terça-feira, 6 de abril de 2010

Do vinil ao cd, do cd ao vinil

DO VINIL AO CD, DO CD AO VINIL

 Por Ricardo Moreno



Primeiro foi aquele entusiasmo por um tipo de mídia que prometia a possibilidade de uma escuta sem estalos e sem ruídos: o cd. O áudio digital assegurava um som “clean”: um sonho para os melômanos. Depois, talvez 10 anos, foi aquela nostalgia. Uma saudade inquietante. Alguns, com argumentos mais técnicos, apontavam para uma desqualificação do cd: a compressão de determinadas freqüências – principalmente dos graves. Outros sentiam, e falavam francamente, da saudade pura e simples dos estalos e chiados que os vinis produziam. Reconheciam essa saudade quase como uma tara.
Durante algum tempo essa saudade era compensada com a aquisição de antigos lp’s e a revitalização de antigos sistemas de som: compra de pick-ups, busca por agulhas que fossem compatíveis, etc. Dizem que foi o Ed Mota um dos primeiros, entre os artistas, a se manifestar em favor dos antigos bolachões. O fato é que essa saudade pressionou de tal forma a indústria, que novos tocadores de vinil foram sendo fabricados, e hoje, por exemplo, existem toca-discos com saída USB e RCA fabricados especialmente para que se possam digitalizar os lp’s. Atualmente um aparelho desses custa menos do que R$ 500,00.
Se o primeiro passo foi a fabricação dos aparelhos de tocar lp, não tardaria a aparecer os fabricantes dos próprios lp’s. Em março desse ano saem os primeiros álbuns da nova fase da Polysom, única fábrica de vinis em funcionamento no Brasil. Os artistas contemplados para essa nova fase do disco no Brasil foram as bandas Nação Zumbi e Cachorro Grande, e as cantoras Pitty e Fernanda Takai. Reparem que todos esses artistas escolhidos para a primeira leva são artistas identificados com um público mais jovem e de classe média. Ainda é cedo para sabermos sobre o sucesso comercial dessa empreitada. É esperar e ver.
Mas para além das questões técnicas e comerciais da volta do lp, é possível, eu creio, uma análise de outro ponto de vista: o simbólico. Na década de 1960 um sociólogo francês chamado Jean Baudrillard escreveu um livro chamado “o sistema dos objetos”. Nesse livro o autor analisa o modo como nos relacionamos com os objetos para além do simples uso que fazemos deles. Somos, alguém já disse, seres do símbolo, e como tal, não há atividade humana sem desdobramentos simbólicos.
Nessa perspectiva, afirma Baudrillard, o retorno de objetos antigos não é um acidente do sistema, pois o que ele perde em funcionalidade, ganha do ponto de vista do mito que representa. O antigo não é meramente “afuncional” ou simplesmente decorativo, mas cumpre o papel de significar o tempo. O objeto antigo tem um estatuto psicológico especial, pois da mesma forma que grupos ou sociedades subdesenvolvidas tentam adquirir objetos “modernos” por conta dos mesmos simbolizarem o que é novo e distinto, há uma tendência dos “contemporâneos” de buscarem simbolicamente o antigo. Baudrillard acrescenta que dessa forma a ilusão de domínio que temos sobre o objeto transforma sua funcionalidade em virtude. Torna-se um signo. Sendo assim, conclui, “o que falta ao homem se acha investido no objeto”.
Será que ocorreu essa nostalgia quando outras mudanças de mídia aconteceram? Será que houve saudade quando se deu a mudança do disco de 78 rotações por minuto para o lp?
A produção de lp no Brasil tem início na década de 1950, mas se desenvolve com força na década seguinte. É sintomático que esta produção esteja identificada justamente com um momento de ouro da música popular brasileira. O que hoje entendemos como MPB tem início justamente com a expansão do lp no Brasil. Pode ser que simbolicamente haja uma nostalgia de um tipo de produção musical. Uma saudade de um tempo que forçosamente não pode mais voltar, a não ser simbolicamente. Esta volta só pode acontecer com a abolição do tempo que intermedia o ontem e o hoje. O culto do disco de vinil cumpriria assim o sentido de um fetiche (objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais) capaz de “magicamente” abolir o tempo e nos reintegrar, ainda que psicologicamente, num passado irremediavelmente perdido.




segunda-feira, 5 de abril de 2010

FHC: o neoliberalismo dos Jardins

FHC: o neoliberalismo dos Jardins
por Emir Sader

 O tamanho da vaidade de FHC parece ser o maior adversário de seus correligionários de partido e ex-colegas de governo, que tentam esconder ele e seu governo. Ele não agüenta ver seu governo atacado e não contar com ninguém que o defenda – como aconteceu no segundo turno de 2006. Se deram conta que aceitar a comparação entre os dois governos – o de Lula e o de FHC – é o caminho seguro da derrota. Não convidaram FHC para a cerimônia de saída de Serra do governo de São Paulo, o excluíram do lançamento da candidatura presidencial e pretendem mantê-lo - ele e seu governo - fora da campanha, conscientes de que ele é o melhor promotor da campanha da Dilma.

Tem razão os que o querem esconder. Ele saiu do governo derrotado, fracassado, tornou-se o político de maior rejeição, não se atreve a candidatar-se a nada, cada vez que fala, o apoio ao governo Lula e à sua candidata aumenta. Às vezes quer retomar um ar de intelectual, que ele um dia foi, mas as besteiras teóricas que diz ganham um ar empolado, passando a ser besteiras empoladas.

Agora pretende alertar sobre o risco do Brasil se tornar uma China. Claro, para quem tentou abolir o tema do “desenvolvimento”, o crescimento chinês é um acinte. Para quem acreditava que já havíamos chegado a um tal nível de desenvolvimento econômico – tomando o capitalismo dos Jardins paulistanos -, bastaria eliminar o desenvolvimento e colocar no seu lugar a “estabilidade”. Para quem está por cima, poderia ser bom parar onde estavam. Danem-se os “inimpregáveis”, segundo suas próprias palavras, a grande massa pobre e miserável, para quem nunca pretendeu governar.

Volta com seu “trololó” – segundo a linguagem de seu candidato, já derrotado em 2002 – do “capitalismo de Estado”. Esse já foi o mote de FHC para tentar salvar de responsabilidade os grandes empresários privados no Brasil, nacionais e estrangeiros, que enriqueceram como nunca na ditadura militar, lucrando com o regime de terror, de tortura, de desaparecimentos, de fuzilamentos. Seu enriquecimento foi a lógica dentro daquela loucura – segundo a frase de Shakespeare.

FHC dizia que os setores hegemônicos na ditadura militar não eram os capitalistas privados, mas o “capitalismo de Estado”. Haveria uma classe dominante na Petrobrás, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, na Vale do Rio Doce. Esses seriam os inimigos da democracia, e não os militares, o governo dos EUA, o grande empresariado privado, os donos da mídia privada. Não. Esses seriam agentes da democracia, prefeririam a democracia à ditadura.

Absolvia assim os grandes vencedores da ditadura, os que acumularam riquezas como nunca em um regime que, imediatamente após o triunfo do golpe, decretou intervenção em todos os sindicatos e arrocho salarial. O sonho de todo grande empresário: sem movimento sindical organizado para defender os interesses dos trabalhadores e formalização da proibição de qualquer aumento salarial. E vem o ex-presidente e ex-sociólogo dizer que os grandes empresários nacionais e estrangeiros preferem a democracia. Não se viu nenhum deles protestar contra a repressão aos sindicatos, nem contra o arrocho salarial.

E, para completar o servicinho de dar uma teoria “democrática” para a transição sem ruptura, a favor do grande empresariado, FHC passa a criminalizar o Estado. Este abrigaria o maior inimigo. Os militares? Não. As empresas estatais, tornando-se um neoliberal precoce.

Tanto assim que FHC diz que democratizar seria desconcentrar o poder econômico em torno do Estado e o poder político em torno do executivo. Nisso consistia sua aclamada – pelos seus cupinchas – “teoria do autoritarismo”, que nem se atrevia de chamar as coisas pelo seu nome: ditadura e não autoritarismo. Um neoliberalismo “avant la lettre”, como ele gostaria de falar, com o seu pé na cozinha (francesa, como ele esclareceu posteriormente).

Agora FHC tenta novo brilhareco, contra a opinião dos seus correligionários (nas palavras de uma de suas tantas viúvas nas imprensa, tratado como genro que a família quer esconder, porque só comete gafes, que favorecem o inimigo ), francamente na onda anticomunista. Já tinha apelado para o “sub-peronismo”, para a denúncia do papel dos sindicatos no governo, agora ataca o desenvolvimento da China. Prefere seu neoliberalismo dos Jardins, aquele que quebrou o país três vezes no seu governo, que levou a taxa de juros – que seu candidato considera que hoje é alta, - a 48%, sem que este tenha protestado. Que fez o Brasil entrar em uma profunda e prolongada crise, de que só saiu no governo Lula.

Que se valeu da maioria que tinha no Parlamento e de ser o queridinho da imprensa, que não denunciou nenhum dos tantos casos de corrupção do seu governo, para mudar a Constituição na vigência do seu mandato – com votos evidentemente comprados – para ter um segundo mandato.

Triste figura a do FHC. Rejeitado por seus correligionários, considerado como alavanca para a oposição pela rejeição que sofre do povo brasileiro, funciona como clown, como personagem folclórica, lembrança de um passado que o governo luta para terminar de superar e a oposição para tentar esquecer e apagar da recordação dos brasileiros. Escondido pelos seus, repudiado pelos seus adversários, enterrado em vida pelos seus, tomado como anti-exemplo por seus adversários.

