Há anos atrás um amigo me falou sobre um fenômeno acústico chamado cimática, em inglês cymatic. ele estava muito interessado no assunto, e pensava mesmo numa pesquisa mais aprofundada. A questão é a seguinte: os padrões vibratórios de uma frequência quando inserida em um determinado meio, faz com que os materias envolvidos tendam a se agrupar de uma forma organizada produzindo com isso formas geométricas muito bonitas. Na verdade nem toda frequência produz esse efeito, mas muitas produzem figuras simétricas como mandalas ou yantras. Se as frequências têm essa capacidade de interferir na matéria, elas também poderiam interferir na nossa própria matéria corporal. Enfim, dá pra viajar pensando em múltiplos usos, tais como: saúde, educação, psicologia e etc. Vejam abaixo o vídeo de uma experiência.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Pelo 2º ano, Brasil lidera ranking de combate à fome
Eis aqui uma matéria veiculada pela BBC Brasil que dá conta de um ranking elaborado pela ONG ActionAid, que mede os esforços dos países para superarem o flagelo da fome. Pelo segundo ano consecutivo o Brasil ficou em primeiro lugar. São episódios como estes que nos leva a concordar como o presidente do IPEA Márcio Pochmann que algum tempo atrás afirmou que a continuar os programas de transferência de renda levados a cabo pelo governo Lula, em vinte anos poderemos nos considerar um país justo. Ainda com problemas, é claro, mas já em um patamar mais civilizado. Segue a matéria.
Em tempo: algumas pessoas, poucas é verdade, insistem que esses programas não passam de meras esmolas. Será???
Pelo 2º ano, Brasil lidera ranking de combate à fome
O Brasil lidera, pelo segundo ano consecutivo, um ranking da ONG ActionAid que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza.
O novo ranking foi divulgado nesta terça-feira no relatório Who’s Really Fighting Hunger? (Quem realmente está combatendo a pobreza?), em que a ONG analisa os esforços em 28 países para combater o problema.
A ONG considerou o desempenho dos países em categorias como presença de fome, apoio à agricultura em pequenas propriedades e proteção social.
O Brasil é seguido por China e Vietnã. Em último na lista está a República Democrática do Congo.
Pequenas propriedades
Como em 2009, a ActionAid elogia as políticas sociais adotadas pelo governo federal para reduzir a fome no país, destacando os efeitos benéficos de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero.
Entretanto, o relatório destaca o pequeno avanço do Brasil, em relação aos demais países emergentes estudados, na adoção de políticas de incentivo à agricultura em pequenas propriedades.
Nesse quesito, o documento coloca o Brasil na 26ª posição entre os 28 analisados, à frente apenas da República Democrática do Congo (27º colocado) e de Guatemala (28º).
“O governo (brasileiro) começou a investir muito mais na agricultura em pequenas propriedades. Entretanto, ainda há um longo caminho para acabar com a fome e reagir às imensas desigualdades históricas que existem entre os pequenos e grandes produtores”, diz o relatório.
“O Brasil tem tido a tendência de concentrar seu investimento em agrobusiness, o que contribuiu para a concentração de terras nas mãos de um pequeno número de pessoas.”
“O governo brasileiro (...) precisa evitar a promoção de biocombustíveis às custas da segurança alimentar, pois a expansão dos biocombustíveis está elevando o preço da terra e transformando plantações em combustível”, diz o texto.
Prejuízo
O relatório da ActionAid também destaca que a fome causa um prejuízo anual de US$ 450 bilhões para os países mais pobres.
Segundo a ONG, dos 28 países emergentes analisados no relatório, apenas oito estão a caminho de conseguir cumprir, no prazo previsto, as metas de desenvolvimento do Milênio da ONU para a redução da fome. As metas preveem que, em relação aos níveis de 1990, os países diminuam pela metade o número de pessoas subnutridas e de crianças que estão abaixo do peso ideal até 2015.
“Lutar contra a fome agora vai custar dez vezes menos do que ignorar o problema. (Por causa da forme), todos os anos, a redução da produtividade dos trabalhadores, os problemas de saúde e a oportunidade perdida de buscar educação resultam num custo de bilhões para os países pobres”, disse a presidente da ActionAid, Joanna Kerr.
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governo Lula
sábado, 11 de setembro de 2010
11 de setembro
Em seu belíssimo livro "história e memória", Jacques LeGoff nos diz, entre tantos achados interessantes, acerca de disputas que se travam dentro das sociedades de todos os tempos, sobre o que se deve ou não lembrar. Há uma espécie de disputa no plano simbólico para que determinadas coisas não sejam esquecidas. Mas como as sociedades são, com exceção das sociedade sem classes, formadas por agrupamentos diferentes (classes, estamentos, tribos, etc) a disputa se dá no sentido de que os vários atores tentam fazer com que suas memórias mais caras sejam aquelas a ser celebradas pelo conjunto. Estou falando tudo isso para me referir a data 11 de setembro. Neste dia, em 2001, como todos sabem, ocorreu uma tragédia nos EUA. Dois grandes prédios da cidade de Nova York foram atacados por aviões que se chocaram contra eles matando milhares de pessoas.
Acontece que na mesma data 28 anos antes da tragédia estadunidense, em 1973 portanto, outra tragédia acontecia. Desta feita com a população do Chile, pois nesta data um governo popular, eleito e muito querido foi deposto por militares com o apoio claro dos EUA.
Recentemente 11 diretores foram chamados para realizarem curtas-metragens de 11 minutos cada, onde cada um mostraria sua própria visão acerca da tragédia ocorrida nos EUA. Segue abaixo o curta feito pelo genial diretor inglês, de quem sou fã, Ken Loach.
Acontece que na mesma data 28 anos antes da tragédia estadunidense, em 1973 portanto, outra tragédia acontecia. Desta feita com a população do Chile, pois nesta data um governo popular, eleito e muito querido foi deposto por militares com o apoio claro dos EUA.
Recentemente 11 diretores foram chamados para realizarem curtas-metragens de 11 minutos cada, onde cada um mostraria sua própria visão acerca da tragédia ocorrida nos EUA. Segue abaixo o curta feito pelo genial diretor inglês, de quem sou fã, Ken Loach.
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11 de setembro
The iPad Orchestra
Participo de uma lista de discussões em torno do tema da disciplina Etnomusicologia e lá deu pano pra muita manga a disponibilização desse video que divulgo abaixo. É sem dúvida um tema interessante: uma peça musical do século XV ou XVI executada por um grupo de pessoas que ao invés de estarem portando violinos, violas, clarinetes etc. estão na verdade com pequenos computadores na mão imitando os sons dos instrumentos, vamos dizer assim, "reais" (com bastante aspas). Um dos debatedores colocou que achava uma pena uma tecnologia hiper-moderna para executar coisas de trezentos anos atrás. De qualquer modo, essa possibilidade demonstrada pelo grupo que realiza a performance, The iPad orchestra, abre a possibilidade para outras experiências, tais como experiências formais e timbrísticas. Vejam e tirem suas conclusões:
The iPad Orchestra from Alex Shpil on Vimeo.
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música
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Mais evidências sobre o falso escândalo
O blog de Luís Nassif traz uma carta interessante escrita por Renato Machado que dá conta de uma matéria de outubro do ano passado, 2009, sobre esquemas de vazamento na Receita Federal. O texto de Renato Machado (e a matéria do SBT) nos faz compreender de que se trata de um esquema de bandidos que negociam informações sobre qualquer brasileiro - lá tinham informações sobre Guido Mantega, Lula e outros. A matéria traz inclusive um depoimento de José Serra, que na ocasião não destila nenhuma ira em relação a Dilma ou ao PT, pelo contrário, fala calmamente sobre o assunto. A hipótese então, é de que toda essa celeuma é o requentamento de uma história antiga e a atribuição do vazamento ao PT. Vejam a matéria e o vídeo:
Serra sobre o sigilo em outubro de 2009
Nassif,
Mais inacreditável do que isso é o fato de que existe uma matéria feita pelo SBT BRASIL, tratando do assunto de quebra de sigilos por uma máfia que atua em São Paulo, na qual o próprio José Serra comenta o fato do vasamento de sua declaração e de sua mulher com total calma e naturalidade, sem dizer que foi o PT, ou que é por motivos eleitorais. A reportagem ainda comenta sobre a violação de várias outras autoridades e pessoas comuns incluindo aí a própria Veronica Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher, Guido Mantega, etc..
Acho que está mais que na hora de desmascarar essa história toda! Você com sua influência estou seguro que consegue! Esse video é prova cabal de que José Serra está explorando uma mentira para ganhar terreno em uma eleição perdida para ele!
Abs,
Renato Machado
Serra sobre o sigilo em outubro de 2009
Nassif,
Mais inacreditável do que isso é o fato de que existe uma matéria feita pelo SBT BRASIL, tratando do assunto de quebra de sigilos por uma máfia que atua em São Paulo, na qual o próprio José Serra comenta o fato do vasamento de sua declaração e de sua mulher com total calma e naturalidade, sem dizer que foi o PT, ou que é por motivos eleitorais. A reportagem ainda comenta sobre a violação de várias outras autoridades e pessoas comuns incluindo aí a própria Veronica Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher, Guido Mantega, etc..
Acho que está mais que na hora de desmascarar essa história toda! Você com sua influência estou seguro que consegue! Esse video é prova cabal de que José Serra está explorando uma mentira para ganhar terreno em uma eleição perdida para ele!
Abs,
Renato Machado
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domingo, 5 de setembro de 2010
MARINA NO COLO DA DIREITA
O belo artigo abaixo é de autoria de Emir Sader e creio que ele tenha acertado na mosca quando analisa o papel que desempenha hoje a ex-ministra Marina Silva. É de fato triste ver alguém com uma trajetória tão forte do ponto de vista simbólico aderir a um ideário que vem a ser a antítese do seu movimento libertário. Enfim... leiam!
MARINA NO COLO DA DIREITA.
por Emir Sader
No Forum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, Marina propagava que ela seria o Obama da Dilma. Já dava a impressão que as ilusões midiáticas tinham lhe subido à cabeça e que passava a estar sujeita a inúmeros riscos.
De militante ecologista seguidora de Chico Mendes, fez carreira parlamentar, até chegar a Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, onde aparecia como contraponto de formas de desenvolvimentismo que não respeitariam o meio ambiente. Nunca apresentou alternativas, assumiu posições perdedoras, porque passou ao preservacionismo, forma conservadora da ecologia, de naturalismo regressivo. Só poderia isolar-se e perder.
Saiu e incutiram na sua cabeça que teria condições de fazer carreira sozinha, com a bandeira supostamente transversal da ecologia. Saiu supostamente com críticas de esquerda ao governo, mas não se deu conta – pela visão despolitizada da realidade que tem – da forte e incontornável polarização entre o bloco dirigido por Lula e pelo PT e o bloco de centro direita, dirigido pelos tucanos. Caiu na mesma esparrela oportunista de Heloísa Helena de querer aparecer como “terceira via”, eqüidistante entre os dois blocos, ao invés de variante no bloco de esquerda.
Foi se aproximando do bloco de direita, seguindo as trilhas do Gabeira – que tinha aderido ao neoliberalismo tucano, ao se embasbacar com as privatizações, para ele símbolo da modernidade – e foi sendo recebido de braços abertos pela mídia, conforme a Dilma crescia e o fantasma da sua vitória no primeiro turno aumentava.
As alianças da Marina foram consolidando essa trajetória na direção do centro e da direita, não apenas com empresários supostamente ecologistas – parece que o critério do bom empresário é esse e não o tratamento dos seus trabalhadores, a exploração da força de trabalho – e autores de auto-ajuda do tipo Gianetti da Fonseca, ao mesmo tempo que recebia o apoio envergonhado de ecologistas históricos.
O episódio da tentativa golpista da mídia e do Serra é definidor. Qualquer um com um mínimo de discernimento político se dá conta do caráter golpista da tentativa de impugnação da candidatura da Dilma – diante da derrota iminente no primeiro turno – com acusações de responsabilidade da direção da campanha, sem nenhum fundamento. Ficava claro o objetivo, típico do golpismo histórico – que vinha da UDN, de Carlos Lacerda, da imprensa de direita e que hoje está encarnado no bloco tucano-demista, dirigido ideológica e política pela velha mídia.
