terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Um cordel para o Rio de Janeiro

Este cordel é o resultado de um trabalho que fizemos com a turma 1701 da Escola Emiliano Galdino no segundo semestre de 2009. A ideia do trabalho era o de desenvolver no aluno uma leitura mais fluente. Trabalhos diversos elementos, tais quais a compreensão da estrutura das sílabas poéticas (no caso 7), interpretação de texto e compreensão rítmica dos versos (acentos tônicos). Fizemos leituras em sala de aula de diversos títulos: "As proezas de João Grilo"; "Lampião, o capitão do cangaço"; "Peleja de Riachão com o Diabo" e o "Romance do pavão misterioso". Este último foi de longe, o mais apreciado de todos. No final os alunos compuseram este cordel que você poderão ler abaixo.




UM CORDEL PARA O RIO DE JANEIRO





Vou contar nesse cordel
Uma história interessante
Sobre o Rio de Janeiro
Uma cidade elegante
Chamada maravilhosa
Que tem muitos habitantes


Já há muito tempo atrás
Nasceu uma bela cidade
Humilde e muito pequena
Que tinha simplicidade
Era um belo lugar
Sem tristeza nem maldade


Para o Rio vieram os franceses
Prá uma colônia fundar
Acabaram sendo expulsos
Não puderam continuar
Foram buscar novas terras
Lugares pra explorar
  
Aqui no Rio de Janeiro
Lá no Campo de Santana
No século dezenove
Uma data bem bacana
Aconteceu a República
História de muita fama


No morro do Corcovado
Tem o Cristo redentor
Um monumento importante
Que tem um grande valor
Uma das sete maravilhas
E tem todo nosso amor


Os olhos do redentor
Parecem observar
Todo o Rio de Janeiro
Estrela desse lugar
Abençoando a todos
Com a santidade do olhar


Das praias do nosso rio


Tem muito pra se falar
Muitas mulheres bonitas
Que só aqui pode achar
Tem marés e horizontes
Belezas de se encantar


Lá na praia de Ipanema
Gosto de me bronzear
A garota mais bela
Vejo por ali passar
É a mulher mais bonita
Que eu já vi desfilar


Pão de açúcar lá no Rio
É um morro interessante
Pois lá tem muito turista
Que é gente importante
E tem uma paisagem linda
Sem igual e verdejante


O bonde do Pão de Açúcar
Vive prá lá e prá cá
Fica em cima de um fio
Eu vou prá lá passear
Mas fico com muito medo
De o cabo arrebentar


Em dois mil e dezesseis
No Rio acontecerá
Será a primeira vez
Que o Rio vai sediar
Virá gente do estrangeiro
Para aqui se encontrar


Nosso Rio também é
A cidade do esporte
Tem futebol, voleibol
Atletas de muito porte
Por isso nas olimpíadas
É candidata bem forte


Quando está muito calor
Eu saio do meu lençol
E vou curtir uma praia
Pegar uma cor com sol
Aí dou uma pescadinha
E jogo meu futebol


Futebol aqui no Rio
É um esporte bem legal
Todo mundo gosta dele
Porque é sensacional
E quando um time faz um gol
É alegria sem igual


Domingo assisto ao jogo
O jogo do meu mengão
Ele é o melhor time
E vai ser o campeão
Já está lá no G4
É melhor que a seleção


Nesta cidade do Rio
Tem uma festa bem legal
Que acontece em fevereiro
O nome dela é carnaval
Muita gente se diverte
Nesta festa surreal


Todo dia tem escola
Pois é lá que eu aprendo
Já aprendi a escrever
E também já estou lendo
De manhã faço um lanchinho
E de tarde eu merendo


A escola aqui do Rio
É muito especial
A gente aprende a escrever
E isso é muito legal
Cresce a cultura do aluno
De forma sensacional


Nosso funk carioca
É cultura e lazer
É do Rio de Janeiro
O ritmo do prazer
Que abala muita gente
Isso você pode crer


Um problema da cidade
É ter muito traficante
E tem muita violência
Também muito meliante
Existem várias favelas
Também muitos assaltantes


Uma parte da polícia
Pode tudo por dinheiro
Isso também acontece
Nesse Rio de Janeiro
As vezes o bicho pega
E é só tiro o dia inteiro


Mas toda cidade grande
Tem o ritmo assim
Acontecem coisas boas
Acontecem coisas ruins
Mas morar nessa cidade
É mesmo um prazer pra mim


No cordel dessa cidade
Contei coisas de esplendor
Praias, esportes, lugares
Até Cristo redentor
Ainda falta muita coisa
Mas por aqui já acabou


Já encerro por aqui
A história que eu contei
Não sei se todos gostaram
Mas eu sei que eu gostei
É do Rio de Janeiro
Que jamais esquecerei






Cordel do Rio de Janeiro







domingo, 20 de dezembro de 2009

O vendedor de passados


     "O vendedor de passados" é um romance sobre a memória, quer dizer, sobre sonhos, ou melhor, sobre a memória / sonho. E como ele mesmo diz: "um sonho não se tem, um sonho se constrói". Apesar da atmosfera onírico-mágico-surrealista, a trama é muito bem construída. Ela trata de um sujeito, o Félix Ventura (este sobrenome é bastante significativo) que vive de criar passados e inventar memórias. As pessoas que o procuram pertencem a posições sociais que lhes garantem o futuro, mas que não provê um passado, ou uma memória compatível com seu status.
     Em uma passagem curiosa o personagem Ventura faz um paralelo entre o seu ofício e a literatura. Ele acredita que o que faz é, de certa forma, literatura, pois ele também inventa personagens, com suas tramas e tudo mais. Só que ao invés deles ficarem presos às páginas de um livros, saltam para a vida.
     É curioso também que toda essa narrativa, ou quase toda, visto que há mudança de foco narrativo, é feita por uma osga (é como em angola se chama essas lagartixas de parede). É verdade que é uma osga absolutamente humanizada, cujos sonhos remetem a uma vida humana anterior. Há até momentos em que os sonhos da osga e do personagem Ventura se fundem de forma fantástica.
     É um excelente livro, com nuances poéticas da melhor qualidade e com aquelas frases que nos faz de repente parar de ler o livro e ficar a pensar...


