pequenez de um presidente da república: Itamar Franco, que – mesmo sabendo que o capitão estava ferido de morte, acometido de um câncer terminal – e tendo o decreto promovendo-o a brigadeiro sobre a sua mesa, esperou a morte do herói para assiná-lo. Tal é a pequenez de alguns homens deste grande país.

É este grande homem, Sérgio, este brasileiro ímpar, este companheiro de todos nós que estamos homenageando aqui hoje. Homens como o brigadeiro Sergio Ribeiro Miranda de Carvalho, o imortal Sérgio Macaco, estarão para sempre vivos nos corações e mentes da nação brasileira. Saudemos o glorioso capitão da vida. Capitão Sérgio Presente!

Fritz Utzeri