Em um mundo altamente tecnologizado fica cada vez mais difícil para o cidadão comum "tomar pé" da situação. Aliás essa é uma tônica da vida moderna desde as revoluções industriais. Me lembra até uma passagem do livro "a condição humana" de Hannah Arendt quando ela diz que as verdades emanadas do mundo científico, não obstante possam ser demonstradas por fórmulas matemáticas e comprovadas tecnologicamente, "já não se prestam à expressão normal da fala e do raciocínio". Essa hiato apontado pela filósofa é uma marca da condição moderna na medida em que cada vez mais se torna difícil refletir sobre coisas que interferem diretamente nas nossas vidas. É um hiato perigoso...
Nesse documentário o tema é a "obsolescência programada" ou planejada. Trata-se de um artifício usado largamente pela indústria sob os auspícios da ciência no qual a vida útil de um produto é planejada para durar menos do que poderia de fato durar. Isso não é novo, e já foi denunciado várias vezes, mas agora passa a ser, talvez, mais explicitado através de mídias alternativas (não estou certo que possamos chamá-las assim) de modo que o cidadão comum pode e deve refletir sobre o que está em jogo. Creio que haja aí uma dupla inserção: uma como consumidor e outra como cidadão, porque o lixo gerado por essa lógica é altamente destrutiva quando se pensa em seu grande volume, como veremos no documentário abaixo. O mesmo foi realizado pela TVE espanhola.
sábado, 2 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
MÚSICA DE TRABALHO
Muito interessante essa série sobre música feita pelo jornal da band. São vários episódios, e nesse aqui o foco é a música de trabalho.
Marcadores:
Música popular brasileira
sábado, 26 de março de 2011
Vídeo imperdível
Vídeo de 1975 quando Alceu, Zé Ramalho e Lula Cortes defenderam a canção "Vou danado prá Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.
Marcadores:
Lula Côrtes
Pequena galeria de fotos de Lula Cortes
![]() |
| Disco de 1980. Excelente!!!! Muito xote, frevo com guitarras, temas indianos, tricórdio elétrico e o escambau... |
![]() |
| Com Zé Ramalho no mitológico álbum "Paebirú". Nos últimos tempos |
![]() |
| Nos últimos tempos... |
![]() |
| Quando andou gravando com a banda "má companhia". Um trabalho mais rock |
![]() |
| Aqui a capa de um dos discos mais legais de Lula. "O gosto novo da vida". Esse disco era pra "acontecer" no Brasil todo. Esse era o projeto. Mas parece que Lula não conseguia se adequar. |
![]() |
| Cantando com a banda "má companhia" |
![]() |
| capa do "paebirú" |
Marcadores:
Lula Côrtes
Falecimento de Lula Côrtes
Acabei de saber do falecimento do cantor e compositor Lula Côrtes. Imediatamente senti vontade de encontrar todos meus amigos de adolescência. Isso porque Lula foi um daqueles avatares da minha juventude. Um daqueles artistas que mobilizam nossa sensibilidade de um jeito que não podemos mais continuar sendo o mesmo depois de ouví-los. Meu encontro com a música de Lula foi, como diz o título desse blog, um encontro radical. Lula pertenceu a uma geração que nos deu Alceu Valença e Geraldo Azevedo, mas esses, não obstante o enorme talento que tinham e têm, eram os mais conhecidos de um grupo muito grande. Tinha Flaviola, Marco Polo, Marconi Notaro e outros. Mas Lula Cortes era quem melhor traduzia minha sensibilidade. Com uma voz rascante e uma potência poética vigorosa Lula foi um dos primeiros artistas a fundir o rock com as "levadas nordestinas". Foi um dos pais musicais de Chico Science. A gravação que segue abaixo chama-se "desengano" e abre o disco "o gosto novo da vida", que era um projeto para fazer Lula "acontecer" no Brasil inteiro, assim como já tinha acontecido com Geraldo Azevedo e Alceu. O projeto não deslanchou, mas o disco resultou muito bonito.
Segue, então, abaixo, uma pequena homenagem a esse grande artista, músico, inventor de instrumentos, artista plástico Lula Côrtes.
DESENGANO
Toda vez que olho o desengano
Nas frases do canto fosco dessa juventude
Sinto meu sorriso magro,
Meu rosto suado se encarquilhar
E quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
E quando me deprimo e curvo os ombros pra pensar
Penso nos martíos,
Todos os delírios loucos que vivenciamos
E vejo por quanto anos nos aventuramos querendo voar
Voar pra sair de perto,
De todo deserto desses abandonos,
E constatando o desengano se despedaçar.
Desfeito em pedaços,
Sigo no encalço desse sonho
Vejo meu sorriso magro,
Coração amargo se atrapalhar
Quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
Quando abro os olhos, olhos claros para o mar.
Segue, então, abaixo, uma pequena homenagem a esse grande artista, músico, inventor de instrumentos, artista plástico Lula Côrtes.
DESENGANO
Toda vez que olho o desengano
Nas frases do canto fosco dessa juventude
Sinto meu sorriso magro,
Meu rosto suado se encarquilhar
E quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
E quando me deprimo e curvo os ombros pra pensar
Penso nos martíos,
Todos os delírios loucos que vivenciamos
E vejo por quanto anos nos aventuramos querendo voar
Voar pra sair de perto,
De todo deserto desses abandonos,
E constatando o desengano se despedaçar.
Desfeito em pedaços,
Sigo no encalço desse sonho
Vejo meu sorriso magro,
Coração amargo se atrapalhar
Quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
Quando abro os olhos, olhos claros para o mar.
Marcadores:
Lula Côrtes
terça-feira, 22 de março de 2011
AGROTÓXICO E LEITE MATERNO
Soja usa 5 milhões de litros de agrotóxico e chega ao leite materno em MT
Thais Tomie
Redação 24 Horas News
Thais Tomie
Redação 24 Horas News
O município de Lucas do Rio Verde, localizado ao norte do Estado, é caracterizado como segundo maior produtor de grãos do Estado. Em 2009 cultivou 410 mil hectares de soja e milho.Para isso, utilizou nada mais nada menos que cerca de 5 milhões de litros de agrotóxicos. Bom para a indústria, bom para os negócios, péssimo para a saúde da população. Principalmente de mães, cujos filhos estão em idade de amamentação. Uma pesquisa revelou a presença de agrotóxico no leite materno das gestantes que residem no município. Isso mesmo: agrotóxico no leite materno.
“Após a aplicação, parte desses produtos atinge a peste alvo, enquanto que o restante pode ser disperso no ambiente e acumular-se no organismo humano” – explica Danielly Cristina de Andrade Palma, mestranda em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso. Nas amostras de leite coletadas de 62 nutrizes, foram encontradas pelo menos um tipo de agrotóxico. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.
O estudo é uma alerta para os moradores da região, pois os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental, alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 114,37 litros de agrotóxicos por habitante na safra agrícola de 2009/2010..
“Por suas características fisiológicas e vulnerabilidade à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, este leite ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos à saúde” – diz a pesquisadora.
De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Edu Pascosk, o que aconteceu no município foi um fato esporádico que ocorreu devido a uma pulverização de uma aeronave que passou dentro do perímetro urbano. “todas as providências já foram tomadas e os agricultores estão seguindo normalmente a legislação federal”, informou.
O município é considerado o segundo maior produtor de grãos do Estado. E para o agronegócio, o lucro pode estar acima da vida. Diante dos fatos, parece que o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada, contaminando o leite da maioria das mães.
