sexta-feira, 22 de abril de 2011

SR. SKINNER (NÃO É O DOS SIMPSONS)

Vídeo histórico (legendado) do psicólogo estadunidense B. F. Skinner (foi ele quem serviu de inspiração para Matt Growing criar o personagem professor Skinner, da série "os Simpsons"), no qual ele apresenta a máquina de ensinar. Skinner era adepto daquela linha behaviorista e, não obstante suas contribuições, via as coisas meio mecanicamente, me parece. Ele não se preocupava muito com as questões sócio-culturais que envolviam os seres. Sua preocupação, ou ênfase, estava nas reações biológicas dos seres vivos. Essa mesma crítica se fazia a Piaget, por exemplo. Quem escapou disso, segundo alguns estudiosos, foi Vigotsky, para quem os aspectos culturais eram da maior importância quando se falava em aprendizagem. Vejam o vídeo:

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quem vai fazer o CQC do CQC?

  Tenho vários amigos (acho que a maioria) que adoram o progrma CQC, da Rede Bandeirantes. Fico sempre em palpos de aranha quando alguém conta uma passagem engraçada do programa e pergunta se eu assisti. Não nego que eles sejam engraçados, inteligentes, talentosos e até simpáticos. Mas é que tem uma questão de fundo que me incomoda: programas como o CQC são, mais do que os tele-jornais, a ponta-de-lança das empresas midiáticas para atuarem (sem que tenham sido eleitos para isso) como a salvaguarda dos interesses maiores da sociedade. Ora, ora, no máximo eles são a salvaguarda dos interesses maiores da própria empresa que defendem. Há hoje no meio dos estudiosos das relações entre mídia e poder a clara e distinta compreensão de que as mídias se colocam como instância de poder (o chamado quarto poder) disputando o espaço de legitimação com os tradicionais poderes constituídos. Vejam os casos da RCTV na Venezuela; da Rede Fox nos Estados Unidos; e do Instituto Millenium no Brasil, que nas última eleições falavam abertamente em impedir que Dilma Roussef ganhasse as eleições (isso é tarefa de partidos políticos e não de institutos que congregam empresas de comunicação, sendo que algumas delas sob regime de concessão)
   CQC pretende vender uma imagem de que age de forma livre e independente, sempre voltado para denunciar os desmandos praticados contra os interesses da maioria. Mas será assim mesmo? Reparem que este programa jamais fará uma denúncia sobre o Agronegócio e seu uso abusivo de pesticida e sua defesa empedernida do latifúndio, por exemplo. Sabem porquê??? Porque o dono da Rede Bandeirantes, patrões dos rapazes do CQC, é o Sr. João Carlos Saad, membro em nível de direção de entidades ruralistas ligados ao agronegócio brasileiro, e que usa o seu "jornal da band" para fazer matérias (sem direito a contradito, ferindo de morte a ética jornalística) absolutamente tendenciosas contra o movimento social rural.
  Claro que o nosso congresso é cheio de vícios. Claro que em alguns momentos temos vontade de jogar uma bomba lá. Mas a prática sistemática é a de desmoralizá-lo esvanziando-o como instância legítima e assumindo o trono da defesa da moral e dos bons costumes. Não esqueço de uma entrevista do Marcelo Tás sobre comunicação quando ele se mostrou um grande defensor dessa lenga-lenga de mercado regulador para as comunicações, que a criação de uma regulação pública não era legal, fazendo com isso coro ao discurso dos donos de mídia privada do Brasil. Estranhei porque na época ele trabalhava na TV Cultura, mas tudo ficou mais claro quando logo e seguida ele foi trabalhar na Band. 
   Finalmente eu pergunto: quem vai fazer o CQC do CQC??


ps. para entender bem as relações entre mídia e poder eu aconselho o livro do professor da Getúlio Vargas SP, Francisco Fonseca, intitulado justamente "Mídia e Poder". O livro está disponível gratuitamente na rede.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrevista com Gil

Gil compõe, canta e toca. Mas Gil também pensa e reflete sobre o mundo ao seu redor. Aqui ele fala um pouco sobre os novos processos de criação e recepção que estão em curso.


Gilberto Gil from FLi Multimídia on Vimeo.

sábado, 2 de abril de 2011

O DESAGUE DE THOMAS SABOGA

Artigo publicado originalmente no jornal Pôr-do-sol
por Ricardo Moreno


          Já não é de hoje que a música instrumental brasileira é uma promessa. É claro que ela já teve seu esplendor no final do século XIX, com Chiquinha Gonzaga, Nazareth, João Pernambuco e outros bambas, e depois atravessou o século XX com outros craques do ramo. Mas uma música instrumental mais contemporânea, vamos dizer assim, vai talvez ganhar um fôlego mais consistente na obra de dois grandes da música brasileira: Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal. Com elementos do jazz, mas com uma base rítmico-melódica absolutamente brasileira esses dois compositores deram uma ossatura vigorosa ao que podemos chamar de música popular instrumental brasileira. Ale disso, a música produzida por esses dois se inscrevem naquela área indefinida que poderíamos chamar, como falamos aqui mesmo sobre o compositor Chico Mário, de música de fronteira.