Marina, ao invés de denunciar o golpismo, se somou a ele, tentando, de maneira oportunista, tirar vantagens eleitorais, dizendo coisas como “se a Dilma (sic) faz isso agora, vai saber o que faria no governo”. Afirmações que definitivamente a fazem cair no colo da direita e cancelam qualquer traço progressista que sua candidatura poderia ter até agora. Quem estiver ainda com ela, está fazendo o jogo da direita golpista, não há mais mal entendidos possíveis.
Termina assim a carreira política da Marina, que causa danos gravíssimos à causa ecológica, de que se vale para tentar carreira oportunista. Quando não se distingue onde está a direita, se termina fazendo o jogo dela contra a esquerda.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Tracking Vox/Band/iG: Dilma tem 51% e Serra fica com 25%
Tracking Vox/Band/iG: Dilma tem 51% e Serra fica com 25%
Tradicionalmente usado pelos partidos políticos, levantamento será publicado diariamente pelo iG
Na primeira medição do tracking encomendado pelo iG e pela Band ao Instituto Vox Populi, a candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, aparece na liderança, com 51% das intenções de voto. O cenário, que daria à petista a vitória no primeiro turno, mostra o adversário tucano José Serra com 25%. A candidata do PV, Marina Silva, aparece em seguida, com 9%. Outros candidatos obtiveram, juntos, 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 4%, enquanto os indecisos ficaram em 11%.
O tracking, modalidade de pesquisa tradicionalmente utilizada pelas campanhas eleitorais para identificar tendências na definição do voto, será divulgado diariamente pelo iG. Apesar de o sistema ser utilizado há mais de uma década pelos partidos políticos e campanhas eleitorais, os dados tradicionalmente não entravam no rol de divulgação dos veículos de comunicação.O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. Essa renovação permite identificar rapidamente as tendências de evolução das intenções de voto. A margem de erro do tracking é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
No tracking espontâneo, no qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 19%. Marina, nesse caso, tem 6%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é citado por 2% dos entrevistados. Brancos e nulos somaram 4%, não souberam ou não responderam 11%.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Educomunicação
USP inova com licenciatura em Educomunicação
A nova graduação integra os cursos de pedagogia como o de comunicação e artes
A escola está falida! A mídia, em crise!. Quantas vezes já não ouvimos essas expressões! Realmente os alunos já não têm a escola como única fonte de conhecimento. E o modelo de negócio da grande mídia está ameaçado pelo barateamento dos custos de produção e distribuição de conteúdo. É nesse contexto que o curso de Educomunicação inova.
Integrar a Pedagogia com a Faculdade de Comunicação e Artes foi um dos desafios transpostos por Ismar de Oliveira Soares, coordenador da nova graduação. Com currículo transdisciplinar, a licenciatura pretende habilitar os jovens a assumirem vagas, principalmente como gestores de comunicação, tanto na iniciativa privada como na pública. As inscrições para a primeira turma começaram 27 de agosto de 2010, por meio da FUVEST.
Flávia Rossi do Instituto Chico Mendes do Ministério do Meio Ambiente ressalta que a educação como política pública é um novo campo de trabalho para os comunicadores. A política pública de educação sobre conservação da biodiversidade nas unidades de conservação, por exemplo, só é bem sucedida se houver uma comunicação muito bem feita, envolvendo os moradores dessas regiões e os habilitando para a gestão participativa. Vale a pena conferir os vídeos elaborados por moradores dessas unidades de conservação no projeto Tela Verde, a rádio Nas Ondas do São Francisco e o fichário com material para educadores ambientais Coleciona.
Guilherme Canela, da UNESCO, enfatizou a importância que a ONU confere à educomunicação há várias décadas. Mas cada vez o tema tem mais relevância, devido à centralidade das mídias na experiência cotidiana, no trabalho, no estudo e no lazer. Com o barateamento do custo de se tornar fazedor de conteúdo midiático, o tema não pode mais ser ignorado, tem de ser incorporado às decisões de política pública. “Ou fazemos bem ou fazemos mal, mas não se pode mais fazer nada”. Até o final do ano, a UNESCO escolherá 8 paises piloto para lançar iniciativa de qualificação de educomunicadores, o Brasil pode ser um deles.
No terceiro setor, a carreira de educomunicador já vem sendo procurada há tempo. Eles já são uma realidade, por exemplo, na Viração, revista, site e movimento social, no Canal Futura de televisão e na Associação Cidade Escola Aprendiz. Em todos esses ambientes o profissional tem de se adaptar à migração digital, à transformação na direção dos fluxos de comunicação, que deixa de ser difusão unidirecional (broadcast) para ser interação multidirecionais (web). Há intensa mudança nas formas de aquisição de conteúdo, o usuário passa a ser protagonista, estabelecendo uma relação dialógica. Assim, o profissional precisa trabalhar em parceria nos projetos de comunicação que são elaborados por todo mundo, em todo lugar, a todo tempo. A produção tem de ser dialógica, colaborativa, em rede, interativa, com co-autoria modular e granular, ou seja, sem equipes internas, com produções tercerizadas, nas quais os parceiros têm autonomia editorial. O lider de comunidade do nordeste é um grão tão importante no sistema como o grão universidade de renome em São Paulo. Assim, a competência básica do educomunicador é mediação de interesses. Afinal consensos provisórios são substituídos por outros a todo momento e não haverá nunca unanimidade.
Como sintetizou Vitor Massao, o educomunicador “nao deve ensinar a pescar, mas a caminhar junto até o lago”. O profissional tem de contribuir para a descoberta não descobrir, não tem que mostrar o seu jeito de fazer as coisa, mas mediar para que a pessoa encontre o seu próprio caminho. Os desafios são grandes, mas o curso de licenciatura da USP já é um primeiro passo.
Danielle Denny
A nova graduação integra os cursos de pedagogia como o de comunicação e artes
A escola está falida! A mídia, em crise!. Quantas vezes já não ouvimos essas expressões! Realmente os alunos já não têm a escola como única fonte de conhecimento. E o modelo de negócio da grande mídia está ameaçado pelo barateamento dos custos de produção e distribuição de conteúdo. É nesse contexto que o curso de Educomunicação inova.
Integrar a Pedagogia com a Faculdade de Comunicação e Artes foi um dos desafios transpostos por Ismar de Oliveira Soares, coordenador da nova graduação. Com currículo transdisciplinar, a licenciatura pretende habilitar os jovens a assumirem vagas, principalmente como gestores de comunicação, tanto na iniciativa privada como na pública. As inscrições para a primeira turma começaram 27 de agosto de 2010, por meio da FUVEST.
Flávia Rossi do Instituto Chico Mendes do Ministério do Meio Ambiente ressalta que a educação como política pública é um novo campo de trabalho para os comunicadores. A política pública de educação sobre conservação da biodiversidade nas unidades de conservação, por exemplo, só é bem sucedida se houver uma comunicação muito bem feita, envolvendo os moradores dessas regiões e os habilitando para a gestão participativa. Vale a pena conferir os vídeos elaborados por moradores dessas unidades de conservação no projeto Tela Verde, a rádio Nas Ondas do São Francisco e o fichário com material para educadores ambientais Coleciona.
Guilherme Canela, da UNESCO, enfatizou a importância que a ONU confere à educomunicação há várias décadas. Mas cada vez o tema tem mais relevância, devido à centralidade das mídias na experiência cotidiana, no trabalho, no estudo e no lazer. Com o barateamento do custo de se tornar fazedor de conteúdo midiático, o tema não pode mais ser ignorado, tem de ser incorporado às decisões de política pública. “Ou fazemos bem ou fazemos mal, mas não se pode mais fazer nada”. Até o final do ano, a UNESCO escolherá 8 paises piloto para lançar iniciativa de qualificação de educomunicadores, o Brasil pode ser um deles.
No terceiro setor, a carreira de educomunicador já vem sendo procurada há tempo. Eles já são uma realidade, por exemplo, na Viração, revista, site e movimento social, no Canal Futura de televisão e na Associação Cidade Escola Aprendiz. Em todos esses ambientes o profissional tem de se adaptar à migração digital, à transformação na direção dos fluxos de comunicação, que deixa de ser difusão unidirecional (broadcast) para ser interação multidirecionais (web). Há intensa mudança nas formas de aquisição de conteúdo, o usuário passa a ser protagonista, estabelecendo uma relação dialógica. Assim, o profissional precisa trabalhar em parceria nos projetos de comunicação que são elaborados por todo mundo, em todo lugar, a todo tempo. A produção tem de ser dialógica, colaborativa, em rede, interativa, com co-autoria modular e granular, ou seja, sem equipes internas, com produções tercerizadas, nas quais os parceiros têm autonomia editorial. O lider de comunidade do nordeste é um grão tão importante no sistema como o grão universidade de renome em São Paulo. Assim, a competência básica do educomunicador é mediação de interesses. Afinal consensos provisórios são substituídos por outros a todo momento e não haverá nunca unanimidade.
Como sintetizou Vitor Massao, o educomunicador “nao deve ensinar a pescar, mas a caminhar junto até o lago”. O profissional tem de contribuir para a descoberta não descobrir, não tem que mostrar o seu jeito de fazer as coisa, mas mediar para que a pessoa encontre o seu próprio caminho. Os desafios são grandes, mas o curso de licenciatura da USP já é um primeiro passo.
Danielle Denny
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A incrível história do professor que não sabia ler
Vejam que história interessante esta do professor que não sabia ler. A se confirmar ela é no mínimo um fenômeno. Leiam:
John Corcoran é o que podemos considerar um fenômeno! Mesmo sem saber ler, escrever ou mesmo soletrar, ele conseguiu se formar em uma universidade da Califórnia e dar aula - dar aula!!! - por 17 anos em outra. O americano só foi alfabetizado aos 48 anos.
"Mas como isso foi possível, caro blogueiro?", você está se perguntando, não? Vamos à explicação que o próprio deu à emissora "10 News", de San Diego: quando era aluno de escola primária, John começou a apresentar problemas de aprendizado.
O menino contou com a conivência dos pais e dos professores, que o passavam de ano. "Quando eu tinha 8 anos, eu rezava na hora de dormir 'Deus, por favor, amanhã, quando for a minha vez de ler em sala, faça-me ler'". Mas o milagre não acontecia. O milagre da leitura, porque o da aprovação sempre aparecia ao fim do ano letivo. Por causa de problemas psicológicos e comportamentais, o pequeno Johnnie tinha suas deficiências acobertadas e sempre avançava.
John também contribuiu, aprendendo a disfarçar sua condição iletrada. Arrumava problemas em sala de aula e passava boa parte do tempo no escritório do diretor. Em 1956, ele recebeu o diploma da Palo Verde High School, em Blythe.
E John chegou à universidade, em El Paso. Lá aprimorou suas técnicas para burlar o sistema. Ele roubava provas e convencia colegas a completar suas tarefas. Trapaceiro virou o sobrenome de John.
"Eu não podia ler palavras, mas podia ler o sistema e as pessoas", disse.
Em 1961, John se tornou bacharel em educação. Educação!!!!! Mesmo analfabeto...
"A prefeitura de El Paso dava a quase todos os graduados um emprego", explica John.
Durante 17 anos, mesmo sem juntar lé com cré, o americano deu aulas em uma escola secundária de Oceanside.
A tática de John: ele desenvolveu um técnica de ensino baseada nos recursos oral e visual. Um gênio, não?"Não havia uma palavra escrita por mim em sala de aula. Eu sempre tinha dois ou três professores assistentes para escrever no quadro e ler o boletim", conta.
"Mas como isso foi possível, caro blogueiro?", você está se perguntando, não? Vamos à explicação que o próprio deu à emissora "10 News", de San Diego: quando era aluno de escola primária, John começou a apresentar problemas de aprendizado.