O vendedor de passados
José Eduardo Agualusa
Editora Gryphus

sábado, 19 de dezembro de 2009

O homem que engarrafava nuvens

Em janeiro irá estrear um documentário sobre Humberto Teixeira. Vi o trailer e deu muita vontade de ver o filme. Postei-o abaixo pra que você também fiquem com o mesmo gostinho.


Igrejas bizarras...

Recebi da minha amiga Débora Rios uma lista com nomes bizarros de igrejas evangélicas - nem sei se podemos chamá-las assim-, confesso que não pude resistir ao riso, e, claro, nem haveria porquê. A mensagem que recebi fala da criatividade do pessoal para dar nomes aos seus negócios, digo, suas igrejas. Mas não poderia ser diferente, pois cada dia surge uma nova igreja, o que exige de seus dirigentes muita inventividade. Não colocarei aqui a lista completa que recebi, pois é muito extensa. Postarei apenas as que achei mais engraçadas. E reprarem que tem para todos os gostos. Tem as ecológicas: "coração reciclado"; tem as que poderiam ser filme: "cruzada de emoções"; tem as auto-celebrativas: "Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade"... Enfim, tem de todo tipo.

Igreja da Água Abençoada
Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
Congregação Anti-Blasfêmias
Igreja Chave do Éden
Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
Congregação Passo para o Futuro
Igreja Explosão da Fé
Igreja Pedra Viva
Comunidade do Coração Reciclado
Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
Cruzada de Emoções
Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
Congregação Plena Paz Amando a Todos
Igreja Aceita a Jesus
Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
Igreja Barco da Salvação
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
Comunidade Arqueiros de Cristo
Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Igreja Palma da Mão de Cristo
Igreja Menina dos Olhos de Deus
Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
Igreja Batista Ponte para o Céu
Igreja Pentecostal do Fogo Azul
Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
Igreja Filho do Varão
Igreja da Oração Eficiente
Igreja da Pomba Branca
Igreja Socorista Evangélica
Igreja ‘A’ de Amor
Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
Igreja do Amor Maior que Outra Força
Igreja Dekanthalabassi
Igreja dos Bons Artifícios
Igreja Cristo é Show
Igreja dos Habitantes de Dabir
Igreja ‘Eu Sou a Porta’
Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
Igreja da Bênção Mundial
Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
Igreja Sinais e Prodígios
Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
Igreja do Manto Branco
Igreja Caverna de Adulão
Igreja Este Brasil é Adventista
Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
Ministério Eis-me Aqui
Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
Igreja Batista Renovada Lugar Forte
Igreja Atual dos Últimos Dias
Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
Igreja Evangélica Bola de Neve
Igreja Evangélica Adão é o Homem
Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
Ministério Maravilhas de Deus
Igreja Evangélica Fonte de Milagres
Comunidade Porta das Ovelhas
Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
Igreja Evangélica Luz no Escuro
Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
Igreja Pentecostal Planeta Cristo
Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Propostas irrecusáveis...

Dando uma passeada pela blogsfera, dei uma passada no blog Mundo Fantasmo, animado pelo escritor e compositor Bráulio Tavares. Lá encontrei, entre tantas coisas interessantes, uma discussão acerca do tema "propostas irrecusáveis". A questão colocada é: "o que acontece quando um sujeito absolutamente honesto recebe uma proposta (desonesta) irrecusável? É, sem dúvida, uma questão embaraçosa, e certamente mais verossímel do que aquelas construções congêneres do tipo: "o que acontece quando uma força irresistível encontra uma barreira intransponível?" Nessa última estamos lidando com um universo objetivo, no qual, os termos que o representa estão em franca contradição; o que não acontece no primeiro caso, no qual o universo subjetivo dá margem para que as coisas não tenham assim tanta nitidez. Nesses campos, digamos, as coisas tendem a ser mais nuançadas, com zonas de sombras e interseções diversas.
Mas toda essa discussão me faz lembrar uma historinha que me foi contada pelo meu amigo Antonio Augusto Fontes, sobre o jornalista Assis Chateaubriand. A história é mais ou menos a seguinte: o ilustre jornalista estava em uma festa e viu uma mulher muito bonita, a qual despertou nele um desejo sexual incontrolável. Ele então procurou um acessor que, transformado em emissário, foi ao encontro da mulher fazer uma "proposta irrecusável". Tratava-se de uma soma em dinheiro que era realmente difícil de não ser aceita, ainda mais levando-se em conta que era só para uma noite. Ela topou, e daí o acessor apresentou um ao outro e a conversa fluiu. Acontece que lá pras tantas, o jornalista mencionou a metade da quantia antes oferecida pelo acessor, o que fez a mulher ter o semblante transformado e por fim dizer pra ele: "você está pensando que eu sou que??" No que prontamente teria respondido Chateaubriand: "o que a senhora é já sabemos, agora é só uma questão de preço". Pois é, este parece ser um caso em que a quantidade (dinheiro) consegue alterar a qualidade (o ser ou não ser da mulher).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Você já ouviu falar em "neuromarketing"

Pois é amigos, na medida em que vai avançando nossa compreensão sobre a "máquina mundo", e aí incluído nessa máquina nós mesmos, seres humanos, vão aumentando as possibilidades de interferência nesse sistema que somos. Talvez o neuromarketing esteja dentro daquilo que o filósofo Michel Foucault teorizou como biopoder.
Este campo de conhecimento começou nos Estados Unidos com um sujeito chamado Gerald Zaltman, médico e pesquisador da universidade norte-americana de Harvard, que teve a idéia de usar aparelhos de ressonância magnética para fins de Marketing, e não estudos médicos. O termo “Neuromarketing”, no entanto, só viria a ser conhecido alguns anos depois, cunhado por Ale Smidts, um professor de Marketing na Erasmus University em Roterdã, Holanda.
Pois bem, após os primeiros passos foi feita uma pesquisa científica no jornal acadêmico Neuron, da Baylor College of Medicine, em Houston, Texas. O estudo consistia na experimentação dos refrigerantes Pepsi e Coca-Cola. Em um dos casos, os experimentadores não sabiam qual era a marca da bebida que tomaram.Quando perguntados qual dos dois refrigerantes era melhor, metade respondeu Pepsi. Nesse caso, a ressonância detectou um estímulo na área do cérebro relacionada a recompensas. Já quando elas tinham conhecimento sobre a marca, esse número caiu para 25%, e áreas relativas ao poder cognitivo e à memória agora estavam sendo usadas. Isso claramente indica que os consumidores estavam pensando na marca, em suas lembranças e impressões sobre ela. O resultado leva a crer que a preferência estava relacionada com a identificação da marca e não com o sabor.
Ora, certamente que não é nenhuma novidade o fato de que as marcas interferem diretamente nas escolhas feitas pelos consumidores. E que essas escolhas muitas vezes têm um caráter muito mais subjetivo do que objetivo. Mas a novidade talvez esteja no fato de que o que antes era uma simples percepção passa a ser quantificado objetivamente. com esta precisão o Neuromarketing possibilita monitorar as emoções vividas durante as experiências de consumo. Creio que isso não seja pouca coisa.
Bom, não sou daqueles que vê na tecnologia a ruína da liberdade ou coisa parecida. Apenas acho que como estamos no século da informação, devemos estar atento a tudo que acontece e eventualmente usar a própria tecnologia para neutralizar ou minimizar os efeitos deletérios de determinados usos que a tecnologia tem.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Drible da vaca