          Pois é, todo esse preâmbulo foi para falar do disco “O desague” do músico-violonista e compositor Thomas Saboga interpretado pelo fabuloso Quarteto Impresons. O quarteto é formado por um pessoal jovem, porém de primeiríssima linha: Larissa Goretkin na flauta; Renata Neves no violino; o já experiente Matias Correa no contrabaixo; e o próprio Thomas no violão. Esse pessoal se conheceu musicalmente na UNIRIO, no curso de música e após algumas apresentações no ambiente acadêmico da universidade o grupo foi percebendo que tinha espaço para pensar em outros vôos. Eu mesmo os vi tocando na universidade, e tornei-me mais um dos tantos entusiastas do grupo, e em particular das composições de Thomas.


      Ouve-se nas melodias do disco, muitas referências e sotaques. Percebe-se ali um cruzamento que vai de Capiba, como disse o compositor Guinga em brilhante texto de contracapa, ao argentino Astor Piazzolla, como digo eu. Como o leitor pode ver, não é pouca coisa. No quarteto não há, como nas formações de Piazzolla, instrumentos de percussão, não obstante a função percussiva estar presente nos ataques feitos pelos instrumentos harmônico-melódicos. Os timbres são também um aspecto forte da obra, pois as combinações de flauta e violino que se dobram em muitas passagens produz um colorido bonito e especial. Mas ocorrem também outros momentos, como na belíssima “Seresta em forma de profecia”, um jogo de contracanto entre os dois instrumentos no qual eles vão se tecendo e compondo um ambiente sonoro belíssimo, com ares de novena sofisticada.
  
Há poucas mas distintas participações especiais, e estas ficam por conta do violão de Luís Carlos Barbieri (do antigo duo de vilões Barbieri-Schneiter) tocando na faixa feita por Thomas em sua homenagem: “choro por Barbieri”. A outra digníssima participação fica por conta da Mariana Bernardes, que para muitos já dispensa comentários. Mariana canta a única peça do disco que não é instrumental, cujo título é “Frevo Santa”, um frevo de melodia nada fácil de ser interpretada, mas que é executado com maestria por esta, que é para vários admiradores, um sopro novo no canto brasileiro.
O Violão do Thomas aparece discretamente no disco, e não há nenhuma faixa dedicada ao instrumento. Mas percebe-se facilmente que toda obra está calcada na linguagem desse instrumento. Não foi sem razão que o excelente violinista Marco Pereira, que também dá um depoimento no disco, chamou atenção para a eficiência com que Thomas insere o violão no quarteto.

      Enfim, senhoras e senhores, “O desague” é um disco que dialoga com a longa e digníssima tradição musical brasileira. Tanto em seu viés instrumental quanto em sua vertente cancionista. Thomas ouviu tudo e digeriu como só os grande criadores sabem fazê-lo. Cabe agora aos mediadores, aqueles que estão entre os criadores e os consumidores: Distribuidores, animadores culturais, chefes de departamento em secretarias de cultura e empresários, estarem a altura dos criadores brasileiros, e em particular deste jovem criador chamado Thomas Saboga. Depois não digam que não avisei...

O QUE DEVEMOS SABER??

Em um mundo altamente tecnologizado fica cada vez mais difícil para o cidadão comum "tomar pé" da situação. Aliás essa é uma tônica da vida moderna desde as revoluções industriais. Me lembra até uma passagem do livro "a condição humana" de Hannah Arendt quando ela diz que as verdades emanadas do mundo científico, não obstante possam ser demonstradas por fórmulas matemáticas e comprovadas tecnologicamente, "já não se prestam à expressão normal da fala e do raciocínio". Essa hiato apontado pela filósofa é uma marca da condição moderna na medida em que cada vez mais se torna difícil refletir sobre coisas que interferem diretamente nas nossas vidas. É um hiato perigoso...
Nesse documentário o tema é a "obsolescência programada" ou planejada. Trata-se de um artifício usado largamente pela indústria sob os auspícios da ciência no qual a vida útil de um produto é planejada para durar menos do que poderia de fato durar. Isso não é novo, e já foi denunciado várias vezes, mas agora passa a ser, talvez, mais explicitado através de mídias alternativas (não estou certo que possamos chamá-las assim) de modo que o cidadão comum pode e deve refletir sobre o que está em jogo. Creio que haja aí uma dupla inserção: uma como consumidor e outra como cidadão, porque o lixo gerado por essa lógica é altamente destrutiva quando se pensa em seu grande volume, como veremos no documentário abaixo. O mesmo foi realizado pela TVE espanhola.

quinta-feira, 31 de março de 2011

MÚSICA DE TRABALHO

Muito interessante essa série sobre música feita pelo jornal da band. São vários episódios, e nesse aqui o foco é a música de trabalho.

sábado, 26 de março de 2011

Vídeo imperdível

Vídeo de 1975 quando Alceu, Zé Ramalho e Lula Cortes defenderam a canção "Vou danado prá Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.

Pequena galeria de fotos de Lula Cortes

 Disco de 1980. Excelente!!!! Muito xote, frevo com guitarras, temas indianos, tricórdio elétrico e o escambau...
Com Zé Ramalho no mitológico álbum "Paebirú". Nos últimos tempos

Com Alceu e Zé Ramalho, artista com os quais compôs várias músicas, tais como "a noite preta", "arreio de prata" que é só dele, mas que Alceu gravou. Essa foto foi de quando em 1975 eles defenderam "vou danado pra Catende" de Alceu sobre poema de Ascenso Ferreira.









Nos últimos tempos...















Quando andou gravando com a banda "má companhia". Um trabalho mais rock

Aqui a capa de um dos discos mais legais de Lula. "O gosto novo da vida". Esse disco era pra "acontecer" no Brasil todo. Esse era o projeto. Mas parece que Lula não conseguia se adequar.

