segunda-feira, 16 de maio de 2011

NATIONAL JUKEBOX - GRAVAÇÕES HISTÓRICAS DISPONÍVEL AO GRANDE PÚBLICO

A biblioteca do congresso dos EUA tornou disponível um grande acervo de áudio para o grande público. São gravações históricas que foram digitalizadas e postas no site da biblioteca. Procurei pelo compositor Pixinguinha e encontrei várias gravações. Uma delas é esta que está abaixo:




o site da Biblioteca do Congresso para este serviço é: http://www.loc.gov/jukebox/

sexta-feira, 13 de maio de 2011

LUIGI RUSSOLO E SUA MÁQUINA DE FAZER RUÍDO

Lembro de uma aula de história da música contemporânea quando o professor falava das experiências sonoras do pessoal da música concreta, e um amigo se virou de lado e disse: "puxa, meu avô nem era nascido e esse pessoal já tava pirando". Pois é, e tava mesmo! Abaixo uma peça de Luigi Russolo DE 1913, que foi um dos pioneiros nesse movimento. Ele foi autor de um manifesto intitulado "a arte do ruído" e estava vinculado ao ideário do futurismo. Sua ideia então, era criar arte com o ruído ou estetizá-lo e para isso criou alguns intrumentos de produzir ruídos. Este do vídeo ele chamou de ntonarumori. Vejam:

domingo, 8 de maio de 2011

Lula Cortes e as pedras encantadas do Ingá

Lula Côrtes foi uma das figuras mais "roots" (aprendi essa com meu filho) da música popular brasileira. Os depoimentos dele no documentário "nas paredes da pedra encantada - Paebirú" são realmente muito interessantes. Logo no início ele diz que é muito dura a vida de um "pobre star" no Brasil. Mas o documentário trata da concepção e criação do disco que Lula gravou na década de 1970 com Zé Ramalho - Paebirú. Segundo um dos diretores os dois autores não gostam muito de ficar falando sobre esse disco, pois ele não teve a repercussão que os dois achavam que teria, coisa e tal. Mas o Lula bem que falou bastante, e sempre ou quase sempre, de maneira muito divertida e sem afetação. Zé não apareceu, mas Alceu esteve lá e proseou e cantou com Lula. O documentário resvala na cena psicodélica na qual o disco estava inserido, mas sem entrar muito no assunto. De todo modo, fica claro que essa história da cena rock-psicodélica pernambucana ainda precisa sem contada.
O disco é cercado de várias histórias, tais como o fato dos álbuns terem desaparecido na cheia (é assim que nós pernambucanos nos referimos as enchentes)de 1975 em Recife, sobrando apenas algumas unidades, sendo que parte deles estão hoje na Europa e EUA. Este disco depois de anos e anos de obscuridade foi relançado na Inglaterra, Alemanha e EUA, fato que fez com que se lançasse luz sobre ele aqui no Brasil. O documentário passou aqui no Rio de Janeiro no Festival Internacional de Documentários Musicais IN-EDIT, e dificilmente entrará em circuito. Talvez daqui a algum tempo se possa vê-lo pelo Youtube... quem sabe?

domingo, 1 de maio de 2011

O custo da qualidade


Nova proposta para o financiamento da Educação Básica determina os insumos mínimos para garantir a aprendizagem