Algumas expressões no futebol são muito engraçadas. Uma delas é o "drible da vaca", que para quem não sabe, é aquela jogada na qual um jogador (geralmente um atacante) toca a bola por um lado do adversário e corre pelo outro, contornando-o e pegando a bola do outro lado. Noutro dia fiquei sabendo da origem dessa expressão, ou pelo menos de uma versão, e gostaria de compartilhar com os leitores aqui do blog. É o seguinte: contam que o nosso querido Garrincha costumava treinar lá em Pau Grande, lugar onde nasceu, no estado do Rio, com animais. E era com a vaca que ele treinava a tal jogada: dava de um lado e pegava do outro.
É provável que não tenha sido ele o primeiro jogador a realizar esta jogada, mas talvez tenha sido o primeiro a batizá-la. Em sendo verdade esta história, podemos contar mais um pontinho para o nosso genial Mané.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Trabalho escravo no Brasil

Apesar dos esforços do atual governo brasileiro (inclusive com reconhecimento internacional), ainda existe trabalho escravo no Brasil. É evidente que esse tipo de escravidão se baseia em outra forma de organização, diferente da que tivemos no nosso passado colonial. Mas talvez a diferença esteja só na forma, mantendo em sua essência a mesma crueldade e ignomínia. Mas o mais cruel (nem sei o que é mais cruel nisso tudo), é que isso acontece sob o beneplácito de setores importantes da elite brasileira, inclusive com grande representação no congresso nacional, e grande inserção na mídia brasileira. Vemos essas pessoas na televisão com suas gravatas e suas falas empoladas, fazendo análises e diagnósticos da situação brasileira, e até parece que são seres humanos de verdade. E talvez sejam mesmo, e ser "humano" seja essa abertura para tudo: monstros, anjos e tudo o mais.
Abaixo segue um depoimento de um amigo que viu essa escravidão de perto, e um artigo de Laerte Braga.


1- É impossível fazer escravagismo rural no Brasil de hoje sem paramilitares que torturem e matem. Constatei isso no sul do Pará, tendo encontrado paramilitares, fazendeiros, ex-escravos, advogados, familiares de assassinados. Em todos os casos, os criminosos estavam ligados a PSDB/PPS/DEMO. EM TODO OS CASOS.


2- Não sei se o argumento vai comovê-l@ car@ amig@, mas o olhar de um ex-escravo, de uma viúva de lavrador assassinado pela turma do PSDB/PPS/DEMO é algo devastador.


3- Jarbas Vasconcelos foi ao Pará em companhia da senadora escravocratra Kátia Abreu para defender uma empresa flagrada em trabalho escravo, a PAGRISA. Jarbas Vasconcelos tentou humilhar uma mulher corajosa que enfrenta pistoleiros para liberar escravos. Ele disse: "Não se pode agir segundo os chiliques da dona Rute". Algo escandaloso, mas que não inspira indignação em quase ninguém.


A CPI DO MST – OS ESCRAVAGISTAS

Laerte Braga

Quem quer que se dirija ao GOOGLE, pesquisa, digitar o nome do deputado Ronaldo Caiado do DEM (partido de José Roberto Arruda) vai encontrar, entre outras coisas, seu vínculo com o trabalho escravo. O deputado é contrário à emenda constitucional que pune com a perda das terras para fim de reforma agrária, o proprietário ou empresa que fizer uso de trabalho escravo. Ele próprio o faz.

Quem for procurar informações sobre a senadora Kátia Abreu (DEM, partido de José Roberto Arruda) vai encontrar que a senhora em questão encalhou no Senado Federal às custas de dinheiro da Confederação Nacional da Agricultura da qual era presidente e repassado àquela entidade para ser utilizado em financiamentos de projetos agrícolas.

Não são necessariamente corruptos por corrupção. São corruptos pelo que representam. Interesses do mais atrasado e boçal latifúndio brasileiro (se bem que não existe latifúndio não atrasado e não boçal).

Kátia Abreu responde a processo por desvio de recursos da Confederação Nacional da Agricultura, tanto quanto por ter lesado um lavrador em sua região, tomando-lhe a terra num típico conto do vigário.

Nem a senadora e nem o deputado descobriram ainda a existência de garfo e faca, por exemplo, para se possa comer. Conhecem chicote, pelourinho, senzala e toda a sorte de boçalidades possíveis em termos de se tratar escravos.

Ronaldo Caiado e Kátia Abreu associaram-se a empresas estrangeiras, a MONSANTO principalmente, entupindo a mesa do brasileiro e lá fora também, de produtos transgênicos, sabidamente nocivos à saúde e que para muito além disso transformam num curto prazo qualquer terra em imprestável ao plantio do quer que seja, mas aí, suas contas bancárias já estarão aptas a lhes garantir futuro tranqüilo e risonho.

A CPI do MST tem dois vieses que se casam. O primeiro deles assegurar a permanência do regime de escravidão mantido pelo latifúndio brasileiro e o segundo assegurar a posse da terra a empresas estrangeiras, logo, ferindo de morte a soberania nacional, tal a extensão de terras em poder desse tipo de gente.

Se a agricultura brasileira, sustentada na prática pelo pequeno e médio produtor rurais, vai se lascar e o “celeiro do mundo” virar um grande deserto dentro de alguns anos, gerando fome e doenças, isso não é problema deles, pois não são humanos, são figuras desprezíveis e abjetas em todos os sentidos.

O patriotismo deles é aquela forma canalha a que se refere o pensador inglês Samuel Johnson.

