terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Um cordel para o Rio de Janeiro
domingo, 20 de dezembro de 2009
O vendedor de passados
sábado, 19 de dezembro de 2009
O homem que engarrafava nuvens
Igrejas bizarras...
Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
Congregação Anti-Blasfêmias
Igreja Chave do Éden
Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
Congregação Passo para o Futuro
Igreja Explosão da Fé
Igreja Pedra Viva
Comunidade do Coração Reciclado
Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
Cruzada de Emoções
Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
Congregação Plena Paz Amando a Todos
Igreja Aceita a Jesus
Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
Igreja Barco da Salvação
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
Comunidade Arqueiros de Cristo
Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Igreja Palma da Mão de Cristo
Igreja Menina dos Olhos de Deus
Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
Igreja Batista Ponte para o Céu
Igreja Pentecostal do Fogo Azul
Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
Igreja Filho do Varão
Igreja da Oração Eficiente
Igreja da Pomba Branca
Igreja Socorista Evangélica
Igreja ‘A’ de Amor
Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
Igreja do Amor Maior que Outra Força
Igreja Dekanthalabassi
Igreja dos Bons Artifícios
Igreja Cristo é Show
Igreja dos Habitantes de Dabir
Igreja ‘Eu Sou a Porta’
Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
Igreja da Bênção Mundial
Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
Igreja Sinais e Prodígios
Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
Igreja do Manto Branco
Igreja Caverna de Adulão
Igreja Este Brasil é Adventista
Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
Ministério Eis-me Aqui
Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
Igreja Batista Renovada Lugar Forte
Igreja Atual dos Últimos Dias
Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
Igreja Evangélica Bola de Neve
Igreja Evangélica Adão é o Homem
Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
Ministério Maravilhas de Deus
Igreja Evangélica Fonte de Milagres
Comunidade Porta das Ovelhas
Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
Igreja Evangélica Luz no Escuro
Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
Igreja Pentecostal Planeta Cristo
Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Propostas irrecusáveis...
Mas toda essa discussão me faz lembrar uma historinha que me foi contada pelo meu amigo Antonio Augusto Fontes, sobre o jornalista Assis Chateaubriand. A história é mais ou menos a seguinte: o ilustre jornalista estava em uma festa e viu uma mulher muito bonita, a qual despertou nele um desejo sexual incontrolável. Ele então procurou um acessor que, transformado em emissário, foi ao encontro da mulher fazer uma "proposta irrecusável". Tratava-se de uma soma em dinheiro que era realmente difícil de não ser aceita, ainda mais levando-se em conta que era só para uma noite. Ela topou, e daí o acessor apresentou um ao outro e a conversa fluiu. Acontece que lá pras tantas, o jornalista mencionou a metade da quantia antes oferecida pelo acessor, o que fez a mulher ter o semblante transformado e por fim dizer pra ele: "você está pensando que eu sou que??" No que prontamente teria respondido Chateaubriand: "o que a senhora é já sabemos, agora é só uma questão de preço". Pois é, este parece ser um caso em que a quantidade (dinheiro) consegue alterar a qualidade (o ser ou não ser da mulher).
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Você já ouviu falar em "neuromarketing"
Este campo de conhecimento começou nos Estados Unidos com um sujeito chamado Gerald Zaltman, médico e pesquisador da universidade norte-americana de Harvard, que teve a idéia de usar aparelhos de ressonância magnética para fins de Marketing, e não estudos médicos. O termo “Neuromarketing”, no entanto, só viria a ser conhecido alguns anos depois, cunhado por Ale Smidts, um professor de Marketing na Erasmus University em Roterdã, Holanda.
Bom, não sou daqueles que vê na tecnologia a ruína da liberdade ou coisa parecida. Apenas acho que como estamos no século da informação, devemos estar atento a tudo que acontece e eventualmente usar a própria tecnologia para neutralizar ou minimizar os efeitos deletérios de determinados usos que a tecnologia tem.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Drible da vaca
É provável que não tenha sido ele o primeiro jogador a realizar esta jogada, mas talvez tenha sido o primeiro a batizá-la. Em sendo verdade esta história, podemos contar mais um pontinho para o nosso genial Mané.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Trabalho escravo no Brasil
Abaixo segue um depoimento de um amigo que viu essa escravidão de perto, e um artigo de Laerte Braga.