Cantando com a banda "má companhia"

capa do "paebirú"

Falecimento de Lula Côrtes

Acabei de saber do falecimento do cantor e compositor Lula Côrtes. Imediatamente senti vontade de encontrar todos meus amigos de adolescência. Isso porque Lula foi um daqueles avatares da minha juventude. Um daqueles artistas que mobilizam nossa sensibilidade de um jeito que não podemos mais continuar sendo o mesmo depois de ouví-los. Meu encontro com a música de Lula foi, como diz o título desse blog, um encontro radical. Lula pertenceu a uma geração que nos deu Alceu Valença e Geraldo Azevedo, mas esses, não obstante o enorme talento que tinham e têm, eram os mais conhecidos de um grupo muito grande. Tinha Flaviola, Marco Polo, Marconi Notaro e outros. Mas Lula Cortes era quem melhor traduzia minha sensibilidade. Com uma voz rascante e uma potência poética vigorosa Lula foi um dos primeiros artistas a fundir o rock com as "levadas nordestinas". Foi um dos pais musicais de Chico Science. A gravação que segue abaixo chama-se "desengano" e abre o disco "o gosto novo da vida", que era um projeto para fazer Lula "acontecer" no Brasil inteiro, assim como já tinha acontecido com Geraldo Azevedo e Alceu. O projeto não deslanchou, mas o disco resultou muito bonito.
Segue, então, abaixo, uma pequena homenagem a esse grande artista, músico, inventor de instrumentos, artista plástico Lula Côrtes.



DESENGANO

Toda vez que olho o desengano
Nas frases do canto fosco dessa juventude
Sinto meu sorriso magro,
Meu rosto suado se encarquilhar
E quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
E quando me deprimo e curvo os ombros pra pensar
Penso nos martíos,
Todos os delírios loucos que vivenciamos
E vejo por quanto anos nos aventuramos querendo voar
Voar pra sair de perto,
De todo deserto desses abandonos,
E constatando o desengano se despedaçar.
Desfeito em pedaços,
Sigo no encalço desse sonho
Vejo meu sorriso magro,
Coração amargo se atrapalhar
Quando franzo a testa,
E são suo o rosto cor de madrugada
Quando abro os olhos, olhos claros para o mar.

terça-feira, 22 de março de 2011

AGROTÓXICO E LEITE MATERNO

Soja usa 5 milhões de litros de agrotóxico e chega ao leite materno em MT
Thais Tomie
Redação 24 Horas News


O município de Lucas do Rio Verde, localizado ao norte do Estado,  é caracterizado como segundo maior produtor de grãos do Estado. Em 2009 cultivou 410 mil hectares de soja e milho.Para isso,  utilizou nada mais nada menos que cerca de 5 milhões de litros de agrotóxicos. Bom para a indústria, bom para os negócios, péssimo para a saúde da população. Principalmente de mães, cujos filhos estão em idade de amamentação. Uma pesquisa revelou a presença de agrotóxico no leite materno das gestantes que residem no município. Isso mesmo: agrotóxico no leite materno.
“Após a aplicação, parte desses produtos atinge a peste alvo, enquanto que o restante pode ser disperso no ambiente e acumular-se no organismo humano” – explica Danielly Cristina de Andrade Palma, mestranda em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso. Nas amostras de leite coletadas de 62 nutrizes, foram encontradas pelo menos um tipo de agrotóxico. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.
O estudo é uma alerta para os moradores da região, pois os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental, alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 114,37 litros de agrotóxicos por habitante na safra agrícola de 2009/2010..
“Por suas características fisiológicas e vulnerabilidade à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, este leite ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos à saúde” – diz a pesquisadora.
De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Edu Pascosk, o que aconteceu no município foi um fato esporádico que ocorreu devido a uma pulverização de uma aeronave que passou dentro do perímetro urbano. “todas as providências já foram tomadas e os agricultores estão seguindo normalmente a legislação federal”, informou.
O município é considerado o segundo maior produtor de grãos do Estado. E para o agronegócio, o lucro pode estar acima da vida. Diante dos fatos, parece que o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada, contaminando o leite da maioria das mães.

domingo, 20 de março de 2011

A HISTÓRIA SIONISTA



(Israel, 2009, 75 min. - Direção: Berek Joselewicz)
Árabes e judeus viveram em uma grande harmonia em qualquer dos lugares e continentes que estivessem por mais de 1.700 anos. Mas com a criação do sionismo, que buscava um lugar como país para os judeus, as coisas mudaram. Nas palavras de Teodoro Herzl, fundador do sionismo, em 1895, tratando de estabelecer o que seria a política sionista na Palestina, meio século antes de tomá-la, que perdura até os dias de hoje: “Vamos tratar de afugentar a miserável população local para fora das fronteiras”.
Através do documentário de Berek Joselewicz, um ex-soldado israelense - arrependido pela sua participação nas ocupações - conheça a truculência do sionismo que aterroriza todo o estado Palestino e o povo árabe com a limpeza étnica, as execuções, torturas e prisões sem julgamento de jovens, idosos, crianças e mulheres sob o falso argumento de que estão se defendendo. (docverdade)

Comentários do diretor: "(...)A História Sionista, tem o objetivo de apresentar não apenas a história do conflito entre Israel e a Palestina, mas também a principal razão para isso: a ideologia sionista, seus objetivos (passado e presente) e sua dureza, não só na sociedade israelense, mas também, cada vez mais, sobre a percepção das questões do Oriente Médio e nas democracias ocidentais.

