sábado, 20 de novembro de 2010

MÍDIA E PODER

  A grande mídia na qual se destaca o grupo Abril, Estadão, Folha e Globo (e seus serviçais como o sociólogo Bolivar Lamounier), se esmera em desfechar golpes contra as iniciativas do governo, mas não só, de implementar o controle social da mídia. Esses grupos acusam o governo e as organizações ligadas às comunicações de estarem tentando realizar um controle que colocaria em xeque os interesses da democracia, uma vez que a mesma limitaria a liberdade de expressão. O controle social dos meios de comuniação, como nos diz o professor Francisco Fonseca da FGV em seu livro "Mídia e Poder", atua justamente no sentido contrário ao da limitação do direito de expressão. Ele nos diz que muitos países europeus, que não podem de modo nenhum serem chamados de ditatoriais, realizaram esse tipo de iniciativa, e que sem ele é que a democracia correria perigo.
 Por outro lado essa grande mídia silenciou qundo das discussões em torno da famigerada Lei Azeredo, esta sim, um verdadeiro atentado contra a democratização da internet. Para quem quiser se aprofundar nesse necessário debate, este blog recomenda a entrevista dada por Marcelo Branco a Antonio Martins do Le monde Diplomatique. Marcelo foi um dos organizador do 10º FISL (Fórum Internacional de Software Livre) realizado no ano passado. Na entrevista Marcelo distingue claramente as posições do PSDB e do PT sobre o assunto, definindo as posições dos tucanos como contra as liberdades de expressão na internet. O próprio encontro teve como tema “Liberdade. Contra o controle e a vigilância na internet”, dada a importância do assunto nos novos cenários políticos. A entrevista está no link abaixo:

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Entrevista de Maria Victoria Benevides

A professora Maria Victória Benevides deu uma excelente entrevista à revista "ISTO É". Aliás, essa revista representa uma novidade no mercado editorial brasileira, pois de um tempo pra cá ela não tem engrossado as fileiras do que se vem chamando de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Mas voltando ao assunto, a entrevista é muito boa e vale a pena dar uma olhada. Segue o link:

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/109159_LULA+NAO+PODERA+SER+UMA+SOMBRA+DE+DILMA+

Costinha e as raspadinhas do Rio... para rir um pouco.

Certa feita o comediante Costinha foi contratado para fazer a propaganda das "Raspadinhas do Rio". Ele fez, e acho que na época foi ao ar. Mas em tom de brincadeira a equipe fez uma segunda versão, que obviamente não foi ao ar. Vejam nessa gravação as duas versões. É muito engraçado.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O PORTUGUÊS DO BRASIL

 Já falamos aqui sobre o lançamento da "Gramática do português brasileiro" do professor Mário Perini, e suas implicações ideológicas no que diz respeito à luta de muitos linguistas contemporâneos. Nessa luta destaca-se a figura do professor Marcos Bagno, que com contundência denuncia a língua como um campo no qual se explicita as lutas ideológicas e sociais e as formações autoritárias implícitas na cultura brasileira. Postamos aqui o artigo do professor Bagno quando do lançamento da Gramática do seu colega Mário Perini. Leiam:

ENFIM, UMA GRAMÁTICA BRASILEIRA!