O menino contou com a conivência dos pais e dos professores, que o passavam de ano. "Quando eu tinha 8 anos, eu rezava na hora de dormir 'Deus, por favor, amanhã, quando for a minha vez de ler em sala, faça-me ler'". Mas o milagre não acontecia. O milagre da leitura, porque o da aprovação sempre aparecia ao fim do ano letivo. Por causa de problemas psicológicos e comportamentais, o pequeno Johnnie tinha suas deficiências acobertadas e sempre avançava.
John também contribuiu, aprendendo a disfarçar sua condição iletrada. Arrumava problemas em sala de aula e passava boa parte do tempo no escritório do diretor. Em 1956, ele recebeu o diploma da Palo Verde High School, em Blythe.
E John chegou à universidade, em El Paso. Lá aprimorou suas técnicas para burlar o sistema. Ele roubava provas e convencia colegas a completar suas tarefas. Trapaceiro virou o sobrenome de John.
"Eu não podia ler palavras, mas podia ler o sistema e as pessoas", disse.
Em 1961, John se tornou bacharel em educação. Educação!!!!! Mesmo analfabeto...
"A prefeitura de El Paso dava a quase todos os graduados um emprego", explica John.
Durante 17 anos, mesmo sem juntar lé com cré, o americano deu aulas em uma escola secundária de Oceanside.
A tática de John: ele desenvolveu um técnica de ensino baseada nos recursos oral e visual. Um gênio, não?"Não havia uma palavra escrita por mim em sala de aula. Eu sempre tinha dois ou três professores assistentes para escrever no quadro e ler o boletim", conta.
Em um determinado momento, a farsa ficou insuportável e John pediu licença da escola, Ele se trancou com uma tutora voluntária, de 65 anos. Depois de um ano, já sabia ler. Pelo menos tanto quanto os seus alunos.
O americano já escreveu dois livros e criou a Fundação John Corcoran, que ajuda analfabetos a terem uma melhor oportunidade na sociedade.
O americano já escreveu dois livros e criou a Fundação John Corcoran, que ajuda analfabetos a terem uma melhor oportunidade na sociedade.
Estou de queixo caído...
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o professor que não sabai ler
domingo, 29 de agosto de 2010
Exame genético de Hitler
A análise da amostra levou Mulders até a Áustria, onde ele descobriu que um agricultor identificado como Norbert H. era primo do ditador. O jornalista, junto com o historiador Marc Vermeeren, encontrou também outros 39 parentes distantes de Hitler no país. Norbert H. concordou em fornecer material genético para os exames.
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sábado, 28 de agosto de 2010
Elucubrações da grande imprensa
A grande mídia diante do resultado absolutamente adverso por que passa o seu candidato, faz mil elucubrações para tentat explicar esse fracasso. O "Estado de São Paulo" fez uma matéria dizendo o óbvio, mas querendo dar a este óbvio um ar de denúncia, ou de tentar minimizar a imagem da candidata Dilma. Eles dizem em letras garrafais que "não são os atributos da petista que seduzem os eleitores", acrescentando que 2 em cada 3 eleitores dela só fazem isso porque ela é a candidata do Lula. É ou não chover no molhado? Não há dúvida que boa parte do eleitorado de Dilma vota nela por conta dela ser a candidata do Lula, ponto. Mas o que se pode depreender disso é que as pessoas estão votando em um projeto o qual elas vêem como positivo. Não há mistério!
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Dilma e Fluminense, tudo a ver...
Em nova pesquisa nacional do Ibope, aplicada esta semana e que será publicada amanhã pelo jornal O Estado de S. Paulo, Dilma Rousseff abriu 24 pontos percentuais de vantagem sobre José Serra.
Ela subiu oito pontos percentuais nas intenções de voto. Foi para 51%. Serra caiu cinco pontos percentuais - de 32% para 27%. Marina Silva oscilou de 8% para 7%.
Todos os adversários de Dilma somam 34% de intenção de voto. Ela tem 17 pontos percentuais a mais do que eles. Se a eleição fosse hoje, ganharia no primeiro turno.
Ela subiu oito pontos percentuais nas intenções de voto. Foi para 51%. Serra caiu cinco pontos percentuais - de 32% para 27%. Marina Silva oscilou de 8% para 7%.
Todos os adversários de Dilma somam 34% de intenção de voto. Ela tem 17 pontos percentuais a mais do que eles. Se a eleição fosse hoje, ganharia no primeiro turno.
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E agora José?? Ou réquiem para um tucano
Enquanto a oposição sem rumo tenta criar um fato novo que a tire do lamaçal em que se encontra, a campanha da Dilma marcha inexoravelmente para a vitória no primeiro turno. Tenho comparado a campanha dela com a do Fluminense, ou seja, tá lá nas cabeças. Bom, mas voltando a política, eu fiquei sabendo hoje que, entrevistado pela folha e pelo Jornal Nacional, o ministro (que não é flor que se cheire) Marco Aurélio Mello teria dito que "quebra de sigilo fiscal é golpe baixo", mas concluiu afirmando que "eles", se referindo a campanha da Dilma, "não precisam disso". Acontece que a Folha e o JN só usaram a primeira fala do ministro, tentando dessa maneira fazer parecer que há uma suspeita generalizada de que foi mesmo a campanha da Dilma que se utilizou da Receita Federal com fins eleitorais. Esse falso escândalo só reverbera nos blogs que vivem a soldo das fundações ligadas ao PSDB (como o do Reinaldo Azevedo) ou no PIG. Fora disso ninguém leva a sério.
Bom, mas para rir um pouco vale a pena ver essa montagem feita pelo blog "Cloaca News" intitulado "Réquiem para um tucano" com a canção "José" de Paulo Diniz sobre poema de Carlos Drummond. Vejam:
Bom, mas para rir um pouco vale a pena ver essa montagem feita pelo blog "Cloaca News" intitulado "Réquiem para um tucano" com a canção "José" de Paulo Diniz sobre poema de Carlos Drummond. Vejam:
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Já era de se esperar um "escândalo"...
Por que raios o PT , a candidatura Dilma ou quem quer que seja no âmbito progressista iria bisbilhotar o sigilo fiscal da apresentadora Ana Maria Braga? A quem interessaria, de fato, enredar a campanha do PT --como acusa Serra no leito da extrema-unção eleitoral -- numa trama improvável que transforma em vítimas de um mesmo redil alguns de seus 'homens de confiança e de caixa" e a apresentadora mais popular da televisão brasileira junto ao eleitorado feminino? Recorde-se que esta fatia majoritária do universo eleitoral, antes serrista, foi progressivamente conquistada por Dilma, que empatou e agora bate o adversário na preferencia das mulheres, por larga margem, em todas as pesquisas de intenção de voto. A própria apresentadora Ana Maria Braga já manifestou simpatia pela candidata à sucessão de Lula. Insuspeito de qualquer empatia equivalente, o comentarista da Folha, Janio de Freitas, sempre ácido contra Lula, alertava hoje de forma quase premonitória em sua coluna, na qual lamenta o abandono de Serra pelos seus próprios pares. Aspas: '...Menos pela excitação quase esportiva das pesquisas do que pelas atitudes de José Serra e do PSDB diante delas, a disputa eleitoral para a Presidência reduz-se a uma pergunta: o que dizer ainda a seu respeito? É verdade que a Polícia Federal, ao menos até agora, não entrou em cena, como fez nas últimas campanhas com insuspeitada vocação eleitoral, de feitos jamais esclarecidos dada a útil circunstância de que à própria PF coube o dever do esclarecimento.O ensaio de um ex-delegado federal não passou disso mesmo, agora, com o tal convite para abastecer de dados, sobre oposicionistas, um citado serviço de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. Tempo há, mas seria impróprio atribuir a essa expectativa as atitudes de Serra e do PSDB diante da sua performance no skate em ladeira..." Recoloca-se a pergunta: a quem interessa a reedição de um 'caso Lunus' versão 2010? Em 2002, como se recorda, uma obscura ação da PF envolvendo como sempre malas de dinheiro fotogenicamente oferecidas ao Jornal Nacional e correlatos, tirou da disputa Roseane Sarney, então a principal rival de Serra na disputa pela primazia eleitoral junto aos interesses de centro-direita na sucessão de FHC. Como ironiza Janio de Freitas coube à própria raposa investigar o esquartejamento das galinhas nquele episódio. O caso nunca foi esclarecido, mas a família Sarney sedimentou uma esférica certeza: Serra deixou digitais na chacina.
(Carta Maior; 27-08)
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Mais uma lusitana...
Portugal sempre foi para nós brasileiros, fonte de piadas e brincadeiras. Agora na era virtual não seria diferente. De vez em quando encontro na rede umas coisas engraçadas, como por exemplo, a Anabela de Malhadas, que postei há alguns dias atrás. Agora posto uma conversação televisiva muito engraçada. A âncora do jornal ficou um pouco atordoada com a inusitada cantada, se podemos dizer assim, que recebeu de um fã. Vejam:
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da série ilusão de ótica
Leitor, se você olhar de perto essa imagem verá uma pessoa muito conhecida: o cientista Albert Einstein. Mas se você se afastar aproximadamente 05 metros verá surgir a imagem de Marilyn Monroe. Experimente:
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Centenário de dois grandes mestres
Noel Rosa e Adoniran Barbosa, um centenário para dois cronistas...
Neste ano de 2010 dois expoentes do cancioneiro popular brasileiro assinalam seus respectivos centenários de nascimento. Pois é, o paulista Adoniran Barbosa e o carioca Noel Rosa completariam, se vivos fossem, a marca dos cem anos. Mas o importante de assinalar nessa coincidência não é apenas a data redonda e cheia, mas o fato de que os dois se constituem como dois gigantes da crônica social e de costumes do tempo em que produziram.
Noel e Adoniran se inscrevem em uma longa e rica tradição narrativa dos elementos que compõem as realidades cotidianas. Por suas letras desfilam os personagens da malandragem, e entendemos aqui esse termo não apenas como característica de pessoas malfazejas, mas também como um conjunto de habilidades necessárias para situar os indivíduos dentro de uma ordem social excludente. A astúcia do pobre, como diz Ariano Suassuna se referindo ao seu personagem João Grilo, é a forma que o pobre tem para conseguir sobreviver.
Esses dois artistas podem ser considerados como sambistas, uma vez que o samba foi a forma musical predominante na qual os dois desenvolveram suas canções. Compuseram marchas e emboladas (no caso de Noel), mas foi mesmo no samba que os dois se notabilizaram. Nesse sentido é importante lembrar que a década de 1930 é, segundo alguns pesquisadores, o período em que no Rio de Janeiro esse gênero vai passar por uma transformação fundamental. As mudanças referidas se dão tanto no que diz respeito aos elementos intra-musicais – modificações rítmicas que o faria ficar mais distante do gênero maxixe, e mudanças timbrísticas –, mas também extra-musicais, como por exemplo, o papel simbólico que o samba iria desempenhar na sociedade carioca e brasileira nos anos seguintes até se tornar o gênero musical identitário brasileiro por excelência. É na geração de Noel que o samba vai de certa forma “embranquecendo”, sendo ele talvez o primeiro compositor branco de destaque no cenário do samba carioca.
O humor é também uma característica comum aos dois compositores. Mas registremos que são “humores” diferentes. Noel é sarcástico e irônico inclusive com ele mesmo, haja visto o samba “Tarzan, o filho do alfaiate”, samba no qual ele fala de um personagem que apesar de ser muito magro tem um alfaiate que com seu corte faz dele um sujeito aparentemente forte. “cheguei até a ser contratado / prá subir em um tablado / pra vencer um campeão / mas a empresa / prá evitar assassinato / rasgou logo meu contrato / quando me viu sem roupão”. Noel descreve como ninguém uma certa malandragem carioca, basta ouvir “conversa de botequim”, para entender do que se fala aqui. Enfim... uma jóia!