Esses conceitos já foram demonstrados no excelente documentárioOcupação 101, feito por Abdallah Omeish e Sufyan Omeish, mas meu documentário aborda o assunto sob a perspectiva de um ex-soldado israelense da reserva, e alguém que passou toda a sua vida na sombra do sionismo.

Eu espero que você possa encontrar um momento para assistir a história sionista e, se gostar, por favor, sinta-se livre para compartilhar com os outros. (Tanto como o documentário e as imagens arquivadas utilizados são apenas para fins educacionais, o filme pode ser distribuído livremente).”


do blog docverdade.blogspot.com

REDUTOS LIBERAIS (NEO?) AINDA FAZEM BARULHO NA IMPRENSA BRASILEIRA

      Recentemente o site "Brasil Música" fez um pequeno artigo respondendo um editorial do jornal O Globo. Mesmo com toda derrocada da gestão liberal pelo mundo, ainda se insiste por aqui pelas editorias jornalísticas em fingir que nada aconteceu e continuar receitando medidas falidas. Claro que as propostas de esvaziar o estado retirando seu poder de decisão em certas meios (como as comunicações, por exemplo) vem num pacote de ótimas intenções democráticas, afirmando que as decisões do estado são medidas autoritárias etc. O mais irônico nisso tudo é que esse argumento em defesa da democracia vem justamente de setores que apoiaram e se benficiaram do golpe militar de 1964, e este é o caso das empresas "Globo".
      Gostei da resposta do site e a reproduzo aqui. Em seguida meu comentário enviado ao site.

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UMA ONDA DE AUTORITARISMO NO BRASIL

Este é o título do Editorial de O Globo deste sábado. O artigo discorre sobre um suposto estreitamento de liberdades democráticas nos últimos 8 anos, que teria se dado ‘pelo desembarque do PT em Brasília’. Ações decorrentes da atuação do Ministério da Cultura são citadas, como por exemplo, a proposta de criação da ANCINAVE e o projeto de revisão da lei de direitos autorais, entre outros.  Paradoxalmente, o editorial reputa o ‘resgate do projeto de revisão dos direitos autorais da casa civil’ como uma medida saudável.
Em primeiro lugar cabe ressaltar que o Ministério da Cultura no governo anterior não estava sob comando do PT, e sim do PV. O PV teve candidatura própria na corrida presidencial e esta foi uma das razões para a troca de Ministro quando a candidata Dilma Roussef venceu as eleições: colocar o MinC nas mãos do PT, representado por Ana de Hollanda e pelo presidente da Funarte Antônio Grassi. A partir do governo atual, mais que antes, podemos atribuir os encaminhamentos do Ministério da Cultura ao PT.
Em segundo lugar, não nos parece adequado relacionar o episódio da tentativa de criação de um órgão – ANCINAVE – a um ‘viés interventor’. De um lado é correto questionarmos até que ponto o Estado deve ingerir em setores da Economia. Podemos nos perguntar se uma maior fiscalização do governo americano sobre seu sistema financeiro teria evitado as terríveis consequencias da crise de 2008, com prejuízos espalhados por todo o mundo e reflexos políticos, financeiros e sociais até os dias de hoje. Devemos questionar por que as conceituadas agências de risco Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s não teriam previsto a catástrofe.  De outro lado, nos parece que a retirada de pauta de um projeto de criação de uma agência reguladora é mais uma prova de amadurecimento democrático, e não de autoritarismo.
Por fim, a tentativa de envolver propostas completamente diferentes sob um mesmo manto genericamente designado de ‘dirigista’ ou de ‘intervencionista’ ou de ‘tolhedor de liberdades’ é equivocado. A reforma da lei de direitos autorais é uma ação absolutamente necessária e urgente para o país. Temos uma das leis mais restritivas do mundo. A 9.610/98 proíbe, por exemplo, a cópia de um CD legalmente adquirido para um player digital de propriedade do adquirente. A sociedade e os criadores precisam de uma resposta rápida; e que inclui o poder público. No documento chamado ‘A Terceira Via para o Direito Autoral’, foram muito bem sintetizadas estas questões: “A solução do problema virá de uma combinação de leis, infraestrutora, mudança cultural, colaboração institucional e melhores modelos de negócio.” Estamos, especialmente aqui no Brasil, muito atrasados para o encaminhamento de uma solução. Nossos jornais deveriam contribuir para a qualificação do debate, e não para a polarização ideológica inócua.

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Meu comentário enviado ao site:

Excelente resposta dada ao Globo. Realmente o viés ideológico do jornal é evidente, pois acredita na fantasia neo-liberal, tratando qualqer forma de regulação pública como "intervencionismo", "dirigismo" ou coisas parecida. Creio que estejamos mais maduros como sociedade para não cairmos mais nesse tipo de argumentação rasteira. A desregulamentação da economia e outros setores trouxe mais prejuízos que avanços. No caso da América Latina então nem se fala, pois os índices de exclusção social por aqui tornou a vaga liberal ainda mais cruel.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A vida em 4 minutos

quinta-feira, 10 de março de 2011

Música favorece recuperação de AVC

Escutar música nas fases iniciais de um Acidente Vascular Cerebral (Derrame) pode melhorar a recuperação do paciente, segundo um estudo da Universidade de Helsinki, Finlândia, publicado na revista médica “Brain”. Os pesquisadores descobriram que pacientes com AVC que ouviam música durante duas horas diárias recuperavam mais rapidamente a memória verbal e a capacidade de atenção. Assinalam que esta é a primeira vez que um efeito desse tipo é observado em humanos e acreditam que estes resultados terão importantes implicações na prática médica.