1- É impossível fazer escravagismo rural no Brasil de hoje sem paramilitares que torturem e matem. Constatei isso no sul do Pará, tendo encontrado paramilitares, fazendeiros, ex-escravos, advogados, familiares de assassinados. Em todos os casos, os criminosos estavam ligados a PSDB/PPS/DEMO. EM TODO OS CASOS.
2- Não sei se o argumento vai comovê-l@ car@ amig@, mas o olhar de um ex-escravo, de uma viúva de lavrador assassinado pela turma do PSDB/PPS/DEMO é algo devastador.
3- Jarbas Vasconcelos foi ao Pará em companhia da senadora escravocratra Kátia Abreu para defender uma empresa flagrada em trabalho escravo, a PAGRISA. Jarbas Vasconcelos tentou humilhar uma mulher corajosa que enfrenta pistoleiros para liberar escravos. Ele disse: "Não se pode agir segundo os chiliques da dona Rute". Algo escandaloso, mas que não inspira indignação em quase ninguém.
A CPI DO MST – OS ESCRAVAGISTAS
Laerte Braga
Quem quer que se dirija ao GOOGLE, pesquisa, digitar o nome do deputado Ronaldo Caiado do DEM (partido de José Roberto Arruda) vai encontrar, entre outras coisas, seu vínculo com o trabalho escravo. O deputado é contrário à emenda constitucional que pune com a perda das terras para fim de reforma agrária, o proprietário ou empresa que fizer uso de trabalho escravo. Ele próprio o faz.
Quem for procurar informações sobre a senadora Kátia Abreu (DEM, partido de José Roberto Arruda) vai encontrar que a senhora em questão encalhou no Senado Federal às custas de dinheiro da Confederação Nacional da Agricultura da qual era presidente e repassado àquela entidade para ser utilizado em financiamentos de projetos agrícolas.
Não são necessariamente corruptos por corrupção. São corruptos pelo que representam. Interesses do mais atrasado e boçal latifúndio brasileiro (se bem que não existe latifúndio não atrasado e não boçal).
Kátia Abreu responde a processo por desvio de recursos da Confederação Nacional da Agricultura, tanto quanto por ter lesado um lavrador em sua região, tomando-lhe a terra num típico conto do vigário.
Nem a senadora e nem o deputado descobriram ainda a existência de garfo e faca, por exemplo, para se possa comer. Conhecem chicote, pelourinho, senzala e toda a sorte de boçalidades possíveis em termos de se tratar escravos.
Ronaldo Caiado e Kátia Abreu associaram-se a empresas estrangeiras, a MONSANTO principalmente, entupindo a mesa do brasileiro e lá fora também, de produtos transgênicos, sabidamente nocivos à saúde e que para muito além disso transformam num curto prazo qualquer terra em imprestável ao plantio do quer que seja, mas aí, suas contas bancárias já estarão aptas a lhes garantir futuro tranqüilo e risonho.
A CPI do MST tem dois vieses que se casam. O primeiro deles assegurar a permanência do regime de escravidão mantido pelo latifúndio brasileiro e o segundo assegurar a posse da terra a empresas estrangeiras, logo, ferindo de morte a soberania nacional, tal a extensão de terras em poder desse tipo de gente.
Se a agricultura brasileira, sustentada na prática pelo pequeno e médio produtor rurais, vai se lascar e o “celeiro do mundo” virar um grande deserto dentro de alguns anos, gerando fome e doenças, isso não é problema deles, pois não são humanos, são figuras desprezíveis e abjetas em todos os sentidos.
O patriotismo deles é aquela forma canalha a que se refere o pensador inglês Samuel Johnson.
A CPI é simples. Estigmatizar o MST com apoio da mídia (a grande mídia GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, BANDEIRANTES, etc) venal e serve aos mesmos patrões, assegurar os privilégios dos latifundiários entre eles o de não pagar suas dívidas com o Banco do Brasil e outras agências de fomento do governo (nunca pagaram e nem pensam em pagar, são caloteiros por natureza), garantindo que permanecerão senhores de escravos e a serviço de potência estrangeira.
São bandidos, bandoleiros lato senso.
Não têm escrúpulos e nem têm nada além da capacidade de urrar e rosnar asneiras.
Que tenham recebido apoio expresso e público do deputado Ônix Lorenzoni, também do DEM (partido do governador José Roberto Arruda) não é novidade. O Rio Grande do Sul embora seja um dos estados mais próspero do País, terra de Mário Quintana entre outros, tem o latifundiário mais brutal e estúpido do Brasil. Ainda desconhecem a existência da roda, mas conhecem a da pólvora com que seus pistoleiros assassinam trabalhadores rurais e pequenos produtores.