Por outro lado, Adoniran tem várias passagens engraçadas extraídas do cotidiano sofrido das pessoas comuns. Mas não raro, essa alegria tende a resvalar numa tristeza que na verdade parece que sempre esteve ali. Faz lembrar muito a alegria/tristeza do palhaço, que não obstante nos fazer rir, acaba por nos entristecer com um desfecho que aponta para uma carência, uma falta. É muito comum ainda esse humor vir junto com uma resignação, que faz com que o texto seja ao mesmo tempo de denúncia social e de aceitação das coisas tal qual elas se arranjaram. Esse viés aparece em inúmeras obras do mestre paulista. No clássico “Saudosa maloca” o tema é, sem dúvida, o da especulação imobiliária, ou em outras palavras, de um tipo de ocupação do espaço público que privilegia o capital e relega o indivíduo pobre a uma condição de não-cidadania. Mas o arremate que Adoniran dá a esta peça que deveria ou poderia ser de denúncia das injustiças do cotidiano, ganha um ar de fatalidade quando ele diz: “os ‘home’ tá com a razão nóis arranja outro lugar”, ou mais a frente quando em tom de consolo fala “Deus dá o frio, conforme o cobertor”. É ou não é uma primor de resignação e aceitação. Há ainda, entre outras tantas, uma canção que se chama “Despejo na favela”, samba gravado em duo com Gonzaguinha, que como o próprio título já adianta, trata de uma ação na favela na qual o poder público vai desalojar a todos. O máximo de rebeldia que ele professa é quando diz “não tem nada não seu doutor / não tem nada não / amanhã mesmo vou deixar meu barracão / não tem nada não seu doutor / vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator”.
Para encerrar eu gostaria de destacar aqui uma análise feita pelo compositor e professor de Literatura da USP José Miguel Wisnik. Em um texto chamado “Te-manduco-não-manduco: a música popular de São Paulo” Wisnik analisa o modo como a cidade de São Paulo se imprime na música de Adoniran em um tentame de interpretação das relações entre o indivíduo e a cidade. Wisnik conta uma passagem em que Paulo Vanzolini (o compositor da canção “Ronda”) certa feita perguntou a Adoniran por que é que no samba “trem das onze” ele falava “em Jaçanã” e não no Jaçanã como de fato falam os moradores daquele bairro. Adoniran teria dito “e eu sei lá onde fica essa porcaria”. Wisnik analisa que isso equivale pensar Noel não saber onde é Vila Isabel ou Cartola não saber onde é a Mangueira. Claro que Adoniran estava ligado àquela parte da cidade mais italianizada como o Bexiga, mas o fato dele ter citado o Jaçanã sem ter nenhuma relação com o lugar evidenciava uma relação ficcional entre o artista e a cidade, diferente dos artistas do Rio, que citava os espaços geográficos com os quais eles tinham uma relação orgânica. Nesse sentido ele considera que pelas dimensões e configurações da cidade de São Paulo, esta seria na obra do compositor uma peça ficcional, e em sendo assim o próprio cantor compositor que era Adoniran, era também um personagem dessa criação.
De todo modo, registremos aqui a importância desses dois criadores e intérpretes da alma brasileira que foram Noel de Medeiros Rosa e João Rubinato, ou simplesmente Noel Rosa e Adoniran Barbosa.
p.s. quem puder dê uma olhada na série feita pela jornalista Aline Midlej e que está disponível no link:
http://videos.band.com.br/v_65609_adoniran_100_anos_na_boca_do_povo_sotaque.htm
Neste ano de 2010 dois expoentes do cancioneiro popular brasileiro assinalam seus respectivos centenários de nascimento. Pois é, o paulista Adoniran Barbosa e o carioca Noel Rosa completariam, se vivos fossem, a marca dos cem anos. Mas o importante de assinalar nessa coincidência não é apenas a data redonda e cheia, mas o fato de que os dois se constituem como dois gigantes da crônica social e de costumes do tempo em que produziram.
Noel e Adoniran se inscrevem em uma longa e rica tradição narrativa dos elementos que compõem as realidades cotidianas. Por suas letras desfilam os personagens da malandragem, e entendemos aqui esse termo não apenas como característica de pessoas malfazejas, mas também como um conjunto de habilidades necessárias para situar os indivíduos dentro de uma ordem social excludente. A astúcia do pobre, como diz Ariano Suassuna se referindo ao seu personagem João Grilo, é a forma que o pobre tem para conseguir sobreviver.
Esses dois artistas podem ser considerados como sambistas, uma vez que o samba foi a forma musical predominante na qual os dois desenvolveram suas canções. Compuseram marchas e emboladas (no caso de Noel), mas foi mesmo no samba que os dois se notabilizaram. Nesse sentido é importante lembrar que a década de 1930 é, segundo alguns pesquisadores, o período em que no Rio de Janeiro esse gênero vai passar por uma transformação fundamental. As mudanças referidas se dão tanto no que diz respeito aos elementos intra-musicais – modificações rítmicas que o faria ficar mais distante do gênero maxixe, e mudanças timbrísticas –, mas também extra-musicais, como por exemplo, o papel simbólico que o samba iria desempenhar na sociedade carioca e brasileira nos anos seguintes até se tornar o gênero musical identitário brasileiro por excelência. É na geração de Noel que o samba vai de certa forma “embranquecendo”, sendo ele talvez o primeiro compositor branco de destaque no cenário do samba carioca.
O humor é também uma característica comum aos dois compositores. Mas registremos que são “humores” diferentes. Noel é sarcástico e irônico inclusive com ele mesmo, haja visto o samba “Tarzan, o filho do alfaiate”, samba no qual ele fala de um personagem que apesar de ser muito magro tem um alfaiate que com seu corte faz dele um sujeito aparentemente forte. “cheguei até a ser contratado / prá subir em um tablado / pra vencer um campeão / mas a empresa / prá evitar assassinato / rasgou logo meu contrato / quando me viu sem roupão”. Noel descreve como ninguém uma certa malandragem carioca, basta ouvir “conversa de botequim”, para entender do que se fala aqui. Enfim... uma jóia!
Por outro lado, Adoniran tem várias passagens engraçadas extraídas do cotidiano sofrido das pessoas comuns. Mas não raro, essa alegria tende a resvalar numa tristeza que na verdade parece que sempre esteve ali. Faz lembrar muito a alegria/tristeza do palhaço, que não obstante nos fazer rir, acaba por nos entristecer com um desfecho que aponta para uma carência, uma falta. É muito comum ainda esse humor vir junto com uma resignação, que faz com que o texto seja ao mesmo tempo de denúncia social e de aceitação das coisas tal qual elas se arranjaram. Esse viés aparece em inúmeras obras do mestre paulista. No clássico “Saudosa maloca” o tema é, sem dúvida, o da especulação imobiliária, ou em outras palavras, de um tipo de ocupação do espaço público que privilegia o capital e relega o indivíduo pobre a uma condição de não-cidadania. Mas o arremate que Adoniran dá a esta peça que deveria ou poderia ser de denúncia das injustiças do cotidiano, ganha um ar de fatalidade quando ele diz: “os ‘home’ tá com a razão nóis arranja outro lugar”, ou mais a frente quando em tom de consolo fala “Deus dá o frio, conforme o cobertor”. É ou não é uma primor de resignação e aceitação. Há ainda, entre outras tantas, uma canção que se chama “Despejo na favela”, samba gravado em duo com Gonzaguinha, que como o próprio título já adianta, trata de uma ação na favela na qual o poder público vai desalojar a todos. O máximo de rebeldia que ele professa é quando diz “não tem nada não seu doutor / não tem nada não / amanhã mesmo vou deixar meu barracão / não tem nada não seu doutor / vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator”.
Para encerrar eu gostaria de destacar aqui uma análise feita pelo compositor e professor de Literatura da USP José Miguel Wisnik. Em um texto chamado “Te-manduco-não-manduco: a música popular de São Paulo” Wisnik analisa o modo como a cidade de São Paulo se imprime na música de Adoniran em um tentame de interpretação das relações entre o indivíduo e a cidade. Wisnik conta uma passagem em que Paulo Vanzolini (o compositor da canção “Ronda”) certa feita perguntou a Adoniran por que é que no samba “trem das onze” ele falava “em Jaçanã” e não no Jaçanã como de fato falam os moradores daquele bairro. Adoniran teria dito “e eu sei lá onde fica essa porcaria”. Wisnik analisa que isso equivale pensar Noel não saber onde é Vila Isabel ou Cartola não saber onde é a Mangueira. Claro que Adoniran estava ligado àquela parte da cidade mais italianizada como o Bexiga, mas o fato dele ter citado o Jaçanã sem ter nenhuma relação com o lugar evidenciava uma relação ficcional entre o artista e a cidade, diferente dos artistas do Rio, que citava os espaços geográficos com os quais eles tinham uma relação orgânica. Nesse sentido ele considera que pelas dimensões e configurações da cidade de São Paulo, esta seria na obra do compositor uma peça ficcional, e em sendo assim o próprio cantor compositor que era Adoniran, era também um personagem dessa criação.
De todo modo, registremos aqui a importância desses dois criadores e intérpretes da alma brasileira que foram Noel de Medeiros Rosa e João Rubinato, ou simplesmente Noel Rosa e Adoniran Barbosa.
p.s. quem puder dê uma olhada na série feita pela jornalista Aline Midlej e que está disponível no link:
http://videos.band.com.br/v_65609_adoniran_100_anos_na_boca_do_povo_sotaque.htm
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domingo, 22 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
plebiscito da terra: diga sim, coloque limites em que não tem.
Eleger Dilma é importante, mas é também importante participar desse movimento que quer por às claras a situação do latifúndio no Brasil. Reparem que os grandes meios de comunicação nem sequer menciona o movimento que culminará em setembro com um plebiscito. É importante compreender o que está sendo proposto. Segue abaixo um artigo dos organizadores do movimento. Prestem atenção nos números (e olha que não são números do MST, não, é o do próprio IBGE) da questão agrária no Brasil. É, pra dizer pouco, um escândalo.
por Assessoria de Comunicação FNRA Falta menos de um mês para o início do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra no Brasil. Entre os dias 01 e 07 de setembro, toda a sociedade brasileira terá a oportunidade de dizer se é a favor ou contra a concentração de terras no país, ou seja, se concorda ou não com o latifúndio.
Durante os dias 15 e 17 de julho, cerca de 100 representantes de entidades, organizações, movimentos e pastorais sociais do campo e da cidade de todos os estados da federação, estiveram reunidos em Brasília para a II Plenária Nacional de Organização do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra.
No encontro foram aprofundados estudos sobre a questão fundiária do país, em que os participantes expuseram a realidade de cada região brasileira. As atividades contaram com a assessoria do geógrafo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino. Além das análises, foram debatidas e planejadas ações de divulgação, organização e articulação da semana da coleta dos votos.
Os estados já estão organizados em comitês compostos por diferentes entidades e organizações. A partir dos comitês estaduais, estão sendo formados os comitês regionais, onde municípios das diferentes regiões também estão sendo inseridos no processo.
Dentre os encaminhamentos da plenária, foi definido o Dia Nacional de Mobilização pelo Limite da Propriedade da Terra, que será realizado no dia 12 de agosto, em memória a mártir Margarida Alves, camponesa assassinada em 1983. Neste dia os articuladores do Plebiscito Popular farão um grande mutirão de formação da sociedade brasileira que já está sendo conscientizada sobre a realidade agrária do país.
A população brasileira também é convidada a participar de um abaixo-assinado que já está sendo circulando em todo país e que continuará após o Plebiscito. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.
Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).
1 - Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho?
2 - Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?
por Assessoria de Comunicação FNRA Falta menos de um mês para o início do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra no Brasil. Entre os dias 01 e 07 de setembro, toda a sociedade brasileira terá a oportunidade de dizer se é a favor ou contra a concentração de terras no país, ou seja, se concorda ou não com o latifúndio.
Durante os dias 15 e 17 de julho, cerca de 100 representantes de entidades, organizações, movimentos e pastorais sociais do campo e da cidade de todos os estados da federação, estiveram reunidos em Brasília para a II Plenária Nacional de Organização do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra.