Durante o estudo, que durou seis meses e pesquisou 60 pacientes, observou-se que três meses depois do AVC a melhora verbal melhorava desde a primeira semana em 60% deles contra 29% dos que não escutavam nada. De forma similar, a atenção focalizada, a capacidade de controlar e realizar operações mentais e resolver conflitos entre respostas melhorou 17%. Além disso, descobriu-se que o grupo de pacientes que escutava música experimentou menos estados de depressão e confusão do que os pacientes do grupo controle.

Essas diferenças na recuperação cognitiva podem ser atribuídas diretamente ao efeito de ouvir música, chamando a atenção o fato de que a maioria das músicas acompanhada por voz sugeria que este componente musical, ou a combinação de música e voz teria um papel crucial na melhor recuperação dos pacientes. Esses resultados deverão ser replicados em estudos posteriores, sendo necessário investigar os mecanismos neurais que determinam a melhora. Por isso, houve o alerta de que a terapia com música não funciona em todos os pacientes, não é um tratamento alternativo, mas sim uma medida adicional a outras formas de terapia, como a reabilitação da linguagem ou a recuperação neurosociológica.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Consumindo maconha

Vejam o absurdo que aconteceu na cidade de Cruzeta, no Rio Grande do Norte. Uma planta muito útil e inclusa na farmacopéia brasileira gerou muitos problemas e acabou colocando em risco a própria liberdade dos usuários. Mas este, ao contrário da cotidiana resenha policial, não se trata de jovens drogados ou coisa parecida. São homens e mulheres do povo (até mesmo de uma idade provecta) que tiveram a infelicidade de conhecer os aspectos medicianais dessa planta. Lembro que na década de 1980 a polícia federal, dando um atestado extremo de ignorância, entrou na farmácia homeopática (Homeopatia De Faria) e confiscou todos os frascos de tintura que continha o princípio ativo da Cannabis Sativa. Um troféu à estupidez!!! Mas vejam aqui o depoimento dos moradores e, de certa forma, usuários:

Caetano e Gil em lados opostos sobre questões da gestão cultural

Estava demorando que viesse a público algumas divergências entre dois importantes artistas da música popular brasileira: Caetano Veloso e Gilberto Gil. A questão está situada na nova lei de direito autoral.  Gil acredita que com os novos aportes tecnológicos não é mais possível se pensar em uma configuração legal de um tempo pré-internet, e do outro lado Caetano diz "ninguém toca em um centavo dos meus direitos autorias", fincando pé em antigas fórmulas de vínculo entre autor e obra. 


  No meu entender o que acontece é que esse pessoal da elite da música popular brasileira, que tanto produziu para a glória de nosso cancioneiro, não se dá conta, como apontou o próprio Gil há um tempo atrás, que faz parte de uma elite, sim, e isso não é por princípio uma coisa do “mal”. Mas o que acontece é que eles estão parececendo aqueles “ludistas” do tempo da revolução industrial, que vivia quebrando máquinas porque estas iriam tirar os empregos de parte dos trabalhadores. E ia mesmo, pois estava havendo uma reconfiguração dos padrões de produção. Uma nova plataforma tecnológica colocava as coisas em outro patamar. Agora é isso que está acontecendo e a elite não se dá conta. O que fazer?? Repactuar novas leis, novos arranjos legais, etc. como propõe Gil, e não ficar optando por ações repressivas, que é isso que em última instância poderá acontecer caso se insista nas antigas formas de gerir a produção cultural. Gil está correto, e não é verdade que ele está deslumbrado com a internet. É Caetano e seus colegas que não se tocaram ainda das novas configurações em curso. Saúdo mais uma vez o ex-ministro e grande artista Gilberto Gil.

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Artigo de Marcus Preto para a FSP

Parceiros na criação do movimento tropicalista, em 1967, os dois acabaram se tornando, nas últimas semanas, símbolos da polarização de opiniões dos artistas da MPB na discussão em torno da lei de direito autoral.
Em 20 de janeiro, a ministra Ana de Hollanda retirou o selo Creative Commons do site do MinC, colocado na gestão de Gil (2003-2008).
As licenças Creative Commons tornam mais flexível o uso de obras artísticas (como liberação prévia para uso em blogs ou remixes), em contraposição ao “copyright” (no qual o artista precisa autorizar caso a caso).
De um lado do ringue, Gil entende que as flexibilidades das licenças CC estão mais de acordo com a era digital, com o mundo pós-internet.
Do outro lado, Caetano, apoiado pela maior parte dos compositores que entraram na discussão –Roberto Carlos, Joyce, Jorge Mautner e outros– se posicionou contra as CC, dizendo que “ninguém toca em um centavo dos meus direitos autorais”.
Em seguida, Gil criticou os opositores às CC de não levarem o diálogo para “uma dimensão esclarecedora”.
Procurado pela Folha no começo da semana passada, Caetano disse, por e-mail, que vestia a carapuça tecida pelo velho companheiro.
“Visto. Mas não me causa incômodo”, disse. “Eu não teria tocado no tema se a discussão, que o ministério Gil trouxe para dentro da política oficial, não me parecesse atraente e inevitável.”
STATUS QUO
“Pois está na hora de ele tirar a carapuça”, rebateu Gil, na quarta-feira passada, depois de fazer um show para internet. “De encarapuçados não precisamos. Todos têm que estar com suas feições claras, nítidas, à mostra, dizendo o que acham.”
E seguiu. “Foi sempre assim: os que defendem o novo têm que ter argumentos mais nítidos. Os que reagem, porque estão defendidos pelo status quo, não precisam disso, precisam apenas reagir.”
A reportagem retomou o assunto com Caetano, no dia seguinte. O músico chamou a paixão de Gil pelos avanços tecnológicos de “um pouco fascinada demais, tendendo para deslumbrada”.
“Gil escreveu [a canção] ‘Pela Internet’, mas, diferentemente de mim, não é uma pessoa de internet. Não é muito familiarizado, não anda muito nem no e-mail. Ele gosta mais é da ideia.”

