sábado, 21 de novembro de 2009

Primavera do livro

A 15ª Primavera dos Livros acontece de 26 a 29 de novembro, com a Literatura de Cordel como tema, em homenagem ao centenário de nascimento do poeta, compositor e repentista cearense Patativa do Assaré. O evento é realizado pela Libre-Liga Brasileira de Editoras, com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, nos jardins do Museu da República, das 10h às 22h. Estão previstos lançamentos, atividades para crianças, uma programação especial para professores e venda de livros com até 50% de desconto, em cerca de 90 estandes, onde os editores estarão presentes para trocar ideias com o público. A entrada é gratuita.

15ª Primavera dos Livros
26 a 29 de novembro de 2009 (dia 26, a partir das 18 horas)
Jardins do Museu da República
Rua do Catete, 153 - RJ
Das 10h às 22H

Entrada gratuita

Livros

Este parece ser um livro interessante, principalmente para professores que trabalham com literatura, história etc... é uma publicação da editora Unesp.

HISTÓRIA DA ESCRITA


AUTOR(ES):
FISCHER, STEVEN ROGER


SINOPSE:
Este livro pretende ser uma leitura preliminar útil para universitários e para aqueles
que desejarem ter uma visão atualizada da notável história da escrita. De central
importância para o autor é o exame das origens, das formas, das funções e das mudanças
cronológicas dos mais importantes sistemas de escrita do mundo. O modo como a
humanidade hoje escreve e seu significado maior para a emergência da sociedade global
pode ser mai
s bem apreciado pelo entendimento da origem da escrita, que vem a ser o
tema deste livro.



Pesquisa do IBGE sobre participação das regiões no PIB

O quadro ao lado (apesar de minúsculo) faz parte de uma pesquisa que o IBGE está digulgando, sobre a participação da produção de cada região no PIB brasileiro. É sintomático o que a pesquisa revela no que diz respeito a uma tendência de decrescimento do sudeste e o cerescimento de outras regiões, principalmente a do Nordeste. A queda do sudeste não significa que esta região está produzindo menos, ou encolhendo, mas simplesmente que outras regiões estão com um ritmo de crescimentomais acelerado. Isto é, sem dúvida, uma ocorrência a ser comemorada, pois está patente através dos números do instituto, que há uma clara tendência para um nivelamento, ou pelo menos uma menor discrepância econômica entre as regiões do Brasil.
É sabido até pelo reino minieral o quanto este desnível economico foi prejudicial para o país. E se digo para o país, e não só para o norte e nordeste, é porque foi ruim para todos mesmo. Sabemos o quanto esse desnível é responsável pelo grande êxodo ocorrido do Norte-Nordeste para o sudeste brasileiro, e o quanto isso foi responsável por um quadro de degradação social nas grandes cidades dessa região.
É claro também, por outro lado, que o simples crescimento econômico por si não elimina os grandes problemas sociais, frutos da concentração de renda perversa que sempre esteve associada ao crescimentono Brasil. Mas, é preciso ver em outras pesquisas o quanto esse flagelo da concentração de renda está diminuindo no Brasil, ainda que num passo que a nós todos parece lento.
Quem se interessar pelos números da pesquisa na íntegra, é só acessar o link que segue abaixo:

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1497&id_pagina=1

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Desdobramentos das sandices do Caetano (o mico do ano)

Quando comentei aqui no blog que tinha a sensação de que Caetano Veloso estava se afastando de um certo campo de idéias coisa e tal, não tinha a dimensão desse afastamento. O "carão" que ele levou da mãe por ter dito aquelas sandices foi surpreendente. Que coisa hein... até a própria mãe. E não se trata de mera questão de discordância, não. Tem um aspecto mais amplo a ser notado. Caetano está indo longe demais. Confunde verborragicamente o que é mão e o que é contra-mão, e quer fazer crer que isso é uma genialidade. Tive o desprazer de ir ao seu blog (obra em progresso) há tempos atrás, e fiquei entre o riso e a tristeza. Riso por ver aquelas contruções frásicas que nada diziam, aqules pesnamentos curvos que não davam em lugar nenhum, e tristeza por ver um poeta de sua estirpe naufragando em sua própria vaidade. Tive o cuidado de ler e reler certas passagens em que ele citava Adorno e Heidegger, e não consegui entender nada. Tudo bem, posso ser pouco letrado em filosofia, mas o texto não explicava nada de nada. Havia aquelas construções do tipo "um quiça Adorno" ou "um talvez Heidegger" que não ia pra lugar nenhum. Lamentável a auto-mistificação de um talvez Caetano. Enfim...
Abaixo um artigo que saiu no blog do Rovai:



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(16/11/2009 10:13)
Dona Canô anunciou ontem na Bahia que vai telefonar hoje para o presidente Lula para dizer que não concorda com as declarações do filho Caetano Veloso, que chamou Lula de analfabeto, grosseiro e cafona em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Não se trata de fato isolado, na sexta, Rodrigo Velloso, irmão de Caetano, fez um pedido público de desculpas, num evento na Praça da Purificação, em Santo Amaro, em nome da família.

Para o Jornal A Tarde, Dona Cano disse que “se ele (Lula) me atender, eu falo com ele”. Sobre puxar as orelhas do filho, ela disse que “ele mesmo puxa, pois sabe que o presidente não merece isso”. E ainda acrescentou que tem muito carinho pelo presidente. “Eu quero muito bem a Lula. Foi uma ofensa sem necessidade”, disse.

“Caetano não tinha que dizer aquilo. Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar confusão”, observou.

O irmão de Caetano, Rodrigo Velloso, secretário de Cultura de Santo Amaro, foi um pouco mais duro. Atribuiu ao “jeito” de Caetano as declarações que achou absurdas. “Ele tem essa mania de falar as coisas sem pensar e aí diz coisas assim. Falou de maneira preconceituosa. Achei uma maluquice. Fiquei revoltado”, afirmou Rodrigo.

Esse ciúme louco que Caetano tem de Chico Buarque dá nisso. Ao tentar aparecer de qualquer jeito desagrada até a mãe.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

meatrix - uma crítica bem sacada ao agronegócio

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Zé Celso: Lula faz política culta e com arte.

Não poderia deixar de reproduzir aqui no blog, esse belíssimo artigo que me foi enviado pela Glória, sobre o que pensa o Dramaturgo Zé Celso sobre política brasileira, e em particular sobre o Lula. O próprio Zé agradece ao Caetano por ter escrito o que escreveu, pois dessa forma ele, o Zé Celso, pode manifestar tudo que sente sobre o governo atual. É um texto bem ao estilo do Zé Celso: sensível-delirante mas muito articulado.
Tenho a impressão que Caetano se afasta cada vez mais de um campo político-ideológico ao qual, pelo menos em tese, esteve ligado um dia. Sua postura iconoclasta parece ceder espaço (e olha que já vem fazendo isso há muito tempo) cada vez mais para um espaço habitado pela elite da Casa Grande. E olha que belíssima contradição esta, hein... Se inspira na senzala, extrai dela o sumo, traduz tudo poeticamente, para no final tecer loas aos "sinhozinhos" da vida.
Viva Zé Celso, que como outros intelectuais e artistas brasileiros, reconhecem Lula como um gênio político capaz de, com seu jogo de cintura, reverter uma situação histórica de desigualdade e miserabilidade. Afora a extrema direita, só quem não vê isso é a extrema esquerda, que até hoje espera um desfecho histórico nos moldes da canção: "é a volta do cipó de arueira no lombo de quem mandou dar". A história tomou outro rumo!



Zé Celso: Lula faz política culta e com arte.