Por Marcos Bagno

  Demorou, mas chegou. Exatos 188 anos. Finalmente, temos à nossa disposição uma gramática que descreve o que realmente acontece na nossa língua: a Gramática do português brasileiro, de Mário Perini, que acaba de ser lançada (Parábola Editorial). O fato histórico merecia banda de música e fogos de artifício. Afinal, vamos poder nos livrar dos mofados compêndios que, mesmo publicados no Brasil, mesmo publicados recentemente, continuam a chamar nossa língua simplesmente de “português” e a tentar impor como modelos de correção as opções de um punhado de escritores lusitanos mortos há uns bons 200 anos. Chega! Xevra! Xispa! Xô!
  Mário Perini é um linguista que há muito tempo vem se dedicando ao exame atento do que é a língua majoritária dos brasileiros. Já em 1985, propôs que se abandonasse a prática multissecular de recorrer à escrita literária em favor de uma referência ao padrão que de fato se verifica na prática escrita das pessoas altamente letradas. Em vez do romance e da poesia, que a gramática se debruce sobre a escrita jornalística, acadêmica, ensaística, técnico-científica. Se é para ensinar os brasileiros a escrever, que se ensine a escrever como se escreve no Brasil, e não como Eça de Queiroz ou Camilo Castelo Branco nem, muito menos, Machado de Assis (um gênio assim só a cada 500 anos!).
  É preciso libertar a língua da retumbante maioria das pessoas do peso insuportável de ser comparada aos usos feitos pelos grandes escritores. É preciso que professores de português, dicionaristas, gramáticos e neogramatiqueiros (esses que invadiram a mídia brasileira atual para vender um peixe linguístico mais podre e fedido que as águas do Tietê) parem de dizer que tal uso é “errado”, “não existe” ou “não é português” só porque não aparece na obra dos “clássicos”. Além de ser uma mentira, também é uma grande injustiça, e por duas razões. Primeiro, porque na obra dos grandes escritores também aparecem transgressões das normas tradicionais (embora os gramáticos se esforcem por escondê-las, como se os grandes autores só escrevessem de acordo com as regras que eles, gramáticos, tentam impor). Segundo, porque os escritores não devem nem querem ser transformados em régua para corrigir, em peso e medida para avaliar a produção linguística de ninguém.
  Se lá em cima escrevi que esperamos 188 anos por uma gramática da nossa língua é porque a nossa independência política (1822) não representou uma independência linguística. Nem poderia. Afinal, foi uma independência tramada de cima para baixo, proclamada pelo próprio representante da potência colonial que, mais tarde, para provar o quanto tinha ficado “independente”, abandonou seu império tropical para defender o trono português e se sentar nele com o nome de Pedro IV. Isso explica por que, no estudo e no ensino de língua, permanecemos igualmente atrelados aos manuais que vinham de Lisboa. E mesmo quando se começou a produzir gramáticas no Brasil, elas ofereciam como norma linguística uma modalidade extremamente restrita de língua literária lusitana pós-Romantismo.
  Bem-vinda, Gramática do português brasileiro! Talvez agora os autores de livros didáticos parem de tentar ensinar uma língua que nunca existiu por aqui (e, pensando bem, nem em Portugal) e reconheçam que a língua que nossos alunos querem aprender é o português brasileiro urbano culto, a língua que de fato molda a nossa identidade nacional e é moldada por ela. Libertas quae sera…!

domingo, 14 de novembro de 2010

Entrevista de Naomi Klein

Após a última postagem que fiz na qual há um explícito questionamento sobre a vida inteligente nos EUA, vou colocar aqui uma entrevista muito legal da jornalista e ativista canadense Naomi Klein. Nessa entrevista a bela Naomi mostra que não é só um rostinho bonito no movimento alter-mundista. Ela é autora do maravilhoso livro "A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo de desastre", no qual ela mapeia o crescimento do neoliberalismo da escola de Chicago a partir da década de 1950, e seus experimentos radicais no Chile de Pinochet na década de 1970. O livro é imperdível e o documentário (com o mesmo nome), idem. Aqui uma entrevista que ela concedeu a globonews. Vejam:



Entrevista de Naomi Klein na Globo News por nortontavares no Videolog.tv.

sábado, 13 de novembro de 2010

Estadunidenses são estúpidos??

Esse programa poderia ser muito bem uma montagem, mas pessoas que conheço que já moraram por lá, afirmam que é perfeitamente possível que essas respostas tenham sido dadas a sério. Bom, de todo modo é engraçado. Vejam isso:

Alunos do CIEP 318 interpretam Egberto Gismonti

Neste vídeo, meus alunos do CIART no CIEP 318, em Saracuruna - Duque de Caxias-, interpretam o tema "Circense" de Egberto Gismonti. O solo é feito na viola caipira por Gabriel Rodrigues. Vejam:

Professor Kabengele Munanga responde a Demétrio Magnoli

  O geógrafo Demétrio Magnoli é evidentemente um intelectual orgânico - tal qual preconizava Gramsci -, a serviço dos interesses reacionários brasileiros. Não é a toa que ele tem tanto espaço midiático pra defender o ideário conservador, com o beneplácito do não contradito, como aliás, é a tônica da grande imprensa. Mas o não contradito está apenas na mídia, porque na "vida real" abundam as respostas dadas a esses funcionários da reação. Do outro lado das trincheiras (sim, claro, pois trata-se de uma guerra mesmo), está, entre outros, Kabengele Munanga (foto ao lado), Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, que é um grande intelectual a serviço da descolonização e se torna, nesse sentido, um intelectual pós-colonial. É por isso que não o vemos com tanta frequência nas cbn's e band news da vida. É claro que nunca darão a ele o mesmo espaço, pois se o fizerem, muitos corações e mentes que hoje se posicionam contra a ideia das cotas, compreenderiam melhor o tema e perceberiam a necessidade histórica dessa iniciativa. Parabéns ao professor Kabengele Munanga pela excelente resposta dada a Demétrio Magnoli.
 Vejam a resposta acessando o link:

http://www.geledes.org.br/em-debate/kabengele-munanga-responde-a-demetrio-magnoli-04/07/2009.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tonga da Mironga do Cabuletê

Há muitas explicações que tentam dar conta do sentido de composições da música popular brasileira. Algumas, apesar da verossimilhança, são apenas mentiras criativas muito bem engendradas. Lembro agoras de estalo de duas delas: "pedaço de mim" de Chico Buarque e "gostava tanto de você" de Edson Trindade, cantada por Tim Maia. Mas essa que recebi do amigo Emerson, explicando a canção e a expressão "a tonga da mironga do cabuletê" me pareceu bastante interessante. Se não é verdade deveria ser... Segue abaixo a explicação:

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Por acaso, descobri esta jóia de informação sobre o significado da expressão
"na tonga da mironga do cabuletê".

1970. Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde tinham acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino. Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico” da ditadura militar. A censura em alta, a Bossa em baixa. Opositores ao regime pagando com a liberdade e a vida o preço de seus ideais.
  O poeta é visto como comunista pela cegueira militar, e ultrapassado pela intelectualidade militante que, pejorativa e injustamente, classifica sua música de "easy music". No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois. Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”. O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde-oliva inspiram o poeta.
  Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la num show no Teatro Castro Alves.
Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa. E o poeta ainda se divertia com tudo isso: “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.

Tonga da Mironga do Cabuletê
Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa, xingando em nagô
Você que ouve e não fala
Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala,

Você vai ter que aprender
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê

Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe

Você vai ter que viver
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê

Você que fuma e não traga
E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga

Eu vou é mandar você
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê


sábado, 6 de novembro de 2010

O fotógrafo Antonio Augusto Fontes em entrevista ao Canal Brasil

Belíssima esta entrevista dada ao canal Brasil pelo fotógrafo Antonio Augusto Fontes. Para quem ainda não conhece, Antonio Augusto é um dos grandes da fotografia brasileira contemporânea e nessa entrevista, dada ao programa "foto em cena" do canal Brasil, ele nos fala um pouco de sua vida e da sua obra. Vale a pena ver:



Ao Sul da fronteira

Imperdível!

Finalmente um dos documentários mais esperados do ano! Do aclamado diretor Oliver Stone, "South of the Border" é certamente um filme que irá fazer despertar muita gente!

A imprensa latino americana é por tradição alinhada com a norte americana. Se pensarmos que esses grupos na verdade fazem parte de um mesmo grupo internacional (mídia, petroleiras, farmacêuticas, bancos, etc.), que detém cerca de 80% de todos os canais de TV, das rádios, jornais e revistas do mundo ocidental, fica fácil saber o porquê desse alinhamento.

E não é difícil notar que esse grupo constantemente cria no imaginário coletivo, através de notícias, a ideia de que sempre estamos sendo ameaçados por alguma terrível nação ou ditador, que merecem, por isso, ser alvos de golpes de Estado e Guerras.

Mas, nos últimos anos, a América do Sul mudou radicalmente a forma de ver seus governantes. Apesar de 95% da mídia tradicional massacrar diariamente os presidentes "desobedientes" em relação às políticas dos EUA, todos contam com enorme apoio popular.

Provavelmente o mais desobediente de todos seja Hugo Chávez, e que por isso seja tão demonizado por quase toda a mídia internacional. Essa demonização veio arquitetada justamente por uma das personalidades mais odiadas do mundo: George W. Bush e toda sua equipe de Governo, ligadas às corporações.

O documentário visa justamente quebrar alguns dos mitos criados pela mídia oligárquica, e de desmascarar as mentiras noticiadas frequentemente e trazer uma mensagem de esperança rumo a um caminho que deixaria todos os países latinos muito melhores: A Integração.

(Comentários: Docverdade)
 
 
 
 

Sobre os 3% que não aprovam o governo Lula.