E todos eles são financiados tanto por recursos desviados da Agricultura, como por empresas estrangeiras.
A senadora Kátia Abreu, uma espécie de pré-ornitorrinco, tal e qual Ronaldo Caiado. Lorenzoni não. É só um sem vergonha querendo aumentar o por fora. Foi eleita “miss desmatamento.”
Por que não levantar os débitos dessa gente com as agências de fomento à agricultura do governo federal? Os assassinatos cometidos por seus pistoleiros? Será que o brasileiro comum faz idéia de quanto um pilantra como Agripino Maia deve aos cofres públicos de financiamentos para a agricultura e usado em especulação financeira, mas que a GLOBO não informa, pois chega ali boa parte da grana?
A turma de abóboras que gosta de bom dia e escolher a gravata do Bonner?
O que está por trás da CPI do MST? Num primeiro momento garantir privilégios de bandidos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado. Num segundo atender a interesses de grupos econômicos estrangeiros e num terceiro, finalmente, inscrever o Brasil no rol de colônias da corte de Washington, à qual servem com devoção e altos salários.
Isolar um movimento popular que luta por algo que até um general fascista como Douglas MacArthur fez ao final da guerra, no Japão, a reforma agrária.
Quando a fome bater em “grandes plantações”, como afirma Vandré em sua canção “pra não dizer que não falei de flores”, não adianta mandar o xerife atrás desses bandidos. Já estarão longe e o Brasil já será BRAZIL.
A propósito, mesmo o ministro do Meio-ambiente, Carlos Minc, sendo um bobalhão, atrapalha interesses dessa gente e Kátia Abreu usou o recurso mais comum entre os seus. Ameaçou-o de morte por não aceitar assentar-se de quatro no colo do latifúndio.
A CPI do MST é isso. Uma traulitada no interesse nacional. O tal “terrorismo” do MST é uma luta legítima em favor do BRASIL, ao contrário dos que lutam pelo BRAZIL.
Há uma diferença fundamental entre um e outro.
campanha contra propaganda dirigida às crianças
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Receita de Felicidade
Ultimamente ando às vezes preocupado
Vendo as caras tão risonhas das crianças
Nas fotos dos anúncios
Nos cartazes da parede
Dando idéias que algo vai acontecer
É receita certa pra sensibilizar
Pra esconder, pra mentir ou pra vender
Veja as caras tão risonhas
Tão lindinhas, tão risonhas
Nos jornais, nas paredes, nas TVs
Eu não gosto desses dedos que me apontam
Eu não gosto dessas frases que me dizem
"O futuro deles está em suas mãos..."
Pois é seu Zé, sei não
Com u'a carinha bonitinha pra valer
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro - me dê
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Texto do IDEC
| EDUCAÇÃO E CONSUMO | |||||
| 10 de Dezembro de 2009 | |||||
| Manifesto contra a propaganda dirigida às crianças | |||||
| Foi lançado oficialmente ontem (9) o manifesto "Publicidade Infantil Não", que visa fortalecer a luta pelo fim da comunicação mercadológica dirigida às crianças. A página é mantida pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, e reúne assinaturas de cidadãos e de entidades que apoiam a causa, entre elas o Idec. Como aponta o manifesto, a criança é hipervulnerável aos apelos das propagandas. Já que ainda estão em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico, os pequenos não possuem as habilidades necessárias para uma interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos com os quais são bombardeados diariamente na televisão, internet, entre outras mídias. Por isso, os signatários do manifesto entendem que a publicidade infantil constitui prática antiética e abusiva e defendem que toda e qualquer comunicação mercadológica seja destinada somente aos adultos. O Idec defende que as crianças sejam preservadas das artimanhas da propaganda, principalmente quando os artigos promovidos são prejudiciais à saúde, como é o caso de alimentos pouco nutritivos. ------------------------------------------------ | |||||
http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Eleições bolivianas
Eleições bolivianas
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Los primeros cómputos de las elecciones generales de Bolivia ofrecidos este martes por la Corte Nacional Electoral (CNE), ratifican la victoria del actual presidente, Evo Morales, con 47,8 por ciento de la preferencia, con tan sólo 20,6 por ciento de los votos escrutados. Entretanto, el más cercano contrincante de Morales, el ex prefecto (gobernador) Manfred Reyes Villa, de Plan Progreso para Bolivia-Convergencia Nacional (PPB-CN), obtuvo 41,4 por ciento de apoyo según los datos ofrecidos por la CNE.