Por José Celso Martinez Corrêa*

Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencializaçã o da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto. Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo
seu voto para Marina Silva.
Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.
Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.
Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem
fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu
pintar.
Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder
humano, mais que humano.
Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a "res pública". Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.
Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro,
Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.
Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus
como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?
Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.
Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalizaçã o do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a Vagar - Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este
programa tétrico.
Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. "Amor Ordem e Progresso." O amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.
Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do
governo Lula, ainda não caíram.
A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde
ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.
Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Essa "estasia", Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que exista!
Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

"Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor, dizem mió
Para telha, dizem teia
Para telhado, dizem teiado
E vão fazendo telhado"

SamPã, 6 de novembro, sob o signo de escorpião, sexo da cabeça aos pés,
minha Lua de Ariano, evoéros!

sábado, 7 de novembro de 2009

As últimas (quem dera) do Caetano

já virou lugar comum comentar as besteiras ou "polêmicas", como querem uns, do Caetano Veloso. Confesso que isso me cansa um pouco, e ao ler sobre sua mais recente entrevista ao jornal Estado de São Paulo não fui tomado por nenhuma surpresa. Mas resolvi fazer esse comentário porque há dias atrás postei um sobre Gilberto Gil no qual Gil se liga a um conjunto de idéias que parece ser oposto ao que seu colega conterrâneo professa.
Chamar Lula de analfabeto e cafona é fazer ecoar uma série de preconceitos mesquinhos e tacanhos tão ao gosto da nossa bem escolarizada elite reacionária. Aquela elite do tipo "Cansei", que acha lindo fazer cartazes fazendo menção ao dedo amputado de Lula.
Para quem gosta e consegue rir dessas coisas, deve ser interessante ler a entrevista. Há nela, por exemplo, verdadeiras pérolas, como a que afirma que José Serra, uma vez que tivese ganho a eleição faria uma gestão econômica de esquerda. Enfim...abaixo reproduzo um excelente comentário de Mauro Carrara sobre a entrevista de Caetano, e um link para a entrevista (para quem tiver estômago).
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Caetano Veloso e a perfeita imbecilidade ególatra


por
Mauro Carrara

Disse o baiano ao jornalão dos Mesquitas, declarando seu voto em Marina Silva:

- Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem.

A declaração é reveladora. Serve bem a desmascarar esse Caetano ególatra, subproduto pós-moderno de si mesmo, tolo que substituiu o poeta sem lenço e sem documento.

O atual Caetano, aliás, converteu-se numa espécie de Gabeira sem carreira parlamentar.

Folga em construir frases de efeito (?) que ecoem o pensamento da malta conservadora.

Aliás, ególatras, tanto um quanto outro, pronunciam aquilo que os eleva a ícones publicitários da mídia reacionária e monopolista.

Para Cagabeira, bons alunos de FHC, princípios e história estão em segundo plano. Vale a exaltação do "eu", muitas vezes doentia, muitas vezes ridícula, quase sempre deprimente.

Cabe lembrar que, no agora decadente, ambos não se envergonham de adular o tucano-demismo. Julgam-se, assim, diferentes, autônomos, batutas...

No caso do compositor baiano, não há acanhamento na rotina de visitas à casa grande. Pede-se a "bença" ao coronel, como se isso fosse "bonitinho", supimpa.

Logicamente, ao sair, entregam-lhe na varanda uma cesta de pães amanhecidos, uns maracujás murchos e até uns tostões, prova da generosidade do senhor de engenho.

Caetano se julga o gênio da raça, o supra-sumo da cultura mestiça brasileira, o sol da Tropicália, o sabe-tudo que, de tão sabedor, pode desprezar os incultos da pátria. Blasé por desejo divino e necessidade.

O poeta se julga mais poeta porque inventa coisas enigmáticas que o povo não compreende. Acredita, desde sempre, que se distinguiu dos mortais da arte ao reproduzir os voos concretistas dos irmãos Campos e de Décio Pignatari.

Qual seria, então, o conceito caetanista de analfabetismo? E o que seria "saber falar"? Para quem cagou montes para a regra, o vetusto Caetano agora se arroga protetor da norma culta.

Metido com os descolados gurus da Semiótica, tão afeitos à subversão das formalidades da língua, Caetano vai terminando a vida como um ortodoxo, rabugento e tolo capataz copista.

Talvez o que incomode Caetano seja justamente a inteligência de Lula, sem verniz, sem laços, fitas e rimas forçadas. O pernambucano comunica-se, transmite a mensagem e, mais que isso, faz de sua locução uma poderosa arma de transformação. Lula, para completar, é autêntico e "faz acontecer".

Ora, isso causa muita inveja nessa turma dos pedidores de "bença", tantos deles enfiados na boa Bahia, uns rebolando em cima de trios elétricos pagos pela Philips, outros servindo de escribas para a família Marinho.