O governo Lula só pôde ter sucesso, porque virou a página do governo FHC e retomou as melhores tradições nacionais, populares e democráticas do Brasil, a começar pela de Getúlio Vargas, que FHC quis enterrar. Que hoje, pateticamente, não tem ninguém que o defenda e todos o rejeitem. Repúdio popular é isso aí, o que sofre FHC, de forma merecida.

domingo, 4 de abril de 2010

NOVA PESQUISA VOX POPULI DESMASCARA DATAFOLHA

  Vox Populi: Dilma sobe cinco pontos entre janeiro e março, atinge 31% das intenções de voto e encosta em Serra, que fica parado nos 34%.


  A cada pesquisa que sai vai ficando mais difícil de dar certo as previsões do diretor do Ibope, Carlos Alberto Montenegro - aquele mesmo do Botafogo (que aliás perdeu e foi eliminado pelo meu Santa Cruz)-, de que Lula não conseguiria eleger seu candidato. Não sei de onde ele tirou isso, mas o fato é que a cada pesquisa a diferença vai diminuindo. Há poucas horas atrás saiu uma pesquisa do Vox Populi dando conta de que mais uma vez a diferença caiu. Dilma sobe cinco pontos entre janeiro e março, atinge 31% das intenções de voto e encosta em Serra, que fica parado nos 34%. O resultado do Vox Populi colide frontalmente com a tendência apontada pelo Datafolha em 27 de março, quando o instituto da família Frias atribuiu um súbito crescimento de 9 pontos ao candidato demotucano, chegando a 36%, enquanto Dilma oscilava negativamente, de 28% para 27%. 
  É possível que mais do que em outras eleições a manipulação das pesquisas torne-se parte integrante da campanha. Uma campanha que promete rivalizar com a de 1989, momento em que a imprensa brasileira agiu sistematicamente como um partido político. A novidade é que ao contrário daquela época, hoje os integrantes da grande mídia dizem, ainda que entres seus pares, que vão mesmo agir contra um  dos projetos político. Não foi outra coisa o que fez a Sra. Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva da Folha de S.Paulo, quando disse textualmente que "obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada". Mais uma vez repito aqui neste blog: isso é de uma ignomínia completa. Mesmo os meios de comunicação que não são concessão, como no caso dos jornais impressos teriam que fazer como fez a Carta Capital, que dizia abertaente que apoiva Lula nas Eleições. Eles continuam tentando vender ao grande público que agem de forma isenta.
  Essa pesquisa também desmascara aquela montagem feita pela Folha de São Paulo e seu Datafolha, quando deram ao candidato tucano uma vantagem de 9 pontos. Vários blogs de informação já estavam cantando essa pedra, afirmando que as pesquisas seguintes iriam contradizer a pesquisa da Folha. 

sábado, 3 de abril de 2010

Versão baterística do "Barbeiro de Sevilha"

Interessante esta versão do "Barbeiro de Sevilha" com a bateria do primeiro plano.


Conferência aprova eleição para diretor de escola e máximo de alunos por turma

 As conferências nacionais setoriais, como a das comunicações ocorridas no final do ano passado, não são uma invenção do governo Lula, mas tem tido muito apoio nesse governo. Como o próprio texto abaixo informa, elas não têm poder normativo, mas é um canal pelo qual a sociedade organizada se manifesta no sentido de orientar os legisladores. É sem dúvida uma iniciativa que atua no sentido da democratização do estado brasileiro constituindo-se como um pólo de poder. Abaixo, um pequeno texto da Agência Nacional de Notícias, informando algumas decisões da conferência:
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Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
 

Brasília - Terminou hoje (31) a primeira rodada de debates sobre as propostas que estão em discussão durante a Conferência Nacional de Educação (Conae). Parte já foi aprovada, como a eleição direta para diretores nas escolas públicas e um número máximo de alunos por turma para cada etapa do ensino.
 
As propostas que já foram aprovadas hoje (31), em tese, seguem direito para o documento final da Conae, desde que nenhum delegado faça algum tipo de questionamento amanhã (1°), durante a plenária final. Mas a tendência é que elas sejam mantidas, porque já foram aprovados por mais de 50% dos participantes das plenárias dos eixos.
 
No eixo sobre a valorização profissional, ficou aprovado que o número máximo de alunos por turmas seja de 15 na pré-escola, 20 no ensino fundamental, 25 no ensino médio e 30 no ensino superior.
 
Os delegados também votaram a favor de uma proposta para criar o “ano sabático” para os professores da rede pública: a cada sete anos trabalhados, o profissional poderia tirar licença por um ano para estudar, mantendo a remuneração. Outra determinação é para que o piso nacional dos professores, estabelecido por lei em 2008, seja reajustado anualmente pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese.
 
Como ocorre em toda a conferência, as propostas aprovadas não têm força de lei, mas servem como um indicativo para as políticas públicas. No caso da Conae, elas serão diretrizes para a elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que vai orientar as políticas do setor para os próximos dez anos. O PNE precisa ser aprovado este ano pelo Congresso Nacional para vigorar a partir de 2011.
 
“A conferência é uma discussão da sociedade , mas não é executiva, nem normativa. O que a sociedade civil vai fazer é cobrar para ver se essas diretrizes serão aplicadas, por exemplo, no PNE”, explica o coordenador-geral da Conae, Francisco das Chagas.
 
Algumas propostas polêmicas, que não foram aprovadas pela maioria na discussão de cada um dos eixos, serão decididas amanhã na plenária final. Entre eles, estão a questão das cotas nas universidades públicas e a extinção do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), cujo objetivo é avaliar as competências e habilidades básicas de jovens e adultos que não tiveram acesso ao ensino regular na idade adequada para garantir a eles o direito a um diploma.
 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Presidente Lula no Canal Livre da Rede Bandeirantes.

Domingo próximo, dia 04 de abril, às 23:00 Hs. o presidente Lula dará uma entrevista no programa Canal Livre da rede Bandeirantes.

Avatar conta uma história que preferimos esquecer

Este artigo de George Monbiot foi sugerido para publicação aqui no blog pelo meu amigo Emerson Silva, que se encontra nesse momento na Venezuela, entusiasmado pelas conquistas da revolução bolivariana que presençia in loco.  Não vi o filme que é objeto da crítica de Monbiot, mas o seu artigo põe o dedo um uma ferida enorme do mundo civilizado.


Por George Monbiot

O Blockbuster em 3D Avatar, de James Cameron, é tanto profundamente tolo como profundo. É profundo porque, como em muitos filmes sobre alienígenas, é uma metáfora para o contato entre culturas humanas diferentes. Mas nesse caso a metáfora é consciente e precisa: esta é a história do engajamento europeu com os povos nativos das Américas. É profundamente tolo porque a exigência de um final feliz engendra um enredo tão estúpido e previsível que arranca o coração do filme. O destino dos nativos americanos é tratado com mais proximidade histórica do que a história contada em outro filme novo, The Road (John Hillcoat, 2009), no qual pessoas sobreviventes de um cataclismo fogem aterrorizadas enquanto são caçadas até a extinção.

Mas essa é uma história que ninguém quer escutar, por causa do desafio que oferece ao modo como escolhemos ver a nós mesmos. A Europa enriqueceu maciçamente com os genocídios nas Américas; as nações americanas foram fundadas neles. Essa é uma história que não podemos aceitar.

Em seu livro Holocausto Americano, o acadêmico estadunidense David Stannard documenta os maiores atos de genocídio que o mundo já experienciou. Em 1492, 100 mil povos nativos viviam nas Américas. No fim do Século XIX, quase todos eles tinham sido exterminados. Muitos morreram de doenças. Mas a extinção em massa também foi empreendida.

Quando os espanhóis chegaram nas Américas, eles descreveram um mundo que dificilmente teria sido muito diferente do seu próprio. A Europa foi devastada pela guerra, pela opressão, escravidão, fanatismo, doença e fome. As populações que encontraram eram saudáveis, bem nutridas e em sua maioria (com exceções, como os Astecas e Incas), pacíficas, democráticas e igualitárias. Pelas Américas, os primeiros exploradores, inclusive Colombo, observaram a extraordinária hospitalidade dos nativos. Os conquistadores ficaram maravilhados com as impressionantes estradas, construções e com a arte que encontraram, a qual em alguns casos ia além de tudo o que tinham visto antes. Nada disso os impediu de destruir tudo e todos que encontraram pelo caminho.

O açougue começou com Colombo. Ele abateu o povo nativo da Hispaniola (hoje Haiti e República Dominicana) por meio de uma brutalidade inimaginável. Seus soldados arrancaram bebês de suas mães e espatifaram suas cabeças em pedras. Jogaram seus cachorros sobre crianças vivas. Numa ocasião, eles enforcaram 13 índios em honra a Cristo e aos 12 discípulos, num cadafalso na altura em que seus dedos tocassem o chão, então os estriparam e queimaram vivos. Colombo ordenou que todos os nativos entregassem uma certa quantia de ouro a cada três meses; quem não o fizesse teria suas mãos cortadas. Por volta de 1535, a população nativa da Hispaniola havia caído de 8 mil para zero; parte como consequência de doença, parte como de assassinato, sobrecarga de trabalho e fome.

Os conquistadores espalharam sua missão civilizatória ao longo das Américas Central e do Sul. Quando não conseguiam dizer onde seus tesouros míticos estavam escondidos, os povos indígenas eram açoitados, afogados, desmembrados, devorados por cachorros, enterrados vivos ou queimados. Os soldados cortavam os seios das mulheres, devolviam as pessoas a suas cidades com suas mãos e narizes cortados, ao redor de seus pescoços e índios caçados por seus cães, por esporte. Mas a maior parte foi morta pela escravidão e doença. Os espanhóis descobriram que era mais barato fazer os índios trabalharem até a morte e substituí-los, do que mantê-los vivos: a expectativa de vida nas minas e plantações era de três a quatro meses. Um século após sua chegada, em torno de 95% da população da América Central e do Sul tinha sido destruída.