A CPI é simples. Estigmatizar o MST com apoio da mídia (a grande mídia GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, BANDEIRANTES, etc) venal e serve aos mesmos patrões, assegurar os privilégios dos latifundiários entre eles o de não pagar suas dívidas com o Banco do Brasil e outras agências de fomento do governo (nunca pagaram e nem pensam em pagar, são caloteiros por natureza), garantindo que permanecerão senhores de escravos e a serviço de potência estrangeira.

São bandidos, bandoleiros lato senso.

Não têm escrúpulos e nem têm nada além da capacidade de urrar e rosnar asneiras.

Que tenham recebido apoio expresso e público do deputado Ônix Lorenzoni, também do DEM (partido do governador José Roberto Arruda) não é novidade. O Rio Grande do Sul embora seja um dos estados mais próspero do País, terra de Mário Quintana entre outros, tem o latifundiário mais brutal e estúpido do Brasil. Ainda desconhecem a existência da roda, mas conhecem a da pólvora com que seus pistoleiros assassinam trabalhadores rurais e pequenos produtores.

E todos eles são financiados tanto por recursos desviados da Agricultura, como por empresas estrangeiras.

A senadora Kátia Abreu, uma espécie de pré-ornitorrinco, tal e qual Ronaldo Caiado. Lorenzoni não. É só um sem vergonha querendo aumentar o por fora. Foi eleita “miss desmatamento.”

Por que não levantar os débitos dessa gente com as agências de fomento à agricultura do governo federal? Os assassinatos cometidos por seus pistoleiros? Será que o brasileiro comum faz idéia de quanto um pilantra como Agripino Maia deve aos cofres públicos de financiamentos para a agricultura e usado em especulação financeira, mas que a GLOBO não informa, pois chega ali boa parte da grana?

A turma de abóboras que gosta de bom dia e escolher a gravata do Bonner?

O que está por trás da CPI do MST? Num primeiro momento garantir privilégios de bandidos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado. Num segundo atender a interesses de grupos econômicos estrangeiros e num terceiro, finalmente, inscrever o Brasil no rol de colônias da corte de Washington, à qual servem com devoção e altos salários.

Isolar um movimento popular que luta por algo que até um general fascista como Douglas MacArthur fez ao final da guerra, no Japão, a reforma agrária.

Quando a fome bater em “grandes plantações”, como afirma Vandré em sua canção “pra não dizer que não falei de flores”, não adianta mandar o xerife atrás desses bandidos. Já estarão longe e o Brasil já será BRAZIL.

A propósito, mesmo o ministro do Meio-ambiente, Carlos Minc, sendo um bobalhão, atrapalha interesses dessa gente e Kátia Abreu usou o recurso mais comum entre os seus. Ameaçou-o de morte por não aceitar assentar-se de quatro no colo do latifúndio.

A CPI do MST é isso. Uma traulitada no interesse nacional. O tal “terrorismo” do MST é uma luta legítima em favor do BRASIL, ao contrário dos que lutam pelo BRAZIL.

Há uma diferença fundamental entre um e outro.

campanha contra propaganda dirigida às crianças

O IDEC (Instituo Brasileiro de Defesa do Consumidor) está, junto com outras entidades ligadas ao consumo, fazendo uma campanha contra a publicidade dirigida às crianças. Apoio integralmente essa campanha e, dessa forma, reproduzo abaixo o texto do IDEC e o link para quem quiser, assinar. Gostaria só de acrescentar que quando li o manifesto lembrei imediatamente de uma letra de uma canção da década de 1970 chamada "receita de felicidade", do compositor cearense Ednardo. Diz a letra:
--------------------------------------------------
Receita de Felicidade

Ultimamente ando às vezes preocupado
Vendo as caras tão risonhas das crianças
Nas fotos dos anúncios
Nos cartazes da parede
Dando idéias que algo vai acontecer
É receita certa pra sensibilizar
Pra esconder, pra mentir ou pra vender
Veja as caras tão risonhas
Tão lindinhas, tão risonhas
Nos jornais, nas paredes, nas TVs

Eu não gosto desses dedos que me apontam
Eu não gosto dessas frases que me dizem
"O futuro deles está em suas mãos..."
Pois é seu Zé, sei não

Não esqueço que algum dia fui risonho
Com u'a carinha bonitinha pra valer
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro
Quem guardou o meu futuro - me dê

----------------------------------
Texto do IDEC

EDUCAÇÃO E CONSUMO






10 de Dezembro de 2009

Manifesto contra a propaganda dirigida às crianças






Foi lançado oficialmente ontem (9) o manifesto "Publicidade Infantil Não", que visa fortalecer a luta pelo fim da comunicação mercadológica dirigida às crianças. A página é mantida pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, e reúne assinaturas de cidadãos e de entidades que apoiam a causa, entre elas o Idec.

Como aponta o manifesto, a criança é hipervulnerável aos apelos das propagandas. Já que ainda estão em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico, os pequenos não possuem as habilidades necessárias para uma interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos com os quais são bombardeados diariamente na televisão, internet, entre outras mídias.

Por isso, os signatários do manifesto entendem que a publicidade infantil constitui prática antiética e abusiva e defendem que toda e qualquer comunicação mercadológica seja destinada somente aos adultos.

O Idec defende que as crianças sejam preservadas das artimanhas da propaganda, principalmente quando os artigos promovidos são prejudiciais à saúde, como é o caso de alimentos pouco nutritivos.

------------------------------------------------

Obs.: quando assinei já haviam mais de 3.000 assinaturas. O link é o seguinte:
http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eleições bolivianas

Como são escassas as notícias sobre as eleições na Bolívia (será que é porque a vitória do Morales se anuncia como acachapante???), eu resolvi postar aqui um artigo da Tele Sur.

Eleições bolivianas


Resultados parciales dan a Evo Morales el triunfo con 47,8 % de los votos.

spacer
spacer
 El presidente Evo Morales, se alza con 47 por ciento de los votos. (Foto:Efe)
El presidente Evo Morales, se alza con 47 por ciento de los votos. (Foto:Efe)

El presidente boliviano, Evo Morales, se mantuvo como favorito en la carrera electoral por la presidencia del país andino, con números que superaban el 50 por ciento, según encuestas previas. Los sondeos a boca de urna también le dieron un amplio margen, con 63 por ciento de favoritismo.



spacer
spacer

Los primeros cómputos de las elecciones generales de Bolivia ofrecidos este martes por la Corte Nacional Electoral (CNE), ratifican la victoria del actual presidente, Evo Morales, con 47,8 por ciento de la preferencia, con tan sólo 20,6 por ciento de los votos escrutados.