Ironicamente, o Caetano envelhecido, cruzado da gramática, também levaria puxões de orelha dos Pasquales da vida. Pontua mal, embanana-se em conjugações e, não raro, confunde-se nas regências.

Por fim, talvez "cafona" seja a palavra mais "cafona" da língua. Perceba-se: somente cafonas e afetados a utilizam.

E a que será que se destina, a cajuína?

No caso de Caetano, fazer papel de imbecil ególatra. Esta, pois, virou a sua sina.
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link para a entrevista
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,as-ultimas-de-caetano-veloso-em-entrevista-exclusiva,461281,0.htm

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Outros viram

No novo disco de Gilberto Gil, Banda Larga Cordel, há uma canção na qual ele tematiza a questão do Brasil ter sido visto por várias personalidades ilustres (Tagore, Maiakovski, Walt Whitman) como um país interessante de onde iria ou poderia sair uma novidade ímpar no mundo. Em outros tempos isso soaria como ufanismo nacionalista digno das patriotadas perpetradas pela ditadura militar, ou mesmo antes, no século XIX, quando Um Afonso Celso escreve: "porque me ufano de meu país". Mas não é nada disso. A reflexão de Gil é atualíssima e tenta justamente responder a uma cambada tacanha que só consegue ver o Brasil como o Cronicamente inviável.

Essa mesma percepção de certa forma está disseminada por certo meio popular, que vez por outra aparece dizendo que nossa infelicidade é um mal de raiz, e que o problema que a miscigenação nos faz uma "raça" indecisa e vagabunda. Enfim... o comentário que Gil faz sobre sua própria canção é emocionado e visceral. Nele, Gil tenta falar diretamente aos detratores do Brasil, aos que pensam (pensam??) a inviabilidade do país como um fato e destino. "Outros viram" e Gil também viu..



sábado, 31 de outubro de 2009

Atual situação do PIG e do PSDB...

Vitória da democracia em Honduras - Viva o povo hondurenho


A imprensa brasileira deveria se sentir envergonhada pela cobertura que fez sobre o golpe militar em Honduras, que eufemisticamente ela chamava de "crise hondurenha". Mas é claro que ninguém vai se desculpar por ter atacado a diplomacia brasileira, por exemplo. É claro que o famigerado Bóris Casói (o boca mole), não vai se retratar por ter dito que o Brasil deveria "olhar" para países que valessem a pena (leia-se Estados Unidos, ou países europeus), numa clara postura, típica por sinal, de submissão e de complexo de colonizado. Falavam da enrascada em que o Brasil tinha se metido, pagando um "mico" histórico.
Agora, que os golpistas vão ter que devolver o poder a quem de direito, essa mesma imprensa fala em vitória dos EUA, tentando elidir a participação fundamental da mesma diplomacia que eles atacaram e tentaram, em vão, ridicularizar. A isso tudo eles querem chamar de imprensa livre. Livre de que? Como muito bem questionou o Emir Sader. Livre do controle social; livre para atuar ideologicamente a serviço de interesses privados, no mesmo momento que se pretendem imparciais. Desculpem a linguagem chula, mas eles agora só enganam otários. A vitória da diplomacia brasileira se mostra patente e insofismável. O presidente eleito Manuel Zelaya deverá ser reconduzido ao seu cargo e conduzir as eleições hondurenhas marcadas para esta ano ainda. Viva o povo hondurenho! e viva a democracia! Chomsky tem razão quando diz que esse continente é atualmente o lugar, politicamente, mais interessante do planeta.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Senado Federal aprova fim da DRU para a educação

A notícia abaixo parece bastante alvissareira, pois ela dá conta do fim de um procedimento legal (contigenciamento) que tirava da educação pública brasileira um conjunto de recursos que sem dúvida fazia muita falta. Mesmo sem ser especialista no assunto, eu imagino que o problema da educação pública do Brasil não se resume a recursos financeiros, mas que um incremento desses recursos pode ajudar muito, ninguém pode duvidar (acho que só a revista Veja).