Ao assumir a Presidência dos Estados Unidos em 1933, em meio aos efeitos da Grande Depressão, Franklin Roosevelt empreendeu o New Deal, um conjunto de programas socioeconômicos com o objetivo de recuperar e reformar a economia. Diante da necessidade de corte de gastos, Roosevelt determinou que o orçamento da educação não seria reduzido. Foram as políticas do New Deal, somadas ao forte e continuado investimento educacional, que produziram as condições para a economia estadunidense tornar-se soberana no pós-Segunda Guerra Mundial.
Do mesmo modo, Japão e Coreia do Sul investiram maciçamente em educação para se reconstruir no pós-Guerra, bem como fizeram os europeus. Os resultados são conhecidos: as nações que mais combinaram investimentos em infraestrutura, distribuição de renda e educação possuem hoje os melhores indicadores sociais.
Entre os emergentes do século XXI, China e Índia perseguem esse modelo, ao menos em termos de investimentos econômicos e educacionais, já que nos dois países não parece haver preocupação com uma melhor distribuição de riquezas.
Em 1988, os constituintesbrasileiros, pressionados pelos movimentos sociais e sensibilizados pela literatura sociológica da educação, incluíram na Carta Magna uma efetiva compreensão de prioridade educacional.
Consequentemente, a Constituição Federal, após determinar educação como um direito social, afirma que ela deve visar “ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
A desigualdade persiste
O Brasil está distante de cumprir com os objetivos constitucionais no tocante ao direito à educação. Pior, em vez de intimidar as desigualdades, as políticas educacionais têm servido para reproduzi-las e intensificá-las.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) 2009, a média de anos de estudos entre jovens com 15 anos de idade é de 8,2 anos na Região Sudeste e apenas de 6,3 anos no Nordeste. Os negros têm menos 1,7 ano de estudo que os brancos e representam 13,4% dos analfabetos, ante os 5,9% de analfabetos brancos. Os pobres têm em média 1,8 ano a menos de escolarização do que a parcela rica da população.
Em termos de qualidade, as desigualdades também são persistentes. Divulgados no início de dezembro de 2010, os resultados do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) revelam as iniquidades nacionais. No agregado o Brasil permanece mal, obtendo o 54º lugar entre os 65 países participantes do programa. Em uma escala de 0 a 6, a média obtida pelo País equivale ao nível 2 em leitura, 1 em ciências e 1 em matemática.
No entanto, os estudantes das escolas técnicas federais obtiveram desempenho tão bom ou melhor que os alunos de países desenvolvidos.
Padrão de qualidade
Fundamentalmente, a diferença de desempenho entre a rede pública federal e as redes públicas regulares (estaduais e municipais) reside em dois fatores. O primeiro é a oferta de insumos educacionais capazes de garantir um padrão mínimo de qualidade, tal como determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
O segundo é a seleção dos estudantes. Embora esse último fator expresse uma prática exclusivista, é imprescindível lembrar que os melhores alunos se submetem aos vestibulinhos para buscar educação de qualidade.
Os principais insumos educacionais são a remuneração condigna dos profissionais da educação com política de carreira, formação continuada, número adequado de alunos por sala de aula, oferta e devida utilização de equipamentos e materiais.
Para elencar esses insumos e dimensionar seus custos, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação publicou, em 2007, o estudo do Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi). O estudo mostra que o Brasil precisa investir, no mínimo, 31,4 bilhões de reais a mais em educação básica para garantir um padrão mínimo de qualidade aos quase 50 milhões de estudantes.
Hoje o País investe cerca de 125,7 bilhões de reais. Para fazer com que a educação se torne um instrumento de equidade e prosperidade, o Brasil precisa investir, por dez anos, cerca de 8% do PIB ao ano em educação básica. Hoje isso representaria um esforço total de cerca de 251 bilhões de reais, o dobro do que é investido.
Parece muito, mas é pouco em comparação com a arrecadação da União, que supera 1 trilhão de reais, mas destina apenas 60 bilhões de reais para a educação. Isso prova que educação ainda é uma prioridade apenas no discurso.
Escolas com o padrão de insumos do CAQi são, antes de mais nada, um direito dos estudantes. Desse modo, o desafio do CAQi, amplamente aprovado na Conferência Nacional de Educação Básica (Coneb, abril-2008) e na Conferência Nacional de Educação (Conae, abril-2010), é disseminar o padrão de qualidade já hoje verificado nas escolas técnicas federais.
Por estar baseado em uma planilha simples de custos de insumos, o CAQi também favorecerá o exercício do controle social pela sociedade, familiares e estudantes. É um instrumento poderoso que, se articulado a políticas como o Programa de Aceleração do Crescimento e o Bolsa Família, pode gerar efeitos positivos e duradouros próximos aos extraídos dos programas de Roosevelt, combinação inédita de políticas econômicas e sociais com investimentos em educação.

A SEDE DO PEIXE (DOCUMENTÁRIO SOBRE A OBRA DE MILTON NASCIMENTO)

Em dezembro de 1997, no Rio, Milton Nascimento juntou amigos e convidados como Caetano Veloso, Alcione, Skank, Nana Caymmi e Gilberto Gil no especial A Sede do Peixe. Dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, o programa foi exibido pelos canais Multishow e HBO e, agora, sai em DVD.

Bonito e bem realizado, A Sede do Peixe tem seus maiores encantos nos encontros musicais inusitados e nos papos descontraídos. Com o expansivo baiano Carlinhos Brown, por exemplo, o anfitrião canta Samba Lelê, música de domínio público, e Cravo e Canela, parceria de Milton com Ronaldo Bastos.