Mucho más abajo se ubican el empresario paceño, Samuel Doria Medina, abanderado por el partido Unidad Nacional (UN), con 6,7 puntos porcentuales; la Alianza Social (AS), del ex alcalde de Potosí René Joaquino, que cuenta con un 2,8, y cuatro listas restantes no alcanzan ni el uno por ciento. Se prevé que los votos a favor del actual mandatario vayan en aumento a medida que se contabilizan los departamentos donde tiene más apoyo, como el caso del área rural o de los emigrantes que por primera vez han podido ejercer su voto desde España, Argentina, Brasil y Estados Unidos. Los resultados a boca de urna, publicados el domingo, le dan a Evo Morales la victoria con 63 por ciento de la intención de voto. A Reyes Villa le asignan entre 23 y 27 por ciento de favoritismo. La Constitución de Bolivia señala que un candidato accede directamente a la presidencia, si pasa el listón del 50 más un por ciento de los votos o llega al 40 por ciento de sufragios con una diferencia de 10 puntos sobre su inmediato seguidor. |
sábado, 5 de dezembro de 2009
Aderimos à campanha do Blog do Mello...


O Grupo Folha não vê problema em expor uma ficha falsa da ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula a sua sucessão, Dilma Roussef, na primeira página de um domingo, acusando-a de participar de ações terroristas. Não vê problema também em abrir uma página inteira para Cesar Benjamim expor seus fantasmas político-sexuais (à espera de um Wilhelm Reich) e acusar o presidente Lula de estuprador. Acha também perfeitamente natural chamar de ditabranda a ditadura que sequestrou, torturou e matou inúmeros brasileiros. Mas a Folha e o UOL não gostam de virar vidraça.
O blogueiro Arles publicou uns banners em seu blog convidando os navegantes para que cancelassem suas assinaturas do ex-jornalão e do portal. Recebeu uma notificação para que os retirasse do ar. Eu já os havia reproduzido aqui no blog, com link para as imagens do Arles. Mas sou macaco velho e, embora não acreditasse que o Grupo Folha descesse a tanto, havia providenciado backup das imagens. As publico aqui, convocando-os para que façam o download delas para seus computadores e depois subam-nas para seus blogs ou redes sociais. Eles vão ter que notificar a blogosfera toda. Assim vão aprender que os tempos mudaram e não existe mais informação de mão única. Agora eles mandam de lá e nós respondemos de cá.
Versões de mim - Luís Fernando Veríssimo
Versões de mim
(Luís Fernando Veríssimo)
Agora mesmo, neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz - aliás, o nome do bar é Imaginário -, sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:
- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo. E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.
- Por que? Sua vida não foi melhor do que a minha?
- Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei à seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia...
- Eu sei, eu sei... - disse alguém sentado ao lado dele. Olhamos para o intrometido... Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:
- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.
- Como é que você sabe?
- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei... Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante...
- Ele chutaria para fora. Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou:
- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio...
- E o que aconteceu? - perguntamos os três em uníssono.
- Lembra aquele avião da Varig que caiu na chegada em Paris?
- Você...
- Morri com 28 anos.
- Bem que tínhamos notado sua palidez.
- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo...
- E ter levado o chute na cabeça...
- Foi melhor - continuei - ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado...
- Você deve estar brincando! - disse alguém sentado a minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.
- Quem é você?
- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público. Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida do que a outra.
As conseqüências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustração. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só
então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.
- Quem é você? - perguntei.
- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.
- E...?
Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado para baixo...
Luiz, respeita Januário
Mestre Lua... que saudade!!