  Vejam a que ponto chega o nível de ensandecimento de parte da nossa imprensa. Em um artigo para a Folha de São Paulo (o jornal que emprestava carros para a ditadura matar e torturar, como diz sempre um amigo), o jornalista João P. Coutinho, escreve sobre os níveis de aprovação do governo Lula, segundo as últimas pesquisas. Num tom quase místico o articulista tenta exaltar o contingente mínimo de 3% que desaprova o governo (neste índice estão os que dizerm ser péssimo ou ruim o governo). Ele chega às altas esferas do sublime místico de exaltação quando diz "quando penso nessa gente residual, marginal, divinal...". Nâo é pouca coisa. Quem quiser se divertir (se nao se enojar antes) é só dar uma olhada no artigo seguindo o link abaixo. Em seguida posto um e-mail que enviei para o jornalista (não perco essa mania)

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/823639-os-heroicos-3.shtml


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Prezado colunista da Folha de São Paulo,

 Por acaso tive o desprazer de ler um artigo seu cujo foco era expressar seu apreço pelos 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula. Que o senhor tenha direito de dizer com todas as letras o que pensa é legítimo e me incluo entre aqueles que daria a própria vida para garantir este direito. Mas, em nome da democracia que ambos defendemos, sinto-me no dever de expressar o que penso sobre seu artigo. Um primor de cinismo! No meu entender o senhor se inclui entre aqueles supostos bem pensantes do país, que são contratados pela grande imprensa para emitir a opinião do chefinho dono do jornal (oh!!! Quão pequenas são essas almas). Aliás, foi o que vi abundantemente nessa campanha eleitoral: sociólogos e jornalistas a soldo dos interesses menores das corporações midiáticas, supostamente emitindo opiniões abalizadas. Ora, ora... divinizar 3% da população brasileira como sendo o melhor que nós temos é querer, como dizia minha boa vó, "fazer dos mais, bestas".
 Creio que no fundo o senhor, como boa parte das corporações acima citadas, desprezam a democracia, e instituem como salvaguarda da inteligência do país um grupelho de sabichões que não chegam a encher um ônibus (aliás, vocês devem ter ojeriza de ônibus, não?). No fundo o senhor e gente da mesma estirpe, acreditam que os bem pensantes deveriam reger o país e determinar seus destinos. Só resta saber se esse minguado grupo teria capacidade, por exemplo, de dar corpo à cultura do país, uma vez que a mesma é criada e re-criada diariamente por um conjunto de pessoas chamadas pela direita brasileira de "massa mal cheirosa". Bom, é verdade que vocês se deliciariam com Ivete Sangalo e Caetano Veloso... bom proveito!!!
 Ricardo Moreno

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Em cada esquina da internet, uma Auschwitz virtual. Reflexo da campanha tucana, diz Mauro Carrara

  Vale a pena ler esse artigo que trata das articulações fascistas do momento.
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Em cada esquina da internet, uma Auschwitz virtual. Reflexo da campanha tucana, diz Mauro Carrara


Por Mauro Carrara

 Durante a II Guerra Mundial, milhões de judeus foram enviados a campos de concentração e extermínio pelo governo nazista de Adolf Hitler.

No entanto, no principal complexo da morte, Auschwitz-Birkenau, na Polônia, foram encarcerados também membros da resistência democrática, intelectuais, artistas, religiosos, elementos considerados anti-sociais, ciganos e homossexuais.

Cidadãos alemães, poloneses, franceses, italianos, russos e de outras nacionalidades, inclusive crianças e idosos, encontraram ali a angústia de seus últimos dias.

Pelo menos 2 milhões de seres humanos foram mortos nessas instalações. Muitos pereceram nas câmaras de gás, envenenados pelo pesticida Zyklon B.

Não por acaso, o sistema remete à campanha informal “afogue um nordestino”, em curso nas redes sociais virtuais brasileiras, movida por militantes da candidatura derrotada de José Serra à presidência da República.

A autora da proposta é a estudante de Direito paulista Mayara Petruso, para quem os nordestinos são “vagabundos” que “fazem filho” para receber benefícios do programa Bolsa Família.

De acordo com os seguidores do grupo, como Maxi Franzoi, ativo no Twitter, a perseguição é legítima. Segundo o jovem, as nordestinas “nem banho tomam” e não há chuveiros instalados na região.