Outros artistas que também atenderam ao chamado de Milton foram Zélia Duncan ("Foi o nosso primeiro encontro e ficou lindo a gente cantando San Vicente", diz o cantor), Wagner Tiso, Fernando Brant, Lô Borges, Tavinho Moura, Beto Guedes, Nana Caymmi, Uakti e Alaíde Costa. A comadre Elis canta Canção do Sal, num videofonograma cedido pela TV Bandeirantes.


sábado, 30 de abril de 2011

OS SONHOS NÃO ENVELHECEM...

OS SONHOS NÃO ENVELHECEM,
Relato lítero-estético-humanista do poeta Márcio Borges.




     O escritor argentino Jorge Luís Borges, entusiasta das boas frases, dizia em seguida a proferir uma delas um comentário de que além de bonita a frase poderia ser verdadeira. O mestre argentino estava, obviamente, se referindo ao fato de que beleza e verdade não andam obrigatoriamente juntas. A frase acima, que dá título a este artigo, por exemplo, é bonita, mas não é verdadeira (assim o entendo). Os sonhos envelhecem; morrem; são esquecidos; renascem... enfim, tudo é possível nas dobras e desdobras do tempo. Esta frase, na verdade, é parte de uma das mais belas letras de MPB que eu conheço: “Clube da Esquina II” de Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges, este último autor da letra (porque se chamava homem / também se chamavan sonhos / e sonhos não envelhecem).

     Acontece que também esta bela frase dá nome a um importante livro que Márcio escreveu contando as histórias daquele tempo. É um relato lítero-político-estético-existencial daqueles tempos de angústias e descobertas para os jovens fundadores do Clube da Esquina. O livro, escrito em primeira pessoa traz as marcas de quem viveu com toda intensidade possível aquilo que depois veio a assombrar o mundo musical brasileiro e mundial. Digo assombrar porque há diversos relatos de artistas contemporâneos deles que afirmam certa dificuldade de compreender o que era aquilo. As harmonias, as levadas, os timbres, as letras, tudo era diferente do que se fazia. Não era bossa nova, não era tropicalismo, não era música de protesto, mas era um pouco de tudo isso, porém numa perspectiva absolutamente pessoal daquele grupo de mineiros. É como se eles viessem por fora, bordando o circuito musical brasileiro, mas sem adentrá-lo totalmente, mas mantendo com ele intenso debate.

     Fica evidente no texto de Márcio, como de resto parece evidente a todos que de alguma forma acompanharam esta cena, que a figura central de todo esse movimento era Milton Nascimento. De longe isso é sabido, mas o texto de Márcio nos revela como foi se construindo tanto em Milton como nos outros participantes do movimento – se é que o podemos chamar assim – a consciência de que caberia a ele, Milton, elaborar a síntese de tudo aquilo que estava sendo feito. Não foram raros os momentos de hesitação e descrença, mas a percepção de que estavam fazendo a coisa certa era, por outro lado, também muito forte. Bituca, apelido carinhoso de Milton, era como um estuário a receber águas de vários rios e a misturá-las, ao mesmo tempo em que se conectava ao grande mar da música internacional.

     Mas tudo isso era coisa de amigos, de turma de quase adolescentes, sem ainda uma percepção clara de que aquilo os levaria a uma profissionalização, e no caso mais específico do Milton, a uma carreira internacional. O relato de Márcio Borges nos mostra com muita densidade humana, que fazer música era pra aquela rapaziada uma necessidade vital dentro daquele contexto de guerra e opressão que eles viviam. Não era fácil... (em meios a tantos gases lacrimogêneos / ficam calmos, calmos, calmos). Em alguns momentos o cenário pintado pelo autor é de guerra mesmo. Mas há momentos de batida de limão, namoros, frustrações e alegrias.

     Entre tantas e tantas histórias há uma que contarei aqui: Milton, Márcio, Lô, Duca (então mulher do Márcio), Brant e um colega seu chamado Ildebrando encontraram por acaso o Ex-presidente Juscelino Kubitschek em Diamantina. Justamente este último, Ildebrando, não se conteve diante daquele personagem quase mítico e com toda sem cerimônia do mundo lhe diz: “ô Nonô! Que prazer, Nonô, dê cá um abraço meu velho”. Vejam se isso são modos de tratar um ex-presidente, e ainda mais da estatura de JK. Mas o presidente não se ofendeu, e o encontro acabou com Milton e a turma cantando para ele a canção “beco do mota”. O presidente riu, sabendo que o "beco", ao qual a canção se referia, era aquele lugar de "recreação" masculina, em frente à arquidiocese da cidade (a canção termina com o verso “o Brasil é o beco do Mota).