No encontro foram aprofundados estudos sobre a questão fundiária do país, em que os participantes expuseram a realidade de cada região brasileira. As atividades contaram com a assessoria do geógrafo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino. Além das análises, foram debatidas e planejadas ações de divulgação, organização e articulação da semana da coleta dos votos.
Os estados já estão organizados em comitês compostos por diferentes entidades e organizações. A partir dos comitês estaduais, estão sendo formados os comitês regionais, onde municípios das diferentes regiões também estão sendo inseridos no processo.
Dentre os encaminhamentos da plenária, foi definido o Dia Nacional de Mobilização pelo Limite da Propriedade da Terra, que será realizado no dia 12 de agosto, em memória a mártir Margarida Alves, camponesa assassinada em 1983. Neste dia os articuladores do Plebiscito Popular farão um grande mutirão de formação da sociedade brasileira que já está sendo conscientizada sobre a realidade agrária do país.
A população brasileira também é convidada a participar de um abaixo-assinado que já está sendo circulando em todo país e que continuará após o Plebiscito. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.
Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).
Pelo direito à terra e à soberania alimentar: Vamos às urnas mostrar nosso poder popular!
Vamos à luta
A realização e o sucesso do plebiscito dependem única e exclusivamente da participação e do empenho de cada um, de cada entidade, organização e pastoral, uma vez que não existe nenhum apoio público e da mídia. Representa a força e a determinação de quem acredita em que algo pode ser feito para corrigir esta absurda concentração de terras que acaba por excluir milhões de famílias de terem seus direitos protegidos. Portanto,
- Fale, comente e divulgue, também pela internet e redes sociais (orkut, twitter), o plebiscito para seus amigos, sua família e colegas de trabalho.
- Integre-se aos comitês locais ou estaduais que vão organizar o Plebiscito.
Na Semana da Pátria, junto com o Grito dos Excluídos:
- Intensifique a divulgação;
- Ajude a organizar os locais de votação;
- Participe de alguma mesa de votação;
- VOTE;
- Assine o abaixo-assinado que será levado ao Congresso Nacional para que seja votada uma emenda constitucional que determine um limite ao tamanho das propriedades.
1 - Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho?
2 - Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?
Rumo à vitória no primeiro turno.
Dilma abre 17 pontos para Serra e venceria no 1o turno segundo o Datafolha
A cada pesquisa se torna mais plausível o cenário de vitória da Dilma no primeiro turno. É o que diz a nova pesquisa Datafolha. tudo isso já era esperado, pois com a campanha televisiva ficou mais fácil a identificação da candidata com o presidente Lula. E haja contorcionismos desses analistas portadores do que se pode chamar de douta ignorância sociológica, em tentar plasmar um cenário de "ninguém sabe o que vai acontecer". Os jabores, catanhêdes e azevedos até que se esforçam em agradar os respectivos patrões, mas são absolutamente atropelados pela enxurrada dos fatos. Por outro lado, o jornal nacional que tinha definido que não ia mais publicar pesquisas do Sensus e Voz Populi (será que era porque os números eram desfavoráveis ao Serra??) vai ter que publicar esses novos números.
A nova pesquisa fala em 17 pontos de vantagem para a candidato do governo. Só fico preocupado com a Dona Eva, cujo vídeo publicamos dias atrás aqui no blog, que desta feita pode ter problemas de saúde de tanto rir.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O GLOBO E AS COTAS...
Carta aberta sobre as cotas na UFRJ
Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2010
Assinam os professores da UFRJ:
Alexandre Brasil - NUTES
Amaury Fernandes – Escola de Comunicação
André Martins Vilar de Carvalho - Filosofia/IFCS e Faculdade de Medicina
Anita Leandro – Escola de Comunicação
Antonio Carlos de Souza Lima – Museu Nacional
Beatriz Heredia - IFCS
Clovis Montenegro de Lima - FACC/UFRJ-IBICT
Eduardo Viveiros de Castro – Museu Nacional
Denilson Lopes – Escola de Comunicação
Elina Pessanha - IFCS
Fernando Alvares Salis – Escola de Comunicação
Fernando Rabossi - IFCS
Fernando Santoro - IFCS
Flávio Gomes - IFCS
Giuseppe Mario Cocco - Professor Titular, Escola de Serviço Social
Heloisa Buarque de Hollanda – Professora Titular, Escola de Comunicação/FCC
Henrique Antoun - Escola de Comunicação
Ivana Bentes – Diretora, Escola de Comunicação
Katia Augusta Maciel - Escola de Comunicação
Leilah Landim – Professora – Escola de Serviço Social
Leonarda Musumeci – Instituto de Economia
Lilia Irmeli Arany Prado – Observatório de Valongo
Liv Sovik – Escola de Comunicação
Liz-Rejane Issberner - FACC/UFRJ-IBICT
Marcelo Paixão – Instituto de Economia
Marcio Goldman – Museu Nacional
Marildo Menegat – Escola de Serviço Social
Marlise Vinagre - Escola de Serviço Social
Nelson Maculan - Professor titular da COPPE e ex-reitor da UFRJ
Olívia Cunha – Museu Nacional
Otávio Velho – Professor Emérito, Museu Nacional
Paula Cerqueira – Professora Instituto de Psiquiatria
Paulo G. Domenech Oneto – Escola de Comunicação
Renzo Taddei – Escola de Comunicação
Roberto Cabral de Melo Machado - IFCS
Samuel Araujo – Escola de Música
Sarita Albagli – Professora PPG-FACC-UFRJ/IBICT
Silvia Lorenz Martins - Observatorio do Valongo
Suzy dos Santos – Escola de Comunicação
Tatiana Roque – Instituto de Matemática
Virgínia Kastrup – Instituto de Psicologia
Silviano Santiago, Professor emérito, UFF
Ao contrário do que pretendem afirmar alguns setores da imprensa, o debate em torno de políticas afirmativas e de sua implementação no ensino universitário brasileiro não pertence à UFRJ, à USP ou a qualquer setor, "racialista" ou não, da sociedade. Soma-se quase uma década de reflexões, envolvendo intelectuais, dirigentes de instituições de ensino, movimentos sociais e movimento estudantil, parlamentares e juristas.
Atualmente, cerca de 130 universidades públicas brasileiras já adotaram políticas afirmativas - entre as quais, a das cotas raciais - como critério de acesso à formação universitária. Entre estas instituições figuram a UFMG, a UFRGS, a Unicamp, a UnB e a USP, que estão entre as mais importantes universidades brasileiras.
Em editorial da última terça-feira, 17 de agosto, intitulado "UFRJ rejeita insensatas cotas raciais", o jornal O Globo assume, de forma facciosa, uma posição contrária a essas políticas afirmativas. O texto desmerece as ações encaminhadas por mais de cem universidades públicas e tenta sugestionar o debate em curso na UFRJ. Distorcendo os fatos, o editorial fala em "inconstitucionalidade" da aplicação do sistema de cotas, quando, na verdade, o que está em pauta no Supremo Tribunal Federal não é a constitucionalidade das cotas, mas os critérios utilizados na UnB para a aplicação de suas políticas afirmativas.
Na última década, enquanto a discussão crescia em todo o país, a UFRJ deu poucos passos, ou quase nenhum, para fazer avançar o debate sobre as políticas públicas. O acesso dos estudantes à UFRJ continua limitado ao vestibular, com uma mera pré-seleção por meio do ENEM, o que significa um processo ainda excludente de seleção para a entrada na universidade pública. Apesar disso, do mês de março para cá, o debate sobre as cotas foi relançado na UFRJ e, hoje, várias decisões podem ser tomadas com melhor conhecimento do problema e das posições dos diferentes setores da sociedade em relação ao assunto.
Se pretendemos avançar rumo a uma democracia real, capaz de assegurar espaços de oportunidades iguais para todos, o acesso à universidade pública deve ser repensado. Isto significa que é preciso levar em conta os diferentes perfis dos estudantes brasileiros, em vez de seguir camuflando a realidade com discursos sobre "mérito" (como se a própria noção não fosse problemática e como se fosse possível comparar méritos de pessoas de condição social e trajetórias totalmente díspares) ou sobre "miscigenação" (como se não houvesse uma história de exclusão dos "menos mestiços" bem atrás de todos nós).
Cotas sociais - e, fundamentalmente, aquelas que reconhecem a dívida histórica do Brasil em relação aos negros - abrem caminhos para que pobres dêem prosseguimento aos seus estudos, prejudicado por um ensino básico predominantemente deficiente. Só assim os dirigentes e professores das universidades brasileiras poderão continuar fazendo seu trabalho de cabeça erguida. Só assim a comunidade universitária poderá avançar, junto com o país e na contra-mão da imprensa retrógrada, representada por O Globo, em direção a um reconhecimento necessário dos crimes da escravidão, crimes que, justamente, por ainda não terem sido reconhecidos como crimes que são, se perpetuam no apartheid social em que vivemos.
Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2010
Assinam os professores da UFRJ:
Alexandre Brasil - NUTES
Amaury Fernandes – Escola de Comunicação
André Martins Vilar de Carvalho - Filosofia/IFCS e Faculdade de Medicina
Anita Leandro – Escola de Comunicação
Antonio Carlos de Souza Lima – Museu Nacional
Beatriz Heredia - IFCS
Clovis Montenegro de Lima - FACC/UFRJ-IBICT
Eduardo Viveiros de Castro – Museu Nacional
Denilson Lopes – Escola de Comunicação
Elina Pessanha - IFCS
Fernando Alvares Salis – Escola de Comunicação
Fernando Rabossi - IFCS
Fernando Santoro - IFCS
Flávio Gomes - IFCS
Giuseppe Mario Cocco - Professor Titular, Escola de Serviço Social
Heloisa Buarque de Hollanda – Professora Titular, Escola de Comunicação/FCC
Henrique Antoun - Escola de Comunicação
Ivana Bentes – Diretora, Escola de Comunicação
Katia Augusta Maciel - Escola de Comunicação
Leilah Landim – Professora – Escola de Serviço Social
Leonarda Musumeci – Instituto de Economia
Lilia Irmeli Arany Prado – Observatório de Valongo
Liv Sovik – Escola de Comunicação
Liz-Rejane Issberner - FACC/UFRJ-IBICT
Marcelo Paixão – Instituto de Economia
Marcio Goldman – Museu Nacional
Marildo Menegat – Escola de Serviço Social
Marlise Vinagre - Escola de Serviço Social
Nelson Maculan - Professor titular da COPPE e ex-reitor da UFRJ
Olívia Cunha – Museu Nacional
Otávio Velho – Professor Emérito, Museu Nacional
Paula Cerqueira – Professora Instituto de Psiquiatria
Paulo G. Domenech Oneto – Escola de Comunicação
Renzo Taddei – Escola de Comunicação
Roberto Cabral de Melo Machado - IFCS
Samuel Araujo – Escola de Música
Sarita Albagli – Professora PPG-FACC-UFRJ/IBICT
Silvia Lorenz Martins - Observatorio do Valongo
Suzy dos Santos – Escola de Comunicação
Tatiana Roque – Instituto de Matemática
Virgínia Kastrup – Instituto de Psicologia
Silviano Santiago, Professor emérito, UFF
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
A revolta dos touros, ou tourada bem sucedida (do ponto de vista do touro)
Se tem uma coisa que me incomoda são essas diversões que tem como objeto o sofrimento e/ou a morte de animais. Confesso que fiquei feliz em ver as imagens de uma tourada na qual o touro sobe as arquibanadas e vai acertar contas com a platéia. Não é essa platéia tão ávida de sangue e sofrimento? Que tal se regozijar com o próprio sangue e o próprio sofrimento? Pena que no final o touro morreu, quando quem deveria de fato morrer era... deixa pra lá!
Vejam as imagens:
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Dona Eva e as pesquisas eleitorais
Logo depois da pesquisa eleitoral feita pelo Datafolha para presidente(a) da república, a Dona Eva deu esse depoimento. Vejam, é muito engraçado:
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
Rumo à vitória no primeito turno
17.08.2010
Pesquisa Vox Populi divulgada nesta terça-feira pela TV Bandeirantes dá vantagem ainda maior da candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, em relação ao seu adversário José Serra (PSDB).Segundo o levantamento, Dilma ganharia a eleição já no primeiro turno. Ela está 16 pontos a frente de Serra com 45% das intenções de voto, enquanto o tucano tem 29%.