Na Califórnia, ao longo do Século XVIII a Espanha sistematizou o extermínio. Um missionário franciscano chamado Juniperro Serra deu cabo de uma série de “missões”: na realidade, de campos de concentração usando trabalho escravo. A população nativa foi arrebanhada pela força das armas e posta a trabalhar nos campos, com um quinto das calorias de que os afro-americanos escravos no Século XIX se nutriam. Eles morriam de tanto trabalhar, de fome e doença em índices alarmantes, e eram continuamente substituídos, limpando etnicamente as populações indígenas. Juniperro Serra, o Eichmann da Califórnia, foi beatificado pelo Vaticano em 1988. Neste momento esperam mais um só milagre seu para torná-lo santo.

Enquanto a colonização espanhola foi orientada pelo lustro do ouro, a Norte-Americana foi pela terra. Na Nova Inglaterra eles renderam as vilas dos nativos americanos e os assassinaram enquanto dormiam. Enquanto o padrão oeste de genocídio se espalhava, era endossado em níveis cada vez mais altos. George Washington ordenou a destruição total das casas e da terra dos Iroquois. Thomas Jefferson declarou que as guerras de sua nação com os índios deveriam continuar até que cada tribo “seja eliminada ou jogada para além do Mississipi”. No Massacre de Sand Creek, de 1864, tropas no Colorado abateram povos desarmados com a bandeira branca em mãos, matando crianças e bebês, mutilando seus corpos e guardando as genitálias das vítimas para usar como porta-tabaco ou amarrar seus chapéus. Theodore Roosevelt chamou a esse evento de “o feito mais correto e benéfico jamais ocorrido na fronteira”.

O abatedouro ainda não acabou: no mês passado, o Guardian reportou que fazendeiros brasileiros na Amazônia oeste, depois de abaterem a todos, tentaram mantar o último sobrevivente de uma tribo da floresta. Ainda assim, os maiores atos de genocídio da história raramente perturbam nossa consciência coletiva. Talvez tivesse vindo a ser isso o que teria ocorrido caso os nazistas houvesse vencido a Segunda Guerra Mundial: o Holocausto teria sido denegado, desculpado ou minimizado da mesma maneira, mesmo se continuasse a ocorrer. As pessoas das nações responsáveis – Espanha, Inglaterra, EUA e outros – não tolerarão comparações, mas as soluções finais empreendidas nas Américas foram muitíssimo melhor sucedidas. Aqueles que cometeram ou as endossaram ainda perseveram como heróis nacionais. Aqueles que fustigam nossa memória são ignorados e condenados.

É por isso que a direita odeia Avatar. No neocon Weekly Standard, John Podhoretz reclama que o filme parece “um western revisionista”, no qual “os índios se tornam caras bons e os Americanos, os caras ruins”. Ele diz que o filme questiona “as raízes da derrota dos soldados americanos nas mãos da insurgência”. Insurgência é uma palavra interessante para uma tentativa de resistir à invasão: insurgente, como selvagem, é como é chamado alguém que tem alguma coisa que você quer. L'Observatore Romano, jornal oficial do Vaticano, condenou o filme, chamando-o de “apenas...uma parábola anti-imperialista e anti-militarista”.

Mas ao menos a direita sabe o que está atacando. No New York Times, o crítico liberal Adam Cohen elogia Avatar por defender a necessidade de se ver claramente. O filme revela, diz ele, “um princípio bem conhecido do totalitarismo e do genocídio, que o oponente é melhor oprimido quando não podemos vê-lo”. Mas, numa formidável ironia inconsciente, ele contorna estrondosamente a metáfora óbvia e, em vez de falar dela, ele enfatiza as atrocidades nazistas e soviéticas. Nós nos tornamos todos hábeis na arte de não ver.

Eu concordo com as críticas de direita que dizem que Avatar é rude, enjoativo e clichê. Mas ele fala de uma coisa mais importante – e mais perigosa – do que aquelas contidas em milhares de filmes de arte.

Greve dos professores em São Paulo

A greve dos professores de São Paulo tem nos dado uma mostra do que seria um virtual governo do PSDB em nível nacional. A ação repressiva tem sido violenta e envolve práticas absolutamente condenáveis, como o fato de infiltrar policiais nas manifestações. Para quem pensa que essa prática é uma atitude isolada, é bom saber que o governo de Yeda Crucius, também do PSDB, no Rio Grande do Sul, agiu da mesma forma. A foto ao lado mostra um policial infiltrado com uma credencial falsa do site jornalístico "carta maior".
 A grande imprensa tenta proteger o quanto pode o seu candidato e faz uma cobertura pífia do movimento dos professores, mas estes dão uma demonstração de brio e dignidade, tentando, mesmo com toda ação repressiva e truculenta do governo estadual, estabelecer um canal de negociação. A greve tem apoio de todas as instituições representativas dos professores. A tentativa do governo de acusar o movimento de ser um movimento eleitoral demonstra a total desqualificação do governo, pois eles afirmam isso como se não houvesse razões objetivas para a greve. Por exemplo: desde 2005, os professores paulistas receberam apenas 5% de aumento salarial, contra uma inflação de 22% no período". E isso é só o começo da história.
 Todo apoio à greve dos professores da Rede Estadual de São Paulo!
 
 

terça-feira, 30 de março de 2010

Joseph Campbell, o evolucionista das religiões

Joseph Campbell, o evolucionista das religiões


por Luiz Biajoni –

   Mais do que Darwin, Joseph Campbell (1904-1987) investigou, ao longo de toda sua vida, não a evolução das espécies, mas a evolução das religiões. O resultado mais importante dessa investigação é a obra apropriadamente chamada As máscaras de Deus, dividida em 4 volumes: Mitologia primitiva, Mitologia oriental, Mitologia ocidental e Mitologia criativa. Nela, o pesquisador mostra como nasceram mitos que originaram religiões em todo o mundo, cruza dados e histórias, apontando semelhanças, mostrando onde estão os interesses por trás das religiões enquanto forças sociais e, até onde o vasto conhecimento lhe permite, desvela as metáforas das histórias mitológicas.

O mais importante desse trabalho, diz ele, é mostrar para as mentes estreitas que os mitos tendem a se tornar História – e isso é triste. Citando Alan Watts (Myth and ritual in Christianity): “O Cristianismo foi interpretado por uma hierarquia ortodoxa que degradou o mito até convertê-lo em ciência e história. [...] Porque quando o mito é confundido com história, ele deixa de aplicar-se à vida interior do homem.”

Em uma de suas palestras memoráveis – várias reunidas em livros lançados no Brasil –, Campbell conta sobre um trecho do livro sagrado do budismo onde Buda estica uma das mãos e de cada dedo sai um tigre que ataca seus inimigos. Se esse trecho estivesse na Bíblia, com Jesus Cristo como protagonista, crentes iriam jurar de pés juntos que foi assim mesmo que aconteceu.

Segundo Campbell, em todo Oriente prevalece a idéia de que o último plano da existência é algo além do nosso pensamento e nosso entendimento. Sendo assim, podemos acreditar no mistério mas não racionalizar ou querer situá-lo histórica e geograficamente. De maneira que não há o culto como conhecemos no Ocidente. Linhas de pensamento religioso orientais são: “Saber é não saber, não saber é saber” (Upanishad), “Os que sabem permanecem quietos” (Tao Te King), “Isto és tu” (Vedas). Chegar ao outro lado da margem do pensamento para encontrar paz e bem-estar é a finalidade do mito oriental.

No mito ocidental existe sempre um criador e uma criatura e os dois não são o mesmo – estão sempre em conflito e sempre há alguém ou algo a atrapalhar, incomodar; um diabo, um extraviado da criação. Diante da pouca importância que o homem tem diante de um Deus tão exigente, ele deve se ajoelhar e servir e não questionar e obedecer a parâmetros sempre ditados por alguma instituição, uma igreja, uma denominação. É uma religião de subserviência, cuja gestão é o conflito e o terrorismo psicológico, imposto pelas lideranças religiosas ou auto-imposto pelos crentes.

Para Campbell, “o divisor geográfico entre as esferas oriental e ocidental do mito e do ritual é o planalto do Irã”. O terceiro volume de As máscaras de Deus, que trata da Mitologia Ocidental, escrito em 1964, conta o nascimento da religião muçulmana e como ela cresceu no Oriente Médio, tornando-se ameaçadora para o cristianismo; as tensões que abalavam a ordem cristã que era sustentada por uma mitologia de autoridade clerical.

Talvez esse quadro geral tenha gerado o fanatismo, alimentado pelas lideranças religiosas; e o dinheiro que estas têm pode ter influenciado na ordem social. Campbell, otimista e racional, escreveu:

Nenhum adulto hoje se voltaria para o Livro do Gênese com o propósito de saber sobre as origens da Terra, das plantas, dos animais, do homem. Não houve nenhum dilúvio, nenhuma Torre de Babel, nenhum primeiro casal no paraíso, e entre a primeira aparição do homem na Terra e as primeiras construções de cidades, não uma geração (de Adão para Caim), mas milhares delas devem ter vindo a esse mundo e passado a outro. Hoje nos voltamos para a ciência em busca de imagens do passado e da estrutura do mundo. O que os demônios rodopiantes do átomo e as galáxias a que nos aproximam telescópios revelam é uma maravilha que faz com que a Babel da Bíblia pareça uma fantasia do reino imaginário da querida infância de nosso cérebro.