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Senado Federal aprova fim da DRU para a educação



O plenário do Senado Federal aprovou em dois turnos nesta quarta, 28/10, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 277/08, que dispõe sobre o fim da Desvinculação de Receitas da União (DRU) para a educação. O texto também torna obrigatório o ensino dos quatro aos 17 anos de idade, ou seja, da educação infantil ao ensino médio. Com o fim da DRU para a educação, a área terá 9 bilhões a mais em seu orçamento de 2011. O montante representa 21% do orçamento da área em 2009, que foi de R$ 41 bi.

A proposta de emenda à Constituição foi aprovada por unanimidade pelo plenário do Senado, após seis anos de tramitação no Congresso. Agora precisa ser promulgada em sessão conjunta da Câmara e do Senado para entrar em vigor.

O mecanismo da DRU foi criado no Plano Real, em 1994, para desbloquear 20% das receitas da União que têm gasto obrigatório por lei. Assim, o governo garantiu uma margem para redirecionar dinheiro das contribuições sociais (como o PIS/Cofins e a antiga CPMF) para outras áreas. Com a aprovação do texto, em 2009 e 2010 serão descontados 12,5% e 5%, respectivamente. Em 2011, não haverá incidência da DRU na educação.

A estimativa do Ministério da Educação é a de que o setor perdeu cerca de R$ 100 bilhões desde 1996, quando a DRU foi instituída. "Se pudéssemos contar com estes recursos, teríamos mais professores com nível superior, mais crianças na pré-escola e mais jovens no ensino médio", disse a senadora Ideli Salvatti (PT/SC), autora da proposta.

Além de garantir mais recursos para a educação, a PEC aprovada também amplia a obrigatoriedade do ensino, passando a incluir a pré-escola e o ensino médio. Hoje apenas o ensino fundamental (dos 7 aos 14 anos) é obrigatório. O texto prevê que essa ampliação ocorra de forma gradual até 2016.

e-mail enviado à Band news

Ouço quase todos as manhãs uma boa parte do programa cujo âncora é Ricardo Boechat. Concordo muitas vezes com suas reações indignadas. Mas o afã crítico do Boechat as vezes vai longe demais, com perdão da brincadeira, parece até que ele em alguns dias tomou viagra em dose excessiva, e chega ainda de manhã com aquela volúpia oral, quer dizer, verbal toda. Dizer como ele disse outro dia que Lula ao discursar fala de um Brasil que ele francamente não vê, é simplesmente um atestado de cegueira. Isso porque basta ver o números da economia do Brasil para ver o por quê de tanta popularidade do presidente. Eu sei que economia boa não significa obrigatoriamente a apropriação das riquezas por parte do povão. Claro! Mas o que acontece de verdade é que foi criado mecanismos de transferência de renda, sim! Está havendo uma melhora de vida, sim! A ponto do professor Márcio Porchamann presidente do IPEA, afirmar que a continuar esses processo de tranferência de renda em curso, oBrasil poderá ser chamado de um país justo em 20 anos. Isso não é pouca coisa não, senhor Ricardo Boechat.

domingo, 25 de outubro de 2009

as tradições afro-brasileiras frente à televisão ou uma história de apropriação.

As pessoas que me conhecem sabem que gosto de contar histórias. Atribuo isso, em parte, a minha formação cultural nordestina. Cresci vendo e ouvindo pessoas contarem histórias, e percebia como a audiência ficava atenta ao narrador numa espécie de transe lúdico-mágico. Pois bem, durante uma aula no mestrado o professor nos falava a respeito do conceito de apropriação, desenvolvido pelo historiador Michel de Certeau e muito utilizado pelo seu pupilo, o Roger Chartier. No momento em que ele falava me ocorreu à memória uma interessante história contada pela antropóloga Rita Segato quando de sua pesquisa sobre o Xangô em Pernambuco. Daí perguntei ao professor se eu poderia contar a história, e se ela explicava o fenômeno da apropriação. A história é a que segue:

Rita Segato quando de sua pesquisa sobre os cultos de Xangô, na década de 1980, na cidade de Recife, Pernambuco, percebeu uma curiosidade interessante. Todos os dias às 20:00 Hs. a comunidade do terreiro no qual realizava a pesquisa suspendia as atividades do culto para assistirem coletivamente a uma determinada novela, veiculada nacionalmente por uma grande emissora de televisão. No início parecia bastante enfadonho e aborrecido para a “doutora”, aquele tipo de procedimento. Aos poucos, no entanto, ela foi se dando conta do fenômeno que transcorria à sua frente. A comunidade do santo, enquanto audiência daquela novela elaborava uma recepção do que estava sendo produzido e veiculado pela televisão, se utilizando de uma espécie de filtro cuja mediação era dada pelo metro do mito. Em outras palavras, a Antropóloga percebeu que ela e o resto do auditório não estavam vendo a mesma coisa. Ela ficava intrigada quando ouvia determinadas pessoas da comunidade se referir aos personagens chamando-os, muitas vezes, pelos nomes das entidades com as quais eles estavam sendo identificados. A realidade e a ficção em suas fugacidades intrínsecas eram examinadas contra um pano de fundo estável: o mito. Este em sua eterna potência atualizadora mediava a compreensão do enredo remetendo-o ao universo mítico da comunidade. Dessa forma, os personagens Nélson Fragonard (Reginaldo Farias) e Miguel Fragonard (Raul Cortez) eram respectivamente Xangô e Ogum. E ambos disputavam, conforme a narrativa mítica, o amor de Lígia (Betty Farias), que representava Iansã. O desfecho dessa história é ainda mais interessante na medida em que revela, reforçando a leitura mítica, a eficácia preditiva do prognóstico mítico. No final, os personagens cumprem um destino já previsto pelo mito. Conforme previsto neste, os filhos de Ogum costumam ter uma morte violenta. Assim como assassinatos ou acidentes. Não foi outro o destino de Miguel/Ogum. Este personagem, conforme a predição do mito encontra a morte através de um assassinato.Essa história nos revela de como uma determinada produção no âmbito da cultura massiva veiculada pela televisão, pode ser recepcionada e apropriada de uma forma imprevista. A comunidade do santo de Recife, dessa forma, se apropriou da narrativa televisiva através da narrativa mítica, reforçando seus laços simbólicos de pertencimento.

PS. o texto no qual a antropóloga conta essa história chama-se "as tradições afro-brasileiras frente a televisão"

sábado, 24 de outubro de 2009

manifesto em defesa do MST

Intelectuais, artistas e pessoas das mais diferentes áreas se articulam nesse momento em torno de um manifesto em defesa dos trabalhadores rurais e seu grande movimento, o MST. Essa iniciativa visa produzir um fato político que marque uma posição contra a grande ofensiva parlamentar-midiática que tenta criminalizar o movimento social. Segundo alguns analistas o que de fato está por trás dessa ofensiva é a tentativa de desvirtuar o foco da questão principal: a revisão dos índices de produtividade rural.
Segundo recente pesquisa do IBGE continua no Brasil uma tendência de concentração de terra, em um país já marcado pela grande concentração fundiária. E tem mais, conforme já publicamos aqui mesmo no blog a necessidade da revisão não se dá apenas por uma questão social, o que já justificaria sua implementação,mas também por uma questão de produtividade mesmo e de segurança alimentar, visto que mais da metade do que é consumido no Brasil, não vem do agronegócio e sim das pequenas propriedades familiares.
É flagrante a necessidade de fazer avançar a luta do MST. Convoco a todos que concordam com essa tese a assinar o manifesto cujo link segue abaixo.