A campanha de perseguição aos diferentes movida pela juventude tucana, porém, alcança outros grupos minoritários divergentes.

Amarela azeda e aleijado FDP

Na comunidade Brasil (1,3 milhão de membros), da rede Orkut, por exemplo, a professora sansei Marina Okuhara, procurava argumentar civilizadamente em favor das políticas de distribuição de renda no Brasil quando foi chamada de “amarela azeda”, “vaca oriental sem bunda” e intimada a deixar o Brasil e se mudar para a “Coreia do Norte”.

Agressões e graves ameaças também têm sido registradas contra nortistas (os “índios burros”, como escreveu um simpatizante de José Serra no Twitter), cariocas, mineiros, bolivianos, homossexuais, deficientes físicos, negros e obesos.

Na rede Orkut, o termo “aleijado filho da puta tem que virar sabão” foi utilizado várias vezes, entre risadas escritas, contra um estudante portador de necessidades especiais que defendia a candidatura de Dilma Rousseff.

Nas rotulagens padronizadas por esses grupos, cariocas são “traficantes e prostitutas”, mineiros são “comedores de pão de queijo vendidos”, bolivianos são “sub-raça que infecta São Paulo”, homossexuais são “pecadores aidéticos” a serem eliminados, deficientes são “estorvos”, negros são “indolentes” (embora muitos revoltosos afirmem até mesmo conversar “normalmente” com eles) e obesos compõem a “escória da raça”.

O último tipo de classificação gerou até mesmo um novo “esporte” universitário. Na Unesp, um grupo de alunos instituiu o chamado “Rodeio das Gordas”, que também ganhou uma comunidade na rede Orkut e inúmeras adesões no Twitter.

Durante uma festa, os rapazes saltavam sobre as costas das garotas consideradas obesas e as dominavam por estrangulamento. Diante do desespero das vítimas, os “cowboys” berravam: “pula, pula, gorda bandida”.

Logicamente, os esquerdistas recebem um tratamento especial na Internet. Nomeados “comunistas de merda”, devem se transferir para Cuba ou para o Vietnã. Frequentemente recebem ameaças físicas.

O Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, por exemplo, registrou logo após as eleições um “aviso” do gênero, escrito por um certo Ruiz:

- Vocês estão fudidos, nem que a gente tenha que quebrar vocês na rua… só no taco de baseball e se vier é melhor cair dentro neném, que aqui não tem perdão

Esses movimentos têm umbilical relação com as campanhas movidas pelas tropas de choque virtuais da candidatura do PSDB à presidência. Um olhar mais atento atestará que os animadores das gangues da intolerância estiveram empenhados na propaganda tucana.

Sabe-se, portanto, de onde vem essa educação para a hostilidade. Os exemplos de cima são muitos e variados, capazes de gerar e consolidar uma cultura de intransigência e ódio.

Em 2005, num evento com empresários, por exemplo, o político catarinense Jorge Bornhausen, do atual DEM, foi questionado sobre um suposto desencanto com a política. E respondeu da seguinte forma:

- Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos.

Em 2006, numa entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o então candidato tucano ao governo paulista foi interrogado pelos apresentadores sobre as causas do péssimo desempenho da educação no Estado mais rico do país.

Sem titubear, Serra colocou a culpa nos migrantes e ainda deturpou os dados sobre movimentação populacional interna, alegando que “muita gente continua chegando” a São Paulo.

Com a derrota nas urnas no dia 31 de Outubro, os guerreiros do atraso, influenciados pela TPF, pela Opus Dei, pela Tribuna Nacional, pelos monarquistas e pela ala reacionária e golpista do episcopado brasileiro, revelam-se decididos a manter a cruzada pela desestabilização do país.

Portanto, muito cuidado, especialmente se você ousou votar em Dilma, se está entre os 49% de gaúchos e 46% de paulistas “vermelhos”, se simpatiza com a esquerda, se tem princípios humanistas, se segue a lição do verdadeiro Cristo, se é nordestino, se é nortista, se é carioca, se é mineiro, se ainda vive de maneira humilde, se foi beneficiado pelo Prouni, se é oriental, se é afro-descendente, se é ameríndio, se sua família tem origem em outro país latino, se é contrário à entrega de Itaipu e Petrobrás aos amigos de FHC e também se ganhou uns quilinhos a mais…

Em cada esquina virtual, tem uma Auschwitz a sua espera. E o Hélio Bicudo continua calado.