Entretanto, el más cercano contrincante de Morales, el ex prefecto (gobernador) Manfred Reyes Villa, de Plan Progreso para Bolivia-Convergencia Nacional (PPB-CN), obtuvo 41,4 por ciento de apoyo según los datos ofrecidos por la CNE.

Mucho más abajo se ubican el empresario paceño, Samuel Doria Medina, abanderado por el partido Unidad Nacional (UN), con 6,7 puntos porcentuales; la Alianza Social (AS), del ex alcalde de Potosí René Joaquino, que cuenta con un 2,8, y cuatro listas restantes no alcanzan ni el uno por ciento.

Se prevé que los votos a favor del actual mandatario vayan en aumento a medida que se contabilizan los departamentos donde tiene más apoyo, como el caso del área rural o de los emigrantes que por primera vez han podido ejercer su voto desde España, Argentina, Brasil y Estados Unidos.

Los resultados a boca de urna, publicados el domingo, le dan a Evo Morales la victoria con 63 por ciento de la intención de voto. A Reyes Villa le asignan entre 23 y 27 por ciento de favoritismo.

La Constitución de Bolivia señala que un candidato accede directamente a la presidencia, si pasa el listón del 50 más un por ciento de los votos o llega al 40 por ciento de sufragios con una diferencia de 10 puntos sobre su inmediato seguidor.

Un total de 5 millones 138 mil 583 ciudadanos, cifra récord en la historia electoral del país, fueron convocados a las elecciones generales del pasado domingo donde el presidente Evo Morales optó a la reelección en pugna con otras siete candidaturas opositoras.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Aderimos à campanha do Blog do Mello...



O Grupo Folha não vê problema em expor uma ficha falsa da ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula a sua sucessão, Dilma Roussef, na primeira página de um domingo, acusando-a de participar de ações terroristas. Não vê problema também em abrir uma página inteira para Cesar Benjamim expor seus fantasmas político-sexuais (à espera de um Wilhelm Reich) e acusar o presidente Lula de estuprador. Acha também perfeitamente natural chamar de ditabranda a ditadura que sequestrou, torturou e matou inúmeros brasileiros. Mas a Folha e o UOL não gostam de virar vidraça.

O blogueiro Arles publicou uns banners em seu blog convidando os navegantes para que cancelassem suas assinaturas do ex-jornalão e do portal. Recebeu uma notificação para que os retirasse do ar. Eu já os havia reproduzido aqui no blog, com link para as imagens do Arles. Mas sou macaco velho e, embora não acreditasse que o Grupo Folha descesse a tanto, havia providenciado backup das imagens. As publico aqui, convocando-os para que façam o download delas para seus computadores e depois subam-nas para seus blogs ou redes sociais. Eles vão ter que notificar a blogosfera toda. Assim vão aprender que os tempos mudaram e não existe mais informação de mão única. Agora eles mandam de lá e nós respondemos de cá.

Versões de mim - Luís Fernando Veríssimo

Gosto tanto desse texto e já o contei tanto aos amigos, que resolvi publicá-lo aqui. A autoria é do Luís Fernando Veríssimo, e trata de uma questão muito interessante e que todo mundo, ou quase, já vivenciou. Refiro-me a aquela sensação que vez por outra nos assalta, de que se tivéssemos feito outra escolha diferente da que fizemos em um certo momento de nossas vidas estariamos melhor no presente. O tanto de alternativas que temos nos coloca numa espécie de labirinto, que por algumas vezes nos atordoa, e por outra nos angustia. Vamos ao texto:



Versões de mim

(Luís Fernando Veríssimo)


Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido. Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito sim, dito não, ido para Londrina, casado com a Doralice, feito aquele teste...
Agora mesmo, neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz - aliás, o nome do bar é Imaginário -, sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:
- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo. E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.
- Por que? Sua vida não foi melhor do que a minha?
- Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei à seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia...
- Eu sei, eu sei... - disse alguém sentado ao lado dele. Olhamos para o intrometido... Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:
- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.
- Como é que você sabe?
- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei... Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante...
- Ele chutaria para fora. Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou:
- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio...
- E o que aconteceu? - perguntamos os três em uníssono.
- Lembra aquele avião da Varig que caiu na chegada em Paris?
- Você...
- Morri com 28 anos.
- Bem que tínhamos notado sua palidez.
- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo...
- E ter levado o chute na cabeça...
- Foi melhor - continuei - ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado...
- Você deve estar brincando! - disse alguém sentado a minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.
- Quem é você?
- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público. Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida do que a outra.
As conseqüências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustração. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só
então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.
- Quem é você? - perguntei.
- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.
- E...?
Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado para baixo...

Luiz, respeita Januário

Esta canção, "Respeita Januário", é um clássico do cancioneiro brasileiro, e quase todo mundo já sabe a sua história. Mas quem quiser ouví-la pela voz do próprio Luiz Gonzaga, que aliás é uma delícia de ouvir, poderá fazê-lo indo ao sítio eletrônico www.luizluagonzaga.com.br, ou clicando play aqui embaixo. Recomendo!





Mestre Lua... que saudade!!

Neste vídeo, o grande compositor brasileiro Luiz Gonzaga fala, junto com seu parceiro Humberto Teixeira, sobre a parceria dos dois e em especial sobre a criação dessa que podemos considerar uma das canções mais importantes do cancioneiro brasileiro: Asa Branca.