http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html

Todos os olhos de Tom Zé

Esta capa ao lado é a capa do disco "Todos os olhos", um famoso lp do Tom Zé lançado em 1973. O disco é maravilhoso, com arranjos bem transados e criativos, letras bem sacadas e tudo mais. A capa, que tem uma coisa assim meio enigmática foi durante muitos anos, inclusive o Tom Zé confirmava isso, um deboche do artista para com a censura, no qual apareceria na estampa um ânus com uma bola de gude. Segundo era contado, a idéia era do poeta concretista Décio Pignatari. Pois bem, o título, como já disse, era "Todos os olhos" e a graça estava em brincar com a idéia de associação entre olho da face e o olho do cu, mas sem que, naturalmente, os censores percebessem. De fato, segundo está escrito no blog "Mopho discos", a tentativa foi feita, e uma jovem, namorada de Reinaldo um integrante da agência de publicidade do Décio, responsável pela realização da capa, seria a modelo para a tal proeza.
A moça foi facilmente convencida (que tempos loucos estes, hein...), e numa tarde qualquer do ano de 1972, lá foram os dois para um motel para fazer a foto. Até aí tudo corria bem, o problema viria logo em seguida com as dificuldades técnicas que surgiriam. O negócio se mostrou mais difícil do que se pensava, e era um tal de vira pra lá e vira pra cá, um monte de bolinhas de gude rolando pelo chão do quarto, e nada de se conseguir fazer com que uma delas (a bolinha) parasse no centro do orifício anal da jovem. Ao cabo de algumas horas de tentativas acabaram desistindo. Reinaldo voltou a agência de disse ao Pignatari que não foi possível. Ele até levou algumas fotos que conseguiu fazer, mas não estava a contento. Décio pediu que Reinaldo tentasse outra vez, e este hesitou, pois não tinha certeza de que conseguiria convencer a moça a outra sessão. Conseguiu, mas ao invés de irem a um motel, os dois foram para a casa de uma amiga da moça. Mas antes mesmo que começassem a sessão de tortura, quer dizer de fotos, a moça teve uma idéia: por que não utilizar um outro orifício imitando o ânus. Qual? A boca. Nossa, que labirinto de imitações. A idéia era fazer o cu imitar o olho, e agora ampliavasse o circuito de simulações fazendo com o que o olho imitasse o cu que estava imitando o olho. Entenderam?? Isso deixaria Platão - avesso a imitações-, desnorteado.
E assim foi feito. A foto que aparece na capa é a de uma boca, mas não importa, todo espírito de rebeldia e deboche estão ali presentes. O citado blog acima conta que o próprio Tom Zé ao saber dessa história deu uma grande gargalhada dizendo: "f.d.p. me enganaram esse tempo todo, há, há, há.
Acho que toda esse história, se se confirmar como verdadeira, torna esta a capa mais importante da música popular brasileira.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

fotos da leitura do pavão misterioso




Tentei postar essas fotos juntas com o texto abaixo, mas não foi possível. Elas foram tiradas logo em seguida à leitura do Romance do pavão misterioso. Tentei também postar um vídeo que fiz, mas era muito grande e não foi possível. Essa turma aí é a 1701 da Escola Emiliano Galdino.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

literatura de cordel em sala de aula

Estou desenvolvendo um projeto com duas turmas do sétimo ano (antiga sexta série), que visa o desenvolvimento da leitura a partir dos romances de cordel. Nessa empreitada lemos diversos folhetos: "história de Lampião", "proezas de João Grilo", "a peleja de Riachão com o diabo", e, claro, "o romance do pavão misterioso". É muito interessante perceber como a exigência da leitura rítmica induz o aluno a uma leitura mais fluente. Fizemos vários exercícios de expressão, para que a história pudesse ser assimilida por um ouvinte imaginário.
É curioso também que a estrutura de sete sílabas, presente na maioria dos romances de cordel, também está presente na maior parte, ou pelo menos em boa parte dos funks que a rapaziada canta. Esse paralelismo, se pudemos chamar assim, facilita muito as coisas, para que eles compreendam o "desenho" rítmico dessa forma poética.
Muitos outros dividendos podem ser extraídos dessa atividade, pois ela mexe com muitos aspectos. A nossa atração por histórias, por exemplo. Não é novidade para ninguém o fascínio que elas exercem em talvez todos os seres humanos. Os alunos, nesse sentido, se mostraram bem interessados pelos enredos, pelos aspectos jocosos da história, enfim, pela narratividade como um todo.
Há um outro aspecto também muito intressante. A literatura de cordel funciona como se fosse uma dobradiça entre o univesos das tradições orais e escritas. Ela é sem dúvida um literatura escrita, mas que guarda em si todo um sabor das narrativas orais. É como se fosse uma escrita para ser lida em voz alta, como num passado em que a voz vivificava o texto. A leitura silenciosa é um hábito, se não recente, pelo menos tardio com relação a leitura em voz alta. Nas próprias condições "originais" de consumo dos folhetos, era muito comum a leitura em voz alta para uma audiência que não dominava o código da leitura. Há um estudo da professora Ana Maria de Oliveira Galvão, sobre processos de letramentos realizados entre 1930 e 1950, período de grandes vendagens dos folhetos, no interior de Pernambuco. A pesquisadora descreve verdadeiros processos de letramento em torno da leitura/escuta de romances populares. Mostra como grupos sociais, que se encontravam fora das instituições como a escolar tradicionalmente mediadoras da alfabetização, se inseriam na cultura escrita através da “socialização do escrito” nas rodas de leitura dos romances de cordel.
Enfim, esse é um assunto palpitante que dá margem a uma série enorme de desdobramentos e reflexões.







domingo, 18 de outubro de 2009

Blog para baixar discos

O compartilhamento de arquivos sonoros é uma realidade contra a qual não é possível mais se lutar para impedir. Nesse sentido apresentamos aqui um blog co-irmão que está disponibilizando na rede uma série de discos raros ou simplesmente interessantes. Vale a pena conferir.

http://encantoradical.blogspot.com/

as 100 canções mais ouvidas a cada ano...

Gente, é o seguinte, tem um site na internet que é muito interessante. O cara simplesmente fez um levantamento das canções mais tocadas desde o ano de 1904. É um levantamento difícil de fazer, pois só para dar uma idéia da dificuldade o rádio começou no Brasil em 1922. De todo modo, é muito interessante dar uma olhada.

http://www.planetarei.com.br/100anos/index.htm

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pontos de cultura





No nosso dia a dia temos tantos afazeres que muitas vezes ficamos impossibilitados de tomar conhecimento de coisas importantes que estão acontecendo na nossa sociedade. A essa quantidade de tarefas, soma-se o desinteresse dos meios de comunicação em dar destaque a uma pauta do bem. Cotidianemente esses meios nos brindam (bombardeiam, na verdade) com uma verdadeira "pauta do mal".
O Ministério da Cultura tem desenvolvido um trabalho muito interessante, primeiro com Gilberto Gil e agora com o Juca Ferreira, que articula cultura popular e economia solidária. Chama-se "ponto de cultura". Hoje já são em torno de 650 espalhados pelo Brasil. Eles são encontrados tanto nas periferias das grandes cidades, quanto em pequenas cidades. Além de articular cultura e cidadania, está em curso também o reconhecimento pelo Estado brasileiro de que esses fazeres são legítimos do ponto de vista da produção cultural brasileira. Isso quer dizer que tanto a "alta cultura" como a "cultura popular" são reconhecidas e financiadas pelo Estado. Cada ponto de cultura recebe apoio financeiro de até R$ 185.000,00 para ser utilizado conforme o projeto apreentado.
A articulação de cultura e cidadania gera importantes ganhos simbólicos e materiais para as comunidades detentoras dos saberes tradicionais. Isso é muito importante e gera inclusão social, pois muitas dessas comunidades estão em situação de risco social.
Para o economista Paul Singer, há muita cultura na economia soildária, e muita economia solidária na cultura. É preciso, no entanto, juntar essas pontas. Para ele, um novo Brasil está surgindo a partir da idealização dos "pontos de cultura".
Outro aspecto importante a ser observado nessa nova realidade legal que os pontos de cultura representam, é que durante outros momentos da história do Brasil, as culturas populares foram valorizadas sem que isso implicasse na valorização das comunidades que eram detentoras desses saberes. Quer dizer, valorizava-se os fazeres imateriais ao mesmo tempo que se desvalorizava os sujeitos portadores desses saberes. Foi assim na década de 1930 com Getúlio. Foi assim também na década de 1970 no regime militar através da Funarte. Pela primeira vez se tem uma política pública cuja ação valoriza o patrimônio imaterial ao mesmo tempo que se valoriza a comunidade detentora desses saberes.
Penso que só por isso a passagem do Gilberto Gil pelo ministério da cultura deveria ser saudada como de bom alvitre.

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=10568