     Delícias de histórias vão correndo pela pena do Márcio sem que possamos nos dar conta da passagem do tempo. O relato é vertiginoso e tem a pressa e a angústia daqueles tempos. Mas acima de tudo, o mistério Minas continua, o mistério Milton permanece a nos desafiar. A desafiar novos corações e mentes que se debrucem sobre ele. Ver tudo aquilo que aconteceu pelos olhos e pelo texto de Márcio Borges é uma experiência que vale a pena. É coisa para rir e chorar, mas acima de tudo para se orgulhar da síntese estético-musical engendrada por aquela turma das Geraes.

domingo, 24 de abril de 2011

CHOMSKY E AS ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

 O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças
decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reaçã o-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessemsido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irámelhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como
se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA
MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

SR. SKINNER (NÃO É O DOS SIMPSONS)

Vídeo histórico (legendado) do psicólogo estadunidense B. F. Skinner (foi ele quem serviu de inspiração para Matt Growing criar o personagem professor Skinner, da série "os Simpsons"), no qual ele apresenta a máquina de ensinar. Skinner era adepto daquela linha behaviorista e, não obstante suas contribuições, via as coisas meio mecanicamente, me parece. Ele não se preocupava muito com as questões sócio-culturais que envolviam os seres. Sua preocupação, ou ênfase, estava nas reações biológicas dos seres vivos. Essa mesma crítica se fazia a Piaget, por exemplo. Quem escapou disso, segundo alguns estudiosos, foi Vigotsky, para quem os aspectos culturais eram da maior importância quando se falava em aprendizagem. Vejam o vídeo:

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quem vai fazer o CQC do CQC?

  Tenho vários amigos (acho que a maioria) que adoram o progrma CQC, da Rede Bandeirantes. Fico sempre em palpos de aranha quando alguém conta uma passagem engraçada do programa e pergunta se eu assisti. Não nego que eles sejam engraçados, inteligentes, talentosos e até simpáticos. Mas é que tem uma questão de fundo que me incomoda: programas como o CQC são, mais do que os tele-jornais, a ponta-de-lança das empresas midiáticas para atuarem (sem que tenham sido eleitos para isso) como a salvaguarda dos interesses maiores da sociedade. Ora, ora, no máximo eles são a salvaguarda dos interesses maiores da própria empresa que defendem. Há hoje no meio dos estudiosos das relações entre mídia e poder a clara e distinta compreensão de que as mídias se colocam como instância de poder (o chamado quarto poder) disputando o espaço de legitimação com os tradicionais poderes constituídos. Vejam os casos da RCTV na Venezuela; da Rede Fox nos Estados Unidos; e do Instituto Millenium no Brasil, que nas última eleições falavam abertamente em impedir que Dilma Roussef ganhasse as eleições (isso é tarefa de partidos políticos e não de institutos que congregam empresas de comunicação, sendo que algumas delas sob regime de concessão)
   CQC pretende vender uma imagem de que age de forma livre e independente, sempre voltado para denunciar os desmandos praticados contra os interesses da maioria. Mas será assim mesmo? Reparem que este programa jamais fará uma denúncia sobre o Agronegócio e seu uso abusivo de pesticida e sua defesa empedernida do latifúndio, por exemplo. Sabem porquê??? Porque o dono da Rede Bandeirantes, patrões dos rapazes do CQC, é o Sr. João Carlos Saad, membro em nível de direção de entidades ruralistas ligados ao agronegócio brasileiro, e que usa o seu "jornal da band" para fazer matérias (sem direito a contradito, ferindo de morte a ética jornalística) absolutamente tendenciosas contra o movimento social rural.
  Claro que o nosso congresso é cheio de vícios. Claro que em alguns momentos temos vontade de jogar uma bomba lá. Mas a prática sistemática é a de desmoralizá-lo esvanziando-o como instância legítima e assumindo o trono da defesa da moral e dos bons costumes. Não esqueço de uma entrevista do Marcelo Tás sobre comunicação quando ele se mostrou um grande defensor dessa lenga-lenga de mercado regulador para as comunicações, que a criação de uma regulação pública não era legal, fazendo com isso coro ao discurso dos donos de mídia privada do Brasil. Estranhei porque na época ele trabalhava na TV Cultura, mas tudo ficou mais claro quando logo e seguida ele foi trabalhar na Band. 
   Finalmente eu pergunto: quem vai fazer o CQC do CQC??


ps. para entender bem as relações entre mídia e poder eu aconselho o livro do professor da Getúlio Vargas SP, Francisco Fonseca, intitulado justamente "Mídia e Poder". O livro está disponível gratuitamente na rede.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrevista com Gil

Gil compõe, canta e toca. Mas Gil também pensa e reflete sobre o mundo ao seu redor. Aqui ele fala um pouco sobre os novos processos de criação e recepção que estão em curso.