Em relação à pesquisa Vox Populi divulgada em julho, Dilma subiu quatro pontos percentuais, enquanto Serra caiu quatro pontos. A candidata Marina Silva (PV) manteve, em agosto, os 8% da preferência do eleitorado de julho.
A pesquisa Vox Populi confirma a tendência já apontada pelo Instituto Ibope que Dilma Rousseff poderia ganhar a eleição no primeiro turno.
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sábado, 14 de agosto de 2010
a boa tese do "ex-gabeira"
Merece destaque aqui no blog a tese sobre o "ex-gabeira", colocada pelo candidato Jefferson Moura do PSOL, que trata das tranformações pelas quais passou Fernando Gabeira nos últimos anos. A cada eleição parece que fica mais evidente que este senhor renunciou aos seus ideais, como se dizia antigamente, e as negociou na "bacia da almas". É flagrante que nesse sentido Gabeira é um candidato desalmado, e com péssimo tino político partidário. Na minha opinião, ele calculou, quando ainda era membro do governo Lula, que os supostos escândalos que estavam por vir, iriam "detonar" o governo, e pensando em salvar sua pele tratou de se desligar do mesmo com aquele papo moral, ético e etc. Ele sem dúvida calculava que o projeto de governo representado por Lula estava no início do fracasso, e daí tratou de iniciar novo caminho político. Que cálculo mal feito, hein!
Bom, aí fez tudo isso para cair de mala e cuia no ninho dos tucanos. Onde já se viu tamanha confusão? Sair com um discurso moralizante, ético, e falando em sonhos e ir se juntar com essa malta direitista que hoje o PSDB representa. Mas de certa forma ele ainda viveu de um certo capital que comseguiu amainar em outros tempos. Era útil também para o PSDB do Rio, pois desde Marcelo Alencar que o partido não consegue mais ter força no Estado, daí Gabeira surge ressucitanto esse pessoal.
Acontece que a cada eleição que passa esse capital gabeirista se esvai, pois boa parte de seus antigos eleitores o eram pelas posições que o antigo Gabeira tinha, e seus eleitores percebem que trata-se de ex-gabeira mesmo, que tendo saído oportunisticamente de um Governo relativamente bem sucedido, só encontrou guarida no ninho da direita brasileira. Pior pra ele.
E nesse imbróglio todo, resta saber o que sobrará, depois das eleições, da candidata Marina Silva que se deixou levar por essa turma, e pela ideia de que era uma das 50 pessoas mais influentes do mundo. É lamentável!!
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Nova pesquisa datafolha
DILMA 41% X SERRA 33%
DATAFOLHA JOGA A TOALHA E DÁ UM CAVALO DE PAU DE 9 PONTOS EM 20 DIAS PARA SE 'ADEQUAR' AO DECLÍNIO TUCANO
Entre a pesquisa de 24 de julho e a de agora, um intervalo de 20 dias, o Datafolha tira 4 pontos de Serra e adiciona cinco pontos às intenções de voto em Dilma. O que se intui por esse ajuste sem pudor é que a situação de Serra pode ser até pior. Há muito, o esfarelamento de sua candidatura vem sendo constatado por praticamente todos os demais institutos. Só o Datafolha resistia. Ao jogar a toalha sangrando Serra em praça pública com um cavalo de pau de nove pontos, o instituto da família Frias envia uma mensagem devastadora, quase uma admissão pública de que 'não dá mais para segurar'. O recado pode desencadear um 'salve-se quem puder' na coalizão demotucana, multiplicando-se as defecções na base aliada às vésperas de iniciar o horário político eleitoral. Esse risco é reforçado por outro indicador indigesto revelado pela pesquisa, uma espécie de 'fuja dele se você for candidato' que parece dar razão às estratégias de campanha que já escondem o nome e o rosto de Serra em santinhos. O ex-governador de SP, com declinantes 33% de apoio, já se aproxima dos 30% de rejeição -- está com 28%, segundo o Datafolha. Confirma-se assim o que outros institutos vinham captando: o tucano se debate espetado em uma cruz feita de porcentuais quase idênticos, mas de sinais trocados, em que a linha da rejeição sobe e a das intenções de votos desaba. A cristianização de sua candidatura, a exemplo do que ocorreu com o presidenciável Cristiano Machado, nos anos 50, abandonado pelo próprio partido, o PSD, que apoiou Vargas, pode se tornar um fenômeno epidêmico nas campanhas demotucanas em todo o país.
do site Carta Maior
DATAFOLHA JOGA A TOALHA E DÁ UM CAVALO DE PAU DE 9 PONTOS EM 20 DIAS PARA SE 'ADEQUAR' AO DECLÍNIO TUCANO
Entre a pesquisa de 24 de julho e a de agora, um intervalo de 20 dias, o Datafolha tira 4 pontos de Serra e adiciona cinco pontos às intenções de voto em Dilma. O que se intui por esse ajuste sem pudor é que a situação de Serra pode ser até pior. Há muito, o esfarelamento de sua candidatura vem sendo constatado por praticamente todos os demais institutos. Só o Datafolha resistia. Ao jogar a toalha sangrando Serra em praça pública com um cavalo de pau de nove pontos, o instituto da família Frias envia uma mensagem devastadora, quase uma admissão pública de que 'não dá mais para segurar'. O recado pode desencadear um 'salve-se quem puder' na coalizão demotucana, multiplicando-se as defecções na base aliada às vésperas de iniciar o horário político eleitoral. Esse risco é reforçado por outro indicador indigesto revelado pela pesquisa, uma espécie de 'fuja dele se você for candidato' que parece dar razão às estratégias de campanha que já escondem o nome e o rosto de Serra em santinhos. O ex-governador de SP, com declinantes 33% de apoio, já se aproxima dos 30% de rejeição -- está com 28%, segundo o Datafolha. Confirma-se assim o que outros institutos vinham captando: o tucano se debate espetado em uma cruz feita de porcentuais quase idênticos, mas de sinais trocados, em que a linha da rejeição sobe e a das intenções de votos desaba. A cristianização de sua candidatura, a exemplo do que ocorreu com o presidenciável Cristiano Machado, nos anos 50, abandonado pelo próprio partido, o PSD, que apoiou Vargas, pode se tornar um fenômeno epidêmico nas campanhas demotucanas em todo o país.
do site Carta Maior
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O dia em que a globo falou mal do Serra...
Muito curiosa esta ocorrência que está abaixo publicada. Trata-se de um progrma da globonews no qual a apresentadora tenta encaminhar a coversa para um lado e a coisa vai pra outro totalmente diferente. Parece que ela não consegue tomar as rédeas da coisa, pois os entrevistados vão, fugindo da orientação dela, dando explicações das razões pelas quais a candidatura Serra está à deriva. A leitura dos dois cientistas políticos é bem interessante. Vejam:
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Eleições 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Mais da Dilma... até o Ibope reconhece.
Dilma ultrapassa Serra no Rio Grande do Sul, diz Ibope
Tido como o último reduto tucano no País, ao menos onde José Serra (PSDB) ainda estava à frente de Dilma Rousseff (PT) na preferência para o cargo de Presidente da República, o Rio Grande do Sul mostra que o gaúcho está disposto a mudar seu voto.
Na mais recente pesquisa Ibope, encomendada pelo Grupo RBS, a petista está dois pontos à frente do tucano. Dilma foi citada por 42% dos entrevistados ante os 40% que preferiram Serra. No último levantamento, no início de julho, o tucano tinha 46% e a petista, 37%. Na pesquisa espontânea, Dilma também ultrapassa Serra. São 33% dos votos contra 31%.
Marina Silva (PV), que no levantamento de julho aparecia com 6%, perdeu um ponto, e está com 5%. Brancos e nulos se mantiveram em 3%, enquanto os indecisos subiram de 6% para 9%. Questionados sobre a escolha em um eventual segundo turno, 45% dos entrevistados disseram preferir Dilma, enquanto 44% apostariam em Serra.
Já para o governo do Estado, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro permanece na liderança, com 37% dos votos, seguido pelo ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, com 31% e da governadora gaúcha, Yeda Crusius, com 11%.
Comparando os atuais resultados com o do último levantamento, em julho, Tarso perdeu dois pontos, passando de 39% para 37%, enquanto Fogaça ganhou duas posições, saindo dos 29% e chegando aos 31%. Yeda é a candidata que perdeu mais em um mês: quatro pontos, de 15% para 11%.
O Ibope ouviu 812 eleitores entre 3 e 5 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TRE (35.561/2010) e no TSE (21.914/2010).
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
DILMA VENCERÁ NO PRIMEIRO TURNO...
Tenho dito e reiterado que acredito que a candidata do governo a presidência da república ganhará as eleições ainda no primeiro turno. Cada pesquisa que sai o meu vaticínio se torna mais plausível. Não tenho vocação para pitonisa, mas a questão não é tão complexa assim. O governo Lula tem um nível de aprovação histórico e quando se somam os índices chamados de "regular positivo", "bom" e "ótimo" os números chegam aos quase inacreditáveis 92%. Claro que em se tratando de eleição as transferências não são automáticas, mas de qualquer forma é um índice muito expressivo. Ainda mais quando se leve em conta o que (digo "que" e não "quem" de propósito) está do outro lado. Uma candidatura, e me refiro aqui ao Serra, desagregadora, fruto de uma personalidade autoritária e antipática (nesse sentido ele é um verdadeiro anti-Lula). Dilma não é um primor de simpatia, por mais que ela tenha até se saído bem até aqui, mas nas condições atuais Lula elegeria até um poste. Outra coisa que merece nossa atenção é a disparidade dos números dos Institutos de pesquisa. O Ibope já dá uma frente de 5% para Dilma, mas o Datafolha insiste, com sua metodologia certamente tendenciosa, em dar um empate técnico.
A matéria abaixo é da rede Bandeirantes que encomendou a pesquisa.
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Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontou a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 41,6% das intenções de voto para as eleições de outubro, contra 31,6% do candidato do PSDB, José Serra
A terceira colocada na disputa, Marina Silva, que concorre à Presidência pelo PV, aparece com 8,5%. Em seguida estão Zé Maria, do PSTU, com 1,9% das intenções de voto e Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, 1,7%. Os demais candidatos – Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com menos de 1% cada.
A pesquisa foi feita entre os dias 31 de julho a 2 de agosto com 2 mil pessoas de todo o país. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos. No último levantamento CNT/Sensus, há três meses, Dilma tinha 35,7% das intenções e Serra 33,2%.
Num eventual segundo turno, a pesquisa indica que Dilma venceria com 48,3% das intenções, contra 36,6% do tucano.
A diferença de dez pontos percentuais se mantém na pesquisa espontânea, quando os eleitores dizem em quem irão votar sem ter uma lista com o nome dos candidatos. 30,4% dos entrevistados citou a pestista Dilma Rousseff, enquanto 20,2% disseram o nome de José Serra.
A matéria abaixo é da rede Bandeirantes que encomendou a pesquisa.
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Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontou a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 41,6% das intenções de voto para as eleições de outubro, contra 31,6% do candidato do PSDB, José Serra
A terceira colocada na disputa, Marina Silva, que concorre à Presidência pelo PV, aparece com 8,5%. Em seguida estão Zé Maria, do PSTU, com 1,9% das intenções de voto e Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, 1,7%. Os demais candidatos – Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com menos de 1% cada.
A pesquisa foi feita entre os dias 31 de julho a 2 de agosto com 2 mil pessoas de todo o país. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos. No último levantamento CNT/Sensus, há três meses, Dilma tinha 35,7% das intenções e Serra 33,2%.
Num eventual segundo turno, a pesquisa indica que Dilma venceria com 48,3% das intenções, contra 36,6% do tucano.
A diferença de dez pontos percentuais se mantém na pesquisa espontânea, quando os eleitores dizem em quem irão votar sem ter uma lista com o nome dos candidatos. 30,4% dos entrevistados citou a pestista Dilma Rousseff, enquanto 20,2% disseram o nome de José Serra.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Bombril: ecologicamente racista...