Lula lá... na Alemanha
Quem assistiu pela tv o encontro do presidente Lula com a chanceler Angela Merkel, deve ter percebido com que altivez o governo brasileiro se coloca nas discussões internacionais. Lula não foi grosseiro em nenhum momento, mas quando o assunto foi o Irã - lembrando que Lula recebeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad semana passada no Brasil - Lula foi veemente em afirmar que quem tem armas nucleares não tem moral para fazer reprimendas a quem quer que seja. Lula falou isso logo depois que a chanceler alemã se expressou de uma forma também veemente falando de uma forma como as vezes falamos com as crianças: " já estou perdendo a paciência". Lula foi enfático mostrando que o equilíbrio de forças internacionais está mudando.Outra coisa: nossas tvs, nossos âncoras radioativos, quer dizer, radiofônicos não mencionaram os aplausos que Lula recebeu quando de sua palestra de mais de uma hora aos empresários alemães. Mas também não se poderia esperar outra coisa de uma imprensa que age sistematicamente como um partido político.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Coca-Cola es así: Abusos laborales, atentados ecológicos y persecución sindical
| | Marta Monasterio Martín 26 de abril de 2007 “Una Coca-Cola y una sonrisa, la vida se ilumina, una Coca-Cola para compartir, así quiero ser, yo quiero ver al mundo entero sonreír también... ¡Coca-Cola!”. Más que la cuña de un anuncio, ésta es la melodía de un juego infantil que las niñas de hace una década entonaban en sus recreos. Es una muestra de lo que Coca-Cola Company, la empresa fabricante de refrescos, se propuso hacer desde que naciera hace 120 años y de lo que todavía hoy sigue haciendo con mucho éxito. Porque más allá de que la Coca-Cola sea un simple refresco, su nombre se ha constituido en un logo con entidad propia, en una imagen global, muchos dirían incluso que en un estilo de vida. No en vano, este gigante empresarial invierte un cuarto de sus beneficios anuales (cerca de 5.000 millones de dólares en 2003) en publicidad para transmitir una imagen limpia, social y verde; y para convencer de que su refresco tiene un sabor único, una receta mágica, y un valor altamente refrescante y saludable. Pero en la historia del refresco más conocido del mundo no todo son sonrisas. La multinacional hace frente a constantes denuncias, escándalos y juicios sobre violaciones de derechos humanos, laborales y ecológicos. Ahora, su márketing tiene que contrarrestar la mala publicidad que le da, por ejemplo, ser nombrada una de las diez peores empresas del mundo, galardón que le adjudicó la Multinational Monitor en 2001 y 2004. La fórmula secreta Coca-Cola ha construido un imperio comercial a nivel planetario: vende cerca de 400 marcas de bebidas (entre refrescos, agua, zumos, té y café) en más de 200 países, controlando el 50% del mercado mundial de gaseosas. Sus beneficios en 2005 alcanzaron los 15.000 millones de dólares. Y cada día se beben en todo el mundo más de mil millones de latas o botellas de Coca- Cola, 12.500 cada segundo. La fórmula: uno, ser la empresa que más dinero se ha gastado en la historia en publicidad; dos, rodearse de poderosos aliados, tanto de lobbies empresariales como de la clase política (en 2004 Coca-Cola Company y Coca-Cola Enterprise donaron 550.000 dólares para la campaña electoral estadounidense: un 70% para el partido republicano y un 30% para el demócrata); y tres, delegar toda la responsabilidad social a sus empresas subcontratadas (embotelladoras y distribuidoras) sin asumir las acciones realizadas por éstas ni establecer códigos de conducta. Los abusos y violaciones de derechos humanos y laborales se denuncian en escenarios diversos. Como describe el Observatorio de Corporaciones Transnacionales IDEAS, la compañía es criticada “por su política de reducción de costes a base de la subcontratación de mano de obra, la eliminación de las organizaciones sindicales y la concentración de la producción en un número mínimo de envasadoras”. Por ejemplo, en la planta de Auburndale (Florida) los salarios están por muy por debajo de lo que se paga en el sector, no existen planes de pensiones y el seguro sanitario es cuatro veces más caro que el de otras empresas. Además, los contratos temporales están eliminando a los indefinidos (en 2005 fueron sustituidos un 24%) y no tienen seguro sanitario. A estas denuncias se suman las de acosos a sindicalistas. Tanto directa o indirectamente, se acusa a Coca-Cola de intimidar, amenazar, extorsionar e incluso asesinar a sus trabajadores. Algunos ejemplos: en Turquía 14 transportistas de la empresa y sus familias denunciaron en 2005 haber sido intimidados y torturados a manos de una rama especial de la policía por orden de Coca- Cola; en