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Educação pública não é só uma questão de "garra"

    
      Hoje, dia 23 de fevereiro de 2011, a secretária de educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, publicou em seu twitter uma frase que no meu entendimento é muito infeliz. Na tentativa de elogiar o empenho das professoras cujas escolas se sairam bem no IDEB, ela acaba produzindo uma pérola que opera na lógica do senso comum. Disse a secretária: 

"Saindo da Secretaria. Cansada, mas feliz! Impressionada com a garra das professoras das escolas com maiores IDEBs. Gente guerreira!"

 Ora, o que faz a secretária? Vincula o sucesso no IDEB de algumas escolas ao empenho e a "garra" de algumas professoras. Isso é, no meu entender, a saída mais voluntarista que se pode apontar, pois é como se dissesse que basta que todas as escolas, ou melhor, que todas as professoras reproduzam a mesma garra e o mesmo empenho que chegaremos lá. Ou ainda pior: as escolas que não alcançaram os bons índices foi por causa da falta de "garra" das professoras. 
    É possível que não tenha sido esta a intenção da secretária, mas seu discurso acaba por reforçar  uma tese que viceja em certos meios de que o que falta é esforço por parte do professorado. Outro dia mesmo eu vi uma matéria de um jornal na televisão, que dava conta de uma escola municipal na qual o ensino era de alto nível. Esperei para ver a matéria, imaginando que a referida escola ficava lá em Paciência, ou lá em Santa Cruz, ou em qualquer outra perifeira. Mas não, a escola era na Urca. Escola na qual parte das famílias dos alunos têm um nível bem alto de escolaridade, quando comparada com escolas da periferia, e que participam com mais intensidade na vida escolar. Mas eis que surge a diretora da escola sendo perguntada qual é o segredo do bom ensino. Ela não titubeia em afirmar que é só uma questão de empenho dos profisionais que lá trabalham. Que primor!!!
     Essa lógica voluntarista despreza aquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu teorizava sobre os capitias simbólicos e culturais de uma determinada sociedade, que por ser uma sociedade hierarquizada, distribui esses capitais diferentemente entre os grupos sociais que a integram. Bourdieu chega a dizer que a injustiça da educação pública, se referindo a realidade francesa, não estava em tratar diferentemente os gruos socias (ricos, médios e pobres), mas justamente pelo contrário: por tratá-los como iguais. Aí está, no seu entendimento, um dos núcleos da reprodução da desigualdade social praticada pela instituição escolar. Quando se trata como iguais grupos sociais que partilham diferentemente dos capitais culturais e sociais, está-se condenando os que detém menos determinados capitais ao insucesso.
     

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dilma, a Folha de São Paulo e os novos tempos

A folha de São Paulo, este jornal que esprestava seus carros para a ditadura matar e torturar seus oponentes, ao completar 90 anos de (des) serviços a democracia convidou a presidenta Dilma para escrever um artigo. A presidenta aceitou e escreveu com todas as letras aquilo que tem repetido sempre que pode: " a figura chave do processo que levará o Brasil a um novo patamar é o educador". Reparem que ela parece estar bem consciente do que está dizendo, pois ela evita a palavra professor e utiliza "educador". Isso faz uma diferença enorme. Ela, no texto, demonstra estar bem consciente quanto ao papel dos educadores no novo cenário desejado para o nosso país. Talvez não seja demais dizer que nunca na história desse país um presidente (a) se importou tanto, ou deu tanto espaço à questão da educação. Leiam abaixo o artido na íntegra:

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PAÍS DO CONHECIMENTO, POTÊNCIA AMBIENTAL
por DILMA ROUSSEFF

Hoje, já não parece uma meta tão distante o Brasil se tornar país economicamente rico e socialmente justo, mas há grandes desafios pela frente, como educação de qualidade
Há 90 anos, o Brasil era um país oligárquico, em que a questão social não tinha qualquer relevância aos olhos do poder público, que a tratava como questão de polícia.

O país vivia à sombra da herança histórica da escravidão, do preconceito contra a mulher e da exclusão social, o que limitou, por muitas décadas, seu pleno desenvolvimento.

Mesmo quando os grandes planos de desenvolvimento foram desenhados, a questão social continuou como apêndice e a educação não conquistou lugar estratégico. Avançamos apenas nas décadas recentes, quando a sociedade decidiu firmar o social como prioridade.

Contudo, o Brasil ainda é um país contraditório. Persistem graves disparidades regionais e de renda. Setores pouco desenvolvidos coexistem com atividades econômicas caracterizadas por enorme sofisticação tecnológica. Mas os ganhos econômicos e sociais dos últimos anos estão permitindo uma renovada confiança no futuro.