Ele mal sabia que as religiões se fortaleceriam, ganhariam cada vez mais adeptos e fanáticos, se ramificariam e tomariam de assalto a educação, a ciência e mesmo a sanidade racional do homem.



As idéias de Campbell fizeram sucesso nos anos 70, ele se tornou um ícone para os hippies-paz-e-amor pregando (essa não é nem de longe a melhor palavra, mas vou deixar) o compromisso social geral pelo avanço irrestrito da sociedade, com tolerância e respeito ao outro, pela paz e pela metáfora religiosa como elemento de ligação entre o ser e o mistério. Não por acaso, Campbell é o autor que inspirou George Lucas na saga Guerra nas estrelas – e o ponto culminante do primeiro filme, quando Luke Skywalker vai destruir a Estrela da Morte e os equipamentos falham, é a “voz da consciência” do herói que pede que ele não acredite nos aparelhos (assim como não devemos acreditar nas histórias míticas ou no que diz qualquer pretenso salvador) e acredite em si mesmo.

As histórias mitológicas – assim como Guerra nas estrelas inaugou uma mitologia – deviam servir como metáforas para nossas vidas. O problema é que as pessoas não sabem o que é metáfora; acham que uma metáfora é uma mentira. As escrituras sagradas são todas metáforas, mas os religiosos conseguem entende-las apenas como Realidade, e acham que aqueles que não entendem que se trata de Realidade consideram o que está ali escrito, Mentiras.

Um radialista uma vez quis pegar Campbell ao vivo nesta encruzilhada e perguntou ao pesquisador o que era uma metáfora. Campbell devolveu a pergunta e o radialista deu um exemplo de metáfora: “Ele corre como um coelho”. Campbell disse que era justamente aí que estava o problema: metáfora seria se se dissesse “Ele é um coelho”. Na afirmação justa de uma realidade improvável, a condenação de um mundo.

As grandes metáforas das religiões não podem ser entendidas como realidade e não podem atrapalhar o avanço científico da sociedade; não podem interferir na paz entre países, nem em angústias para as pessoas; não podem restringir o direito de amar – ora vejam! –, nem provocar ódio. As grandes metáforas das religiões deveriam ser poesias para os ouvidos – mas ninguém quer saber de poesia!

“Alguns, talvez, queiram ainda curvar-se diante de uma máscara, por medo da natureza. Mas se não há divindade na natureza, a natureza que Deus criou, como poderia haver na idéia de Deus, que a natureza do homem criou?” – pergunta Campbell.

Pois qualquer um que não entenda que foi o homem quem criou Deus, talvez não possa discutir coisa alguma de maneira sensível e racional.


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P.S.: Além de Darwin, Campbell deveria ser estudado nas escolas, com a intenção de abrir os horizontes sobre a religião na cabeça dos jovens. Um livro de Campbell indicado para evangélicos é Isto és tu (Landy Editora, 2002). É um bom começo para quem se interessa pela visão metafórica – especialmente do cristianismo, no caso desse livro. Para quem conhece a obra de Campbell, porém, esse livro é algo deprimente, já que ele tenta vender a imagem do autor como católico, dizendo que Campbell, no fim da vida, num hospital em Honolulu, diante de uma imagem de Cristo, “experimentou profundamente o âmago do símbolo cristão”, como se tivesse “aceitado” alguma religião. Acredito que tenha acontecido a cena, mas quem a viu a interpretou – mais uma vez – de modo errado. Sua mulher, Jean Erdman, teria dito que Campbell ficou emocionado ao ver a imagem, já que se tratava do Cristo Triunfante, “símbolo do zelo da eternidade pela encarnação no tempo, que envolve a dissolvência do uno no múltiplo e a aceitação dos sofrimentos de uma maneira confiante e jubilosa”. Ele estava com câncer e muita dor. Algum fanático vai dizer que ele mereceu morrer assim.

domingo, 28 de março de 2010

Evaldo Braga - O ídolo negro

Evaldo Braga, ou o ídolo negro, foi um dos artistas mais queridos do seu tempo. Sua música embalou os sonhos apaixonados de muitos jovens das periferias do Brasil inteiro. Era um verdadeiro fenômeno de massa. Ainda hoje a simples menção do seu nome faz muita gente chorar, principalmente pela forma trágica e abrupta de sua morte. Infelizmente, talvez por viés estético-classista, a sua obra não mereceu a atenção de muitos que pesquisaram a música popular brasileira. De todo modo, há excessões, e aqui mostro uma delas. Um belo documentário sobre a vida e a obra desse grande ídolo popular, que, não obstante sua curta trajetória, mobilizou as emoções de muita gente nas décadas de 1960 e 1970. Segue abaixo as três partes nas quais se dividem o documentário.

parte 1:



parte 2:



parte 3:

sábado, 27 de março de 2010

Marina Silva e o criacionismo

A candidata Marina Silva tem uma história de vida muito bonita, mas, é bom que se diga, não é só isso que credencia um candidato a assumir um cargo eletivo. Mais ainda quando esse cargo é o de presidente da república. A ex-ministra tem se esforçado para se mostrar como opção viável ao PT e ao PSDB, mas parece que seu caminho tem sido o de caminhar mais e mais para a direita do espectro partidário. Recentemente ela recebeu a adesão de Eduardo Gianetti, economista muito identificado com o PSDB, e consta em seus discursos (ou de seus colaboradores)expressões tais como "enxugar o estado", e outras tão ao gosto dos chamados "neo-liberais". Recentemente até, suas propostas foi chamada de "liberalismo sustentável". Enfim... ela tenta se livrar dessa imagem, como também tenta se livrar da imagem de criacionista. Mas vejam esse video feito em um congresso criacionista no qual Marina esclarece sua posição no debate. Ela chega a dizer que a ciência deveria dar a mesma acolhida às teses criacionistas, que os religiosos dão ao discurso científico.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O pirulito da ciência ao vivo - DVD de Tom Zé

Segue abaixo um pequeno trecho de um documentário sobre Tom Zé. Como sempre, é muito interessante ver e ouvir esse velho baiano.

A greve dos professores em São Paulo.

Os professores “amam” Gilberto Dimenstein

 Por Altamiro Borges

 



Numa das principais faixas da passeata dos professores de São Paulo, que mobilizou mais de 60 mil grevistas e virou “não-notícia” na mídia demotucana, foi possível ler: “Greve é cidadania. Dimenstein, vá pentear macaco”. Ela é assinada pela subsede da Apeoesp de Cotia e expressa o grau de revolta da categoria contra Gilberto Dimenstein, o paparicado colunista da FSP (Folha Serra Presidente), que vive desqualificando os docentes e os seus movimentos reivindicatórios.

Em recente artigo, ele babou: “Greve contra os pobres”. Ele elogia os programas de meritocracia do governo tucano e afirma, na maior caradura, que “não vou discutir aqui o pedido de aumento salarial” da categoria. Ele tenta jogar a sociedade contra os professores, mas se recusa a falar dos péssimos salários, das condições precárias das escolas e do péssimo nível de ensino, todos entre os piores do país. O artigo foi a gota d’água. Dimenstein até que poderia pintar num protesto dos grevistas para explicar suas “brilhantes” teorias sobre educação, difundidas na sua sinistra ONG.

Cobertura asquerosa da mídia

A revolta dos grevistas não se limita à figura patética do colunista da Folha, que é muito próximo do tucano Serra e do demo Kassab. Ela se estende a toda mídia privada. O Estadão, por exemplo, publicou opinião raivosa contra a categoria. “A greve do professorado paulista não passa de encenação”, atacou o editorial intitulado “greve política”. Já as redes de televisão não exibem as gigantescas mobilizações da categoria e quando tratam da paralisação, iniciada em 8 de março, é para insinuar que ela “congestiona o trânsito e atrapalha a vida do paulistano”.

Num dos piores exemplos da manipulação “jornalística”, a mídia tratou como verdade a nota da Secretaria de Educação que afirmou que a greve teria “apenas 1% de adesão”. Para justificar a farta publicidade do governo estadual, ela decretou o fracasso do movimento. Ela nem sequer se deu ao trabalho de ir às escolas para conferir a falsa declaração, que logo foi desmentida pelos protestos que reúnem mais de 50 mil grevistas. Além de abalar a imagem do tucano Serra, a poderosa greve dos professores serve para desmascarar, de vez, a mídia venal e seus colunistas de aluguel.

quinta-feira, 25 de março de 2010

origem das representações numéricas


Muita gente já ouviu falar disso, mas para quem não sabe segue a informação: o quadro acima mostra como originalmente os algarismos arábicos tinham em suas representações gráficas a quantidade de ângulos relativa a quantidade indicada. ou seja, o desenho do número 1 possui um ângulo; o 2, dois ângulos e assim por diante. Interessante, não?