Mayara Petruso e o proto fascismo brasileiro

  O episódio Mayara Petruso no qual esta jovem de classe média paulistana destilou todo seu ódio classista e racista foi apenas mais um episódio instrutivo dessa passagem eleitoral. Em um post na sua página no twitter a jovem incita ao assassinato de nordestinos. Diz ela: "SP, mate um nordestino afogado!". Ainda acrescenta ataques ao bolsa família, ao qual se refere como "bolsa 171", e por aí vai. Não creio que seja possível generalizar esse pensamento e afirmar que ele representa a mentalidade de São Paulo, ou de toda sua classe média. Não!! Seria insensato. Mas também creio que não seja correto afirmar que seja este um caso totalmente isolado. Eu mesmo já senti na pele esse tipo de raciocínio, se é que se pode chamar assim, que atribui aos nordestinos a responsabilidade pelos grandes problemas brasileiros (não era isso que Hitler fazia com relação aos judeus??).
  Lembro que recém chegado ao Rio nos idos de 1983, encontrei um sujeito num elevador, onde havia mais algmas pessoas, que dizia claramente em alto e bom som, que o Rio de Janeiro não era mais como antigamente, e a culpa por esta decadência era "desses nordestinos". Ele falava olhando para o grupo como que pedindo o assentimento dos demais, e sem se dar conta de que eu era um daqueles culpados pela decadência do Rio de Janeiro. Mas como eu não preenchia os requisitos biotípicos que ele tinha na cabeça de como era o "verdadeiro" nordestino (sim, porque esse pessoal vive de estereótipos), ele insistia para que concordássemos com ele. Um idiota!!
  Mas voltando ao caso Mayara, é preciso reconhecer que este não é um caso tão isolado assim. Ele expressa uma fatia social de viés nitidamente fascista que por ora, me parece, encontra-se desorganizada. Não sei se o José Serra e sua campanha concordam com isto, mas sei que sua candidatura expressaria,s em dúvida, o interesse dessa parcela "nazi" da sociedade. Não é difícil imaginar que nos ambientes íntimos dessas casas-grandes circulem esse tipo de assunto criando assim uma espécie de caldo de cultura racista, que deixa marcas fortes nas formações subjetivas de seus jovens, que por sua vez vão ser novos agentes da perpetuação do ódio e do desprezo pelo outro.
   O episódio é lamentável, mas mais do que lamentar devemos estar atentos aos rumos das coisas. Não um, mas vários "ovos de serpentes", como na expressão de Bergman, podem estar sendo gestados na contemporaneidade. Só para não pensar que Mayara está só nessa linha de raciocínio, acredito que seja interessante dar uma olhada nesse vídeo:




terça-feira, 2 de novembro de 2010

NEM O APARTHEID DERROTARIA DILMA...

NEM O APARTHEID DERROTARIA DILMA

Mesmo que o Nordeste - onde Dilma teve 10.717.434 de votos a mais do que Serra - fosse excluído do acesso às urnas, como acalentam o elitismo preconceituoso e a extrema direita política, ainda assim a petista venceria o tucano por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9%. 