Punjab, Pakistán, los trabajadores fueron despedidos en 2001 por protestar por la falta de personal (y posteriormente readmitidos por orden judicial); en Nicaragua, el Sindicato Único de Trabajadores de la Empresa de Coca-Cola denunció en 2005 que a sus empleados de la embotelladora de Coca-Cola PANAMCO se les negó el derecho a organizarse, amenazó y despidió ilegalmente. Asesinatos de sindicalistas El caso de Colombia es de una crudeza especial. El Sindicato Nacional de Trabajadores de la Industria Alimentaria de Colombia (SINALTRAINAL) denuncia que la empresa Coca-Cola intimida y tortura a sus sindicalistas mediante escuadrones de la muerte a través de sus envasadoras subcontratadas. Desde 1990, ocho empleados de las embotelladoras de Coca-Cola han sido asesinados por los paramilitares, 48 trabajadores se han visto obligados a esconderse y otros 65 han recibido amenazas de muerte. Por otro lado, se multiplican las protestas sobre los delitos ecológicos de la multinacional y sobre la insostenibilidad de sus envases. Para producir un litro de Coca- Cola se necesitan tres litros de agua, lo que ha empujado a la empresa a controlar acuíferos en todo el mundo. Estas reservas subterráneas pueden ser de varios kilómetros cuadrados y a veces constituyen recursos vitales para muchas comunidades. Es el caso de la India (en Estados como Kerala y Rajastán), donde Coca-Cola ha sido acusada de causar el desabastecimiento de agua en zonas ya castigadas por la sequía, provocando la deshidratación de las comunidades, la sequía de los pozos y la destrucción de la agricultura local. Por ejemplo, en la comunidad de Plachimada en Kerala, Coca-Cola extrajo 1,5 millones de agua subterránea, siendo acusada por las comunidades colindantes no sólo de agotar sino también de contaminar el agua en la zona. En esta línea, también en Panamá han sufrido la contaminación del agua a causa de las actividades de las plantas embotelladoras: en 2003 Coca-Cola fue condenada a pagar una multa de 300.000 dólares por contaminar el río Matasnillo y la bahía de Panamá con 1,5 metros cúbicos de tinte rojo, el utilizado en la producción de sus zumos de frutas. Además, los envases de un solo uso suponen un grave problema ecológico mundial por la cantidad de residuos sólidos que producen, más aún si se trata de latas de aluminio (lo que corresponde al 34% de sus productos en el Estado español), por ser uno de los procesos industriales más contaminantes o de botellas de plástico no recicladas. ¿El principio del fin? El imperio Coca-Cola también encuentra oposición en todos los rincones. Los eventos que la empresa organiza y patrocina (como la FIFA o los Juegos Olímpicos de Invierno de 2006), en los que muestra su cara más sana y amable, son ensombrecidos por manifestaciones y protestas ciudadanas. Los informes de ONG y movimientos sociales denunciando “la otra cara” de Coca-Cola también se publican por todo el mundo; y las acciones de protesta y boicot contra sus productos crecen, provocando no sólo un daño en la imagen de la marca sino también consecuencias reales a sus cuentas. Porque Coca-Cola ha perdido contratos de ventas en al menos cinco universidades estadounidenses, entre ellas la Universidad de Michigan y la Universidad de Nueva York, donde se ha prohibido la venta de sus productos por los abusos cometidos en Colombia y la India. En este país, la multinacional ha visto cómo se cerraba una planta envasadora a causa de la presión de movimientos campesinos y de mujeres. También en Europa encontramos ejemplos: la Red Italiana del Nuevo Municipio, que engloba a más de cien municipios, ha excluido la presencia de productos Coca-Cola de todos los distribuidores en la Administración, escuelas, institutos y comedores. Por todas partes surgen personas, redes ciudadanas, municipios, foros y caravanas que optan por otro tipo de consumo y que se han propuesto no ponerle las cosas fáciles a Coca-Cola. La lista continúa y es larga. Marta Monasterio Martín |
Entrevista com o ministro Tarso Genro
Genro analisa também o papel da imprensa em toda essa discussão e aponta a parcialidade com que a mesma tratou o caso. Fala da omissão de determinados fatos recentes, como o refúgio dado pelo governo brasileiro a "guerrilheiros" bolivianos de direita que após a tentativa de golpe na Bolívia se instalaram no Brasil. Em seu ponto de vista a imprensa não tocou nesse assunto porque mencioná-lo esvaziaria a tese, majoritária na mídia, de que o governo brasileiro se esforçava em dar asilo a Battisti por ser este um militante de esquerda, identificado ideologicamente com os integrantes do governo brasileiro atual. Essa tese, segundo Genro, tenta ignorar a tradição brasileira em dar refúgio político aos que se enquadram nessa perspectiva.