Lula lá... na Alemanha

Quem assistiu pela tv o encontro do presidente Lula com a chanceler Angela Merkel, deve ter percebido com que altivez o governo brasileiro se coloca nas discussões internacionais. Lula não foi grosseiro em nenhum momento, mas quando o assunto foi o Irã - lembrando que Lula recebeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad semana passada no Brasil - Lula foi veemente em afirmar que quem tem armas nucleares não tem moral para fazer reprimendas a quem quer que seja. Lula falou isso logo depois que a chanceler alemã se expressou de uma forma também veemente falando de uma forma como as vezes falamos com as crianças: " já estou perdendo a paciência". Lula foi enfático mostrando que o equilíbrio de forças internacionais está mudando.
Outra coisa: nossas tvs, nossos âncoras radioativos, quer dizer, radiofônicos não mencionaram os aplausos que Lula recebeu quando de sua palestra de mais de uma hora aos empresários alemães. Mas também não se poderia esperar outra coisa de uma imprensa que age sistematicamente como um partido político.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Coca-Cola es así: Abusos laborales, atentados ecológicos y persecución sindical

Resolvi publicar aqui no blog esse artigo do sítio "Observatorio de las Multinacionales en America Latina" sobre a coca-cola, pois creio que seja necessário ampliar o debate sobre política e relações de consumo. Não se trata apenas desta empresa, mas falo no sentido mais amplo do consumo. Creio que seja necessário politizar o consumo, e perceber nele um conjunto de práticas e valores associados, ou seja, quando você compra determinado produto, você está se associando a um conjunto de idéias e valores. Claro que as coisas não são automáticas, e sempre há margem para certos usos matreiros e rebeldes, como quer o historiador Michel de Certeau. Mas penso que seja importante saber o que se anda fazendo pelo mundo afora com relação a multinacional Coca-cola, e quais as acusações feitas a ela. Tenho certeza que muitas pessoas ao saber dos vínculos e práticas dessa empresa, pensariam mais antes de abrir uma garrafa edeste refrigerante. Vamos à matéria:







Coca-Cola es así: Abusos laborales, atentados ecológicos y persecución sindical

Marta Monasterio Martín

26 de abril de 2007

“Una Coca-Cola y una sonrisa, la vida se ilumina, una Coca-Cola para compartir, así quiero ser, yo quiero ver al mundo entero sonreír también... ¡Coca-Cola!”. Más que la cuña de un anuncio, ésta es la melodía de un juego infantil que las niñas de hace una década entonaban en sus recreos. Es una muestra de lo que Coca-Cola Company, la empresa fabricante de refrescos, se propuso hacer desde que naciera hace 120 años y de lo que todavía hoy sigue haciendo con mucho éxito. Porque más allá de que la Coca-Cola sea un simple refresco, su nombre se ha constituido en un logo con entidad propia, en una imagen global, muchos dirían incluso que en un estilo de vida. No en vano, este gigante empresarial invierte un cuarto de sus beneficios anuales (cerca de 5.000 millones de dólares en 2003) en publicidad para transmitir una imagen limpia, social y verde; y para convencer de que su refresco tiene un sabor único, una receta mágica, y un valor altamente refrescante y saludable.

Pero en la historia del refresco más conocido del mundo no todo son sonrisas. La multinacional hace frente a constantes denuncias, escándalos y juicios sobre violaciones de derechos humanos, laborales y ecológicos. Ahora, su márketing tiene que contrarrestar la mala publicidad que le da, por ejemplo, ser nombrada una de las diez peores empresas del mundo, galardón que le adjudicó la Multinational Monitor en 2001 y 2004.

La fórmula secreta

Coca-Cola ha construido un imperio comercial a nivel planetario: vende cerca de 400 marcas de bebidas (entre refrescos, agua, zumos, té y café) en más de 200 países, controlando el 50% del mercado mundial de gaseosas. Sus beneficios en 2005 alcanzaron los 15.000 millones de dólares. Y cada día se beben en todo el mundo más de mil millones de latas o botellas de Coca- Cola, 12.500 cada segundo.

La fórmula: uno, ser la empresa que más dinero se ha gastado en la historia en publicidad; dos, rodearse de poderosos aliados, tanto de lobbies empresariales como de la clase política (en 2004 Coca-Cola Company y Coca-Cola Enterprise donaron 550.000 dólares para la campaña electoral estadounidense: un 70% para el partido republicano y un 30% para el demócrata); y tres, delegar toda la responsabilidad social a sus empresas subcontratadas (embotelladoras y distribuidoras) sin asumir las acciones realizadas por éstas ni establecer códigos de conducta.

Los abusos y violaciones de derechos humanos y laborales se denuncian en escenarios diversos. Como describe el Observatorio de Corporaciones Transnacionales IDEAS, la compañía es criticada “por su política de reducción de costes a base de la subcontratación de mano de obra, la eliminación de las organizaciones sindicales y la concentración de la producción en un número mínimo de envasadoras”. Por ejemplo, en la planta de Auburndale (Florida) los salarios están por muy por debajo de lo que se paga en el sector, no existen planes de pensiones y el seguro sanitario es cuatro veces más caro que el de otras empresas. Además, los contratos temporales están eliminando a los indefinidos (en 2005 fueron sustituidos un 24%) y no tienen seguro sanitario. A estas denuncias se suman las de acosos a sindicalistas. Tanto directa o indirectamente, se acusa a Coca-Cola de intimidar, amenazar, extorsionar e incluso asesinar a sus trabajadores. Algunos ejemplos: en Turquía 14 transportistas de la empresa y sus familias denunciaron en 2005 haber sido intimidados y torturados a manos de una rama especial de la policía por orden de Coca- Cola; en Punjab, Pakistán, los trabajadores fueron despedidos en 2001 por protestar por la falta de personal (y posteriormente readmitidos por orden judicial); en Nicaragua, el Sindicato Único de Trabajadores de la Empresa de Coca-Cola denunció en 2005 que a sus empleados de la embotelladora de Coca-Cola PANAMCO se les negó el derecho a organizarse, amenazó y despidió ilegalmente.

Asesinatos de sindicalistas

El caso de Colombia es de una crudeza especial. El Sindicato Nacional de Trabajadores de la Industria Alimentaria de Colombia (SINALTRAINAL) denuncia que la empresa Coca-Cola intimida y tortura a sus sindicalistas mediante escuadrones de la muerte a través de sus envasadoras subcontratadas. Desde 1990, ocho empleados de las embotelladoras de Coca-Cola han sido asesinados por los paramilitares, 48 trabajadores se han visto obligados a esconderse y otros 65 han recibido amenazas de muerte.