Cuba

De vez em quando a fúria da mídia internacional volta-se contra o regime cubano, e pautada por essa visão, a mídia nacional faz eco e pratica o péssimo jornalismo que bem conhecemos. Como sempre, eles não dão às partes envolvidas direitos iguais de manifestação e praticam o mais baixo maniqueísmo. A mais recente investida se refere às manifestações das "damas de blanco". A manifetação é mostrada como um legítimo movimento de massa que questiona o governo cubano. O que não é mostrado pela mídia é a espontânea resposta popular, que acusa, inclusive, as "damas" de mercenárias. O que acontece é que essas mulheres de branco protestam pela liberdade de seus maridos, sendo que alguns deles, como é o caso de Guilherme Fariñas, está preso por ter praticado atos criminosos.
Cuba, como qualquer país, pode e dever ser objeto de crítica. O que é inadimissível é aceitar como fato as distorções criadas pela mídia. Coloco abaixo um link para um belo artigo de Breno Altman, do sítio Opera Mundi, no qual o autor nos lembra de como a imprensa nacional e internacional tão furiosa contra Cuba, silencia frente aos presos por consciência e a tortura oficial em Israel.

http://www.operamundi.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1073


sábado, 20 de março de 2010

Eleições 2010, mais uma pesquisa

Pesquisa do Ibope desta semana (dia 17 de março) confirma o que o datafolha já tinha apresentado há algumas semanas atrás: Dilma chega a menor distância de Serra desde que as sondagens começaram. Essa tendência tem se acentuado na medida em que o tempo vai passando e as pessoas comuns - refiro-me às menos politizadas - vão associando a candidata com o presidente Lula. Mesmo assim o Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, vaticina que Lula não fará seu sucessor. Creio que Montenegro (sim é aquele mesmo que fazia parte do "núcleo duro" de Fernando Collor) confunde análise política e eleitoral com seu próprio desejo. A pesquisa também detecta um novo recorde de aprovação do governo Lula: 75% de ótimo e bom, e apenas 5% de ruim e péssimo. Bom, por tudo isso, entende-se o bater de cabeças da oposição. Não tem agenda; não tem proposta; não pode nem atacar o governo, pois se o fizer tende a perder mais votos. Ou seja, um inferno pra Serra... melhor pro Brasil.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Experiência com aranhas

Há anos atrás vi uma notícia que dava conta da utilização, a título de experiência,  de determinadas substâncias em aranhas. Tentei encontrar essa notícia pois não lembrava bem dos resultados. Procurei na internet e encontrei um site que tem inclusive as imagens de cada teia construída pelas aranhas "drogadas". É bem interessante! É bem verdade que não sei a razão da aranha ter sido escolhida para essa experiência, mas de todo modo, é interessante.








Cientistas da Nasa testaram a influência de diversas substâncias na capacidade de uma aranha construir a sua teia.

  Os experimentos mostraram que aranhas caseiras reagem de forma diferente para cada substância narcotizante.


 Teia Normal



 

  Quando a aranha é submetida a algumas doses do principio ativo da Cannabis sativa (maconha), a teia fica da seguinte forma:

 Maconha


  Ao usar Benzedrina (anfetamina) a aranha perde o planejamento da teia.

 Benzedrina



  A cafeina foi a droga que mais causou confusão na aranha.

Cafeína

 

  O uso do Noctec ('anestésico') resultou em uma teia com poucos fios.


Noctec (choral hydrate)

domingo, 14 de março de 2010

O homem que engarrafava nuvens, Ou a saga do homem que “inventou” o baião.


“O homem que engarrafava nuvens” é o título de um maravilhoso documentário-musical. Trata-se de uma daquelas obras que nos remete a um “Brasil profundo”, na feliz expressão do mestre Mário de Andrade. Aliás, o Brasil é um país de mestres: ora são mestres eruditos, homens afeitos à erudição e de cultura enciclopédica, como o caso do próprio Mário, ora mestres de uma longa e profunda tradição oral e popular. Mas há casos em que essas duas figuras se cruzam em um único e mesmo personagem, e este é o caso de Humberto Teixeira.
            O documentário expressa muito bem esse cruzamento, mostrando o quão sofisticado era o “doutor”. Mas mesmo com toda sofisticação, Humberto era atraído, e mais que isso, conhecia bem esse universo do homem sertanejo, do vaqueiro e de todos os símbolos que atravessam a cultura popular nordestina. Essa percepção fina se evidencia nas letras que fez para Luiz Gonzaga musicar. Como bom poeta sabia captar as histórias e contá-las como se fossem suas. Um exemplo fantástico disso é a história da composição de “respeita Januário”, que infelizmente não está no documentário. Consta que Luiz Gonzaga contou a Humberto sua volta a Exu, terra natal de Luiz, e seu encontro com seus familiares. Humberto ao ouvir a história teria dito de imediato que ali estava uma história fantástica para virar canção. Em pouco tempo estava composta a letra da canção, que em seu conjunto é quase toda falada.
A letra trata com humor um movimento mítico de retorno do “herói” às suas fontes originais. Este mitologema (parte de uma narrativa mítica que se repete em várias narrativas) é muito caro ao migrante, mesmo que ele não esteja bem consciente disso. O retorno, no entanto, não ocorre de forma triunfal para o herói em questão, pois no episódio que a canção narra, o eu lírico, o próprio Gonzaga, volta todo ancho por ter feito a tal jornada do sudeste; de ter ganho muito dinheiro – “enricou! tá rico! pelos cálculos que eu fiz, ele deve possuir pra mais de 10 contos de réis!” –; de ser um artista famoso, etc.  De forma genial, a canção põe em relevo a sabedoria local enfatizando que mesmo com todo esse cartaz de Gonzaga, que possuindo uma sanfona de 120 baixos só toca na verdade em dois, enquanto que Januário, seu pai, não. Possui uma sanfona de apenas oito baixos, mas toca em todos eles. Luiz Gonzaga, de forma engraçada, conta o próprio ridículo ao qual foi exposto com sua soberba.
O documentário toca, ainda que de forma não aprofundada (talvez porque o tempo seja curto mesmo), na questão da invenção do baião. Fiz questão de já no título dessa matéria me referir a Humberto Teixeira como o homem que inventou o baião, porque de fato o gênero foi concebido, como afirma o poeta Bráulio Tavares em seu texto “o baião é carioca”, no Rio de Janeiro como fruto de um projeto estético-musical de Humberto e Gonzaga. Claro que o baião como elemento musical com determinadas características rítmicas já existia, e ambos o ouviam em suas respectivas infâncias nordestinas. Mas, como afirma Bráulio, essa música era predominante instrumental e destinada à dança. O projeto consistia então, em produzir no formato canção, uma música que invocasse toda uma paisagem nordestina, uma formação instrumental também nordestina, com foco na sanfona e cantada por um artista paramentado com a indumentária do vaqueiro. Eis aí o baião moderno e urbano.
Podemos depreender dessa passagem, que o Luiz Gonzaga que nós conhecemos e que emerge no cenário musical na segunda metade da década de 1940 com a gravação da canção “asa branca”, é uma invenção. Uma invenção no melhor estilo de uma tradição inventada tal qual nos fala o historiador Eric Hobsbawm. Mas que as coisas menor. Pelo contrário. Gonzaga e Humberto criam um personagem para dar relevo a um conjunto de manifestações estéticas cuja necessidade expressiva reclamava um canal de veiculação. Foi ele, Gonzaga, esse canal de expressão, e por isso os dois inventores merecem os títulos que ganharam: um o de rei do baião, e o outro de doutor do baião.
Muitas outras coisas merecem destaque no filme, mas por falta de espaço farei menção apenas a mais duas. Na primeira refiro-me a uma certa tensão entre o samba e o baião, que discretamente aparece no filme. No momento em que o projeto baião tenta decolar, a cena carioca, e de certa forma brasileira, era dominada pelo samba. Claro que esse projeto estético que o baião representava iria de qualquer maneira se confrontar com o ritmo carioca. Num primeiro momento no “baião de São Sebastião” Gonzaga diz: “eh Rio de Janeiro, do meu São Sebastião / pare o samba 3 minutos pr'eu cantar o meu baião”. E no segundo momento a relação é menos de pedir licença: “eu já dancei balanceio, chamego, samba e xerém, mas o baião tem um quê, que as outras danças não têm”.
            A segunda e última menção refere-se a algumas ausências: Faltou Gonzaguinha, que pena. No capítulo que fala do tropicalismo poderia ter Tom Zé, com suas reflexões originais, e por fim faltou falar de um baião instrumental que fez muito sucesso na década de 1950: “delicado” de Waldir Azevedo. Tudo bem que essa obra não era de autoria de Humberto, mas sendo o documentário em grande medida sobre o baião, poderia constar essa referência no capítulo que tratou da inserção internacional do baião (aliás um capítulo riquíssimo, por sinal).
            No momento positivo que o Brasil da era Lula atravessa, é muito saudável mergulhar numa obra como esta, que celebra a vitalidade e a originalidade da cultura brasileira.

sexta-feira, 12 de março de 2010

o caso Orlando Zapata

 Muito se tem falado sobre a morte do cubano Orlando Zapata. O caso tem sido usado como mote pra se atacar a suposta ditadura cubana e seus terríveis mentores. De quebra, a imprensa nacional aproveita pra acusar o presidente Lula de apoiar e ser conivente com os excessos cubanos. Como sempre a mídia nacional e internacioanal fez o que sempre faz: manipula informações ao seu bel prazer, distorce e não dá direito ao contradito. Cumpre aqui, então, dar espaços a outras explicações, como esta que segue abaixo, sobre o processo de prisão que por força da greve de fome levou o preso à morte. O texto (meio em portunhol) é do jornalista Enrique Ubieta Gómez.