A PRESIDÊNCIA DE UM PROJETO HISTÓRICO

Passada a refrega eleitoral de 12 milhões de votos -- vantagem de Dilma sobre Serra-- 'formuladores' tucanos e jornalistas associados tentavam ansiosamente, ontem, em diferentes sessões televisivas, e hoje, nos jornais, curar cicatrizes fundas com unguentos falsos. Um deles, o mais ingenuo, endossado pelo candidato derrotado em seu pronunciamento, sugere que o robusto revés dos votos credenciou Serra a ocupar o posto de líder da oposição a Dilma Rousseff. A união oposicionista que ancora esse raciocícnio é puro miolo de pote, não existe. Sintomático foi o desconcertante antagonismo entre um discurso pretensioso, embora calcado em lugares comuns ginasianos --"estamos apenas começando'; não é um adeus, mas um até logo'-- e o gélido isolamento do derrotado. Dos dez governadores eleitos pela oposição, apenas Geraldo Alckmin fazia figuração ao lado de Serra depois que as urnas deram seu veredicto. Ninguém se baldeou do estado de origem para prestigiar o 'novo líder da oposição' na sua hora mais difícil. São prenúncios de que o ex-governador de SP, a partir de agora, é serio candidato a virar pasta de atum no acerto de contas com desafetos e tubarões da coalizão demotucana. A eles Serra se impôs mais pelo uso da truculência abaixo da linha da cintura, do que pelo endosso a um projeto ou a uma vontade manifesta. Se projeto havia no caso da sua candidatura era autobiográfico. Sugestivamente, trata-se de um critério que a mídia demotucana considera legítimo, da mesma forma que manifesta estranhamento em relação à arquitetura oposta, dardejada com manifestações de ignorancia depreciativa. O estranhamento é recíproco. Dilma sempre se colocou como candidata de um projeto histórico, que tem em Lula seu principal líder e fiador. Nisso reside a sua força, assim como no oposto individualista mora o esfarelamento previsível de Serra. Se o tucano sai menor das urnas, como disse o Presidente Lula, o desafio de Dilma, a partir de agora, será consolidar as linhas de passagem que tornem transparente aquilo que de fato ela representa e seu governo deve espelhar: constituir-se em um novo patamar de aglutinação das forças sociais e da respectiva agenda de prioridades a elas associadas nos oito anos de governo Lula. Somente esse sentido coletivo de projeto, ausente no repertório da direita nativa e de seu candidato, dará a Dilma a base necessária e a clareza de objetivos para avançar. Nesse sentido, certas lições reiteradas mais uma vez nesta campanha não podem ficar de fora do reordenamento de prioridades para os próximos anos: uma delas é a necessidade de se romper o monopólio midiático para que a democracia brasileira possa, de fato, ser o regime cujo poder emana do povo. 
 
Carta Maior - 02/11
 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

500 anos esta noite

500 anos esta noite
Pedro Tierra



De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.
De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.
De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.
Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?
Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.
No continente de esporas de prata
e rebenque, o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.
As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.
Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.
Brasília, 31 de outubro de 2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Pesquisa CNT/SENSUS dá Dilma 57,2 % contra 42,8% de Serra

Última pesquisa cnt/sensus que saiu agora a tarde (30/10) confirma a vitória de Dilma Roussef neste dia 31. Vamos nos manter ligados e só comemorar depois dos votos apurados. Mas com todo cuidado que devemos ter é inevitável a sensação de dever cumprido e a certeza de que daremos um golpe importante na turma do PSDB. Quanto ao futuro político de José Serra talvez ele volte a ser um político paulista sem maiores expressões, restando Aécio Neves como único quadro dos tucanos projetado nacionalmente. Mas aí vem a pergunta: Aécio tem estofo para enfrentar Lula em 2014?? Façam suas apostas, mas de antemão eu digo o que penso: É Lula-lá!!!!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Índio da Costa foi escorraçado na Roçinha... mas a grande mídia não mostrou. Viva o youtube!!

Querem ver uma coisa reconfortante? Então se liguem no vídeo abaixo e vejam imagens que a grande mídia não levou ao ar. Trata-se simplesmente do Índio da Costa sendo enxotado da comunidade da Roçinha. Uma coisa realmente boa de se ver. Mas notem que os repesentantes da comunidade não estavam impedindo que ele entrasse lá, só estavam se negando a acompanhá-lo como o candidato queria. Vejam e deliciem-se:

Tantinho da Mangueira em "bolinha de papel"

Que coisa bonita essas manifestações absolutamente espontâneas de cidadania e consciência social. Muita gente se mobilizando em torno de garantir os avanços realizados pelo governo do presidente Lula. Aqui os sambistas dão aaula de consciência política. Uma maravilha, Tantinho da Mangueira com sua bela voz e bela presença. Vejam:


VINÍCIUS DE MORAES: ENTRE O SINGULAR E O PLURAL

Artigo escrito para o jornal "Pôr-do-sol", a ser publicado em 01 de novembro, data na qual já saberemos se o  Brasil vai seguir mudando com o projeto democrático-popular que está dando certo, ou se vai retroceder para um tempo de trevas peessedebista (bem maniqueísta mesmo...). Oxalá, e tudo nos leva a crer que sim, o Brasil avançe para melhorar o que ainda falta, e sabemos que não é pouco.  
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VINÍCIUS DE MORAES: ENTRE O SINGULAR E O PLURAL