Gilberto Gil from FLi Multimídia on Vimeo.

sábado, 2 de abril de 2011

O DESAGUE DE THOMAS SABOGA

Artigo publicado originalmente no jornal Pôr-do-sol
por Ricardo Moreno


          Já não é de hoje que a música instrumental brasileira é uma promessa. É claro que ela já teve seu esplendor no final do século XIX, com Chiquinha Gonzaga, Nazareth, João Pernambuco e outros bambas, e depois atravessou o século XX com outros craques do ramo. Mas uma música instrumental mais contemporânea, vamos dizer assim, vai talvez ganhar um fôlego mais consistente na obra de dois grandes da música brasileira: Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal. Com elementos do jazz, mas com uma base rítmico-melódica absolutamente brasileira esses dois compositores deram uma ossatura vigorosa ao que podemos chamar de música popular instrumental brasileira. Ale disso, a música produzida por esses dois se inscrevem naquela área indefinida que poderíamos chamar, como falamos aqui mesmo sobre o compositor Chico Mário, de música de fronteira.


          Pois é, todo esse preâmbulo foi para falar do disco “O desague” do músico-violonista e compositor Thomas Saboga interpretado pelo fabuloso Quarteto Impresons. O quarteto é formado por um pessoal jovem, porém de primeiríssima linha: Larissa Goretkin na flauta; Renata Neves no violino; o já experiente Matias Correa no contrabaixo; e o próprio Thomas no violão. Esse pessoal se conheceu musicalmente na UNIRIO, no curso de música e após algumas apresentações no ambiente acadêmico da universidade o grupo foi percebendo que tinha espaço para pensar em outros vôos. Eu mesmo os vi tocando na universidade, e tornei-me mais um dos tantos entusiastas do grupo, e em particular das composições de Thomas.


      Ouve-se nas melodias do disco, muitas referências e sotaques. Percebe-se ali um cruzamento que vai de Capiba, como disse o compositor Guinga em brilhante texto de contracapa, ao argentino Astor Piazzolla, como digo eu. Como o leitor pode ver, não é pouca coisa. No quarteto não há, como nas formações de Piazzolla, instrumentos de percussão, não obstante a função percussiva estar presente nos ataques feitos pelos instrumentos harmônico-melódicos. Os timbres são também um aspecto forte da obra, pois as combinações de flauta e violino que se dobram em muitas passagens produz um colorido bonito e especial. Mas ocorrem também outros momentos, como na belíssima “Seresta em forma de profecia”, um jogo de contracanto entre os dois instrumentos no qual eles vão se tecendo e compondo um ambiente sonoro belíssimo, com ares de novena sofisticada.
  
Há poucas mas distintas participações especiais, e estas ficam por conta do violão de Luís Carlos Barbieri (do antigo duo de vilões Barbieri-Schneiter) tocando na faixa feita por Thomas em sua homenagem: “choro por Barbieri”. A outra digníssima participação fica por conta da Mariana Bernardes, que para muitos já dispensa comentários. Mariana canta a única peça do disco que não é instrumental, cujo título é “Frevo Santa”, um frevo de melodia nada fácil de ser interpretada, mas que é executado com maestria por esta, que é para vários admiradores, um sopro novo no canto brasileiro.
O Violão do Thomas aparece discretamente no disco, e não há nenhuma faixa dedicada ao instrumento. Mas percebe-se facilmente que toda obra está calcada na linguagem desse instrumento. Não foi sem razão que o excelente violinista Marco Pereira, que também dá um depoimento no disco, chamou atenção para a eficiência com que Thomas insere o violão no quarteto.

      Enfim, senhoras e senhores, “O desague” é um disco que dialoga com a longa e digníssima tradição musical brasileira. Tanto em seu viés instrumental quanto em sua vertente cancionista. Thomas ouviu tudo e digeriu como só os grande criadores sabem fazê-lo. Cabe agora aos mediadores, aqueles que estão entre os criadores e os consumidores: Distribuidores, animadores culturais, chefes de departamento em secretarias de cultura e empresários, estarem a altura dos criadores brasileiros, e em particular deste jovem criador chamado Thomas Saboga. Depois não digam que não avisei...