A absoluta carência de mártires que padece a contrarrevolución cubana, é proporcional a sua falta de escrúpulos. É difícil morrer-se em Cuba, não já porque as expectativas de vida sejam as do Primeiro Mundo —ninguém morre de fome, pese à carência de recursos, nem de doenças curables—, senão porque impera a lei e a honra. Os mercenários cubanos podem ser detidos e julgados segundo leis vigentes —em nenhum país podem violar-se as leis: receber dinheiro e colaborar com a embaixada de um país considerado como inimigo; nos Estados Unidos, por exemplo, pode acarretar severas sanções de privação de liberdade—, mas eles sabem que em Cuba ninguém desaparece, nem é assassinado pela polícia. Não existem “escuros rincões” para interrogatórios “não convencionales” o presos-desaparecidos, como os de Guantánamo ou Abu Ghraib. Por demais, um entrega sua vida por um ideal que prioriza a felicidade dos demais, não por um que prioriza a própria.
Nas últimas horas, no entanto, algumas agências de imprensa e governos apressaram-se em condenar a Cuba pela morte em prisão, o passado 23 de fevereiro, do cubano Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas o eco mediático se tiñe desta vez de entusiasmo: ao fim —parecem dizer—, aparece um “herói”. Por isso se impõe explicar brevemente, sem qualificativos innecesarios, quem foi Zapata Tamayo. Pese a todos os maquillajes, se trata de um preso comum que iniciou sua atividade delictiva em 1988. Processado pelos delitos de violação de domicílio” (1993), “lesões menos graves” (2000), “fraude” (2000), “lesões e tenencia de arma branca” (2000): feridas e fratura lineal de cráneo ao cidadão Leonardo Simón, com o emprego de um machete), “alteração da ordem” e “desordens públicas” (2002), entre outras causas em nada vinculadas à política, foi liberto baixo fiança o 9 de março do 2003 e voltou a delinquir o 20 do próprio mês. Dados seus antecedentes e condição penal, foi condenado desta vez a 3 anos de cárcere, mas a sentença inicial ampliou-se de forma considerável nos anos seguintes por sua conduta agressiva em prisão.
Na lista dos chamados presos políticos elaborada para condenar a Cuba no 2003 pela manipulada e extinta Comissão de Direitos Humanos da ONU, não aparece seu nome —como afirma, sem verificar as fontes e os fatos, a agência espanhola EFE—, apesar de que sua última detenção coincide no tempo com a daqueles. De ter existido uma intencionalidad política prévia, não tivesse sido libertado onze dias dantes. Ávidos de enrolar à maior quantidade possível de supostos ou reais correligionarios nas filas da contrarrevolución, por uma parte, e convencido pela outra das vantagens materiais que entranhava uma “militancia” amamantada por embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou o perfil “político” quando já sua biografia penal era extensa.
No novo papel foi estimulado uma e outra vez por suas mentores políticos a iniciar greves de fome que minaram definitivamente seu organismo. A medicina cubana acompanhou-o. Nas diferentes instituições hospitalarias onde foi tratado existem especialistas muito qualificados —aos que se agregaram consultantes de diferentes centros—, que não escatimaron recursos em seu tratamento. Recebeu alimentação por via parenteral. A família foi informada da cada passo. Sua vida prolongou-se durante dias por respiração artificial. De todo o dito existem provas documentales.
Mas há perguntas sem responder, que não são médicas. Quem e por que estimularam a Zapata a manter uma atitude que já era evidentemente suicida? A quem lhe convinha sua morte? O desenlace fatal regocija intimamente aos hipócritas “dolientes”. Zapata era o candidato perfeito: um homem “prescindible” para os inimigos da Revolução, e fácil de convencer para que persistisse em um empenho absurdo, de impossíveis demandas (televisão, cozinha e telefone pessoais na cela) que nenhum dos cabeças reais teve a valentia de manter. A cada greve anterior dos instigadores tinha sido anunciada como uma provável morte, mas aqueles grevistas sempre desistiam dantes de que se produzissem incidentes irreversibles de saúde. Instigado e alentado a prosseguir até a morte —esses mercenários esfregavam-se as mãos com essa expectativa, pese aos esforços não escatimados dos médicos—, seu nome é agora exibido com cinismo como troféu coletivo.
Como buitres estavam alguns meios —os mercenários do pátio e a direita internacional—, merodeando em torno do moribundo. Seu deceso é um banquete. Asquea o espetáculo. Porque os que escrevem não se conduelen da morte de um ser humano —em um país sem mortes extrajudiciais—, senão que a enarbolan quase com alegria, e a utilizam com premeditados fins políticos. Zapata Tamayo foi manipulado e de certa forma conduzido à autodestrucción premeditadamente, para satisfazer necessidades políticas alheias. Talvez isto não é uma acusação contra quem agora se apropriam de sua “causa”? Este caso, é conseqüência direta da assassina política contra Cuba, que estimula à emigración ilegal, ao desacato e à violação das leis e a ordem estabelecidos. Ali está a única causa dessa morte indeseable.
Mas, por que há governos que se unem à campanha difamatoria, se sabem —porque o sabem—, que em Cuba não se executa, nem se tortura, nem se empregam métodos extrajudiciais? Em qualquer país europeu podem achar-se casos —às vezes, francas violações de princípios éticos—, não tão bem atendidos como o nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutavam por sua independência nos anos oitenta, morreram no meio da indiferença total dos políticos. Por que há governantes que eludem a denúncia explícita do injusto confinamiento que sofrem Cinco cubanos nos Estados Unidos por lutar contra o terrorismo, e se apressam em condenar a Cuba se a pressão mediática põe em perigo sua imagem política? Já Cuba o disse uma vez: podemos enviar-lhes a todos os mercenários e suas famílias, mas que nos devolvam a nossos Heróis. Nunca poderá se usar o chantaje político contra a Revolução cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa Pátria não poderá ser jamais intimidada, doblegada, nem apartada de sua heroico e digno caminho pelas agressões, a mentira e a infamia

quinta-feira, 11 de março de 2010

Liberdade de expressão? O que é isto?

  Sei que o tema é polêmico, mas vou dizer assim mesmo: o pensamento reacionário faz suas escolhas e toma posição. Vejam o caso do jornal "o globo" sobre o tema das cotas etnico-raciais nas universidades. Um grupo que atua em favor das referidas cotas resolveu publicar um manifesto em jornais de grande circulação. Em princípio o jornal cobrou para a publicação o valor de R$ 54.163,20, mas depois de analisar o conteúdo o valor foi majorado para R$ 712.608,00. A partir disso um grupo de ativistas sociais e intelectuais do Rio de Janeiro protocolou nesta segunda (8) uma representação contra o jornal no Ministério Público desse Estado. Eles acusam a publicação de agir contra a liberdade de expressão ao inviabilizar um anúncio de um manifesto do movimento nacional Afirme-se!, favorável as políticas de ação afirmativa e das cotas raciais.
  Curioso isso, não? Logo O globo que há pouco tempo integrou o 1º forum "Democracia e liberdade de expressão".  O que podemos pensar da definição que esta gene tem de liberdade de expressão? Creio que a expressão seja simples: liberdade de expressão nada mais é do que a possibilidade dos grandes meios de comunicação (apesar de muitas vezes usarem concessões públicas) de expressarem o que é de seu interesse. Simples!
 

globalização

Em tempos de globalização acelerada é possível pensar que o mundo tende a uma hibridização cultural em larga escala. Talvez este seja um raciocício ingênuo. Na outra margem, encontramos uma linha de pensamento que aponta para uma fratura cultural e a concomitante formação de blocos culturais que irão por fim se degladiar: o "choque das civilizações", expressão cunhada por Samuel Huntington. Uma das novidades trazidas por esta teorização é o deslocamento do "motor da história", pois este deixaria de ser econômico, como queria Marx, para ser cultural. Na concretude das coisas vivas pode até ser que as duas teses não se excluam. Sei lá! De todo modo, a imagem ao lado é muito interessante por lembrar ao xenófobos, que a dinâmica cultural tende a se hibridizar sempre. O sistema-mundo-moderno-colonial, expressão do Milton Santos, foi criado para atender as expectativas de acumulação do capital, mas, independente das intenções dos seus formuladores, ele traz nas suas margens a tendência demasiado humana de juntar, aglutinar e produzir sínteses. e segue a vida...

sábado, 6 de março de 2010

mídia e poder

  Quem tem alguma dúvida com relação ao jogo pesado que o PIG pretende levar a cabo nas próximas eleições, basta dar uma olhada no sítio eletrônico do Instituto Millenium. Lá, eles dizem com todas as letras o que em tempo passado era dito em papo de alcova. A questão é a seguinte: em contraponto a 1ª CONFECOM (conferência  nacional de comunicação), os grandes meios de comunicação do Brasil realizaram o 1º forum democracia e liberdade de expressão. Lá estavam a nata do pensamento jornalístico-direitista contemporâneo: Demétrio Magnoli, João Roberto Marinho e Arnaldo Jabor, entre outros. Justamente este último disse em alto e bom som, o que o campo conservador (leia-se de direita) deve fazer para impedir que o atual projeto de governo vença as eleições de outubro. Colocarei entre aspas a fala exata, para que o leitor tenha a dimensão da pérola: “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”. O "isso" ao qual ele se rerere, é a eleição da Dilma. Então, vejam como é fácil perceber como a mídia age como um partido político, tentando fazer o que o campo político da direita brasileira está demonstrando ser incapaz de realizar.
 Não há dúvida que a questão das comunicações está no centro das discussões políticas na contemporaneidade. É assim na Venezuela, onde a RCTVestava na linha de frente da tentativa de golpe. Foi assim em Oaxaca, no México, há alguns anos atrás, quando uma greve de professores redundou num grande movimento social e cívico e o controle da rádio local foi fundamental para o movimento (nossa imprensa não deu uma linha sobre o ocorrido). É assim na Argentina, onde uma nova lei tenta produzir um maior controle social dos meios de comunicação. Enfim... não faltam exemplos. O controle social dos meios de comunicação é encarado pelo grande capital midiático como um ataque à "liberdade de expressão", e esse tem sido o mote para tentar produzir o consenso conservador. como sabemos todos, o que eles chamam de "liberdade de expressão" deve ser entendido como a liberdade de um certo grupo político utilizar as concessões públicas para atuar em favor da reprodução de seus interesses.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Closed zone - uma animação sobre a situação palestina