Vale a pena ler a entrevista do ministro:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16255&boletim_id=619&componente_id=10348
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A queridinha da mídia para assuntos de terra no Brasil...
Mas os que praticam o ataque sistemático ao MST, defendendo uma CPI e coisa e tal, não responde as indagações feitas pela Comissão Pastoral da Terra: por que os ruralistas do congresso nacional encastelados na famigerada bancada ruralista não faz andar a CPI do trabalho escravo? Acho que a resposta é por demais óbvia para que me ocupe dela aqui. Leiam essa matéria abaixo e saibam mais um pouco sobre a senadora Kátia Abreu, a musa (será que dá pra chamar assim?) da bancada ruralista. São informações que nós não teríamos acesso através dos grandes meios de comunicação.
Golpe de Kátia Abreu: uma história de estarrecer
1 de dezembro de 2009
Do Conversa Afiada
A propósito de uma reportagem que Leandro Fortes publicou na Carta Capital, o Conversa Afiada publicou o seguinte post: “Kátia, que é inimiga do MST e quer derrubar governadora compra terra no grito e não planta nada”.
Ontem, por telefone, Paulo Henrique Amorim entrevistou o pequeno proprietário rural Juarez Vieira Reis, de Campos Limpos, Tocantins.
Juarez reafirmou que a união do poder Executivo e do Judiciário de Tocantins o obrigou a abandonar as terras em que vivia com a família desde 1955, sem receber um tostão.
O beneficiário da intervenção foi a então deputada e presidente da associação rural de Tocantins, a hoje senadora Kátia Abreu, que tenta prender o João Pedro Stedile e depor a governadora do Pará.
A Senadora se apropriou das terras, embora tenha ido à casa de Juarez e prometido que não faria nada para prejudicar a família.
Juarez venceu em todas as etapas do Judiciário, mas não consegue reaver as terras.
Ele demonstrou que os documentos que atestavam a sua propriedade – o usucapião – eram legítimos.
A certa altura, uma autoridade disse que ele tinha tomado aquelas terras e Juarez respondeu: “nunca vi pobre tomar terra de rico”.
Enquanto isso, a Senadora não planta no local um pé de feijão.
Juarez calcula que a Senadora, com a desapropriação ilegal, tenha se apossado de 3 mil hectares de terra, num platô da Serra Geral.
Juarez mencionou que, no último sábado, conversou com o Senador João Ribeiro, do PR de Tocantins, e denunciou a injustiça de que é vítima.
Paulo Henrique Amorim conversou ontem à noite com o senador João Ribeiro, por telefone.
Ribeiro confirmou que esteve com Juarez numa solenidade de entrega de 100 títulos, em companhia do Senador Eliomar Quintanilha, hoje Secretário de Educação de Tocantins, e José Augusto Pugliesi, Presidente do Instituto de Terra do Tocantins.
Que, de fato, conversou com Juarez.
“Um homem simples”, disse o Senador.
“É uma história de estarrecer!”, disse João Ribeiro.
“Foi um processo brutal (de desapropriação)”, disse.
O Senador anunciou que vai conversar com o Governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) para apurar como foi essa desapropriação das terras de Juarez e ver o que é possível fazer, dentro da Lei.
“Precisamos ver se a terra é ou era dela. É uma história de estarrecer. E ela (Senadora Kátia) não produziu nada: um pé de feijão!”, concluiu o Senador João Ribeiro.
domingo, 29 de novembro de 2009
Quando a mídia perdeu o Rumo

Há uma dívida histórica da mídia, e em particular da mídia que lida com música, no que diz respeito a obra de um certo grupo paulista da década de 1980. O grupo ao qual me refiro chama-se “Rumo”. Certamente alguns leitores dessa coluna sabem do que estou falando, mas infelizmente a maioria das pessoas que gostam de música não teve a oportunidade de ouvir e analisar o que representou no cenário da canção popular, o aparecimento do grupo.