“Após a aplicação, parte desses produtos atinge a peste alvo, enquanto que o restante pode ser disperso no ambiente e acumular-se no organismo humano” – explica Danielly Cristina de Andrade Palma, mestranda em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso. Nas amostras de leite coletadas de 62 nutrizes, foram encontradas pelo menos um tipo de agrotóxico. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.
O estudo é uma alerta para os moradores da região, pois os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental, alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 114,37 litros de agrotóxicos por habitante na safra agrícola de 2009/2010..
“Por suas características fisiológicas e vulnerabilidade à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, este leite ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos à saúde” – diz a pesquisadora.
De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Edu Pascosk, o que aconteceu no município foi um fato esporádico que ocorreu devido a uma pulverização de uma aeronave que passou dentro do perímetro urbano. “todas as providências já foram tomadas e os agricultores estão seguindo normalmente a legislação federal”, informou.
O município é considerado o segundo maior produtor de grãos do Estado. E para o agronegócio, o lucro pode estar acima da vida. Diante dos fatos, parece que o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada, contaminando o leite da maioria das mães.
Marcadores:
agrotóxico,
cidadania
domingo, 20 de março de 2011
A HISTÓRIA SIONISTA
(Israel, 2009, 75 min. - Direção: Berek Joselewicz)
Árabes e judeus viveram em uma grande harmonia em qualquer dos lugares e continentes que estivessem por mais de 1.700 anos. Mas com a criação do sionismo, que buscava um lugar como país para os judeus, as coisas mudaram. Nas palavras de Teodoro Herzl, fundador do sionismo, em 1895, tratando de estabelecer o que seria a política sionista na Palestina, meio século antes de tomá-la, que perdura até os dias de hoje: “Vamos tratar de afugentar a miserável população local para fora das fronteiras”.
Através do documentário de Berek Joselewicz, um ex-soldado israelense - arrependido pela sua participação nas ocupações - conheça a truculência do sionismo que aterroriza todo o estado Palestino e o povo árabe com a limpeza étnica, as execuções, torturas e prisões sem julgamento de jovens, idosos, crianças e mulheres sob o falso argumento de que estão se defendendo. (docverdade)
Comentários do diretor: "(...)A História Sionista, tem o objetivo de apresentar não apenas a história do conflito entre Israel e a Palestina, mas também a principal razão para isso: a ideologia sionista, seus objetivos (passado e presente) e sua dureza, não só na sociedade israelense, mas também, cada vez mais, sobre a percepção das questões do Oriente Médio e nas democracias ocidentais.
Esses conceitos já foram demonstrados no excelente documentárioOcupação 101, feito por Abdallah Omeish e Sufyan Omeish, mas meu documentário aborda o assunto sob a perspectiva de um ex-soldado israelense da reserva, e alguém que passou toda a sua vida na sombra do sionismo.
Eu espero que você possa encontrar um momento para assistir a história sionista e, se gostar, por favor, sinta-se livre para compartilhar com os outros. (Tanto como o documentário e as imagens arquivadas utilizados são apenas para fins educacionais, o filme pode ser distribuído livremente).”
do blog docverdade.blogspot.com
Marcadores:
sionismo
REDUTOS LIBERAIS (NEO?) AINDA FAZEM BARULHO NA IMPRENSA BRASILEIRA
Recentemente o site "Brasil Música" fez um pequeno artigo respondendo um editorial do jornal O Globo. Mesmo com toda derrocada da gestão liberal pelo mundo, ainda se insiste por aqui pelas editorias jornalísticas em fingir que nada aconteceu e continuar receitando medidas falidas. Claro que as propostas de esvaziar o estado retirando seu poder de decisão em certas meios (como as comunicações, por exemplo) vem num pacote de ótimas intenções democráticas, afirmando que as decisões do estado são medidas autoritárias etc. O mais irônico nisso tudo é que esse argumento em defesa da democracia vem justamente de setores que apoiaram e se benficiaram do golpe militar de 1964, e este é o caso das empresas "Globo".
Gostei da resposta do site e a reproduzo aqui. Em seguida meu comentário enviado ao site.
_______________________________________________
UMA ONDA DE AUTORITARISMO NO BRASIL
Este é o título do Editorial de O Globo deste sábado. O artigo discorre sobre um suposto estreitamento de liberdades democráticas nos últimos 8 anos, que teria se dado ‘pelo desembarque do PT em Brasília’. Ações decorrentes da atuação do Ministério da Cultura são citadas, como por exemplo, a proposta de criação da ANCINAVE e o projeto de revisão da lei de direitos autorais, entre outros. Paradoxalmente, o editorial reputa o ‘resgate do projeto de revisão dos direitos autorais da casa civil’ como uma medida saudável.
Em primeiro lugar cabe ressaltar que o Ministério da Cultura no governo anterior não estava sob comando do PT, e sim do PV. O PV teve candidatura própria na corrida presidencial e esta foi uma das razões para a troca de Ministro quando a candidata Dilma Roussef venceu as eleições: colocar o MinC nas mãos do PT, representado por Ana de Hollanda e pelo presidente da Funarte Antônio Grassi. A partir do governo atual, mais que antes, podemos atribuir os encaminhamentos do Ministério da Cultura ao PT.
Em segundo lugar, não nos parece adequado relacionar o episódio da tentativa de criação de um órgão – ANCINAVE – a um ‘viés interventor’. De um lado é correto questionarmos até que ponto o Estado deve ingerir em setores da Economia. Podemos nos perguntar se uma maior fiscalização do governo americano sobre seu sistema financeiro teria evitado as terríveis consequencias da crise de 2008, com prejuízos espalhados por todo o mundo e reflexos políticos, financeiros e sociais até os dias de hoje. Devemos questionar por que as conceituadas agências de risco Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s não teriam previsto a catástrofe. De outro lado, nos parece que a retirada de pauta de um projeto de criação de uma agência reguladora é mais uma prova de amadurecimento democrático, e não de autoritarismo.
Por fim, a tentativa de envolver propostas completamente diferentes sob um mesmo manto genericamente designado de ‘dirigista’ ou de ‘intervencionista’ ou de ‘tolhedor de liberdades’ é equivocado. A reforma da lei de direitos autorais é uma ação absolutamente necessária e urgente para o país. Temos uma das leis mais restritivas do mundo. A 9.610/98 proíbe, por exemplo, a cópia de um CD legalmente adquirido para um player digital de propriedade do adquirente. A sociedade e os criadores precisam de uma resposta rápida; e que inclui o poder público. No documento chamado ‘A Terceira Via para o Direito Autoral’, foram muito bem sintetizadas estas questões: “A solução do problema virá de uma combinação de leis, infraestrutora, mudança cultural, colaboração institucional e melhores modelos de negócio.” Estamos, especialmente aqui no Brasil, muito atrasados para o encaminhamento de uma solução. Nossos jornais deveriam contribuir para a qualificação do debate, e não para a polarização ideológica inócua.
Em primeiro lugar cabe ressaltar que o Ministério da Cultura no governo anterior não estava sob comando do PT, e sim do PV. O PV teve candidatura própria na corrida presidencial e esta foi uma das razões para a troca de Ministro quando a candidata Dilma Roussef venceu as eleições: colocar o MinC nas mãos do PT, representado por Ana de Hollanda e pelo presidente da Funarte Antônio Grassi. A partir do governo atual, mais que antes, podemos atribuir os encaminhamentos do Ministério da Cultura ao PT.
Em segundo lugar, não nos parece adequado relacionar o episódio da tentativa de criação de um órgão – ANCINAVE – a um ‘viés interventor’. De um lado é correto questionarmos até que ponto o Estado deve ingerir em setores da Economia. Podemos nos perguntar se uma maior fiscalização do governo americano sobre seu sistema financeiro teria evitado as terríveis consequencias da crise de 2008, com prejuízos espalhados por todo o mundo e reflexos políticos, financeiros e sociais até os dias de hoje. Devemos questionar por que as conceituadas agências de risco Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s não teriam previsto a catástrofe. De outro lado, nos parece que a retirada de pauta de um projeto de criação de uma agência reguladora é mais uma prova de amadurecimento democrático, e não de autoritarismo.
Por fim, a tentativa de envolver propostas completamente diferentes sob um mesmo manto genericamente designado de ‘dirigista’ ou de ‘intervencionista’ ou de ‘tolhedor de liberdades’ é equivocado. A reforma da lei de direitos autorais é uma ação absolutamente necessária e urgente para o país. Temos uma das leis mais restritivas do mundo. A 9.610/98 proíbe, por exemplo, a cópia de um CD legalmente adquirido para um player digital de propriedade do adquirente. A sociedade e os criadores precisam de uma resposta rápida; e que inclui o poder público. No documento chamado ‘A Terceira Via para o Direito Autoral’, foram muito bem sintetizadas estas questões: “A solução do problema virá de uma combinação de leis, infraestrutora, mudança cultural, colaboração institucional e melhores modelos de negócio.” Estamos, especialmente aqui no Brasil, muito atrasados para o encaminhamento de uma solução. Nossos jornais deveriam contribuir para a qualificação do debate, e não para a polarização ideológica inócua.
_______________________
Meu comentário enviado ao site:
Excelente resposta dada ao Globo. Realmente o viés ideológico do jornal é evidente, pois acredita na fantasia neo-liberal, tratando qualqer forma de regulação pública como "intervencionismo", "dirigismo" ou coisas parecida. Creio que estejamos mais maduros como sociedade para não cairmos mais nesse tipo de argumentação rasteira. A desregulamentação da economia e outros setores trouxe mais prejuízos que avanços. No caso da América Latina então nem se fala, pois os índices de exclusção social por aqui tornou a vaga liberal ainda mais cruel.
Marcadores:
mídia
quarta-feira, 16 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Música favorece recuperação de AVC
Escutar música nas fases iniciais de um Acidente Vascular Cerebral (Derrame) pode melhorar a recuperação do paciente, segundo um estudo da Universidade de Helsinki, Finlândia, publicado na revista médica “Brain”. Os pesquisadores descobriram que pacientes com AVC que ouviam música durante duas horas diárias recuperavam mais rapidamente a memória verbal e a capacidade de atenção. Assinalam que esta é a primeira vez que um efeito desse tipo é observado em humanos e acreditam que estes resultados terão importantes implicações na prática médica.
Durante o estudo, que durou seis meses e pesquisou 60 pacientes, observou-se que três meses depois do AVC a melhora verbal melhorava desde a primeira semana em 60% deles contra 29% dos que não escutavam nada. De forma similar, a atenção focalizada, a capacidade de controlar e realizar operações mentais e resolver conflitos entre respostas melhorou 17%. Além disso, descobriu-se que o grupo de pacientes que escutava música experimentou menos estados de depressão e confusão do que os pacientes do grupo controle.
Essas diferenças na recuperação cognitiva podem ser atribuídas diretamente ao efeito de ouvir música, chamando a atenção o fato de que a maioria das músicas acompanhada por voz sugeria que este componente musical, ou a combinação de música e voz teria um papel crucial na melhor recuperação dos pacientes. Esses resultados deverão ser replicados em estudos posteriores, sendo necessário investigar os mecanismos neurais que determinam a melhora. Por isso, houve o alerta de que a terapia com música não funciona em todos os pacientes, não é um tratamento alternativo, mas sim uma medida adicional a outras formas de terapia, como a reabilitação da linguagem ou a recuperação neurosociológica.
Durante o estudo, que durou seis meses e pesquisou 60 pacientes, observou-se que três meses depois do AVC a melhora verbal melhorava desde a primeira semana em 60% deles contra 29% dos que não escutavam nada. De forma similar, a atenção focalizada, a capacidade de controlar e realizar operações mentais e resolver conflitos entre respostas melhorou 17%. Além disso, descobriu-se que o grupo de pacientes que escutava música experimentou menos estados de depressão e confusão do que os pacientes do grupo controle.
Essas diferenças na recuperação cognitiva podem ser atribuídas diretamente ao efeito de ouvir música, chamando a atenção o fato de que a maioria das músicas acompanhada por voz sugeria que este componente musical, ou a combinação de música e voz teria um papel crucial na melhor recuperação dos pacientes. Esses resultados deverão ser replicados em estudos posteriores, sendo necessário investigar os mecanismos neurais que determinam a melhora. Por isso, houve o alerta de que a terapia com música não funciona em todos os pacientes, não é um tratamento alternativo, mas sim uma medida adicional a outras formas de terapia, como a reabilitação da linguagem ou a recuperação neurosociológica.
Marcadores:
música
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Consumindo maconha
Vejam o absurdo que aconteceu na cidade de Cruzeta, no Rio Grande do Norte. Uma planta muito útil e inclusa na farmacopéia brasileira gerou muitos problemas e acabou colocando em risco a própria liberdade dos usuários. Mas este, ao contrário da cotidiana resenha policial, não se trata de jovens drogados ou coisa parecida. São homens e mulheres do povo (até mesmo de uma idade provecta) que tiveram a infelicidade de conhecer os aspectos medicianais dessa planta. Lembro que na década de 1980 a polícia federal, dando um atestado extremo de ignorância, entrou na farmácia homeopática (Homeopatia De Faria) e confiscou todos os frascos de tintura que continha o princípio ativo da Cannabis Sativa. Um troféu à estupidez!!! Mas vejam aqui o depoimento dos moradores e, de certa forma, usuários:
Marcadores:
cannabis,
cultura popular
Caetano e Gil em lados opostos sobre questões da gestão cultural
Estava demorando que viesse a público algumas divergências entre dois importantes artistas da música popular brasileira: Caetano Veloso e Gilberto Gil. A questão está situada na nova lei de direito autoral. Gil acredita que com os novos aportes tecnológicos não é mais possível se pensar em uma configuração legal de um tempo pré-internet, e do outro lado Caetano diz "ninguém toca em um centavo dos meus direitos autorias", fincando pé em antigas fórmulas de vínculo entre autor e obra. No meu entender o que acontece é que esse pessoal da elite da música popular brasileira, que tanto produziu para a glória de nosso cancioneiro, não se dá conta, como apontou o próprio Gil há um tempo atrás, que faz parte de uma elite, sim, e isso não é por princípio uma coisa do “mal”. Mas o que acontece é que eles estão parececendo aqueles “ludistas” do tempo da revolução industrial, que vivia quebrando máquinas porque estas iriam tirar os empregos de parte dos trabalhadores. E ia mesmo, pois estava havendo uma reconfiguração dos padrões de produção. Uma nova plataforma tecnológica colocava as coisas em outro patamar. Agora é isso que está acontecendo e a elite não se dá conta. O que fazer?? Repactuar novas leis, novos arranjos legais, etc. como propõe Gil, e não ficar optando por ações repressivas, que é isso que em última instância poderá acontecer caso se insista nas antigas formas de gerir a produção cultural. Gil está correto, e não é verdade que ele está deslumbrado com a internet. É Caetano e seus colegas que não se tocaram ainda das novas configurações em curso. Saúdo mais uma vez o ex-ministro e grande artista Gilberto Gil.
------------------------------------------------------
Artigo de Marcus Preto para a FSP
Parceiros na criação do movimento tropicalista, em 1967, os dois acabaram se tornando, nas últimas semanas, símbolos da polarização de opiniões dos artistas da MPB na discussão em torno da lei de direito autoral.
Em 20 de janeiro, a ministra Ana de Hollanda retirou o selo Creative Commons do site do MinC, colocado na gestão de Gil (2003-2008).
As licenças Creative Commons tornam mais flexível o uso de obras artísticas (como liberação prévia para uso em blogs ou remixes), em contraposição ao “copyright” (no qual o artista precisa autorizar caso a caso).
De um lado do ringue, Gil entende que as flexibilidades das licenças CC estão mais de acordo com a era digital, com o mundo pós-internet.
Do outro lado, Caetano, apoiado pela maior parte dos compositores que entraram na discussão –Roberto Carlos, Joyce, Jorge Mautner e outros– se posicionou contra as CC, dizendo que “ninguém toca em um centavo dos meus direitos autorais”.
Em seguida, Gil criticou os opositores às CC de não levarem o diálogo para “uma dimensão esclarecedora”.
Procurado pela Folha no começo da semana passada, Caetano disse, por e-mail, que vestia a carapuça tecida pelo velho companheiro.
“Visto. Mas não me causa incômodo”, disse. “Eu não teria tocado no tema se a discussão, que o ministério Gil trouxe para dentro da política oficial, não me parecesse atraente e inevitável.”
STATUS QUO
“Pois está na hora de ele tirar a carapuça”, rebateu Gil, na quarta-feira passada, depois de fazer um show para internet. “De encarapuçados não precisamos. Todos têm que estar com suas feições claras, nítidas, à mostra, dizendo o que acham.”
E seguiu. “Foi sempre assim: os que defendem o novo têm que ter argumentos mais nítidos. Os que reagem, porque estão defendidos pelo status quo, não precisam disso, precisam apenas reagir.”
A reportagem retomou o assunto com Caetano, no dia seguinte. O músico chamou a paixão de Gil pelos avanços tecnológicos de “um pouco fascinada demais, tendendo para deslumbrada”.
“Gil escreveu [a canção] ‘Pela Internet’, mas, diferentemente de mim, não é uma pessoa de internet. Não é muito familiarizado, não anda muito nem no e-mail. Ele gosta mais é da ideia.”
Marcadores:
cultura,
lei autoral
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Educação pública não é só uma questão de "garra"
Hoje, dia 23 de fevereiro de 2011, a secretária de educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, publicou em seu twitter uma frase que no meu entendimento é muito infeliz. Na tentativa de elogiar o empenho das professoras cujas escolas se sairam bem no IDEB, ela acaba produzindo uma pérola que opera na lógica do senso comum. Disse a secretária:
"Saindo da Secretaria. Cansada, mas feliz! Impressionada com a garra das professoras das escolas com maiores IDEBs. Gente guerreira!"
Ora, o que faz a secretária? Vincula o sucesso no IDEB de algumas escolas ao empenho e a "garra" de algumas professoras. Isso é, no meu entender, a saída mais voluntarista que se pode apontar, pois é como se dissesse que basta que todas as escolas, ou melhor, que todas as professoras reproduzam a mesma garra e o mesmo empenho que chegaremos lá. Ou ainda pior: as escolas que não alcançaram os bons índices foi por causa da falta de "garra" das professoras.
É possível que não tenha sido esta a intenção da secretária, mas seu discurso acaba por reforçar uma tese que viceja em certos meios de que o que falta é esforço por parte do professorado. Outro dia mesmo eu vi uma matéria de um jornal na televisão, que dava conta de uma escola municipal na qual o ensino era de alto nível. Esperei para ver a matéria, imaginando que a referida escola ficava lá em Paciência, ou lá em Santa Cruz, ou em qualquer outra perifeira. Mas não, a escola era na Urca. Escola na qual parte das famílias dos alunos têm um nível bem alto de escolaridade, quando comparada com escolas da periferia, e que participam com mais intensidade na vida escolar. Mas eis que surge a diretora da escola sendo perguntada qual é o segredo do bom ensino. Ela não titubeia em afirmar que é só uma questão de empenho dos profisionais que lá trabalham. Que primor!!!
Essa lógica voluntarista despreza aquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu teorizava sobre os capitias simbólicos e culturais de uma determinada sociedade, que por ser uma sociedade hierarquizada, distribui esses capitais diferentemente entre os grupos sociais que a integram. Bourdieu chega a dizer que a injustiça da educação pública, se referindo a realidade francesa, não estava em tratar diferentemente os gruos socias (ricos, médios e pobres), mas justamente pelo contrário: por tratá-los como iguais. Aí está, no seu entendimento, um dos núcleos da reprodução da desigualdade social praticada pela instituição escolar. Quando se trata como iguais grupos sociais que partilham diferentemente dos capitais culturais e sociais, está-se condenando os que detém menos determinados capitais ao insucesso.
Marcadores:
Educação
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Dilma, a Folha de São Paulo e os novos tempos
A folha de São Paulo, este jornal que esprestava seus carros para a ditadura matar e torturar seus oponentes, ao completar 90 anos de (des) serviços a democracia convidou a presidenta Dilma para escrever um artigo. A presidenta aceitou e escreveu com todas as letras aquilo que tem repetido sempre que pode: " a figura chave do processo que levará o Brasil a um novo patamar é o educador". Reparem que ela parece estar bem consciente do que está dizendo, pois ela evita a palavra professor e utiliza "educador". Isso faz uma diferença enorme. Ela, no texto, demonstra estar bem consciente quanto ao papel dos educadores no novo cenário desejado para o nosso país. Talvez não seja demais dizer que nunca na história desse país um presidente (a) se importou tanto, ou deu tanto espaço à questão da educação. Leiam abaixo o artido na íntegra:
___________________________________________________________
Hoje, já não parece uma meta tão distante o Brasil se tornar país economicamente rico e socialmente justo, mas há grandes desafios pela frente, como educação de qualidade
Há 90 anos, o Brasil era um país oligárquico, em que a questão social não tinha qualquer relevância aos olhos do poder público, que a tratava como questão de polícia.
O país vivia à sombra da herança histórica da escravidão, do preconceito contra a mulher e da exclusão social, o que limitou, por muitas décadas, seu pleno desenvolvimento.
Mesmo quando os grandes planos de desenvolvimento foram desenhados, a questão social continuou como apêndice e a educação não conquistou lugar estratégico. Avançamos apenas nas décadas recentes, quando a sociedade decidiu firmar o social como prioridade.
Contudo, o Brasil ainda é um país contraditório. Persistem graves disparidades regionais e de renda. Setores pouco desenvolvidos coexistem com atividades econômicas caracterizadas por enorme sofisticação tecnológica. Mas os ganhos econômicos e sociais dos últimos anos estão permitindo uma renovada confiança no futuro.
Enorme janela de oportunidade se abre para o Brasil. Já não parece uma meta tão distante tornar-se um país economicamente rico e socialmente justo. Mas existem ainda gigantescos desafios pela frente. E o principal, na sociedade moderna, é o desafio da educação de qualidade, da democratização do conhecimento e do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente.
Ao longo do século 21, todas as formas de distribuição do conhecimento serão ainda mais complexas e rápidas do que hoje.
Como a tecnologia irá modificar o espaço físico das escolas? Quais serão as ferramentas à disposição dos estudantes? Como será a relação professor-aluno? São questões sem respostas claras.
Tenho certeza, no entanto, de que a figura-chave será a do educador, o formador do cidadão da era do conhecimento.
Priorizar a educação implica consolidar valores universais de democracia, de liberdade e de tolerância, garantindo oportunidade para todos. Trata-se de uma construção social, de um pacto pelo futuro, em que o conhecimento é e será o fator decisivo.
Existe uma relação direta entre a capacidade de uma sociedade processar informações complexas e sua capacidade de produzir inovação e gerar riqueza, qualificando sua relação com as demais nações.
No presente e no futuro, a geração de riqueza não poderá ser pautada pela visão de curto prazo e pelo consumo desenfreado dos recursos naturais. O uso inteligente da água e das terras agriculturáveis, o respeito ao meio ambiente e o investimento em fontes de energia renováveis devem ser condições intrínsecas do nosso crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável será um diferencial na relação do Brasil com o mundo.
Noventa anos atrás, erramos como governantes e falhamos como nação.
Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural. Um país capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos.
___________________________________________________________
PAÍS DO CONHECIMENTO, POTÊNCIA AMBIENTAL
por DILMA ROUSSEFF
Hoje, já não parece uma meta tão distante o Brasil se tornar país economicamente rico e socialmente justo, mas há grandes desafios pela frente, como educação de qualidade
Há 90 anos, o Brasil era um país oligárquico, em que a questão social não tinha qualquer relevância aos olhos do poder público, que a tratava como questão de polícia.
O país vivia à sombra da herança histórica da escravidão, do preconceito contra a mulher e da exclusão social, o que limitou, por muitas décadas, seu pleno desenvolvimento.
Mesmo quando os grandes planos de desenvolvimento foram desenhados, a questão social continuou como apêndice e a educação não conquistou lugar estratégico. Avançamos apenas nas décadas recentes, quando a sociedade decidiu firmar o social como prioridade.
Contudo, o Brasil ainda é um país contraditório. Persistem graves disparidades regionais e de renda. Setores pouco desenvolvidos coexistem com atividades econômicas caracterizadas por enorme sofisticação tecnológica. Mas os ganhos econômicos e sociais dos últimos anos estão permitindo uma renovada confiança no futuro.
Enorme janela de oportunidade se abre para o Brasil. Já não parece uma meta tão distante tornar-se um país economicamente rico e socialmente justo. Mas existem ainda gigantescos desafios pela frente. E o principal, na sociedade moderna, é o desafio da educação de qualidade, da democratização do conhecimento e do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente.
Ao longo do século 21, todas as formas de distribuição do conhecimento serão ainda mais complexas e rápidas do que hoje.
Como a tecnologia irá modificar o espaço físico das escolas? Quais serão as ferramentas à disposição dos estudantes? Como será a relação professor-aluno? São questões sem respostas claras.
Tenho certeza, no entanto, de que a figura-chave será a do educador, o formador do cidadão da era do conhecimento.
Priorizar a educação implica consolidar valores universais de democracia, de liberdade e de tolerância, garantindo oportunidade para todos. Trata-se de uma construção social, de um pacto pelo futuro, em que o conhecimento é e será o fator decisivo.
Existe uma relação direta entre a capacidade de uma sociedade processar informações complexas e sua capacidade de produzir inovação e gerar riqueza, qualificando sua relação com as demais nações.
No presente e no futuro, a geração de riqueza não poderá ser pautada pela visão de curto prazo e pelo consumo desenfreado dos recursos naturais. O uso inteligente da água e das terras agriculturáveis, o respeito ao meio ambiente e o investimento em fontes de energia renováveis devem ser condições intrínsecas do nosso crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável será um diferencial na relação do Brasil com o mundo.
Noventa anos atrás, erramos como governantes e falhamos como nação.
Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural. Um país capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos.
Marcadores:
governo Dilma
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Lo que el corazón quiere, la mente se lo muestra. Entrevista com o cirurgião espanhol Mario A. Puig
Não sou muito adepto daquela linha de raciocínio do tipo "o segredo", quer dizer, creio que não seja muito adepto daquelas ideias que algumas pessoas leitoras desse livro tem, de que tudo depende das condições subjetivas do indivíduo. Nessa linha de raciocínio há um esvaziamento quase que completo das condições objetivas do mundo. Só há subjetividades. Talvez essa seja uma forma rasa de interpretação das descobertas e insights que vêm sendo discutido nos últimos anos. Trata-se de compreender o papel dos estados mentais sobre a fisiologia. Ora, se corpo e mente não são coisas distintas, é fácil compreender que um influencia o outro, ou em outras palavras, age sobre o outro. Achei muito interessante essa entrevista dada pelo cirurgião espanhol Mario Alonso Puig. Esta entrevista me levou a um livro de um neurocientista português chamado António Damásio, cuja pesquisa versa, entre outras coisas, sobre o papel das emoções na formação da própria racionalidade. Damásio é autor de livros como: "O erro de Descartes" e "O mistério da consciência". Logo no início do primeiro ele diz que "a razão humana depende não de um único centro cerebral, mas de vários sistemas cerebrais que funcionam de forma concertada ao longo de muitos níveis de organização neuronal. Tanto as regiões cerebrais de ”alto nível” como as de ”baixo nível”, desde os córtices pré-frontais até o hipotálamo e o tronco cerebral, cooperam umas com as outras na feitura da razão". Ou seja, a razão não é tributária apenas de um único centro localizável no cérebro human, mas de um cojunto de partes que agem em colaboração. O papel das emoções, não obstante ser reconhecido hoje no senso comum, ainda é relegado a um segundo plano no que diz respeito a uma hierarquia dos saberes. Creio que a entrevista do cirurgião Mario A. Puig, se encontra nessa linha de pensamento que emerge com força nesse início de século. Leiam:------------------------------------------------------------
Hasta ahora lo decían los iluminados, los meditadores y los sabios; ahora también lo dice la ciencia: son nuestros pensamientos los que en gran medida han creado y crean continuamente nuestro mundo. "Hoy sabemos que la confianza en uno mismo, el entusiasmo y la ilusión tienen la capacidad de favorecer las funciones superiores del cerebro. La zona prefrontal del cerebro, el lugar donde tiene lugar el pensamiento más avanzado, donde se inventa nuestro futuro, donde valoramos alternativas y estrategias para solucionar los problemas y tomar decisiones, está tremendamente influida por el sistema límbico, que es nuestro cerebro emocional. Por eso, lo que el corazón quiere sentir, la mente se lo acaba mostrando". Hay que entrenar esa mente
Tengo 48 años. Nací y vivo en Madrid. Estoy casado y tengo tres niños. Soy cirujano general y del aparato digestivo en el Hospital de Madrid. Hay que ejercitar y desarrollar la flexibilidad y la tolerancia. Se puede ser muy firme con las conductas y amable con las personas. Soy católico. Acabo de publicar Madera líder (Empresa Activa)
- Más de 25 años ejerciendo de cirujano. ¿Conclusión?
-Puedo atestiguar que una persona ilusionada, comprometida y que confía en sí misma puede ir mucho más allá de lo que cabría esperar por su trayectoria.
- ¿Psiconeuroinmunobiología?
-Sí, es la ciencia que estudia la conexión que existe entre el pensamiento, la palabra, la mentalidad y la fisiología del ser humano. Una conexión que desafía el paradigma tradicional. El pensamiento y la palabra son una forma de energía vital que tiene la capacidad (y ha sido demostrado de forma sostenible) de interactuar con el organismo y producir cambios físicos muy profundos.
- ¿De qué se trata?
-Se ha demostrado en diversos estudios que un minuto entreteniendo un pensamiento negativo deja el sistema inmunitario en una situación delicada durante seis horas. El distrés, esa sensación de agobio permanente, produce cambios muy sorprendentes en el funcionamiento del cerebro y en la constelación hormonal.
- ¿Qué tipo de cambios?
-Tiene la capacidad de lesionar neuronas de la memoria y del aprendizaje localizadas en el hipocampo. Y afecta a nuestra capacidad intelectual porque deja sin riego sanguíneo aquellas zonas del cerebro más necesarias para tomar decisiones adecuadas.
- ¿Tenemos recursos para combatir al enemigo interior, o eso es cosa de sabios?
-Un valioso recurso contra la preocupación es llevar la atención a la respiración abdominal, que tiene por sí sola la capacidad de producir cambios en el cerebro. Favorece la secreción de hormonas como la serotonina y la endorfina y mejora la sintonía de ritmos cerebrales entre los dos hemisferios.
- ¿Cambiar la mente a través del cuerpo?
-Sí. Hay que sacar el foco de atención de esos pensamientos que nos están alterando, provocando desánimo, ira o preocupación, y que hacen que nuestras decisiones partan desde un punto de vista inadecuado. Es más inteligente, no más razonable, llevar el foco de atención a la respiración, que tiene la capacidad de serenar nuestro estado mental.
- ¿Dice que no hay que ser razonable?
-Siempre encontraremos razones para justificar nuestro mal humor, estrés o tristeza, y esa es una línea determinada de pensamiento. Pero cuando nos basamos en cómo queremos vivir, por ejemplo sin tristeza, aparece otra línea. Son más importantes el qué y el porqué que el cómo. Lo que el corazón quiere sentir, la mente se lo acaba mostrando.
- Exagera.
-Cuando nuestro cerebro da un significado a algo, nosotros lo vivimos como la absoluta realidad, sin ser conscientes de que sólo es una interpretación de la realidad.
- Más recursos...
-La palabra es una forma de energía vital. Se ha podido fotografiar con tomografía de emisión de positrones cómo las personas que decidieron hablarse a sí mismas de una manera más positiva, específicamente personas con transtornos psiquiátricos, consiguieron remodelar físicamente su estructura cerebral, precisamente los circuitos que les generaban estas enfermedades.
- ¿Podemos cambiar nuestro cerebro con buenas palabras?
-Santiago Ramon y Cajal, premio Nobel de Medicina en 1906, dijo una frase tremendamente potente que en su momento pensamos que era metáforica. Ahora sabemos que es literal: "Todo ser humano, si se lo propone, puede ser escultor de su propio cerebro".
-¿Seguro que no exagera?
-No. Según cómo nos hablamos a nosotros mismos moldeamos nuestras emociones, que cambian nuestras percepciones. La transformación del observador (nosotros) altera el proceso observado. No vemos el mundo que es, vemos el mundo que somos.
- ¿Hablamos de filosofía o de ciencia?
-Las palabras por sí solas activan los núcleos amigdalinos. Pueden activar, por ejemplo, los núcleos del miedo que transforman las hormonas y los procesos mentales. Científicos de Harward han demostrado que cuando la persona consigue reducir esa cacofonía interior y entrar en el silencio, las migrañas y el dolor coronario pueden reducirse un 80%.
- ¿Cuál es el efecto de las palabras no dichas?
-Solemos confundir nuestros puntos de vista con la verdad, y eso se transmite: la percepción va más allá de la razón. Según estudios de Albert Merhabian, de la Universidad de California (UCLA), el 93% del impacto de una comunicación va por debajo de la conciencia.
- ¿Por qué nos cuesta tanto cambiar?
-El miedo nos impide salir de la zona de confort, tendemos a la seguridad de lo conocido, y esa actitud nos impide realizarnos. Para crecer hay que salir de esa zona.
- La mayor parte de los actos de nuestra vida se rigen por el inconsciente.
-Reaccionamos según unos automatismos que hemos ido incorporando. Pensamos que la espontaneidad es un valor; pero para que haya espontaneidad primero ha de haber preparación, sino sólo hay automatismos. Cada vez estoy más convencido del poder que tiene el entrenamiento de la mente.
- Deme alguna pista.
-Cambie hábitos de pensamiento y entrene su integridad honrando su propia palabra. Cuando decimos "voy a hacer esto" y no lo hacemos alteramos físicamente nuestro cerebro. El mayor potencial es la conciencia.
- Ver lo que hay y aceptarlo.
-Si nos aceptamos por lo que somos y por lo que no somos, podemos cambiar. Lo que se resiste persiste. La aceptación es el núcleo de la transformación.
Tengo 48 años. Nací y vivo en Madrid. Estoy casado y tengo tres niños. Soy cirujano general y del aparato digestivo en el Hospital de Madrid. Hay que ejercitar y desarrollar la flexibilidad y la tolerancia. Se puede ser muy firme con las conductas y amable con las personas. Soy católico. Acabo de publicar Madera líder (Empresa Activa)
- Más de 25 años ejerciendo de cirujano. ¿Conclusión?
-Puedo atestiguar que una persona ilusionada, comprometida y que confía en sí misma puede ir mucho más allá de lo que cabría esperar por su trayectoria.
- ¿Psiconeuroinmunobiología?
-Sí, es la ciencia que estudia la conexión que existe entre el pensamiento, la palabra, la mentalidad y la fisiología del ser humano. Una conexión que desafía el paradigma tradicional. El pensamiento y la palabra son una forma de energía vital que tiene la capacidad (y ha sido demostrado de forma sostenible) de interactuar con el organismo y producir cambios físicos muy profundos.
- ¿De qué se trata?
-Se ha demostrado en diversos estudios que un minuto entreteniendo un pensamiento negativo deja el sistema inmunitario en una situación delicada durante seis horas. El distrés, esa sensación de agobio permanente, produce cambios muy sorprendentes en el funcionamiento del cerebro y en la constelación hormonal.
- ¿Qué tipo de cambios?
-Tiene la capacidad de lesionar neuronas de la memoria y del aprendizaje localizadas en el hipocampo. Y afecta a nuestra capacidad intelectual porque deja sin riego sanguíneo aquellas zonas del cerebro más necesarias para tomar decisiones adecuadas.
- ¿Tenemos recursos para combatir al enemigo interior, o eso es cosa de sabios?
-Un valioso recurso contra la preocupación es llevar la atención a la respiración abdominal, que tiene por sí sola la capacidad de producir cambios en el cerebro. Favorece la secreción de hormonas como la serotonina y la endorfina y mejora la sintonía de ritmos cerebrales entre los dos hemisferios.
- ¿Cambiar la mente a través del cuerpo?
-Sí. Hay que sacar el foco de atención de esos pensamientos que nos están alterando, provocando desánimo, ira o preocupación, y que hacen que nuestras decisiones partan desde un punto de vista inadecuado. Es más inteligente, no más razonable, llevar el foco de atención a la respiración, que tiene la capacidad de serenar nuestro estado mental.
- ¿Dice que no hay que ser razonable?
-Siempre encontraremos razones para justificar nuestro mal humor, estrés o tristeza, y esa es una línea determinada de pensamiento. Pero cuando nos basamos en cómo queremos vivir, por ejemplo sin tristeza, aparece otra línea. Son más importantes el qué y el porqué que el cómo. Lo que el corazón quiere sentir, la mente se lo acaba mostrando.
- Exagera.
-Cuando nuestro cerebro da un significado a algo, nosotros lo vivimos como la absoluta realidad, sin ser conscientes de que sólo es una interpretación de la realidad.
- Más recursos...
-La palabra es una forma de energía vital. Se ha podido fotografiar con tomografía de emisión de positrones cómo las personas que decidieron hablarse a sí mismas de una manera más positiva, específicamente personas con transtornos psiquiátricos, consiguieron remodelar físicamente su estructura cerebral, precisamente los circuitos que les generaban estas enfermedades.
- ¿Podemos cambiar nuestro cerebro con buenas palabras?
-Santiago Ramon y Cajal, premio Nobel de Medicina en 1906, dijo una frase tremendamente potente que en su momento pensamos que era metáforica. Ahora sabemos que es literal: "Todo ser humano, si se lo propone, puede ser escultor de su propio cerebro".
-¿Seguro que no exagera?
-No. Según cómo nos hablamos a nosotros mismos moldeamos nuestras emociones, que cambian nuestras percepciones. La transformación del observador (nosotros) altera el proceso observado. No vemos el mundo que es, vemos el mundo que somos.
- ¿Hablamos de filosofía o de ciencia?
-Las palabras por sí solas activan los núcleos amigdalinos. Pueden activar, por ejemplo, los núcleos del miedo que transforman las hormonas y los procesos mentales. Científicos de Harward han demostrado que cuando la persona consigue reducir esa cacofonía interior y entrar en el silencio, las migrañas y el dolor coronario pueden reducirse un 80%.
- ¿Cuál es el efecto de las palabras no dichas?
-Solemos confundir nuestros puntos de vista con la verdad, y eso se transmite: la percepción va más allá de la razón. Según estudios de Albert Merhabian, de la Universidad de California (UCLA), el 93% del impacto de una comunicación va por debajo de la conciencia.
- ¿Por qué nos cuesta tanto cambiar?
-El miedo nos impide salir de la zona de confort, tendemos a la seguridad de lo conocido, y esa actitud nos impide realizarnos. Para crecer hay que salir de esa zona.
- La mayor parte de los actos de nuestra vida se rigen por el inconsciente.
-Reaccionamos según unos automatismos que hemos ido incorporando. Pensamos que la espontaneidad es un valor; pero para que haya espontaneidad primero ha de haber preparación, sino sólo hay automatismos. Cada vez estoy más convencido del poder que tiene el entrenamiento de la mente.
- Deme alguna pista.
-Cambie hábitos de pensamiento y entrene su integridad honrando su propia palabra. Cuando decimos "voy a hacer esto" y no lo hacemos alteramos físicamente nuestro cerebro. El mayor potencial es la conciencia.
- Ver lo que hay y aceptarlo.
-Si nos aceptamos por lo que somos y por lo que no somos, podemos cambiar. Lo que se resiste persiste. La aceptación es el núcleo de la transformación.
Marcadores:
Antonio Damásio,
consciência
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
NEUROPOLIS
O compositor e pesquisador musical paulista Lívio Tragtenberg teve uma daquelas ideias que a gente fica pensando como é que não fomos nós que a tivemos. Ele realizou um projeto de juntar vários músicos que tocam nas ruas de São Paulo para forma uma orquestra popular. Disso resultou o disco e o documentário neuropolis, que o compositor quer que escreva sem acento, mas que se pronuncie como se tivesse. O disco soa muito bem com timbres inusitados que mistura pandeiro, uma espécie de cítara japonesa, sax, acordeon e sotaque boliviano (ou é colombiano?).
Ganhei o disco de presente de minha amiga Lenira, e assim que ouvi achei o máximo. Vejam aqui um pouco do documentário:
Ganhei o disco de presente de minha amiga Lenira, e assim que ouvi achei o máximo. Vejam aqui um pouco do documentário:
Marcadores:
música
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
UMA NOITE EM 67
Por Ricardo Moreno
O tema dos festivais deu e ainda dará muitos frutos, no sentido de obras escritas e audiovisuais que reflitam a importância do momento. As razões são claras, pois se trata de um momento de ouro da música popular brasileira, no qual toda uma geração se formou, e de certa forma esta geração balizou a produção musical das décadas seguintes. É claro que nem toda a produção das décadas de 1970 em diante é diretamente tributária daqueles artistas que se destacaram na década anterior: Chico Buarque; Edu Lobo; Caetano; Gil, etc. Mas não há como negar que esta geração atingiu um patamar de excelência na elaboração da canção popular.
O documentário em questão se atém a um desses festivais, o de 1967, que sem dúvida foi um dos mais importantes da década. Lá estavam Gilberto Gil, com a belíssima “Domingo no parque”; Caetano Velloso com “Alegria, alegria”; Chico Buarque com “Roda viva” e Edu Lobo com “Ponteio”, que acabou se consagrando como primeiro lugar. As duas primeiras, “Domingo no parque” e “Alegria, alegria” logo se tornariam canções referências do movimento tropicalista que iria detonar o cenário estético-musical no ano seguinte com o lançamento do disco “Tropicália”, no qual figuravam além de Caetano e Gil, Tom Zé, Gal e quase toda a (nada) tradicional família musical baiana.
Em que pese o tema dos festivais já ter sido objeto de tantas explorações reflexivas, do tipo teses, livros, etc., não parece que o filme tenha a pretensão de defender nenhuma tese, ou hipótese. Ele quer apenas mostrar a importância daquele evento e as relações que estavam se dando em seu bojo. O festival era sem dúvida um lugar privilegiado para o cruzamento de várias linhas de ação estética. Muitas defesas de posição eram feitas através de textos de jornais, revistas, etc. Em uma frase célebre Tom Zé, que era do grupo tropicalista, teria dito em tom jocoso, como sempre foi estilo, que “A gente tem que respeitar o Chico Buarque, afinal ele é o nosso avô”. A intenção era óbvia: afirmar que Chico era naquele momento um compositor passadista, fazendo canções dentro de uma certa tradição musical brasileira, enquanto o grupo tropicalista estava mexendo em algumas estruturas. É desse momento também a polêmica entre Caetano e Chico alimentada, é bem verdade, pelos meios de comunicações da época, interessados em uma “agonística” musical pra com isso ganhar umas moedas a mais. Mas consta que Chico teria se irritado com a ideia de que a gravação da sua bela canção “Carolina”, por Caetano em seu disco de 1969, teria sido em tom de deboche. Enfim...
Mas voltando ao filme, ele revela umas coisas interessantes, como por exemplo, a paúra de Gil na hora de defender a sua lindíssima “Domingo no parque”. Há anos que vejo essa gravação, e sempre achei o Gil super seguro no momento da interpretação. Mas a coisa não foi bem assim. Gil diz que estava super inseguro, e com essa declaração de repente vemos a dimensão humana brotar por trás da figura do ídolo. Muito interessante também o “achado” do jornalista Chico de Assis, um dos depoentes do documentário, quando percebe que o artista Sérgio Ricardo, cujo violão ele próprio quebrou no meio da apresentação por causa das vaias que recebia, se apresentou logo depois de Edu Lobo, que em seu refrão dizia “quem me dera agora eu tivesse uma viola pra cantar”. Era como se as duas apresentações estivessem ligadas de alguma forma.
Enfim, o documentário “uma noite em 67” é repleto de depoimentos interessantes, de músicas maravilhosas e de artistas importantíssimos para a formação da música popular brasileira contemporânea. O diretor Renato Terra e Ricardo Calil acertaram em cheio.
Marcadores:
Artigos
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O BURACO NO MURO
O título acima parece aquelas brincadeiras de falar português com sonoridade japonesa, mas não é nada disso. Trata-se de um maravilhoso projeto de inclusão digital realizado por um chefe de departamento de uma grande empresa de telecomunicações da Índia. Parece que o que anima esse pesquisador é a ideia de que a inclusão digital não é aquele superfluo que todos têm que ter acesso, mesmo os pobres. Não! Não é isso! Penso que ele está afinado com um conjunto de pensadores contemporâneos que acreditam que a internet, ou o "ciberespaço" está criando uma nova etapa do desenvolvimento humano, assim como, as tecnologias da oralidade, a escrita, o alfabeto, a imprensa, etc... A "cibercultura" é vista por esses pensadores como capaz de engendrar novos modos de pensar e de sentir.
A professora Lucia Santaella diz uma coisa interessante no seu livro "culturas e artes do pós-humano". Ela analisa que o ciberespaço será, ou já está sendo, disputado pelo grande capital no sentido de reproduzir ali as mesmas (e ainda outras) clivagens já realizadas no mundo não virtual. Mas também afirma que os artistas, intelectuais, professores e outros devem entrar nessa disputa tentando impedir que eles (o capital) "colonize o infinito".
Vejam o video:
Marcadores:
cibercultura
ANTROPOLOGIA E PROCESSOS NEO-COLONIAIS
- Artigo interessante este que trata das relações entre ciências sociais e processos neo-coloniais. É largamente sabido que nos seus inícios a disciplina antropológica serviu, ou até melhor, ela nasceu sob os auspícios dos processos coloniais levados a cabo pelos europeus no século XIX. No caso desse artigo, fruto da farta documentação levantada pelo site Wikileaks, o processo é bem menos sutil, pois não se trata de teses que vão produzir um arcabouço teórico que em última instância servirão ao domínio colonial. Trata-se do antropólogo em campo, como um soldado, disponibilizando seus saberes para uma melhor ocupação. Leiam:
- ___________________________________________________________________
- «Não se pode fazer antropologia na ponta de uma pistola».
- Por Gilberto López y Rivas
- O Human Terrain Team Handbook (2008), do estrategista Nathan Finney, é um dos documentos importantes disponíveis no Wikileaks que permite analisar a aplicação da antropologia nas campanhas contra-insurreccionais e na ocupação neocolonial por parte das forças armadas dos Estados Unidos.
-
- Será um antropólogo?
- Esse manual destina-se principalmente a ser usado na preparação e na actividade das equipas (human terrain teams, HTT) que actuam nas estruturas militares norte-americanas (regimentos, brigadas, divisões, forças combinadas, etc.). Estas equipas integram entre 5 e 9 pessoas, apoiando os comandantes no terreno com o objectivo de compensar a sua falta de conhecimento do contexto cultural em que manobram. As equipas conjugam soldados e especialistas militares e académicos, fornecidos por contratantes do Exército, supostamente com uma preparação sólida na área das ciências sociais.
O manual tem como pressuposto que «uma condição fundamental da guerra irregular e das operações contra-insurreccionais é que o comandante e o seu estado-maior não podem continuar a preocupar-se apenas com as questões tradicionais: missão, inimigo, terreno e condições meteorológicas, tropas amigas e apoios disponíveis, e tempo. O comandante deve considerar a população da área de conflito como um aspecto importante e específico do diagnóstico do teatro da guerra. […] A dimensão humana constitui a própria essência da guerra irregular. Compreender a cultura local e os factores políticos, sociais, económicos e religiosos é crucial para a contra-insurreição e para o êxito das operações de estabilização e, em última análise, para o triunfo da guerra contra o terror».
- Antropólogo numa pesquisa de campo.
- São três os aspectos-chave da missão das equipas HTT: 1) Investigação mediante as ciências sociais (utilização de métodos antropológicos e sociológicos clássicos, tais como entrevistas abertas e estruturadas, análises de texto, inquéritos e observação participativa. 2) Recolha de informação relevante para a unidade castrense e sua apresentação em termos familiares a um público militar. 3) Criação de um marco analítico-cultural para a planificação, a tomada de decisões e os diagnósticos operacionais.
- O programa, em suma, destina-se a investigar, interpretar, arquivar e fornecer informações e conhecimentos culturais com o objectivo de optimizar as operações e de harmonizar as acções com o meio cultural. Embora parta da suposição errada de que o programa não faz parte da actividade de espionagem militar, o manual indica contraditoriamente que os seus resultados devem ser incorporados ao plano de operações dessa secção e que as suas equipas devem estar presentes em todas as etapas do processo de tomada de decisões militares.
- As equipas HTT de civis e militares têm um chefe (geralmente um oficial no activo ou na reforma), um cientista social, um processador de informação e dois analistas. Segundo o manual, a composição óptima inclui pelo menos um membro da equipa que fale a língua da região, outro que seja perito no país em questão e outro que seja mulher, para permitir que a equipa tenha acesso aos 50% da população frequentemente subestimados nas operações militares.
- O carácter do programa, o papel e os objectivos das equipas são variáveis, consoante a acção de intervenção das forças armadas norte-americanas for classificada no manual como «contra-insurreição, edificação de nações (nation building), ocupação, manutenção da paz, operações de movimento ou qualquer combinação destes objectivos». Na medida em que o programa compreende o espectro completo da sociedade e da cultura, as equipas devem determinar como obter o apoio da população local, como diminuir a sua desconfiança e como usar a ampla familiaridade com todos os aspectos da sociedade para alcançar esses objectivos.
- É significativo que as equipas HTT não disponham de veículos próprios. Para realizarem a pesquisa de campo utilizam o transporte e a protecção das secções militares de que fazem parte. O manual menciona que os membros destas equipas são portadores apenas de armas de autodefesa (sic), ou seja, andam armados e precisam do apoio logístico da unidade militar para que actuam, incluindo alojamento, alimentação, segurança e espaços de trabalho (certamente no interior do sector de espionagem).
- Descubra quem é o antropólogo.
Por seu lado, o Informe Final da American Anthropological Association (AAA), concluído em Outubro de 2009 — após uma exaustiva análise — afirma que este programa constitui um motivo de preocupação para a Associação, porque, na medida em que executa funções de investigação, está, por sua vez, na origem de uma actividade de espionagem e leva a cabo funções tácticas de guerra de contra-insurreição. Perante esta sobreposição, qualquer antropólogo que trabalhe no programa terá dificuldade em cumprir o Código Disciplinar de Ética. O programa está adscrito ao sector de espionagem do Departamento da Defesa, e no Iraque e no Afeganistão a informação resultante do programa faz parte do acervo da espionagem militar.
- A AAA conclui: «Quando a investigação etnográfica está determinada por missões militares, não ficando sujeita a uma revisão externa; quando a recolha de informação ocorre num contexto de guerra, integrada nos objectivos da contra-insurreição, e com um potencial coercitivo — tudo factores característicos das concepções e da aplicação do programa — não é possível que esta actividade seja considerada um exercício profissional de antropologia legítimo».
- Um dos cientistas sociais que participou no programa no Iraque observou com razão: «Não se pode fazer antropologia na ponta de uma pistola».
Marcadores:
Antropologia,
ciência,
discurso anti-colonial
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Globonews corta a fala do filósofo quando este fala em Lula
No momento em que escrevo esse texto o vídeo ao qual me refiro ainda não está disponibilizado no site da globonews, mas o fato é que num programa dessa emissora chamado "Milênio" e apresentado pelo jornalista Jorge Pontual, fez uma coisa deplorável. O entrevistado era o filósofo Slavoj Zizek, apresentado como um dos intelectuais mais influentes do momento. Acontece que o filósofo estava se referindo a um estudo feito por um amigo, que dava conta da mentira neo-liberal quando esta afirma que crescimento econômico é incompatível com assitência social. Ele dizia que o estudo mostra a realidade dos países escandinavos e logo em seguida ia citar Lula, como exemplo de gestão na qual o país cresce junto com programas sociais de grande extensão. Só que nesse momento, misteriosamente há um corte de edição que subtrai a fala do filósofo quando este trata do presidente Lula. No blog do programa vários espectadores se manifestaram no sentido de prostetar contra a "edição" grosseira. Para quem quiser ver as queixas é só seguir o link:
Marcadores:
mídia
Assinar:
Postagens (Atom)