Uma animação sobre a situação palestina, ou melhor, sobre o cerco imposto pelo estado de Israel ao povo palestino.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Diferença entre Dilma e Serra cai para quatro pontos percentuais, diz Datafolha

  Uma nova pesquisa Datafolha mostra que a distância entre a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), caiu de 14 para apenas quatro pontos percentuais desde dezembro. e mais: a mesma pesquisa aponta que a aprovação ao governo Lula situa-se em torno de 73%. Se somarmos a estes, mais 20% dos que acham regular temos um total de 93%.
Tenho dito aos meus amigos em tom de brincadeira, que se a marcha dos números continuar nessa batida a Dilma vence no primeiro turno. Isso se houver candidato de oposição...
  Na última pesquisa do mesmo instituto Dilma estava com 5% a menos e Serra com 5% a mais. Parece que na medida em que os eleitores menos politizados (o grosso dos eleitores) vão identificado Dilma como a candidata do Lula, os votos vão sendo transferidos "naturalmente".
 Com a vitória do candidato da direita no Chile, onde a presidente Michelet tem uma aprovação muito boa, a imprensa local (PIG), começou a levantar a tese de que mesmo com uma aprovação positiva, Lula poderia não conseguir transferir os votos para sua candidata. Bom, no andar da carruagem, parece que é mais uma tese do PIG (Partido da Imprensa Golpista) que naufraga.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O futuro dos alimentos

Não circula nos grandes aparatos midiáticos os crimes perpetrados diariamente pelo agro-negócio. Trata-se de crimes contra a soberania alimentar dos povos e que põe em risco, se não a existência do planeta, a própria vida de milhares ou bilhões de pessoas. Bom, muito de nós já sabemos disso, mas é preciso comprometer cada vez mais pessoas com um tipo de consumo e de prática social que apontem para a compreensão dos riscos do modo de vida qua as "monsantos" da vida nos oferece.
O vídeo abaixo é importante no sentido de divulgar o que está acontecendo com industrialização da agricultura; o controle legal das sementes, com a concomitante redução das mesmas e o impacto disso tudo na vida das sociedades humanas.
Estima-se que no passado havia mais de 5.ooo tipos de batatas, por exemplo, e só nos EUA havia, no século XIX, mais de 7.ooo variedades de maçãs. Tudo isso foi reduzido para melhor controle das indústrias de veneno e de sementes, tendo essas duas se juntado e se transformado em grandes conglomerados, como a já mencionada monsanto.
O vídeo é ótimo para trabalho em sala de aula. Vejam (aqui está somente a primeira parte):

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Só dez por cento é mentira - documentário sobre o ser letral de Manoel de Barros

 Ao sair do cinema tive a seguinte sensação: ler Manoel de Barros não é perder tempo. Aliás, sua literatura não tem nada a ver com o tempo, para que possamos perdê-lo. Ler Manoel é estar de modo de eternidade. É estar circunstanciado de nada, e estabelecer inutilidades. Foi com uma sensação de eternidade que saí do documentário "só dez por cento é verdade", que trata do "ser letral" do poeta Manoel de Barros. Certa feita (mas isso não aparece no documentário) o grande poeta Carlos Drummond disse que o maior poeta vivo brasileiro era o Manoel de Barros. Ele disse isso no momento em todos diziam que o maior poeta brasileiro era ele, Drummond.
O documentário capta a atmosfera "manoelina", e o poeta aparece muito a vontade, com seu bom humor peculiar. É um filme para ver, rever e se ver nele. Refletir sobre a linguagem e o tempo, apesar de que a obra do poeta não propõem reflexão, pois como ele mesmo diz, sua obra é de poesia e não de filosofia. É obra pra se abismar, se perder, e se reencontrar do outro lado da margem do ser.
Bom, pensando bem, a obra do mestre Manoel de Barros é toda uma filosofia, ainda que não seja...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Marcus Pereira e a memória musical brasileira

Em uma bela canção intitulada “o que foi feito deverá”, Milton Nascimento nos canta uns versos que podem ser tomados como referência pra todo país ou toda sociedade que preze sua memória. Dizem eles: “falo assim sem saudade / falo por acreditar / que é cobrando o que fomos / que nós iremos crescer”. Muito se tem dito sobre o Brasil ser um país desmemoriado e que não costuma dar o devido valor a seus artistas quando estes não são sucesso de massa. É para lutar contra essa falta de memória nacional, que falaremos aqui de um brasileiro cujo destino trágico deve nos servir de lição para tempos vindouros. Refiro-me ao publicitário e produtor musical Marcus Pereira.
Marcus Pereira realizou na década de 1970 um empreendimento que resultou em um dos maiores registros da música popular brasileira não comercial. Pelos seus registros passaram: Elomar, Quinteto Armorial, Cartola, Clementina de Jesus, Quinteto Violado e tantas outras jóias da cultura musical brasileira. Pra se ter uma ideia, foi sob seus auspícios que o mestre Cartola fez, em 1974, sua primeira aparição em disco, já contando com sessenta e quatro anos de idade.
Tudo começou no final da década de 1960 quando Marcus era dono de uma rentável empresa de publicidade em São Paulo. Ele e mais outros amigos freqüentavam o bar Jogral, que era uma espécie de ponto de encontro do pessoal que curtia Música Popular na capital paulista. Junto com o dono do bar Luís Carlos Paraná e mais alguns circunstantes, Marcus realizou o lançamento do disco “onze sambas e um capoeira”, em homenagem a Paulo Vanzolini. Este lançamento foi o embrião do que viria a ser posteriormente o selo Marcus Pereira Discos. Este primeiro disco foi usado para servir de brinde de final de ano da empresa do publicitário. A coisa foi dando certo e poucos anos depois Marcus abandona a empresa de publicidade e se dedica totalmente ao seu novo empreendimento.
No início da década seguinte ele faz um mapeamento de toda a música regional brasileira lançando 4 lp’s para cada uma das cinco regiões do Brasil. Logo na primeira, a região Nordeste, Marcus recebeu o prêmio Estácio de Sá, outorgado pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Mas os tempos eram difíceis, e em plena ditadura militar esse não era um empreendimento fácil de se levar a cabo. De todo modo, Marcus ainda conseguiu o financiamento de algumas agências de fomento, e algumas parcerias com secretarias de cultura de uma ou outra cidade. Mas era pouco, e logo o ex-publicitário se viu enredado pela máquina mortal dos juros bancários.
Um dos gargalos da produção da Marcus Pereira Discos estava na distribuição, e dessa forma seu mentor firmou contrato com a Copacabana Discos para tentar sanar o problema. Mas não teve êxito. Não conseguindo cumprir todas as cláusulas do contrato – que segundo Paulo Eduardo Neves, da revista “samba e choro” era por demais leonino – Marcus viu sua empresa ir a falência. Dessa forma, depois de todo esforço realizado com brilhantismo, abnegação e acima de tudo com originalidade, Marcus Pereira se suicida, e todo o acervo de mais de 140 lp’s vai parar nos estoques da gravadora Copacabana.
Posteriormente todo o acervo Marcus Pereira foi parar nos porões da gravadora multinacional EMI, que por sua vez não demonstrou nenhum interesse nesse acervo, uma vez que seu verdadeiro interesse eram as gravações da jovem guarda. A multinacional ainda publicou alguns títulos, como o primeiro disco do Cartola, por exemplo, mas o fez sem nenhum tratamento de áudio e com a parte gráfica deixando muito a desejar. Dessa forma, o esforço de uma vida de pesquisa está mofando nas prateleiras de uma empresa totalmente descompromissada com a cultura brasileira. Tente encontrar, caro leitor, no sítio eletrônico da Emi Music Brasil, algum disco do selo Marcus Pereira e se sentirá, como eu, absolutamente desapontado. Este é, sem dúvida, um crime de lesa cultura nacional.
São duas tragédias numa só. Por um lado a tragédia pessoal de Marcus Pereira, e do outro a não publicação comercial desse riquíssimo acervo resultado de tão importante pesquisa. O que minimiza um pouco toda essa tragédia é a possibilidade de acessar uma parte desse acervo através dos blogs de música.
Ao concluir este artigo tentei achar na internet uma foto desse grande brasileiro e, pasmem, não achei nenhum registro visual seu. Lamentável...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Lúcia Hippolito Bêbada??

Essa gente ainda tem a cara de pau de chamar o Lula de pinguço. Olha só a Lúcia Hippolito falando na CBN (a rádio que repete notícias).


Posturas corretas





Enviado pela colaboradora Catarina Peregrino

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Dicas para não prejudicar a coluna ao dormir:
Travesseiro, o melhor amigo

Cabeça:

Acredite: o seu apoio para cabeça é fundamental para se ter uma boa noite de sono. Na hora de escolher, você precisa considerar o material de que ele é feito e, claro, a posição em que é colocado.

Para se dormir de lado a altura do travesseiro tem que ser igual à distância entre o pescoço e a parte externa do braço. Já para quem dorme com a barriga para cima, o melhor é levar para a cama um apoio mais baixo, preenchendo o espaço entre o pescoço e a nuca, sem comprimir a coluna.

Até ele se aposenta

O travesseiro deve ser trocado, no mínimo, a cada dois anos. Na hora de escolher o melhor modelo, é importante observar algumas regras. Apoios de pena, por exemplo, podem exalar um odor forte capaz de incomodar olfatos mais sensíveis, embora muita gente se adapte a ele. Ideal, sempre, é dar preferência a enchimentos que se deformam com menos facilidade.