A empresa Bombril está fazendo uma campanha televisiva na qual tenta colar sua imagem à natureza, tentando com isso convencer o consumidor que seus produtos são ecologicamente sustentáveis. Enfim... não pretendo discutir a questão do ponto de vista biológico, mas sim cultural. É o seguinte: o personagem interpretado pelo ator Carlos Moreno, que faz a campanha desde 1978, diz, com a canção "Índia" tocando ao fundo e com aquele jeito meio engraçado que tem, que está ali para falar diante de uma "legítima representante da natureza", e aponta a jovem índia que está ao seu lado. Ora, o texto do personagem não poderia ser mais etnocêntrico, uma vez que, a exemplo do que fez o pensamento colonial durante todo processo de dominação dos povos submetidos, tratou de reduzir uma cultura à natureza para com isso justificar a dominação. De um só golpe toda uma cultura, toda uma visão de mundo, todo um sistema simbólico é reduzido ao nível da animalidade. Pode parecer exagero o que digo, mas quem conhece um pouco dessa história toda de dominação colonial e das argumentações racistas que ela ensejou, só pode considerar essa propaganda como uma peça inominável e merece o repúdio de todos.
Vejam a propaganda:
Vejam a propaganda:
Bombril Eco from Bombril on Vimeo.
domingo, 25 de julho de 2010
Ao mestre Paulo, com carinho...
Recebi um comovente e-mail do Nilton Maia, leitor dessa coluna, a cerca do falecimento de um dos maiores músicos da cena instrumental brasileira: Paulo Moura. Nilton, como eu e outros tantos amantes da música instrumental brasileira, sentiu que estávamos todos mais pobres com a partida de Paulo Moura, que além de ser um extraordinário músico, era também um agitador cultural da maior expressão. Com ausência do mestre do sax e da clarineta estamos mais pobres, sim, mas também mais aumentados pela possibilidade de termos tido contato com músico e criador de estirpe tão elevada.
Paulo se foi em um dia 13 de julho, quase na mesma data em que nasceu, dia 15 de julho (apesar de nos registros oficiais constar fevereiro de 1933). Claro, é apenas uma coincidência, mas pode também nos sugerir a idéia de um ciclo que se fecha bem. Um círculo que representa uma vida plena e harmoniosa, e olha que harmonia é o que não faltava em sua vida. Desde muito cedo enveredou pelo campo da música, pois seu pai já era músico amador, e segundo consta, teria ensinado música aos filhos por medo da segunda guerra, pois caso os meninos tivessem que servir, seria como músicos e desta forma estariam menos expostos aos riscos de um enfrentamento. De qualquer forma a batalha de Paulo foi a de conseguir se afirmar no cenário musical carioca, primeiramente, e brasileiro, posteriormente. Considerando ainda que tinha alguma projeção internacional, que só não era maior por conta da inserção periférica que o Brasil ainda tem no cenário mundial, não obstante as coisas estarem se modificando.
Segundo ele mesmo contava, aos 09 anos de idade pediu para estudar música, o que já apontava pra uma precocidade que mais tarde iria se confirmar, pois aos 17 já era contratado como primeiro saxofonista da orquestra do maestro Oswaldo Borba da rádio Globo, que lhe possibilitou acompanhar artistas como Dalva de Oliveira, entre outros. Logo em seguida, em 1956, grava seu primeiro disco e organiza sua própria orquestra, o que representava, sem dúvida, prestígio e liderança.Sobre esta primeira gravação há uma história interessante. Ele contava que soube naquele ano de 1956, que o músico Edu da gaita havia gravado uma peça de Paganini intitulada “moto perpétuo”. Era uma peça originalmente criada para o solo do violino e não para um instrumento de sopro, o que fazia da gravação do Edu uma proeza, pois a dificuldade estava na respiração. O tema, como o próprio título diz, se conduz com uma linha melódica constante dando pouquíssimas “brechas” para o executante respirar. Quando o instrumento em causa é o violino não tem problema, pois o músico pode respirar a vontade, mas quando se trata de uma gaita ou de um clarinete, as coisas se complicam. Pois bem, ele comprou a partitura e ficou durante 15 dias tentando obstinadamente desenvolver uma técnica que o possibilitasse a também tocar esta música. Ao mesmo tempo em que tentava fazia exercícios físicos, caminhava na praia de Copacabana e até yoga. Por fim foi recompensado: desenvolveu uma técnica de acumular ar nas bochechas e manter a palheta vibrando com o ar acumulado de modo que respirava enquanto exalava.
Esta façanha o levou aos programas de auditório da época, entre eles o de Flávio Cavalcanti, e o possibilitou a primeira gravação de um 78 rpm pela CBS, e, como dissemos acima, também lhe possibilitou a formação de uma orquestra para qual escrevia os arranjos.
Por fim gostaría de falar de dois (poderiam ser mais) dos discos que mais me chamaram a atenção na extensa discografia de Paulo Moura: “Confusão urbana, suburbana e rural” e “Vou vivendo”, este último com a pianista Clara Sverner. O primeiro é de 1976 e é simplesmente um primor, com temas lindos e arranjos muito bem conduzidos, e tudo isso sem perder o swing. Há nesse disco participações especialíssimas como as de Wagner Tiso, o violão inconfundível de Toninho Horta e Rosinha de Valença. É um disco de bambas, no qual os instrumentistas tiveram liberdade para contribuir. Há, por exemplo, um solo virtuoso de Zeca da cuíca na faixa “Notícia”, de Nélson Cavaquinho, Norival Bahia e Alcides Caminha, que é um espetáculo. Há nesse disco uma variedade grande de gêneros: choro, samba, samba de gafieira e até um carimbó (“Carimbo do Moura). É um disco para sempre.O segundo disco ao qual me referi acima é de 1986, dez anos depois do primeiro, portanto, e tem um outro clima. Se o primeiro é mais expansivo e percussivo, o segundo é, apesar de ser com repertório de choros, polcas e gêneros afins, é mais introspectivo e conta apenas com o piano da Clara e o sax do Paulo. É um disco com temas mais conhecidos, mas mesmo assim surpreende pelo resultado timbrístico e pela belíssima performance dos dois craques. É também um disco definitivo, como definitiva é a obra desse grande músico.
Viva para sempre, Paulo Moura, na memória de seus contemporâneos e também na memória daqueles que hoje ainda nem nasceram, mas que irão se encantar com sua obra.
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Paulo Moura
segunda-feira, 19 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
CPI sobre o MST
A CPI criada no congresso pela bancada ruralista tentando criminalizar o MST, deu em nada. Mas isso já era esperado, pois a mesma foi criada com a itenção de criar uma cortina de fumaça pra impedir uma outra investigação, essa sim necessária, que era a questão do trabalho escravo. Como os latifundiários vinculados à bancada ruralista, ao DEM e ao PSDB são os principais suspeitos eles conseguiram barrar as investigações. E como a melhor defesa é o ataque eles partiram pra ofensiva com essa CPI que ao final não deu em nada. Eis abaixo um texto explicativo (já que a grande mídia desinforma) do MST sobre o assunto.
Depois de oito meses de boicote à CPMI contra a Reforma Agrária, os parlamentares dos setores conservadores liderados por Kátia Abreu (DEM-TO) e Onyx Lorenzoni (DEM/RS) declararam ser necessária a continuidade das investigações das entidades sociais que atuam em assentamentos. Nesse período, as entidades da Reforma Agrária e os ministérios do governo federal participaram de audiências públicas na comissão, prestaram todos os esclarecimentos e demonstraram a importância dos convênios para a execução de políticas públicas no meio rural.
Mesmo sem participar da maioria das sessões, os ruralistas insistem que a comissão está prorrogada por mais seis meses. Kátia Abreu, por exemplo, não participou de nenhum sessão, embora tenha sido a maior defensora da sua instalação. O relatório final do deputado Jilmar Tatto (PT/SP) aponta a improcedência das denúncias contra o MST e as entidades de apoio à Reforma Agrária. Enquanto a comissão funcionava plenamente, com dezenas de audiências, os ruralistas estavam ausentes. Dinheiro público foi gasto em uma CPMI criada como dispositivo de criminalização dos movimentos sociais e contra avanços na Reforma Agrária.
Para forçar a sobrevida dessa CPMI, os representantes do latifúndio apelaram e criaram um imbróglio jurídico, depois de levantarem assinaturas para prorrogação. Em comissões parlamentares mistas de inquérito, onde participam deputados e senadores, as decisões devem ser tomadas em sessões do Congresso Nacional. Como não conseguiram, Kátia Abreu e Onyx Lorenzoni lançaram mão de uma manobra não prevista no regimento e argumentam que basta o Senado fazer a leitura do requerimento. O senador Eduardo Suplicy (PT/SP) questiona o método usado para prorrogar a comissão e recorreu à Comissão Constituição e Justiça do Senado. Depois, o deputado José Genoíno (PT/SP) fez o mesmo questionamento na Câmara, que resolveu encaminhar a decisão para o presidente do Congresso.
De dezembro a julho, foram feitos todos os esclarecimentos ao Congresso Nacional em relação à denúncias, com base em jornais e revistas contra a Reforma Agrária. Nesse período, as entidades sociais provaram que os objetos dos convênios foram cumpridos, o trabalho realizado melhora a qualidade de vida dos trabalhadores rurais e não houve desvio de recursos públicos, de acordo com o relatório final da CPMI.
De acordo com o plano de trabalho, assegurado pelo regimento do Congresso Nacional, a CPMI acaba em 17 de julho. O relatório final foi apresentado, mas não foi votado porque os ruralistas impediram. Se eles conseguirem atropelar o regimento do Congresso Nacional, senadores e deputados serão coniventes com a criação de um fato político, que será utilizado pelos setores conservadores nas eleições contra a Reforma Agrária e os movimentos sociais. Por isso, denunciamos a utilização dessa CPMI pelos ruralistas para barrar qualquer avanço da Reforma Agrária, fazer a criminalização dos movimentos sociais, ocupar espaços na mídia e montar um palanque para a campanha eleitoral. Abaixo, leiam entrevista com o deputado federal Jilmar Tatto, que foi eleito por consenso relator da chamada “CPMI do MST”, com as conclusões da investigação, concedida ao Blog da Reforma Agrária na semana passada.
SECRETARIA NACIONAL DO MST
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
O perigo de uma única história
Este é um depoimento realmente comovente da escritora nigeriana Chimamanda Adichie sobre um mundo "monofônico". Um mundo no qual a tendência dos que têm o monopólio da comunicação em larga escala constitui-se um crime contra a própria humanidade. Mas,se por um lado essa tendência se tornou hegemônica ao longo dos anos, por outro a reação a ela não tarda, e me parece que cada vez mais vozes surgem para denunciar esse estado de coisas. Cada vez mais levantam-se essas vozes para denunciar e para porpor novas soluções. Dessa forma o mundo se torna mais polifônico e plural. Vale a pena ver e ouvir:
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água engarrafada...
Para pensar, segue este videozinho sobre a indústria da água engarrafada. Ele foi feito pensando no consumidor estadunidense, mas vale a pena ver.
The Story of Bottled Water (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.
The Story of Bottled Water (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
LITERATURA EM CLIMA DE COPA DO MUNDO
Inspirada pelo clima da Copa do Mundo 2010, a Litteris está promovendo um concurso literário onde você poderá escrever, em qualquer gênero literário, sobre o universo do futebol. Assim, escolha um assunto sobre o futebol, seus ídolos ou curiosidades e peculiaridades deste esporte e participe do I Concurso Literário Jogando com as Palavras.
Para este certamente, cada participante poderá concorrer com até 2 (duas) obras, em língua portuguesa, em qualquer gênero literário, com até 60 linhas cada uma.