Por otro lado, se multiplican las protestas sobre los delitos ecológicos de la multinacional y sobre la insostenibilidad de sus envases. Para producir un litro de Coca- Cola se necesitan tres litros de agua, lo que ha empujado a la empresa a controlar acuíferos en todo el mundo. Estas reservas subterráneas pueden ser de varios kilómetros cuadrados y a veces constituyen recursos vitales para muchas comunidades. Es el caso de la India (en Estados como Kerala y Rajastán), donde Coca-Cola ha sido acusada de causar el desabastecimiento de agua en zonas ya castigadas por la sequía, provocando la deshidratación de las comunidades, la sequía de los pozos y la destrucción de la agricultura local. Por ejemplo, en la comunidad de Plachimada en Kerala, Coca-Cola extrajo 1,5 millones de agua subterránea, siendo acusada por las comunidades colindantes no sólo de agotar sino también de contaminar el agua en la zona. En esta línea, también en Panamá han sufrido la contaminación del agua a causa de las actividades de las plantas embotelladoras: en 2003 Coca-Cola fue condenada a pagar una multa de 300.000 dólares por contaminar el río Matasnillo y la bahía de Panamá con 1,5 metros cúbicos de tinte rojo, el utilizado en la producción de sus zumos de frutas.

Además, los envases de un solo uso suponen un grave problema ecológico mundial por la cantidad de residuos sólidos que producen, más aún si se trata de latas de aluminio (lo que corresponde al 34% de sus productos en el Estado español), por ser uno de los procesos industriales más contaminantes o de botellas de plástico no recicladas.

¿El principio del fin?

El imperio Coca-Cola también encuentra oposición en todos los rincones. Los eventos que la empresa organiza y patrocina (como la FIFA o los Juegos Olímpicos de Invierno de 2006), en los que muestra su cara más sana y amable, son ensombrecidos por manifestaciones y protestas ciudadanas. Los informes de ONG y movimientos sociales denunciando “la otra cara” de Coca-Cola también se publican por todo el mundo; y las acciones de protesta y boicot contra sus productos crecen, provocando no sólo un daño en la imagen de la marca sino también consecuencias reales a sus cuentas. Porque Coca-Cola ha perdido contratos de ventas en al menos cinco universidades estadounidenses, entre ellas la Universidad de Michigan y la Universidad de Nueva York, donde se ha prohibido la venta de sus productos por los abusos cometidos en Colombia y la India. En este país, la multinacional ha visto cómo se cerraba una planta envasadora a causa de la presión de movimientos campesinos y de mujeres. También en Europa encontramos ejemplos: la Red Italiana del Nuevo Municipio, que engloba a más de cien municipios, ha excluido la presencia de productos Coca-Cola de todos los distribuidores en la Administración, escuelas, institutos y comedores. Por todas partes surgen personas, redes ciudadanas, municipios, foros y caravanas que optan por otro tipo de consumo y que se han propuesto no ponerle las cosas fáciles a Coca-Cola. La lista continúa y es larga.

Marta Monasterio Martín

Entrevista com o ministro Tarso Genro

O ministro da justiça, Tarso Genro, deu uma longa entrevista a revista virtual Carta Maior (link abaixo). Nesta entrevista o ministro fala do caso Battisti e das várias questões nele embutidas. Fala, por exemplo, da tentativa do Supremo Tribunal Federal de "capturar" os direitos do executivo de legislar sobre a outorga de refúgio político. Ele afirma que a decisão em matéria de refúgio é do poder executivo, e que a pretexto de se analisar um ato administrativo, o STF avançou sobre esse direito tentando decidir o que não era de sua competência.
Genro analisa também o papel da imprensa em toda essa discussão e aponta a parcialidade com que a mesma tratou o caso. Fala da omissão de determinados fatos recentes, como o refúgio dado pelo governo brasileiro a "guerrilheiros" bolivianos de direita que após a tentativa de golpe na Bolívia se instalaram no Brasil. Em seu ponto de vista a imprensa não tocou nesse assunto porque mencioná-lo esvaziaria a tese, majoritária na mídia, de que o governo brasileiro se esforçava em dar asilo a Battisti por ser este um militante de esquerda, identificado ideologicamente com os integrantes do governo brasileiro atual. Essa tese, segundo Genro, tenta ignorar a tradição brasileira em dar refúgio político aos que se enquadram nessa perspectiva.
Vale a pena ler a entrevista do ministro:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16255&boletim_id=619&componente_id=10348

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A queridinha da mídia para assuntos de terra no Brasil...

Ultimamente os ataques ao MST por parte da mídia é uma constante. Chegou ao ponto do âncora da Band news, Ricardo Boechat, tentar fazer uma "meia sola", dizendo coisas do tipo: "nem tanto ao mar nem tanto a terra, pois se de um lado o pessoal do MST não é terrorista, como diz parte da mídia; o pessoal do CNA também não é do mal, como afirma o MST.
Mas os que praticam o ataque sistemático ao MST, defendendo uma CPI e coisa e tal, não responde as indagações feitas pela Comissão Pastoral da Terra: por que os ruralistas do congresso nacional encastelados na famigerada bancada ruralista não faz andar a CPI do trabalho escravo? Acho que a resposta é por demais óbvia para que me ocupe dela aqui. Leiam essa matéria abaixo e saibam mais um pouco sobre a senadora Kátia Abreu, a musa (será que dá pra chamar assim?) da bancada ruralista. São informações que nós não teríamos acesso através dos grandes meios de comunicação.



Golpe de Kátia Abreu: uma história de estarrecer

1 de dezembro de 2009

Do Conversa Afiada

A propósito de uma reportagem que Leandro Fortes publicou na Carta Capital, o Conversa Afiada publicou o seguinte post: “Kátia, que é inimiga do MST e quer derrubar governadora compra terra no grito e não planta nada”.

Ontem, por telefone, Paulo Henrique Amorim entrevistou o pequeno proprietário rural Juarez Vieira Reis, de Campos Limpos, Tocantins.

Juarez reafirmou que a união do poder Executivo e do Judiciário de Tocantins o obrigou a abandonar as terras em que vivia com a família desde 1955, sem receber um tostão.

O beneficiário da intervenção foi a então deputada e presidente da associação rural de Tocantins, a hoje senadora Kátia Abreu, que tenta prender o João Pedro Stedile e depor a governadora do Pará.

A Senadora se apropriou das terras, embora tenha ido à casa de Juarez e prometido que não faria nada para prejudicar a família.

Juarez venceu em todas as etapas do Judiciário, mas não consegue reaver as terras.

Ele demonstrou que os documentos que atestavam a sua propriedade – o usucapião – eram legítimos.

A certa altura, uma autoridade disse que ele tinha tomado aquelas terras e Juarez respondeu: “nunca vi pobre tomar terra de rico”.