Após o surgimento da bossa nova no final da década de 1950 e do tropicalismo, na década seguinte, a grande inflexão da canção popular, a meu ver, ficou por conta das criações do mentor intelectual do grupo, Luiz Tatit. Obviamente ocorreram outras tentativas estéticas, como a protagonizada por Arrigo Barnabé, que chegou a ser saudado como o grande inovador da canção, ali pelos inícios da década de 1980, quando lançou o lp “Clara crocodilo”. Sim, certamente foi uma investida e tanto a do Arrigo, tentando lançar mão de elementos da chamada música de vanguarda. O resultado foi bem interessante, e mesmo hoje as canções desse disco devem soar estranhas para muitos ouvintes desavisados.
Mas o vôo de Arrigo foi curto, o que não aconteceu com o do pessoal do Rumo. Em síntese, podemos dizer que a ambição do mentor intelectual do grupo, o Luiz Tatit, era de produzir uma canção que de certa forma se ligasse a uma origem da canção. Um canto falado, no qual a linha melódica seria uma espécie de moldura para o texto. O canto falado não era uma invenção do Tatit, mas o modo como isso foi feito é que distingue o trabalho do grupo. Essa linha melódica diferenciada precisava para seu acompanhamento uma “harmonização” também diferenciada, e é aí que surge o violão do Tatit tocado de uma forma sui generis. Certa vez, o próprio Tatit declarou em uma entrevista que no passado tentou fazer aula de violão, mas sentiu muita dificuldade. Ao invés de desistir de tocar, inventou outra forma totalmente pessoal. E esse “violão” coube certinho nas criações que veio posteriormente a fazer.
É impossível, caro leitor, descrever como esse violão é tocado. É necessário ouvi-lo para perceber toda sua estranheza e toda a sua profundidade. A primeira vez que eu ouvi, senti de cara que se tratava de uma forma de tocar que não tinha nada a ver com a tradição violonística brasileira. Não era o violão de Baden, não era o violão de João Gilberto, enfim... Era o violão de Luiz Tatit, simples.
As letras das canções são também dignas de nota, pois ocorre nelas um rebuscamento e um potencial informativo de maior qualidade. Seria impossível aqui, por absoluta falta de espaço, desenvolver uma análise sobre esse aspecto das canções do grupo, mas vamos brevemente tratar de uma canção em especial. Trata-se da canção “Saudade moderna”. Diz a letra: “uma saudade / é do tempo em que andávamos juntos / era um verdadeiro temporal / mas estávamos sempre juntos / outra saudade era do tempo em que nem te conhecia / e simplesmente eu desejava estar sozinho / era tão bom, era tão calmo, era tão feliz / Uma terceira saudade é completamente inesperada para mim / ela pega um tempo que absolutamente não vivi / nessa saudade não tem você, não tem ninguém, não tem recordação (...) ela incide sobre um tempo que não cabe na história / ela escapa da consciência e se projeta pra fora.
O narrador trata de três tipos de saudades. As duas primeiras são saudades tradicionais, ou seja, saudade de um tempo e um espaço específico. Mas a terceira saudade, que ele chama de moderna, tem uma característica especial, ela não se refere a um tempo ou um espaço determinados. Ela vem de dentro pra fora, ou seja, o espaço ao qual a saudade se refere não é um espaço objetivo, mas um espaço subjetivo. É um tempo que não cabe na história, portanto não é um tempo histórico, e sim um tempo do sujeito, um fluxo temporal interno. Ela ocorre, ao contrário da saudade tradicional, primeiramente na consciência e depois é que se projeta pra fora, invertendo completamente a rota. Este texto é quase uma tese de doutorado.
Ao todo, o Rumo lançou seis discos, estreando em 1981 com o lp intitulado simplesmente como “rumo”, e encerrando suas atividades em 1991 com um disco ao vivo. Há também um DVD lançado em 2006 pela TV cultura de São Paulo. Do grupo saíram a cantora Na Ozzetti (já apontada como uma das maiores cantoras da atualidade); o próprio Luiz Tatit, que desenvolve um trabalho solo e Paulo Tatit, seu irmão, que desenvolve um trabalho de música infantil através do selo “palavra cantada”.
Fica aqui então, a crítica explícita ao silêncio da mídia especializada, que não teve a devida percepção para reconhecer no grupo paulista uma das maiores inflexões da canção popular dos últimos tempos. Registre-se também aqui o papel de sonegação de informação praticado pela mídia radiofônica, que impossibilitou a um número enorme de pessoas de terem acesso a este precioso trabalho.