As inscrições estarão abertas até o dia 20 de JULHO de 2010 e você poderá enviar sua obra pelo formulário eletrônico do site http://www.litteris.com.br, pelo e-mail concursos@litteris.com.br, para a sede da Editora, na Av. Presidente Vargas, 962/1411 - Centro - 20071-002- Rio de Janeiro - RJ (válido carimbo postal) ou ainda para a Caixa Postal 150 - 20001-970 - Rio de Janeiro - RJ (válido carimbo postal).
Aproveite a oportunidade de homenagear um jogador, técnico, seleção ou contar curiosidades e peculiaridades próprias do esporte mais praticado em todo mundo! Afinal, outro concurso como este, só daqui há quatro anos!
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Brigam Espanha e Holanda...
Tem uma música de Milton Nascimento sobre um texto de Leila Diniz que fala justamente da guerra entre Holanda e Espanha. Quer dizer, não sei se o texto se refere a guerra entre os dois países. Aliás eu nem sabia que tinha havido guerra entre eles, achava que era apenas uma forma poética de dizer que enquanto uma certa visão de mundo faz a guerra para obter poder sobre um outro, uma outra visão afirma que as coisas "pertencem" a quem as amam. Seja como for, em tempo de disputa futebolística (que é sem dúvida uma sublimação da guerra) eu recordei desse canção. Diz a letra:
Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.
Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.
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Heródoto Barbeiro fora do Roda Viva
Comenta-se em São Paulo que deve-se a pressões de José Serra o afastamento do jornalista Heródoto Barbeiro do programa Roda Viva, da TV Cultura. Barbeiro questionou o candidato do PSDB acerca dos pedágios de São Paulo, frutos de duas administrações tucanas (uma delas do próprio Serra). Serra ficou nitidamente irritado. Bom, levando-se em conta o que o tucano fez com seu próprio correligionário Aécio Neves este ano, e com Roseana Sarney há alguns anos atrás, é perfeitamente possível que tenha sido ele mesmo o responsável pelo afastamento do âncora.
Vejam abaixo o momento do questionamento:
Vejam abaixo o momento do questionamento:
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Loucuras de um âncora
Hoje de manhã ouvindo um programa da rádio Bandeirantes (Bandnews) ouvi um comentário do âncora Ricardo Boechat, que só pude considerar, no mínimo, como um desrespeito a minha inteligência. O fato é que Boechat estava comentando sobre o programa "A hora do Brasil", e no mesmo ele dizia que esse tipo de programa era típico de governos autoritários e que já existe programas jornalísticos em quantidade e qualidade suficientes para ainda termos que aturar um jornalismo chapa-branca e coisa e tal. Dizer que o programa "A hora do Brasil" é chato, é apenas uma opinião, e nesse caso, cada um tem a sua. A questão é que ele afirmava acreditar que essa é a opinião do povo brasileiro. Eis aí um viés típico das grandes mídias, qual seja, o de confundir seus próprios interesses com os interesses do "povo brasileiro". Eles acreditam, ou querem nos fazer acreditar, que veículam democraticamente o interesse ou a opinião das pessoas. Que são apenas veículo dos interesses da maioria.
Ora, acreditar nisso, prá dizer pouco, é se candidatar ao troféu velhinha de Taubaté (quem não lembra dessa personagem do Veríssimo?), pois se há uma questão do nosso tempo, é a luta pela democratização das comunicações. E não estou falando apenas do Brasil. Basta saber o que está acontecendo hoje na Argentina, na Venezuela e em tantos outros lugares.
Em um certo momento do seu comentário, o âncora disse uma verdadeira pérola: "pra que ainda existe esse tipo de programa obrigatório (A hora do Brasil), se já temos uma mídia plural e diversificada, que atende todos os interesses da população?". Um achado, não concordam? Bom, fiquei tão indignado que enviei uma mensagem para o programa, que exponho abaixo:
_____________________________________
Ouço quase todos os dias uma boa parte do programa de Ricardo Boechat, e posso dizer que é um programa muito bem feito e as vezes até divertido. Mas não posso concordar quando a opinião do programa se junta a uma tendência geral da mídia monopolista brasileira, quando pensa a si mesmo como sendo "a opinião pública". Refiro-me ao comentário do Boechat sobre o programa "a hora do Brasil". Não é possível confundir os interesses das empresas, como o da própria Band, com os interesses das pessoas. Eu pessoalmente não sei se o povo brasileiro votaria a favor da extinção desse programa em um plebiscito. Eu gostaria que não acabasse, mas não posso dizer que esse seja o desejo do povo. Outra coisa: dizer que há pluralismo nos meios de comunicação, é no mínimo uma grande desinformação, para não dizer outra coisa. Aconselho assistirem o documentário de Jorge Furtado, o mesmo de "Ilha das flores", chamado "Levante sua voz". O documentário traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país. O mau uso das concessões públicas começa na própria rede bandeirantes, empresa na qual o proprietário usa a rede pra defender interesses dos ruralistas, grupo do qual faz parte.
Esperando não ter ofendido suscetibilidades, despeço-me respeitosamente.
Ora, acreditar nisso, prá dizer pouco, é se candidatar ao troféu velhinha de Taubaté (quem não lembra dessa personagem do Veríssimo?), pois se há uma questão do nosso tempo, é a luta pela democratização das comunicações. E não estou falando apenas do Brasil. Basta saber o que está acontecendo hoje na Argentina, na Venezuela e em tantos outros lugares.
Em um certo momento do seu comentário, o âncora disse uma verdadeira pérola: "pra que ainda existe esse tipo de programa obrigatório (A hora do Brasil), se já temos uma mídia plural e diversificada, que atende todos os interesses da população?". Um achado, não concordam? Bom, fiquei tão indignado que enviei uma mensagem para o programa, que exponho abaixo:
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Ouço quase todos os dias uma boa parte do programa de Ricardo Boechat, e posso dizer que é um programa muito bem feito e as vezes até divertido. Mas não posso concordar quando a opinião do programa se junta a uma tendência geral da mídia monopolista brasileira, quando pensa a si mesmo como sendo "a opinião pública". Refiro-me ao comentário do Boechat sobre o programa "a hora do Brasil". Não é possível confundir os interesses das empresas, como o da própria Band, com os interesses das pessoas. Eu pessoalmente não sei se o povo brasileiro votaria a favor da extinção desse programa em um plebiscito. Eu gostaria que não acabasse, mas não posso dizer que esse seja o desejo do povo. Outra coisa: dizer que há pluralismo nos meios de comunicação, é no mínimo uma grande desinformação, para não dizer outra coisa. Aconselho assistirem o documentário de Jorge Furtado, o mesmo de "Ilha das flores", chamado "Levante sua voz". O documentário traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país. O mau uso das concessões públicas começa na própria rede bandeirantes, empresa na qual o proprietário usa a rede pra defender interesses dos ruralistas, grupo do qual faz parte.
Esperando não ter ofendido suscetibilidades, despeço-me respeitosamente.
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domingo, 4 de julho de 2010
MPF pede atualização dos índices de produtividade da terra
O assunto parece estar em banho maria, mas há alguns meses atrás destacamos aqui a luta de parte significativa da mídia e principalmente da rede bandeirantes, cujo proprietário é membro destacado de uma associação de fazendeiros, contra a revisão dos índices de produtividade da terra, com vistas a reforma agrária. A questão é simples: está na constituição brasileira a ideia de que a terra tem uma função social e sendo assim para que a mesma seja considerada produtiva é preciso que ela atinja determinada produtividade. O ministério da reforma agrária cumprindo suas obrigações, iniciou no ano passado um processo de estudo que visava justamente estabelecer novos índices, visto que os mesmos, que estão em vigência, são de 1975 e encontram-se totalmente devasados. A grita da bancada ruralista foi enorme, e ganhou ainda mais eco por conta da cumplicidade da grande mídia com esse setor. É bom que se diga só de passagem, que é essa mesma bancada ruralista que tenta e consegue impedir a PEC do trabalho escravo. Enfim, a questão da revisão dos índices não acabou, e é isso que nos conta a matéria abaixo, escrita pelo jornalista Jorge Américo.
MPF pede atualização dos índices de produtividade
A medida poderá tornar viável a desapropriação das terras improdutivas que não cumprem função social
Se for julgada procedente a ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), o governo deverá atualizar os índices de produtividade no campo. Os atuais índices foram elaborados em 1975 e desconsideram os investimentos, pesquisas e desenvolvimento tecnológico ocorridos em 35 anos.
A medida poderá tornar viável a desapropriação das terras improdutivas que não cumprem função social. Por essa razão, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sofre pressão para manter os atuais índices. Esta é a avaliação do integrante da organização Terra de Direitos, Fernando Prioste.
“O governo já havia anunciado no ano passado a intenção de fazer a atualização dos índices e a resistência veio justamente por questões políticas, por não aceitarem o processo de reforma agrária, que é desencadeado por desapropriação de propriedades que não cumprem sua função social.”
O MPF considera que os estudos prévios já desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário podem servir de referência para a atualização. No entanto, Fernando avalia que os entraves são políticos e não dependem apenas de pareceres técnicos.
“Com certeza, a mesma oposição que se faz em relação à atualização dos índices tem o mesmo fundamento da questão da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Trabalho Escravo. Eu acredito que não existe uma racionalidade técnica que possa indicar por que não se pode fazer expropriação de terras onde seja encontrado trabalho análogo ao escravo.”
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a bancada ruralista do Congresso e empresas transnacionais ligadas ao agronegócio, como a Syngenta e a Monsanto são os principais opositores da atualização dos índices de produtividade.
A medida poderá tornar viável a desapropriação das terras improdutivas que não cumprem função social. Por essa razão, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sofre pressão para manter os atuais índices. Esta é a avaliação do integrante da organização Terra de Direitos, Fernando Prioste.
“O governo já havia anunciado no ano passado a intenção de fazer a atualização dos índices e a resistência veio justamente por questões políticas, por não aceitarem o processo de reforma agrária, que é desencadeado por desapropriação de propriedades que não cumprem sua função social.”
O MPF considera que os estudos prévios já desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário podem servir de referência para a atualização. No entanto, Fernando avalia que os entraves são políticos e não dependem apenas de pareceres técnicos.
“Com certeza, a mesma oposição que se faz em relação à atualização dos índices tem o mesmo fundamento da questão da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Trabalho Escravo. Eu acredito que não existe uma racionalidade técnica que possa indicar por que não se pode fazer expropriação de terras onde seja encontrado trabalho análogo ao escravo.”
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a bancada ruralista do Congresso e empresas transnacionais ligadas ao agronegócio, como a Syngenta e a Monsanto são os principais opositores da atualização dos índices de produtividade.
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sábado, 3 de julho de 2010
Um estudo sobre a revista Veja
"Veja foi indispensável para construir o neoliberalismo"
| Carla Luciana Silva - | |||||||||
| Por Lia Segre - Observatório do Direito à Comunicação |
A professora do curso de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Carla Luciana Silva passou meses dedicando-se a leitura paciente de pilhas de edições antigas da revista Veja. A análise tornou-se uma tese de doutorado, defendida na Universidade Federal Fluminense, e agora, em livro. “Veja: o indispensável partido neoliberal (1989-2002)” (Edunioeste, 2009, 258 páginas) é o registro do papel assumido pela principal revista do Grupo Abril na construção do neoliberalismo no país.
A hipótese defendida pela professora Carla é que a revista atuou como agente partidário que colaborou com a construção da hegemonia neoliberal no Brasil. Carla deixa claro que a revista não fez o trabalho sozinha, mas em consonância com outros veículos privados. Porém, teve certo protagonismo, até pelo número médio de leitores que tinha na época – 4 milhões, afirma Carla em seu livro.
“A revista teve papel privilegiado na construção de consenso em torno das práticas neoliberais ao longo de toda a década. Essas práticas abrangem o campo político, mas não se restringem a ele. Dizem respeito às técnicas de gerenciamento do capital, e à construção de uma visão de mundo necessária a essas práticas, atingindo o lado mais explícito, produtivo, mas também o lado ideológico do processo”, afirma trecho do livro.
Para ler uma entrevista com a autora siga o link: http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=6573
O livro pode ser adquirido diretamente com a autora, através do email carlalssilva@uol.com.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
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