Enorme janela de oportunidade se abre para o Brasil. Já não parece uma meta tão distante tornar-se um país economicamente rico e socialmente justo. Mas existem ainda gigantescos desafios pela frente. E o principal, na sociedade moderna, é o desafio da educação de qualidade, da democratização do conhecimento e do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente.

Ao longo do século 21, todas as formas de distribuição do conhecimento serão ainda mais complexas e rápidas do que hoje.

Como a tecnologia irá modificar o espaço físico das escolas? Quais serão as ferramentas à disposição dos estudantes? Como será a relação professor-aluno? São questões sem respostas claras.

Tenho certeza, no entanto, de que a figura-chave será a do educador, o formador do cidadão da era do conhecimento.

Priorizar a educação implica consolidar valores universais de democracia, de liberdade e de tolerância, garantindo oportunidade para todos. Trata-se de uma construção social, de um pacto pelo futuro, em que o conhecimento é e será o fator decisivo.

Existe uma relação direta entre a capacidade de uma sociedade processar informações complexas e sua capacidade de produzir inovação e gerar riqueza, qualificando sua relação com as demais nações.

No presente e no futuro, a geração de riqueza não poderá ser pautada pela visão de curto prazo e pelo consumo desenfreado dos recursos naturais. O uso inteligente da água e das terras agriculturáveis, o respeito ao meio ambiente e o investimento em fontes de energia renováveis devem ser condições intrínsecas do nosso crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável será um diferencial na relação do Brasil com o mundo.

Noventa anos atrás, erramos como governantes e falhamos como nação.

Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural. Um país capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lo que el corazón quiere, la mente se lo muestra. Entrevista com o cirurgião espanhol Mario A. Puig

   Não sou muito adepto daquela linha de raciocínio do tipo "o segredo", quer dizer, creio que não seja muito adepto daquelas ideias que algumas pessoas leitoras desse livro tem, de que tudo depende das condições subjetivas do indivíduo. Nessa linha de raciocínio há um esvaziamento quase que completo das condições objetivas do mundo. Só há subjetividades. Talvez essa seja uma forma rasa de interpretação das descobertas e insights que vêm sendo discutido nos últimos anos. Trata-se de compreender o papel dos estados mentais sobre a fisiologia. Ora, se corpo e mente não são coisas distintas, é fácil compreender que um influencia o outro, ou em outras palavras, age sobre o outro. Achei muito interessante essa entrevista dada pelo cirurgião espanhol Mario Alonso Puig. Esta entrevista me levou a um livro de um neurocientista português chamado António Damásio, cuja pesquisa versa, entre outras coisas, sobre o papel das emoções na formação da própria racionalidade. Damásio é autor de livros como: "O erro de Descartes" e "O mistério da consciência". Logo no início do primeiro ele diz que "a razão humana depende não de um único centro cerebral, mas de vários sistemas cerebrais que funcionam de forma concertada ao longo de muitos níveis de organização neuronal. Tanto as regiões cerebrais de ”alto nível” como as de ”baixo nível”, desde os córtices pré-frontais até o hipotálamo e o tronco cerebral, cooperam umas com as outras na feitura da razão". Ou seja, a razão não é tributária apenas de um único centro localizável no cérebro human, mas de um cojunto de partes que agem em colaboração. O papel das emoções, não obstante ser reconhecido hoje no senso comum, ainda é relegado a um segundo plano no que diz respeito a uma hierarquia dos saberes. Creio que a entrevista do cirurgião Mario A. Puig, se encontra nessa linha de pensamento que emerge com força nesse início de século. Leiam:
 