O QUE DEVEMOS SABER??

Em um mundo altamente tecnologizado fica cada vez mais difícil para o cidadão comum "tomar pé" da situação. Aliás essa é uma tônica da vida moderna desde as revoluções industriais. Me lembra até uma passagem do livro "a condição humana" de Hannah Arendt quando ela diz que as verdades emanadas do mundo científico, não obstante possam ser demonstradas por fórmulas matemáticas e comprovadas tecnologicamente, "já não se prestam à expressão normal da fala e do raciocínio". Essa hiato apontado pela filósofa é uma marca da condição moderna na medida em que cada vez mais se torna difícil refletir sobre coisas que interferem diretamente nas nossas vidas. É um hiato perigoso...
Nesse documentário o tema é a "obsolescência programada" ou planejada. Trata-se de um artifício usado largamente pela indústria sob os auspícios da ciência no qual a vida útil de um produto é planejada para durar menos do que poderia de fato durar. Isso não é novo, e já foi denunciado várias vezes, mas agora passa a ser, talvez, mais explicitado através de mídias alternativas (não estou certo que possamos chamá-las assim) de modo que o cidadão comum pode e deve refletir sobre o que está em jogo. Creio que haja aí uma dupla inserção: uma como consumidor e outra como cidadão, porque o lixo gerado por essa lógica é altamente destrutiva quando se pensa em seu grande volume, como veremos no documentário abaixo. O mesmo foi realizado pela TVE espanhola.

quinta-feira, 31 de março de 2011

MÚSICA DE TRABALHO

Muito interessante essa série sobre música feita pelo jornal da band. São vários episódios, e nesse aqui o foco é a música de trabalho.

sábado, 26 de março de 2011

Vídeo imperdível

Vídeo de 1975 quando Alceu, Zé Ramalho e Lula Cortes defenderam a canção "Vou danado prá Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.

Pequena galeria de fotos de Lula Cortes

 Disco de 1980. Excelente!!!! Muito xote, frevo com guitarras, temas indianos, tricórdio elétrico e o escambau...
Com Zé Ramalho no mitológico álbum "Paebirú". Nos últimos tempos

Com Alceu e Zé Ramalho, artista com os quais compôs várias músicas, tais como "a noite preta", "arreio de prata" que é só dele, mas que Alceu gravou. Essa foto foi de quando em 1975 eles defenderam "vou danado pra Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.









Nos últimos tempos...















Quando andou gravando com a banda "má companhia". Um trabalho mais rock

Aqui a capa de um dos discos mais legais de Lula. "O gosto novo da vida". Esse disco era pra "acontecer" no Brasil todo. Esse era o projeto. Mas parece que Lula não conseguia se adequar.

Cantando com a banda "má companhia"

capa do "paebirú"

Falecimento de Lula Côrtes

Acabei de saber do falecimento do cantor e compositor Lula Côrtes. Imediatamente senti vontade de encontrar todos meus amigos de adolescência. Isso porque Lula foi um daqueles avatares da minha juventude. Um daqueles artistas que mobilizam nossa sensibilidade de um jeito que não podemos mais continuar sendo o mesmo depois de ouví-los. Meu encontro com a música de Lula foi, como diz o título desse blog, um encontro radical. Lula pertenceu a uma geração que nos deu Alceu Valença e Geraldo Azevedo, mas esses, não obstante o enorme talento que tinham e têm, eram os mais conhecidos de um grupo muito grande. Tinha Flaviola, Marco Polo, Marconi Notaro e outros. Mas Lula Cortes era quem melhor traduzia minha sensibilidade. Com uma voz rascante e uma potência poética vigorosa Lula foi um dos primeiros artistas a fundir o rock com as "levadas nordestinas". Foi um dos pais musicais de Chico Science. A gravação que segue abaixo chama-se "desengano" e abre o disco "o gosto novo da vida", que era um projeto para fazer Lula "acontecer" no Brasil inteiro, assim como já tinha acontecido com Geraldo Azevedo e Alceu. O projeto não deslanchou, mas o disco resultou muito bonito.
Segue, então, abaixo, uma pequena homenagem a esse grande artista, músico, inventor de instrumentos, artista plástico Lula Côrtes.