O tamanho também conta. É melhor que seja largo para não sair do lugar com qualquer movimento do seu corpo durante a noite. E, mesmo que possa parecer um mico, o ideal é experimentar o modelo escolhido ainda na loja.

  Posições  corretas para dormir (certo e errado)

De lado (CERTO): Mantenha a coluna alinhada e os braços abaixo do queixo. Os joelhos devem estar flexionados e com um travesseiro fino entre eles para impedir a sua rotação. Isso também evita que a região lombar fique estendida, o que, a longo prazo, pode provocar hérnia de disco.

De lado (ERRADO): Nunca deixe a mão sob a cabeça, porque essa postura compromete a circulação no braço e força o travesseiro contra o rosto, o que favorece o aparecimento de linhas de expressão. Procure, ainda, não dormir com o corpo todo encolhido. (faça um bom alongamento antes de deitar)

Barriga para cima (CERTO): Coloque um travesseiro fino ou um rolinho de espuma sob os joelhos para que permaneçam semi-flexionados durante a noite, deixando os quadris bem posicionados e os músculos da região lombar relaxados.

Barriga para cima (ERRADO): Não é correto dormir com as pernas muito esticadas, porque isso força a região lombar. Além disso, nunca dobre o travesseiro para que ele fique mais alto porque aí a tendência é repousar a cabeça sobre a dobra, forçando demais a região cervical. A regra de não dobrar, aliás, é válida para todas as pessoas.

De bruços, jamais!

A pessoa que dorme de barriga para baixo acorda cansada e toda dolorida, pois o rosto não pode ficar afundado no travesseiro. Além disso, as regiões torácica e a lombar são prejudicadas nessa postura.

Colchão sem pressão

O colchão ideal para um sono tranqüilo não pode ser muito macio nem muito firme, ou seja, deve simplesmente se amoldar ao corpo confortavelmente , ensina a diretora da Copespuma, Gisele Sapiro. Prefira os de látex, que tem como benefício principal o fato de se adaptarem com perfeição aos contornos do corpo, aliviando os pontos de pressão .


Em pé, qual o modo correto de elevar pesos, colocar ou retirar objetos de lugares altos?





Se você elevar um peso acima da cabeça, estará agredindo tanto a cervical quanto a lombar. Para não prejudicar sua coluna, apóie o objeto pesado no seu corpo e suba em uma escada ou banquinho para depositá-lo adequadamente.
Quando tiver que realizar atividades com os braços elevados, como os professores ao escrever no quadro negro, mantenha-os na altura do ombro ou no máximo até a altura da cabeça. Se necessário, utilize uma escada, banco ou estrado. Também é recomendável não se curvar, por exemplo, para corrigir a lição do aluno, ou em situações similares.

Qual a melhor forma de proteger a coluna ao se trabalhar em pé?
Em profissões em que é necessário trabalhar de pé, como dentistas, balconistas e outras, deve-se usar um banco alto de apoio, tendo o cuidado de colocar os pés no chão e evitar curvar a coluna.





Ao realizar atividades domésticas, trabalhos sobre mesa ou balcão?
Evite trabalhar com o tronco totalmente inclinado. Se você trabalha em frente a uma bancada, ou se estiver passando roupa, certifique-se de que a mesa tem altura suficiente para que você não precise se inclinar. Se for necessário ficar muito tempo em pé, aconselha-se utilizar um pequeno suporte (mais ou menos do tamanho de um tijolo) para colocar alternadamente sob os pés. Em frente à pia do banheiro e ao fazer a cama, dobre os joelhos. Ao varrer ou aspirar pó ou em movimentos semelhantes, evite "torcer" a coluna.



Como proteger a coluna ao trabalhar agachado, no jardim, por exemplo?
Ao trabalhar agachado, flexione os joelhos e mantenha as costas retas. Se for possível, apóie uma das mãos em um dos joelhos. Ou então, ajoelhe-se sobre uma das pernas e apóie o tronco sobre a coxa, alternando entre uma perna e outra; ou ainda, use um pequeno banco para sentar.




Como carregar mochilas, compras, malas e outros objetos pesados?
Mochilas devem ser presas às costas e não penduradas em um só ombro. As compras devem ser divididas entre as duas mãos. Malas e outros objetos pesados devem ser levados em um carrinho, que deve ser empurrado e não puxado.





Como caminhar?
Ao caminhar, olhe para a frente, mantendo o abdômen contraído. O tipo de sapato ideal para o dia-a-dia deve ser fechado atrás para dar estabilidade às passadas, ter o salto de base larga e leve, com altura de no máximo 4 centímetros , e de preferência, com amortecimento. Para caminhadas, utilize um tênis adequado.




Como sentar-se adequadamente?
A cadeira ideal tem encosto reto, de forma a apoiar a região média da coluna, com abertura para as nádegas. As coxas devem estar apoiadas suavemente em todo o assento com os joelhos em 90º e os pés apoiados no chão. Não use cadeiras reclináveis.


Como sentar-se no trabalho?
No trabalho, em frente a uma mesa ou digitando no computador, permaneça com as pernas debaixo da mesa; coloque o computador a uma altura adequada e fique com os braços junto ao corpo. Utilize um suporte para que o texto fique na altura dos olhos e em frente. Como a altura da mesa nem sempre é adequada, deve-se elevar o que está se fazendo de modo a não curvar muito a região cervical e a dorsal. Estando sentado, nunca gire para pegar um objeto às costas. E atenção: não apóie o telefone entre a orelha e o ombro pois isto força a coluna cervical.




Qual a melhor postura para ler?
A leitura deve ser feita na frente de uma mesa com um apoio para o livro. Deficiências visuais (você precisa de óculos?) devem ser corrigidas para evitar posturas inadequadas.


Como proteger a coluna ao assistir TV e relaxar em casa?
Não assista TV na cama, mas sentado adequadamente. Algumas pessoas cochilam enquanto assistem TV e a cabeça pende, ficando numa posição que leva à dor e à contratura muscular. Para evitar, deve-se manter sempre a cabeça apoiada. Não deite de lado, com a cabeça apoiada no braço do sofá. Não sente no chão, pois não há altura para as pernas.













E ao dirigir?
Use os espelhos retrovisores para não torcer o pescoço. Regule o banco de modo a acomodar a coluna o mais próximo da posição vertical; a distância dos pedais não deve ser muito grande, para que você não precise se esticar, o que também afeta a postura.




Como levantar corretamente da cama?
Quando você acorda, sua coluna está em relativo repouso. Assim, procure levantar calmamente, para não agredi-la. Sem levantar a cabeça, fique deitado de lado, dobre as pernas e impulsione o corpo com a mão, ao mesmo tempo em que coloca as pernas para fora da cama.







Estando em pé, qual a melhor maneira de levantar e carregar pesos?
Ao erguer um peso, abaixe-se, flexionando os joelhos até em baixo sem curvar a coluna. Se o objeto for volumoso e pesado, carregue-o junto ao tronco. Se possível, coloque o objeto em um carrinho e empurre-o ao invés de carregá-lo.








Fonte: Site do Ministério da Saúde.
Biblioteca Virtual em Saúde do Governo Federal

Carnavalização

Aproveitando esse momento de já quase pós carnaval, eu resolvi postar abaixo um vídeo que é uma verdadeira carnavalização, tal qual teorizou o crítico Mikhail Baktin. Trata-se de um conceito que designa uma ocorrência comum na cultura popular de inverter simbolicamente a ordem social "normal", produzindo uma espécie de mundo às avessas. No caso do vídeo abaixo, o autor "musicou" um trecho de uma palestra de Ariano Suassuna com uma levada de funk carioca. A inversão fica por conta do fato de que Ariano, mesmo sendo um autor que lida com o material da cultura popular, é um autor identificado com a "alta cultura", com uma literatura "sofisticada". Por outro lado, o funk carioca, utilizadocomo base musical, é visto por muitos como uma produção menor. Mas o fato é que a junção dos dois deu um resultado muito engraçado. Vejam e avaliem...






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A classe C vai ao paraíso...

O título dessa postagem é uma paródia de um clássico do cinema italiano da década de 1960, se não me engano, chamado "a classe operária vai ao paraíso".  Era um tempo que ainda se acreditava de forma ortodoxa nas prédicas marxistas, e desta forma acreditava-se na função revolucionária do proletariado, atribuindo a ele a grande energia transformadora que nos levaria ao socialismo. Mas o artigo em questão trata do grande movimento de inclusão levado a cabo pelo governo Lula nos últimos anos, confrontado esse momento com outras passagens da história do Brasil.
 O articulista põe em evidência os números do crescimento atual e destaca o que está acontecendo no Nordeste brasileiro. Esses números ganharam para mim contornos ainda mais impressionantes com minha recente passagem por Pernambuco e Paraíba. Vi um país em ebulição. Estradas sendo construídas, refinarias de petróleo, o exército empenhado em obras enormes, escolas técnicas e etc. A diminuição da miséria é flagrante, e em conversas com pessoas humildes pude ouvir delas que as coisas estão de fato melhores. Quando se trata de apenas números a impressão tem uma dimensão, mas quando se vê tudo isso traduzido em vida real, os números ganham em densidade e nos emocioana.
 A cultura popular nordestina, e em particular no Recife, ganha proporções impressionantes. Torna-se opção de entretenimento de massa, empregabilidade e de afirmação identitária. É flagrante o orgulho das pessoas de lá. Maracatu, coco e frevo pra todo lado. E tudo isso acontecendo com apoio do poder público, que aliás, é sua obrigação.
 Enfim, leiam a matéria do professor da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva seguindo o link abaixo:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16389