Por Ricardo Moreno

No momento em que o leitor estiver lendo esse artigo, um novo Brasil já estará sendo desenhado e configurado como fruto do voto popular que se deu no último dia trinta e um de outubro. Oxalá, seja o desejo do povo a continuação de um projeto que entre outras realizações (algumas frustrações, é certo) fez, como o projeto “pontos de cultura” um caminho rumo ao encontro de um Brasil profundo, como diria o saudoso Mário de Andrade. Esse Brasil profundo foi muitas vezes escamoteado, e não raro, de certa forma, até envergonhou alguns brasileiros que, como diz outro grande pensador nativo, Ariano Suassuna, já quiseram ser franceses, no século XVIII; ingleses no XIX; e estadunidenses no XX. Quiseram ser tudo, menos brasileiros. Esses brasileiros são, para Suassuna, os representantes do Brasil oficial – da elite, que se opõem aos brasileiros do Brasil real – o do povo. Mas falando em Brasil profundo, eu lembrei de um de seus legítimos representantes, Vinícius de Moraes.  
Certa feita o escritor Carlos Drummond de Andrade disse sobre Vinícius de Moraes: “foi o único de nós que teve vida de poeta”. E o que isso significa? Significa acima de tudo que Vinícius teve a precisa consciência e exata percepção do seu tempo e de seu lugar. Soube como ninguém ser a síntese de um país tão misterioso, heterogêneo e complexo como o Brasil. Ao contrário de muitos que nasceram nas condições em que nasceu Vinícius, homem de classe média e tendo freqüentado os melhores bancos escolares, ele soube como ninguém compreender o Brasil, e mais do que isso: amá-lo profundamente. É desse amor que brota a profunda generosidade de Vinícius, seu ímpeto em realizar o melhor do Brasil. Mesmo sendo branco e de classe média soube ver na alma brasileira a presença criativa do negro. Sua cultura, sua música, suas danças e sua rica mitologia.  
Vinícius foi poeta, letrista de música popular, embaixador, escreveu para o cinema, foi boêmio e muito mais... Participou da criação da bossa nova, e foi dentro desse movimento, um dos mais importantes parceiros do maestro Tom Jobim, compondo com ele peças inesquecíveis como: “Garota de Ipanema”, “Eu sei que vou te amar” “chega de saudade” e tantas outras. Mas não se acomodou nesse movimento. No final dos anos 60 idealiza junto com seu parceiro, o grande violonista Baden Powell, uma incursão ao “Brasil profundo”. É nesta perspectiva que vai até a Bahia, numa viagem memorável para se encontrar com os orixás e receber deles suas bênçãos, e criar os “Afro-sambas”. Vinícius e Baden transformam em belíssimas canções de música popular os toques e os mitos yorubanos.
Após essa memorável passagem com Baden, Vinícius estabeleceu uma parceria profícua com outro violonista de peso: Toquinho. A parceria, que se iniciou quando Toquinho tinha apenas 23 anos e Vinícius 56, se desenvolveu até praticamente a morte do poeta em 1980. O encontro entre os dois rendeu à música popular brasileira um sem número de canções preciosas.
Há no belíssimo filme “Vinícius de Moraes” de Miguel Faria Jr. uma passagem na qual o escritor e ensaísta Antonio Cândido dá um depoimento preciso sobre nosso poeta. Ele diz que o primeiro Vinícius da poesia do livro (refiro-me a diferença entre a poesia do livro e a poesia da canção), ainda não era o “nosso” Vinícius. Ainda era uma poesia empolada, de gabinete. Ainda não era o Vinícius que bebeu nas fontes originais da cultua brasileira. Ainda era um europeu. Só depois é que Vinícius se torna efetivamente o poeta que aprendemos a admirar. É nesse segundo momento que Vinícius realiza o ideal dos modernistas de 1922 e produz uma poesia do cotidiano e sem empolação. E Vinícius gostava de ir ao encontro do povo simples. Um ano antes de morrer, Vinícius aceita o convite do então presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, Luís Inácio Lula da Silva, e vai até lá para ler seus poemas.
Com sua generosidade e amor pelo seu povo, Vinícius revela ao Brasil, o Brasil profundo. O Brasil bom. O Brasil do bem. O Brasil que pode dar certo, e que comparece frente às outras nações com dignidade e uma qualidade criativa já reconhecidas por todo o mundo. Vinícius é, enfim, a síntese do Brasil com que sonhamos. Vinícius continua sendo um ser plural em sua singularidade. Que as novas gerações conheçam e amem esse grande brasileiro! Saravá Vinícius!