DESENGANO

Toda vez que olho o desengano
Nas frases do canto fosco dessa juventude
Sinto meu sorriso magro,
Meu rosto suado se encarquilhar
E quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
E quando me deprimo e curvo os ombros pra pensar
Penso nos martíos,
Todos os delírios loucos que vivenciamos
E vejo por quanto anos nos aventuramos querendo voar
Voar pra sair de perto,
De todo deserto desses abandonos,
E constatando o desengano se despedaçar.
Desfeito em pedaços,
Sigo no encalço desse sonho
Vejo meu sorriso magro,
Coração amargo se atrapalhar
Quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
Quando abro os olhos, olhos claros para o mar.

terça-feira, 22 de março de 2011

AGROTÓXICO E LEITE MATERNO

Soja usa 5 milhões de litros de agrotóxico e chega ao leite materno em MT
Thais Tomie
Redação 24 Horas News


O município de Lucas do Rio Verde, localizado ao norte do Estado,  é caracterizado como segundo maior produtor de grãos do Estado. Em 2009 cultivou 410 mil hectares de soja e milho.Para isso,  utilizou nada mais nada menos que cerca de 5 milhões de litros de agrotóxicos. Bom para a indústria, bom para os negócios, péssimo para a saúde da população. Principalmente de mães, cujos filhos estão em idade de amamentação. Uma pesquisa revelou a presença de agrotóxico no leite materno das gestantes que residem no município. Isso mesmo: agrotóxico no leite materno.
“Após a aplicação, parte desses produtos atinge a peste alvo, enquanto que o restante pode ser disperso no ambiente e acumular-se no organismo humano” – explica Danielly Cristina de Andrade Palma, mestranda em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso. Nas amostras de leite coletadas de 62 nutrizes, foram encontradas pelo menos um tipo de agrotóxico. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.
O estudo é uma alerta para os moradores da região, pois os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental, alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 114,37 litros de agrotóxicos por habitante na safra agrícola de 2009/2010..
“Por suas características fisiológicas e vulnerabilidade à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, este leite ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos à saúde” – diz a pesquisadora.
De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Edu Pascosk, o que aconteceu no município foi um fato esporádico que ocorreu devido a uma pulverização de uma aeronave que passou dentro do perímetro urbano. “todas as providências já foram tomadas e os agricultores estão seguindo normalmente a legislação federal”, informou.
O município é considerado o segundo maior produtor de grãos do Estado. E para o agronegócio, o lucro pode estar acima da vida. Diante dos fatos, parece que o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada, contaminando o leite da maioria das mães.

domingo, 20 de março de 2011

A HISTÓRIA SIONISTA



(Israel, 2009, 75 min. - Direção: Berek Joselewicz)
Árabes e judeus viveram em uma grande harmonia em qualquer dos lugares e continentes que estivessem por mais de 1.700 anos. Mas com a criação do sionismo, que buscava um lugar como país para os judeus, as coisas mudaram. Nas palavras de Teodoro Herzl, fundador do sionismo, em 1895, tratando de estabelecer o que seria a política sionista na Palestina, meio século antes de tomá-la, que perdura até os dias de hoje: “Vamos tratar de afugentar a miserável população local para fora das fronteiras”.
Através do documentário de Berek Joselewicz, um ex-soldado israelense - arrependido pela sua participação nas ocupações - conheça a truculência do sionismo que aterroriza todo o estado Palestino e o povo árabe com a limpeza étnica, as execuções, torturas e prisões sem julgamento de jovens, idosos, crianças e mulheres sob o falso argumento de que estão se defendendo. (docverdade)

Comentários do diretor: "(...)A História Sionista, tem o objetivo de apresentar não apenas a história do conflito entre Israel e a Palestina, mas também a principal razão para isso: a ideologia sionista, seus objetivos (passado e presente) e sua dureza, não só na sociedade israelense, mas também, cada vez mais, sobre a percepção das questões do Oriente Médio e nas democracias ocidentais.

Esses conceitos já foram demonstrados no excelente documentárioOcupação 101, feito por Abdallah Omeish e Sufyan Omeish, mas meu documentário aborda o assunto sob a perspectiva de um ex-soldado israelense da reserva, e alguém que passou toda a sua vida na sombra do sionismo.

Eu espero que você possa encontrar um momento para assistir a história sionista e, se gostar, por favor, sinta-se livre para compartilhar com os outros. (Tanto como o documentário e as imagens arquivadas utilizados são apenas para fins educacionais, o filme pode ser distribuído livremente).”


do blog docverdade.blogspot.com

REDUTOS LIBERAIS (NEO?) AINDA FAZEM BARULHO NA IMPRENSA BRASILEIRA

      Recentemente o site "Brasil Música" fez um pequeno artigo respondendo um editorial do jornal O Globo. Mesmo com toda derrocada da gestão liberal pelo mundo, ainda se insiste por aqui pelas editorias jornalísticas em fingir que nada aconteceu e continuar receitando medidas falidas. Claro que as propostas de esvaziar o estado retirando seu poder de decisão em certas meios (como as comunicações, por exemplo) vem num pacote de ótimas intenções democráticas, afirmando que as decisões do estado são medidas autoritárias etc. O mais irônico nisso tudo é que esse argumento em defesa da democracia vem justamente de setores que apoiaram e se benficiaram do golpe militar de 1964, e este é o caso das empresas "Globo".
      Gostei da resposta do site e a reproduzo aqui. Em seguida meu comentário enviado ao site.

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UMA ONDA DE AUTORITARISMO NO BRASIL

Este é o título do Editorial de O Globo deste sábado. O artigo discorre sobre um suposto estreitamento de liberdades democráticas nos últimos 8 anos, que teria se dado ‘pelo desembarque do PT em Brasília’. Ações decorrentes da atuação do Ministério da Cultura são citadas, como por exemplo, a proposta de criação da ANCINAVE e o projeto de revisão da lei de direitos autorais, entre outros.  Paradoxalmente, o editorial reputa o ‘resgate do projeto de revisão dos direitos autorais da casa civil’ como uma medida saudável.
Em primeiro lugar cabe ressaltar que o Ministério da Cultura no governo anterior não estava sob comando do PT, e sim do PV. O PV teve candidatura própria na corrida presidencial e esta foi uma das razões para a troca de Ministro quando a candidata Dilma Roussef venceu as eleições: colocar o MinC nas mãos do PT, representado por Ana de Hollanda e pelo presidente da Funarte Antônio Grassi. A partir do governo atual, mais que antes, podemos atribuir os encaminhamentos do Ministério da Cultura ao PT.
Em segundo lugar, não nos parece adequado relacionar o episódio da tentativa de criação de um órgão – ANCINAVE – a um ‘viés interventor’. De um lado é correto questionarmos até que ponto o Estado deve ingerir em setores da Economia. Podemos nos perguntar se uma maior fiscalização do governo americano sobre seu sistema financeiro teria evitado as terríveis consequencias da crise de 2008, com prejuízos espalhados por todo o mundo e reflexos políticos, financeiros e sociais até os dias de hoje. Devemos questionar por que as conceituadas agências de risco Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s não teriam previsto a catástrofe.  De outro lado, nos parece que a retirada de pauta de um projeto de criação de uma agência reguladora é mais uma prova de amadurecimento democrático, e não de autoritarismo.
Por fim, a tentativa de envolver propostas completamente diferentes sob um mesmo manto genericamente designado de ‘dirigista’ ou de ‘intervencionista’ ou de ‘tolhedor de liberdades’ é equivocado. A reforma da lei de direitos autorais é uma ação absolutamente necessária e urgente para o país. Temos uma das leis mais restritivas do mundo. A 9.610/98 proíbe, por exemplo, a cópia de um CD legalmente adquirido para um player digital de propriedade do adquirente. A sociedade e os criadores precisam de uma resposta rápida; e que inclui o poder público. No documento chamado ‘A Terceira Via para o Direito Autoral’, foram muito bem sintetizadas estas questões: “A solução do problema virá de uma combinação de leis, infraestrutora, mudança cultural, colaboração institucional e melhores modelos de negócio.” Estamos, especialmente aqui no Brasil, muito atrasados para o encaminhamento de uma solução. Nossos jornais deveriam contribuir para a qualificação do debate, e não para a polarização ideológica inócua.

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Meu comentário enviado ao site:

Excelente resposta dada ao Globo. Realmente o viés ideológico do jornal é evidente, pois acredita na fantasia neo-liberal, tratando qualqer forma de regulação pública como "intervencionismo", "dirigismo" ou coisas parecida. Creio que estejamos mais maduros como sociedade para não cairmos mais nesse tipo de argumentação rasteira. A desregulamentação da economia e outros setores trouxe mais prejuízos que avanços. No caso da América Latina então nem se fala, pois os índices de exclusção social por aqui tornou a vaga liberal ainda mais cruel.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A vida em 4 minutos