Enquanto isso, a Senadora não planta no local um pé de feijão.

Juarez calcula que a Senadora, com a desapropriação ilegal, tenha se apossado de 3 mil hectares de terra, num platô da Serra Geral.

Juarez mencionou que, no último sábado, conversou com o Senador João Ribeiro, do PR de Tocantins, e denunciou a injustiça de que é vítima.

Paulo Henrique Amorim conversou ontem à noite com o senador João Ribeiro, por telefone.

Ribeiro confirmou que esteve com Juarez numa solenidade de entrega de 100 títulos, em companhia do Senador Eliomar Quintanilha, hoje Secretário de Educação de Tocantins, e José Augusto Pugliesi, Presidente do Instituto de Terra do Tocantins.

Que, de fato, conversou com Juarez.

“Um homem simples”, disse o Senador.

“É uma história de estarrecer!”, disse João Ribeiro.

“Foi um processo brutal (de desapropriação)”, disse.

O Senador anunciou que vai conversar com o Governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) para apurar como foi essa desapropriação das terras de Juarez e ver o que é possível fazer, dentro da Lei.

“Precisamos ver se a terra é ou era dela. É uma história de estarrecer. E ela (Senadora Kátia) não produziu nada: um pé de feijão!”, concluiu o Senador João Ribeiro.

domingo, 29 de novembro de 2009

Quando a mídia perdeu o Rumo


Há uma dívida histórica da mídia, e em particular da mídia que lida com música, no que diz respeito a obra de um certo grupo paulista da década de 1980. O grupo ao qual me refiro chama-se “Rumo”. Certamente alguns leitores dessa coluna sabem do que estou falando, mas infelizmente a maioria das pessoas que gostam de música não teve a oportunidade de ouvir e analisar o que representou no cenário da canção popular, o aparecimento do grupo.
Após o surgimento da bossa nova no final da década de 1950 e do tropicalismo, na década seguinte, a grande inflexão da canção popular, a meu ver, ficou por conta das criações do mentor intelectual do grupo, Luiz Tatit. Obviamente ocorreram outras tentativas estéticas, como a protagonizada por Arrigo Barnabé, que chegou a ser saudado como o grande inovador da canção, ali pelos inícios da década de 1980, quando lançou o lp “Clara crocodilo”. Sim, certamente foi uma investida e tanto a do Arrigo, tentando lançar mão de elementos da chamada música de vanguarda. O resultado foi bem interessante, e mesmo hoje as canções desse disco devem soar estranhas para muitos ouvintes desavisados.
Mas o vôo de Arrigo foi curto, o que não aconteceu com o do pessoal do Rumo. Em síntese, podemos dizer que a ambição do mentor intelectual do grupo, o Luiz Tatit, era de produzir uma canção que de certa forma se ligasse a uma origem da canção. Um canto falado, no qual a linha melódica seria uma espécie de moldura para o texto. O canto falado não era uma invenção do Tatit, mas o modo como isso foi feito é que distingue o trabalho do grupo. Essa linha melódica diferenciada precisava para seu acompanhamento uma “harmonização” também diferenciada, e é aí que surge o violão do Tatit tocado de uma forma sui generis. Certa vez, o próprio Tatit declarou em uma entrevista que no passado tentou fazer aula de violão, mas sentiu muita dificuldade. Ao invés de desistir de tocar, inventou outra forma totalmente pessoal. E esse “violão” coube certinho nas criações que veio posteriormente a fazer.
É impossível, caro leitor, descrever como esse violão é tocado. É necessário ouvi-lo para perceber toda sua estranheza e toda a sua profundidade. A primeira vez que eu ouvi, senti de cara que se tratava de uma forma de tocar que não tinha nada a ver com a tradição violonística brasileira. Não era o violão de Baden, não era o violão de João Gilberto, enfim... Era o violão de Luiz Tatit, simples.
As letras das canções são também dignas de nota, pois ocorre nelas um rebuscamento e um potencial informativo de maior qualidade. Seria impossível aqui, por absoluta falta de espaço, desenvolver uma análise sobre esse aspecto das canções do grupo, mas vamos brevemente tratar de uma canção em especial. Trata-se da canção “Saudade moderna”. Diz a letra: “uma saudade / é do tempo em que andávamos juntos / era um verdadeiro temporal / mas estávamos sempre juntos / outra saudade era do tempo em que nem te conhecia / e simplesmente eu desejava estar sozinho / era tão bom, era tão calmo, era tão feliz / Uma terceira saudade é completamente inesperada para mim / ela pega um tempo que absolutamente não vivi / nessa saudade não tem você, não tem ninguém, não tem recordação (...) ela incide sobre um tempo que não cabe na história / ela escapa da consciência e se projeta pra fora.
O narrador trata de três tipos de saudades. As duas primeiras são saudades tradicionais, ou seja, saudade de um tempo e um espaço específico. Mas a terceira saudade, que ele chama de moderna, tem uma característica especial, ela não se refere a um tempo ou um espaço determinados. Ela vem de dentro pra fora, ou seja, o espaço ao qual a saudade se refere não é um espaço objetivo, mas um espaço subjetivo. É um tempo que não cabe na história, portanto não é um tempo histórico, e sim um tempo do sujeito, um fluxo temporal interno. Ela ocorre, ao contrário da saudade tradicional, primeiramente na consciência e depois é que se projeta pra fora, invertendo completamente a rota. Este texto é quase uma tese de doutorado.
Ao todo, o Rumo lançou seis discos, estreando em 1981 com o lp intitulado simplesmente como “rumo”, e encerrando suas atividades em 1991 com um disco ao vivo. Há também um DVD lançado em 2006 pela TV cultura de São Paulo. Do grupo saíram a cantora Na Ozzetti (já apontada como uma das maiores cantoras da atualidade); o próprio Luiz Tatit, que desenvolve um trabalho solo e Paulo Tatit, seu irmão, que desenvolve um trabalho de música infantil através do selo “palavra cantada”.
Fica aqui então, a crítica explícita ao silêncio da mídia especializada, que não teve a devida percepção para reconhecer no grupo paulista uma das maiores inflexões da canção popular dos últimos tempos. Registre-se também aqui o papel de sonegação de informação praticado pela mídia radiofônica, que impossibilitou a um número enorme de pessoas de terem acesso a este precioso trabalho.