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Hasta ahora lo decían los iluminados, los meditadores y los sabios; ahora también lo dice la ciencia: son nuestros pensamientos los que en gran medida han creado y crean continuamente nuestro mundo. "Hoy sabemos que la confianza en uno mismo, el entusiasmo y la ilusión tienen la capacidad de favorecer las funciones superiores del cerebro. La zona prefrontal del cerebro, el lugar donde tiene lugar el pensamiento más avanzado, donde se inventa nuestro futuro, donde valoramos alternativas y estrategias para solucionar los problemas y tomar decisiones, está tremendamente influida por el sistema límbico, que es nuestro cerebro emocional. Por eso, lo que el corazón quiere sentir, la mente se lo acaba mostrando". Hay que entrenar esa mente
Tengo 48 años. Nací y vivo en Madrid. Estoy casado y tengo tres niños. Soy cirujano general y del aparato digestivo en el Hospital de Madrid. Hay que ejercitar y desarrollar la flexibilidad y la tolerancia. Se puede ser muy firme con las conductas y amable con las personas. Soy católico. Acabo de publicar Madera líder (Empresa Activa)
- Más de 25 años ejerciendo de cirujano. ¿Conclusión?
-Puedo atestiguar que una persona ilusionada, comprometida y que confía en sí misma puede ir mucho más allá de lo que cabría esperar por su trayectoria.
- ¿Psiconeuroinmunobiología?
-Sí, es la ciencia que estudia la conexión que existe entre el pensamiento, la palabra, la mentalidad y la fisiología del ser humano. Una conexión que desafía el paradigma tradicional. El pensamiento y la palabra son una forma de energía vital que tiene la capacidad (y ha sido demostrado de forma sostenible) de interactuar con el organismo y producir cambios físicos muy profundos.
- ¿De qué se trata?
-Se ha demostrado en diversos estudios que un minuto entreteniendo un pensamiento negativo deja el sistema inmunitario en una situación delicada durante seis horas. El distrés, esa sensación de agobio permanente, produce cambios muy sorprendentes en el funcionamiento del cerebro y en la constelación hormonal.
- ¿Qué tipo de cambios?
-Tiene la capacidad de lesionar neuronas de la memoria y del aprendizaje localizadas en el hipocampo. Y afecta a nuestra capacidad intelectual porque deja sin riego sanguíneo aquellas zonas del cerebro más necesarias para tomar decisiones adecuadas.
- ¿Tenemos recursos para combatir al enemigo interior, o eso es cosa de sabios?
-Un valioso recurso contra la preocupación es llevar la atención a la respiración abdominal, que tiene por sí sola la capacidad de producir cambios en el cerebro. Favorece la secreción de hormonas como la serotonina y la endorfina y mejora la sintonía de ritmos cerebrales entre los dos hemisferios.
- ¿Cambiar la mente a través del cuerpo?
-Sí. Hay que sacar el foco de atención de esos pensamientos que nos están alterando, provocando desánimo, ira o preocupación, y que hacen que nuestras decisiones partan desde un punto de vista inadecuado. Es más inteligente, no más razonable, llevar el foco de atención a la respiración, que tiene la capacidad de serenar nuestro estado mental.
- ¿Dice que no hay que ser razonable?
-Siempre encontraremos razones para justificar nuestro mal humor, estrés o tristeza, y esa es una línea determinada de pensamiento. Pero cuando nos basamos en cómo queremos vivir, por ejemplo sin tristeza, aparece otra línea. Son más importantes el qué y el porqué que el cómo. Lo que el corazón quiere sentir, la mente se lo acaba mostrando.
- Exagera.
-Cuando nuestro cerebro da un significado a algo, nosotros lo vivimos como la absoluta realidad, sin ser conscientes de que sólo es una interpretación de la realidad.
- Más recursos...
-La palabra es una forma de energía vital. Se ha podido fotografiar con tomografía de emisión de positrones cómo las personas que decidieron hablarse a sí mismas de una manera más positiva, específicamente personas con transtornos psiquiátricos, consiguieron remodelar físicamente su estructura cerebral, precisamente los circuitos que les generaban estas enfermedades.
- ¿Podemos cambiar nuestro cerebro con buenas palabras?
-Santiago Ramon y Cajal, premio Nobel de Medicina en 1906, dijo una frase tremendamente potente que en su momento pensamos que era metáforica. Ahora sabemos que es literal: "Todo ser humano, si se lo propone, puede ser escultor de su propio cerebro".
-¿Seguro que no exagera?
-No. Según cómo nos hablamos a nosotros mismos moldeamos nuestras emociones, que cambian nuestras percepciones. La transformación del observador (nosotros) altera el proceso observado. No vemos el mundo que es, vemos el mundo que somos.
- ¿Hablamos de filosofía o de ciencia?
-Las palabras por sí solas activan los núcleos amigdalinos. Pueden activar, por ejemplo, los núcleos del miedo que transforman las hormonas y los procesos mentales. Científicos de Harward han demostrado que cuando la persona consigue reducir esa cacofonía interior y entrar en el silencio, las migrañas y el dolor coronario pueden reducirse un 80%.
- ¿Cuál es el efecto de las palabras no dichas?
-Solemos confundir nuestros puntos de vista con la verdad, y eso se transmite: la percepción va más allá de la razón. Según estudios de Albert Merhabian, de la Universidad de California (UCLA), el 93% del impacto de una comunicación va por debajo de la conciencia.
- ¿Por qué nos cuesta tanto cambiar?
-El miedo nos impide salir de la zona de confort, tendemos a la seguridad de lo conocido, y esa actitud nos impide realizarnos. Para crecer hay que salir de esa zona.
- La mayor parte de los actos de nuestra vida se rigen por el inconsciente.
-Reaccionamos según unos automatismos que hemos ido incorporando. Pensamos que la espontaneidad es un valor; pero para que haya espontaneidad primero ha de haber preparación, sino sólo hay automatismos. Cada vez estoy más convencido del poder que tiene el entrenamiento de la mente.
- Deme alguna pista.
-Cambie hábitos de pensamiento y entrene su integridad honrando su propia palabra. Cuando decimos "voy a hacer esto" y no lo hacemos alteramos físicamente nuestro cerebro. El mayor potencial es la conciencia.
- Ver lo que hay y aceptarlo.
-Si nos aceptamos por lo que somos y por lo que no somos, podemos cambiar. Lo que se resiste persiste. La aceptación es el núcleo de la transformación.
 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

NEUROPOLIS

O compositor e pesquisador musical paulista Lívio Tragtenberg teve uma daquelas ideias que a gente fica pensando como é que não fomos nós que a tivemos. Ele realizou um projeto de juntar vários músicos que tocam nas ruas de São Paulo para forma uma orquestra popular. Disso resultou o disco e o documentário neuropolis, que o compositor quer que escreva sem acento, mas que se pronuncie como se tivesse. O disco soa muito bem com timbres inusitados que mistura pandeiro, uma espécie de cítara japonesa, sax, acordeon e sotaque boliviano (ou é colombiano?).

Ganhei o disco de presente de minha amiga Lenira, e assim que ouvi achei o máximo. Vejam aqui um pouco do documentário: